Imperatriz do Leste

52 Quinquagésimo primeiro capítulo


Notas iniciais
Sejam bem vindos ao ultimo capitulo de a Imperatriz do Leste, gostaria de agradecer a todos que me acompanharam até aqui nessa jornada incrível pela vida da rainha Virgínia, defendendo seu direito de poder governar seu povo. Espero que tenham se emocionado, suspirado e rindo um pouco, com cada passo dessa protagonista incrível. Sem mais delongas, fiquem com o último capítulo.


— O que gostaria de conversar comigo a sós, imperador consorte? — questionei olhando-o com curiosidade pelo espelho, vendo-o se ajoelhar na minha frente tirando um lindo girassol de trás das suas costas oferecendo-me.

— Me perdoe. — implorou sem desviar os olhos dos meus com a flor nas mãos, uma oferta silenciosa de reconciliação.

— Pelo que está me pedindo perdão, imperador consorte? — questionei curiosa aceitando a flor oferecida por meu marido.

— Por sufocá-la com meus cuidados nos últimos meses, acabei demonstrando meu amor e preocupação da forma errada, dando a entender que não confiava em suas decisões para saber o que era melhor para nosso filho. Por isso, imploro seu perdão.

— Obrigada por isso — disse sincera sem desviar dos seus olhos. — Ouvir que confia no meu julgamento, especialmente em decisões que se referem ao nosso filho, é muito importante para mim — expliquei e ele balançou a cabeça concordando. — E não precisa se preocupar, porque não fiquei com raiva pela sua preocupação exagerada, entendi que só estava apavorado com a possibilidade de que algo pudesse acontecer e não estivesse ao meu lado, imperador consorte.

— Então, por que ainda continua me chamando de imperador consorte? — questionou aflito — Você nunca me chama pelo meu título quando estamos sozinhos, só quando está muito brava ou estamos em algum evento da coroa. — apontou e sorri dando de ombros.

— Foi a minha forma de fazê-lo perceber que estava exagerando com seus cuidados. — confessei fazendo-o rir surpreso diante da minha estratégia.

— Eu mereci isso.

— Sim, você mereceu. — constatei fazendo-o rir carinhoso para mim.

— Eu te amo, Virginia.

— Eu também te amo, Gael. — confessei fazendo-o sorrir vitorioso por ter usado seu nome para me referir a ele, antes de se inclinar em direção aos meus lábios me beijando com carinho enquanto passava meus braços ao redor do seu pescoço puxando-o para mais perto, desfrutando melhor dos seus carinhos até que o ar se fez necessário.

— Quer que eu escove seus cabelos? — meu marido questionou assim que recuperamos o folego depois do nosso beijo.

— Eu adoraria. — disse e ele me deu um último beijo levando-se em seguida, pegando a escova em cima da penteadeira começando a pentear meus cabelos com cuidado.

Enquanto Gael penteava meus cabelos, voltei minha atenção para o girassol em minhas mãos admirando seu tom amarelo vibrante capaz de aquecer o ambiente a sua volta, até que uma pontada em minha barriga me tirou o folego me fazendo derrubar a flor que segurava no chão, trazendo consigo uma dor que jamais havia sentido antes. Fechei os olhos respirando fundo, tentando dissipar o desconforto que estava sentindo, o que demonstrou ser inútil diante da dor que parecia aumentar a cada segundo.

— Virgínia? — ouvi Gael chamar e o senti segurar meu rosto em suas mãos, me fazendo abrir os olhos para vê-lo — Amor, o que houve? Você está sentindo alguma coisa? — questionou com preocupação.

— Estou com muita dor, Gael. — disse entre lágrimas e ele me olhou com preocupação, questionando em seguida como eram as minhas dores.

Mesmo com dor, tentei descrever tudo que estava sentindo como de onde a dor iniciava e se irradiava enquanto meu marido balançava a cabeça, antes de me ajudar a levantar da cadeira que estava sentada amparando-me em direção a porta de saída do aposento.

