Imagine - stray kids

26 . Lee Know (ABO) +18


VOCÊ VEIO ATÉ MIM...

Estou correndo de uns caçadores há alguns dias e está difícil de despistá-los.

Eu odeio os humanos comuns que agem como se fossemos monstros ou animais que estão aqui unicamente para servi-los.

Desde sempre que seres com subgênero são caçados pelos que se dizem “humanos comuns” e eu, que sou uma ômega sem um alfa, estou no topo da lista de caça deles que caçam ômegas como eu para serem usadas como objeto sexual.

Os betas também estão em suas listas, mas estes são tratados como escravos, criados domésticos, etc. pois os caçadores acham que eles não têm muito valor, já os alfas variam muito, eles também estão na lista de caça deles, mas são como “o grande prêmio”, pois por serem considerados superiores dentro dos subgêneros os humanos comuns quando os conseguem capturar os vendem por um valor altíssimo e delegam muitas atribuições consideradas importantes a eles.

A verdade é que a vida dos seres de subgênero é um inferno e a três dias me embreei na floresta, pois estava insustentável fugir dos caçadores pela cidade já que lá é o lugar deles, estou cansada e com fome e sinceramente a ponto de entregar tudo e nesses últimos dias meu pensamento tem sido apenas: deixem que me peguem e se eu tiver sorte me matarão após tanto abusarem de mim.

Estou farta, e sozinha fica ainda mais difícil de fugir.

[...]

Dois dias se passaram, e como tenho apagado bem meus rastros, não sinto o cheiro dos caçadores na minha cola, o que é um alívio em dose dupla, pois além de eu ter certeza de que estou segura, humanos comuns fedem muito e eu detesto o cheiro deles.

Paro de correr por um instante e sou pega de surpresa por ver uma enorme cerca a poucos metros à frente.

Fico curiosa e apreensiva, então me aproximo um pouco mais, qualquer coisa subo em uma árvore para me esconder.

Avisto mais de perto, é um lugar onde alguém mora, não um esconderijo, mas pelo que vejo tudo está muito bem cuidado como se fosse há anos constantemente mantido assim e bem aqui onde estou tem um canteiro lindo de flores que só tem nesta parte, me pergunto o porquê disso, mas logo fico em alerta.

Sinto um cheiro forte se aproximando e me sinto estremecer, é o cheiro de um alfa puro, uva e canela, mas que tem bem no fundo aquele tom amadeirado que denota sua pureza, corro dali e subo na primeira árvore que vejo, ela não é tão alta, mas é robusta então vai me esconder bem.

Decido que ficarei o observando e quando ele se for eu também irei.

[...]

Minho Pov.

Estou a tanto tempo afastado de tudo e todos que a solidão para mim é como uma boa amiga, mas o que vi a pouco nos monitores de segurança me despertaram um interesse fora do comum.

— Por que ela está tão arisca assim? E por que ela está parada logo exatamente ali?

Me pergunto contemplando como ela encarava tanto dentro de minha cerca quanto para meu canteiro de flores.

Ela provavelmente está fugindo dos caçadores, e apesar de ter jurado nunca mais deixar ninguém entrar, após ter perdido alguém para aqueles animais exatamente ali onde ela está parada, ela parece precisar de ajuda e afinal ela veio até mim, conseguiu chegar aqui então deve ser alguém de muita garra e eu gosto de pessoas assim.

Decido ir lá fora convidá-la para entrar nem que seja para descansar um pouco, mas quando chego onde ela estava ela havia sumido, apenas seu cheiro gostoso e forte de maçã e mel ficaram para trás.

— Uma ômega...

Falo em um sussurro e meu corpo parece responder intensamente ao estímulo do cheiro alheio, me deixando um pouco sem ação.

Penso que foi bom ela ter ido, não quero me envolver com ninguém e seria difícil resistir.

Deixo para ela algumas coisas que separei, encaro minhas flores me lembrando das últimas palavras que ouvi bem neste lugar e volto para dentro me perguntando se ela estaria por perto.

[...]

Ômega POV.

Ele se foi, mas deixou algo no chão, então desço lentamente da árvore onde estou e pego o cesto que tem frutas, pão, água e um bilhete...

“Não fique por aí sozinha, é perigoso demais.”

Leio e pego tudo o que ele deixou colocando as coisas em minha mochila e deixando apenas uma maçã que decido já comer, pois estou faminta.

