Imperatriz do Leste
51 Quinquagésimo capítulo
Notas iniciais

Dentro desses seis meses, o reino continuou prosperando, se destacando entre os impérios mais poderosos da nossa região o que atraia o interesse de todos em estabelecer uma aliança através do casamento, dispondo assim dos recursos e privilégios que teriam ao se aliar ao Leste. Uma ideia que fiz questão de rejeitar, deixando claro que meus filhos seriam livres para escolher quem desposariam assim como tive a oportunidade de fazê-lo.
Pela primeira vez na vida, podia assegurar que estava finalmente feliz e em paz com a vida que tinha. Meu reinado se consolidava como o mais próspero e pacífico, no qual seus habitantes tinham condições de vida melhores do que as dos seus antepassados, mas sabia que ainda tínhamos muito a fazer.
Era amada e respeitada por meus súditos, muito mais do que qualquer outro monarca do Leste me deixando em paz por saber que havia conseguido cuidar do meu povo da forma que sempre desejei, sem estar sob o julgo e as vontades de um homem como haviam predestinado desde o início para mim. Um destino que jamais aceitei e lutei para mudá-lo, recebendo como presente dos deuses por tantos anos de sofrimento um marido que me amava e me respeitava, como mulher e soberana, caminhando sempre ao meu lado sem jamais me ultrapassar.
Um consorte que não desejava inicialmente, mas com o tempo ele conquistou meu coração derrubando os muros de proteção que construí cuidadosamente, suprindo necessidades e desejos sem que precisassem expressá-los em palavras porque nos entendíamos com o olhar, uma conexão que jamais tive com outra pessoa.
Sorri orgulhosa admirando meu marido defendendo seu ponto de vista sobre a redução dos impostos para os produtos marítimos, segundo ele essa manobra iria incentivar os comerciantes a investirem mais nesse ramo trazendo visibilidade para o único porto que possuímos no império.
— Acho uma manobra arriscada, imperador consorte — lorde Mario responsável pelo comércio marítimo pontuou — Nosso império não tem tradição nesse ramo, se não tivermos ciência do que estamos fazendo podemos mergulhar a economia em um caos sem precedentes. — alertou fazendo todos os homens sentados a mesa se olharem preocupados, temendo que seu soberano estivesse sugerindo algo além do nosso alcance.
— Estou ciente disse lorde Mario, por isso fiz questão de preparar pessoalmente um estudo detalhando passo a passo do que podemos ou não fazer, trazendo exemplos de estratégias eficientes utilizadas por outros reinos e algumas que fracassaram, para que possamos ter um norte do que será melhor para o império do Leste — Gael explicou enquanto os servos entregavam algumas folhas de papel para os presentes — Levem o tempo que precisarem para se familiarizar com o documento, antes de iniciarmos uma discussão sobre a proposta que fiz na ultima página. — meu marido sugeriu incentivando-os a ler e agradeci a um dos servos quando recebi a minha folha.
Assim que estava de posse da documentação comecei a ler a proposta apresentada por meu consorte, balançando a cabeça diante dos pontos que concordava e viáveis a serem colocados em prática sem comprometer o orçamento de gastos do governo estabelecido para aquele mês.
Estava concentrada analisando a planilha de gastos, quando senti um chute na minha barriga que me fez segurar a respiração deixando o documento cair aos meus pés, enquanto minhas mãos iam automaticamente para o meu ventre sem acreditar que meu bebê havia chutado pela primeira vez.
— Está sentindo alguma coisa, princesa? — ouvi Gael questionar baixo inclinado em minha direção me olhando repleto de preocupação.
— O bebê... — sussurrei sem saber o que dizer sentindo lágrimas caírem dos meus olhos, fazendo Gael se levantar da cadeira em que estava ajoelhando-se ao meu lado, acariciando minha barriga enquanto me olhava com preocupação.
— Há algo de errado com a nossa pequena estrela cadente, querida? — questionou aflito e antes que pudesse explicar o que havia acontecido o bebê me chutou novamente — O que...O que foi isso?! — Gael questionou confuso e sorri colocando minha mão em cima da sua, colocando-a no local exato onde nosso filho havia me chutado.
— Isso, foi a nossa pequena estrela cadente me chutando pela primeira vez, meu amor — segredei emocionada vendo um lindo sorriso surgir nos lábios de Gael — Pelo jeito, nossa pequena estrela cadente deve estar achando a reunião da câmara enfadonha, por isso está me chutando para demonstrar seu descontentamento. — segredei e meu marido acariciou minha barriga inclinando-se para beijá-la, sem se importar que estávamos no meio de uma reunião com os lordes da câmara falando sobre orçamentos.
