Imagine - stray kids
27 . Changbin (ABO) +18
Notas iniciais
MEU PEDIDO
(ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO).
Changbin POV.
Ontem à noite um dos meus amigos me perguntou o que eu queria de presente de aniversário e foi só aí que eu me liguei.
Meu aniversário está chegando, em menos de um mês é verdade, mas está, e eu estava totalmente alheio a esse fato.
Como pude me esquecer da data do meu próprio aniversário?
Deve ser pelos duzentos milhões de coisas em minha cabeça, mas bom, agora eu me lembrei e sinceramente eu não queria ter me lembrado.
Ultimamente aniversários para mim são bem tristes...
Eu não tenho com quem passar essa data, minha família está longe, pois eu me mudei de Seul a trabalho, e o mesmo vale para os meus amigos, o Seungmin, por exemplo, que foi quem me perguntou o que eu queria ganhar, fez isso em uma chamada de vídeo, estou longe de todos e não tem muito o que fazer.
Onde estou morando também não conheço muita gente, então é isso...
Será mais um aniversário estilo Seo Changbin, solitário!
Quando o dia chegar talvez eu vá a um barzinho e beba um pouco, mas nada muito além disso.
Em todo caso faltam alguns dias ainda, então quem sabe as coisas mudem e algo novo aconteça.
É o que espero? Talvez... pelo menos tempo para pensar no meu pedido de aniversário eu terei.
Mas por hora me deixe voltar a focar no meu trabalho, afinal, essa aula não vai se preparar sozinha e amanhã tenho o primeiro período todo de literatura na faculdade onde leciono, ainda bem que preparar aulas em uma cafeteria é prazeroso e a tarde está muito bonita, e eu acho isso tão inspirador.
[...]
Mais à noite do mesmo dia.
Estou correndo como louca, sim, eu estou fugindo de uns alfas idiotas que querem me colocar contra a minha vontade no bando deles.
Isso é um saco, a vida de uma ômega não tem valor algum por aqui, mas estou decidida, vou me esconder essa noite em algum lugar que eu encontrar e amanhã darei o fora daqui, não tenho quem me defenda deles, na verdade, não tenho ninguém e pelos meus pais eu já estaria nas mãos daquele bando nojento então fugirei deles também.
Sigo correndo, acho que despistei dois dos três alfas, porém torci meu tornozelo no processo e está doendo demais, mas eu ainda tenho um alfa atrás de mim e ele é forte, se ele me pegar estou perdida.
Vou virar na próxima esquina, tem alguns estabelecimentos naquela rua e eu posso me esconder por lá.
— Aí! Caramba! Não olha para onde anda não? Eu hein...
Bati em um alfa que por sorte não era o Rogger que é o alfa que está correndo atrás de mim, e isso me deixa aliviada, esse alfa em minha frente tem um cheiro forte e delicioso de chocolate e pimenta vermelha e fisicamente ele não tem nada a ver com o babaca.
— Hey calma aí... — O alfa fala me encarando — Foi você que veio louca e bateu em mim, está tudo bem? Você precisa de ajuda?
— Lá está a ômega fujona!
Ouvi a voz do Rogger se aproximando e me encolhi.
O alfa que estava em minha frente notou meu desespero, mas esperou por minha resposta.
— Alfa, estou em apuros sim, longa história, — falo o mais rápido que consigo. — Me tira daqui, por favor? Seu cheiro pode despistar o Rogger, eu juro que não vou ficar no seu pé, só me tira daqui, eu imploro.
A voz do que me perseguia ficou ainda mais próxima e eu entrei em pânico, o que provavelmente aumentou meu cheiro, fazendo o alfa em minha frente arregalar os olhos.
Acho que ele hesitou por alguns segundos, mas logo segurou em minha mão e começamos a correr juntos.
— Vem comigo, vou te proteger, mas saiba que assim que estiver segura vou querer saber sua história.
Não o respondi, com tanto que ele me tirasse do rastro do outro alfa eu lhe diria tudo que ele quisesse saber sem hesitar...
[...]
Pouco tempo depois entramos em um condomínio, o lugar era bem bonito e não muito longe de onde estávamos, havia segurança então me tranquilizei por hora, mesmo estando com um completo desconhecido.
— Boa noite, senhor Seo, aqui está sua correspondência. — O porteiro do lugar falou sorrindo para o alfa e agora eu sabia seu sobrenome.
— Obrigado Jin, vou subir, boa noite amigo.
— Boa noite senhor, senhorita.
O porteiro fez um aceno para mim e eu o respondi também acenando em sua direção e segui o alfa para dentro do condomínio.
Fomos até uma área comum e pegamos o elevador, subimos até o quarto andar e ele abriu a porta.
— Entre, fique à vontade.
Ou esse cara é muito confiante, ou é muito maluco mesmo, como assim ele vai colocando uma pessoa estranha dentro de sua casa sem nem demonstrar nenhum tipo de receio?
— Obrigada... — falo baixo e entro, de repente me sinto tímida em sua presença, acho que porque a adrenalina da fuga está passando.
Entramos e ele trancou a porta atrás de si.
— Sente-se, quer uma água? Um suco? Você está com fome?
— Não quero nada, estou bem assim...
— Não ômega, você não está bem.
— Hã? — perguntei incrédula.
— Seu cheiro, você está com medo, está assim desde que esbarrou em mim, precisa se acalmar, meu lobo quase me fez ir atrás de quem te perseguia para dar um fim nele.
Sorri largo com essa hipótese, nunca ninguém me defendeu, essa seria a primeira vez e sinceramente? Eu ia adorar ver o Rogger levando uma surra desse alfa que agora parando para olhar é muito forte e bem bonito.
— Me desculpe se meu cheiro o incomoda, vou tentar controlar isso.
Ele piscou rapidamente algumas vezes como quem tenta alinhar seus pensamentos.
— Desde quando o cheiro delicioso de abacaxi e sálvia incomoda alguém ômega? — Ele fez sinal para que eu me sentasse de uma vez e eu me sentei, e ele logo veio até mim estendendo sua mão em minha direção. — Seo Changbin, muito prazer, e você quem é?
— Ae-Moon, — Falo meu nome meio sem jeito, e o alfa segue me encarando. — E obrigada Seo, por me ajudar.
O alfa seguia me encarando, e isso estava me desconcertando.
— Ae-Moon, lua amada, lua adorada, lua respeitada...
Ele foi falando o significado do meu nome enquanto colocava seus óculos e buscando o que acredito ser um livro em sua estante, onde havia inúmeros livros, e eu me peguei pensando que amaria poder ler a todos eles.
Assim que ele achou o que procurava ele pegou algo que parecia mais um caderno de anotações, então ele e o abriu e se virando novamente para mim pôs-se a ler.
— “Brandos raios da lua, misterioso e benéfico planeta, que adormenta as paixões violentas, que derrama eflúvios de paz sobre a face da natureza, e coa nos corações o bálsamo de meigas e suaves emoções.” *
— Que lindo...
Falo o encarando, e quando ele pousa seu olhar em mim ele sorri. Nunca vi um alfa sorrir tão abertamente assim e isso estava me deixando sem jeito.
— Lindo como o seu nome, — Ele fala fechando seu caderno — Desculpe meu devaneio, mas é que sou um verdadeiro amante da lua e de tudo que a envolve, e confesso seu nome dito a mim diante dessa noite bela me inspirou, então quis ler esse trecho para você ouvir.
De fato, a janela do apartamento dele entregava uma belíssima noite para nós e ouvi-lo foi algo inusitadamente bom para mim.
— Tudo bem, não se desculpe, eu amei o ouvir.
— Que bom, fico feliz, o que me leva a lembrar que alguém aqui precisa me contar o que houve mais cedo.
Me encolho um pouco, estava irremediavelmente tímida na presença desse alfa, o que não era nada comum, pois alfas me enojavam por serem sempre escrotos comigo, mas esse não, esse era diferente até no jeito de me olhar.
— Ah sim, tem isso... — ele sorriu ou me ouvir e sentou-se ao meu lado.
— Sou todo ouvidos, e depois veremos o que podemos fazer por você.
Aceno que sim com a cabeça já imaginando que por ele ser um alfa ele acharia meus motivos chulos e me poria para fora assim que eu terminasse de lhe contar tudo.
— Certo, Bom Seo...
— Changbin, por favor, me chame apenas de Changbin.
