Império das Cinzas: O Nascimento da Vilã
16 Capítulo 16
O término do banquete não trouxe o alívio que o meu peito implorava. O ar do salão de jantar continuava impregnado pelo aroma denso de especiarias, carne assada e o peso sufocante de uma tensão diplomática não resolvida. Ergui-me da mesa com gestos medidos, sentindo o farfalhar suave da seda lilás e o tilintar discreto das gargantilhas de ouro que ornamentavam o meu traje.
Ao me despedir formalmente das autoridades, busquei por instinto a figura de Sasuke. Ele permanecia de pé ao lado de Shikamaru e Kakashi, a farda escura do Norte ajustada de forma impecável, o rosto esculpido numa máscara gélida e impenetrável. Seus olhos negros cruzaram com os meus por uma fração de segundo — um olhar denso, carregado de um julgamento silencioso que fez a minha pele formigar. Ele não se aproximou. Apenas virou o rosto para o mapa de couro sobre a mesa, dispensando-me sem uma única palavra.
Engoli o nó de frustração que se formou na minha garganta e caminhei em direção às galerias abertas do palácio, buscando o vento da noite.
A varanda monumental do setor nobre debruçava-se sobre o abismo das dunas. Lá fora, o calor opressivo do dia dera lugar a um frio seco e cortante, típico do deserto. A lua cheia, prateada e gigantesca no céu limpo, banhava a vastidão de areia num tom de platina e sombra. O vapor morno das fontes termais do pátio inferior subia em espirais suaves, encontrando o vento gélido da noite e criando uma névoa fina que flutuava entre os arcos de pedra clara.
Apoiei as mãos sobre o peitoril de pedra aquecida, fechando os olhos para sentir o vento bagunçar os meus cabelos rosados soltos. O bracelete no meu pulso direito continuava emitindo um calor fraco e constante, como se a própria terra das Areias continuasse a sussurrar comigo na penumbra.
— O calor deste palácio costuma sufocar quem passa o dia inteiro sob o olhar vigilante de um exército — a voz grave, aveludada e pausada de Gaara cortou o silêncio da varanda.
Virei-me devagar. O Regente das Areias aproximou-se sem o alarde de guardas ou acompanhantes. Trajava uma túnica simples de linho nobre em tom de terracota, com o peitoral levemente exposto e o diadema de ouro trançado brilhando sob a luz da lua. As duas panteras negras não o acompanhavam; ele estava completamente a sós. Ele parou a um metro de mim, apoiando um dos cotovelos na pedra do peitoril e encarando o horizonte prateado das dunas.
— Regente... Gaara— comecei, corrigindo após sua expressão me dizer que já havíamos acertado isso, buscando a compostura diplomática que aprendera a sustentar. — Pensei que estivesse recolhido após o banquete.
Gaara soltou um arfar leve pelo nariz, um esboço de sorriso sem humor surgindo em seus lábios bem desenhados.
— Um governante do deserto raramente dorme quando exércitos estrangeiros desembarcam em suas costas — disse ele, voltando aqueles olhos verde-azulados e profundos para mim. — Especialmente quando a chave para a estabilidade do continente decide jantar à minha mesa vestida com a seda do meu povo.
Ajustei o véu de ouro sobre o ombro, sustentando o olhar dele com uma franqueza serena. Aquilo estava me incomodando.
— Se veio aqui para continuar com as provocações que fez ao Imperador no jantar... — disse, a voz limpa e direta — ...devo avisar que não pretendo servir de peça para o ego de dois soberanos.
Gaara encarou-me por alguns segundos, e a postura estudada do monarca sedutor desfez-se por completo. Ele ergueu o corpo, cruzou os braços sobre o peito e soltou um suspiro profundo, sua expressão convertendo-se numa seriedade pragmática e absoluta.
— Esqueça o teatro do salão, Sakura — disse ele, usando o meu nome diretamente após perguntar-me no jantar, sem o título de "Lady". A sua voz era seca, direta e desprovida de qualquer floreado romântico. — O que fiz lá dentro foi teatro tático. Precisei desestabilizar o autocontrole de Sasuke para entender até onde ia a influência dele sobre você e medir a reação do Norte diante da sua presença.
Pisquei, pega de surpresa pela crudeza daquela confissão.
— Teatro? — perguntei, arquando uma sobrancelha.
— Absoluto — afirmou Gaara, sem vacilar. — Não tenho qualquer interesse romântico ou pessoal em você. -seus olhos opacos miraram algum ponto incrrto nas dunas, pesados e cansados. -O meu único dever, a minha única obsessão, é a sobrevivência e a soberania das Terras das Areias — completou — O meu povo sofreu por décadas com guerras civis, secas e a ganância dos reinos vizinhos. A Akatsuki e Sasori estão se infiltrando nas minhas fronteiras, corroendo a minha autoridade por dentro... Se eu não agir agora, o meu reino será destruído.
