Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso trigésimo quinto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


A movimentação dos servos do castelo estava além do normal hoje, pois estavam empenhados em resolver os últimos detalhes pendentes para o meu casamento com o príncipe do Sul e a nossa coroação como imperadores, iniciando assim o primeiro reinado do império do Leste.

Seguindo a tradição as vésperas de uma união, acompanhamos o sacerdote até o santuário do reino onde devíamos fazer oferendas e preces, implorando aos deuses que abençoassem a nossa união, nos proporcionando felicidade e fertilidade. Como éramos de reinos diferentes tivemos que fazer duas oferendas, cada uma para os deuses dos respectivos reinos, evitando assim possíveis descontamentos por agradar determinadas divindades em detrimento da outra.

Essas oferendas incluíam frutas, alimentos, velas, incensos, ouro e joias, ofertadas pelos noivos e por seus familiares, indicando assim que todos estavam de acordo com o matrimonio que seria realizado no dia seguinte. Como meus pais não estavam mais vivos e nem tinha qualquer outro parente sanguíneo vivo, coube ao sacerdote pedir licença para a memória dos meus pais para realizar a oferta.

— Que tal se déssemos uma volta de carruagem pela capital do império? Seria uma grande oportunidade de lhes mostrar as lindas paisagens do Leste. — sugeri aos meus convidados segurando o braço de Gael, enquanto descíamos as escadas do santuário.

— Seria maravilhoso conhecer o reino que papai nasceu... Me lembro de inúmeras histórias que ele contava — o rei Liam disse saudoso perdido em memórias, sorrindo com curiosidade para mim — O bosque das lágrimas, realmente existe ou foi uma invenção do meu falecido pai?

— Claro que existe — Gael disse com determinação, deixando todos surpresos recompondo-se em seguida — Pelo menos espero que exista, porque é uma das histórias que mais gostava quando pequeno...Não é possível que o papai tenha inventado algo assim, com tanta riqueza de detalhes. — segredou desviando seus olhos do irmão para me ver.

— Sim, o bosque das lágrimas existe, fica a poucos quilômetros daqui — assegurei deixando os dois irmãos felizes pela notícia. — Se desejarem, posso levá-los até lá.

— Sim, por favor. — eles disseram animados e sorri com a empolgação dos dois, antes de comunicar os soldados que iriamos para a vila do bosque das lágrimas.

Sorri com a brisa fresca que vinha da janela da carruagem, enquanto nos aproximávamos da vila do bosque das lágrimas e os olhos de Gael brilhavam diante da passagem que via, em algumas ocasiões ele apontava para determinado local e dizia seu nome, questionando com o olhar se estava correto e a cada confirmação, sua felicidade aumentava ainda mais.

Por mais que desejasse vir sozinha com meu noivo na carruagem, sabia que tal atitude não seria vista com bons olhos por isso tive que me conformar com a condição de que Gael só viria comigo, se a rainha mãe também viesse. Apesar disso, era grata por minha sogra ter escolhido se sentar no assento em frente ao nosso, permitindo que Gael se sentasse ao meu lado durante toda a viagem.

— O império do Leste, realmente é um lugar lindo...Nunca vi tanto verde em um só lugar. — Gael disse fascinando olhando para a janela da carruagem, segurando minha mão e virei sorrindo para vê-lo.

— Sim, dizem que o nosso império foi abençoado pela mãe natureza. O reino do Sul não possui florestas, príncipe Gael? — questionei desviando meus olhos da janela, para ver seus olhos azuis cristalinos que combinavam com o céu dessa manhã.

— Não o bastante, por isso é considerado um crime com pena de morte destruir áreas verdes, o reino do Sul é rico em lagos termais e rubis, por isso é conhecido como o reino dos filhos do fogo. — explicou fazendo círculos carinhosos na palma da minha mão, provocando leves arrepios por meu corpo e a sensação de ter borboletas em meu estômago.

— Aqui também é considerado um crime, macular as florestas pois acreditamos que elas são os locais onde os nossos deuses habitam. — expliquei enquanto a carruagem parava, anunciando que havíamos chegado em nosso destino.

Em seguida Drake abriu a porta da carruagem, permitindo que Gael descesse primeiro ajudando sua mãe em seguida e depois a mim, antes de caminharmos pelas ruas de pedras arborizadas que dava acesso ao bosque das lágrimas, sendo seguidos por um pequeno contingente de guardas trajando uniformes do Leste e do Sul.