— O papai também acha tudo isso enfadonho, pequena estrela cadente — segredou para a minha barriga e o repreendi amorosa por sua fala acariciando seus cabelos claros, enquanto ele dedicava sua atenção para o bebê em meu ventre — Mas já estamos acabando — assegurou amoroso — O que acha de passearmos no jardim depois da reunião? Só eu, você e a sua mãe? Podemos pedir para o cozinheiro real, preparar um lanche com tudo que vocês duas gostam. — sugeriu desviando os olhos da minha barriga para ver meu rosto.
— Só se tiver suco de amora e biscoitos de amêndoas. — apontei desejosa sentindo minha boca encher de água só de pensar neles.
— Tudo que desejarem — Gael assegurou sorrindo amoroso para mim e balancei a cabeça concordando, antes do nosso bebê chutar no local exato em que a mão do meu marido estava nos fazendo sorrir de maneira cumplice. — Creio que isso deva ser um sim, meu amor.
— Tenho certeza disso, amor. — segredei fazendo-o rir e se inclinando em minha direção beijando meus lábios com carinho, antes de ouvirmos um pigarro alto e nos separarmos vendo que havíamos esquecido dos lordes ao nosso redor mergulhando em nossa própria bolha particular de casal amoroso felizes com a chegado do primeiro filho.
Sem dizer uma palavra, Gael acariciou minha barriga uma última vez beijando o dorso da minha mão direita, voltando para o seu lugar assumindo uma postura de seriedade mesmo com o rosto corado por ter quebrado um dos protocolos reais, demonstrando carinho diante dos súditos.
— Não precisa ficar constrangido, imperador consorte, por demonstrar seu apreço por nossa imperatriz — lorde Samuel, chefe da câmara destacou atraindo a atenção de todos — Antes do título que carrega e da coroa que usa, vossa majestade imperial, é um marido devotado e apaixonado por sua esposa, plenamente feliz com a chegada do seu primogênito. Ninguém poderá recriminá-lo, por demonstrar seus sentimentos quando tudo que desejamos é a felicidade da imperatriz e é perceptível o quanto imperador consorte a faz feliz. — assegurou gentil e sorri agradecida por suas palavras vendo Gael respirar aliviado, enquanto os demais lordes balançavam a cabeça concordando com as palavras do meu antigo tutor.
— Agora que tal finalizarmos a reunião mais cedo?! — lorde Samuel sugeriu nos deixando surpresos — Não podemos deixar a imperatriz e o herdeiro do trono desejando saborear suco de amora e biscoitos de amêndoas após um passeio pelo jardim com o imperador consorte, ainda mais em uma tarde tão linda quanto a que está fazendo hoje. — explicou e todos concordaram nos fazendo sorrir em agradecimento, antes de repassarmos os últimos pontos já decididos da reunião finalizando os trabalhos de hoje seguindo de braços dados com o meu marido para nosso passeio no jardim do palácio.
— Você ainda não me contou, o que gostaria de ganhar na cerimônia de apresentação da nossa pequena estrela cadente. — apontei enquanto andávamos calmamente entre os canteiros de flores das mais variadas cores.
— Porque já ganhei tudo que desejo...Na verdade, os deuses me deram bem mais do que pedi a eles.
— Gael, você sabe que é tradição o soberano presentear seu consorte durante a cerimônia de apresentação do herdeiro do trono.
— Sei disso, mas não preciso de bens materiais, querida, já me sinto um homem abençoado por tê-la como minha esposa e por estarmos à espera de um filho. — assegurou amoroso e suspirei parando de andar fazendo-o me acompanhar, me olhando confuso por minha parada repentina.
— Se não lhe dê um presente no dia da apresentação do nosso bebê, direi a todos do império que você não é o pai do filho que estou esperando — disse séria deixando-o surpreso com minhas palavras — É isso que deseja?! Que o império inteiro acredite que trai o homem que jurei amar e ser fiel diante dos deuses?! — questionei séria sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.
— Claro que não, meu amor — disse amoroso acariciando minha bochecha direita com seu polegar. — Me perdoe, nunca foi minha intenção sugerir que tinha dúvidas da sua fidelidade ou da paternidade do nosso filho, porque sei que fui o único homem com quem já esteve.
— Isso quer dizer, que irá aceitar meu presente de agradecimento pelo filho que me deu?! — questionei esperançosa e Gael sorriu concordando.
