Imperium

19 XIX - Rex Hispaniam


Notas iniciais
Então gente. Muitas coisas aconteceram depois de o último capítulo. Eu criei uma playlist pra fanfic, que eu uso basicamente pra entrar nesse universo enquanto estou escrevendo: https://open.spotify.com/playlist/2SR0dSrIFc8grHWwrZFEE4 E também fiz uma árvore genealógica das famílias reais principais da história: http://www.familyecho.com/?p=START&c=d118bpu59r&f=875094076413980904 Se houver algumas pessoas que você não conseguir entender, é porque são coisas que eu tenho na minha mente, mas nunca expliquei em palavras claras na história. Talvez eu consiga abordar esses assuntos no decorrer dos capítulos, se eu me lembrar haha. Quando eu disser que eu estou com uma enxaqueca horrível, é por causa disso. Os comentários do último capítulo serão respondidos mais tarde :)

A garota no retrato encarava Gabriel com olhos duros e frios. O cabelo preto estava preso para cima, coberto por uma fina camada de farinha para esbranquiçar os fios. Ela usava um vestido azul escuro, certamente para realçar a cor de suas írises, e um pingente pesado pendia em seu pescoço, o largo rubi sobre seu colo. A moça não sorria, os lábios carnudos apertados em uma linha rosada em seu rosto, mas não havia necessidade disso. Era bonita sem ele, de uma forma robusta e ríspida. Uma beleza raivosa que só poderia existir em Cecily Herondale, a Rainha da Espanha.

A pintura lhe foi dada logo após ter ganhado o trono, quando sua primeira esposa havia morrido e ele precisava de uma nova mulher, alguém com o sangue para lhe dar herdeiros legítimos. Os reinos europeus hesitaram a sua frente, temendo dar uma filha ou irmã para o homem que havia feito um inimigo dos Morgenstern.

Mas Stephen Herondale mandou seu embaixador, o baixo e gordo Hodge Starkweather, com um retrato de sua segunda filha e histórias e mais histórias sobre seu valor e obediência, sua força de caráter. Os Herondale governavam a Inglaterra desde o fim da Guerra das Rosas no século XV, quando Henry Herondale tomou o trono e uma filha dos York. Eram a segunda dinastia mais antiga da Europa e suas terras no Novo Mundo os enriqueciam há pelo menos dois séculos. O sangue da Princesa Cecily em seus filhos daria prestígio à sua linhagem, um motivo para Deus lhes ter abençoado com um reino.

Se ele tivesse qualquer reserva ao casamento, Cecily as incendiou assim que chegou. Ela era inteligente, sagaz e determinada. Poderia ser mil e uma coisas ao mesmo tempo. Às vezes, era doce e obediente, a dama perfeita, e outras poderia ser irritada e orgulhosa. Ele nunca conseguiu decidir qual das duas versões ele amava mais.

Gabriel ainda se lembrava de quando entrou no quarto de Cecily, agora uma Rainha e não mais uma Princesa, esperando encontrar uma jovem assustada, escondida embaixo das cobertas. Ao invés disso, ele a viu perto da janela virada para o norte, onde sua amada ilha estaria a milhares de milhas através do mar. Ao ouvi-lo chegar, a esposa se virou para ele.

— Sente-se, Vossa Majestade. Por favor — ela disse, a voz doce e aguda. Gabriel deveria ter rejeitado a ideia de obedecer a sua esposa, mas ele não o fez. Apenas se sentou em uma cadeira posta em frente à lareira, como foi pedido. Cecily virou as costas para a janela e andou até ele. Estava usando um roupão de algodão, uma faixa azul prendendo a roupa com um nó em frente ao umbigo. Ela andou em sua direção até estar em frente a ele, metade do corpo esguio iluminado pelas chamas da lareira. — Eu sei o que devo fazer, Vossa Majestade. Sei que devo dormir com você, consumar o casamento.

— Você deve — ele murmurou, sem saber exatamente o porquê daquelas palavras.

Cecily sorriu. O sorriso dela era cortante com uma adaga, e ainda mais perigoso.

Com dedos ligeiros, ela desatou os nós de seu roupão e deixou o tecido deslizar para fora de seu corpo. Por baixo, ela não usava nada. Gabriel conhecia o corpo feminino. Teve amantes antes, e fora casado uma vez. Era quinze anos mais velho e não havia nenhuma expectativa posta nele para manter sua virtude intacta. Pelo contrário, na verdade. Ainda se lembrava quando o pai, Lorde Benedict Lightwood, como uma lição final em seus estudos de garoto, lhe apresentou à uma jovem mulher de longos cabelos negros e olhos maldosos. Lilith, ela se chamava, e iria lhe ensinar como ser homem. Depois de ter terminado suas “lições”, Gabriel descobriu que Lilith se tratava da amante do próprio homem a quem os juntou.

