Imprevisível
14 A Aposta
Notas iniciais
Capitulo 14
A Aposta
— Pra que isso? — Sasuke apontou pra minha arma.
— Para o caso de você me arrastar pra algum parque de diversões. — Expliquei.
— Se arrume rápido — Mandou — Antes você vai a um racha comigo — Sorriu brincalhão.
Franzi o cenho.
— Racha? — Indaguei confusa.
— Uhum — Disse naturalmente.
Eu ri baixo, voltei a me sentar no sofá, me esparramando novamente.
— Sakura — Sasuke me chamou.
— Não to a fim de ir — Eu disse me aconchegando no sofá — Vá sozinho.
Bocejei, peguei o controle remoto e mudei de canal, meu final de semana já estava ruim demais. Mas para a minha infelicidade o meu diabo particular havia resolvido me atazanar, agarrou o controle da minha mão e desligou a Tv.
— Me deixa em paz Sasuke! — Gritei afundando meu rosto nas almofadas.
— Para de marra — Pegou em meu antebraço e me puxou — Se não for por bem, vai por mal. Aliais você tem que fingir ser minha namorada até final de semana que vem.
Lancei um olhar mortal para ele, mas ele nem se importou. Levantei do sofá enfurecida.
— Vai se foder! — Eu disse.
Corri pra cozinha, sendo seguida por Sasuke. Comecei a correr envolta da mesa, fugindo de Sasuke que corria atrás de mim.
— Prefere me ter te atazanando o resto da vida? — Ele perguntou.
Revirei meus olhos, segui para a sala, pulei no sofá e quase cai de costas no chão. Me levantei e corri até o quarto dos meus pais onde eu me trancaria. Mas antes de chegar, Sasuke que estava atrás de mim, agarrou meu antebraço, me puxando contra ele. Nossos corpos se colidiram, ele agachou, passou o braço direito na curvatura de meus joelhos, encostando o ombro na altura de minha barriga. Ergueu o corpo me levando junto, fiquei com o rosto em suas costas.
— ME SOLTA! — Berrei.
Sasuke não perdeu tempo, seguiu para a porta do apartamento saindo em seguida, me carregando como se fosse à coisa mais normal do mundo. Eu batia, mordia, socava suas costas, mas Sasuke não me soltava.
— Quando me soltar, vou mandar meu pai te prender! — Gritei quando entramos no elevador.
As portas de aço abriram, Sasuke saiu caminhando em direção ao estacionamento. Todo mundo que passava ao nosso lado parava para ver a cena, o que me deixava ainda mais irada. Até a velinha que era minha vizinha tava olhando — “E olha, que ela é cega!”
Sasuke parou ao lado de uma Ferrari azul reluzente e extremamente chamativa. Ele abriu a porta do carona e sem delicadeza alguma me jogou no banco. Fechou a porta e contornou o carro, se acomodando no banco do motorista.
— Eu te aconselho a colocar o cinto de segurança — Disse ligando o carro.
— Você vai ser preso! — Gritei.
O carro começou a se locomover em uma velocidade absurda, Sasuke dirigia feito um louco, tudo envolta tornava-se apenas borrões.
— Com que ta disputando racha?! — Gritei apertando o banco de couro.
“Qual era a necessidade de correr tanto?”
Sasuke riu baixo, aumentando a velocidade.
— Com ninguém, hoje só vou assistir — Disse ele.
— Me referi a sua alta velocidade... Fui irônica.
— Odeio ironia.
— Odeio você. — Esbravejei.
Sasuke olhou pra mim e parou o carro, com uma freada brusca.
— Que foi?
Sasuke me encarava.
— Por que ta me olhando?
Ele riu.
— Tem olhos bonitos — Ele disse sem mais nem menos.
— Que?
Ele desceu do carro.
— Vamos.
— Onde?
Sasuke revirou os olhos e mostro o beco que estava atrás de mim.
— É aqui? — Perguntei.
— É.
***
Não teve nada de impressionante no racha. Apenas dois bobocas ruivos acelerando suas Ferrari do Paraguai. Sasuke odiou a corrida e pediu o dinheiro que tinha apostado de volta.
— Isso foi uma merda, ninguém morreu. — Disse Sasuke ligando o carro.
— Pois é, né.
Ficamos um bom tempo em silencio durante a nossa viagem até a casa... Da ino?
Fiquei ereta no banco e encarei Sasuke.
— O que agente tá fazendo aqui? — Apontei pra casa da Ino.
— Você tem exatamente 20 minutos pra se arrumar.
— Que?
— Para de falar “que” e vai se arrumar, vou ficar esperando.
— Pra quem temos que provar que sou sua namorada? — Fiz aspas com as mãos ao pronunciar “namorada”.
Sasuke ficou quieto.
— Pra quem?
— Vai se arrumar.
