Immortals

2 Capítulo 2 - Eu sei o que você está pensando


Todo imortal tem uma espécie de essência dentro de si. É essa essência que o torna aquilo que é. A única maneira de derrotar um imortal é fazendo uma abertura em sua garganta, pois, assim, a sua essência é liberada e ele se torna mortal, mas ainda tem seus poderes. O único detalhe é que um imortal só pode ser derrotado por duas raças: anjos ou demônios.

Breena era filha de Lúcifer, por isso, sangue de demônio corria em suas veias. Porém, o fato de ela ser metade humana fazia com que ela não fosse má ou psicopata, mas ela possuía um lado vingativo que se sobressaía as vezes. Ela trancou seu pai no inferno e escondeu a chave em sua gargantilha, disfarçando bastante. Porém o que ela não sabia era que antes de trancar os portões do inferno, Caim escapou.

Caim era um anjo caído, que se tornou presidente no Inferno, tendo sob seu comando trinta legiões infernais. Ao escapar, ele começou a caçar quem havia trancado os portões, sem imaginar que a própria filha de Lúcifer havia feito aquilo, e que a chave estava com ela. Porém, ele estava a ponto de descobrir.

***

– Numa escala de um a dez, qual o seu nível de preguiça? – perguntou Zack.

– Onze. E o seu? – respondeu Elliott.

– Doze.

Os dois estavam sem camisa, com roupas de banho, deitados lado a lado na grama ao lado da piscina da casa de Halley. Elliott segurava seus óculos com os braços esticados, tentando formar um ângulo em que o sol e ele se alinhassem a ponto de acender fogo na grama verde. Zack olhava para o céu. O reflexo do sol em seus olhos amarelos os deixava com um brilho estonteante. Ele movia um pequeno pedaço de graveto com a mente, em seguida, o atirou para longe. Se levantou quase de súbito, posicionando-se em pé por cima de Elliott, o dando as mãos para que ele se levantasse. Elliott colocou os óculos novamente e deu as mãos para Zack, se levantando. Os dois pularam na piscina, onde as meninas já estavam a algum tempo.

Zack se aproximou de Breena e Halley para conversar, deixando Elliott e Daisy um pouco afastados. Os dois também conversavam, mas mais aproximados, ela encostada na parede da piscina e ele de frente para ela. Depois de algum tempo, ela pediu para que ele a boiasse. Obedecendo, Elliott passou uma mão por baixo do quadril e a outra pela nuca dela. Daisy relaxou, e passou a mão pelas costas dele, fazendo-o arrepiar. Em seguida, subiu a mão para sua nuca. De súbito, ela abriu os olhos.

– Elliott.

– Sim?

– Pare de pensar besteiras.

Elliott ficou bastante vermelho, fazendo Daisy rir. Ele tirou as mãos do corpo dela, se afastando um pouco, e acabou esbarrando em Zack..

– O que foi, cara?

– Er... não foi nada... – Elliott ainda estava sem graça.

– Gente, vou tomar uma ducha. – disse Zack.

Zack saiu da piscina e caminhou até a casa de Halley, seguido por Elliott. Quando entrou no quarto, Elliot entrou atrás e fechou a porta.

– Cara, as vezes eu queria que a Daisy não soubesse o que a gente pensa.

– Você ficou excitado quando pegou ela, não foi? – riu Zack.

– Ah, talvez – disse Elliott, vermelho.

Zack foi até o banheiro e ligou o chuveiro. Em seguida, voltou enrolado na toalha.

– Não se esqueça que além da telepatia e a manipulação de memória ela controla os quatro elementos também. Você pode até ter controle sobre o fogo, mas não poderia lutar contra Daisy.

– O que você quer dizer? – indagou Elliott, limpando a lente dos óculos na roupa de cama.

– Que é melhor você ceder.

Elliott olhou para Zack, como se não tivesse entendido muito bem.

– Elliott, eu sei que você baba por ela.

Elliott deu um olhar por cima dos óculos, mas voltou sua atenção para a bola de fogo que formava entre as mãos.

– Eu queria que ela não pudesse ler minha mente...

– Por quê?

– Porque assim ela não saberia cada besteira que eu penso quando toco no corpo dela.

Zack riu. Em seguida, entrou no banho. Foi rápido, uns cinco minutos. Ao sair do chuveiro, Elliott ainda estava deitado na cama, brincando com a magia.

– Do jeito que as coisas são no nosso grupo, Daisy devia ser seu menor problema.

– Como assim?

Zack largou a toalha e a jogou no rosto de Elliott. Enquanto trocava de roupa, continuou:

– Daisy e você tem um poder parecido: o controle sobre o fogo. Logo, ela não devia ser um problema para você.

– E alguém deveria?

Zack parou e encarou Elliott, meio impaciente com sua falta de percepção.

– Elliott, você é filho do arcanjo Miguel, e Breena é filha de Lúcifer. Céu e inferno, Heaven and Hell. Vocês dois são amigos, eu sei, mas mesmo assim há uma divergência entre vocês. Algo que os separa. Mas com a Daisy não é assim. Eu não sei por que vocês não tentam.

– Zack, eu e Daisy somos bons amigos também. Nada mais.

Zack olhou para Elliott com uma sobrancelha levantada, mas preferiu não dizer mais nada. Ajeitou o amuleto no pescoço e saiu do quarto, seguido por Elliott. Os dois foram para a cozinha e começaram a preparar o almoço.

***

– E você, princesa? – disse Breena – Como andam as paqueras?

Daisy deu uma risada sem graça.

– E o Elliott? – perguntou Halley, num tom malicioso.

– Ah, vocês duas de novo com esse papo? – Daisy ficou meio irritada – Eu e o Elliott somos amigos. A-M-I-G-O-S. Nós não temos nada.

– Mas poderiam ter.

– Ah, Halley... – suspirou Daisy, olhando para Elliott, que estava dentro da cozinha, mas perto da janela que dava vista para a piscina – O Elliott é um cara legal, divertido, bonito e habilidoso também. Mas as vezes parece que ele não quer nada comigo. Vive grudado no Zack, os dois fazem tudo juntos, e, em momentos em que ficamos sozinhos, ele começa a pensar besteiras...

– Daisy, todo menino é assim.

– Eu sei. Garotos. Mas ele tem seus momentos. Em alguns, é fofo e simpático, em outros, é bem safadinho, e em outros, é indiferente.

Halley e Breena abraçaram a amiga.

– Ele gosta de você. Ele só não descobriu isso ainda, e, se descobriu, deve estar pensando em alguma forma de se declarar.

– Você acha mesmo.

– Acho.

Daisy ficou mais aliviada. As três saíram da piscina, se enxugaram e foram em direção aos meninos.

***