Parei no meio do caminho assim que a onda de dor retornou, dessa vez mais forte me fazendo gemer enquanto Gael entrelaçava sua mão a minha, permitindo que a apertasse tentando aliviar o momento de agonia que estava sentindo.

— Mamãe? Tia Agnes? — Gael chamou me abraçando de lado, permitindo que descansasse minha cabeça em seu ombro depois do meu corpo ter sido consumido pela onda de dor — Apenas respirei fundo, princesa, estou com você e não vou sair do seu lado, aperte minha mão sempre que sentir dor — pediu carinhoso enquanto gemia de dor em seu pescoço apertando sua mão com força — Mãe? Tia Agnes? — gritou alto e logo as duas mulheres abriram a porta alarmadas, vasculhando o local com os olhos em busca da razão que havia feito meu marido chamá-las de forma desesperada.

— Qual é motivo de quase nos matar do coração com seus gritos, Gael? — Hortência questionou nervosa com a mão no coração parada na entrada do local ao lado de Agnes.

— Acho que nosso filho está chegando, mas precisamos do médico real para confirmar minhas suspeitas. — declarou e segurei a respiração diante do choque das palavras que havia acabado de ouvir.

Não podia ser possível, ainda faltava uma semana para que completasse nove meses e meu filho pudesse chegar ao mundo em segurança.

— Não... Ele ainda não está pronto... — disse apavorada temendo pelo bebê que mantive em segurança dentro de mim por oito meses.

— Vai ficar tudo bem, meu amor, nossa pequena estrela cadente só está ansiosa para conhecer seus pais, mas tenho fé que tudo dará certo. — Gael disse gentil tentando me passar coragem, mas vi que sua intenção não chegava aos olhos, antes de sentir um líquido escorrer por minhas pernas formando uma poça de água embaixo de mim.

— Pelos deuses, nosso neto está chegando, Agnes — Hortência declarou eufórica despertando Agnes de seu torpor, fazendo-a correr para fora do local provavelmente indo chamar o médico real e providenciar tudo que fosse necessário para ele — Gael, leve Virgínia para a cama antes que ela possa dar à luz em pé. — explicou e seu filho balançou a cabeça concordando, tomando-me nos braços com cuidado para não escorrer na poça de água no chão, caminhando apresado em direção ao aposento em que minha cama ficava.

Com cuidado Gael me deitou sob o colchão sentando-se ao meu lado, segurando minha mão assim que outra dor consumiu meu corpo me fazendo gritar. Logo o médico real adentrou meus aposentos ao lado de Agnes e mais duas damas, carregando panos limpos em suas mãos saindo apressadas para cumprir as ordens que minha dama de companhia havia acabado de lhes dar.

Em uma conversa rápida com meu marido, o médico real questionou o intervalo entre as contrações e se minha bolsa já havia rompido, agradeci aos deuses por Gael responder os questionamentos do médico, porque não conseguia me concentrar em mais nada além da dor que sentia e que parecia querer me rasgar ao meio.

— O senhor não pode dar algo a ela para a dor ou fazer alguma coisa para aliviar o seu sofrimento? — Gael questionou desesperado assim que parei de gritar para gemer baixo, respirando como Hortência havia me instruído a fazer depois de mais uma contração.

— Infelizmente não, imperador consorte, tudo que podemos fazer agora é esperar o curso natural do trabalho de parto e confortar a imperatriz no que pudermos. — o médico real explicou e Gael sorriu sem humor.

— Acha que vou suportar ouvir minha mulher gritando de dor sem poder fazer nada?! — Gael questionou furioso para o homem a sua frente.

— Entendo seu desespero, imperador consorte, mas não podemos interferir no trabalho de parto ou prejudicaremos a imperatriz e o herdeiro do trono — explicou pacientemente fazendo Gael gemer inconformado com sua resposta — Se for demais para vossa majestade imperial, talvez seja melhor esperar em seus aposentos até que o trabalho de parto termine. — sugeriu e meu marido o olhou de forma furiosa.

— Não irei sair do lado de Virgínia, médico real. — destacou furioso fazendo o médico balançar a cabeça, afastando-se para instruir minhas damas de companhia sobre o que deveriam providenciar para que tudo estivesse pronto quando fosse necessário.