Hesitei por um instante devido às regras de tratamento, mas se ele mesmo me pediu por isso eu não tinha muito o que fazer.
— Okay, então Changbin, eu estava fugindo de um alfa chamado Rogger como disse, ele é de um bando muito renomado aqui de Incheon até por que não existem mais tantos bandos assim, enfim, eu fugia porque eles me querem como ômega em seu bando, só que eles vêm ômegas apenas como alguém para reproduzir entende? E eu não quero isso para mim, não é o que eu sempre sonhei...
— E o que você sempre sonhou Moon?
A pergunta dele me fez torcer um pouco o canto do lábio e ele seguia me encarando nos olhos.
— Sou uma grande tola Changbin, sei que não posso sonhar com um amor, mas sonho, quero ter alguém que me complemente, ande comigo lado a lado, que seja meu parceiro assim como eu seria uma parceira para ele, não acredito em sexo apenas por reprodução e eu decidi que já que não terei isso vou viver sozinha, por isso amanhã mesmo fugirei daqui.
Ele me ouvia atento.
— E para onde você vai?
— Seul? Busan? Sei lá, qualquer lugar que não seja Incheon já está ótimo.
— Entendo... e você vai como? Não está carregando nada consigo, deve ter fugido sem um plano.
— É, foi isso, o Rogger e os alfas tentaram me marcar e me ter a força e tudo que era meu ficou com eles, estou só com minha carteira com documentos e é assim que vou dar no pé, acho que consigo comprar passagem no terminal rodoviário e pronto! Adeus Incheon.
— Entendi, mas essa noite você ainda fica por aqui?
— Sim, inclusive... — Me levanto me preparando para sair. — Acho que já posso andar sozinha por aí, o Rogger não deve estar mais na minha cola, então Changbin, eu já vou, obrigada por me ajudar, mas não vou mais abusar de sua boa vontade.
Mal falei e vi os olhos dele brilharem um amarelo intenso, mas ele logo se recompôs e seus olhos voltaram ao normal.
— Nada disso Moon, vamos jantar e hoje você dorme aqui, amanhã eu te levo no terminal e só saio do seu lado quando você ir.
— Não precisa Changbin, é sério, eu estou bem e... — Agora com meu corpo frio, senti o tornozelo que eu havia torcido mais cedo doer intensamente e fechei os olhos para suportar a dor. — Droga!
O Changbin veio ao meu socorro tão rápido que nem deu tempo de eu me desequilibrar e cair.
— O que foi Moon? Você está bem?
— Estou bem sim, só o meu tornozelo que não está.
— Sente-se aqui, deixe-me ver isso.
Sentei e ele calmamente tirou meu tênis e depois minha meia.
— Aí... — O toque do alfa em meu tornozelo inchado doeu mais do que eu estava esperando.
— Moon, isso está muito inchado, se antes você já não ia, agora mesmo é que não vou deixá-la ir.
Ele mexeu meu pé para um lado e para o outro e eu juro que vi estrelas pela dor que senti.
— Meu deus, pare com isso, Changbin, está doendo!
— Não seja reclamona, estou vendo se não quebrou nada e para sua sorte parece que não, mas luxou, e isso não vai melhorar da noite para o dia.
— Você é médico por acaso?
— Já fui professor de Educação física e socorri muitos alunos na mesma situação, meu amigo médico que me ensinou a reconhecer luxações para facilitar na escola onde eu lecionava.
— Ah, e agora você faz o quê?
— Ainda professor, mas agora de literatura, sou mais um pesquisador, na verdade, e almejo ser escritor, mas enquanto isso não acontece leciono na universidade daqui para sobreviver.
— Impressionante...
— Ah, é? Acha mesmo?
— Sim, eu queria ter feito faculdade, mas não tínhamos dinheiro, e esse é um dos motivos que fez meus pais praticamente me venderem para o clã do Rogger, dinheiro...
— Sinto muito Moon.
— Tá tudo bem Changbin...
Sorrio para ele que acaba sorrindo para mim de volta e eu me pego pensando que o sorriso dele é encantador.
— Bom, você vai tomar um banho, ainda dá para sentir alguns dos cheiros deles em você e isso está deixando meu lobo louco, enquanto isso pedirei algo para jantarmos.
— Changbin, não se incomode por favor, o banho eu tomo, até por que eu também estou sentindo o cheiro daqueles babacas e o meu lobo está incomodado, mas não precisa pedir comida, você estava na rua dos comércios, duvido que não comeu nada por lá.
— Eu estava preparando minha aula de amanhã, estava na cafeteria, então, sim, eu tomei café, mas não comi nada, não se preocupe, não vou pedir só por sua causa.
O encarei e ele sorriu mais uma vez.
— Tá bom, vou acreditar em você.
— Certo, sua marrentinha, agora venha vou ajudá-la a ir até o banheiro.
Ele se pôs de pé e eu me apoiei nele como pude, notando que ele era muito forte, corpulento e cheio de músculos, o que deve ser um reflexo de sua fase como professor de educação física, sei lá eu só chutei essa hipótese até porque preciso me concentrar, pois o cheiro dele de perto é muito mais intenso e meu lobo está ficando manhoso.
Quando estou finalmente bem encaixada nele consigo sentir ainda mais seu cheiro...
Pera aí, ele é um alfa puro? O cheiro de pimenta dele é muito acentuado, uma delícia, misturado ao de chocolate, mas os tons fortes no cheiro dele são inconfundíveis, então acabo me descuidando e falo sem pensar.
— Você é um lúpus Changbin?
— Ah, você notou... — Ele respondeu meio sem jeito — Sim, sou um lúpus, mas por favor não se assuste, eu prometo que não lhe farei mal algum.
Ele me deixou no banheiro e foi pegar roupas e toalha para mim e não demorou muito ele voltou com tudo.
— Fique à vontade, até daqui a pouco.
— Obrigada mais uma vez.
Ele saiu e eu fechei a porta.
Estou surpresa, eu nunca me senti tão bem perto de um alfa antes, e descobrir que ele é um lúpus... que loucura, isso sim, foi uma grande surpresa.
[...]
Changbin Pov.
No começo eu só a estava ajudando, mas agora sinto que preciso estar com ela, cuidar, proteger, e isso está gritando dentro de mim.
Não sei o que faria se ela não estivesse com o tornozelo luxado, ela iria embora e eu teria que deixar, não posso agir como um alfa maluco, mas confesso que meu lobo está completamente inquieto com tudo isso.
Me senti ligado a ela desde nosso encontro desastroso mais cedo e o cheiro dela é deliciosamente perfeito para mim e todos os meus instintos estão gritando dentro de mim como se seu cheiro já me dominasse por completo.
E agora o que eu farei?
Me sinto estranho, não posso pedir a ela que fique, nós nem nos conhecemos.
Se acalme lobo, ela ficará só essa noite, amanhã vamos ajudá-la como prometi, e ela irá embora.
Me sinto um tolo lembrando de uma frase que li uma vez que dizia:
“A lua é o mais hábil e o mais rápido dos cenógrafos. Com um toque, muda a decoração toda.” *
É isso que a Ae-Moon está fazendo aqui? Mudando toda a minha vida de lugar, assim como tudo dentro de mim, sem a minha permissão?
Bom, deixe-me pedir nosso jantar e preparar gelo e remédio para o tornozelo dela.
[...]
Uns dias depois.
— Já de pé Moon? Está cedo não acha? — O Changbin estava parado na porta da cozinha me encarando com seus cabelos desgrenhados e seus óculos que o deixa ainda mais charmoso.
— Eu estava sem sono, você logo sairá para dar aula, então vim fazer o café.
— Certo, mas eu já disse que não é para você ficar fazendo as coisas, eu me viro, sempre me virei.
— Eu sei seu chato, mas também não me custa nada, você me obrigou a ficar aqui e eu aceitei, então é o mínimo não acha?
— Se você aceitou, eu não a obriguei, então não fale bobagens.
Sorri para o alfa, ele às vezes era literal demais.
— Estou brincando seu tonto.
— Tá... e o que você fez aí? Tô com fome...
— Vem, senta e come, eu vou sair.
— Não vai tomar o café comigo?
— Claro que não Changbin, vou a uma entrevista de emprego lembra?
— Lembro sim.
Ele falou fazendo um bico enorme, a condição que impus para ficar era que eu arrumaria um emprego e ele não se opôs, mas mesmo assim ele fazia manha, o alfa era um manhoso, fofo, mas de fato muito manhoso às vezes.