Durante o caminho para o bosque das lágrimas, cruzamos com moradores que voltavam do campo com o resultado de uma manhã de trabalho para ser vendido na feira mais próxima, assim que perceberam nossa presença muitos ficaram surpresos nos cumprimentando com reverências e felicitações pelo casamento, antes de seguirem seu caminho.

Logo a paisagem de vegetação rasteira, deu lugar a inúmeros salgueiros que balançavam ao sabor do vento em frente ao lago de água cristalina, trazendo uma brisa refrescante depois de caminharmos por alguns minutos em uma estrada de pedras até o local.

Em silêncio, Gael se separou de mim caminhando em direção a margem do lago olhando fascinando para o local que deve ter habitado sua mente durante anos, desde que seu pai lhe contou sobre ele.

— É igual as histórias do papai — disse perdido em pensamentos fascinado pelo que via, antes de virar para me ver — É verdade que as águas desse lago, foram formadas a partir das lágrimas de dor de um guerreiro depois que perdeu sua amada? — questionou tentando confirmar a lenda que deve ter ouvido do seu pai.

— Sim — assegurei séria caminhando em sua direção — A lenda diz que após perder sua amada noiva, o mais bravo guerreiro do Leste a sepultou em um lindo bosque cercado por salgueiros. Inconformado com sua perda, ele chorou durante dias e noites formando assim o lago das lágrimas, dando origem ao bosque de mesmo nome — expliquei parando ao seu lado enquanto Gael voltava sua atenção para a paisagem a nossa frente — Sempre achei que entendia a dor do guerreiro do Leste, por ter perdido meus pais... Mas quando achei que iria perder você...Consegui entender perfeitamente a dor pela qual ele deve ter passado, ao ver a vida se esvaindo dos olhos da pessoa para quem deu seu coração, sem ter como impedir que isso acontecesse. — disse perdida em pensamentos e ele segurou minhas mãos nas suas, permitindo que voltasse ao presente e olhasse nos seus olhos.

— Eu estou aqui, amor, e prometo não deixá-la tão cedo. — assegurou amoroso beijando minhas mãos e sorri agradecida, respirando fundo espantando os fantasmas do passado.

Ficamos mais um pouco admirando o local enquanto respondia a algumas perguntas da família real do Sul sobre o lugar, sugerindo em seguida que visitássemos a vila vizinha antes de voltarmos para o castelo. Uma sugestão que foi aceita por todos do grupo, antes de caminharmos para onde havíamos deixado as carruagens embarcando neles e seguindo para a vila mais próxima que ficava a meia hora dali.

Assim que as carruagens se aproximaram da praça principal, descêssemos do veículo e guiei os visitantes até o centro da vila que ostentava uma linda estátua em bronze de um homem sentado em um poltrona com um livro nas mãos, lendo-o de forma concentrada e parei diante do local, antes de todos imitarem meu gesto.

— Essa vila se chama Vento do Leste, mesmo pequena é de suma importância para o reino, pois é responsável por formar os eruditos que irão servir no palácio real, como guardiões da nossa biblioteca e dos registros do governo — expliquei atraindo a atenção do grupo que me acompanhava — E está é uma estátua em homenagem ao maior erudito de todos, o responsável pelo que o reino do Leste é hoje. — destaquei indicando a estátua atrás de mim, esperando a reação da família real do Sul.

Acompanhei atentamente a rainha mãe Hortência arfar em choque, colocando a mão direita na frente dos lábios tentando conter seu choro diante do reconhecimento da estátua a nossa frente, sendo consolada mediatamente por seu primogênito, o rei Liam, enquanto Gael desviava os olhos da mãe para ver o monumento em nossa frente, ficando em choque ao reconhecer o homem com as feições iguais as suas.

— Papai... — sussurrou com a voz embargada enquanto lágrimas caiam dos seus olhos, sem se importar de ser visto chorando por mim ou pelos soldados presentes.

Em silêncio caminhei em sua direção, envolvendo-o em um abraço apertado e logo pude ouvir seu choro doloroso abafado por meus cabelos, enquanto tentava confortá-lo da melhor forma possível, aceitável na frente de terceiros.

Sabia por experiência própria, que a dor da perda podia amenizar depois de um tempo, nos dando a ilusão de que nos acostumamos.

Um grande equívoco.

Porque quando menos esperamos, ela volta com a mesma intensidade do dia em que soubemos que perdemos a pessoa que amávamos, nos dando a certeza de que ela realmente existiu e nos fez tanta falta, mesmo depois de anos.