Foi impossível não lembrar das palavras da mãe de Drake, dizendo que o parto era o campo de batalha das mulheres dos quais muitas sucumbiam com seus filhos, me fazendo ter força para lutar e vencer mais essa guerra que era a mais importante, pois me daria a melhor das recompensas no final.

Depois de quatro horas sofrendo dores imensuráveis, finalmente ouvi o médico real dizer que precisava fazer força e foi o que fiz. Usei toda a coragem e o desejo que sentia de conhecer meu bebê, para fazer força enquanto Gael segurava minha mão incentivando-me a não desistir porque estávamos perto de ter nosso filho nos braços.

— A imperatriz está fazendo um excelente trabalho, estamos quase lá só precisamos que empurre mais um pouco. — o médico real disse me incentivando e respirei fundo, utilizando a última gota de força que restava em meu corpo ouvindo um choro alto preencher o ambiente, enquanto desfalecia na cama de exausta, mas aliviada por ter conseguido trazer meu bebê em segurança ao mundo.

— Estou tão orgulhoso de você, Virgínia — Gael disse emocionado beijado minha testa com carinho, enquanto tentava recuperar minhas forças depois de quatro horas intermináveis de trabalho de parto — Eu te amo tanto, minha vida. — sussurrou acariciando meu rosto com a mão livre assim que se afastou de mim.

— Vossas majestades imperiais, gostariam de conhecer a princesa imperial? — Agnes questionou atrás de Gael com um pequeno embrulho no colo, atraindo nossa atenção para ela.

— É uma menina?! — questionamos juntos e ela balançou a cabeça concordando.

— Sim, uma linda menina, com a beleza da imperatriz e os olhos do imperador consorte. — Agnes disse emocionada olhando para o bebê em seu colo, enquanto Hortência chorava emocionada pelo nascimento de sua mais nova neta.

Sem dizer uma palavra, Gael beijou minha testa levantando-se da cama caminhando em direção a tia que lhe entregou o pequeno embrulho e meu marido sorriu emocionando assim que viu a bebê em seu colo, como se estivesse diante do tesouro mais valioso que já viu na vida.

— Seja bem-vinda, minha pequena estrela cadente — disse amoroso ninando nossa filha no colo que emitiu um som incompreensivo fazendo Gael sorrir fascinado para ela — Sim, é o papai, meu amor — assegurou carinhoso sem desviar os olhos da bebê em seu colo — Agora que tal conhecer a mamãe? A mulher mais corajosa e forte que já conheci na vida, que me proporcionou conhecer o maior amor desse mundo me permitindo ser o seu pai, filha. — explicou suave caminhando em minha direção, enquanto Agnes me ajudava a sentar na cama para segurar minha filha no colo pela primeira vez.

Com cuidado, Gael colocou nossa filha em meu colo se sentando ao meu lado enquanto minha atenção estava na bebê em meus braços, segurando sua mãozinha na minha admirando-a com um sorriso fascinado nos lábios comprovando que Agnes tinha razão, minha filha era uma mistura perfeita nossa.

Herdando de mim a beleza física assim como a cor dos cabelos, mas os olhos eram do tom exato de azul cristalino do seu pai. A prova física da união do reino do Leste com o Sul, sucessora de um império poderoso, fruto de todo amor que sentíamos um pelo outro.

Naquele momento me permiti fechar os olhos e agradecer aos deuses pelo presente que nos enviaram, o qual cuidaremos com todo amor e zelo, honrando a dádiva da vida que havia sido confiada a nós.

— A mamãe te ama muito, Alice. — disse emocionada sem desviar os olhos da minha filha que sorriu sem dentes para mim apertando meu dedo com força, me fazendo chorar por tê-la ao meu lado enquanto Gael beijava o alto da minha cabeça abraçando-me de lado, admirando a nossa pequena estrela cadente em meu colo.