— Bom seu bicudo, vou indo nessa, coma direitinho e bom dia.
Falo, pego minhas coisas se saio dali.
— Bom dia Moon, e boa sorte na entrevista... — Ele me olha e estende suas mãos no ar já com seus punhos cerrados — Fighting!
— Obrigada! Fighting!
[...]
No dia seguinte do incidente que fez com que nos conhecêssemos, ele me levou mesmo no terminal rodoviário como havia me prometido, estava nítido que a contra gosto, mas ele cumpriu sua promessa e eu até teria ido embora mesmo se algumas coisas não tivessem me impedido.
Uma delas foi o meu lobo, o Changbin não sabe, mas meu lobo o deseja intensamente, eu estou na merda, pois é claro que um alfa como ele vai querer se envolver com uma ômega de sua altura e não com uma pé rapada zé ninguém como eu.
A outra foi a presença dos alfas que me perseguiram até a rodoviária, eles quase pegaram a gente e o louco do Changbin queria enfrentar eles, maluco, eu morri de medo e o impedi, mas ele estava firme e por ele o enfrentamento aconteceria ali mesmo.
Eu sei que por ele ser um alfa puro ele acabaria fácil com os outros, mas eu não o quero em encrenca por minha causa, então eu o impedi e fugimos de lá.
E o último detalhe que me impediu de ir; eu estou apaixonada por ele.
Não é só o meu lobo, não é só os meus instintos desejando o alfa para ser meu, eu me apaixonei por ele quando ele leu aquela linda frase sobre a lua para mim na minha primeira noite em sua casa.
Ele ouviu meu nome e quis que eu o ouvisse falar sobre a lua, aquilo foi lindo e me cativou, e depois disso tê-lo cuidando do meu tornozelo, colocando bolsa de gelo, passando pomadas e fazendo massagens, me emprestando suas roupas que mesmo limpas levavam seu cheiro maravilhoso, enfim, ele estava cuidando de mim e isso me fez baixar a guarda e quando eu vi...
Estava apaixonada.
Nunca falarei isso para ele, meu plano é arrumar um emprego e sair de sua casa, e é o que farei assim que eu conseguir.
Ele não quer que eu fique saindo sozinha, mas eu sei bem me cuidar e sempre que saio uso inibidores de cheiro, então os alfas que estão atrás de mim não me rastrearão tão facilmente.
Pelo menos é o que espero, e se preciso for usarei inibidores para sempre, assim eles nunca mais me acharão.
[...]
A entrevista foi incrível, ganhei a vaga, e começo amanhã, vou trabalhar na cafeteria onde o Changbin adora passar a tarde preparando suas aulas, o bom disso é que voltaremos juntos para casa enquanto eu ainda estiver com ele.
Mandei uma mensagem para ele falando que consegui a vaga e ele me respondeu quase imediatamente com um “Parabéns doce Moon”.
Ele me chama assim às vezes, doce Moon, é fofo.
— Olha só quem eu encontrei... — Meu corpo travou por inteiro e eu senti a minha pele se arrepiar. — Ae-Moon, você está usando inibidores? O que eu te falei sobre isso em ômega? Isso atrapalha meu tesão por você.
O Rogger já estava irremediavelmente próximo a mim e eu comecei a tremer.
— Me deixa em paz, Rogger, eu juro que vou gritar.
— Grita ômega, quem vai salvar você agora? O alfa grandão? Ele não está aqui está? — Ele segura meu rosto com força e uma lágrima cai sem que eu sinta — Não... ele não está, e agora você nunca mais irá vê-lo.
— Me solta Rogger! Me solta seu boçal!
Chuto ele bem no meio de suas pernas o acertando em cheio e ele urra de dor, aproveito e começo a correr, mas não consigo ir muito longe, pois fui pega pelos outros alfas que também estavam ali.
Claro que estariam, sou uma tola em achar que fugiria assim facilmente.
— A vadia me chutou! — Ele veio até mim e desferiu um forte tapa em meu rosto e na mesma hora senti gosto de ferro em minha boca, eu estava sangrando. — Eu até pensei em tentar ser menos instintos com você, você é gostosinha, valeria o esforço, mas você me irritou Moon, então agora você será só mais um buraco de sêmen para o bando.
Começo a chorar ainda mais e eles começam a colocar suas mãos por todo meu corpo sem respeito nenhum e eu só consigo pensar no Changbin quando ouço algo que mal consigo acreditar.
— Larguem ela agora mesmo, e eu não vou falar de novo.
Era a voz do meu salvador, o Changbin, mas como?
Momentos antes.
Changbin Pov.
Recebi uma mensagem da Moon falando que a vaga era dela e delirei de alegria, acontece que desde o dia que ela se chocou contra meu corpo que não só o meu lobo, como eu também a quero para mim.
O jeitinho que ela me olha, principalmente quando leio para ela em nossa nova rotina costumeira, o tom engraçado que ela usa comigo por estar à vontade ao meu lado, enfim tudo isso mais o fato dela ter se aberto para mim de forma tão simples, sem medo de me mostrar o seu lado mais sentimental quando disse o que espera de um amor... enfim...
Tudo nela me atrai, tem uma citação que eu adoro onde diz que a “Lua é o vício da noite” * e eu posso dizer sem medo de errar que a Moon se tornou o meu vício.
Respondo à mensagem dela e decido ir a seu encontro, minha turma hoje estará em palestras sobre estágios o dia todo então eu saí, comprei chocolates para ela, pois desde que falamos sobre nossos cheiros ela diz amar o meu, pois é uma chocólatra incorrigível e agora vou encontrá-la e parabenizá-la como se deve, com deliciosos chocolates belgas.
Entro em uma rua conhecida e o que vejo faz meu lobo uivar em alerta.
Aquele bando maldito de alfas escrotos encurralou a Moon...
A minha Moon!
Eu não deixarei que a machuquem, mas o que estou vendo está mexendo demais com meu lobo, ele quer me transformar, mas isso é perigoso demais, se eu tomar minha forma animal poderei matar todos os alfas, ou pior, eu poderia machucar a Moon.
Me aproximo e dou meu aviso, usando minha voz de lobo para que eles entendam que sou um lúpus.
“— Larguem ela agora mesmo, e eu não vou falar de novo.”
Noto que os outros alfas reconhecem minha posição de lúpus e hesitam em continuar ali, mas o tal do Rogger parece querer brigar.
— Então você é o alfa que tá comendo essa aí?
Respiro fundo, estou por um triz de voar na cara dele.
— Solta ela agora Rogger ou eu juro que mato todos vocês.
— Vai nos matar? Por que é um lúpus? — Ele solta uma gargalhada desaforada e eu começo a sentir meu corpo queimar, se eu não me controlar acabarei me transformando e eu não quero assustá-la. — Mas você não passa de um nerd boboca, um lúpus professor de literatura? Tenha dó...
— Vai pagar para ver? — eu mal me controlava e o uso da minha voz de lobo saiu mais intensamente fazendo com que eles se encolhessem.
— Rogger, deixa ela para ele, vamos embora, ela não vale tanto assim.
Olhei de relance para o alfa que disse aquilo e ele choramingou.
— Não! Ela será minha e de mais ninguém, vou fodê-la até que ela fique mole e aí a foderei de novo e de novo e quando ela estiver desmaiando vou trepar com ela mais uma ve...
Não deixei que ele terminasse sua frase, acho até que o deixei falar tempo demais, e o soco que dei nele fez sua cabeça ser jogada para trás em um movimento brusco o fazendo cair no chão e quando me viro para os que estão segurando a Moon eles olham nos meus olhos que com certeza estão em seu amarelo mais brilhante e a soltam, fugindo em seguida correndo sem olhar para trás.
— E aí Rogger, qual vai ser? Você quer mesmo essa briga? Porque se quiser, será um prazer para mim acabar com você.
O alfa se levanta e me encara com ódio.
— Você a quer tanto assim? Então fique com ela. — Ele cuspiu no chão e saiu muito sangue. — Cansei dessa vadia.
Dou mais um soco nele, não vou deixá-lo ofendê-la assim.
— Aproveite quando chegar em casa e pesquise sobre a família de lúpus Seo em Seul, e tome isso como um aviso, nós ficaremos vivendo aqui em Incheon pelo tempo que quisermos, e se eu os vir por perto, seja por qual motivo for, vocês estão mortos, todos, sem exceção.