— Por amor a você e a nossa pequena estrela cadente, vou aceitar que me presenteie no dia da apresentação do nosso bebê — explicou me fazendo sorrir feliz em saber que finalmente aceitaria meu gesto — Soube que meu poeta preferido publicou recentemente uma nova coletânea, mas ainda não consegui obter um exemplar...Seria um belo presente para me dar. — sugeriu e sorri surpresa por seu pedido simples.
— Tem certeza, que só deseja um exemplar da nova obra do seu poeta preferido? — questionei confusa. — Você se lembra que sua esposa é a imperatriz do Leste, que pode lhe dar incontáveis riquezas como agradecimento pelo herdeiro que me concedeu.
— Lembro — assegurou gentil me envolvendo em seus braços para que pudéssemos ficar próximos da forma que minha barriga evidente permitia, sem desviar os olhos dos meus — Mas minha maior riqueza nesse mundo, está nos meus braços e não a troco por nenhuma outra. — destacou sem desviar os olhos dos meus e sorri emocionada para o meu marido, envolvendo seu pescoço com os meus braços puxando-o em direção aos meus lábios e ele sorriu amoroso, se inclinando em minha direção beijando-me apaixonadamente.
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Como estava a poucos dias de dar à luz, o médico real recomendou que evitasse ficar sozinha e fizesse repouso, recomendações que cumpri à risca mas hoje senti a necessidade de conversar com a minha mãe, dividindo assim meus temores com a aproximação do meu parto.
Mesmo tendo Agnes e Hortência ao meu lado nos últimos meses, desde que descobri que esperava um filho sentia muito mais a falta da minha mãe, por isso sempre vinha até o local em que estavam os quadros dos meus antecessores para conversar com ela, contando-lhe tudo sobre a minha gravidez como se pudesse me ouvir onde quer que estivesse.
Assim que informei que iria até o salão dos quadros reais, todos foram contrários à minha decisão porque seria uma distância considerável a ser percorrida para alguém que ultimamente se cansava rapidamente ao realizar atividades simples e que mal conseguia calçar os próprios sapatos, devido minha barriga de quase nove meses.
— Entendo a preocupação de todos, mas preciso desse momento — expliquei sentada no sofá da minha sala olhando no rosto de cada um deles que demonstravam sua preocupação no olhar — Se não se lembram, posso me cuidar sozinha mesmo não conseguindo calçar meus próprios sapatos. — apontei séria segurando no braço do sofá no qual estava me levantando com cuidado, enquanto Gael caminhava em minha direção vindo me ajudar a ficar de pé.
— Não acho prudente deixá-la andando sozinha pelo palácio, quando pode dar à luz a qualquer momento. — destacou preocupado segurando minha mão e respirei fundo, olhando em seus olhos azuis claros.
— Entendo suas preocupações, mas peço que confie em mim, imperador consorte, seria incapaz de fazer algo que pudesse colocar em risco a vida da nossa pequena estrela cadente. — assegurei fazendo-o suspirar resignando.
— Sei disso, Virgínia, mas não pode me impedir de ficar preocupado — explicou gentil e balancei a cabeça concordando — E por favor, não me chame de imperador consorte quando estivermos a sós, nem estamos brigando para se referir a mim dessa forma. — pediu amoroso me fazendo rir ao lembrar do dia em que lhe pedi o mesmo.
— Você tem razão nesse ponto. — destaquei fazendo-o rir, antes de beijar meus lábios com carinho afastando-se cedo demais encostando sua testa na minha.
— Entendo sua necessidade de conversar com sua mãe, mesmo que meu coração se preocupe por saber que ficará sozinha por um tempo, sei que precisa desse momento e vou respeitá-lo, mas peço que permita que Drake a acompanhe até o salão dos quadros e a espere do lado de fora, só assim conseguirei ficar tranquilo ciente de que terá ajuda se precisar. — pediu e suspirei me afastando para ver seu rosto, vendo ali o quanto meu marido estava apavorado com a possibilidade de que passasse mal e não tive ninguém ao meu lado.
— Está bem, ele pode me acompanhar, mas ficará do lado de fora porque quero ter um momento a sós com a minha mãe. — destaquei séria e ele balançou a cabeça concordando.
— Obrigado, por me entender, meu amor.
— De nada, amor. — disse e ele me deu um último beijo, antes de solicitar a Henrik que pedisse a Drake que entrasse, pois, meu marido queria conversar com ele.
