Imperfect
14 Secreto
Notas iniciais
A noite caiu como uma pedra sobre A Toca, tudo parecia trágico, durante o almoço, quando Percy tinha se levantado para dar a notícia para os mais novos o mundo resolveu parar, alguns ficaram sem acreditar por alguns minutos, até que Roxy confirmou a notícia chorando intensamente. O clima estava incrivelmente tenso, a nuvem escura ainda pairava sobre a casa, perturbando uns, entristecendo a outros. Aquele dia já havia começado triste demais, não existia maneira de provocar mais tristeza.
— e agora? – Clarie se pronunciou recebendo alguns olhares, os jovens estavam reunidos na sala, sentados cada um em um canto, espalhados pelo chão e pelos sofás.
— agora o que? – Alvo perguntou franzindo o cenho – não tem nada pra agora...
— onde está a alegria que sempre os acompanha? – ela perguntou na tentativa de fazer alguém sorrir
— ela está chorando – Lysander respondeu apontando para a morena encolhida no sofá, Roxy tinha os olhos inchados e as bochechas rosadas, ela tremia dos pés a cabeça, tinha os olhos semi cerrados, prestes a pegar no sono
— cale a boca, Lys – Lorcan reclamou fazendo o irmão fechar a cara, Lorcan percebeu o quanto seu irmão aparentava estar mais triste, porém não demonstrava, Lorcan era ótimo em saber o que as pessoas sentiam
— como vocês acham que Molly vai ficar quando souber que todos nós estamos tristes como se ela estivesse à beira da morte? – Clarie sibilou se erguendo, dessa vez todos a encararam
— mas ela está...
— não está não! Ela está mais viva que todos nós aqui! – ela exclamou insistindo
— Você sabe o que é câncer? – Fred questionou como se ela fosse uma criança de cinco anos
— Como vocês querem que ela se recupere assim? Só vamos piorar a situação! E se vocês não vão fazer nada eu vou! – ela rosnou andando a passos pesados para fora da sala
— Clarie! – Lily chamou antes que ela pudesse sair da sala, a jovem a encarou e sorriu — eu vou – Lily se levantou e saltitou até a mesma
— obrigada – Clarie sussurrou sorrindo agradecida, Lily sorriu abertamente e olhou ao redor, eles se entreolharam um por um
— Nós vamos, e o Al fica com a Roxy aqui – Lorcan ordenou se levantando
— por que eu? – Alvo perguntou incrédulo se arrependendo logo depois – tudo bem, eu fico – murmurou vencido e se arrastou até o sofá em que a prima estava encolhida
— o que iremos fazer? – Scorpius pronunciou coçando a cabeça
— uma surpresa- Clarie estalou a língua andando decididamente para fora da casa
— se ela explodir o hospital a responsabilidade é sua – Scorpius sussurrou para o moreno calado mais ao lado
— desde que isso faça Molly sorrir – James sorriu marotamente seguindo a trupe
— você e sua paixão me enojam – Scorpius reclamou levanto um tapa na cabeça
— Molly, pense em Molly – o mais velho ordenou enquanto Scorpius ria baixinho.
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Gina correu até a janela para observar a nuvem pesada, como uma nuvem poderia passar tanto tempo? Normalmente outras a substituiriam. A cozinha parecia mais extensa, tão vazia, tão solitária, a casa estava em silêncio, o som da família fazia falta.
— você está conseguindo comer? – Hermione perguntou vendo a filha assentir. Rose comia uma pequena poção de salada, ela não estava tão enjoada como no dia anterior, mas sua pele branca pálida a assustava, como se depois de tantos anos, percebesse agora os ossos dando de sinal de vida sobre a pele.
— Hermione, acha que eles vão ficar bem? – Gina lançou um olhar para a cunhada, a morena suspirou
— eu não duvido mais de nada – respondeu sorrindo de lado, Gina se voltou para a amiga e caminhou até a mesa, sentando de frente para uma Rose curiosa
— como Rose reagiu?
— bem, até agora nada, ela não muda a expressão desde que falou com Luna, está longe...
— Luna te falou alguma coisa?
— Ela disse que quando Rose quisesse, ela mesma contaria
— Luna está ficando mais louca a cada dia
— não fale assim, quem foi que te ajudou com as briguinhas de Alvo e James mesmo?
— sim, eu sei, só estou brincando, você está realmente tensa, Rony não deve estar servindo pra nada mesmo – Gina gargalhou alto e a amiga corou
— me sinto uma adolescente cheia de hormônios
— é normal, você tem passado por muita coisa, parece até que está grávida de novo
— não mesmo, Rose e Hugo são minhas paixões, já está ótimo
— você está rejeitando um bebê, doutora Hermione?
— eu não sou doutora
— mas luta contra abandono de crianças, pensei que sua faculdade de direito tinha mudado seus pensamentos – Gina brincou fingindo estar ofendida – olhe só para sua mãe, Rose, ela anda sem dormir por aí e é assim que fica – Gina afirmou para a sobrinha, Rose ergueu o olhar confusa e olhou da tia para a mãe
— não ligue para sua tia, Rose, ela está virando a Luna aos pouquinhos
— eu deveria ter deixado Lily na sua porta
— eu a mandaria de volta pelo correio
— mas demoraria a chegar!
