Imperfeito Amor
4 Capítulo 4
Olhei pra ele sem entender, peguei a bolsa.
– Ah, obrigada... – disse sem graça. E ele sorriu. Ok, ele pode ser um grosso, mas o sorriso dele é lindo... Só acho!
– Bebê, vem! – disse uma garota que saiu puxando ele para fora.
– Tenho duas perguntas pra você, Dé. – Disse olhando-o com duvida. — Primeira pergunta. – fiz o número 1 com o dedo. – Esse Diego é bipolar? — Segunda pergunta. – Coloquei 2 dedos. — Essa menina é retardada ou drogada?
Derrick sorriu. – Também não entendi o porquê de ele ter te ajudado e a Belinda é namorada dele. – disse.
– Agora eu to concretizando a pergunta, ela é retardada ou drogada? – disse rindo.
– Ah, Roberta você não perde uma! – Derrick disse rindo.
Narrado por Ucker:
Eu não sei o porquê de eu ter ajudado a ruiva, sei lá, talvez por carência, eu queria vê-la sorrir pra mim como ela sorriu pro Derrick durante o recreio todo, foi um ato impensável, agora ela deve ta achando que sou maluco... quer saber, dani-se!
– Neném? – Belinda me chamava. – Está pensando no que?
– No meu castigo. – menti, me referindo a o que minha mãe faria comigo.
– Fica assim não, neném. Aposto que sua mãe já esqueceu! – disse Belinda com firmeza.
Dei uma gargalhada: — Dona Alexandra esquecer? Você não conhece minha mãe. – já estávamos na saída da escola. – Bom... Já vou indo!
– Já bebê? – ela disse dengosa.
– É... Se eu demorar minha mãe briga comigo! – dessa vez era verdade.
– Ok! – disse sorrindo.
Dei um selinho rápido nela e sai. Minha casa ficava cerca de duas quadras da escola, isso facilitava para minha mãe ir na escola me fazer “surpresas”.
Quando cheguei em casa já fui procurando a dona Alexandra.
– Mamãe? – Chamei.
– Que bom que chegou! – disse sorrindo, ela estava com uma vassoura na mão.
– Limpando a casa? – perguntei.
– Não, estava te esperando, toma! – disse me entregando a vassoura. – Você que vai limpar!
– Eu? – perguntei incrédulo. – Cadê a Valdinete?
– Eu a dispensei por uma semana, você é o novo empregado daqui agora... – ela disse – Ah... E sem receber salário! – disse ainda sorrindo.
– Mãe, mas eu nem sei segurar direito em uma vassoura! – disse.
– Aprende! — ela disse rígida. — E você ta pensando que é só varrer? É lavar e passar também! – ela continuou. — Só não te coloco pra cozinhar senão você põe fogo na casa.
– Isso é muita crueldade mãe... – disse fazendo cara de triste.
– Nem faça esta cara! Eu to sendo boazinha ainda, você só vai arrumar a casa, se continuar reclamando vai limpar o quintal também!
Concordei, porque sabia que se falasse qualquer coisa, dona Alexandra iria me colocar pra limpar até a rua.
Na casa da Roberta:
Cheguei em casa bastante cansada, mas fui direto pro banho, minha mãe tinha esquecido de me buscar e Derrick teve que me levar até o ponto, peguei 2 ônibus lotados e bom tinha gente ali que, sei lá, tava cheirando a carniça, pensei até que os urubus iriam querer invadir o ônibus, porque o cheiro era insuportável!
Tinha acabado de me trocar e fui até a sala.
– Como foi a aula? – Mamãe perguntou.
– Foi ótima! – disse.
– Fez novas amizades além daquele garoto? – Perguntou.
– Não, nem quis. – disse-lhe.
– Não aprontou nada? – perguntou dona Blanca.
– Como assim eu aprontei? – fiz cara de indignada. – Por que sempre pergunta se aprontei? – perguntei.
– Porque você sempre apronta?! – Ela retrucou com um sorriso.
