Imperatriz do Leste

50 Quadragésimo nono capítulo


Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso quadragésimo nono capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


— Confortável? — Gael questionou sentado ao meu lado na cama ajeitando os travesseiros no qual estava recostada, depois de ter colocado para fora todo o conteúdo do meu estômago no barril de madeira presente no quarto de vestir do meu marido.

— Sim — disse desviando meus olhos de Gael para ver seus servos levando o barril de madeira embora, envergonhada por ter passado mal e tê-los feito assumir seus postos fora do seu horário. — Me desculpe por tudo isso. — segredei mortificada para meu marido que negou com a cabeça.

— Não precisa se desculpar, Virgínia, você não teve culpa de nada. — assegurou e senti as lágrimas caírem dos meus olhos, deixando-o preocupado.

— Tenho sim, fiz você se levantar no meio da noite para sair em busca de morangos... Coloquei sua vida em risco, ao se ausentar do castelo sem uma escolta adequada, para finalizar acabo passando mal ao ponto de tirar seus servos da cama no meio da madrugada, para organizar a bagunça que fiz. — destaquei entre lágrimas e Gael suspirou sentando-se ao meu lado, passando seu braço esquerdo ao meu redor enquanto minha cabeça repousava em seu ombro, recebendo um beijo carinhoso no alto da minha cabeça.

— Está tudo bem, meu amor. Não precisa se sentir culpada por nada, fui em busca do seu desejo por vontade própria Virginia e irei quantas vezes precisar, porque os amo e sou capaz de ir até o fim do mundo por minha esposa e pela pequena estrela cadente que está carregando — segredou amoroso beijando meus cabelos novamente, colocando sua mão direita em cima da minha barriga inexiste acariciando-a. — Não precisa se preocupar nossa pequena estrela cadente, não importa o que deseje o papai fará de tudo para realizá-lo e trazê-lo para sua mãe. — jurou para a criança crescendo no meu ventre enquanto as lágrimas voltavam a cair dos meus olhos, me fazendo gemer frustrada por não controlar minhas próprias emoções.

— Pelos deuses, se continuar me falando essas coisas não vou conseguir parar de chorar. — apontei chorosa escondendo meu rosto em seu pescoço, sentindo outro beijo em meus cabelos enquanto seu abraço ao meu redor se tornava mais forte.

— Pode chorar o quanto desejar, minha princesa, sempre estarei ao seu lado para consolá-la — assegurou amoroso — Pelo jeito, a existência da nossa pequena estrela cadente está lhe deixando mais sensível, meu amor. — apontou ainda acariciando minha barriga com carinho.

— Pequena estrela cadente? — questionei com curiosidade enxugando as lágrimas que ainda restavam no meu rosto assim que estava mais calma.

— É um nome carinhoso que todos os pais do Sul nomeiam seus bebês, significa que a sua chegada iluminou a vida da família como uma estrela cadente quando cruza o céu noturno — explicou carinhoso e o senti ficar tenso de repente — Mas se não gostar, posso parar de me referir ao nosso bebê dessa forma, porque sou ciente de que ele será o herdeiro do Leste ...— Gael começou a explicar e o interrompi.

— Eu adorei — assegurei sincera. — Nenhum outro nome poderia combinar mais com ele.

— Fico feliz que tenha adorado, meu amor. — Gael disse carinhoso voltando sua atenção para Henrik e Agnes que caminhavam em direção a cama em que estávamos deitados, parando a nossa frente.

— Desculpe incomodar vossas majestades imperiais, mas gostaríamos de informar que terminamos de organizar seus aposentos, imperador consorte. — Henrik informou e Gael balançou a cabeça concordando.

— Obrigado, Henrik, agradeça a todos por nós, os informem que estão liberados e que poderão assumir seus postos duas horas mais tarde, mediante a hora avançada que tiveram que cumprir suas funções.

— Não se preocupe, imperador consorte, informarei a todos sobre sua decisão — assegurou. — Posso ajudá-los em mais alguma coisa, meu senhor?

— Sim, Henrik, providencie gengibre para mim, por favor. Se não houver na cozinha do castelo, mande alguém da nossa confiança comprar, preciso de uma quantidade considerável para consumo imediato.

—Claro, meu senhor, amanhã cedo cuidarei pessoalmente disso.