Ele deu meio passo à frente, apontando para o bracelete no meu pulso direito.
— A linhagem dos Haruno e a ordem dos A'lam al-Zumarrod não são mitos poéticos para mim — continuou ele, a voz firme. — São a chave de legitimidade política que o meu governo precisa. A sua presença e o poder que a terra lhe concede são a única coisa capaz de unificar os clãs nômades do deserto contra a facção de Sasori... Quando me curvei a você e quando a vesti com a seda da nobreza, não foi por cortejo. Foi para mostrar ao meu Conselho que a autoridade ancestral está do nosso lado.
Um alívio imenso e inesperado percorreu as minhas veias. A clareza brutal daquela conversa limpou todo o ardor de vergonha que eu sentira durante o entardecer. Não havia atração. Havia apenas política, guerra e sobrevivência.
Um sorriso genuíno e calmo surgiu nos meus lábios.
— Agradeço a sua honestidade, Gaara — disse eu, sustentando o olhar dele com o mesmo pragmatismo. — É um alívio imenso tratar com um homem que diz exatamente o que quer, sem disfarçar ambição com falsa cortesia.
Gaara descruzou os braços, assentindo levemente numa demonstração de respeito mútuo.
— Então temos um entendimento? — perguntou ele.
— Temos — afirmei com firmeza. — Eu usarei a legitimidade da minha linhagem e o Selo no meu pulso para ajudar a estabilizar o seu reino e expulsar a Akatsuki das suas terras... Em troca, você concederá a aliança militar e o livre trânsito que o Norte precisa para marchar contra Sasori. Esse é o meu pacto com as Areias.
— Um pacto perfeito — selou Gaara, inclinando a cabeça numa mesura curta e estritamente profissional. — Mas me permita um último conselho como aliado, Sakura... — apontou para o interior do palácio — Vá resolver a sua situação com o Imperador do Norte... Ele é um estrategista brilhante, mas a paranoia dele em relação a você vai comprometer o nosso Conselho de Guerra ao amanhecer se continuar sem respostas.
— Eu pretendia fazer exatamente isso — respondi.
Gaara virou-se e afastou-se a passos calmos pela galeria, deixando-me a sós com o vento da noite.
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Não perdi um único segundo. Atravessei os corredores do palácio com passos firmes e decididos. As joias do meu traje tilintavam suavemente, mas a hesitação e a vergonha que me paralisavam horas atrás tinham sido completamente varridas. Eu não era mais uma soldada acuada e nem uma leitora assustada jogada num mundo desconhecido. Eu era Sakura Haruno, e não deixaria que o homem que confiou em mim se escondesse atrás de uma armadura de gelo.
A ala destinada à comitiva do Norte ficava no setor oeste da fortaleza — um conjunto de aposentos mais austeros, rústicos e frios, longe do luxo ostensivo da área nobre. Ao me aproximar da entrada dos aposentos do Imperador, dois guardas da Guarda de Ferro deram um passo à frente, cruzando as lanças para bloquear a passagem.
— O Imperador não está recebendo visitas esta noite, soldada — disse um deles, a voz dura.
Antes que eu pudesse responder, a porta pesada de madeira do quarto anexo abriu-se. Kakashi surgiu no portal, ajustando a máscara sobre o rosto. O Comandante olhou para mim — para o meu traje de seda lilás, para as joias de ouro e para a firmeza inabalável no meu olhar — e deu um suspiro curto, acompanhado de um brilho divertido no único olho visível.
— Deixem-na passar — ordenou Kakashi aos guardas. Os soldados baixaram as lanças na hora. Kakashi aproximou-se de mim e disse num sussurro baixo: — Ele está sozinho lá dentro desde que o banquete terminou. Boa sorte.
Assenti com a cabeça e empurrei a porta de madeira maciça, adentrando o quarto e fechando-a às minhas costas com um estalo seco.
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O quarto de Sasuke era sóbrio e escuro. Apenas uma única tocha de resina queimava num suporte de parede, lançando sombras agitadas e alaranjadas contra a pedra bruta. O ar ali dentro era visivelmente mais frio do que no restante do palácio, impregnado pelo aroma marcante de cedro, couro e a geada sutil que costumava acompanhar a presença do Imperador.
Sasuke estava de pé ao lado da janela alta, de costas para a entrada. Ele despira a farda militar de gala; vestia apenas uma calça escura de couro e uma túnica simples de linho preto, com o colarinho aberto e as mangas dobradas até os cotovelos, expondo os braços fortes e definidos. A sua espada repousava sobre a mesa de madeira ao lado, desembainhada pela metade.
Ele não se virou quando entrei. A rigidez dos seus ombros largos entregava que ele soubera exatamente quem cruzara a porta no instante em que o trinco se movera.