— É fácil para você dizer, não é alfa? Está aí todo protegido em seu castelo...

Procuro por onde ele supostamente me viu e aceno para a câmera que encontrei.

— Obrigada pela comida e água, tenha uma boa vida!

Coloco as coisas na minha mochila, o bilhete guardo em um dos bolsinhos e saio dali antes que ele decida voltar.

[...]

Andei pelo que pareceu ser um dia inteiro e como estou muito apreensiva não dormi na última noite, mas agora estou muito feliz, pois achei uma cachoeira e como estava precisando de um banho urgentemente entrei pela passagem que achei, pensando se ali não seria posse também do alfa com cheiro de uva e canela, mas não me preocupando muito, eu só quero mesmo tomar um banho, e como nunca fico parada muito tempo no mesmo lugar sei que não terei problemas.

Emerjo de um longo mergulho e para minha desastrosa surpresa caçadores estão mexendo em minha mochila.

— É o cheiro daquela vadia, ela deve estar se banhando, vamos pegá-la e usá-la até que morra.

Três, não, quatro caçadores começam a me procurar até que um deles me vê na água e grita para os demais.

— Ali! A vadia está semi desnuda na água fria, vamos pegá-la rapazes.

Senti minha espinha gelar, quatro homens fortes contra mim? Com certeza é o meu fim, procuro uma rota de fuga e encontro um caminho, saio nadando como se daquilo dependesse minha vida, o que era fato, mas enfim, e assim que chego na margem saio correndo com todo o folego que possuo.

— Aí!

Bato em algo quando havia me virado para trás para ver se eles estavam me alcançando e quando olho para onde bati reconheço o alfa que me alimentou no dia anterior.

— Hey, calma aí. — Ele pareceu ignorar o fato de eu estar praticamente nua em sua frente. — Olhe para mim, você está bem?

Balanço a cabeça positivamente, não querendo falar com ele.

— Ótimo, e quem fez isso com você? Caçadores?

Ele levanta meu braço me mostrando que havia um corte ensanguentado ali que até então eu não havia visto e eu entro em pânico ainda mais, mas apenas aceno que sim novamente, pois apesar de eles não terem encostado em mim eles me fizeram subir as pedras onde provavelmente eu me cortei.

— Tome aqui vista isso. — Ele tirou sua jaqueta e me deu — Fique escondida aqui, — ele me levou para detrás de um arbusto e me abaixou lá. — Não fuja de mim, eu já volto para te ajudar.

Ele foi na direção da cachoeira e eu fiquei ali me tremendo toda.

Em outras circunstâncias eu daria no pé assim que ele estivesse longe o suficiente, mas estando como estou não posso ir muito longe, então decido esperar.

[...]

Minho POV.

Avisto quatro caçadores, malditos, eles estão rindo e fuçando na mochila da ômega e isso está me irritando muito além do que deveria, era como se meu lobo já a tivesse tomado por posse, o que será algo que terei que lidar depois, mas no momento minha vontade é unicamente rasgar esses imbecis.

— Larguem as coisas dela agora mesmo.

Usei minha voz de lobo, o que até em humanos comuns como eles causam um enorme desconforto e com isso os vi encolher.

— Quem você pensa que é? Um alfa medíocre que só serve como prêmio para os donos de riquezas, patético.

— Não perguntei quem sou, não me interessa quem são, e se não largarem agora mesmo as coisas delas todos morrerão.

Meus olhos estavam brilhando um amarelo quase ouro, pude ver pelo reflexo d’água o que os deixou intimidados.

— Um alfa puro? Isso será melhor do que a encomenda rapazes, antes só iríamos foder a ômega até matá-la, mas agora teremos uma verdadeira moeda de troca, conseguiremos um bom dinheiro por esse animal aqui.

Meus ouvidos pararam de captar sons depois que ouvi as intenções deles com a ômega, “minha ômega” meu lobo rosnava alto em minha mente e o que seguiu determinou o fim daqueles quatro caçadores, e quando terminei tive que me lavar, pois eu estava cheio do sangue deles em minhas mãos e em minha boca.

Peguei as coisas de valor que eles traziam, assim como suas armas e também a mochila da ômega e voltei pelo caminho onde sabia que eu a encontraria e assim que a avistei meu lobo uivou dentro da minha mente, ele a quer e talvez eu a queira também, mas isso não é algo que eu vá discutir com ele agora.

— Vem comigo, vou cuidar da sua ferida.