Mas Cecily era diferente. Ela era mais baixa do que ele, com pernas musculosas provenientes de horas passadas sobre um cavalo, e mais magra. Os seios eram pequenos, com mamilos rosas, e ela possuía cicatrizes em suas coxas e quadril devido ao crescimento rápido de suas curvas femininas.

Gabriel espalmou uma mão em sua barriga, os dedos alongados e esticados. A pele dela era macia, mas estava cheia de suor. Se era pelo calor ou pelo nervosismo, ele nunca iria saber. Ele acariciou sua barriga, levando a mão para curvatura singela de sua cintura. Gabriel tocou no osso de seu quadril antes de subir os dedos e pegar um de seus seios na mão. Ele sentiu seu peso, arrastando o polegar pelo mamilo. Ele fez o mesmo com o outro seio, usando a mão livre.

— Você é linda — ele murmurou, erguendo os olhos para Cecily e as bochechas da esposa ficaram avermelhadas. — Venha aqui.

Ele a puxou para seu colo, cada coxa dela entre uma perna dele e o apoio de braços da cadeira. Com cuidado, ele desceu suas carícias até o acúmulo de cachos entre suas pernas, tocando no nó de nervos que a fazia tremer. Ele beijou um de seus seios, tomando o mamilo em sua boca, e acariciou o clitóris de sua nova esposa. Calor e sangue se acumularam embaixo de seu toque, assim como uma crescente umidade. Cecily gemeu, colocando as mãos em seus ombros, e beijou o topo de sua cabeça, suspirando contra seus cabelos.

Gabriel ainda estava vestido, com as calças de linho preto e a blusa de algodão, e Cecily olhou para baixo, enfiando as mãos entre eles como se fosse desatar os nós da calça. Foi caótico, para se dizer o mínimo. Ele ainda estava com uma mão em sua intimidade, a outra segurando sua coxa, e não havia espaço suficiente entre os dois para quatro braços.

— Calma — ele disse, lábios ainda sobre seu seio direito. O mamilo estava eriçado e vermelho, arranhado pelos seus dentes. Ela era impaciente, uma característica comum aos Herondale, ele iria descobrir mais tarde. — Calma.

— Estou calma, Vossa Majestade — Cecily respondeu, irritada. Ele chupou seu peito, acelerando os movimentos do dedo e ela suspirou, jogando a cabeça para trás.

— Gabriel — ele retrucou. Cecily franziu o cenho, confusa com as palavras e ele sorriu, achando graça em tudo aquilo. — Quando estivermos sozinhos assim, deve-me chamar de Gabriel.

— Gabriel — ela repetiu, sentindo o gosto de seu nome em sua boca, e nunca o nome do rei da Espanha soou tão doce como naquele momento. — Gabriel, Gabriel. — Quando ela abaixou a cabeça para beijá-lo, Gabriel conseguiu sentir o gosto de vinho em sua boca.

— Vossa Majestade — alguém lhe chamou, a voz distante, porém perto, de certa forma. Gabriel balançou a cabeça e olhou para cima, vendo um de seus pajens parado na porta.

— Sim? — Gabriel disse. — O que queres?

O menino, não deveria ter mais de quatorze anos, entrou e fez uma reverência. Ele estava usando vestes negras, com a chama dos Lightwood bordada na lapela de seu casaco. Gabriel olhou para aquele menino, assustado e jovem demais para a sua posição, e viu a si mesmo, anos antes, quando a carta chegou, anunciando a morte do Rei da Espanha. A mãe havia chorado pelo irmão falecido, enquanto o pai planejava uma guerra em seu nome.

— O embaixador inglês está aqui, mi rey — ele disse, a voz trêmula.

Gabriel assentiu. Havia recebido uma carta de um de seus espiões. A morte de Stephen Herondale, o monarca que governava a Inglaterra havia cinquenta, foi um choque para todos. Fluído em seus pulmões, dizia a carta de Andrew Blackthorn, os médicos acham ter sido câncer.

Agora seu cunhado era rei. Jonathan Christopher, o meio-irmão de Cecily pela segunda esposa do pai. A esposa era Seraphina Clarissa, a única filha do Imperador Austríaco. De certa forma, Gabriel era duplamente cunhado da Rainha, tanto pela esposa quanto pela irmã.

E, ele pensou, olhando para a mesa onde uma carta do rei francês descansava, esperando para ser respondida, se Granville II tiver seu jeito, seremos primos pela lei.

Mon cher cousin,

Je t'ai sous-estimé.

Vous avez bien joué le jeu. Il y a quinze ans, vous étiez un seigneur d'Angleterre et maintenant vous êtes un Roi, l'oncle du futur Empereur Romain Germanique. Gabriel, tu es maintenant une personne importante en Europe.