— Obrigado, Henrik. — Gael agradeceu a gentileza do seu servo, enquanto Agnes dava um passo em nossa direção me olhando com preocupação.

— A imperatriz está mesmo se sentindo melhor? Porque se não estiver, posso ir até a cozinha fazer um chá para o seu enjoo. — ofereceu maternal e sorri gentil para a mulher parada em nossa frente.

— Estou bem, Agnes, o enjoo já passou. — assegurei e ela respirou aliviada.

— Não se preocupe, tia Agnes, pode ir descansar tranquila cuidarei muito bem da minha imperatriz e da nossa pequena estrela cadente.

— Jamais duvidei disso, imperador consorte. — Agnes disse carinhosa e Gael beijou minha testa, antes de nos despedirmos dos nossos servos que nos deixaram a sós.

— Agora que todos já se recolheram, podemos descansar um pouco você deve estar exausta depois de ter passado mal mais cedo. — sugeriu e concordei me separado de Gael para deitar na cama enquanto meu marido puxava os lenções para nos cobrir, deitando-se ao meu lado me aconchegando na segurança dos seus braços e adormeci de cansaço.

Acordei no dia seguinte com o som dos passos dos soldados, iniciando sua ronda diária pelos corredores dos aposentos reais, verificando a segurança do local em que os quartos de seus soberanos residiam.

Por mais que desejasse permanecer na cama, desfrutando da paz e aconchego que o calor dos braços do meu marido traziam, era ciente de todos os compromissos que nos aguardavam, mas sabia que teria que começar a colocar em prática as recomendações médicas.

Não podia mais passar horas tendo uma reunião atrás da outra trancada em uma sala sem ver a luz do dia, a pequena estrela cadente que crescia dentro de mim despertou o senso de cuidado, amor e preocupação, me fazendo ter a consciência de que minhas ações poderiam impactar na sua saúde também, se não seguisse à risca as recomendações do médico real.

Mas minha linha de raciocínio foi interrompida por beijos carinhosos em minha bochecha esquerda, fazendo um sorriso surgir em meus lábios enquanto virava para ver meu marido que aproveitou para distribuir mais beijos por todo o meu rosto.

— Bom dia, meu amor. — disse carinhosa olhando em seus olhos assim que Gael parou de beijar meu rosto, apoiando sua cabeça em sua mão direita para que pudesse me ver melhor.

— Bom dia, minha princesa. Conseguiu descansar um pouco? E o enjoo? — questionou com preocupação.

— Sim, consegui descansar, por enquanto não me sinto enjoada. Espero que continue assim durante todo o dia, mas algo me diz que estou pedindo demais para os deuses. — apontei resignada e Gael suspirou.

— Por isso pedi a Henrik que providenciasse gengibre, ele é ótimo para enjoos e a ajudará com o mal-estar.

— Verdade? Nunca ouvi falar que gengibre é ótimo para enjoos.

— Verdade, os marinheiros sempre levam um pedaço de gengibre no bolso para evitar o enjoo no mar. Sei disso, porque desde criança enjoo no mar e Henrik sempre me oferecia gengibre evitando que passasse mal durante a viagem, por isso escolhi fazer parte do exército em terra e não no mar. — revelou e sorri surpresa diante da sua confissão.

— Quem diria que meu marido, o imperador consorte, a Fúria da noite da casa imperial do Leste, o temido ex General do Sul, enjoaria no mar?!

— Ninguém desconfia — segredou brincando e sorrimos — Peço aos deuses, que não seja necessário que façamos nenhuma viagem marítima, porque não será nada bonito me ver enjoando o percurso inteiro. — apontou e acariciei seu rosto com carinho.

— Se algum dia for necessário viajarmos de navio, não se preocupe porque cuidarei de você. — assegurei amorosa e ele se inclinou para beijar os meus lábios com carinho, afastando-se de mim cedo demais.

Confusa vi Gael afastar as cobertas que nos envolviam, aproximando-se da minha barriga depositando vários beijos no local desejando um bom dia para a nossa pequena estrela cadente, conversando em seguida com o bebê que crescia ali como se pudesse ouvi-lo.