Alice permaneceu no meu colo até Hortência se aproximar de mim, explicando que precisava levá-la para suas damas de companhia arrumarem-na, retornando para os meus braços para que pudesse amamentá-la como havia deixado claro que faria no dia em que declarei que não escolheria uma ama de leite para nenhum dos filhos que traria ao mundo.

Resignada, beijei a testa da minha filha admirando novamente cada detalhe que ela possuía entregando-a a minha sogra que saiu na companhia de quatro mulheres que haviam sido escolhidas por mim caso desse à luz a uma menina para serem suas damas, Gael fez o mesmo elegendo quatro homens da sua confiança para cuidarem do nosso filho se trouxesse um menino ao mundo.

Após a saída da minha filha, o médico real me examinou novamente verificando como estava meu estado de saúde depois de quatro horas exaustivas de parto, para o alívio de todos apesar de toda a exaustão diante do esforço físico que havia feito não havia qualquer indício de possíveis complicações, mesmo assim ele fez questão de ressaltar a importância de seguir à risca o período de resguardo que durava quarenta dias, evitando problemas de saúde relacionados ao pós-parto.

Durante esse período ficaria afastada dos deveres reais, assumidos por meu marido até que retornasse as minhas funções no dia da apresentação de Alice como minha sucessora, permitindo que a população conhecesse sua próxima monarca.

Enquanto aguardava a volta da minha filha, Agnes e minhas damas de companhia me ajudaram a trocar de roupa enquanto as demais tiravam os lenções sujos da cama substituindo-os por limpos, para que pudesse me deitar novamente começando assim meu resguardo.

Já meu marido, deixou meus aposentos enquanto minhas damas de companhia cuidavam de mim para conversar com seu secretário pessoal, instruindo-o a preparar o anúncio que faria amanhã cedo informando a todos sobre o nascimento da herdeira do trono, assim como o estado de saúde em que nos encontrávamos.

Sorri feliz assim que vi minha filha retornar aos meus aposentos no colo da avó paterna, já devidamente limpa e arrumada voltando para os meus braços ansiosos pela falta da minha pequena que havia chegado a poucas horas, mas havia se tornado o centro de todo o meu mundo.

Respeitando meu desejo, Hortência fez questão de me auxiliar na tarefa de amamentar minha filha explicando-me com paciência passo a passo, principalmente como evitar que minha bebê sufocasse com meu leite e como deveríamos proceder se ela se engasgasse.

Ouvimos pacientemente toda a explicação da minha sogra, antes de oferecer meu seio para a bebê em meu colo que já reclamava impaciente demonstrando que estava com fome, assim que viu sua fonte de alimento Alice institivamente começou a mamar sem desviar os olhos dos meus, despertando em mim um vínculo profundo de cuidado e amor do qual tenho certeza que só poderia experimentar amamentando minha filha.

— A imperatriz precisa descansar para recuperar suas forças, depois de tantas horas de trabalho de parto. — Agnes disse maternal assim que Alice parou de mamar adormecendo em meu colo, aleia as pessoas ao seu redor.

— Tenho medo de adormecer e quando acordar ver que tudo não passou de um sonho, Agnes. — revelei acariciando o rosto da minha filha sem desviar os olhos dela, gravando na memória cada particularidade sua.

— Não precisa se preocupar, vossa majestade imperial, a princesa imperial não é um sonho e quando acordar asseguro que vossa alteza estará ao seu lado. — minha dama de companhia assegurou gentil e Hortência concordou.

— Agnes tem razão, você precisa descansar para ter forças para cuidar da sua filha e ter leite para alimentá-la. — Hortência destacou e suspirei concordando vendo Gael adentrar meus aposentos com o semblante cansado e desalinhado, devido as horas que havia permanecido ao meu lado durante todo o trabalho de parto.

— Conseguiu informar ao chefe da câmara dos lordes e ao General, sobre o nascimento de Alice? — questionei ao meu marido vendo-o caminhar em minha direção, sentando-se na ponta da minha cama.