Falei ao me aproximar de onde ela estava, ela tinha tanto medo que seu cheiro tomava tudo ao redor, e sem entender muito bem me senti perdido nela, o ômega dela estava implorando por ser cuidado e meu alfa queria cuidar dela mais que tudo e isso era nítido, mas ela não demonstrava confiar nem um pouco em mim e eu com certeza não era a imagem mais receptiva do mundo com resquícios de sangue por todo lado.

Continuei andando e pude ouvi-la me seguindo, isso é bom, e agora eu cuidarei dela.

[...]

Ômega POV.

Andamos por atalhos indo cada vez mais para dentro da mata onde pude notar que era tudo muito bem cuidado, então, sim, aquela parte onde eu me banhava ainda fazia parte do terreno desse alfa, o que me deixa muito assustada, será que ele vai querer brigar comigo por eu ter invadido sua propriedade?

Andamos mais um pouquinho e finalmente pude ver a casa dele, tudo em volta era perfeito, ele tinha uma horta, um estábulo, o que me fez entender que mesmo que ele parecesse solitário sua vida era bem estruturada e ele se vira muito bem sozinho.

— Vem, entre, precisamos olhar seu braço.

Passei por ele como o próprio me indicou e fiquei parada esperando por ele na grande sala onde eu estava.

— Sente-se aqui — assim o fiz e ele pegou meu braço. — Deixe-me ver isso... — ele olhava tudo com cuidado, parecia saber o que fazia. — Não está muito profundo, me espere aqui vou pegar minha maleta de primeiros socorros e vamos limpar isso.

Eu só acenei que sim, eu o esperaria bem quietinha e ele se foi, mas logo ele voltou com a tal maleta em uma de suas mãos e panos limpos na outra.

— Fique quietinha está bem? Vou limpar, vai arder e doer um pouco, mas logo passa.

Mais uma vez acenei para ele e ele começou o trabalho.

— Aish... sssssh isso dói. — Acabei falando sem querer e o vi me encarar.

— Mas eu avisei que ia doer.

A voz dele era penetrante e minha pele se arrepiou, o que ele pôde notar por estar segurando meu braço e isso o fez sorrir.

— Qual seu nome?

Perguntei para quebrar aquele silencio infernal, mas em seguida me arrependi de ter feito a pergunta, pois ele me encarou bem nos olhos, o que me intimidou muito, pois ele era muito lindo e sua expressão muito intensa.

— Lee Minho, e o seu?

— Jung Akira. — Falei e desviei meu olhar do dele.

— Um nome muito forte e bonito... — ele parou como se quisesse falar algo a mais, mas hesitou.

— Obrigada, o seu também é bem bonito, mas geralmente as pessoas daqui não gostam do meu nome.

— Pela origem japonesa?

— Sim...

— Mas saiba que eu gostei muito do seu nome Akira, e é isso o que importa. — Sorri em um momento de guarda baixa e ele pareceu satisfeito. — Pronto, seu braço vai ficar bom logo, só precisa continuar limpando e passando o remédio.

Olhei para o meu braço e ele realmente deixou o ferimento bem limpo, mal parecia estar sangrando a pouco.

— Muito obrigada, — falei já me levantando. — Preciso me trocar para ir embora, posso usar seu banheiro?

Minha fala pareceu o desagradar, mas ele continuou solicito.

— O banheiro fica no final do corredor, mas você não acha melhor passar essa noite aqui? — O olhei sem saber o que dizer e ele seguiu. — Você ainda está machucada, se acontecer algo e você reabrir esse ferimento?

— Eu sei me cuidar, os caçadores só se aproximaram tanto assim por eu estar tomando um banho, me descuidei um pouco porque a água estava uma delícia, mas aprendi minha lição Lee Minho, isso não vai se repetir.

Pego minha mochila e noto que minha roupa havia molhado.

— Aiish...

— Sua roupa molhou, eu sinto muito, eles estavam jogando suas coisas na água para se livrar das pistas, eu espero ter recuperado tudo.

Olhei novamente para minha mochila e sim, tudo parecia estar ali, mas com minhas roupas molhadas não tinha como eu ir embora agora.

— Posso mesmo passar a noite aqui?

— Será uma honra para mim Jung Akira.

— E você poderia me emprestar umas roupas também? — Falei meio sem jeito e ele sorriu para mim.

