Imperfect
13 Três
Notas iniciais
O céu ainda reclamava sobre a casa, a maioria dos jovens se encontravam escorados em janelas, em um silêncio perturbador, a tensão que havia se instalado na casa era incrível, foi repentina assim como o susto que levaram. Alguns ainda sonolentos, outros bem despertados e assustados, haviam sido acordados pelos pais, os quais pularam da cama ao saber o que estava acontecendo.
— nos devíamos ter... – Alvo começou sendo interrompida por uma tosse forçada
— não, não devíamos – Scorpius respondeu se concentrando em algum ponto além do lago nos fundos da Toca
— você sabe que... Se ela estivesse sempre com...
— não, Alvo, ela está com algo muito mais complicado, não tem nada a ver com liberdade, a não ser que você queira que alguma garota “morta” leve ela – o loiro rosnou entre dentes
— ei, ei, eu já entendi tudo bem? Você quer me engolir agora? – o moreno ergueu as mãos em rendição
— desculpe, é muita coisa pra engolir, olhe só, o que teria acontecido se nos não tivéssemos acordados?
— mas nós acordamos, e de alguma forma nos conseguimos impedir aquela coisa – respondeu um James cansado, ele empurrou os outros mais para o lado e os três se acomodaram em frente à janela
— aquela coisa?! – Alvo franziu o cenho encarando o irmão
— eu não sei se estava meio cego pela chuva, mas tinha uma coisa perto de Rose, uma névoa, escura, tão escura quanto carvão, era assustador – o mais velho explicou fazendo uma careta
— você viu isso, Scorpius? – ele se virou para o amigo curioso
— bem, não – Scorpius se esticou para frente franzindo o cenho
— acho que foi quando eu entrei na chuva, Rose parecia estar querendo entrar na coisa, ou algo do tipo, e ela ia entrando, eu tenho a leve impressão de que é aquela coisa que está a prendendo – James deu de ombros e bocejou
— anh... Eu sou sonâmbulo? – Alvo perguntou de repente e os outros dois o encararam confusos
— que eu saiba não – o irmão falou desconfiado
— você tem certeza, não tem? – ele insistiu mordendo o lábio inferior
— se você tentou algo enquanto eu estava dormindo você é um cara morto, Alvo – Scorpius reclamou arregalando os olhos
— ei Scorp! Eu não sou desses – o Potter de olhos verdes fez uma careta olhando pra o amigo, uma careta de nojo
— hey, eu não sabia desse lado, maninho – James brincou fingindo ofensa – graças a Deus papai não nos colocou no mesmo quarto!
— vire essa boca para lá – Alvo prendeu a respiração olhando ao redor
— Alice não está aqui, pode nos contar seu lado extravagante – o moreno ergueu as sobrancelhas fazendo Scorpius gargalhar
— vá à merda – Alvo avançou sobre o irmão desferindo pequenos socos até onde suas mãos alcançavam
— ei, Al! Não coloque essas mãos em mim – o irmão desviou se escondendo atrás de Scorpius
— quantos anos você tem? 11? – Alvo esbravejou passando por cima de Scorpius
— ei! – o loiro gritou fazendo os dois pararem – onde você pôs essas mãos, Al? – o jovem olhou assustado para as mãos do amigo, James gargalhou enquanto o irmão os lançava um olhar mortal antes de saírem em disparada pelos corredores.
—--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Um suspiro temeroso escapou de seus lábios, ela manejou a cabeça de um lado para o outro, como se sentisse alguma dor no pescoço, e então encarou a mais nova, a garota fitava o chão inconsolável, suspirou mais uma vez e juntou os joelhos que tocavam o chão frio, ajoelhada em frente à ruiva preocupada.
