Imortal
11 Capítulo 11
Notas iniciais
O Imortal
Já eram por volta das seis horas da tarde quando Elesis acordou novamente de seu sono nos braços de Sieghart. Lentamente abria suas pálpebras e logo percebeu por causa da falta de calor ao seu lado que o imortal já havia se levantado. Ela se levantou e sentada olhou ao seu redor e constatou que provavelmente nem na casa Sieghart estava.
Levantou-se e foi a cozinha notando que à mesa estava posta um café da tarde provavelmente preparado pelo moreno. Sorrindo de leve sentou-se e começou a tomar café.
Enquanto bebia da forte e um pouco doce bebida recapitulava os acontecimentos deste dia. Não sabia como lidar com aquilo tudo, sinceramente falando já havia perdoado Sieghart a muito tempo, mas ainda ficara chateada. De certa forma o aceitara de volta, sim, aceitara, mas ele teria que se esforçar mais se quisesse o relacionamento que ambos tinham no passado.
Relacionamento esse que já era meio conturbado, era uma amizade, um companheirismo ligado com laços de família, mas com algo mais. Não sabia por um nome no que tivera com o moreno. Enfim, se quisera ter algo com ela de novo, a amizade que tiveram um dia, ele teria que correr atrás, não tornaria tudo fácil para ele.
Ai lembrou-se que poucas horas atrás estivera deitada em seus braços, com a cabeça em seu peito e aconchegada no sofá. Elesis envergonhada balançou a cabeça e rosnou de leve.
— Foi somente um deslize... – E lembrou-se novamente de Lass. Não queria trair sua confiança, Lass havia sumido, mas até então não estava morto, pelo que sabiam... Bem ela tinha esperanças.
Aprenderá a amar os avanços e os cuidados de Lass, no começo ela acabou o usando como consolo, uma tentativa de aliviar sua própria dor. Talvez ambos faziam o mesmo, Lass para preencher seu vazio e ela para tapar o buraco que... Bem não queria pensar demais nisso...
O que importava era que aprendeu a amar e cuidar de Lass, mas a duvida permanecia e ela não queria pensar demais nisso com medo para onde esses pensamentos a levariam. Será que amou e ainda amava Sie...
— ATENÇÃO TODOS OFICIAIS DA CAÇADA! REUNIÃO DE URGÊNCIA! TODOS NA SALA DE REUNIÕES! – Era a voz de Lothos no megafone. Provavelmente para tratar da missão de Sieghart.
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Pouco a pouco foram chegando os membros da caçada à uma sala onde em uma ponta se encontrava uma porta de entrada por onde todos passavam, e do outro lado uma lareira. Nesta sala também, em seu meio, havia uma mesa um tanto grande, capaz de portar doze pessoas facilmente. Em um extremo dessa mesa, no lado da lareira dessa sala, se encontrava Lothos no lugar de líder.
Logo atrás dela Sieghart olhava para as chamas da lareira pensativo. Todos um por um tomavam seus assentos. Ao lado esquerdo de Lothos estavam Lire e Ryan, seguidos de Jin e Mari. Ao lado direito um assento vazio que seria de Elesis, depois Arme, Ronan e Amy.
Todos estavam bem calados, quando não cochichavam com os que estavam ao seu lado.
Lothos estava com os olhos fechados e braços cruzados, não lugar dela falar agora, mas sim de Sieghart e ela estava o aguardando.
Sieghart por outro lado estava somente aguardando Elesis aparecer e quando ouviu a porta fechar pela ultima vez fechou os olhos e suspirou ao sentir a presença de sua ruivinha no mesmo ambiente.
Elesis sentou-se cumprimentando a todos, mas quem iniciou a conversa fora Ryan:
— Então vovô, sobre o que iremos conversar? – Lothos arredou sua cadeira para o lado dando visão de todos ao imortal e ela também estava um pouco ansiosa para saber do que se tratava isso tudo.
Sieghart se virou para todos e cruzou os braços.
— Primeiramente peço novamente desculpa a todos... – Todos concordaram levemente. – Quando deixei vocês, não fora totalmente voluntário, recebi uma missão dos deuses e como bem sabem, missão dada é missão cumprida.
— Tudo bem Sieghart. – Disse Ronan. – Ficamos tristes... Uns mais do que outros. – Rapidamente olhou para as pessoas à mesa e continuou. – Mas creio que digo por todos que é bom tê-lo de volta.