Assim que meu guarda pessoal entrou, meu marido fez questão de explicar a ele que iria me acompanhar até o salão dos quadros esperando-me do lado de fora, escoltando-me em seguida de volta para os meus aposentos. Gael frisou que Drake deveria ficar atento a qualquer mínimo desconforto que sentisse, chamando imediatamente o médico real enquanto me conduzia novamente para os meus aposentos.
Esperei pacientemente meu consorte elencar uma série de recomendações que me fizeram revirar os olhos, diante do seu exagero em me tratar como uma boneca de louça até que pudesse finalmente caminhar devagar, devido ao estágio avançado da gravidez, em direção ao salão dos quadros dos meus antepassados tendo Drake como minha sombra.
— Nunca vi o imperador consorte tão nervoso quanto agora — apontou sem qualquer tipo de brincadeira — A imperatriz, não se senti sufocada com toda essa proteção exagerada do seu consorte? — Drake questionou caminhando ao meu lado, acompanhando meus passos sem me ultrapassar mesmo podendo fazê-lo.
— Sim. Pareci que depois que engravidei me tornei de cristal — apontei apoiando minha mão direita nas costas, tentando de alguma forma aliviar meu desconforto pois minha barriga parecia estar mais pesada hoje. — É como se ele tivesse esquecido que liderei uma rebelião para libertar meu povo do julgo de um tirano, mas não posso culpá-lo por se preocupar comigo nesse estado. — disse suspirando resignada.
— Isso é verdade, a gravidez é extremamente perigosa para a mulher, minha falecida mãe sempre dizia que o trabalho de parto é o campo de batalha das mulheres, onde muitas perecem ao lado dos seus filhos — Drake revelou e balancei a cabeça concordando — Não que isso vá acontecer com vossa majestade imperial, porque a soberana é muito mais forte e corajosa que muitos homens que enfrentei no campo de batalha. — destacou e sorri agradecida por seu comentário.
— Obrigada por suas palavras, Drake, jamais as esquecerei — disse parando de caminhar para olhar em seus olhos. — Se algo acontecer comigo, peço que apoie meu marido, ele precisará de toda ajuda possível.
—Não se preocupe, servirei seu consorte com a mesma devoção que a sirvo desde o primeiro dia em que me recrutou para o seu exército de rebeldes.
— Obrigada, Drake, você é um excelente amigo. — disse grata e ele deu de ombros me fazendo rir, antes de continuarmos caminhando em direção ao nosso destino.
Cumprimentei os guardas de plantão, designados para proteger o salão que guardava os quadros dos meus antepassados, que responderam meu gesto com uma reverência antes de abrir as portas do local para mim enquanto Drake informava que ficaria de guarda do lado de fora, me dando a privacidade que tanto desejava ficando apostos caso precisasse de algo.
Devagar adentrei o salão, caminhando em direção ao local em que o quadro dos meus pais ficava disposto antes da pintura que ostentava minha imagem e de Gael, indicando que éramos os atuais soberanos em exercício do império do Leste.
— O momento que tanto esperamos finalmente chegou, mamãe, estou apenas alguns dias de dar à luz ao seu primeiro neto ou neta — disse com um sorriso no rosto parada em frente ao quadro dos meus pais acariciando minha barriga — Odeio admitir isso mamãe, mas estou apavorada — segredei — Tenho medo de não conseguir...De não ter a chance de segurar meu filho nos braços...De deixar as duas pessoas que mais amo nesse mundo para trás. — revelei entre lágrimas apavorada com a proximidade do parto, um momento delicado e perigoso para as mulheres, pois muitas não conseguiam resistir e as que passavam por ele, poderiam sucumbir semanas depois que davam à luz.
— Queria tanto que pudesse estar ao meu lado nesse momento — disse perdida em pensamentos fitando a pintura da linda mulher em minha frente de quem havia herdado a aparência física — Por favor, interceda por nós, mamãe — implorei sentindo meu filho se mexer dentro de mim, me fazendo sorrir diante da sua inquietude costumeira — Me ajude a vencer a batalha mais importante da minha vida. — supliquei sem desviar os olhos da mulher retratada em minha frente.
Assim que terminei de conversar com minha mãe dei alguns passos à frente, parando diante da pintura em que Gael e eu estávamos representando a atual família imperial do Leste.