— Claro, mas faz assim, vou te levar para um dos quartos lá em cima e você toma um banho decente, te arrumo roupas limpas e depois jantamos tudo bem?

— Okay Lee Minho, mas saiba que não quero te dar trabalho.

Ele veio em minha direção e pegou minha mão me levando escada acima.

— Não seja tola, já disse que será um prazer tê-la aqui, então apenas acredite em mim está bem?

— Está sim...

[...]

Algumas semanas depois.

Minho POV.

A Jung não foi embora, e a dias eu me sinto feliz por tê-la comigo, me sinto completo, e é tudo graças a ela que agora está toda empenhada em colher morangos para a sobremesa de hoje à noite.

O sorriso dela é perfeito, ela é toda perfeita na verdade e esses últimos dias que ela ficou aqui ela foi se abrindo para mim e me contando mais de sua história e hoje eu prometi que contaria a minha para ela depois do nosso jantar.

[...]

— Minho olha o tamanho desse morango! É lindo, nem dá vontade de HEY! — Ele ria de mim descaradamente após ter mordido o morango na minha mão, deixando menos da metade dele. — Você é tão insuportável Minho, como pode...

— E você fica toda fofa quando está bravinha sabia?

Ele apertou minhas bochechas e riu ainda mais com a careta que fiz.

— Não tem graça, tá, eu queria dividir o morango com você.

Fiz um bico enorme, mas nada intencional, então ele pegou a parte que ficou na minha mão e deu na minha boca.

— Prontinho Jung, agora nós dividimos o morango, que por sinal estava docinho, uma delícia né?

Realmente estava, então deu um meio sorriso para ele e não disse nada, pois ainda estava de boca cheia.

— Vem ômega, vamos entrar e preparar o jantar.

[...]

Meu braço já estava todo curado e apenas uma cicatriz fina ficou ali, mas quando eu disse que iria embora o Minho não deixou, e a verdade é que eu também não queria mesmo ir, meu lobo já não queria mais se afastar dele e a essa altura estamos, sim, mais envolvidos do que eu gostaria, mas não vou reclamar, o Minho está cuidando de mim como nunca ninguém fez, e eu estou tentando retribuir a ele da melhor maneira possível e estamos funcionando bem assim.

Acho que já me acostumei em tê-lo em minha vida...

Só não sei o que ele pensa sobre isso.

E não sei se quero mesmo saber, pois posso estar me iludindo e isso me deixaria muito mal.

[...]

No Jantar...

Comíamos tranquilamente, sem conversar muito, pois as horas das refeições para o Minho eram sagradas, e para falar a verdade eu gostava desse silencio reconfortante entre nós dois em horas como esta.

Eu sabia que não estava só, e ele sabia que eu estava ao seu lado e isso nos bastava.

— Não pense que eu me esqueci, — o encaro confusa por um instante. — Hoje lhe contarei a minha história...

Ah, era isso, eu realmente não havia me esquecido, mas achei que ele esperaria o fim do jantar.

— Tudo bem Minho, não se apresse, coma em paz e depois você me conta.

Notei um semblante mais pesado em sua expressão.

— Não Jung, querida, é melhor eu começar a falar...

Paro atenta para ouvi-lo e ele nota minha total atenção em si.

— Bom, por onde começo... já sei, essa casa, todo o terreno onde estamos mais as extensões onde fica a cachoeira são meus por herança...

Ele esperou que eu o interrompesse, mas eu não fiz, então ele seguiu.

— Meus pais e meus dois irmãos foram mortos por caçadores quando eu era mais novo, mortos na minha frente e eu só consegui fugir para cá, meu pai mandou que eu corresse e eu corri, eu não queria, mas corri com todo o meu fôlego, se eu ficasse eu seria igualmente morto ou pior, na minha condição de alfa eu seria vendido e sinceramente eu preferia a morte a ser escravo dos humanos comuns...

Novamente ele parou e novamente eu não o interrompi, até porque eu também vi meus pais e irmã serem mortos e quase fui vendida, o que eu já havia contado a ele, então ele sabia que eu o entendia muito bem.

Cerrei meus punhos sobre a mesa e ele calmamente segurou minhas mãos fechadas.

— Já passou meu bem, não fique assim, por favor.

Seu tom gentil me acalmou um pouco e então ele prosseguiu.

