Imperatriz do Leste
37 Trigésimo sexto capítulo
Notas iniciais

Acordei com o som da movimentação das damas de companhia por meus aposentos, provavelmente organizando tudo que usaria nas cerimônias que aconteceriam durante todo o dia. O dia em que celebraria minha coroação como imperatriz do Leste e união com o príncipe do Sul, ao lado dos súditos que se empenharam em enfeitar as ruas para a comemoração manifestando seu apoio aos futuros monarcas.
Escolher o príncipe do Sul como futuro consorte, me libertou do destino cruel que foi traçado sem o meu consentimento, permitindo que pudesse governar meu reino como sempre desejei sem renunciar ao meu direito de nascença, além de permitir que conhecesse o amor da minha vida.
Um amor puro, leal e generoso, o qual sabia que estaria ao meu lado me protegendo e amparando durante toda minha jornada como imperatriz. Sendo meu porto seguro e dizendo o que precisava ser dito sem temer represálias, me ajudando a melhorar não só como monarca mais como pessoa.
— Bom dia, vossa majestade, que bom que está acordada, já estava vindo chamá-la. Seu banho está pronto, assim como as roupas e joias que usará hoje. Seu café da manhã, será servido na sacada após o banho como sempre, enquanto toma o dejejum as outras damas começaram a organizar os aposentos reais para sua primeira noite com o imperador consorte. — Agnes explicou suave enquanto me sentava na cama, desviando os olhos dela para ver a movimentação das outras mulheres no meu quarto e respirei fundo, tentando acalmar meu coração para tudo que viveria daqui a algumas horas.
— Bom dia, Agnes. Pelo que vejo, tudo está acontecendo como o planejado, agradeça em meu nome a todos que estão empenhados em realizar meu casamento e a cerimônia de coroação. — agradeci a ela que sorriu amorosa, antes de me ajudar a levantar da cama seguindo em direção ao quarto de banho onde a banheira já estava cheia com água morna perfumada por flores.
Depois do banho relaxante, no qual fiquei alguns minutos de olhos fechados tentando não pensar em nada, enquanto o ambiente se enchia com o doce aroma das essências presentes na água. Apesar de desejar ficar um pouco mais, me levantei da banheira vestindo meu robe assim que Agnes informou que deveria sair do banho ou acabaria me atrasado para a cerimônia.
Na companhia da minha fiel dama de companhia, segui em direção a sacada onde a mesa estava posta com várias iguarias do meu gosto pessoal, para que realizasse meu desjejum matinal, mas apesar da variedade de alimento optei por comer um pouco de salada de frutas adoçadas com mel e um copo de suco de amora, alimentos leves que não me fariam passar mal diante do nervosismo que tentava a todo custo esquecer.
— Minha rainha comeu tão pouco, por acaso a comida não está do seu agrado? — Agnes questionou com preocupação assim que informei que havia acabado de tomar meu café da manhã — Deseja que prepare outra coisa para se alimentar?
— Não Agnes, estou bem, só amanheci sem fome hoje — assegurei olhando em seus olhos e ela me olhou com preocupação. — Não se preocupe, asseguro que me alimentarei melhor durante o banquete de comemoração.
— Mesmo assim, minha senhora, preparei um lanche leve para que consuma, caso sinta fome entre uma cerimônia e outra. — ofereceu e sorri agradecida por seus cuidados.
Após minha refeição, segui minha dama de companhia até o local onde me arrumaria para o casamento. Enquanto as demais damas, se ocupavam em conferir se meu vestido de noiva e as joias que usaria estavam impecáveis, Agnes se dedicava em espalhar um pouco de óleo perfumado em suas mãos, antes de passá-lo por todo o meu corpo e cabelo, deixando um delicioso aroma de lavanda por minha pele, exalando por todo o cômodo.
— O cheiro de lavanda, ajudará a aclamá-la durante as cerimônias. — Agnes segredou carinhosa fechando o vidro de óleo assim que terminou de passar a essência por todo o meu corpo e sorri agradecida a ela, por se preocupar comigo nos mínimos detalhes.