— Bem sei que tenho muito o que compensar e peço paciência a todos. O que precisar fazer para reaver a confiança de vocês eu tentarei... – Antes que alguém o interrompesse Sieghart continuou: — Contudo, não foi por causa disso que os chamei.
Ele voltou agora ficando de lado a olhar a lenha sendo queimada e sem qualquer aviso disparou:
— Cazeaje voltou...
Como esperado todos ficaram em silêncio e uma certa tensão se espalhou no cômodo.
— Haha, ta bom, muito engraçado vovô! Pode falar a verdade agora... – Comentou Ryan realmente gargalhando, mas ao ver a cara de Sieghart e depois a de Lothos que acenou confirmando o que Sieghart estava dizendo disse: — Merda...
— Mas Sieghart, nos a derrotamos! – Disse dessa vez Ronan um pouco agitado, não era novidade para a maioria o passado que tivera com a bruxa. – Não há como ela ter voltado...
— Concordo que a derrotaram e concordo que não haveria meios dela ter voltado, mas de alguma maneira ela voltou e está mais forte do que nunca. – Sieghart mantinha o tom sério e olhou para Elesis para ver o que ela estava pensando, mas sua expressão era um tanto ilegível.
— Que prova você tem do retorno da bruxa? – Perguntou Jin ainda descrente.
Sieghart suspirou e começou a puxar o fecho da camiseta preta que ele estava vestindo. Amy quase caiu no chão ao ver o corpo do imortal, Arme não se saiu melhor não conseguindo tirar os olhos, Ryan tampou os olhos de Lire, mas esta já havia visto e corou de leve, Mari começou a rabiscar em seu caderno sem parar. As únicas que não reagiram foram Elesis e Lothos, embora a ruiva estava um pouco corada.
Os rapazes ficaram de certa forma indignados, mas Ronan logo reparou o que Sieghart queria lhes mostrar.
— Isso é... – Ronan parou de olhar para o torso do rapaz e olhando em seus olhos continuou: — Isso é o que penso que é?
— Sim... Lembram da ferida que apareceu em mim antes da minha partida, aquela que vocês analisaram? – Todos se recompondo acenaram com a cabeça. – Bem, algo que omiti de vocês é que isso é uma marca dela que ela deixou em mim naquele dia.
Do ombro direito de Sieghart se espalhava uma espécie de tatuagem que pareciam raízes com espinhos. Saiam do ombro e se estendiam por parte do braço direito e por seu peitoral.
— Mas você disse que não era nada... – Disse Elesis soando um pouco triste, mas mantendo o rosto firme olhando para o moreno.
— Eu menti, não quis que ficassem preocupados. – Sieghart notou que a ruiva abaixara os olhos e se deu um tapa mental por ter causado isso.
— Ok, pera ai, me lembro da ferida, me lembro desse abdômen maravilhoso, mas não lembro que era tão grande assim. – Disse a Amy depois fazendo uma cara de “que foi?” para todos que a olhavam indignada. – E outra coisa... Hehe, quem é Cazeaje mesmo? – Todos a olharam mantiveram o olhar e alguns grunhiram.
— Rainha da Escuridão? – Ela negou a cabeça olhando para Sieghart. – A bruxa causadora da guerra entre Serdin e Canaban? – Ela balançou a cabeça de novo. -...é serio isso? – Ela somente sorriu docemente.
— Enfim. – Disse Elesis olhando acusadoramente para Sieghart. – O que isso tem haver com sua missão?
— Bem os deuses estavam sentindo uma perturbação vindo das terras de Arquimídia, sabiam que forças antigas estavam em movimento. – Sieghart puxou uma cadeira perto de Lothos e Elesis sentando-se. – Isso foi logo após Astaroth fugir com as essências dos deuses e derrotarmos Thanatos.
— Eles acham que Cazeaje pode estar agindo em conjunto de Astaroth? – Perguntou Lothos.
— De certa forma eles tem certeza, Astaroth foi quem tornou Cazeaje no que ela se tornou. – Isso pegou alguns de surpresa, pois não era conhecimento geral. – Foi ele quem a manipulou e a transformou naquele monstro. Ela já foi uma mulher normal... Karina Erudon era seu nome. – Sieghart parou de falar ao sentir sua cabeça doer.
— Amo quando fala meu nome... — Não conteve e levou a mão a cabeça sentindo fortes dores. – Mal espero para você lembrar mais...— E a dor passou.