— mas seria mais barato que gastar gasolina
— está dizendo que minha filha não vale sua gasolina?
— estou dizendo que pobre tem que mandar pelo correio mesmo – Hermione respondeu simplesmente e Gina a encarou, depois de alguns minutos as duas estavam gargalhando. Rose observava com certa admiração
— eu pensei que tinha perdido essa Hermione na faculdade – Gina sorriu emocionada e Hermione fez uma careta
— ninguém acaba se perdendo, Gina, nós somos caixinhas cheias de surpresas – Hermione falou pensativa – é isso, Gina! – a morena gritou se levantando, olhou alertadamente para a filha, mas Rose continuou a comer calmamente
— o que? – Gina riu baixinho
— é uma surpresa – Hermione sorriu, beijou o topo da cabeça e saiu em disparada para fora da cozinha
— viu só, a deixe dormir essa noite – Gina piscou para a sobrinha e sorriu.
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Clarie recortou um pedaço de papel e o entregou a Lily, que passou a cola e entregou a Lorcan, bem, o rodízio continuou juntamente com lápis colorido, canetas, tinta, pincel, cartolinas, e várias outras formas de produzir.
— Ai! – Clarie gemeu ao cortar o dedo com a tesoura
— como você se corta cortando papel? – Hugo perguntou incrédulo e os outros riram
— continuem assim, eu vou lavar esse corte, Lice, faça isso no meu lugar – ela ordenou movimentando as mãos e caminhou até o quintal, colocou o dedo na boca, mordendo em baixo do ferimento, se agachou e abriu a torneira, enfiou o dedo na água e gemeu, aquilo ardia
— a tesoura era sem ponta – exclamou uma voz risonha atrás dela, ela se virou surpresa e suspirou encarando um James sorrindo
— quase me mata de susto! – revirou os olhos e se voltou para o dedo
— obrigada – ele sussurrou e ela franziu o cenho
— por quê?
— por fazer todos cooperarem
— eles foram por vontade própria
— hey, você não é modesta!
— sou sim, não me conhece completamente
— não? Quanto falta?
— muito, muito mesmo
— mas eu sei que você tinha uma...
— hey, você não é fofoqueiro
— então você me conhece melhor que eu mesmo
— você é um livro aberto, todos te conhecem
— como assim? Você é um baú de surpresas?
— um baú de tesouro
— convencida
— precisar é só chamar – ela mostrou a língua e se levantou enxugando o dedo, para logo depois pressiona-lo na palma da mão
— desculpe por hoje de manhã — ele sussurrou suspirando e ela sorriu
— desculpe-me você, eu deveria saber que tinha Rose no meio
— o que está querendo dizer?
— Rose é quem mais chama problema nessa família – ela resmungou fazendo uma careta e ele cruzou os braços
— está com raiva ou com pena?
— o que? Nenhum dos dois! Estou preocupada com Molly e Roxy...
— Estamos falando de Rose!
— Temos problemas maiores agora
— Rose também é importante, tudo bem?
— Suas duas primas que estão destruídas, e a que está novinha em folha é sua preocupação?
— ela não está bem!
— Molly e Roxy também não!
— Você precisa incluir Rose também, Clarie
— EU TAMBÉM NÃO! – ela esbravejou e se calou assim que um raio atravessou o céu, James a encarou com os olhos arregalados
— o que aconteceu?
— eu preciso pensar, mas é tanto para engolir que eu não consigo – ela desabafou, com a voz já embargada
— Deus! Porque você não disse nada? – ele perguntou respirando fundo e a puxou para um abraço
— eu estou sendo à força de vocês nesse momento, e esse não é meu trabalho, não quero ser a cabeça, eu também dependo de algumas forças
— você foi à única que não chorou por conta da notícia
— não se pode chorar quando os outros precisam de um ombro amigo
— você não tem que ser esse ombro amigo, por que não falou comigo?
— porque você está muito ocupado com Rose e...
— Clarie! Você tem que me contar tudo – ele a interrompeu pegando em suas mãos, enlaçou seus dedos e sorriu com carinho – um casal precisa de confiança
— mas e seus problemas?
— eu posso muito bem guardar os meus no bolso e ir cuidar dos seus – ele brincou, Clarie riu e baixou a cabeça
— eu só estava nervosa, se Molly talvez...
— Ela não vai, ela vai continuar aqui conosco
— eu não te mereço – sorriu boba, o moreno fez uma careta
— eu sei que eu sou demais pro seu caminhãozinho
— garoto modesto – ela assentiu e girou nos calcanhares, se voltando para a torneira
— parece que vai chover, peça para eles fazerem as coisas lá na sala, eu já estou indo – ela ordenou e ele gargalhou alto
— as suas ordens, alteza – James fez uma reverencia e saiu dali com um sorriso no rosto, ela poderia ver aquele sorriso para sempre.
— eu estou chegando lá – ela sussurrou fitando o céu, puxou o bilhete amassado do bolso e leu mais uma vez
“Só mais alguns passos, ele está quase caindo”
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