– Eu não aprontei não! – menti. – Mas a senhora aprontou comigo, me deixou lá esperando, tive que pegar os ônibus dos gambás! – disse dramática — Isso não se faz, dona Alma, quase morri sufocada.
– Exagerada! – Ela disse — Foi bom para você ver que nem tudo é esse bem-bom que você tem e eu fui procurar emprego, porque alguém tem que trabalhar nessa casa.
– Conseguiu? – Perguntei.
– Só deixei o currículo nos lugares, agora é só esperar o retorno. – disse mamãe.
Na casa de Ucker:
– Varre ali no cantinho... – Disse dona Alexandra que estava sentada no sofá, só mandando... Quando fui limpar o tal cantinho, ela gritou:
– NÃÃO, está fazendo errado! – ela disse — Pega direito nessa vassoura menino se não você vai varrer aí até aprender.
– A senhora só fica ai sentada, vem me ajudar! – falei autoritário.
– Eu trabalho o dia inteiro e você não faz nada... Ah faz sim, arruma briga a semana inteira e faz eu ter que sair do meu trabalho para resolver as suas confusões! – Falou em tom sério.
Fiquei calado querendo ou não era verdade.
Ouvi uma gargalhada bastante alta vinda da porta.
– Diego limpando a casa? – riu novamente. – Eu estou sonhando, certo? – Perguntou meu pai em tom irônico.
– Víctor, ele está de castigo, vai arrumar essa casa durante uma semana ou mais, tudo depende do comportamento dele, né seu Diego?
– Pai, vem cá me ajudar, por favor! – pedi.
– Quem está de castigo é você e não eu. – papai respondeu se sentado junto a minha mãe. – Agora eu quero assistir este milagre.
Continuei limpando e os dois rindo e mamãe me mandando limpar direito toda hora, meu braço já estava doendo porque a casa era muito grande, agora vi o quanto dona Valdinete sofria, parei um pouco.
– Parou por quê? – Perguntou dona Alexandra.
– Eu estou cansado! – falei
– Ahh... Mas pra brigar você não cansa né? – Disse mamãe.
Fiquei calado e voltei a limpar, ela sempre arrumava uma forma de ter razão nas coisas.
– Ele vai lavar roupa também? – Meu pai perguntou.
– Vai fazer tudo, menos cozinhar, pois não quero ver a minha cozinha explodir! – respondeu Alexandra.
– Ótimo, porque tenho um monte de roupa pra ele lavar! – disse papai animado.
E dona Alexandra riu.
Mas que saco! – pensei.
Na casa da Roberta:
Estava deitada em meu quarto quando meu celular toca:
Oppa gangnam STYLE
Gangnam STYLE
Oppa gangnam style
Gangnam style
Oppa gangnam style
Eh, sexy LADY
Oppa gangnam style
Ehh, sexy LADY
– Alô? – disse.
– Oi, Roberta aqui é o Derrick, você está fazendo o que? – Perguntou.
– Ah, oi Derrick! – Disse, lembrando que tinha passado meu número pra ele. – Agora? Eu estou conversando com você! – respondi rindo.
– Ahh, engraçadinha! – ele disse rindo. – Liguei para te chamar para festinha na casa da Lari hoje à noite, geral vai. – ele disse.
– Eu não conheço geral e muito menos a Lari. – respondi.
– Você me conhece e não dá nada, ela é gente boa pra caramba! Não vai se irritar se eu levar convidada, no caso você! – disse.
– Ah, então eu vou, não tenho nada para fazer mesmo! – respondi.
– Credo, você só vai porque não tem nada pra fazer? – Perguntou.
– Também porque o meu mais novo amigo me convidou. – disse. – Satisfeito? – Ele riu. – Mas que horas que é essa festa?
– 22 horas. Passo na sua casa 21:40, ok? – perguntou.
– Ok, ainda são 19 horas, vou falar com minha mãe e me arrumar. – disse-lhe. – Tchau, Dé.
– Tchau, Roberta! Te vejo às 21:40, hein?! – disse.
– Ok. – desliguei e fui falar com minha mãe sobre essa festa.
Fale com o autor