— Sim, os dois estão cientes e nos parabenizaram pela chegada da nossa filha — meu marido disse sorrindo amoroso para mim — Amanhã cedo anunciarei o nascimento de Alice para todo o império, assumindo o governo durante seu resguardo, mas asseguro que a manterei informada sobre todas as decisões que forem acordadas, respeitando sua escolha sem passar por cima da sua opinião. — assegurou sem desviar os olhos dos meus e sorri agradecida.

— Confio em você, Gael. Já me deu inúmeras provas de sua lealdade, comprometimento e verdade para comigo e nosso império.

— Obrigado, por confiar em mim, querida — disse amoroso. — Só ficarei triste em não poder passar tanto tempo ao lado de vocês, mas farei o impossível para estar presente para as duas.

— Não se preocupe, meu amor, você já tem uma tarefa árdua pela frente de governar sozinho e enfrentar o descontentamento de uma pequena parcela dos lordes da câmara, que não ficaram felizes em saber que o poder voltará para as mãos de outra mulher. — revelei desviando os olhos dele para ver a linda garotinha dormindo tranquilamente em meu colo.

— Estou ciente disso, mas defenderei o direito de Alice ao trono até o meu último dia de vida, não permitirei que o fato dela ser mulher a tire do lugar que lhe pertence como sua primogênita. — assegurou sem sombra de dúvidas na voz enquanto acariciava o rostinho da bebê em meu colo, pedindo aos deuses que ela pudesse ter uma vida mais tranquila e feliz que a minha, que lutei para ter meu direito como governante reconhecido podendo assim ter o direito de governar sem precisar da tutela de um marido.


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O império do Leste havia amanhecido envolto a uma atmosfera de felicidade e comemoração, finalmente havia chegado o dia da cerimônia de apresentação de Alice como herdeira do trono para todos os súditos, marcando o final da regência do meu marido devolvendo o poder nas minhas mãos depois de ficar afastada cumprindo meu período de resguardo.

Diante desse momento singular, grande parte da população que morava afastado da sede do governo viajou para o palácio com a finalidade de acompanhar a primeira aparição pública da herdeira do trono e a minha volta ao posto de imperatriz. Além disso, a cerimônia de apresentação também consistia em presentear meu consorte diante de todos, agradecendo por ter me proporcionado a dadiva de conceber um herdeiro para o trono, mantendo a linha sucessora da minha casa viva.

— Pronta para dividir nossa estrela cadente com o império, princesa? — Gael questionou carinhoso em pé ao meu lado enquanto sorria para nossa filha em meu colo, esperando as trombetas anunciarem a entrada marcando o início da cerimônia de apresentação.

— Não — sussurrei ciente de que assim que passássemos por aquelas portas Alice deixaria de ser apenas nossa filha, para se tornar a segunda mulher mais poderosa e influente do império do Leste ficando apenas atrás de mim, mesmo na mais terna idade — Mas é o certo a se fazer, Alice não é apenas nossa filha, Gael, ela também é herdeira do trono do Leste. Por mais que queira protegê-la, não podemos negar seu direito de nascença, tudo que podemos fazer é instrui-la da melhor maneira possível, preparando-a para assumir meu lugar quando chegar a hora. — expliquei vendo a linda bebezinha me fitar curiosa com seus olhos azuis cristalinos da cor do céu, alheios a tudo que se passava ao seu redor.

— Tenho certeza que a nossa garotinha será uma monarca incrível, sabia e generosa como a mãe dela é. — disse amoroso beijando minha testa afastando-se de mim para acariciar o rosto de Alice que sorriu em resposta, antes das trombetas anunciarem nossa entrada fazendo a bebê em meu colo chorar assustada diante do barulho desconhecido.

Gentilmente embalei minha filha, assegurando que estava tudo bem até que ela se acalmasse e pudéssemos adentrar a sala dos tronos diante das pessoas mais influentes do império, enquanto ouvíamos as vozes da população do lado de fora saudando a pleno pulmões a chegada de sua próxima monarca.

A celebração foi marcada pelo reconhecimento de Alice diante de todos como minha sucessora, respondendo de hoje em diante pelo título de princesa herdeira imperial, fazendo os presentes a reverenciarem jurando sua lealdade para a próxima monarca do Leste.