— O setor dos oficiais fica na ala oposta do palácio, Sakura — disse ele, a voz vindo num tom grave, monocórdico e gélido que cortou o silêncio do quarto como uma lâmina de aço. — Você não tem permissão para circular pelos meus aposentos a esta hora da noite.
Caminhei devagar até o centro do quarto. O som dos meus passos e o tilintar suave das correntes douradas no meu traje ecoavam na pedra fria.
— Chega de ordens de patrulha e de comandos burocráticos, Sasuke — declarei, a minha voz saindo limpa, firme e sem qualquer hesitação. — Eu não vim aqui como sua soldada e nem como uma prisioneira sob custódia... Vim aqui encarar o homem que se escondeu atrás de uma farda o dia inteiro porque não teve coragem de olhar nos meus olhos.
A estocada foi certeira.
Sasuke virou-se devagar. O movimento do seu corpo foi lento, predatório. Quando a luz alaranjada da tocha finalmente banhou o seu rosto, vi o estrago que o dia causara na sua fachada de invulnerabilidade. As feições dele estavam tensas, os lábios pressionados numa linha fina e os olhos negros queimavam numa névoa densa de fúria contida, exaustão e um orgulho ferido que ele não conseguia mais dissimular.
Seu olhar desceu pelo meu corpo com um impacto quase físico. Ele encarou o véu de ouro nos meus cabelos, a seda lilás que abraçava as minhas curvas, a pele exposta da minha cintura e o brilho do bracelete no meu pulso. Senti a temperatura cair lentamente.
— Não teve coragem? Sua insubordinação passou dos limites — perguntou ele, a voz baixando para um sussurro perigosamente rouco. Ele deu dois passos lentos na minha direção, o ar ao redor dele esfriando vários graus num segundo. — Você passa semanas me ocultando informações, confessa que usou um mapa que não era seu para ditar os meus passos... e depois desembarca no Deserto vestida como uma nobre para se sentar ao lado de outro governante na frente de todo o meu exército? E diz que eu não tenho coragem?
Sustentei o olhar furioso dele sem recuar um único milímetro.
— Gaara não estava me cortejando, Sasuke! — rebati de frente, a voz ressoando com clareza. Sasuke retesou o corpo.
-Então... agora vocês são íntimos?
Ignorei.
— Ele estava fazendo política. .. Estava usando a legitimidade da minha linhagem para unificar o povo dele e garantir uma aliança que você mesmo veio buscar! — minha voz saiu ligeiramente dois tons acima — Ele foi direto, honesto e pragmático desde o primeiro segundo... Algo que você se recusa a ser comigo desde que saímos do Norte!
— Honestidade?! — rosnou Sasuke, encurtando o resto da distância entre nós, a sua presença imponente sufocando o espaço ao redor. — Você me pede honestidade depois de ter erguido toda a sua presença ao meu lado sobre um texto decorado?!
— EU NÃO TENHO MAIS TEXTO NENHUM! — gritei, sem me importar que alguém pudesse nos ouvir. Eu queria que ele me ouvisse. A minha voz embargou pela primeira vez, rasgando o silêncio do quarto com uma verdade dolorosa. Dei um passo em direção a ele. — Olha para mim, Sasuke! Olha para o meu pulso! Olhe para os meus olhos... eu não escolhi nada disso... eu nem sei quem eu sou mais...
Ergui o braço direito, mostrando a esmeralda cravada na minha pele e os três sulcos profundos da barganha.
— Eu perdi as minhas memórias do futuro! — desabafei, a minha voz saindo firme apesar das lágrimas que queimavam na minha retina. — Eu não sei qual é a próxima armadilha do Sasori... não sei onde os exércitos estão e não sei como essa guerra vai terminar — pronunciei, com a voz falhando. — Eu entreguei cada atalho para ter o direito de voltar e impedir que você perdesse essa guerra...
Sasuke estancou o passo. O peito dele subia e descia numa respiração acelerada. Ele encarou a marca no meu pulso e depois o meu rosto, as pupilas dilatadas.
— Eu não tenho mais profecias e não tenho vantagens sobre você — continuei, encarando cada traço do seu rosto. — A única coisa que resistiu ao apagamento daquela magia foi você. O som da sua voz, a sua determinação de fazer justiça pelo Itachi, o calor do seu corpo quando o teto desabou... — fiz uma pausa. — Eu poderia ter pedido asilo nas Areias... Gaara teria me concedido... mas continuei aqui....
O silêncio que caiu sobre o quarto foi pesado.
As minhas palavras caíram sobre Sasuke com a força de um golpe. A fúria incandescente nos olhos negros dele vacilou, dando lugar a uma rigidez densa e analítica. O peito dele arfou. Ele deu um passo à frente, os seus olhos negros fixando-se no meu rosto com uma intensidade quase dolorosa, mas a guarda dele continuava levantada.