Emocionada, sorri acariciando os cabelos claros do meu marido enquanto ouvia em silêncio a sua conversa com a vida que havíamos gerado juntos, tentando transmitir para o nosso bebê o quanto era amado e não víamos a hora de conhecê-lo pessoalmente.


━━━━━━✧❖✧━━━━━━


Manter uma gravidez em segredo durante três meses em um castelo repleto de pessoas atentas a cada passo que dava, se mostrou uma das tarefas mais difíceis que fiz na vida. Ainda mais, quando os sintomas característicos do meu estado, como tonturas, enjoos e desejos, apareciam em momentos impróprios como reuniões do governo.

Se alguém desconfiou das minhas ausências em algumas reuniões matutinas, resultados dos enjoos matinais que sofria, ou das tonturas que sempre sentia ao me levantar depois de ficar muito tempo sentada, preferiram guardar para si suas próprias desconfianças.

A única pessoa além do nosso círculo pessoal que incluíam Agnes, Henrik, a família de Gael e o médico real, para quem tive que contar foi para Betânia, a costureira responsável por fazer minhas roupas, para que providenciasse novos vestidos mais folgados na cintura disfarçando assim meu estado.

Quando soube da minha gravidez, Betânia ficou extremamente feliz por mim prometo que respeitaria nosso desejo de não contar sobre a novidade para ninguém, um gesto que lhe agradeci profundamente.

A resposta à carta que meu marido enviou ao seu irmão, chegou duas semanas depois trazendo consigo a promessa de que quem estivesse a frente do reino do Sul, sendo rei Liam ou o príncipe herdeiro Connor, protegeriam nosso filho até que tivesse condições de assumir o trono. Mas tinha fé nos deuses que nossos planos não se tornariam realidade, eles seriam apenas ideias registradas no papel de pais que desejavam proteger seu filho, assegurando-lhe um futuro ao lado de pessoas que o amavam e iriam ampará-lo, evitando que o passado da casa real do Leste se repetisse no futuro.

Um mês depois que descobrimos sobre minha gravidez, Gael foi empossado como o patrono da biblioteca imperial do Leste, tendo a primeira cerimônia de posse de um patrono realizada no interior do castelo a pedido do meu marido, evitando assim que passasse horas dentro de uma carruagem seguindo a recomendação do médico real.

Hortência fez questão de vir para a posse do meu consorte, depois que lhe enviei uma carta convidando-a para esse momento tão importante na vida do seu filho, representando o reino do Sul, deixando claro na correspondência, que ficaria imensamente feliz se permanecesse conosco durante toda minha gestação, um pedido prontamente atendido, me deixando mais segurança para enfrentar todos os desafios dessa nova fase tendo-a ao meu lado, assim como Gael e Agnes.

Só agora conseguia mensurar o significado das palavras de Hortência, quando me disse inúmeras vezes que seus filhos eram as maiores riquezas que seu marido poderia ter lhe deixado. Porque não existia tesouro no mundo maior do que um filho, sabia muito bem disso mesmo que o meu estivesse conosco a apenas três meses.

Os melhores três meses da minha vida, enfrentando mudanças físicas, indicando que meu bebê crescia forte e saudável, e incontáveis desafios, como os enjoos, tonturas e cansaços. Apesar de tudo isso, não trocaria o momento que estou vivendo por nenhum outro, porque já amava incondicionalmente o resultado do meu amor por meu marido.

— A imperatriz está pronta. — ouvi a voz de Agnes dizer ao longe me trazendo de volta ao presente.

Em silêncio voltei minha atenção para o espelho a frente, refletindo minha imagem usando um lindo vestido verde claro com bordados de folhas de carvalho em fios de ouro. Já meus longos cabelos escuros foram divididos em duas partes, a primeira trançada formando uma espécie de tiara com os fios enfeitados por presilhas de perolas no formato de flores, enquanto a segunda parte caia solta até a minha cintura, destacando meus olhos verdes sob a moldura escura que meus cabelos formavam.

— Obrigada, Agnes. — agradeci sorrindo gentil aceitando sua ajuda para levantar, podendo assim admirar minha imagem de corpo inteiro, enquanto minhas mãos paravam em minha barriga que já exibia um discreto inchaço, compatível com os três meses de gestação que havia completado ontem.