— Não consigo entender, por que vossa majestade, decidiu colocar uma estátua do meu amado e falecido rei consorte nesta vila? — questionou a rainha mãe Hortência, após se recuperar do diluvio de emoções que sentiu ao ver a imagem do seu falecido marido esculpida em bronze na praça principal da vila mais importante do reino e me separei de Gael para vê-la.

— Porque é a minha forma de agradecer e homenagear ao filho mais ilustre do Leste, mesmo estando na posição mais elevada e honrada em outro reino, jamais esqueceu da sua terra natal contribuindo para o que somos hoje — ressaltei séria deixando claro que reconhecia o importante papel que o consorte do Sul havia desempenhado para a libertação e prosperidade do meu amado império — E nada mais justo, fazer tal gesto em sua vila natal — expliquei deixando todos surpresos por minha revelação e Agnes balançou a cabeça, confirmando minha informação.

— O papai nasceu aqui?! — rei Liam questionou surpreso olhando ao redor em busca de algo que pudesse confirmar minhas palavras.

— O filho do vento do Leste sempre leva bonanças e sabedoria consigo, por onde quer que ande...E um filho do vento do Leste, sempre volta para o lugar de onde veio — Gael disse perdido em pensamentos olhando ao redor, voltando sua atenção para mim — Papai sempre dizia isso e nunca consegui entender, mas agora acredito que ele devia estar se referindo ao lugar em que nasceu.

— Sim, são expressões que utilizamos em nossa vila, para lembrarmos sempre dá importância que tem, pois é daqui que saem os homens mais letrados do nosso reino — Agnes disse sorrindo desviando os olhos do seu sobrinho para ver a estátua do seu irmão — Tenho certeza, que onde quer que esteja meu irmão está agradecido pela homenagem de vossa majestade e feliz por ver que sua família pode conhecer o lugar em que nasceu. — admitiu sincera e Hortência sorriu com carinho para a minha dama de companhia, abraçando-a pelos ombros tentando reconforta-la pela ausência do seu irmão.

— Tenho certeza que sim, Agnes. Marco estaria radiante por ver a vila que nasceu novamente, tenho certeza que faria questão de nos mostrar tudo, especialmente os seus lugares preferido — disse sincera e logo um sorriso surgiu em seu rosto — O lago ventania ainda existe? Meu marido sempre disse que era o seu lugar preferido em sua vila natal... Ele sempre ia para lá, quando queria um momento de silêncio para ler um livro.

— Sim, ainda existe, se desejar podemos ir até lá. — Agnes ofereceu voltando sua atenção para mim, pedindo autorização e balancei a cabeça concordando.

— Eu adoraria — Hortência disse feliz em saber que conheceria o lugar preferido do seu falecido marido — Mas antes de irmos, gostaria de saber rainha Virgínia, como conseguiu a autorização para construir uma estátua para um consorte de um reino estrangeiro? — questionou me olhando com curiosidade.

— Assim que apresentei minha intenção de homenagear o falecido consorte do Sul a câmara dos lordes, por sua participação ativa na libertação do nosso reino, recebi sua aprovação, mas antes de tudo isso enviei uma carta ao rei Liam, informando meu desejo de homenagear seu falecido pai com uma estátua na praça principal da vila em que nasceu, lhe pedindo autorização para realizar tal feito.

— Depois que li a carta da rainha Virgínia, refleti por alguns dias antes de tomar a minha decisão, pois sempre soube que apesar da posição elevada em nosso reino meu falecido pai jamais desejou glória para si. Ele só fez o que estava de acordo com o seu coração e seus princípios, mas sabia o quanto o Leste era importante para ele mesmo amando o reino que lhe acolheu. Em nome de tudo isso, autorizei a homenagem assim como forneci pinturas que o retratavam, mas nunca achei que fosse ficar tão fiel a ele... É como...— rei Liam disse sem desviar os olhos da estátua sendo interrompido por seu irmão mais novo.

— Como se estivéssemos diante do papai de novo...— Gael sussurrou perdido em memórias e seu irmão concordou, enquanto a rainha mãe Hortência assentia entre lágrimas.

Nenhum dos presentes disse mais nada permanecendo em silêncio, respeitando o momento da família real do Sul contemplando a estátua de bronze em homenagem ao homem que foi tão importante na vida de todos, pois o falecido rei consorte Marco, não era apenas o salvador do Leste, ele também foi um monarca justo, um marido amoroso e companheiro, assim como um pai dedicado e carinhoso.

Um ser humano por trás de um título e uma coroa, que veio das camadas sociais mais baixas ascendendo a posição mais alta de outro reino, ficando atrás apenas da monarca reinante. Um exemplo de que não podemos nos deixar corromper pelos cargos que ocupamos, pois eles são passageiros assim como nós, por isso devemos fazer o melhor com o que a vida nos reserva sem humilhar ou enganar ninguém.