Meu vestido de noiva era no tom verde esmeralda, com um decote que mostrava sutilmente meus ombros possuindo mangas que iam até meus pulsos, com bordados de fios de ouro na parte de cima, nas mangas e na saia dos antigos símbolos do reino do Leste, o carvalho e a esmeralda, e do futuro império: o carvalho, presente em abundância em nossas terras; A flor da neve, típica das montanhas geladas do Norte e a estrela do Sul, que só poderia ser vista com mais clareza na região desértica do Sul.
Como joias para o meu casamento com o príncipe do Sul, optei por um conjunto composto por uma tiara, brincos e colar de ouro e esmeraldas, destacando a cor do meu reino assim como a pedra símbolo da minha casa, para a cerimônia de coroação minha tiara seria substituída pela coroa que havia mandado fazer.
Já meus cabelos foram divididos em três partes, onde duas foram meio presas deixando minhas ondas livres até o meio das costas, enquanto a outra parte foi colocada estrategicamente do meu lado direito, transmitindo elegância e seriedade, exigida para a ocasião.
— Vossa majestade, está deslumbrante. — Agnes disse emocionada assim que estava devidamente pronta para a cerimônia e sorri agradecida para ela, enquanto segurava suas mãos nas minhas.
— Muito obrigada, Agnes. Por tudo que fez durante todos esses anos, você tem sido uma segunda mãe para mim e jamais poderei agradecer tudo que fez. — disse agradecida e ela sorriu amorosa como se não tivesse feito nada demais.
— Não precisa me agradecer, vossa majestade, só cumpri a promessa que fiz a sua mãe em seu leito de morte, de cuidar da filhinha dela como se fosse minha. Fico feliz em saber que obtive êxito em minha missão, mas saiba que cuidar da minha rainha por todos esses anos, vai muito além da promessa que fiz a falecida rainha consorte do Leste.
— Sei disso, Agnes — disse ciente do seu amor por mim e pela memória da minha mãe. — Assim como tenho certeza, que onde quer que minha mãe esteja está feliz em saber que sua antiga dama de companhia ainda cumpri a promessa que lhe fez.
— E faço isso com muito amor e carinho — segredou maternal para mim — Mas acho que está na hora de eu começar a cuidar do herdeiro do trono, majestade. — sugeriu e sorri concordando.
— Vou fazer o possível, para que o herdeiro do trono não demore a chegar. — segredei a ela que sorriu feliz por minhas palavras.
— Que os deuses abençoem a sua união, minha rainha, fazendo-a duradoura, frutífera e feliz — desejou amorosa e agradeci — Bem, está na hora de irmos, por favor, tomem os seus lugares para que possamos acompanhar a nossa rainha no seu grande dia. — Agnes disse sorrindo para as outras damas que trajavam vestidos verdes de um tom mais claro que o meu, logo elas se posicionaram formando uma fila dupla tendo minha fiel dama de companhia a frente, deixando claro que estamos prontas para sair.
Respirei fundo, acalmando meu coração alisando de leve à frente do meu vestido caminhando em seguida em direção a porta de saída dos meus aposentos, sendo seguida de perto por minhas damas de companhia até santuário do castelo onde seria realizada a cerimônia de casamento, já a coroação ocorreria na sala do trono.
Assim que parei em frente as portas que davam acesso ao santuário, os guardas ali presentes fizeram uma reverência antes de abrirem as portas do local, enquanto os demais tocavam as trombetas anunciando minha entrada.
Tentei manter a respiração a cada passo que dava, acalmando meu coração acelerado enquanto caminhava embaixo de um teto de espadas feitos pelos soldados do meu exército, posicionados por todo o corredor que levava até o meu noivo em pé ao lado do sacerdote.
Assim que me viu meu amado noivo sorriu carinhoso e retribui seu gesto, notando o quanto a farda de gala do exército do Sul nas suas tradicionais cores vermelho e dourado, deixavam Gael ainda mais lindo do que ele já era.
Em silêncio parei em sua frente e meu noivo me ofereceu sua mão direita, a qual aceitei sinalizando assim que concordava com a nossa união.
— Vossa majestade, está muito linda, se me permiti dizer. — Gael segredou beijando minha mão com carinho.
— Obrigada, príncipe Gael — agradeci sorrindo amorosa para ele — Vossa alteza, também está muito lindo, se me permiti dizer. — segredei a ele que sorriu agradecido, antes de me conduzir em direção ao sacerdote que já nos esperava.