— Se algo acontecer comigo, pequena estrela cadente, seu pai cuidará muito bem de você — assegurei acariciando minha barriga sem desviar os olhos da pintura — Ele é o homem mais gentil, carinhoso, integro e educado que já conheci...Aprenderá a ser um bom governante e excelente guerreiro com ele — afirmei admirando a imagem do homem de cabelos claros e olhos azuis em pé ao meu lado e o bebê em meu ventre me chute com força, como se discordasse das minhas palavras — Não se preocupe, isso não é um adeus, meu amor, vou lutar com todas as minhas forças para ficar ao lado de vocês, porque alguém tem que controlar seu pai ou ele acabará mimando-o demais. — confessei amorosa acariciando o ponto exato em que meu bebê havia chutado, lembrando de cada roupinha ou brinquedo que Gael trazia sempre que voltava de suas reuniões mensais na biblioteca imperial.
Apesar de desejar permanecer mais fui vencida pelo cansaço, desejando me deitar na minha cama e colocar minhas pernas para cima, depois de ter andado uma distância considerável para alguém no meu estado.
Como prometido encontrei Drake na porta a minha espera, acompanhando-me no meu ritmo até os meus aposentos onde Agnes e Hortência estavam a minha espera, cada uma ocupada com seus próprios afazeres.
Assim que passei pela porta, minha dama de companhia fez questão de me ajudar a caminhar em direção ao sofá que havia na sala de star, enquanto Hortência deixava seus bordados de lado para me olhar com preocupação.
— Agnes, prepare um banho com ervas relaxantes para a imperatriz, para que se refresque um pouco antes de se deitar para descansar. — minha sogra pediu a Agnes que balançou a cabeça concordando, nos deixando a sós para realizar sua tarefa.
— Obrigada, estou precisando de um bom banho e algumas horas com os pés para cima. — segredei para Hortência que sorriu concordando voltando ao seu bordado.
Curiosa, me apoiei no braço do sofá me levando com dificuldade, seguindo em direção ao outro assento em que minha sogra bordava com carinho imagens de árvores de carvalho e estrelas de oito pontas nas camisas que seriam usadas por meu filho assim que nascesse.
— É um lindo, bordado, Hortência. — elogiei me sentando ao seu lado e ela sorriu orgulhosa por seu feito.
— É mesmo, mas não chega aos pés do seu — apontou me fazendo rir ao lembrar de como ela ficou admirada em ver meus bordados finalizados. — Nunca imaginei que dado ao seu histórico de guerreira, fosse tão boa em trabalhos manuais.
— Não é o meu passatempo preferido, mas tive que aprender a executá-lo primorosamente como qualquer dama da alta sociedade, por mais que meus passatempos preferidos fossem outros. — expliquei acariciando minha barriga com carinho.
— O seu parto se aproxima — Hortência apontou olhando para minha barriga e concordei —Você está com medo? — questionou preocupada.
— Sim, tenho medo de não ser forte o suficiente. — disse e ela deixou seus bordados de lado para segurar a minha mão direita.
— É sábio ter medo do desconhecido, mas nunca conheci uma mulher tão corajosa e forte como você, tenho certeza que conseguirá sair vitoriosa de mais esse desafio que os deuses colocaram em seu destino.
— É tudo que mais desejo. — declarei esperançosa e Agnes informou que meu banho estava pronto.
Me despedi da minha sogra e levantei com cuidado, seguindo em direção a minha dama de companhia que já me esperava no aposento destinado à minha higiene pessoal. Aproveitei sem pressa cada minuto mergulhada na água refrescante com cheiro de lavanda, relaxando meu corpo cansado e inchado por causa da gravidez, até mesmo meu filho sempre tão inquieto dentro do meu ventre se acalmava quando desfrutava desses pequenos momentos em que não pensava em nada, me permitindo descansar de todas as responsabilidades e preocupações que pesavam na minha cabeça.
Assim que a água começou a esfriar Agnes informou que estava na hora de sair da banheira e a obedeci, contando com sua ajuda para deixá-la já que mal conseguia enxergar os meus pés devido a minha barriga. Depois que estava devidamente arrumada, minha dama de companhia me ajudou a sentar em frente a penteadeira para começar a pentear meus cabelos, mas sua tarefa foi interrompida por uma batida na porta.
— Entre. — autorizei olhando a porta do ambiente pelo espelho a minha frente, enquanto Agnes iniciava a escovação do meu cabelo.
Acompanhei pelo espelho meu marido adentrar o local com as mãos para trás voltando sua atenção para mim, caminhando em minha direção parando ao lado de sua tia.
— Me perdoe por interrompê-la, mas gostaria de ter um minuto a sós com vossa majestade imperial, isso se for do desejo da imperatriz. — Gael pediu me olhando através do espelho e balancei a cabeça concordando, vendo Agnes nos deixar a sós para que pudéssemos conversar.
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