Porque no fim de tudo, são as nossas boas ações e o que fazemos com o poder que nos é dado, que nos eternizam na memória das pessoas.

A consternação do momento só foi interrompida pela rainha mãe Hortência ao se aproximar de mim, segurando minhas mãos nas suas encarando-me com um par de olhos azuis escuros da cor de safira.

— Em nome de toda minha família e do meu falecido marido, muito obrigada por sua homenagem e consideração, tenho certeza que dos campos celestiais Marco está emocionado com o seu reconhecimento e abençoa a união dos dois. Desejo que sejam imensamente felizes e que meu príncipe possa ser um balsamo, para as preocupações de vossa majestade em relação a administração do reino. Porque sei por experiência própria, o quanto os problemas administrativos podem tirar a nossa paz, assim como ela pode ser devolvida se tivermos a pessoa certa ao nosso lado. — segredou para mim desviando seus olhos dos meus, para olhar seu filho que ainda permanecia ao meu lado.

— Obrigada por suas palavras, rainha mãe Hortência. — agradeci gentil desviando os olhos dela para ver seu filho ao meu lado que sorriu carinhoso para mim.

— Bem, agora que tal se fossemos ver o lago ventania antes de voltarmos para o palácio? — sugeriu e concordamos enquanto caminhávamos em direção as carruagens que nos esperavam.


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— Vossa majestade, deseja algo antes de se deitar? — Agnes questionou solicita enquanto afastava as cobertas para me deitar mais cedo hoje, depois do dia cansativo que havia tido.

— Não Agnes, estou bem pode se recolher assim como as outras damas de companhia, amanhã será um grande dia e teremos que acordar cedo.

— Sim, minha senhora, depois de tanto tempo esperando amanhã finalmente se casará com o homem que ama.

— Sim, não poderia estar mais feliz por isso.

— Sei disso, minha rainha — disse sorrindo amorosa. — Desejo do fundo do coração que os dois sejam muito felizes.

— Muito obrigada, Agnes.

— Bem, vou deixá-la descansar, afinal terá um dia cheio amanhã. — disse carinhosa e concordei, antes de sermos interrompidas por uma de suas auxiliares que parou na porta do meu quarto, indicando que havia algo importante para dizer.

— Pode falar, Gabrielle.

— Vossa majestade, a rainha mãe Hortência deseja vê-la — informou me deixando preocupada por saber que a mãe de Gael estava na minha porta, depois de ter se reconhecido. — A soberana alegou, que é um assunto importante que não pode esperar.

— Tudo bem, leve-a para a minha sala de estar, Gabrielle, e informe que irei em seguida. — solicitei a minha dama de companhia que fez uma reverência, antes de deixar meu quarto indo cumprir a ordem que havia lhe dado.

— O que será que a rainha mãe Hortência veio fazer a essa hora da noite nos seus aposentos, as vésperas do casamento do filho com vossa majestade? — questionou com preocupação enquanto levantava da minha cama vestindo meu robe em seguida.

— É o que irei descobrir, Agnes. — assegurei caminhando em direção a minha sala de estar particular, onde a mãe de Gael esperava

— Aconteceu alguma coisa, Hortência? — questionei preocupada assim que entrei em minha sala.

— Não Virgínia, está tudo bem. — assegurou suave e respirei aliviada indicando que nos sentássemos, antes de olhar para as minhas damas de companhia.

— Vocês já podem se recolher, não precisarei dos serviços das senhoras por hoje — pedi e todas fizeram uma reverência deixando os aposentos, permanecendo apenas Agnes. — Você também, Agnes, está dispensada por hoje. Amanhã teremos um longo dia e precisamos descansar.

— Claro, minha rainha. — disse fazendo uma reverência, me deixando a sós com a mãe do meu noivo.

— Bem, Hortência o que lhe trouxe até os meus aposentos? — questionei curiosa me sentando no lugar vago ao seu lado, antes dela alisar a tampa da caixa de veludo preto que estava em seu colo, como se tirasse alguma ruga da superfície do objeto.

— Vim por causa disso — disse gentil desviando seus olhos da caixa em seu colo para me ver — Depois que nosso caçula nasceu, Marco e eu pensamos em criar uma espécie de tradição... Algo que pudéssemos fazer para demonstrar as futuras noivas dos nossos filhos, o quanto estávamos felizes em recebê-las em nossa família. Por isso, decidimos criar algo que pudéssemos presenteá-las as vésperas do seu casamento com nossos filhos...Mas nunca pensei que tivesse que presentear nossa última nora sem meu marido do lado. — disse perdida em pensamentos e coloquei a minha mão em cima da sua, tentando confortá-la.