— Anos depois recebi o testamento e os documentos dessa propriedade então tomei posse de vez e cerquei tudo aqui, consegui me distanciar da cidade e todo humano comum que chagava até as minhas cercas eu me livrava sem dó, até que um dia o que chegou aqui não era um humano comum era um ômega, ele era lindo e estava muito ferido, eu cuidei dele muito bem e enquanto ele se recuperava nós nos apaixonamos.

O olhar do Minho estava longe, ele parecia mesmo amar o ômega a quem se referia e por um momento me senti feliz por ele, e talvez com uma pontinha de ciúmes lá, no fundo, mas meus pensamentos rapidamente me fizeram entender...

Há dias estou aqui e não vi nenhum sinal de outro ômega, e também o Minho se referiu a ele no passado.

A curiosidade me dominava, mas calada eu estava e calada permaneci.

— Bom, vivi com ele por anos, eu o marquei como meu e nós éramos felizes, ele também me amava eu nunca tive dúvidas, mas um dia ele foi mortalmente atingido por caçadores em uma visita à cidade que ele fez para fazer compras, ele só teve tempo de chegar até a cerca, no mesmo ponto onde eu o encontrei na primeira vez e suas últimas palavras para mim foram:

“Não desista do amor Minho, quando você menos esperar ele virá até você e você o reconhecerá.”

— Eu não acreditei no meu marido, afinal, ele era o meu amor e não haveria outro, então depois disso encerrei de vez meu contato com a cidade por completo, ampliei minhas formas de sobreviver aqui e nunca mais voltei a cidade, nunca mais acolhi ninguém e todo caçador que se aproximou demais de mim eu matei sem dó.

Eu chorava copiosamente, acontece que eu já estava irremediavelmente apegada ao Minho, e dentro de mim tudo o que eu mais queria é que ele nunca tivesse perdido o seu ômega, ele merece muito ser feliz com o amor de sua vida e sua história me revoltou.

— Minho eu sinto muito... eu, e-eu...

Eu não sabia o que dizer, então eu me levantei e o abracei.

Sem pensar, só fiz e quando dei por mim ele me abraçava de volta com vontade, me apertava em seus braços como se ele se agarrasse a um bote salva-vidas e eu o senti chorar, senti suas lágrimas quentes contra a minha pele e eu o afaguei, eu acarinhava seus cabelos e ele foi parando aos poucos o seu choro, mas sem me soltar ou sequer relaxar seu aperto contra meu corpo.

— Minho você merece ser muito feliz, e acredite no seu marido, outro amor vai aparecer para você, em nada irá se comparar a ele, mas será tão bom e especial quanto, eu confio nele e no que ele te disse, então confie também por favor.

O alfa se afastou de mim e me encarou.

— Acontece que esse amor já veio até mim, eu já o reconheci antes mesmo de ter um contato direto, meu lobo já reconheceu, mas eu não sei se serei correspondido e isso está me matando.

O calor no meu corpo começou a aumentar consideravelmente, e de forma muito intensa quando notei...

Eu estava entrando no meu cio.

O momento não era nada oportuno, mas isso é algo do qual não temos controle nenhum então eu sei que ele me entenderia.

— Minho...

Ele se levantou e me colou ao corpo dele.

— Não pense em mais nada Jung, eu vou cuidar de você.

E assim que ele terminou sua fala me pegou no colo e subiu comigo, eu achei que ele me levaria ao meu quarto, mas não, ele me levou a outro onde eu ainda não havia entrado.

— Aqui será seu ninho, não teve como você o arrumar, mas fique tranquila, esse quarto nunca foi usado antes, será apenas seu.

Minha temperatura subia muito rapidamente e as dores costumeiras do cio começaram a me incomodar.

— Minho, não precisa fazer isso por mim, me deixe no meu quarto, me tranque nele e eu passarei meu cio por lá.

— Você ainda não entendeu não é Jung Akira?

O olhei confusa, tinha todos os meus sentidos embaralhados e o calor me tomando por completo.

— Não entendi?

— Sim, você não entendeu ômega, — sua voz estava mais firme e intensa, pude sentir seu lobo e estremeci em seus braços. — Ele estava certo afinal, você veio até mim, e eu a reconheci na mesma hora, meu lobo a reconheceu Jung, você é o amor que viria até mim Akira!

Ouvi-lo dizer aquelas coisas, ouvir seu tom se transformando em desejo e convicção, sentir o cheiro deliciosamente bom que vinha dele e o contato intenso do seu corpo com o meu me fez perder o resto de controle que eu tinha.