Os olhos do Rogger se arregalaram, e se foi pelo que achei que fosse, ele já deve ter ouvido falar de quem são os Lúpus Seo de Seul, e eu tenho certeza que ele não irá se atrever com a Moon e comigo nunca mais.
— Desculpe senhor Seo, nunca mais entraremos em seu caminho.
— Vaza, e nem olhe para a Moon.
Ele se foi e aquela foi a última vez que vimos o Rogger ou qualquer um de seu bando.
[...]
Uma semana depois (semana do aniversário do Changbin).
Chamada de vídeo do Changbin com o Seungmin.
“— Binnie, seu aniversário cairá em um domingo.
— Eu sei disso Minnie, e você já me falou isso umas trezentas mil vezes...
— Exagerado..., mas sim, eu disse, e vou falar de novo, domingo agora Binnie, venha para Seul na sexta à noite depois de sua aula, passamos o sábado juntos comemoramos no sábado à noite, meia-noite você entra para o meu bando finalmente e bebemos até amanhecer, o Channie falou que vai amar comemorar assim com você não é amor?
— É sim! — O alfa namorado do Minnie apareceu na tela rapidamente, sorrindo com aquelas covinhas fofas. — Vem Binnie? Vamos comemorar, se não quiser entrar no nosso bando eu vou entender, afinal você está apaixonado pela tal de Moon que ainda não vimos, não é? Então venha e traga ela também, o Minnie não vai morrer de ciúmes eu juro.
— Vocês são dois bobos sabiam?
— Eu sempre falo isso para eles. — O Lino gritou sei lá eu de onde, e eu sorri.
— Oi, Lino.
— Fala aniversariante!
— Parem de falar nisso, está bem? A Moon ainda não chegou, mas pode chegar a qualquer momento e ela não sabe que meu aniversário está chegando e eu quero que permaneça assim.
— Deixa de ser bobo Changbinnie, — O Hyunjin apareceu abraçando o Lino por trás e eu sorri. — Ela precisa saber, para te dar presente.
— O Jinnie tem razão! — Agora o bando estava completo, entrou no quarto o Innie que foi quem falou, acompanhado do Hannie e do Lixie.
— Eu acho que odeio vocês...
— E eu acho que você é bobo em não se declarar de uma vez para a Moon, eu duvido que ela também não goste de você
— Lixie, nós já falamos sobre isso...
— Nem vem Binnie, domingo é seu aniversário cara, já que tu não vem, faça algo legal com ela e isso é uma ordem!”
Nesse momento ouço a porta sendo destrancada, então decido finalizar a ligação.
“— Não sei Hannie, mas vou pensar, eu prometo, mas agora me deixem ir, a Moon chegou e eu ainda não quero vocês babando nela.
— Ciumento! Vai lá Binnie e não esquece, você pode vir sexta à noite, e pode trazer sua namorada...
— Minnie, eu vou te bater tanto quando a gente se encontrar.
— Por favor, me bate mesmo, eu gosto, e você sabe...
— Já chega! Tchau bando de otários!
— Tchaaaaaaauuuuuuuuuuhhhh.”
Desligo a chamada sorrindo, eles são um caos, mas eu amo demais os meus amigos.
— Moon? Já chegou meu doce?
— Já sim, Binnie, vou tomar um banho, pede pizza para a gente?
— Pizza de novo senhorita Moon?
Ela coloca a cabeça na porta do meu quarto com o sorriso mais lindo do mundo.
— Vai Binnie por favorzinho!!!
— Tá, tá bom, sua chata, vai lá, hoje vamos continuar com a leitura.
— Eba! Obrigada Binnie, até logo!
[...]
Moon Pov.
Acho que consegui, O Changbin não notou que eu já havia chegado a um tempinho.
Eu estava mesmo indo pedir para ele pedir pizza para nós quando sem querer ouvi seus amigos falando que domingo agora é o aniversário dele.
E foi aí que tive uma ideia...
Seungmin Instagram.
“Oi, desculpe te enviar uma mensagem assim do nada, Me chamo Ae-Moon e estou morando com o Changbin, ele me salvou e eu sou extremamente grata a ele.
Sem querer ouvi um pouco da conversa de vocês onde você o chamou para ir para Seul comemorar o aniversário dele, ouvi que ele se negou então tive uma ideia...
Por que você e seu bando não vem para Incheon e fazemos uma festa surpresa para ele?
Se você quiser me chame e acertamos tudo, o Changbin adora vocês, seria muito legal se conseguíssemos fazer isso por ele.
Meu número: (XX) XXXXX – XXXX
Me chame se gostar da ideia, e mais uma vez me desculpe pelo atrevimento.”
Enviei a mensagem para o melhor amigo dele e aguardei, tomei meu banho e fui ficar com o Binnie que lia para mim os rascunhos que ele estava desenvolvendo para um livro que ele queria publicar.
Eu amava o ouvir, era sempre lindo ver como ele colocava sua alma em tudo que fazia, de uma aula simples as suas profundas pesquisas ou sua escrita envolvente, tudo nele era intenso e eu era sempre atraída para o seu mundo.
— Hey doce Moon, tá aí? — Ele me chamou acenando com sua mão em frente ao meu rosto.
— Claro que estou Binnie, continue a leitura por favor, eu amo ouvir sua voz...
Falei sem pensar e ele sorriu.
— Está cansada? Vem, deite-se em mim, vou continuar a leitura.
Aquela cena já era algo costumeiro entre nós, final do dia, ele sentado confortavelmente no sofá com sua perna cruzada e seu braço estendido para que eu me encaixasse bem nele, e eu de costas deitada sobre seu corpo másculo, com minha cabeça recostada em seu ombro e meu corpo todo amparado nele e aquela cena é a mais pura perfeição que apenas fica ainda mais completa quando ele começa a ler para mim, pois é quando fecho os meus olhos e me deixo levar por sua voz forte e doce que bem agora lia mais uma parte de suas maravilhosas ideias:
“— O que seria do meu triste luar sem a luz da lua para me afagar, me perco em sua imensidão desejando desesperadamente a alcançar, mas como um simples homem poderia ir tão longe?
Essa é a resposta que preciso urgentemente encontrar, antes que o dia amanheça levando consigo o amor que tanto anseio conquistar.”
Me sinto perdida e irremediavelmente envolvida por tudo que vem do Changbin.
Será que é verdade que ele gosta de mim como seus amigos disseram?
Não, não posso nem pensar nisso, eu ouvi como ele cortou o Felix e não quero arriscar confundir tudo e o perder para sempre.
Um tempo se passou comigo devaneando ao som da voz dele.
— Pequena...?
— Hum...? — Olho para ele e ele faz um carinho no meu rosto.
— Por hoje é só, precisamos ir dormir.
— Mais já? Você podia continuar lendo até eu dormir né?
Ele me olha mais atentamente e sorri para mim.
— Tá ficando mal acostumada doce Moon, vem, vamos dormir, você precisa descansar.
A fala dele me deu um aperto no peito, sim, Ae-Moon, você está ficando muito mal acostumada com algo que definitivamente só existe em sua cabecinha maluca.
— Desculpe Changbin, e-eu... — Me levanto rapidamente e o reverencio. — Você tem razão, eu preciso mesmo ir dormir, boa noite alfa.
Saio o mais depressa que posso da sala e o ouço me chamando.
— Hey pequena, por que sair correndo assim? O que eu fiz? E meu beijo de boa noite? Moon, volta aqui...
Entro no quarto e tranco a porta, e sem entender muito bem o porquê me ponho a chorar, meu peito aperta e minha respiração fica descompassada.
— Eu te amo Changbin, e você não tem culpa disso, me desculpe confundir tudo assim, eu vou dar um jeito nisso.
Falo baixinho entre lágrimas quentes que caem por todos os lados do meu rosto e tomo minha decisão.
Me jogo na cama e dou uma última olhada no meu celular vendo que o Seungmin me mandou uma mensagem.
Número desconhecido:
“Oi, Moon, Minnie aqui, salve meu número.
Adorei sua ideia, falei com os meninos e topamos, sexta à noite chegamos aí em Incheon, vamos arrumar tudo e festejar no sábado à noite? Precisaremos voltar no domingo de manhã, então não poderemos ficar com ele no domingo.