— Sejam bem-vindos, ao santuário dos nossos deuses nessa linda manhã, na qual celebraremos a união dos nossos futuros imperadores, a rainha Virgínia, da casa do Leste, e o príncipe Gael, da casa do Sul — o sacerdote disse sorrindo cumprimentando a todos, assim que paramos em sua frente — Estou muito feliz em celebrar mais um momento memorável da nossa governanta, tive a honra de consagrá-la quando bebê aos deuses no dia de sua apresentação para a corte, como herdeira do trono e de coroá-la nossa rainha, quando ainda era uma criança. E hoje, tenho a honra de celebrar no mesmo dia, o seu casamento e sua coroação. Desde já, desejo que a união dos nossos futuros soberanos seja abençoada pelos deuses, resultando em prosperidade, paz, união e felicidade para o nosso império. — desejou feliz e agradecemos com um sorriso, antes de respirar fundo e assumir um ar sério indicando o início a celebração.
— Quem dá está mulher em casamento? — o sacerdote questionou sério olhando para trás.
— O império do Leste. — ouvi o Lorde Samuel, chefe da câmara responder a pergunta do sacerdote.
— Quem dá este homem em casamento? — o sacerdote questionou novamente olhando para trás.
— O reino do Sul. — ouvi a família de Gael dizer em alto e bom som, antes do sacerdote voltar a sua atenção para nós.
— Suas famílias estão de acordo com essa união, por isso questiono a vós se é de livre e espontânea vontade que desejam se unir perante o reino e os deuses?
— Sim. — respondemos juntos.
— Peço que fiquem de frente para o outro, rainha Virginia estenda sua mão esquerda em direção ao príncipe Gael — solicitou e atendi ao seu pedido — Principe Gael, coloque a sua mão esquerda em cima da mão de vossa majestade. — instruiu e meu noivo o fez enquanto os ajudantes do sacerdote envolviam nossas mãos com um tecido de seda verde, enquanto olhávamos nos olhos do outro.
— Com as mãos atadas, vocês se comprometem perante os deuses e a todos os presentes a seguirem unidos perante as adversidades sem jamais esquecer do outro, de hoje em diante se tornaram companheiros para a vida toda. Deixando de serem duas linhas da vida separadas, para se tornarem uma só enquanto viverem — o sacerdote declarou — Vocês prometem serem companheiros de vida? Ajudando o outro, durante toda a caminhada neste mundo até que chegue a hora de se encontrarem com os deuses nos campos verdejantes? — questionou sério alternando olhares entre mim e Gael.
— Prometemos. — dissemos juntos sem desviar os olhos do outro.
Em seguida o sacerdote derramou um pouco do óleo sagrado em nossas mãos unidas pelo tecido, começando a proferir uma oração na língua dos deuses pedindo a benção e a presença deles durante nossa união, para que fosse duradora e feliz. Assim que terminou suas preces, o sacerdote liberou nossas mãos colocando o tecido que as envolvia em uma bacia de prata, segurada por seu ajudante enquanto outro lhe oferecia uma vela acessa, a qual aceitou de bom grado ateando fogo no tecido diante dos nossos olhos.
Impedindo assim segundo os ritos da cerimônia, que nossa união pudesse ser utilizada para nos colocar contra o outro. Já as cinzas que restaram, foram misturadas em uma pequena jarra de vinho que possuía a medida exata de dois cálices, servidos e entregues em seguida ao sacerdote que fez uma nova prece, antes de entregar a uma taça para cada um.
— Com este vinho, misturado ao entrelaçamento de suas vidas, vocês se comprometem em seguir juntos, protegendo, zelando, honrando e amando a pessoa que escolheram para se unirem. Agora, digam seu juramento diante dos deuses e de todos os presentes, em seguida, entreguem o cálice que está em sua mão ao seu noivo para que ele beba, confirmando os votos que fizeram neste dia e que levarão para a vida toda. Por favor, príncipe Gael, diga seus votos matrimonias. — o sacerdote pediu e Gael respirou fundo, segurando seu cálice com as duas mãos sem tirar os olhos de mim, antes de proferir seus votos.