Em seguida, ocorreu o momento em que presenteei meu consorte como manda a tradição, agradecendo-o por ter me concedido uma herdeira para minha linha de sucessão. A maioria dos presentes ficou extremamente confuso, ao ver que meu marido ganhou um manuscrito com dedicatória do seu poeta preferido quando poderia ter recebido incontáveis riquezas, mas ver o brilho de felicidade nos olhos de Gael diante do presente simples, se comparado as riquezas que poderia lhe oferecer, tive a certeza de que havia escolhido o homem certo para ficar ao meu lado.

Um homem que não se importava com bens materiais, mesmo que pudesse ter o mundo aos seus pés com um simples pedido a sua esposa, porque tudo que ele sempre desejou na vida foi desfrutar de momentos de felicidade e paz ao lado do seu amor de infância.

Vê-lo com nossa filha no colo, ninando-a depois do dia agitado que tivemos me fez sorrir e agradecer aos deuses por não ter ignorado o sentimento que crescia dentro de mim em relação ao príncipe do Sul. Ele me mostrou a verdadeira felicidade, trazendo paz para as tempestades que consumiam minha alma, segurando minha mão durante os momentos mais difíceis nos quais achei que não havia saída, dando-me a oportunidade de conhecer a verdadeira felicidade depois de anos de tormento.

Depois que Alice fez seis meses de vida, Henrik e Agnes oficializaram sua união começando assim um novo capítulo cercado de felicidade e amor em suas vidas, algumas semanas depois de abençoar o casamento dos nossos servos mais fiéis comecei a sofrer de leves tonturas e enjoos matinais que me levaram até o médico real, constatando que estava grávida pela segunda vez.

Uma notícia que deixou meu marido radiante, como na primeira vez que lhe contei que estava esperando nossa primogênita. Na primavera seguinte, fomos agraciados com um casal de meninos idênticos que receberam o nome de nossos pais, Marco e Matias, os dois eram parecidos fisicamente com Gael, exceto pelos olhos verdes que haviam herdado de mim.

No mesmo período, Lady Zara deu à luz a um lindo potro de pelagem dourada que meu marido nomeou de Zion, elegendo-o para ser a montaria da nossa primogênita assim que ela atingisse a idade adequada para iniciar seu treinamento.

Durante esse tempo Tadeu e Yumi foram abençoados com a chegada do seu primeiro filho, que chamaram de Ren que significava lótus ou renascido, completando a felicidade dos dois que tanto desejavam formar uma família depois de anos nos campos de batalha.

Ver meus filhos crescerem correndo pelo jardim do palácio brincando ao lado do pai me fazia sorrir em paz, por saber que os três estavam tendo uma infância totalmente diferente da minha. Cercados de amor, carinho e proteção, sem jamais esquecer das responsabilidades que ocupariam no momento certo, especialmente minha primogênita Alice, instruída desde cedo para se tornar a próxima imperatriz do Leste.

Sabia que era uma responsabilidade grande demais para uma criança saber que comandaria um império, mas podia ver nos olhos da minha filha que ela tinha a força e sabedoria para ascender ao trono no meu lugar quando chegasse a hora.

Tudo que pedia aos deuses, era que colocassem em seu futuro um consorte que pudesse ajudá-la na missão árdua que sua primogenitura lhe reservou, sendo seu porto seguro e lhe mostrando a razão quando não conseguisse ver, da mesma forma que seu pai sempre faz por mim desde que nos conhecemos.

Pela primeira vez na vida me permiti sorri agradecida, mesmo com tantos desafios havia conseguido realizar meu sonho de ser a soberana absoluta do meu reino, ganhando em troca o amor de um homem incrível que me presenteou com uma linda família, a qual amava mais do que tudo no mundo.

A verdadeira luz, que espantou todas as sombras que habitavam meu castelo assim como meu interior, preenchendo-a de amor e felicidade que duraria até o meu último dia de vida, encerando o meu império para iniciar outro, como tem sido desde o começo dos tempos no reino do Leste.





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