Et c'est pourquoi j'ai une offre pour vous. Mon arrière-petit-fils, Granville, le Duc de Bretagne, a cinq ans et sera un jour roi de France. Vous avez une jeune fille de moins de deux ans, la Princesse Ana. Promettez-la au duc et envoyez-la ici, où la Reine et moi superviserons son éducation. Elle sera traitée selon sa station, bien sûr.

Attentivement,

Le Roi de France.

Ele havia encarado aquela carta por horas, como se isso fizesse as palavras mudarem de lugar até fazerem sentido. Até lhe derem uma notícia melhor.

Por Deus, Granville Fairchild estava pedindo para ele transformar sua filha na futura Rainha da França. Dizia ter lhe subestimado, quinze anos antes, quando ele ainda era um nobre inglês. E agora, ele era um rei, o tio do futuro do Imperador Romano Germânico. O casamento de Tatiana com Sebastian Morgenstern era o único motivo para essa oferta ter sido feita, ele sabia. O Rei da França oferecia o casamento entre as duas crianças, quando chegassem na idade certa, é claro, e falava para Gabriel mandar Anna à França, onde ele e sua esposa iriam supervisionar a sua educação. Ela iria ser tratada bem, prometia, de acordo com a sua estação.

Granville falava como se tudo fosse muito fácil. A esposa dele, a Rainha Adele, era uma nobre dos Países Baixos e irmã da mãe da Rainha Linette, portanto o pequeno Duque e a Infanta Anna eram primos de quinto grau. Se ele aceitasse as propostas do Rei-Sol, a filha iria crescer ao lado do futuro marido. Seriam amigos e a transição ao casamento poderia ser mais fácil.

E ainda sim, ele hesitava. Não confiava nos Fairchild. Foram traiçoeiros, se recusando a ajudar qualquer lado da Guerra de Sucessão, mesmo com Jocelyn Fairchild sendo a esposa de Valentim Morgenstern, apenas para atacarem Luxemburgo no nome de Gabriel quando ficou claro que ele iria ser o vencedor.

Não gostaria de mandar sua filha para aquele lugar, sua única filha. Anna era tudo que ele tinha. Se ele morresse sem um filho varão, a Infanta iria ascender ao trono e ele não gostaria de ver isso acontecendo com ela sendo a Rainha da França.

Talvez Jonathan irá me dar boas notícias, ele pensou, acenando para o embaixador entrar. A esposa dele estava grávida, de quase sete meses segundo os relatos de Andrew, e ele poderia desejar mais uma união entre as duas famílias reais. Gabriel tentou pensar no que poderia ser. Apesar de serem cunhados, os dois não eram próximos, mas Cecily sempre falava bem do irmão. A mãe dele a havia criado depois que a Rainha Linette morreu de uma febre comum e os dois eram tão próximos quanto se era possível ser dentro de uma família real. Gabriel se perguntou como a esposa se sentia com a morte do pai e a ascensão do irmão. Eles estavam separados havia três meses quando a notícia chegou.

O fato de não saber lhe trazia vergonha. Era um homem, marido e pai. Tinha o dever de garantir a segurança e felicidade da família, mas, desde a saída de Cecily da corte, quase cinco meses antes, ele não havia posto os olhos nem na esposa nem na filha. As únicas notícias delas eram curtas, relatórios da saúde da Infanta e de suas conquistas, escritas pela própria mão de sua mãe. Cecily havia sido inteligente. Levou para Aranjuez apenas aqueles que não iriam escrever à Gabriel.

Deus, como sentia sua falta.

Era difícil admitir isso quando era sua culpa ela ter ido embora. Não queria que descobrisse sobre a gravidez de Cristina daquela maneira, ainda estava tentando descobrir como lhe contar sem quebrar seus sentimentos quando tudo aconteceu. Se tivesse tido a oportunidade, teria sentado ao seu lado na cama, segurando as mãos da esposa. Diria que havia sido um acidente, que a criança de Cristina nunca seria uma ameaça à Anna ou qualquer filho nascido do ventre de Cecily. Faria seu dever como pai, mas seria apenas isso. Não diria a parte sobre como seu coração doía pela perda do pequeno John, e Cristina havia sido apenas um corpo quente usado para lhe fazer esquecer a dor da morte do filho. Sabia que isso iria estragar tudo.

Mas ela descobriu. Viu Cristina com os próprios olhos, andando pelo palácio como se sua presença não fosse uma ofensa ao casamento do Rei. Não deveria ter trazido a Duquesa de volta à corte, deveria ter lhe colocado em alguma outra residência real, fora dos olhos de sua esposa.

A porta se abriu e o homem quem deveria ser seu novo embaixador inglês entrou. Era um homem alto, com cabelos cor de areia e olhos verdes. Estava dez anos mais velho e parecia mais cansado, e triste, porém a semelhança familiar era inegável.

O embaixador de Jonathan Christopher era Gideon Lightwood, um Infante da Espanha e segundo na linha de sucessão ao trono. Gabriel olhou para o irmão, sem se levantar. Não conseguia acreditar, ou talvez nem mesmo queria acreditar.