Ah, e não peça desculpas, eu amei você ter me chamado, o Binnie merece ter quem queira o ver feliz ao lado dele.
Até mais Moon.”
Sorrio fraco ao terminar de ler e salvo o número do Seungmin. Esse será o meu presente para o Binnie.
Recebo mais uma mensagem e a leio, era do Binnie e meu coração se aperta.
Binnie:
Pequena o que houve?
Eu chateei você? Se sim, me desculpe, não era minha intenção.
Se quiser posso ir ler para você até você dormir...
A real é que eu já ia fazer isso, mas você fugiu...
A verdade é que o Changbin não fez nada de mais, só a minha ficha que caiu me levando a realidade das coisas e tudo isso me doeu, então o respondo o mais normal possível.
Me:
Relaxa Binnie, não foi nada.
E você tinha razão, está tarde e pegarei o turno da manhã na cafeteria, então mais uma vez você apenas cuidou de mim.
Obrigada por isso, e boa noite.
Durma bem.
Coloco meu celular para carregar e tento pegar no sono, mas minha mente não ajuda muito.
Essa noite será longa.
[...]
No dia seguinte deixei o café pronto para ele e sai antes que ele acordasse, tenho muitas coisas para resolver hoje antes de encontrar os amigos do Binnie.
[...]
Sexta à noite.
— Aí está você, a famosa Moon! — O seungmin fala com um sorriso no rosto e assim estão os demais, sorrindo também.
— Olá, meninos, é um prazer os conhecer finalmente.
— O prazer é todo nosso Moon, sou o Bang Chan e bom, você já sabe quem somos né?
Sorri tímida enquanto apertava a mão dele.
— Sim Bang Chan, o Binnie sempre fala muito de seus amigos, então eu já sei quem são todos vocês.
— Ótimo, então vamos acertar tudo?
— Sim, vamos.
Acabamos decidindo que eu sairia com o Binnie no sábado à tarde e deixaria minha chave na portaria, então eles entram, arrumam tudo e me avisam para eu voltar com o Binnie e fazer a surpresa, e hoje eles vão dormir em um hotel.
Eu adorei os conhecer, eles são muito divertidos e simpáticos, bem a cara do Binnie mesmo.
— Bom, vou nessa, senão o Binnie vai me encher de perguntas e eu não sou boa em mentir.
— Só vejo qualidades... — O Hyunjin falou e eu sorri para ele.
— Tchau meninos, se precisarem de algo me avisem.
— Tchau Moon, pode deixar.
[...]
O resto da noite com o Binnie foi o mais normal possível, me esforcei para não dar bandeira e bem agora ele lia para mim.
“— Se me perguntassem o que mais desejo, diria em resposta que seria que a lua pudesse me ouvir de fato, que me enxergasse despido de tudo para então entender o quanto eu a amo...”
Em nossa primeira noite juntos ele me falou pelo seu amor por tudo que envolve a lua, mas sempre que eu o ouvia eu ignorava o astro luminoso e desejava que fosse sobre mim que ele fala em seus rascunhos.
Mas eu sei que é impossível que isso seja verdade, pois ele me disse que escreve esse livro há muito tempo, então ele nem me conhecia quando escreveu aquelas belíssimas palavras.
— Binnie acho que vou nessa, estou cansadinha e amanhã vamos ao cinema, não esquece tá?
— Mas nós só vamos à tarde doce Moon.
— Vamos almoçar fora antes Binnie, já esqueceu?
— Ah, é...
— Cabeça de vento assim nem sei como escreve tão bem, — Ele faz uma carinha fofa em minha direção e eu sorrio boba para ele. — Então é isso, eu quero dormir bem, então vou indo tá?
— Tá bom né, fazer o quê?
— Vá dormir você também, amanhã o dia será longo e não quero ninguém reclamando comigo depois. — Dou um selar em sua testa. — Boa noite, urso.
Às vezes eu o chamava assim.
— Boa noite, pequena.
[...]
No dia seguinte tudo correu muito perfeitamente, eu havia preparado tudo para o meu plano pessoal e os meninos arrumaram tudo para a festinha surpresa, o Binnie e eu nos divertimos muito e agora, já estava tarde, o Minnie me avisou que estava tudo certo e estamos voltando para a casa.
Subimos ainda discutindo sobre Deadpool e Wolverine, o filme foi incrível e nós dois amamos o tanto de referências que teve e quando chegamos na porta dei um jeito de fazer com que ele a abrisse para que ele não notasse que eu estava sem a minha chave.
Ele abriu, acendeu a luz e...
— Surpesaaaaa!
O Lino acabou gritando na frente dos demais e todos caíram na gargalhada!
— Meu deus, o que vocês estão fazendo aqui?
Ele estava nitidamente assustado e eu imaginei que era porque ele não queria que eu soubesse do seu aniversário.
Mas o rostinho de alegria dele era impagável.
— Viemos comemorar o aniversário do nosso melhor amigo, oras.
O Seungmin falou correndo para abraçar o Binnie e eu sorri com a bela cena.
— Mas meu aniversário é só amanhã, Minnie.
— Na verdade, alfa rabugento é daqui a menos de duas horas, então vamos comer, beber e meia-noite cantamos os parabéns.
— Vocês não existem mesmo...
— Agradeça a Moon, a ideia toda foi dela.
O Binnie me encarou e eu sorri acenando para ele, um tanto tímida, mas mantendo a cara de inocente.
— Pequena, muito obrigado, isso foi o melhor presente de todos, não pela festa, mas pelos meus amigos, eu estava morrendo de saudade deles.
— Eu sei Binnie, você sempre fala isso, então...
— Mas vem cá, como você descobriu que era meu aniversário?
— Isso é segredo, urso! Agora vamos começar a festa!
[...]
Estávamos nos divertindo muito, esse bando é incrível e eu adorei conhecê-los de perto, e o Changbin parecia estar radiante, o que me fez sentir feliz e completa.
— Um minuto para meia-noite! — O Felix fala todo animado.
— Acendam as velas do bolo do hyung. — O I.N fala sorrindo bobo.
— Três, dois um! — O Bang Chan conta e começamos a cantar.
— ... E para o Binnie nada! — O Lino grita todo empolhado.
— TUDO! — Respondemos em uníssono.
— Então como é que é? — O Hyunjin pergunta.
— É...
— Binnie, Binnie, Binnie... UHUUUUL!!!
— Faz um pedido amigo!
O Seungmin fala e o Binnie fecha seus olhos, para por um instante e em seguida apaga as velas.
— Vivaah!!! — O Han finaliza e todos batemos palmas.
— Obrigado a todos vocês.
— E o que foi que você pediu hein Binnie? — O Hyunjin pergunta e deixa o Changbin todo vermelho.
— Se eu contar não realiza Jinnie, e eu preciso que esse pedido se realize.
Todos soltam um longo e sonoro “huuuuuuum” e as risadas tomam a sala do alfa.
[...]
A comemoração está rolando, eles estão cantando no karaokê empolgadíssimos e eu sinto que chegou minha deixa.
Vou até o quarto, pego o presente que fiz para o Binnie, a carta que escrevi e deixo em cima da cama dele, volto, pego minhas coisas e sem que eles notem vou embora.
Sei que pode parecer maldade minha, mas escolhi esse momento, pois se por acaso ele ficasse mal com a minha decisão os amigos dele estariam ao seu lado e eu expliquei isso na carta que fiz.
Eu o amo demais, e não consigo mais fingir que não, porém, eu soube assim que descobri que a família dele era muito importante que eu jamais teria chances com ele, então é melhor eu ir embora de sua vida de uma vez.
E não, eu não tenho forças para me despedir, e sei que se eu o fizesse perderia a coragem de ir embora.
Na sexta eu pedi demissão do café, comprei uma passagem para Seul e vou ficar na rodoviária essa noite, partirei de manhã.
[...]
Changbin POV.
— Gente, cadê a Moon?
— Não sei Binnie, deve estar no banheiro.
— Não tá lá não, eu saí de lá agorinha e não vi nem sombra dela.
— Sério Jinnie?
— Uhum...
Corro no quarto dela e nada, as coisas dela também não estão aqui.
Sinto meu peito doer, eu realmente a notei diferente hoje, mas ao ver os meninos aqui em casa achei que fosse isso, mas não.
Ela estava comigo como quem se despedia e agora, sim, tudo faz sentido.
— Gente a Moon foi embora.
— Ela o quê?