— Está tudo bem Sieghart? – Perguntou Elesis colocando uma mão em seu ombro. Como ele ainda não havia fechado sua blusa, eles notaram que sua marca começara a brilhar de leve.
Sieghart demorou a se concentrar pois por mais que dor tivesse ido embora, sentia uma sensação de inchaço na cabeça, que aos poucos foi o deixando.
— Sieg-nii?
O moreno levantou o olhar e encontrou os olhos rosados de Amy o observando preocupada, todos o olhavam assim.
— General, quer descansar? Você não parece estar tão bem. – Comentou Lothos.
— Não, estou bem... – Todos acharam aquilo difícil de acreditar. – Aonde estávamos...?
— Você acha mesmo que vamos ignorar o fato que você sentiu dores e que sua marca, tatuagem seja lá o que isso for, brilhou? – Perguntou Lire indignada. Arme concordou de leve com a cabeça.
— Sieghart você está com companheiros agora, não há mentiras, nem segredos entre nos. – Disse Ronan.
Sieghart olhando para o Erudon concordou de leve e fechou seu fecho. Inconscientemente retirou a mão de Elesis de seu ombro e a segurou por debaixo da mesa para ninguém ver.
— Não sei o do por que ela ter feito isso, tenho meus palpites claro... – Enquanto falava isso apertava a mão de Elesis suavemente, mas não a olhou nos olhos para não despertar suspeitas nos outros, mas Elesis corava levemente com isso tudo. – Bem, voltando a missão...
— Ei pera ai e a marca? Não vai explicar direito não? – Questionou Jin cruzando os braços.
— Se você deixar ele falar, oras! – O repreendeu Arme. Por algum motivo Jin estava irritado com a presença do imortal.
— A verdade é que eu sou o último dos Highlanders, eu e mais onze companheiros fazíamos a vontade dos deuses em Ernas. Sendo assim, cabia e cabe a mim completar essa missão.
— Que seria? – Perguntou Ryan, agora mais interessado.
— Cazeaje alastrou mal por todas as nossas regiões, corrompeu varias pessoas e alguns amigos, estes que viraram nossos inimigos. – Disse Sieghart referindo-se a Kamiki e Lass. – Imaginem o mal que ela seria capaz de causar com Astaroth. E nos nem sabemos as reais intenções dele, quanto mais as dela.
Todos pararam para refletir. Cazeaje realmente não poderia voltar ao poder de nenhuma maneira, os reinos de Serdin, Canaban, Terra de Prata estariam novamente ameaçados, logo agora que as reconstruções já estavam em andamento.
— Creio que entendem do por que fui chamado? – Novamente Sieghart apertara a mão de Elesis e ela acenou para o imortal. – E exatamente por causa disso, ela me marcou, ela queria saber aonde eu estava a todo tempo.
— Então ela sabe que você esta aqui agora? – Questionou Elesis preocupada.
— Não exatamente, podem ficar tranquilos. – Ele sorriu meio torto e continuou: — Logo após eu sair de viagem, tive um encontro com Gaia e ela me concedeu uma proteção que evita dela ver as coisas através de mim.
— Que tipo de proteção? – Perguntou Lothos.
— Não vou por em detalhes, mas os deuses fizeram algo comigo e isto tem ajudado a mantê-la longe... Bem na maioria do tempo...
— O que isso quer dizer? – Perguntou Arme.
— Se eu me irritar, ou tiver um descontrole emocional muito grande ou se estiver bem disperso ela consegue achar uma brecha, mas logo é contida e isso gera as dores de cabeça que vocês presenciaram. E por isso da marca, respondidos?
A maioria acenou, mas ainda sim ficaram incertos e temerosos do que isso poderia levar. Era como se tivessem alguém os vigiando a todo momento, mas essa pessoa estava com uma venda, não era nada seguro.
— Podem ficar tranquilos, isso pode acontecer, mas bem raramente...
— Mas... Por que nem se despediu de nos? – Mari que ate agora estava calada perguntou olhando para Sieghart por cima de seus óculos um pouco cabisbaixa. Sieghart se lembrara que Mari fora uma das mais afetadas pela sua saída e via agora em seus olhos que estava chateada com ele, talvez tanto quanto Elesis.
— Sinto muito... Verdade seja dita, achei que nunca iria ver vocês, bem não por longos anos...
