Imagine - stray kids

30 . Felix (ABO) +18


Olhar você...

O bom em ser uma designer autônoma é que posso trabalhar de onde eu estiver e o fato de eu ser uma reles beta não implica nas minhas contratações on-line uma vez que os contratantes preconceituosos não precisam saber meu subgênero e por estarem de longe não vão sentir meu cheiro e me barrar por ser quem sou.

Então basta ter minha mesa digitalizadora portátil em mãos e voilà, minha criatividade estará pronta para ser usada e com facilidade entrego os pedidos que recebo bem antes do prazo, o que me garante sempre portas abertas para trabalhos futuros.

É claro que tenho meu escritório em casa e fico nele quase o dia todo, mas a mais ou menos uns dois meses isso mudou e meus momentos onde eu só me sento e observo tudo em minha volta e começo a pôr meus trabalhos em dia ficaram ainda mais perfeitos para mim e tudo graças ao CakeJoy, uma confeitaria e cafeteria que abriu em frente à minha casa.

Assim, quando falo em frente à minha casa quero dizer exatamente em frente mesmo, então quando preciso de um bom brownie e um bom café eu apenas atravesso a rua indo até a confeitaria e fico até quase a hora de fechar trabalhando e me deliciando com os aromas e sabores maravilhosos de tudo que tem aqui.

E o melhor de tudo? É que a CakeJoy tem um espaço incrível para trabalhar, ou apenas relaxar se quiser e dependendo de onde você fica dá para ver o confeiteiro chefe trabalhando e é bem aí que venho perdendo toda a minha atenção.

Ele é um alfa lúpus que cheira a conhaque e café que combina com precisão com aquele fundo amadeirado deliciosamente perfeito, o que me deixa ainda mais encantada por esse ser um cheiro forte e extremamente marcante.

E eu penso que alfas que se prestam a trabalhos assim que são mal vistos pela sociedade frágil em que vivemos são os com mais valor que existem, isso na minha opinião, claro, e por isso que o admiro, simplesmente por ele ser quem é.

Fora que quando não está com a mão na massa ele mesmo vem atender no balcão e eu posso afirmar com tranquilidade que além do seu cheiro sedutor a voz dele é hipnotizante e uma das mais lindas que já ouvi, forte, marcante e que contrastada pelo jeito todo atencioso e gentil dele vira a mais pura perfeição.

Em resumo, o alfa é lindo, perfeito, e isso eu não posso negar.

[...]

Hoje resolvi vir finalizar meu dia na CakeJoy e bem agora estou comendo um delicioso brownie de nozes com sorvete de creme e um cappuccino de canela que foi uma indicação do próprio confeiteiro chefe e dono do estabelecimento e essa combinação está simplesmente divina.

Enquanto isso finjo ler um pouco, sim, não venho aqui só para fazer meus desenhos, eu também venho para ler e relaxar, mas agora por mais que eu queira não consigo me concentrar em mais nada que não seja ele.

Seu cabelo preso, suas mangas dobradas, o avental bem alinhado e limpo, o azul de sua blusa contrastando com sua pele branca e seus lábios rosados que levam minha atenção diretamente as sardas em seu rosto, tudo nele reluz como ouro puro e eu em minha posição privilegiada posso ver cada detalhe em como ele manuseia bem o saco de confeiteiro, enfeitando seus também deliciosos cupcakes.

A verdade é que eu nem sei mais quanto tempo estou aqui, apenas o admirando e quando não tem muitas pessoas aqui, o cheiro forte dele vem diretamente até mim me deixando ainda mais presa no alfa.

É claro que sei que ele jamais olharia para uma beta, mas ninguém aqui está dizendo que é proibido admirar, então eu irei o quanto puder.

As horas voam quando estou olhando para ele, e é bem assim que ficarei até a CakeJoy fechar.

[...]

Alguns dias se passaram e eu acho que estou ficando obcecada pelo Felix que agora parece estar mais desenvolto comigo, e quando me atende tem sempre um belíssimo sorriso no rosto e que disse que por eu ser cliente fiel e assídua ele sempre irá me dar uma degustação quando não tiver muitos clientes.