— Finalmente nossos soberanos poderão contar a linda novidade que guardam durante todo esse tempo. — ressaltou e sorri concordando caminhando em direção a sala de estar dos meus aposentos, onde meu marido esperava para seguirmos juntos em direção ao pátio onde seria realizado meu comunicado para os súditos nessa manhã.

— Sim, por um lado estou aliviada em saber que não precisarei mais mentir sobre minhas ausências nas reuniões matinais ou sobre minhas eventuais tonturas — apontei e ela concordou — Mas por outro lado, o segredo da existência da nossa pequena estrela cadente deixará de ser apenas nosso para se tornar público. Essa criança, não será vista apenas como meu filho e de Gael, ela será a esperança da continuidade da casa imperial do Leste, quando todos achavam que minha linhagem havia terminado em mim. — segredei acariciando meu ventre enquanto andávamos.

— São expectativas que não poderá controlar ou proibir que seus súditos tenham, imperatriz, apesar disso essa vida que cresci em seu ventre ainda continuará sendo seu filho e do seu marido.

— Tem razão, Agnes. — disse sorrindo agradecida para ela enquanto adentrávamos a sala e vi Gael se levantar do sofá em que estava sentado ao lado de Hortência, caminhando em minha direção com um sorriso fascinado nos lábios.

— Como consegue ficar cada dia mais linda, minha princesa?! — questionou deslumbrado me dando um beijo carinhoso nos lábios, enquanto corava diante do seu comentário fazendo as duas mulheres mais velhas sorrirem.

— Um perfeito cavalheiro como sempre, imperador consorte. — apontei assim que Gael se afastou dos meus lábios repousando sua mão direita em cima da minha barriga, acariciando-a.

— Só estou sendo sincero, meu amor — apontou e sorri feliz em saber que ainda continuava linda aos olhos de Gael, como na primeira vez que nos vimos. — Aos meus olhos, você sempre será a mulher mais linda do mundo, a única que faz meu coração dançar toda vez que a vejo. — declarou apaixonado sem desviar os olhos dos meus e gemi entre lágrimas, escondendo meu rosto em seu peito gemendo frustrada por não conseguir controlar minhas próprias emoções.

Ultimamente estava mais sensível que o normal, coisas simples tinham o poder de me emocionar, resultando em um vale de lágrimas sem fim ou de me fazer explodir em fúria, deixando as pessoas ao meu redor temerosas, sobre qual seria minha reação diante dos fatos cotidianos.

— Como sempre sabe o momento certo para falar o que preciso ouvir?! — questionei em seu peito e Gael me abraçou com carinho, beijando o alto da minha cabeça.

— Por que sou seu marido e te conheço como a palma da minha mão?! — sugeriu e o olhei descrente — Por que desejo manter a corda da forca longe do meu pescoço?! — testou e sorri negando deitando meu rosto em seu peito, passando meus braços ao redor da sua cintura.

— Não mesmo, preciso de uma justificativa melhor que essas. — desafiei apoiando meu queixo em seu peito vendo seus olhos azuis cristalinos que tanto amava, os quais pareciam brilhar mais toda vez que me viam.

— Porque eu te amo e tudo que mais desejo nessa vida é vê-la feliz. — confessou e sorri satisfeita ao ouvir suas palavras.

— É uma excelente justificativa, meu amor — elogiei amorosa — Eu também te amo e tudo que mais desejo nessa vida é vê-lo feliz. — confessei e Gael sorriu emocionado com as minhas palavras enquanto ficava na ponta dos pés para beijá-lo, mas meu marido se inclinou na minha direção facilitando minha demonstração de afeto.

— O amor que uni os dois é lindo de se vê. — ouvi Hortência segredar para Agnes.

— Sim, meus soberanos foram abençoados pelos deuses — Agnes destacou. — E tenho certeza que serão ainda mais com a chegada do herdeiro do trono.

— Sim, o nosso neto ou neta, chegará em um lar cheio de amor para recebê-lo. — minha sogra apontou e Agnes concordou.

— Pronta para contar a todos sobre a nossa pequena estrela cadente? — Gael perguntou assim que nos afastamos e voltei minha atenção para ele, que acariciava minha barriga sem desviar os olhos dos meus.

— Sim, espero que fiquem felizes com a notícia. — desejei colocando minha mão em cima da sua.