— O que isso quer dizer? – Perguntou Arme. Sieghart suspirou e coçando de leve a testa respondeu:
— Eu tenho um pouco mais de seiscentos anos criança... – O moreno riu de leve. – Verdadeiramente falando estava com medo...
Isso gerou surpresa em todos, Sieghart, o imortal, salvador de Serdin com medo?
— Mas medo de que? – Perguntou novamente a roxinha.
— Do meu ponto de vista... Vocês são como o ar, eu puxo para dentro e jogo para fora... Um pouco cru essa comparação, eu sei...
— Como assim? – Amy ainda não havia entendido.
Sieghart levantou-se e voltou a lareira não querendo olhar para ninguém, somente apertou a mão de Elesis levemente antes de se levantar. Queria responder, mas não encontrava forças.
— Quer dizer que não importa o que ele faça, nos envelheceremos e ele não. Nos morreremos um dia e ele não. – Comentou Ronan cruzando os braços e fechando os olhos.
Todos os outros olhavam para Sieghart agora com pena do imortal. Amy querendo animar se levantou e foi até a lareira o abraçando de costas.
— Não importa Sieg-nii, nos vamos ficar juntos, todos nós e vamos encontrar um jeito de...
Sieghart estava com um braço apoiado a parede ao lado da lareira e com força esmurrou a parede assustando a todos. Amy se afastou e abaixou a cabeça. O imortal virou-se ainda um pouco nervoso e respondeu:
— Quanto tempo será até eu ir visita-la em Xênia e ter que ajuda-la a levantar da cadeira para me cumprimentar, por que você não tem mais força, ou vê-los já velhos com filhos que vão ter as nossas idades que temos se casando. – Agora se referia a todos na sala e aumentava seu tom de voz. – Quando sera? Hun? – Disse se aproximando de Amy soltando aos poucos uma energia roxa de seu corpo e seus olhos tomaram uma aparência mais negra.
— General... – Disse Lothos rispidamente, mas Sieghart a ignorou completamente.
— Quando será que eu verei cada um de vocês num caixão descendo a sepultura... ME DIGA? – Naquele exato momento todos se levantaram.
— GENERAL! – Dessa vez Lothos gritou ameaçadoramente levantando a espada ao pescoço do imortal o despertando de seu estupor. Voltando a si reparou que estava segurando Amy pelos braços e que a havia assustado bastante, pois esta estava com os olhos arregalados.
— Me desculpe princesa, eu... – Ela começou a derramar algumas lagrimas, mas ao invés de correr o abraçou fortemente.
— Amy se afasta dele! – Disse Jin dando a volta na mesa para tentar separar a rosada de Sieghart, mas fora impedido por Ryan. – Me solta cara...
— Segura esse seu ciúmes cara... – Sussurrou Ryan o segurando pela cintura.
— Me solta! – Jin deu uma cotovelada em Ryan que o soltou sendo amparado por Lire. O avermelhado tentou partir para cima de Sieghart, mas parou ao ouvir Amy falando:
— Tudo bem Jin...
Sieghart não a abraçou de volta, somente colocou uma de suas mãos sobre a cabeça da garota. Ao dizer isso para Jin ela tirou a cabeça do peito do imortal e continuou:
— Só nunca mais faz isso, ok? – Disse agora olhando para Sieghart nos olhos.
— Isso o que? – De relance Sieghart olhou para Elesis que tentava se segurar, mas estava bufando.
— Isso... De gritar comigo ameaçadoramente e de fugir. – E voltou a se afundar no peito do moreno.
— Nós somos uma família Sieghart. – Disse Arme se aproximando e o abraçando também. Lire olhou para Ryan que acenou e logo juntou ao abraço, mas Ryan também logo foi abraçando a todos.
— Ryan ta apertando... – Disse Lire um pouco sem ar.
— Eu sei. – E se separou. Antes de se sentarem Amy de um beijo na bochecha do imortal, assim como Lire e Arme e entrando na brincadeira Ryan também tirando risadas de todos.
Sieghart olhou para Elesis e sentia como se facas saiam dos olhos da ruiva.
Assentados Sieghart ainda de pé colocou as mãos em forma de punho na mesa e disse:
— A questão é que eu preciso de vocês. São a primeira linha de defesa quando se trata desse tipo de coisas... – Sieghart olhou na cara de cada um deles. – Posso contar com a ajuda de vocês?
Todos se entreolharam e depois focaram seus olhares de determinação para Lothos.
— General pode contar com todos nos. – Disse Lothos. – Todos dispensados.
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