— Isso é uma piada? — ele perguntou.

Gideon deu de ombros.

— Acho que não — ele disse. — O Rei parecia bem sério quando me contou. Ele acha que eu posso manipular você.

— Você pode?

Gideon deu de ombros novamente.

— Você me diz — murmurou. — Irá seguir as exigências de um garoto jovem o suficiente para ser seu filho? — ele arqueou uma sobrancelha em desafio.

Gabriel riu.

— Eu senti sua falta, irmão — disse e se levantou, andando até Gideon. Era mais baixo do que ele, algo que lhe trazia muita raiva quando os dois ainda eram moços, mas agora ele não se importava. — É bom tê-lo de volta.

Gideon sorriu.

— É bom estar de volta — ele disse, abraçando Gabriel. Os dois não se viam havia dez anos, depois de Gideon ter voltado à Inglaterra para acertar seus assuntos e acabar se apaixonando por uma criada do Duque de Norfolk, mas trocavam cartas com frequência. Quando se separaram, Gideon puxou um envelope do bolso do casaco. — Uma carta de Jonathan. Deve ser importante, se ele estava disposto a esperar o tempo levado para eu chegar aqui.

Gabriel fez uma careta e pegou a carta, selada com o selo inglês marcada em uma cera vermelha. Ele a abriu com um bufado. My dear cousin, Jonathan escreveu com sua letra rabiscada e sem polimento. Ele detalhou o amor que sentia pela irmã e a decepção com a notícia da gravidez de Cristina Rosales. Volte para Cecily, querido primo. Desiste de suas amantes e coloque Cristina em seu verdadeiro lugar. Essa separação só irá lhe trazer problemas.

Ao terminar, Gabriel jogou a carta ao lado.

— Hipócrita — disse, virando-se para o irmão. — Toda a Europa sabe de suas amantes, principalmente aquela atriz imoral. Ele realmente acha estar em direito de me repreender?

Gideon deu um passo para frente.

— Cecily é sua irmã favorita — murmurou. — E nenhuma das amantes de Jonathan foram nobres.

Gabriel olhou para o irmão como se ele fosse um estranho. Dez anos é muito tempo para ficar separado sem nada mudar.

— Concorda com ele? — questionou.

Gideon ergueu as mãos em sinal de paz.

— Só estou dizendo que entendo de onde ele está vindo — disse. — Quando estava me encontrando com o Rei, a irmã dele chegou. Ella, a Rainha-Mãe da Prússia.

— Sim... — Gabriel sussurrou, pensando nas cartas enviadas à Cecily de sua irmã mais velha, detalhando os maus tratos do marido e de sua morte por varíola. Cecily costumava responder com encorajamentos, ajudando a irmã a tentar assumir a regência da Prússia em nome do filho pequeno. — Eu me lembro. O que isso tem a ver?

— Tem a ver que eu fui deixado sozinho no escritório do rei — ele disse. — Jonathan é imprudente e impulsivo. Saiu para cumprimentar a irmã sem nem mesmo garantir a minha deixa.

Gabriel estreitou os olhos. Qualquer outro homem poderia se irritar com isso, com a traiçoeira atitude do irmão, mas ele não era qualquer homem. Passou quinze anos em um campo de batalha, não confiando em ninguém além de si mesmo. Era traído por aqueles que juraram lealdade, enquanto era ajudado por pessoas no seio do inimigo.

— Viu alguns de seus documentos?

— Melhor — Gideon disse e pegou outro papel de seu bolso. Esse estava aberto e amassado, como algo que havia sido lido e lido por horas a fim. — Duvido que ele tenha percebido sua ausência.

Gabriel pegou o documento como se fosse ar para um homem se afogando. Ele leu o papel em silêncio, a letra cuidadosa cobrindo quase toda a frente da página e, ao terminar, amassou a carta em suas mãos, os dedos se curvando para dentro em frente a tamanha raiva que sentia. Aquela... Agora entendia a carta de Granville Fairchild. Foi tudo trabalho da esposa, junto de seu irmão e da Rainha. Ela planejava algo embaixo de seu nariz, como se ele não fosse descobrir.

— Quando essa carta chegou ao rei? — Gabriel questionou, tomando cuidado para manter sua voz estável e calma. Estava com tanta raiva que tremia.

— Acredito ter sido no mesmo dia em que ele me chamou — disse Gideon e sua voz parecia distante, como se houvesse uma parede entre ele e o irmão. — Há dois meses.

— Dois meses... — Gabriel repetiu. Ele abriu o papel de novo, agora mais amassado do que antes, e leu as palavras de sua esposa. Estou grávida de novo. Por Deus, por que ela não o havia contado? E quando essa carta foi enviada? Ele deixou informações expressas para suas criadas. Qualquer carta escrita pela mão da rainha deveria passar por ele primeiro, antes de ser enviada. Obviamente, Cecily havia encontrado outras maneiras para se comunicar com sua família.