— Obrigada, minha querida, mas não vim até seu quarto as vésperas do seu casamento com meu filho, para falar das minhas dores.

— Sabe que não me importo, pode falar comigo sempre que desejar.

— Eu sei que sim, e agradeço por isso — disse gentil apertando minha mão com carinho e respirando fundo, como se quisesse espantar sua tristeza — Esse é o seu presente, minha querida, espero sinceramente que goste e lembre-se que foi feito com muito carinho. — Hortência explicou carinhosa me entregando a caixa de tamanho médio nas minhas mãos e respirei fundo, antes de abri-la arfando ao ver seu conteúdo.

Em seu interior aninhado em uma almofada preta, havia um lindo conjunto composto por uma tiara, um colar e brincos, todos de diamantes e rubis.

O colar e os brincos, possuíam o formato elaborado de galhos cravejado por diamantes que faziam o papel das folhas, dos seus galhos pendiam um rubi de tamanho oval que imitava um delicado fruto prestes a ser colhido. Era uma peça suntuosa e delicada, que me deixou sem fala diante de sua beleza e singularidade.

Já a tiara, era composta por três partes singulares de diamantes, a primeira era ricamente decorada por diamantes no formato da letra “f” intercalando com pontos da mesma pedra que dividiam as partes da tiara. A segunda, se destacava por possuir delicadas folhas de árvores cravejadas de diamantes interligados por um lindo rubi oval em seu centro, rodeado por pontos de diamantes que chamavam a atenção para o meio da tiara.

E a última parte, possuía o delicado formato de ondas, imitando o movimento das águas abundantes em meu reino assim como a flora, sendo cravejadas por diamantes minúsculos do começo ao fim.

Era uma das tiaras mais bonitas e bem-feitas que já tinha visto na vida, nem mesmo o acervo de joias que possuía no castelo havia algo tão especial e lindo quanto aquela joia.

— Você gostou, Virgínia? — questionou ansiosa por minha resposta e desviei os olhos da joia para vê-la.

— Que mulher não gostaria de uma joia como essa...Ela é linda. — disse ainda deslumbrada tendo ciência de que jamais havia visto uma peça tão bonita quanto aquela na minha vida.

— Fico feliz que tenha gostado — disse feliz em ouvir minha resposta positiva. — Fizemos essas joias, para que a esposa de Gael usasse no seu casamento e na sua primeira aparição como princesa do Sul.

— Muito obrigada, Hortência, mas infelizmente não poderei usá-la amanhã. — comecei a explicar e ela me interrompeu sorrindo.

— Está tudo bem, Virgínia. Compreendo que como monarca do Leste, precisa usar símbolos do seu reino, não precisa usá-la só de saber que gostou do presente e o manterá, já me dou por satisfeita — assegurou amorosa. — Se for do seu desejo, pode presentear minha futura neta com as joias que ganhou.

— Farei isso, mas só depois de usá-las em algum momento e quando isso ocorrer, saiba que estou honrando o título de nascença do seu filho assim como seu legado materno. — assegurei para a mulher ao meu lado que sorriu emocionada com as minhas palavras.

— Desejo que você e Gael, sejam muito felizes. Que se amem, se respeitem, se apoiem e sempre cuidem um do outro, nunca permitam que a coroa os separe como casal ou monarcas. — aconselhou e apertei sua mão com carinho, sem desviar dos seus olhos.

— Prometo, que jamais deixarei que isso aconteça. — jurei para a mulher ao meu lado que sorriu feliz com minhas palavras, antes de me incentivar a colocar a tiara que ainda estava dentro da caixa.

Com cuidado retirei a tiara da caixa constatando o quanto ela era pesada, antes de colocá-la em minha cabeça e olhar para Hortência à espera da sua opinião.

— E então, como estou?

— Está uma verdadeira princesa da casa do Sul. — disse sorrindo carinhosa e agradeci emocionada por suas palavras.

Conversamos mais um pouco enquanto retirava a tiara e a guardava em sua caixa, antes dela informar que estava tarde demais para continuamos conversado e não queria atrapalhar o meu descanso, já que teria que acordar cedo amanhã.

Com um abraço carinho me despedi da rainha mãe Hortência, antes de retornar para os meus aposentos particulares com a caixa que ela havia me dado de presente.