Por fim, entrei na casa de Ino.
***
— Odeio rosa! — Falei me olhando no espelho, eu estava vestida com um vestido rosa pink e um sapato da mesma cor.
— Então por que seu cabelo é rosa? — Perguntou Ino.
— Não gosto de ser ruiva.
— Tenha dó. — Esbravejou Ino me entregando um gloss. — Passa esse!
Passei.
— Pronto, agora podemos ir.
— Ir aonde?
— Ao parque sua besta!
Parque, o lugar onde eu menos gostava de ir, odiava aqueles brinquedos idiotas, em especial a montanha russa, a do parque da Florida era a maior dos Estados Unidos!
Eu e Ino fomos pra fora onde Sasuke e Sai estavam. Dentro do carro.
Sentamos atraís e os meninos na frente.
— Animadas? — Perguntou Sai.
Fechei a cara.
— Quero ir para a minha casa — Resmunguei.
— Larga de ser marrenta — Esbravejou Sasuke.
Franzi o cenho.
— Nunca! — Gritei — Quero ir para a minha casa!
Sasuke riu e acelerou o carro. Pra minha sorte estavmos indo pro parque.
Desgraça.
***
Sasuke estacionou o carro em uma vaga do amplo estacionamento do parque, de cara eu já via o que eu mais temia: a montanha russa. Sasuke abriu a porta do carro e saiu, fiz o mesmo pois me recusava a ser carregada novamente. Era uma noite fria, Sasuke usando um camiseta preta cavada, parecia não se importa com o frio. E varias garotas o encaravam, pareciam umas putas, nada contra... Tá, tudo contra.
Ele insistia em pegar na minha mão enquanto caminhávamos para a entrada do parque, porém eu me afastava o mais rápido que podia. Sai e Ino como sempre andavam abraços.
“Ai que nojo!”
— E ai, em qual vamos primeiro? — Perguntou Sai balançando Ino em seus braços.
Pensei em não encarar muito a roda gigante, vai que o meu diabo resolve atenta.
— Que tal na montanha russa? — Propôs Ino, apontando na direção do brinquedo.
“Filha da puta!”
— NÃO! — Berrei sem pensar.
Todos direcionaram os olhos para mim e eu me arrependi amargamente de ter protestado quando vi o sorriso de canto que Sasuke esboçou.
— Não acredito — Disse ele, me encarando — Você tem medo de altura! — Provocou.
— Não tenho medo, só não quero ir — Justifiquei.
Ele não parecia muito convencido.
— Te proponho uma aposta — Sasuke se aproximou — O que acha? — Indagou curvando-se em minha direção, me encarando.
Estreitei os olhos.
— Aposta... — Repeti — Que aposta? — Perguntei desconfiada.
Sasuke apontou para a montanha russa um pouco distante.
— Se conseguir ir à montanha russa comigo sem gritar — Disse com um sorriso divertido — Não precisa mais fingir ser minha namorada. — Ele arqueou uma sobrancelha — O que me diz?
Olhei para a enorme e assustadora montanha russa, engoli em seco, mas mantive minha expressão mais indiferente possível.
— E se eu perder? — Eu quis saber.
— Será minha namorada definitivamente — Respondeu ele, com um sorriso malicioso — Não será mais de mentirinha namoraremos de verdade.
— Que?
— Para de falar “que”, aceita a aposta? — Perguntou sorrindo debochado — Não vai ter outra chance como essa.
Arqueei as sobrancelhas.
— Não sei.
— É pegar ou larga.
— Ta bom.
Resolvi aceitar, eu iria ganhar mesmo. Seguimos em direção à montanha russa que ficava maior a cada passo dado, o que me deixava internamente apavorada, mas eu não iria dar o gostinho da vitória a Sasuke. O moreno seguia mais a frente com Sai, não paravam de conversar, talvez Sasuke estivesse planejando uma trapaça para vencer.
Escorei na grade que cercava a montanha russa junto com Ino.
— O Sai ta demorando.
Estranhei o desaparecimento de Sai.
Sasuke agarrou meu braço e me puxou pra fila, largando Ino sozinha. A fila estava até pequena, não ia demorar muito para chegar a nossa vez. E realmente não demorou, quando dei por mim já estava sendo puxada por Sasuke para um carrinho. Entramos e sentamos no único banco e colocamos o sinto. Minhas pernas tremiam, segurei na barra de ferro na nossa frente, tão forte que seria capaz de amassá-la.
— Ta com medo? — Perguntou Sasuke, relaxando no banco.
Trinquei meus dentes, evitei reponde-lo para que minha voz não expressasse todo o medo que eu estava sentindo.
O carrinho se movimentou em direção a uma caverna, com um tranco, fechei meus olhos com força, sentia meu coração quase saltar para fora do peito.
“Mamãe, me tira daqui”.
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