Você é meu irmão, portanto serei honesta. Isso significava que ela nunca havia sido honesta com ele? Ele me traiu da forma mais baixa e suja.

— Quando dormiu com ela pela última vez? — perguntou Gideon, gentilmente. Ele já havia lido aquela carta, provavelmente no navio, quando os dias eram longos e a viagem mais longa ainda. Gabriel sabia o que aquilo significava. Se Cecily não havia anunciado sua gravidez, deveria ser porque o pai não era seu marido.

Gabriel balançou a cabeça. Não queria imaginar Cecily na cama de outro, os membros entrelaçados como eles, mas era uma possibilidade, não importava o quanto doía.

Ele se lembrou da última noite deles juntos, no mesmo dia em que Cecily descobriu sobre Cristina e seu filho, logo após ela ter pedido para ficar longe da corte durante a gravidez da amante. O menino já havia nascido; Diego, era chamado, mas a Rainha continuava longe.

—Há cinco meses — murmurou.

— Então há chance do filho ser seu — disse Gideon. — Caso a gravidez não seja um estado novo.

— Sim — Gabriel disse. Naquele dia, eles deveriam ter consumado o casamento pelo menos três vezes, quando se contava os gemidos e os carinhos durante a madrugada. — Existe essa chance.

Ele não sabia se isso o fazia se sentir pior ou melhor.

— Se o filho for meu... — Gabriel hesitou. A raiva havia passado, dando lugar a tristeza e solidão. Ele não conseguia imaginar ser pai de novo, tão cedo assim, quando a ideia de um novo filho com Cecily não existia em sua mente desde que a esposa deixou a corte. Estaria mentindo se dissesse que não pensava nessa possibilidade. Ele precisava de um herdeiro varão, sim, mas também gostaria de mais uma filha, tão doce quanto Anna. — Cecily se colocou em perigo por não contar a ninguém. — Nascimentos reais exigiam testemunhas. Ministros do governo, damas da corte, qualquer um que pudesse garantir a legitimidade da criança. Seria fácil demais trocar um bebê morto por um saudável. — Colocou a todos nós.

— Sim — Gideon disse. — Devemos ir até ela. Se o filho for seu, a Rainha deverá voltar à corte. Você pode inventar mil desculpas: dizer que já sabia da gravidez, mas decidiu mantê-la ali, onde ela poderia passar os primeiros meses em quietude e descanso. Algo para garantir a saúde do bebê.

— Eu concordo — Gabriel disse. — Mas não nós. Eu irei sozinho. Ela estará mais aberta caso seja só eu. — Ele olhou para o irmão. A boca de Gideon estava aberta e ele parecia pronto a negar essa possibilidade, ou talvez pedir para segui-lo e lhe dar apoio. — Você é um estranho para ela.

Gideon assentiu. Sabia que ele estava certo.

— Peça para preparem meu cavalo mais veloz — Gabriel disse, a ordem laceada em sua voz. — Eu devo colocar as roupas de montaria. Faça meu pajem avisar três guardas de confiança, no máximo.

— Vai sair hoje? — Gideon perguntou, franzindo o cenho.

Agora — Gabriel retrucou.

O Palácio de Aranjuez era a residência real favorita de Cecily. Gabriel nunca conseguiu entender o porquê. Quando haviam acabado de se casar, a esposa havia desejado passar dois meses naquele lugar, longe da corte, como uma espécie de lua de mel. Gabriel rejeitou aquela ideia logo que surgiu; era um rei, não poderia ficar mais do que dois dias longe dos assuntos de estado. Estava localizado na cidade de Aranjuez, de onde havia ganhado o nome, cinquenta quilômetros sul de Madri, e demorou quase um dia inteiro para ele chegar ali, quando o sol já havia se escondido e as estrelas iluminavam o céu.

Ao desmontar seu cavalo e entregar as rédeas a um garoto qualquer, um homem baixo e gordo correu até ele, sua peruca caindo no chão.

Su Majestad — o homem disse, fazendo uma reverência. — Se soubéssemos de sua chegada, teríamos preparado um banquete, ou enviado um cavaleiro para ir lhe encontrar na estrada.

— Não importa — Gabriel respondeu. Não estava ofendido com aquilo. Ele queria que não soubessem de sua aproximação, queria ver Cecily em um momento de fraqueza, quando ela achava que ele estava longe. — A Rainha sabe que estou aqui?

— Não, senhor — ele murmurou, quase como um pedido de desculpas. — Sua Majestade está colocando la infanta para dormir. Eu lhe disse que as babás poderiam fazer isso sem problemas, mas a Rainha insiste. Posso ir lhe chamar nesse momento, caso Vossa Majestade queira ver sua esposa.