Corro no meu quarto e avisto uma enorme caixa em minha cama com um envelope em cima, o pego já completamente desesperado e leio a carta contida nele.
Os meninos me encaram enquanto lágrimas descem meu rosto e eu finalizo com o coração aflito.
— Ela se foi por achar que eu não a amo, céus como eu não notei antes, eu achei que era ela quem não me amava... eu fui um tolo.
— Mas porque ela foi assim? No seu aniversário, Binnie?
— Ela disse na carta que era porque vocês estariam aqui, e poderiam ficar comigo.
— Uau que dramalhão... mas Binnie, ela parece gostar muito de você, isso deve ter doído nela; ela deve estar sofrendo também.
— Minnie, eu preciso encontrá-la.
— E você tem alguma ideia de onde ela esteja Binnie?
Nesse momento uma luz se acendeu em minha mente.
— Rodoviária, ela vai para Seul.
— E como sabe?
— Ela sempre me disse que iria para lá para um recomeço Lino.
— Hum, então vamos para a rodoviária, eu dirijo. — O Bang Chan falou por saber que seu amigo não estava em condições de dirigir.
— Vocês estão de carro? Não vai caber todo mundo no meu.
— Alugamos uma van, vem Binnie, vamos trazer a sua lua de volta.
[...]
Moon Pov.
Está frio, e eu estou com meu celular desligado, não quero receber nenhuma mensagem dele senão eu volto correndo se ele me pedir.
Coloco minha blusa de frio nas pernas e me agarro a minha mochila que é enorme e está pesada, então ela me protegerá do frio da madrugada.
Cheguei tem um tempinho, mas logo amanhecerá e então eu partirei.
Eu já sinto a falta dele.
Mas foi melhor assim, para ambos acredito, e eu espero que um dia ele possa me perdoar.
Já está quase amanhecendo e eu acho que cochilei, e o mais engraçado é que bem ao longe ouço a voz do Binnie em minha mente, como em um sonho.
— Moon! Ae-Moon!
Abro os olhos lentamente e quando vejo o Changbin está correndo em minha direção e os outros meninos atrás dele corriam mais devagar.
Parecia mesmo um sonho, mas o cheiro acentuado dele que invadia minhas narinas denunciava que aquela cena era a mais pura realidade e bem agora ele está parado em minha frente.
— Você ia mesmo me deixar Moon?
Os olhos dele estavam marejados e os meninos pararam um pouco mais atrás para nos dar privacidade, mesmo eu sabendo que eles ouviriam tudo afinal temos sentidos aguçados.
— Binnie... eu... — Não consegui falar nada, a dor que eu sentia era tão forte que minha garganta parecia que explodiria. — Fiz o que você disse Binnie, me acostumei mal com o fato de ter você em minha vida, e-eu... eu sei que nunca o poderia ter para mim e eu não posso atrapalhar você.
Ele me olhava incrédulo.
— Me atrapalhar? Moon você sabe o que pedi quando apaguei as velas do meu bolo?
— Não, eu não sei... — Falo envergonhada.
Ele veio até mim e me abraçou forte, fiquei sem ação e aos poucos fui o abraçando também, e assim que nos sentimos bem ele voltou a me encarar.
— Eu pedi aos céus que me dessem a minha Moon de presente, pedi que você fosse minha para poder iluminar minha vida para sempre, eu pedi que a minha lua me amasse de volta o mesmo tanto que eu a amo, mesmo sabendo ser impossível, pois meu amor por você é imensurável Ae-Moon, pedi que você me quisesse como eu a quero e que minhas noites nunca mais fossem solitárias sem o meu luar que é você, pedi que eu fosse sua força assim como você tem sido a minha!
— Binnie...
Eu chorava sem acreditar, eu sabia que ele tinha carinho por mim, amigos são assim e ele sempre cuidou de mim como um ótimo amigo, mas me amar assim como ele diz que me ama me comparando a lua que ele tanto deseja era algo que eu não imaginava.
— Volta comigo Moon? Eu não vou forçá-la se me disser não, mas não deixarei de te amar mesmo que você não venha para casa comigo.
Eu estava atônita, e assim fiquei por alguns segundos que pareceram uma eternidade até mesmo para mim.
— Então você pretende ser o meu alfa Binnie?
— É tudo que eu mais quero minha doce Moon.
— Mesmo sabendo que tudo estará contra nós por eu ser uma ninguém?
— Esse era o seu medo?
— Um deles? Sim...
— Você sabe porque vim para Incheon?
— Você nunca me contou de fato.
— Meus pais me incentivaram viver meu sonho, e meu sonho era ser escritor, professor e pesquisador de literatura, então eles disseram para eu vir para cá viver meu sonho longe de tudo que eles são e fazem, eles não me deserdaram ou coisa assim, muito pelo contrário, eles só me disseram querer minha felicidade e quando for a hora eu assumirei os negócios da família Seo.
— Você quer dizer que eles não ligariam para ter o filho deles envolvido com uma ômega sem classe e sem família?
— Exatamente, e eles meio que já sabem de você, e cuidam a distância dos seus interesses.
Fiquei boquiaberta, nem imaginava isso.
— Não sei o que dizer...
— Você me ama Moon?
O encarei e voltei a chorar, olhei em seus olhos e me vi refletida neles.
— Sim Changbin, eu amo você, amo tanto que mal consigo respirar quando penso que posso não o ter ao meu lado.
— E mesmo assim ia me deixar...
— Sim, eu ia... pois prefiro morrer a estragar sua vida.
Ele me abraçou mais uma vez e em seguida pegou minha mão, apanhou minha mochila e a colocou em suas costas.
— Vamos para nossa casa minha ômega, minha lua.
O segui e os meninos sorriam felizes pelo desfecho ter sido bom para os dois.
— Pera aí, nenhum beijo? — O Lino falou parecendo mesmo indignado. — Eu vim de Seul para ver o final feliz amigos, por favor me respeitem aqui, sou mais velho que vocês e quero ver o beijo.
— Cala boca seu quebra clima gostosão. — O Han fala tapando a boca dele. — Aí Lino! Que droga...
O alfa mordeu a mão de seu namorado ômega.
— Hannie me beija... alguém tem que se pegar aqui...
[...]
Voltamos para casa e os meninos voltaram com a gente, pois dissemos que eles tinham que dormir lá, eles só iam embora depois do café da manhã e o Binnie e eu teríamos tempo para conversar.
— Olha, sei que ninguém me perguntou, mas vendo vocês dois assim é indiscutível que vocês se amam, então me prometam que chega de suposições infundadas está bem?
O Bang Chang fala e conseguimos sentir toda a liderança dele.
— O Channie tem razão, meninos, se algo os incomoda, fale! Se está em dúvida, pergunte! É muito melhor uma verdade dolorosa do que uma dúvida sem resposta.
O Lino completou e concordamos com eles, afinal, mesmo que eu tivesse medo de ser uma pedra em seu caminho, e ele de eu o rejeitar, se um de nós tivéssemos tido coragem, nosso quase desencontro não teria acontecido.
— Ótimo, que bom que tudo está entrando nos trilhos. — O Seungmin falou nos abraçando — Mas tem uma coisa que eu sempre fiz com o Binnie em seus aniversários e já que estamos aqui... Sabe o que eu quero dizer não é Binniezinho?
Olhei de relance para o Changbin, eu ainda estava envergonhada com tudo, mas ele sorria largo e meigo como sempre, então respirei aliviada.
— Sim, eu sei, vamos jogar Jenga Seungminnie, e eu não pegarei leve com você.
Sinto que é melhor deixar eles aproveitarem, estou cansada também pelo turbilhão de emoções que vivi a pouco, então me despeço de todos e vou dormir.
— Vão arrumando tudo aí, vou acompanhar a Moon e já volto.
O Changbin avisa e saímos sem jeito pelo grito que o Lino deu.
— Ah, não! Voltem aqui!!! Se os dois forem se beijar eu quero ver...
— Lino! — os meninos o repreendem em uníssono e começam as gargalhadas.
[...]
— Você está bem Moon?
— Não me pergunte isso Changbin...
— Ué, por que não?
Vou até ele e o abraço.
— Me perdoa ter fugido?
— Perdoo sim... a Lua precisa se pôr para depois poder voltar a iluminar a noite, você precisou disso, nós precisamos e agora vamos nos acertar.
Dou um rápido selar em sua bochecha e ele sorri para mim.
