Imortal

10 Capitulo 10


O Imortal

— Ele terá muita coisa para explicar, para ela e para nós. – Disse Jin. Todo olharam para ele esperando que ele continue. – Digo, estou muito feliz de ver o cara novamente, mas não se esqueçam que ele sumiu.

— Mas Gaia disse para nós, depois da confusão que foi quando descobrimos que ele tinha ido embora, que ele tinha uma outra missão a cumprir. – Tentou argumentar Ronan, embora concordasse com o que Jin afirmava.

— Enfim! Estou feliz que ele tenha voltado. – Disse Amy corando um pouco. – Isso que importa pra mim!

— Feliz até demais eu diria... – Comentou Mari ainda olhando para porta por onde Sieghart havia saído.

— Ciumenta você ein? – Rebateu Amy mostrando língua para a azulada.

— Ainda sim, Amy! Importa... – Interrompeu Jin um pouco nervoso pelas reações de Amy pela volta do imortal. – Ele nos deve respostas e creio que ele vai responder algumas para Elesis agora mesmo. Ela foi quem mais sofreu... Se não fosse por Lass.

— Já chega Jin... – Dessa vez foi Lire que interrompeu. – Tem coisas que não são de nosso interesse, principalmente isso.

— Alguém vai ter que quebrar a noticia pro Sieghart que a Elesis não é mais a ruivinha dele. – Disse Jin novamente debochado.

— Isso compete somente a Elesis dizer Jin, mais ninguém. – Disse Arme, ajeitando alguns itens na pia. – Nos podemos perguntar tudo que queremos sobre a viagem de Sieghart. Mas não perguntaremos nada sobre aquela noite ou diremos nada sobre a vida pessoal de Elesis enquanto Sieghart estava fora.

— O que é fato é que Sieghart vai ter a mão cheia...

Todo concordaram, alguns assentindo com a cabeça e outros suspirando.

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Saindo da cozinha apressado, Sieghart viu Elesis saindo do Quartel pela porta da frente e a seguindo desceu a escada de centro indo para a porta por onde a ruiva passara.

Lá fora olhou para os lados, mas não conseguiu ver aonde Elesis tinha ido até que ouviu um barulho de porta se fechando a sua direita e viu uma casa não muito grande de dois andares ao lado do Quartel.

Começou a andar até lá e viu o quão aconchegante era a casa. Tinha uma varanda com duas cadeiras de vovó e uma janela com um pequeno jardim, era toda de madeira a casa, o que a dava um ar rustico.

Adentrou a casa sem pensar se devia e o primeiro cômodo era uma sala de visitas, que como imaginava pela aparência externa da casa era aconchegante. Do lado direito havia uma escada que levava ao segundo andar, mas a sua frente havia um arco que levava a cozinha de onde ouviu outro barulho de porta se fechando.

Queria ver mais da casa, mas sentiu que agora não era hora. Passando pela cozinha rapidamente saiu pelo que seria a porta lateral da casa e viu Elesis andando com os braços cruzados entre uma horta com vários legumes e verduras. Mas ela não andava com os braços cruzados imponente como geralmente andava. Estava um pouco fechada, parecia nervosa, até meio insegura.

Sieghart devagar foi se aproximando até estar cerca de dois metros da ruiva.

— É você que cuida da horta? – Disse Sieghart tentando fazer conversa colocando ambas as mãos no bolso. Elesis virou o pescoço de lado para olhá-lo de soslaio como se dissesse: É realmente o melhor que tem? E voltou a olhar para frente. – Elesis?

Nenhuma reação, sabia que seria dureza se desculpar com a ruiva, mas faria de tudo para conseguir pelo menos pedir desculpas corretamente para ela. Ela merecia pelo menos isso.

— Elesis, se vira pra gente poder conversar...? – Voltou a dizer Sieghart. Mas mesmo assim Elesis não se moveu. – Por favor ruivinha...

Sieghart viu Elesis vacilar na postura um pouco com a palavra “ruivinha”, mas foi por meros segundos pois Elesis se recompôs. Ele suspirou balançando a cabeça e começou a andar de volta para o Quartel. Tomou uma distancia de cinco metros quando ouviu:

— O que você quer Sieghart? – Se virou e viu que Elesis ainda estava de costas. – O que você quer? – Agora ela se virou colocando uma mão na cintura e Sieghart podia ver realmente com ela estava.