— Não — ele disse. — Eu mesma irei encontrá-la. Onde ela está?

— Na ala leste, meu rei — disse. — Ficarei feliz em lhe acompanhar até lá.

Gabriel assentiu.

— Mostre-me o caminho, então.

Gabriel ficou em silêncio enquanto o homem lhe guiava até os quartos da Doña Ana, passando por corredores e mais corredores, repletos de quadros de sua membros de sua família de séculos passados, quando os governantes da Espanha ainda eram os Morgenstern.

Ao chegarem em frente a duas portas de madeira branca, Gabriel dispensou o homem. Precisava fazer aquilo sozinho, confrontar Cecily sem ninguém os ouvindo. Dois guardas parados lhe abriram a entrada, sabendo muito quem ele era, e ele entrou.

Gabriel ouviu a voz dela primeiro, doce e alta. Estava cantando uma música, porém ele não conseguia se concentrar o suficiente em sua voz para saber a letra, apenas de que era em francês. Ele virou para dentro do quarto, contornando o largo armário, e a viu.

Ela estava sentada em uma pequena cama, as costas viradas para ele, com os longos fios negros caindo por suas costas. Não havia percebido sua chegada. Cecily balançava Anna em seus braços com tanto carinho e devoção, acariciando suas bochechas gorduchas com os dedos longos e elegantes.

Frère Jacques, frère Jacques. Dormez vous, dormez vous — ela sussurrou, a voz gentil e ele logo entendeu o porquê do francês. A Rainha Céline era francesa, a filha do segundo homem mais poderoso de todo o reino, e Cecily sempre dizia sobre como a segunda esposa do pai era sua verdadeira mãe. A canção que cantava deveria ser igual à que Céline cantava para ela, anos antes na Inglaterra. — Sonnez les matines, sonnez les matines. Ding ding dong, ding ding dong.

Gabriel sentiu sua raiva esvair de seu corpo. Ele a observou em silêncio, não querendo atrapalhar aquele momento entre mãe e filha, e encostou seu corpo na parede. Ele conseguiu ver como Anna estava diferente, crescida. A menina gorducha havia esticado, com pernas longas caídas ao lado das pernas de Cecily, e maçãs do rosto altas. O cabelo estava mais longo também, atingindo suas orelhas como cachos negros.

Não conseguia ver nada de diferente em sua esposa, algum sinal de seu corpo de que ela estaria grávida por pelo menos cinco meses, mas tentou não se desanimar. Quando carregava Anna e o pequeno John, seria necessário ver seu perfil para perceber a barriga, mesmo nas últimas semanas de gravidez. Como sua mãe, Cecily Herondale não ganhava peso extra enquanto gerava filhos.

A Rainha da Espanha colocou a Infanta gentilmente na cama, cobrindo seu corpo magro com um coberto grosso, e plantou um beijo molhado em sua testa. Anna soltou um suspiro infantil e enfiou o polegar na boca. Ela se virou, pronta para passar por aquela porta em que ele estava perto, e ele viu a barriga inchada, caindo para frente e lhe dizendo que Cecily já estava grávida quando foi para Aranjuez, mesmo se ainda não soubesse.

Quando ela o viu ali, parado, ele conseguiu ver o choque tomar suas feições. A esposa deu um passo para trás, colocando uma mão por cima de sua barriga, como se ele fosse uma ameaça para o bebê crescendo em seu ventre. Gabriel ergueu sua mão e apontou o dedo indicador para ele, dobrando-o em sua direção como se dissesse: venha aqui.

Ele saiu do quarto, certo de que ela iria segui-lo, e andou pelo corredor até um escritório que saberia ter em seu fim, não querendo ter essa discussão perto de Anna. Ele entrou na sala, um lugar desconhecido para ele, e viu as altas paredes azuis e duas mesas de madeira compridas encostadas uma na outra. Cecily entrou após ele, as duas mãos colocadas sobre a sua barriga, com o queixo erguido em desafio.

Gabriel não sabia como reagir aquilo. Talvez ele esperasse uma mulher mais gentil e obediente, como ela poderia ser quando quisesse, ou talvez ele simplesmente não esperava estar ali, naquela situação.

— Parece bem — ele disse e ela acenou com a cabeça, como se reconhecesse a veracidade de suas palavras. — Vejo que ainda tem as duas mãos. Não consegue escrever para seu marido?

Cecily franziu o cenho e apertou os lábios, formando um bico rosado. Se fosse qualquer outro momento, Gabriel teria dado um passo para frente e beijado aquela boca, mas agora, a raiva que havia desaparecido em frente a Anna voltou em dobro.

— Pensei que não se importasse conosco. Pensei que não precisasse de mim, ou de Anna, não mais — ela murmurou, irritada. — Soube do filho de Cristina. Diego de Lightwood. Parabéns. Um varão lindo, pelo que me disseram. Com os olhos do pai.