— Você me pede confiança, Sakura... — a voz dele veio baixa, rouca e cortante. — Mas a confiança não é algo que se devolve com discursos num quarto escuro... Eu passei a vida inteira cercado por mentiras e traições — as orbes negras distantes — O meu próprio Conselho vendeu a vida do meu irmão... E no instante em que eu comecei a achar que tinha alguém leal ao meu lado... você me disse que tudo era parte de um mapa que você decorou.
Ele aproximou-se até parar a poucos centímetros de mim. Senti o calor do corpo dele e o cheiro de cedro e geada. Eu queria que ele me tocasse.. que me provocasse... que simplesmente esquecesse tudo. Mas... ele não me tocou.
— Você diz que perdeu o seu futuro por mim. Diz que escolheu ficar — continuou ele, sustentando o meu olhar sem piscar. — Mas as palavras não apagam a dúvida. — continuou — Você quer que eu acredite novamente? Quer que eu acredite, de verdade, que você não é uma farsa? — suas íris ônix se estreitaram — Então me prove no campo de batalha... Eu queri saber quem é você quando o aço de Sasori cortar o ar e não houver atalhos para nos salvar....
A exigência dele foi seca, dura e inteiramente fiel ao homem que ele era. Não havia promessas vazias e nem perdão facilitado. Ele estava me desafiando a provar o meu valor.
E isso era exatamente o que eu precisava ouvir. Uma possibilidade.
Ergui o queixo, sustentando aquele olhar negro sem recuar um milímetro.
— Então veja com os seus próprios olhos no campo de batalha, Imperador — respondi, a minha voz saindo fria, límpida e inabalável. — Porque eu não vou dar um único passo para trás.
Sasuke encarou-me por longos segundos. Um vislumbre quase imperceptível de respeito passou por trás daquela névoa escura em seus olhos. A tensão sufocante entre nós não se dissipou, mas transformou-se numa trégua afiada e perigosa.
— O seu quarto na ala de Gaara foi cancelado — declarou ele, a sua voz voltando a carregar aquele tom grave e imperativo de comando. — A partir de amanhã, você marcha na primeira linha da Guarda de Ferro, ao meu lado. Não quero você longe dos meus olhos.
— Como desejar, Imperador — murmurei, com um tom sutil de desafio.
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O restante da noite evaporou num transe de planejamento tático. A distância física entre nós manteve-se, mas a barreira de futilidade e farsa ruíra por completo.
Acomodamo-nos ao redor da grande mesa de madeira do quarto. Sasuke acendeu mais duas velas, e desdobramos o mapa tático das Terras do Sul e do Deserto sob a luz alaranjada. Ele sentou-se na cadeira de madeira, e eu o acompanhei do lado oposto da mesa, focados no mapa.
— O Conselho de Guerra ao amanhecer será decisivo — começou Sasuke, o seu lado estrategista brilhando com uma clareza afiada. — Gaara usará a sua presença para dobrar os clãs nômades mais conservadores do Deserto. Se ele conseguir a unificação das Areias, nos concederá o livre trânsito das tropas do Norte até os limites do Sul.
— E a Akatsuki estará nos esperando no desfiladeiro das fronteiras — acrescentei, apontando para a ranhura marcada no couro do mapa. — Sasori já deve desconfiar que estamos planejando alguma coisa... Ele vai tentar usar a névoa paralisante e o relevo para nos emboscar assim que marcharmos.
Sasuke observou o meu dedo no mapa, os seus olhos negros compenetrados.
— Nós usaremos a formação dividida — planejou ele. — Kakashi e Shikamaru liderarão a Guarda de Ferro pelo flanco Leste, simulando o nosso ataque principal. Nós dois marcharemos com a vanguarda do Deserto pelo Vale dos Cristais. Quando Sasori fechar o cerco achando que nos pegou na armadilha, a aliança do Norte e das Areias cairá sobre ele por trás.
Inclinei o rosto, encarando o perfil firme e marcante dele sob a luz das velas.
— E quanto ao Primeiro Príncipe? Quanto a Naruto? — perguntei, a voz baixa. — Ele ainda busca a minha custódia e a aliança com a Casa Akasuna.
Sasuke virou o rosto devagar. O olhar dele era uma promessa de aço e fogo.
— Se o Príncipe do Sul tentar cruzar o nosso caminho para reivindicar você... — disse Sasuke, a voz soando gélida — Nós destruiremos a frota dele antes que ele pise em terra firme.
As primeiras luzes prateadas da alvorada começavam a se infiltrar pelas frestas da janela alta, anunciando o início de um novo dia e a chegada do Conselho de Guerra. A batalha estava diante de nós. E eu provaria a ele, com aço e sangue, exatamente quem eu era.
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