De um lado a professora mandava parar a discussão do outro a turma agitava mais ainda.

– Roberta, para... – dizia Derrick, o interrompi.

– “Roberta Pardo” – disse imitando-a – Grandes coisas, você que não é ninguém e... – A ruiva me interrompeu de novo.

–É grande coisa mesmo ser eu, porque ser você... –Roberta soltou uma risada debochada. – Garoto, faz um favor para a humanidade, se joga ali! – Apontou para o lixo. – Porque como diz nas propagandas “lugar de lixo É no lixo”.

– Ah é? Então porque você não esta lá? – Retruquei. – Já que lugar de lixo é no lixo, se joga lá você e cala a boca que você é tão lixo que quando você fala vem um cheiro de esgoto no ar. – Disse-lhe tampando o nariz para provoca-la e a turma riu.

– Está confundido com o seu cheiro, queridinho. — ela disse com deboche. — o boca de bueiro aqui é você! – Deu uma risada sapeca e em segundos já estava em cima de mim com uma sessão de tapas e pontapés. De inicio não tive reação porque não esperava tal ação, depois tentava me balançar pra ver se ela saía, mas a menina continuava me batendo... Aliás, não sei como mãos tão pequenas poderiam dar tapas tão dolorosos.

Derrick e Jack com dificuldade conseguiram tirar ela de cima de mim, a turma? Gritava de alegria. A professora? Estava desesperada dizendo que isso era um absurdo. Eu? Estava todo dolorido. Derrick estava tentando segurar Roberta gritava que ela ainda queria me bater, eu ri.

– Ta rindo de que? – Ela perguntou ofegante. – Não se joga no lixo não, — ela disse se soltando de Derrick — se joga da janela que é bom que você morre de vez!

– JÁ CHEGA! – Berrou a professora. – Os dois pra diretoria agora!

– Professora tem certeza que vai deixar esses dois irem sozinhos? – Perguntou Derrick. – É capaz de eles tentarem se matar no corredor.

– Isso professora me deixa acompanhá-los, não quero perder o final desta briga! – Disse Anna eufórica.

– Tinha que ser a fofoqueira da turma. – disse Derrick.

– Chega, sem outra confusão, eu mesma irei.

Narrado por Roberta:

A professora estava nos acompanhando até a diretoria, claro, eu de um lado e o idiota do outro.

– Já podem entrar. – Disse a professora

Quando tentei entrar ele também tentou.

– Ai, menina! – ele disse – você está me imprensando na porta! – Falou alto.

– ESTÁ ME CHAMANDO DE GORDA? – disse no mesmo tom.

– Vocês dois nem comecem de novo! – disse a professora — vem Roberta deixa ele passar.

– Mas porque eu? – perguntei.

– Porque eu quero que você venha! – ela disse com a voz firme.

– Se ferrou! – Sussurrou o desgraçado.

Quando eu ia responder a professora me puxou e Ucker entrou com um ar vitorioso.

– Droga! – Sussurrei, entrando em seguida.

– Bustamante, você aqui de novo? – Perguntou Pascual.

– Vim te visitar, Pascual, tava com saudades! – Disse Ucker irônico.

– Mas não faz nem meia hora que você saiu daqui! – Disse Pascual sem entender a ironia.

– Pra você ver o quanto eu gosto de você. – Disse no mesmo tom de ironia, já se sentando na cadeira.

– Eles estavam se agredindo verbalmente e fisicamente na sala de aula, merecem uma punição pra aprenderem a se portar! – disse a professora apontando para nós dois.

– Ué, não acho necessário uma punição – ele disse sorrindo — eu já aprendi e quem me bateu foi ela! – Ucker disse apontando pra mim.

– Mas você senhorita Pardo? – ele disse surpreso — Não tem nem meia hora que está na escola e já está brigando? – Perguntou Pascual.

– Tem que marcar hora pra brigar por um acaso? – Retruquei.

Ele me olhou feio e pegou o caderninho que estava escrito “Ocorrências”.

– Ucker está já é a sua 6° ocorrência só nessa semana, vou ter que ligar pra sua mãe! — Pascual disse ajeitando o óculos.

– Ligar de novo? – perguntou o Ucker.

– Você brigou de novo! – Pascual rebateu.

– Ah, não Pascual eu não briguei não, se você ligar pra minha mãe então liga em seguida para o necrotério, porque ela vai me matar! – Disse Ucker com voz de dengo.

– Agora que eu ligava mesmo! – disse sorrindo.

– Fica quieta, menina! — ele disse me fuzilando com o olhar e eu lhe retribuí da mesma forma. — Pascual, não liga não. – Continuou com aquela voz dengosa e a carinha de bebê... Quase fiquei com pena, mas QUASE.

– Se você brigar de novo eu juro ligo pra ela, ouviu? – disse Pascual se deixando levar.

– Não acredito que o senhor foi levado na conversa por ele! – Disse incrédula apontando para Ucker.

– Ele não me levou na conversa, senhorita Pardo! – disse Pascual sério.

– Ah, então aqui no México é outro nome? Diretor, tu é fraco de cair no papo deste aí. — disse.

– Se mete na sua vida, cabeça de fogo! – disse Ucker.

– Cale-se, bonequinho de plástico! – Falei alto. – Tão frágil e tão mauricinho como um boneco que é fácil de se quebrar.

– Parem, se não será 2ª ocorrências e aí que eu ligo pra sua mãe, senhor Bustamante.

Assinei o livrinho e Ucker fez o mesmo calado.

– Já podem se retirar! – Disse Pascual.

Quando ele disse isso eu nem esperei, já fui logo saindo, porque não queria mais olhar na cara de idiota do Ucker.

Já sabia onde ficava minha sala então, bati na porta e abri.

– Posso entrar? – perguntei.

– Pode sim, Roberta. – disse a professora como se nada tivesse acontecido.

Entrei e sentei no “meu” lugar, atrás de Derrick.

Logo depois Diego também entrou.

– Da licença?! – ele disse, a professora assentiu e ele foi em direção a seu lugar e sentou.

Pensei: Olha... Pelo menos licença ele sabe pedir!

As aulas passaram demoradamente, passei o recreio com Derrick, ele é muito fofo e divertido pra se conversar. De vez em quando Diego me olhava meio que de rabo de olho, eu fingia que nem via. Finalmente o sinal tocou dando fim a última aula.

– Estão dispensados, alunos. — começou a correria. — Não se esqueçam de terminar a atividade, vale nota! – disse o professor de Física. Mas a maioria da sala já estava do lado de fora.

– Vamos, Roberta? – Derrick disse.

– Calma... – disse tentando tirar a minha bolsa, que estava agarrada na cadeira, puxava com força, mas não queria sair. – Af, não quer sair! – disse soltando a bolsa e olhando para Derrick.

– Toma... Caso aconteça novamente, é só segurar a cadeira e pegar por baixo da bolsa que sai! – olhei pra trás e... Não... Era o Ucker.