— Cecily... — ele começou e se surpreendeu com o veneno em suas palavras. — Sou o seu marido. A criança dentro de você é minha e você deveria ter me escrito assim que descobriu sobre o seu estado. — Gabriel franziu o cenho, inclinando o rosto para o lado levemente. — Eu sou o pai, não é mesmo? — ele adicionou aquilo por pura maldade, apenas para coagir uma reação dela, e teve o efeito pretendido. Cecily, que até aquele ponto encarava a porta, se virou para ele com um olhar frio e chamas de gelo queimaram em seus olhos azuis.

— Como pode me acusar dessa maneira? — questionou, andando até ele. A ternura de antes havia desaparecido, dando lugar a ofensa e a tristeza. — Eu fui uma esposa boa e leal, não fui? Não sou como você. Não irei aceitar qualquer oferta de amante só para parecer uma rainha. Eu sei quem sou.

— Cecily... — ele disse. Havia uma ameaça escondida em sua voz e uma repreensão. Submeta, ele parecia estar dizendo, usando a voz de seu pai no lugar da sua. — Seria melhor se você pensasse melhor sobre suas palavras. Você é minha esposa e, portanto, deve me responder.

— Por que eu deveria? — perguntou. — O que você vai fazer se eu não lhe obedecer? Bater em mim, como Frederick William fazia com a minha irmã? Trancar-me em um quarto por dias sem comida, como seu pai fazia com a sua mãe? Você não conseguiria. Não pode me machucar sem afetar a criança que carrego. — Ela se virou e deu dois passos para frente, como se fosse ir embora, mas Gabriel agiu mais rápido do que a esposa. Ele agarrou seu braço, os dedos fechando sobre seu pulso fino, e a puxou de volta, virando seu rosto para ele, a outra mão indo para o outro antebraço da esposa.

— Solte-me — ela murmurou, quase ordenando.

— Não — ele respondeu e se ajeitou, subindo os dedos para os cotovelos dela. — Nunca.

Ele a puxou para mais perto, querendo olhar em seus olhos quando continuasse dizendo, mas algo mudou. Em qualquer outro momento, o peito de Cecily teria batido contra o de Gabriel, mas havia algo entre eles, impedindo a proximidade de seus corações acelerados. A barriga, caindo para baixo, coberta por saias brancas. Deveria ser de pelo menos sete meses, concebido logo depois que o casamento de Jonathan com Seraphina Morgenstern ocorreu. A esposa estava usando um vestido simples naquela noite, com ainda menos camadas do que o esperado para a Rainha da Espanha. Mas isso não se importava, não em uma noite como aquela. Mesmo se houvesse centenas de camadas de roupas entre eles, ele ainda conseguiria sentir, como sentia naquele momento. Uma protuberância tocou Gabriel, algo o chutava por dentro de Cecily e ele logo entendeu.

O bebê estava se mexendo.

Gabriel parou. Era como se alguém tivesse jogado um balde de água fria em seu corpo. Ele havia esquecido sobre o que iria fazer, ou o porquê de estar tão bravo. Ele encostou a testa contra a de Cecily e suspirou, fechando os olhos. O bebê o chutou mais uma vez, perto de suas costelas, e lágrimas borbulharam embaixo de suas pálpebras.

Cecily havia engravidado de Anna tão rápido. Os membros da corte brincavam sobre o bebê da lua de mel, o futuro rei, e, quando a filha nasceu sem as partes necessárias para ser rei, Gabriel não conseguiu se importar. Logo após o resguardo da esposa havia terminado, ela entrou em seu quarto durante a noite, usando apenas um roupão como naquela primeira entre eles.

Quando John nasceu, a felicidade dele era imensa. Finalmente, ele teria o herdeiro tão desejado. Depois de tantos anos, era como se o Senhor estivesse sorrindo para ele, abençoando seu reino. Mas os médicos logo se aproximaram nele e lhe disseram que o bebê não iria sobreviver, que havia algo de errado com seus pulmões. Eles recomendaram um batizado rápido, para ele poder ser enterrado com um nome, e as coisas nunca mais foram as mesmas.

E Cecily também estava machucada. O parto fora difícil, mais difícil do que o de Anna, e o seu tempo de resguardo foi mais longo ainda. O médico da corte lhe disse que iria demorar para ela conceber de novo, talvez até mesmo um ano.

Gabriel abriu os olhos e viu o rosto da sua esposa. Lágrimas estava descendo pelas bochechas de Cecily e o coração dele parou. Poderia contar em uma mão o número de vezes em que a viu chorar e todas seriam quando ela estava grávida, seja com Anna ou com John. Com dedos trêmulos, ela tocou em sua bochecha e ele percebeu que elas estavam molhadas. Demorou alguns minutos para ele falar.

— Por quê? — ele perguntou, a dor laceando suas palavras. — Por que você não me contou?

Cecily fungou.