— Rose, você precisa me contar – ela murmurou segurando em suas mãos cautelosamente, a ruiva virou o rosto para o outro lado comprimindo os lábios – Rose, olhe para mim, você não tem mais nove anos! – ela exclamou fazendo a ruiva lhe encarar imediatamente
— o que? – Rose perguntou baixinho
— eu não quero machucar você, de jeito nenhum, ninguém aqui quer, seja lá quem quiser te machucar está longe, distante agora, bem, bem distante – a loira falou com a voz mansa, a jovem mordeu o lábio inferior parecia um pouco surpresa
— como você sabe? – a menor continuou a falar baixo, Luna quase sorriu com a revelação
— um amigo me contou, quem era lá fora? – ela sabia que se insistisse, algo seria dito
— não sei se...
— confie em mim
— Anne, o nome dela era Anne – falou receosa engolindo em seco
— e o que ia fazer, Rose? Ela morreu? Como?
— ela morreu jovem, ele o matou
— ele quem, Rose? – Ela perguntou e a ruivinha se calou, os olhos enchendo de lágrimas, Luna se ergueu e a abraçou, a ruiva não parecia que iria começar a chorar e Luna suspirou
— ela era tão viva, ele me contou, me contou que ela amava, ela amava demais, ela não conseguiu amar até o fim – Rose sussurrou com a voz abafada, Luna permaneceu firme, refletindo em cada palavra
— quem ela amava? – insistiu um tanto curiosa
— ele, ele a matou – a ruiva respirou fundo e Luna arregalou os olhos
— por que a matou? – a voz de Luna se transformou em um chiado, curto e distante
— ele não queria a dividir com os outros...
— que outros?
— os que a amavam também, eram três, Luna, três garotos que disputavam seu coração, e o pai dela usou aquele livro, apenas um deles poderia ganhar, mas não funcionou se tornou uma maldição – Rose explicou com os olhos fechados, ela apertou os braços de Luna com tal força que era notável seu medo ao falar
— então ele a matou por isso? – Luna se encontrava prestes a chorar
— ela havia o escolhido, e... Como entrou em mim, não posso... Não posso...
— se apaixonar – Luna sussurrou assombrada, Rose então finalmente começou a chorar.
—------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Roxy sentou a cadeira receosa, Teddy sorriu reconfortante e apertou sua mão, ela bufou esticando os braços, a psicóloga adentrou a sala logo depois de Victorie e sorriu radiante para os três
— muito bem, Roxanne Weasley, não é? – Ela perguntou simpática
— sim – a morena fez uma careta forçando um sorriso
— então a mocinha usou o produto proibido? – a profissional revirou alguns papéis em sua mesa
— bem, foi só uma vez, e foi bem pouco, não há necessidade disso, há? – Roxy falou rapidamente fazendo a mais velha rir
— pode ter sido um pouco, senhorita Weasley, mas isso pode afetar muito também, me diga, você andou sentindo algo?
— bem, eu já pensei em... De novo...
— isso é normal, peço que fique distante, o que você gosta de comer?
— anh, chocolate – ela franziu o cenho confusa
— vamos fazer assim, quando chegar à vontade você come um chocolate tudo bem? Preciso que você coma comidas saudáveis também – ela anotava em um caderno questões – Você está sentindo alguma dor ultimamente?
— não, só peso na consciência – respondeu rangendo os dentes
— se você sentir algo, peço que venha imediatamente me contatar, não seria bom se seu corpo não reagisse bem, não existe linhagem de doenças na sua família existe?
— bem, minha prima descobriu recentemente que está com câncer – Victorie falou girando as mãos e Roxy a encarou surpresa
— o que? – os olhos da morena se encheram de lágrimas e Teddy olhou alertado para a namorada
— oh desculpe, Roxy! – a loira levou as duas mãos ao rosto enquanto a mais nova se segurava para não chorar
— nos falamos disso quando chegarmos em casa – Teddy interviu se levantando e estendendo a mão para Roxy, que aceitou rapidamente
— obrigada, doutora, qualquer coisa nós estaremos de volta – Vic agradeceu a mulher que sorriu pesarosa
— tente explicar isso para ela da melhor maneira possível – a mulher murmurou e a loira assentiu, os três foram acompanhados para fora da sala, Roxy disparou em passos pesados para fora da clínica.
Fale com o autor