Então eu fiz, falei para ele tudo o que sentia naquele momento.

— Minho se você realmente quiser isso eu me entregarei a você de corpo, alma e coração, eu realmente vim até você e o meu lobo também o reconheceu, eu tive medo, mas esses últimos dias foram o suficiente para que eu o visse e o enxergasse bem e eu amei cada detalhe que vi sobre você então se me quiser, serei sua.

— Não tenha dúvidas minha linda, eu a quis assim que pus os olhos em você.

Ele veio para me dar um beijo e seu toque já era extremamente forte contra minha pele.

— Por favor Minho você pode me levar para o meu quarto? — ele me olhou confuso e eu continuei. — Vou querer arrumar muito bem o meu ninho para que no meu próximo cio meu alfa sinta orgulho de mim.

O sorriso dele era largo e novamente ele me pegou no colo.

— Está bem minha linda, como minha ômega preciosa quiser eu farei.

[...]

Trocamos de cômodo e a essa altura nem ele, nem eu raciocinávamos direito mais.

Nós dois nos cheirávamos de uma forma até primitiva se pode se dizer assim e tudo em mim gritava pelo alfa, e o melhor é que eu sentia o corpo dele gritando por mim também.

Trocamos selares quentes, minhas unhas arranhavam a pele dele e ele arqueava seu corpo deixando aquele lindo pescoço a mostra e eu avancei ali dando mordidas, selares e chupões e em resposta ele sorria com um semblante incrivelmente sexy e confesso que eu me perdi nele por completo.

Ele era um alfa perfeito, e eu estava nas nuvens.

Suas mãos desciam pela extensão do meu corpo deixando apertões firmes, alguns arranhões também e sem notar nós estávamos nos marcando, nos reafirmando como pertencentes um do outro, e a sensação daquilo era boa demais.

Eu nunca fui de outro homem antes e o Minho já havia notado isso.

— Você é minha Jung Akira, toda e somente minha.

Ele sussurrou em meu ouvido e eu mordi o lóbulo de sua orelha que estava próximo demais da minha boca.

— Sim, sou somente sua Lee Minho.

Ele uivou alto em direção à lua e eu segui seu uivo como a um comando.

[...]

Minho POV.

Agora que estou com ela em meus braços mal posso acreditar que a vida me deu mesmo uma nova chance de amar.

Tudo bem que estamos nos permitindo de uma forma mais primitiva, nossos lobos estão quase no controle de tudo, mas para mim isso só prova que ela é quem eu inconscientemente esperava.

Começo a remover peça por peça de sua roupa e os gemidos que ela solta em cada toque meu estão me enlouquecendo.

Preciso me segurar, não quero machucá-la, mas se continuarmos assim posso não manter meu lobo sob controle.

Notei que ela nunca havia sido tocada por outro homem e isso me fez querer ter ainda mais cuidado com ela, mas a forma como ela arranha minha pele, me morde, me lambe e me beija chega ser uma tremenda covardia.

Ela é minha e eu juro que cuidarei dela com a minha própria vida, não perderei meu amor mais uma vez, eu nunca a deixarei ir.

“— Sim, sou somente sua Lee Minho.”

A voz arrastada dela me confirmando isso me levou a perca total dos meus sentidos, e bem agora estamos os dois uivando para a lua.

Não há dúvidas, quando eu a atar a mim, eu irei marcá-la e daqui para frente seremos uma carne só, uma só alma ligada eternamente por nossos lobos.

Eu não consigo mais me segurar, eu preciso tomá-la para mim.

E é o que eu farei.

[...]

Jung POV.

Eu nunca me senti assim antes, é como se isso tudo realmente fosse para ser assim, eu não tenho dúvidas, meu lobo também não e bem agora estou uivando para a lua com o meu alfa.

Sinto que ele me marcará como sua, e eu sei que nada me fará mais feliz.

Paramos nossos uivos e nos encaramos, eu estou completamente exposta, desnuda e meu corpo arde como a chama mais quente.

Ele em algum momento também se despiu, mas minha lógica já não está acompanhando muito bem os fatos, acontece que se não nos controlarmos nossos lobos tomarão conta de tudo, mas essa é a minha primeira vez então me esforço ainda mais para ficar no comando e o Minho parece perceber.

— Se concentre em mim minha ômega, e una sua respiração a minha.