— Porque eu estou cansada — sussurrou. — Estou cansada da corte. Estou cansada dos Rosales. Estou cansada de Cristina e do filho dela.

— Por quê? — ele repetiu.

— Eu só queria estar certa — ela disse. — Eu não queria passar mais uma gravidez sob a escrutinização da corte, todos se perguntando se esse será um menino que vingará. Eu queria um pouco de paz. Queria dar à luz em um lugar calmo, sem milhares de testemunhas. Eu queria que você tivesse me seguido até aqui, implorando por perdão. Eu queria...

Cecily balançou a cabeça, deixando os braços caírem ao seu lado.

— Você não entende — continuou. — É Rei. É um homem. Como poderia entender? Se não tiver um filho homem, a culpa será minha. Se a aliança com a Inglaterra não lhe dar vantagens, a culpa será minha. Você pode flertar com todas as mulheres jovens da corte, mas se eu olhar para qualquer homem duas vezes, alguém poderia me acusar de adultério e levar minha cabeça. —Cecily fechou os olhos. Gabriel pôde ver como seus cílios estavam molhados, brilhando sob a luz das velas devido as lágrimas. — Quando você toma uma nova amante, é como se você a amasse. Como se ela poderia facilmente tomar meu lugar.

Ao ouvir aquelas palavras, ele soltou seus braços, levando as mãos para as bochechas de Cecily. Ele pegou seu rosto e a fez olhar para ele. Verde encontrou azul.

— Você é uma esposa — Gabriel disse. — Você é minha rainha. Ninguém poderá te substituir.

— Então por que fodeu Cristina Rosales? Por que dormiu com Elodie Verlac? — ela perguntou. Quando ele apertou os próprios lábios contra os dela, Cecily o empurrou para longe. — Você não está me escutando!

— Cecily...

— Escute-me! — ela gritou, as bochechas se enchendo de cor. — Não adianta usar palavras bonitas, ou inventar desculpas elaboradas. Precisa agir. Precisa me escutar! Disse que precisa de mim, não é mesmo? Então prove.

— Como? — ele questionou, ansioso. — Diga-me.

— Sem mais amantes — ela disse. — Você dormir com outra dama é como olhar nos meus olhos e dizer que eu não sou mulher suficiente para você.

— Tudo bem — Gabriel respondeu.

Cecily deu um passo para trás. Não esperava ouvir aquilo dele.

— Realmente? — perguntou e seus olhos brilharam, apesar de não ser mais efeito das lágrimas.

— Sim — ele disse, tocando em seus braços. — Serei um marido bom e leal. Juro.

— E essa gravidez? — Cecily perguntou, retornando o carinho. — E o parto? Eu não quero muitas pessoas aqui.

— Aqui? — ele repetiu.

Cecily olhou para ele confusa. Era como se ela tivesse dito alguma coisa e ele entendido outra completamente diferente.

— Sim — murmurou. — Por favor, Gabriel. Eu não quero voltar ao Alcázar, não agora. — Ela sorriu docemente. — Fique comigo. Por favor. Eu não quero voltar para a corte.

— Tudo bem — ele disse. Uma parte de si lhe disse para negar, para simplesmente colocar Cecily e Anna dentro de uma carruagem e voltar para a residência em Madri, mas outra, a mais sensível, lhe disse para se acalmar. Nem tudo estava perdido ainda. — Eu entendo. Membros do governo deverão vir para cá, no entanto. Apenas os essenciais. Eu continuarei meu reinado aqui e alguns deles precisam testemunhar o nascimento.

— Tudo bem, tudo bem — Cecily respondeu. — Só não quero muitas pessoas aqui.

Ela se ergueu e apertou os lábios contra ele, aproximando os dois corpos o melhor que pode com a barriga entre eles. Gabriel a beijou com um senso de culpa crescendo em seu peito. Ele não lhe contou sobre como o pai de Cristina Rosales era um desses ministros essenciais que precisaria estar presente durante o nascimento.

Ele sabia como isso só iria chateá-la.

Notas finais
Perdoem meu francês. Literalmente todas as traduções que eu faço, sem incluir aquelas para o espanhol e o inglês, são baseadas no velho e bom google tradutor. Eu pensei em fazer a Cecily cantar uma música inglesa, para funcionar de paralelo para uma cena que teremos em breve da Clarissa com o Rex, mas ai eu pensei que seria mais interessante ser uma música galesa, por causa da mãe dela e depois eu lembrei que na verdade, a cecily só iria se lembrar das músicas cantadas pela céline, que era francesa. Essa é a música cantada pela cecily https://www.youtube.com/watch?v=BC6rvbxdywg o registro escrito dela mais antigo data de 1746, ou outro ano nessa mesma década, uns anos a mais do que o que eu realmente preciso, mas como não encontrei nenhuma outra canção de ninar francesa mais antiga, essa teve que funcionar :(