— Boa noite minha pequena, amanhã nos falamos melhor, está bem?
— Uhum...
Ele vem até mim e se abaixa um pouco encostando seus lábios nos meus pela primeira vez e tudo dentro de mim parece reverberar em resposta ao alfa.
— Binnie...
— Eu mereço não? Hoje é meu aniversário afinal.
— Sim, você merece, boa noite urso.
— Até daqui a pouco, e vê se não foge mais doce Moon.
Ele se vai e eu sinto que vou explodir, a menos de uma hora atrás descobri que o alfa da minha vida também me amava, eu sou correspondida e nem fazia ideia disso.
E por mais clichê que isso pareça, o Changbin fez aniversário e quem ganhou o presente fui eu.
[...]
Eclipse.
Os meninos foram embora depois do café da manhã e agora estávamos na sala acertando os pontos, falei tudo para ele, inclusive que havia pedido demissão, e o Changbin ligou para o dono do café explicando alguns fatos do ocorrido e rapidamente tive meu emprego de volta.
Falamos do que sentíamos um pelo outro e de fato tudo entre nós era muito recíproco, o que me fez delirar de alegria.
E por fim eu pedi perdão a ele um milhão de vezes, ele disse em cada uma das vezes que me perdoava e que até me entendia e bem agora ele estava abrindo a caixa do presente que fiz para ele.
— Moon... você não fez isso... ômega que perfeito!
Eu havia pegado todas as frases que ele havia descartado para publicar em seu livro principal e eu mesma montei um livro com elas, pois mesmo ele tendo as dispensado elas eram perfeitas, o livro que montei era artesanal e em formato de lua cheia. E também fiz outro livrete com algumas fotos nossas que tiramos na zoeira, eram pouquíssimas, mas ficou bonitinho, e por fim a parte mais ousada do presente que ele cheirava com vontade...
— Você gostou mesmo?
— Amei o livro, as fotos, e as velas com o seu cheiro, mas isso me faz pensar... você ia embora, mas não queria mesmo que eu a esquecesse, não é?
Joguei uma almofada nele e ele gargalhou, o que ele disse era a mais pura verdade, mas eu jamais admitiria.
— Seu bobo convencido, abre o livro e vê direito vai.
Ele colocou seus óculos que eu tanto amo e começou a folear seu presente, no meio dele havia um sol e uma lua, o sol vinha primeiro e quando ele passava a página a lua o transpunha formando assim um eclipse e com uma tinta especial eu havia escrito algo.
— Venha, deite-se em mim, vou ler isso em voz alta, para nós.
Me encaixei toda nele e ficamos daquele nosso jeito costumeiro e sem mais delongas ele pôs-se a ler...
“O que seria desta pobre lua sem o brilho intenso do sol? Se algum dia eu de fato iluminei algo em sua vida foi porque o seu brilho reluzia em mim...
Mas se queres mesmo saber, entre mim e você o que mais acredito ser real é beleza do eclipse que se forma quando estamos juntos, pois são nesses momentos únicos que nos pegamos sem de fato saber onde um começa e o outro termina.
É quando o nosso mundo se completa e só aí podemos mesmo nos ver...
Então me atrevo a refazer minha pergunta de antes...
O que seria de mim sem você?”
De: Ae-Moon (sua lua)
Para: Seo Changbin (o meu sol)
Ele finaliza a leitura e fecha seu presente, e eu sorri por notar sua reação.
— Você gostou Changbin?
— Você escreveu mesmo isso para mim Moon?
— Uhum...
Ele me senta virada para ele e leva uma de suas mãos para o meu rosto.
— Eu amei Moon, amei com todas as minhas forças ômega, e se você me permitir quero ser seu companheiro, quero ser aquele com que você sempre sonhou, aquele que estará ao seu lado para tudo, serei seu amigo, seu amor e seu amante, serei seu amado e farei de tudo para sempre merecer o seu amor.
— Você é meu sol Binnie, é impossível eu não o querer, pois se minha luz existe alfa, é apenas graças a você.
Sem falar mais nada ele vem até mim e me beija.
Finalmente nossos lábios se tocam de uma forma mais intensa e sem rodeios nossas línguas se entregam uma à outra e a explosão do nosso beijo faz nossos corpos vibrarem.
— Finalmente poderei amá-la como sempre desejei.
Ele fala com seus lábios colados aos meus e a sensação que tenho é que todo o meu corpo está sendo invadido por uma intensa corrente elétrica o que me faz vibrar ainda mais nas mãos do alfa.
— E eu finalmente o terei para mim como sempre quis...
O respondo e gememos juntos, sinto as suas mãos me apertarem e revido na mesma intensidade, o que, na verdade, nem se compara em força, afinal ele é um alfa lúpus e assim como eu, o meu lobo sente isso com um impacto delicioso.
Sem me aguentar mais começo a desabotoar a camisa dele e como se fosse a deixa que ele esperava ele arranca minha blusa sem dó alguma o que faz com que o som do tecido se rasgando se propague na sala.
— Compro outra depois... — Ele fala me pegando no colo — Vamos para o quarto meu amor.
Ele me leva como se eu pesasse menos que uma pluma e eu não deixo cessar nosso toque, nosso beijo segue intenso e eu mordo o lábio inferior dele com vontade arrancando suspiros do alfa.
Toda essa movimentação coloca meu corpo em estado de ebulição e as coisas ficam ainda mais intensas para nós e quando entramos em seu quarto olho no espelho e lá estava minhas irises púrpuras em resposta a todos os estímulos que os feromônios dele estavam me causando.
Mordo sua clavícula e ele geme alto o meu nome e sinto como se me desejasse mais que ao próprio ar que respira e quando o encaro sorrindo arteira por ter amado o que causei nele vejo que seus olhos também mudaram de cor, estavam amarelo brilhantes, lindos, perfeitos, e eu juro por tudo que existe que eu daria minha própria vida por ele.
— Binnie... — falo mais ofegante do que gostaria e me aperto em seu corpo — Binnie por favor...
Ele entendeu do que se tratava, meu corpo se deu a ele, se entregando e me colocando em um cio adiantado e eu começo a arder em chamas em suas mãos e então ele me leva até sua cama enorme e me deita com todo carinho nela.
— Minha ômega! — Ele afirma com sua voz de lobo e me encolho, mas não por incômodo e sim de prazer e a minha lubrificação vai ficando descontrolada a ponto de eu me sentir escorrer. — Se entregue para o seu alfa...
Viro meu pescoço em resposta ao seu pedido e ele afasta meus cabelos, me mordendo com vontade, mas sem me dar sua marca, e em um ato extremamente luxurioso ele arrasta seus dentes até meus seios e começa os chupar com vontade revezando entre eles sem deixar nenhum sem a devida atenção.
— Meu alfa... aah Binnie...
Sinto ele roçar em mim seu membro já petrificado e começo a tentar desabotoar sua calça, mas sem muito sucesso pela posição que estamos.
— Que apressada...
O olho com fúria, afinal estou no meu estado mais primitivo e ele apenas sorri para mim vindo bem próximo a minha boca, ele chupa meus lábios e minha língua o que me leva ao delírio e enquanto isso ele tira a minha calça sem que eu perceba.
— Puta que pariu que gostosa. — Ele fala encarando meu corpo nu e notando que tenho uma tatuagem em um lugar mais íntimo com as fases da lua e então ele se debruça rapidamente e beija cada uma delas antes de descer minha perna novamente tirando de vez minha calcinha. — Depois vamos tatuar um eclipse?
Ele tira sua própria calça e sua box sem maiores dificuldades e eu sorrio para ele dizendo que sim então ele avança novamente sobre meu corpo, deixando beijos urgentes, lambidas e mordidas por onde sua boca passava inclusive em minha intimidade onde ele se demorou de propósito me fazendo gemer o nome dele em alto e bom tom enquanto ele me chupa com vontade.
— Changbin, eu preciso de você, alfa, não consigo mais me controlar.
Avenço nele, meu lobo está entorpecido, puxo ele pelos cabelos e ele solta um rosnado de pura satisfação para mim e sem falar ou fazer provocações ele me invade com fúria, uma fúria que eu ansiava por sentir e assim que nos completamos nossos gemidos saem sincronizados em uma sinfonia de dar inveja a qualquer um.
— Que delícia minha doce Moon...
— Delicioso é você Seo Changbin.