Não havia mudado muita coisa ele diria, foi um pouco mais de um ano que se passou. Estava um pouco mais alta, não tanto quanto ele. Mas seu cabelo estava maior, seus olhos mais vermelhos e seu corpo mais maduro. Agora sim lembrava sua antiga esposa.

— Só que ela não é. Não é mesmo? — Voltou Cazeaje a falar em seus ouvidos, mas o imortal ignorou.

Mas realmente Elesis não era sua própria mulher, por mais que lembrasse a mulher que um dia amava, Elesis era outra pessoa totalmente e deveria ser tratada assim, não como uma sombra de alguém do passado. Mas realmente, estava linda.

— Queria conversar com você... Eu voltei... – Disse Sieghart esperançoso. – O mínimo que posso querer neste momento é... Me descu...

Mas fora interrompido pois Elesis começou a andar em sua direção, o que sinceramente deu um certo medo no moreno. Mas ela não o acertou nem nada, mas sim continuou o caminho de volta para dentro de casa.

Ela percebendo que ele ficara parado a olhando disse sem parar seu caminho:

— Você vem ou não?

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Sieghart estava sentado em uma das cadeiras da cozinha enquanto Elesis vestia um avental para começar a fazer um café. Era uma vista rara pra Sieghart que geralmente via Elesis sempre vestida de armaduras pesadas e sempre bem coberta.

Estavam em silêncio por um bom período, Elesis não falava, pois, sinceramente, não tinha muito o que falar, já havia assumido que o imortal não faria mais parte de sua vida, a não ser o simples fato de dividirem a mesma família. Sieghart não falava nada por que simplesmente tinha receio demais de falar algo errado e estragar tudo.

Ficar longe dela e lembrar todos os dias desde que começou sua viagem de seu rosto antes da despedida. Na realidade o que mais doeu foi recentemente.

Sieghart aprendeu a enterrar para trás as pessoas de seu passado, viu tantas pessoas falecerem que não compensava guarda-las. De certa forma esqueceu-se de Elesis e focou no serviço que iria fazer.

Não imaginava embora, que deveria que voltar a caçada. A sua missão dos deuses acabou o levando de volta pra Elesis e então teve que relembrar de sua ruivinha.

— Quando você vai começar a falar? – Sieghart fora então tirado de seus devaneios pela caneca de alumínio que Elesis depositava a sua frente. Esta então retirando de seu avental sentou-se ao lado oposto da mesa cruzando os braços e o olhando fixamente nos olhos. Vermelhos com cinza.

— Bela casa que você conseguiu... – Levou a caneca aos lábios e tomou um pequeno gole do café que estava bom. Elesis arqueou uma de suas sobrancelhas.

— Se você veio para ficar elogiando as coisas ao meu redor...

— Não vim para isso... – Disse Sieghart colocando a caneca na mesa a interrompendo. – Você está certa...

— Então para o que veio? Ao que devemos esta tão estimada honra de receber o nome imortal Sieghart em nossa Caçada?

Ouch, essa doeu ele tinha que admitir. Suspirando Sieghart começou a falar:

— Creio que pedir desculpas agora não seria de muita valia... Correto?

— Pode ter certeza. – O moreno se ajeitou na cadeira e colocou os cotovelos sobre a mesa.

— Se posso ser sincero Elesis... Não fui embora por que quis... – Ela não mudou sua feição, mas claramente não acreditava, ou não queria acreditar no que o imortal falava. – Eu sou um Highlander Elesis, você tem noção do que isso quer dizer?

Ela preferiu não responder.

— Quer dizer que eu não tenho outra escolha a não ser obedecer aos deuses, deuses estes que concederam os poderes que possuo.

— O que te faz um peão nas mãos dos deuses. – Sieghart sorriu tristemente, mas continuou:

— Não, quem dera fosse simples assim. Peão são ferramentas sem pensamentos ou memorias, obedecem e somente sabem a ordem que receberam.

— E você?

O imortal tomou outro gole de café e sentou-se mais relaxado agora olhando para o teto.

