Immortals
3 Capítulo 3 - Uma briga com Caim
Elliott acordou meio afobado. Havia tido um pesadelo terrível: acabara de ver o próprio corpo banhado em sangue. Enquanto morria lentamente, escutava anjos falando com ele: Water street, 225. Water street, 225. Ele se livrou das cobertas e foi até a cozinha de Halley tomar um copo d’água. Quando se virou, deu de cara com Zack. Por causa do susto, Elliott derrubou o copo, mas antes que ele atingisse o chão e se espatifasse, Zack parou-o no ar e o guiou de volta até a mesa. Encarou Elliott e perguntou:
– Não consegue dormir?
– Tem algo de errado, Zack.
– Porque você diz isso?
– Não sei. Só sei que há algo errado.
– Outro pesadelo? – Zack cruzou os braços.
– Sim. Diziam sem parar ‘‘Water street, 225’’.
– Quem?
Elliott olhou para Zack com um ar de preocupação.
– Os anjos.
***
– Olá? – Elliott entrou em um galpão grande e vazio – Tem alguém aí?
Ele caminhou até o centro do galpão, mas tudo o que conseguia ver era materiais de construção amontoados em grandes pilhas e paredes em ruínas.
– Olá? – tentou mais uma vez.
Uma lâmpada se estourou atrás dele. Ele se virou, e outras lâmpadas começaram a estourar também, formando várias faíscas. Elliott foi se virando a cada vez que uma delas estourava. Assim que elas pararam, ele ouviu uma voz.
– Olá, Elliott.
Quando ele se virou, deparou-se com um homem alto, vestindo roupas negras e de cabelos loiros bem claros. Os olhos dele eram vermelhos como uma rosa, e intensos como a morte. Elliott se afastou alguns passos.
– Quem é você?
– Caim.
Elliott se lembrou das histórias de Breena.
– O que você quer?
– Você sabe bem.
– Eu? – Elliott estava realmente confuso.
– Não se faça de despercebido. Você sabe o que eu quero.
– Se você se refere aos portões do inferno, eu realmente não sei como ajudar.
Caim avançou para cima de Elliott, segurando seus braços.
– Me dê a chave, garoto.
Elliott empurrou o homem, fazendo-o voar longe e bater contra as ruínas da parede. Ele se levantou e rapidamente correu até Elliott. Ele também tinha a velocidade aprimorada. Desferiu um soco na barriga do garoto, fazendo-o recuar. Em seguida, chutou seu queixo, derrubando-o. Elliott usou de sua velocidade para correr para trás de Caim sem que ele percebesse, desferindo um chute que o arremessou contra uma vidraça. Caim se levantou, e, enfurecido, partiu novamente para cima de Elliott, derrubando-o. Os dois rolaram no chão, e Elliott montou em cima de Caim, desferindo vários socos contra seu rosto. Caim chutou Elliott, fazendo-o voar e atingir o teto, para depois se estatelar no chão novamente. Fraco, e com o nariz e boca sangrando, ele não conseguiu se levantar, tomado pela dor.
– Bem, filho de Miguel – Disse Caim – se você não vai me dizer onde está, acho que vou ter que te mandar de volta para seu pai.
Elliott cuspiu no rosto dele. Caim enxugou a saliva e retirou uma faca do bolso do casaco, colocando a ponta sobre seu pescoço.
– Não pode me matar, idiota. – Elliott sorriu.
– Posso tirar sua imortalidade. Aí sim posso terminar o serviço. – disse Caim, seguramente.
– Vai ter que esperar muito para isso, querido. – disse Elliott, com um sorriso.
Caim encarou Elliott, sem entender direito. Mas antes que pudesse reagir, as paredes foram destruídas por um carro capotando, que atingiu Caim em cheio. Alguns metros atrás do carro, Zack estava com a mão esquerda posicionada para frente, o que significava que ele acabara de arremessar o carro contra ele. Zack se aproximou de Elliott, levantando-o com as duas mãos.
– Você está bem?
– Sim. Só um pouco dolorido.
– Venha.
Nesse momento o carro foi arremessado para o lado, e Caim se levantou novamente. Agora, não só a íris mas seu olho todo estava vermelho. Ele correu até os dois, batendo em Zack primeiro. Depois, tentou dar uma cotovelada de costas em Elliott, mas ele segurou seu braço, arremessando-o contra o carro. Caim se levantou novamente, correndo até Elliott. Ele defendeu-se dos golpes do demônio, chutando seu abdómen. Caim recuou, mas achou sua faca e se abaixou para pegá-la. Elliott para trás dele, confundindo-o. Em seguida, reapareceu na sua frente e deu um soco no meio do seu peito, arremessando-o novamente. Dessa vez, Caim caiu de pé, e voltou correndo com a faca em mãos. Porém, Zack surgiu na frente do amigo, sendo apunhalado no lugar dele. Zack olhou para o ferimento, em seguida, olhou para Caim, que havia se afastado um pouco. Desenterrou a faca do peito, largando-a no chão.
– Mas... – Caim ficou desorientado.
Os olhos e cabelos de Zack tornaram-se brancos, e ele deu um grito de fúria, pisando sobre o chão fortemente e fazendo-o rachar até onde Caim estava. Ele pulou para o lado, assustado. Elliott reapareceu atrás dele, empurrando-o contra os tijolos empilhados. Caído, o demônio olhou para os dois e murmurou:
– Se não foi Miguel nem o filho dele... Quem faria...
Os olhos dele voltaram ao normal, se arregalando. Suas sobrancelhas franziram, depois, seus olhos se cerraram, e ele disse em tom alto o suficiente para que Zack e Elliott ouvissem:
– Desgraçada...
Zack voltou ao normal, e ele e Elliott se olharam, supondo que ele havia entendido quem havia trancado os portões. Quando olharam para os tijolos novamente, Caim havia sumido.
– Zack...
– Vamos rápido. Você aguenta correr ou me carregar?
Elliott ajeitou os óculos, com uma das lentes rachada por causa da briga.
– Ainda somos uma dupla. – afirmou ele.
Zack subiu nas costas de Elliott e os dois correram para a casa de Halley.
***
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