— Com este cálice em mãos, prometo protegê-la de todos os perigos. Prometo zelar por seu bem-estar e por nosso casamento, fazendo tudo que estiver ao meu alcance para que seja feliz, respeitando-a todos os dias da minha vida. Horando os votos que proferimos, desde dia em diante. — Gael jurou sem desviar os olhos dos meus, me oferecendo em seguida o cálice que estava em suas mãos para que tomasse seu conteúdo.
— Rainha Virgínia, por favor, diga seus votos matrimonias. — o sacerdote pediu assim que terminei de tomar o vinho da taça que Gael havia me oferecido, entregando-a vazia para um dos ajudantes do sacerdote.
Respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado, voltando minha atenção para meu noivo que não desviava os olhos de mim esperando por meus votos.
— Com este cálice em mãos, prometo protegê-lo de todos os perigos. Prometo zelar por seu bem-estar e por nosso casamento, fazendo tudo que estiver ao meu alcance para que seja feliz, respeitando-o todos os dias da minha vida. Horando os votos que proferimos, desde dia em diante. — jurei séria sem desviar os olhos de Gael, oferecendo meu cálice para que tomasse seu conteúdo.
— Como todos sabem, após esse momento a cerimônia estaria encerrada, mas atendendo ao pedindo dos noivos, acrescentaremos em sua celebração mais uma simbologia para representar o compromisso que estão assumindo a partir de hoje — o sacerdote explicou enquanto Gael entregava a taça vazia para o ajudante do sacerdote — Princesa Cora, pode trazer as alianças, por favor. — pediu a sobrinha de Gael que sorriu concordando, caminhando em nossa direção com delicado arranjo feito com galhos secos do sagrado carvalho que habitava o pátio principal do castelo, contendo em seu interior as alianças que havia mandado fazer para a ocasião.
Assim que a sobrinha de Gael parou em nossa frente, ele se virou para pegar a aliança menor do interior do arranjo sorrindo agradecido para a princesa Cora, antes de voltar a sua atenção para mim.
— Com esta aliança, eu a desposo rainha Virgínia, prometendo-lhe ser fiel e companheiro a cada momento das nossas vidas. Comemorando suas vitórias ao seu lado e enxugando suas lágrimas, quando não puder evitá-las — declarou sem desviar os olhos dos meus enquanto desliava cuidadosamente a aliança por meu dedo anelar da mão esquerda — Protegendo-a com a minha própria vida se necessário e amando-a até o meu último suspiro. — proferiu assim que terminou de colocar a aliança em meu dedo beijando o local da joia com carinho, enquanto tentava controlar minha emoção para dizer as palavras que havia preparado para Gael.
Virei para a princesa Cora, que ainda segurava o arranjo feito com galhos secos do sagrado carvalho retirando a aliança de Gael, sorrindo agradecida para a sobrinha do meu noivo, voltando a minha atenção para o homem em minha frente.
— Com esta aliança, eu o desposo príncipe Gael, prometendo-lhe ser fiel durante todos os dias da minha vida — jurei sem desviar os olhos dos seus deslizando com cuidado a aliança por seu dedo anelar da mão esquerda — Amando-o com todo o meu coração, estando ao seu lado nos momentos felizes e tristes, protegendo-o com a minha própria vida até o meu último suspiro. — declarei emocionada beijando o local em que estava sua aliança, após ter terminado proferido meus votos.
— Com a cerimônia do entrelaçamento de suas vidas, o compartilhamento do vinho e a troca de alianças, vocês prometeram diante de si e dos deuses, proteger, zelar, honrar e amar a pessoa a sua frente. Jamais esqueçam das palavras proferidas hoje, pois devem ser cultivadas todos os dias para que continuem a crescer e resultem em lindos frutos que fortaleceram a união dos dois — alertou o sacerdote olhando para nós, antes de sorrir orgulhoso — Com a benção dos deuses, é com grande alegria que anuncio a todos que a rainha Virgínia, a Fúria da tempestade da casa real do Leste, e o príncipe Gael, a Fúria da noite da casa real do Sul, estão casados perante os deuses e os homens. — o sacerdote disse feliz e logo ouvimos o ambiente ser preenchido pelo som das palmas dos convidados, das trombetas dos guardas e dos sinos do santuário, comemorando o enlace de sua monarca com o príncipe do Sul.