Ele falou firme e começamos a respirar com sincronia, nossos peitos subiam e desciam juntos e isso nos deixava ainda mais em contato um com o outro.

— Minho... — falei em um gemido arrastado e senti ele se arrepiar. — Eu não aguento mais, por favor alfa, cuide da sua ômega.

Ele pareceu amar me ouvi pedindo por ele e sem se demorar ele me penetrou.

Tivemos nossas preliminares, andamos por todo o corpo um do outro, mas agora não dava mais para mim eu precisava senti-lo e eu nem consigo descrever o que é ter o membro dele me preenchendo assim, eu estava tão molhada que ele deslizada facilmente para dentro de mim e assim que ele notou que eu já estava à vontade com tudo aquilo ele começou a intensificar suas estocadas.

— Porra... você é muito apertadinha, que delicia minha ômega é.

— Lino... — o chamei manhosa por um apelido e ele pareceu amar ainda mais nosso momento juntos. — Faz mais forte por favor...

— Você quer que eu te soque assim?

Ele começou a dar estocadas mais fundas em mim e foi aí que eu quase colapsei, eu delirava e chamava por ele e ele se dava com toda vontade para mim.

— Sim... assim... mais... por favor mais...

Eu estava uma grande bagunça e ele começou a mordiscar meus mamilos o que só aumentou meu prazer e por isso eu o apertei com força no meio de minhas pernas e as minhas paredes o sentia com exatidão.

— Caralho... isso é bom demais...

Eu sempre passei meus cios, trancada, fugindo e com medo, mas bem agora eu havia descoberto o que é ser uma ômega com um alfa para cuidar do seu cio e eu parecia flutuar entre nuvens.

O Minho tinha um vigor incrível e ao que parece ele aguentará ir longe assim, ele está me estocando com vontade e eu vou me roçando dele para intensificar ainda mais nosso contato íntimo e isso está me levando a loucura.

Eu estou quase gozando...

— Meu amor, eu vou marcá-la, vou me atar a você e te marcar.

— Está bem meu amor.

Estava feito, nós dois nos reconhecemos como o amor um do outro e agora estávamos acordados com o fato de eu me tornar definitivamente sua ômega.

Nos beijamos mais intensamente, ele parecia querer tirar um pouco da minha atenção para o que viria, mas assim que ele gozou dentro de mim seu gemido me fez estremecer e eu fui logo em seguida.

— Me dê o seu nó alfa.

Pedi a ele completamente ofegante e ele sorriu largo para mim e assim o fez.

Aquilo foi incomodo demais no começo, mas logo nos encaixamos perfeitamente e o pulsar dele dentro de mim ainda me dava um prazer enorme.

Não sei se era comum que fosse assim, mas a declaração dele me fez achar que não era.

— Você não é brincadeira mesmo hein minha ômega, sedenta... insaciável... do jeito que seu alfa adora.

Sorri para ele e apenas afastei meu pescoço esperando por sua marca definitiva e sem mais avisos ou rodeios ele me mordeu.

“Te ligo a mim de corpo e alma, nossos corações serão um só, agora você e eu somos um só”

O lobo dele falou bem dentro da minha mente e eu quase perdi meus sentidos, mas me segurei apenas para poder o responder.

“Me ligo a você de corpo e alma, nossos corações se pertencem, nos pertencemos agora e para sempre”

Me agarro a ele com minhas últimas forças, a mordida ardia e queimava muito, mas conforme o tempo ia passando a dor ia amenizando.

— Relaxe um pouco amor, isso ainda vai demorar um pouco.

Ele me beijou e eu o beijei de volta com todo meu amor e carinho.

— Obrigada por me reconhecer Lino.

— Não me agradeça meu amor, agora descanse um pouco, quando meu nó se desfizer darei um bom banho em você, buscarei algumas comidas para nós e ficaremos aqui até seu cio terminar.

— Não esquece os morangos com chantilly amor. — Falei já bem exausta, mas ainda o vi sorrir. — E me prometa que vai sorrir sempre Lino, seu sorriso é muito lindo.

Ele me deu vários selares e depois me encarou.

— Que bom que você veio mesmo até mim amor.

[...]

Aquele meu cio durou uma semana, e por toda aquela semana fui muito amada e bem cuidada, comemos muitos morangos e agora somos mesmo um, e no que depender de mim será assim para sempre.

Pode até ser que eu tenha vindo até ele, mas eu sei que ele também veio a mim assim como estava destinado a ser.