— Você se lembra de minha esposa, certo? – Elesis assentiu lembrando que Sieghart comentara sobre ela ser parecida com sua falecida esposa. – Elena, era seu nome. A única diferença entre vocês duas, a única... Era que Elena não era uma guerreira como você, o que você tem de estourada, ela tinha de calma, o que você tem de cabeça dura, ela tinha de compreensível...

Sieghart via uma veia aparecer na testa de Elesis e sorriu por ver que ainda conseguia irritar sua ruivinha.

— Mas não se ofenda, de resto, tudo igual. Os cabelos e olhos cor de fogo, uma mulher, não diferente de você, de atitude, não deixava ser mandada e não se deixava rebaixar para ninguém. Tinha suas convicções e lutava por elas.

— Parece ser uma grande mulher. – Disse Elesis bebendo de seu café e por mais que não queria admitir sentindo um pouco de ciúmes da primeira esposa do imortal. Malditos sentimentos que não somem, pensou Elesis.

— Ela era, mas como disse não muito diferente de você...

— Mas o que isso tem haver com isso tudo?

— Tem haver pois da mesma forma que eu fui embora a um ano e meio atrás eu também tive que deixa-la, não por escolha, mas por que quando consegui voltar para estas terras, não somente soube que Elena havia morrido nova, com seus trinta anos, mas também soube eu havia se casado novamente... E que quando parti para lutar contra Cazeaje, ela descobrira estar gravida...

Elesis realmente não esperava ouvir estas informações.

— Sabe o que é pior Elesis? – Continuou Sieghart. Ela negou agora com uma cara mais serena e demonstrando de leve compaixão. – Eu tenho vivido a mesma coisa por seiscentos anos, lá fora eles comemoram o meu dia... “Viva Sieghart! Viva nosso salvador!”. Que piada, comemoram sem nem saber aonde estou... Todo Elesis, todos aos quais eu me apeguei morreram ou me deixaram para trás, até que eu decidi que ninguém era suficiente para eu me lembrar...

Será que ela era também uma dessas pessoas? Pensou a ruiva agora soltando os braços cruzados e apertando as mãos em cima das pernas um pouco nervosa.

— Eu aprendi a esquecer e a ignorar todos a minha volta. Não importava quem. – Sieghart agora se levantava e ia até um balcão. Era a primeira vez em todos estes anos que se abria para alguém. – Até conhecer vocês... Até conhecer você...

Sieghart estava de costas, então não poderia ver Elesis que estava olhando para as tabuas no chão levantar os olhos e olhar para Sieghart aonde este estava.

— Você reacendeu algo em mim... Algo que eu havia perdido...

Por favor não... — Pensou Elesis. – Não faça isso comigo... Não agora...

Mas Sieghart preferiu não continuar o raciocínio, ao invés se virou e olhou para Elesis e viu que agora ela estava chorando, ou melhor algumas lagrimas começavam a sair.

— Elesis?

Elesis se levantou e subiu as escadas em poucos segundos e Sieghart demorou a reagir, mas a seguiu mesmo assim.

— Elesis, espera!

— Você nos deixou! – Era o que se ouvia do que parecia vir do quarto de Elesis. Sieghart foi se aproximando do quarto e parou na porta aberta e encostou-se no batente desta. – Você me deixou... – Ela não estava gritando, muito pelo contrário, estava sentada na cama de costas e controlava bem suas emoções.

— Elesis, me desculpe, eu sei que o que fiz afetou a você... Eu...

— A mim? Afetou a todo nos Sieghart... – Dessa vez ela se virou ainda sentada e pegou um travesseiro para abraçar. – Eu fiquei inconsolada por dias Sieghart... As meninas tentaram de tudo... Mas elas mesmas ficaram afetadas por isso, mas cada uma tinha o seu companheiro para passar por isso... Lire tinha Ryan, Arme, Ronan... Amy tinha Jin... E eu...

O moreno sabia aonde isto estava indo e sorriu tristemente.

— Lass... – Completou o imortal sentando-se na cama ao lado de Elesis, mas mantendo distância.

— Sim... Lass... – Elesis agora encarava seus pés que ficavam a centímetros do chão por sua altura. – Ele me encorajou a prosseguir e me ofereceu muito mais do eu poderia pedir dele e...