Com um sorrio feliz em seus lábios e um olhar repleto de amor e devoção, Gael me ofereceu seu braço esquerdo o qual aceitei com um sorriso, antes de caminharmos pelo corredor formado pelas espadas dos soldados do Leste, enquanto os convidados ainda nos aplaudiam e felicitavam pelo casamento.
Enquanto nos dirigíamos para fora do santuário, minhas outras damas de companhia se encarregaram de conduzir todos os convidados para a sala do trono onde ocorreria a cerimônia de coroação. Em contrapartida, Agnes e Henrik, nos levaram em direção ao aposento que ficava ao lado da sala do trono para que Gael pudesse trocar de roupa, deixando de trajar as cores do seu reino natal para usar a do nosso império, enquanto minha dama de companhia arrumava novamente meu penteado assim que retirei a tiara que usava.
— Pronto, minha senhora, já está pronta para a cerimônia de coroação. — Agnes disse se afastando de mim colocando minha tiara em uma caixa que havia em cima da mesa.
— Obrigada, Agnes. — agradeci seu trabalho com um sorriso, enquanto meu marido saia do outro cômodo que havia no local trajando sua farda nas cores verde e dourado, pertencentes ao império do Leste.
Sorri maravilhada em ver o quanto Gael havia ficado lindo com a roupa feita por Betânia, muito mais do que imaginei enquanto acompanhava a confecção da peça por minha costureira.
— E então, como estou, meu amor? — Gael questionou sorrindo para mim dando uma volta em torno de si, para que pudesse ver todos os ângulos de sua roupa enquanto me levantava da cadeira em que estava sentada, caminhando em sua direção com um sorriso no rosto.

— Você está simplesmente lindo, meu amor — disse carinhosa parando em sua frente, admirando cada detalhe do traje de Gael — Betânia realmente tem razão, quando disse que o verde do Leste ressaltava seus olhos e o deixava mais respeitável. — elogiei amorosa e ele sorriu se aproximando de mim, acariciando meu rosto com cuidado.
— Eu te amo, Virgínia. — declarou amoroso sem desviar seus olhos dos meus.
— Eu também te amo, Gael. — disse apaixonada e ele se inclinou para me beijar com carinho, enquanto passava meus braços ao redor do seu pescoço puxando-o para mais perto, desfrutando do seu gesto apaixonado até que o ar nos fez necessário.
— É a melhor sensação do mundo poder beijá-la, sem temer sermos vistos. — ele sussurrou com sua testa encostada na minha e sorri concordando.
— Sim, mas não podemos negar que beijar escondido tinha a sua emoção também. — segredei e ele concordou sorrindo voltando a me beijar, antes de sermos interrompidos por um pigarrear alto e nos afastamos a contra gosto enquanto voltava meu olhar para os nossos secretários. — E eu achando, que com o nosso casamento poderia desfrutar da companhia do meu consorte em paz.
— Nos desculpe, vossa majestade, por interromper a “conversa” com o seu consorte, mas os súditos estão esperando para prestigiar a coroação dos senhores. — Agnes disse com a feição de quem se desculpava, por ter interrompido minha troca de carinho com meu marido.
— Está tudo bem, tia Agnes, os dois tem razão — Gael disse desviando sua atenção dos nossos acompanhantes para me ver — Podemos continuar nossa “conversa” depois, meu amor. — sugeriu olhando nos meus olhos e concordei resignada, sabendo que ainda tinha um papel a desempenhar.
Em silêncio Gael me ofereceu seu braço direito, o qual aceitei com um sorriso no rosto, antes de sairmos do aposento em que estávamos caminhando em direção a sala do trono, onde os convidados já nos esperavam para o início da cerimônia de coroação.
— Pronto, meu querido? — questionei a ele percebendo o quanto estava tenso, enquanto aguardávamos o mestre de cerimônias nos anunciar e os guardas iniciarem o toque das trombetas.
Gael respirou fundo algumas vezes, provavelmente tentando se acalmar para o próximo passo que daríamos a seguir.
— Estou pronto. — assegurou virando para me ver e sorri com carinho para ele, tentando lhe passar coragem com esse simples ato, antes das portas serem abertas e passarmos por elas iniciando a cerimônia de coroação.
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