Ele não resiste a minha fala manhosa e começa a me estocar com vontade, ritmado e sem demora e eu sinto que perderei os sentidos a qualquer momento, até que sua fala me põe louca de vez.
— Senta no seu alfa e rebola para mim huh?
Ele não precisou pedir duas vezes, o virei na cama com uma força que nem eu sabia que tinha, coloquei uma de minhas mãos sobre seu peito másculo e a outra usei para auxiliar minha sentada e assim que o encaixe se deu o Changbin se arqueou todo na cama se impulsionando ainda mais para dentro de mim o que me fez ver estrelas de tão deliciosamente perfeita que aquela nova posição estava.
— Então você gosta de sentir seu pau sendo massacrado alfa? Assim Binnie?
Começo a rebolar sem dó em cima dele, quicando com vontade fazendo movimentos intencionais que nitidamente estavam o levando ao delírio, eu descia até a base do seu membro grosso e subia rebolando o pressionando ainda mais a mim e depois de umas boas quicadas senti o nó dele se formando dentro de mim e aquilo foi o que me fez perder qualquer sanidade que eu ainda tentava manter.
Eu sentia cada músculo do meu corpo tremer e quanto mais ele se incha dentro de mim mais manhosa e desesperada eu fico em cima dele, então o arranho sem dó alguma e puxo seu corpo para mim deixando-o meio que sentado e ele me aperta com ainda mais vontade, se arrumando mais na beirada da cama para mantermos bem o equilíbrio e agora parece que o sinto três vezes mais intensamente dentro de mim e meus gemidos vão ainda mais altos ecoando no quarto onde estamos.
— Isso, assim amor... aaah que gostosa puta merda.
Ele viu que eu já não me aguentaria e começou a me auxiliar com suas mãos em meus quadris intensificando nossos movimentos ainda mais.
E eu sentia estar no inferno e no céu ao mesmo tempo, sentia meus lábios formigarem de um jeito gostoso de sentir, então colei o meu tronco ao dele me encostando o máximo que pude no corpo alheio e os gemidos sôfregos do alfa em meu ouvido determinaram o meu fim.
— Goza para mim Moon...
Vim nele com força e ele se apertava a mim tão intensamente que também veio em mim de um jeito muito intenso e o seu nó se formou dentro de mim sem muita preparação para nós dois que ofegávamos tentando voltar ao prumo antes que algo mais intenso acontecesse e enquanto isso eu podia sentir seu líquido me enchendo, seu membro se grudando em minhas paredes e seu nó inchando cada vez mais dentro de mim.
— Aaaahh aaai ... — foi a dor mais deliciosamente perfeita que eu já senti.
— Aaah... porra que delícia... Moon, eu estou te machucando? Me desculpe não deu tempo de sair...
— Sair? Você tá maluco? Nunca se atreva em pensar em sair de mim Changbin.
Ele sorriu da minha reação e me beijou com vontade o que me tirou um pouco a concentração da dor de tê-lo atado a mim.
— Pelo jeito a maluquinha aqui é você, não é minha doce, gostosa, deliciosa e perfeita Moon? — A cada adjetivo dito por ele eu recebia um beijo gostoso em meu rosto e ombros. — Eu quase a marquei ômega, na verdade, tive que me segurar muito para não fazer isso, afinal, nós não falamos sobre isso ainda, né?
A essa altura eu já estou perdendo minhas forças e por saber que aquilo ainda levará uns bons minutos até acabar eu apenas me recosto nele sorrindo e ele me segura com firmeza, mas sem deixar de me fazer uns carinhos gostosos.
— Você foi excelente Binnie, perfeito em cada mínimo detalhe, e obrigada por se segurar e não me marcar ainda, vamos falar sobre isso depois está bem?
— Você disse bem amor, não a marquei ainda, mas vamos resolver isso em breve está bem?
— Está sim, meu sol.
Ele sorri largo e tira meus cabelos do meu rosto.
— Então esse foi o nosso eclipse doce Moon?
— Sim amor, e foi bom, não foi? Estar assim com você, literalmente sem saber onde um começa e o outro termina foi ainda melhor do que imaginei.
— Bom? É excelente, perfeito, incrível... e eu me atrevo a dizer que o breu do nosso eclipse seria capaz de iluminar um planeta inteiro.
— Tão poeta esse meu alfa...
— E tão perfeita essa minha ômega, estou muito feliz, o presente que pedi me foi dado com riqueza de detalhes.
Sorrio me lembrando que hoje é o aniversário dele, e agora que entrei no meu cio, não poderei fazer muita coisa nos próximos dias.
— Feliz aniversário, Seo Changbin, que você tenha sempre tudo o que desejar, e toda felicidade e amor que merece.
— Obrigado Ae-Moon, obrigado por ser exatamente o amor que preciso, por ser minha lua e por compartilhar comigo o mesmo espaço sendo parte do meu eclipse, seja minha para sempre e eu sei que todos os meus aniversários serão os mais felizes possíveis.
Dou um selar carinhoso em seus lábios e voltamos a nos deitar, com cuidado por ainda estarmos atados um ao outro.
— Então se prepare para sempre ter um aniversário feliz Binnie, pois eu nunca mais sairei de perto de você.
[...]
Tempos depois
Changbin Pov.
Minha Moon e eu nos amamos muitas vezes mais naquele dia, até porque minha ômega precisava do seu alfa e eu dei a ela tudo o que ela quis, e tive dela também o melhor sexo de toda minha vida.
E eu acabei descobrindo que uma ômega aguenta de um alfa lúpus muito mais do que eu imaginava e olha que ela não permitiu que eu me segurasse para não a machucar, e por sorte eu consegui não a machucar de fato, mas nós dois ficamos com muitos hematomas depois.
Depois de um mês da nossa primeira noite juntos tatuamos nosso eclipse, e duas semanas depois eu a marquei para sempre como minha ômega.
E no mês seguinte a marcação dela, finalmente lancei meu livro que se chama: “Bella Moon, minha doce Lua” que me surpreendeu sendo um sucesso logo em sua primeira semana de lançamento.
Minha ômega conheceu meus pais e eles a adoraram e por saber de sua vontade de estudar eles a incentivaram ainda mais que eu, e ela começou a fazer faculdade de design.
Ela disse que quer trabalhar junto a mim sendo minha designer editorial para cuidar da aparência dos meus livros e como vi o que ela fez com o presente que ela fez para mim, sei que este é o seu dom e que ela se dará muito bem no curso, então estou muito feliz por ela.
Aquele foi o melhor aniversário que tive, mesmo com todo o drama que o envolveu e bem agora estou em minha sala pronto para finalizar mais um dia lendo para minha doce Moon e o meu peito se enche de alegria, pois a ômega ao meu lado foi o meu pedido de aniversário, não só desse, mas de todos os que tive até hoje onde eu sempre pedia uma lua só para mim, pois o meu maior fascínio sempre foi poder contemplar o luar e graças a Moon agora eu posso fazer isso bem de perto.
— Vem amor, deite-se no seu alfa, eu vou ler para você.
Ela vem dando pulinhos de alegria, e se deita toda aconchegada a mim.
— Essa é a minha hora favorita do dia ursão.
— Eu sei, também é a minha pequena, principalmente pelo que vem depois...
Ela sorri acanhada pela minha insinuação e eu amo o cheiro que ela exala quando ela fica assim.
— Binnie...
— Eu não menti amor, e você também gosta que eu sei.
Ela vem até mim e sela nossos lábios e todo o universo parece se encaixar em nosso beijo.
— Certo, eu também gosto, agora leia Binnie, me ilumine meu sol.
Sem me demorar ajeito meus óculos e começo a ler para minha amada que assim que ouve minha voz fecha seus olhos e sorri.
“— ... Meu pedido se realizou e agora sua presença ilumina todas as minhas noites, encanta os meus dias e faz de mim o que sou.
Você me fez entender que o nosso amor é como o despertar da lua que tem o sol para a iluminar, onde um astro depende do outro para que ambos estejam sempre ligados, mas também é como a espera do sol que vive ansiando por dar o seu brilho a sua amada lua.
É um ciclo, um amor.
E por fim, eu sei que toda noite, ao nos deitarmos, seremos sempre como a um eclipse, um evento que permite que os astros mais imponentes do universo se amem e se percam na imensidão desse intenso sentimento...
... Você e eu
O nosso breu...
Por um eterno momento.”
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