— Você aceitou... – Sieghart agora olhava para o teto e suspirou dizendo estas palavras. – Vocês ficaram juntos...

— Sim... Essa casa... Ela é nossa... Minha e dele. – Depois de ouvir isto Sieghart começou a sentir-se um intruso na casa e até pensou em se levantar da cama.

— Eu realmente sinto muito Elesis. – Ela agora limpando as lagrimas que desciam olhou para o lado e encontrou o olhar do imortal.

— Tudo bem... Vai ser difícil acostumar, mas tudo bem... Me de um tempo para ajustar com você de volta...

— Eu entendo... – E ambos ficaram calados novamente. – Lothos citou algo sobre um grupo de busca e sobre Lass. Ele fugiu ou algo assim?

Elesis arregalou os olhos e logo voltou a chorar novamente, desta vez mais forte. Sieghart por um impulso colocou sua mão esquerda sobre a mão direita de Elesis que aceitou e não reclamou.

— Sim... – Com a mão livre Elesis limpou seu rosto novamente. – Uma noite ele simplesmente sumiu, não deixou carta nem nada, a casa estava toda revirada e fedia a magia negra.

— Vocês suspeitam que...

— Eles não, mas eu sim, suspeito que seja Cazeaje. Ou algo ligado a ela.

Sieghart assentiu.

— Bem, este é um dos motivos do por que eu ter voltado. – Disse se levantando Sieghart.

— Como assim? Cazeaje, você diz?

— Digamos que sim. Eu vou convocar uma reunião entre todos da Caçada e discutirei mais a fundo isso tudo mais tarde.

Elesis assentiu fungando. Voltando a olhar para o imortal viu que este estava a encarando ainda com uma cara de culpado e ficaram se fitando por alguns segundos.

— Você deveria falar com a Mari... Ela foi uma das mais afetadas, até imagino que saiba por que. Amy também se fechou muito depois que foi embora, mas esta eu não tenho ideia do por que... – Sieghart assentiu colocando os braços atrás da cabeça espreguiçou-se.

— Devo ter uma ideia, mas converso sim. – O moreno então a surpreendeu se ajoelhando a sua frente e colocando suas mãos sobre as mãos de Elesis que estavam sobre suas pernas. – Mas eu preciso ouvir pelo menos novamente de você...

— O que? – Elesis agora estava corada e internamente se xingava pelo fato de já estar compromissada, apesar de Lass não estar ali.

— Você me perdoa? Realmente me perdoa? – E ela tinha que admitir o cafajeste sabia fazer uma cara fofa quando precisava.

Ela revirou os olhos e concordou. Fez algo que surpreendeu o moreno e a si mesma. O abraçou. O abraçou pelo menos na medida do possível, pois a posição que estavam tornava isto um pouco difícil.

— Então me faz um favor...

— Pode falar... – Sieghart agora aproveitava para senti-la novamente contra si e sentir o cheiro que amava de seu cabelo cor de fogo.

— Nunca mais me deixe... Não aguentaria perder mais alguém na minha vida, primeiro meu pai e depois você. Agora Lass... Você voltou, mas não tenho garantia que o terei aqui, comigo.

Sieghart gargalhou suavemente e Elesis não gostou e o apertou naquele momento.

— Nunca mais me deixe...! – Seu tom agora era um pouco desesperado e abafado pois Elesis agora estava no chão junto do moreno e enterrou seu rosto no peito deste.

— Tudo bem... Eu prometo ruivinha...

Ouvir este termo novamente a deixou arrepiada, mas não somente por que era o apelido que Sieghart dizia, mas era o apelido que Lass adotara para si.

Elesis se levantou e segurando a mão de Sieghart para este a seguir desceu as escadas e voltaram para sala. A ruiva então direcionou Sieghart para o sofá onde este sentou-se e fora então empurrado por ela.

— Lá em cima não, muitas lembranças e eu respeito Lass demais para fazer isto, mas somente me abrace por agora...

Ele concordou e Elesis deitou junto de Sieghart aninhando-se contra o imortal na maneira mais confortável que poderia achar dada as situações de um sofá.

Não demorou muito e Elesis voltara a chorar enquanto calado, Sieghart fazia carinhos e sussurrava palavras de consolo.

— Eu estou aqui Elesis... Não vou mais embora... Eu te prometo...