— Tenho certeza que nossos súditos ficaram felizes em saber que daqui a seis meses, a casa imperial do Leste será agraciada com uma nova vida, tão amada e desejada por seus pais. — assegurou e concordei me inclinando para dar um último beijo em meu marido, antes de sairmos dos meus aposentos de braços dados, caminhando em direção ao pátio onde os súditos esperavam apreensivos para o pronunciamento que faria essa manhã.

Com a ajuda de Gael subi os degraus que nos conduziam ao palanque reservado para os pronunciamentos, permitindo que tivesse uma visão privilegiada de todas as pessoas que vieram ouvir o meu comunicado.

Cumprimentei meus homens de confiança, o chefe da câmara dos lordes e o General do Leste, que ocupavam um local mais afastado do palanque deixando o centro para mim e meu consorte sempre ao meu lado, a uma distância de três passos deixando claro seu reconhecimento perante meu poder como monarca, como mandava o protocolo real.

Assim que ocupei meu lugar, olhei nos olhos das pessoas em minha frente e respirei fundo tentando acalmar as preocupações diante do comunicado que estava prestes a fazer, institivamente desviei meus olhos da multidão e voltei minha atenção para Gael, buscando a coragem que precisava para dar início ao meu discurso.

Sem dizer uma palavra estendi minha mão direita em sua direção, convidando-o com esse gesto a se aproximar de mim deixando todos surpresos por verem que autorizei o imperador consorte a quebrar um dos protocolos reais.

Sob o olhar atentos de todos, meu marido segurou a mão que lhe oferecia mantendo-as entrelaçadas ocupando o lugar ao meu lado, antes de iniciar o comunicado que iria fazer essa manhã.

— Gostaria de agradecer a presença de todos que vieram nessa manhã até o palácio, ouvir meu pronunciamento — comecei devagar atraindo a atenção da multidão composta por homens, mulheres e crianças de todas as idades, estampando em seus rostos feições curiosas sobre o teor da convocação da sua soberana naquele dia — O pronunciamento de hoje tem o objetivo de comunicar duas noticiais maravilhosas para o reino. — destaquei deixando os súditos curiosos sobre as novidades que iria revelar, já que na última reunião com os membros da câmara contei a todos que estava grávida.

Uma novidade que deixou todos felizes, mas percebi que por trás de toda alegria e felicitações muitos lordes temiam que o herdeiro do trono do Leste fosse novamente uma mulher. Deixando claro que seus preconceitos ainda os dominavam, mesmo tendo uma imperatriz com sua monarca.

— A primeira notícia que trago é sobre nossa economia — expliquei atraindo a atenção de todos para as informações que traria — Após um ano inteiro vivendo em recessão, com a finalidade de equilibrar as finanças do império desfalcadas durante a gestão do traidor do trono, finalmente conseguimos nos recuperar financeiramente, permitindo que o império possa trazer mais benefícios para toda população especialmente as regiões anexadas ao reino, onde as condições de vida ainda são precárias e necessitam de mais atenção para que possam sair desse quadro. — apontei séria e todos concordaram orgulhosos em saber que o império havia se recuperado financeiramente depois de anos de exploração, preocupando-se com o bem estar da população carente do império.

Esperei pacientemente os ânimos se acalmarem, antes de fazer o segundo comunicado daquela manhã, o qual esperava que meus súditos ficassem tão felizes quanto a notícia da recuperação financeira do império.

— Além da maravilhosa notícia da recuperação financeira do império, gostaria de revelar a todos que os deuses abençoaram ainda mais a casa imperial do Leste — disse sorrindo fazendo todos se entreolharem confusos, enquanto repousava a mão ainda entrelaçada a do meu marido em cima da minha barriga, atraindo a atenção de todos para meu gesto — Meu amado povo, quero anunciar diante de todos que nosso amado império se alegrará daqui a seis meses com a chegada do nosso primogênito, meu sucessor e futuro soberano do império do Leste. — anunciei sorrindo feliz e aliviada, por finalmente compartilhar a novidade que guardei durante três meses.

Logo o ambiente foi preenchido pelo som de palmas, gritos de vivas e felicitações para o próximo herdeiro do trono que mesmo de nascer já enchia nosso império de esperança com o anúncio da sua chegada.