E tem sido assim, ontem ele me deu para provar um pedaço de sua torta de geleia de maçã e gengibre, feita com massa podre e eu simplesmente fui aos céus na primeira mordida que dei de tão perfeita que era aquela combinação derretendo em minha boca.

E hoje vim um pouco mais tarde do que o habitual, tive problemas para resolver e assim que abro a porta da CakeJoy, a sineta toca e o chefe confeiteiro que estava atendendo no balcão me viu e abri um lindo sorriso.

— Olá, Yoo-ri, pensei que não viesse hoje.

Até parece que eu não viria...

— Oi, Felix, eu não perderia meu cappuccino por nada nesse mundo, a verdade é que hoje estou precisando dele no maior tamanho, por favor.

— Só o cappuccino? — Ele fez um biquinho fofo e eu quase desmoronei em sua frente. — Pensei que fosse querer o meu maravilhoso brownie de chocolate duplo.

Sorri para ele, eu me apaixonei por esse brownie na primeira vez que provei, ele tem gotas de chocolate branco e meio amargo, uma mistura perfeita com a massa de chocolate ao leite.

— Mas eu achei que eu nem precisaria pedir Felix, você sabe que não vivo sem meu brownie Yongbookie.

Ele fez uma careta, mas sorriu em seguida, eu chamava o brownie assim, pois em uma de nossas conversas ele me falou sobre seu nome coreano que significa “felicidade duradoura” e então apelidei o brownie assim, e verdade seja dita eu sempre fico feliz ao comê-lo.

— Claro que sei, mas gosto de ouvi-la pedir beta.

Ele disse aquilo olhando em meus olhos e eu quase desmaiei.

Alguém avisa que sou fraca?

— Ah, entendi, então não seja por isso, por favor alfa, vou querer um cappuccino grande e meu Yongbookie por favor.

— Agora sim, — ele sorria largamente — Pode ir se sentar, eu mesmo levarei seu pedido para você.

— Obrigada Felix.

Fiz o pagamento e fui me sentar, e por sorte meu lugar favorito estava vago.

[...]

Eu estava desenhando a capa para um livro, a história era sobre um amor que tinha como cenário areia, ondas e um céu azul e a editora disse que eu poderia ser simplista, contanto que focasse em um casal com seus pés na areia.

Enquanto meu pedido não vinha eu abri minha mesa e voltei ao meu esboço numero dois, eu sempre fazia três opções para enviar a empresa que escolheria a que lhes agradasse mais, e agora minha concentração estava toda na capa.

— Isso está muito lindo Yoo-ri, é para um livro?

Me assustei e com o pulo que dei quase causei um desastre fazendo o Felix derrubar tudo, minha sorte é que ele era ágil.

— Santo Deus, — levei uma de minhas mãos ao meu coração. — Não faz assim alfa... eu poderia ter feito você derrubar tudo.

Ele sorria abertamente.

— Não se preocupe beta, eu estava preparado, afinal você é minha cliente mais antiga, eu já te conheço um pouco.

Ele colocou meu pedido na mesa e piscou para mim quando eu o olhei incrédula por ter mais coisas na bandeja do que eu havia pedido.

— Mas Felix...

— Notei que estava tristinha, coloquei uns macarrons de merengue e doce de leite para você experimentar, receita nova, então coma e me diga o que achou.

— Não vai ficar? — perguntei sem pensar e me arrependi em seguida, o lugar estava cheio, ele não poderia ficar papeando comigo como fazia às vezes, não poderia se dar esse luxo agora.

— Não posso, mas se ficar até o fim do expediente me sento um pouco com você, quero saber sobre o livro para o qual você está fazendo essa capa linda.

— Está bem alfa.

Sorri mínimo para ele que se virou e se foi, e então encarei minha mesa e pensei: ele está me mimando? Ou é coisa da minha cabeça?

Enfim, sacudi esses pensamentos e voltei a desenhar comendo e tomando meu cappuccino delicioso.

Mas uma coisa era verdade, mesmo sabendo o que sou, ele nunca me tratou diferente, nunca virou a cara para mim ou me desmereceu.

No início eu pensava que era por eu ser uma cliente, afinal mesmo se ele odiasse betas como a maioria dos alfas, eu estou pagando pelo seu serviço, então mereço o mínimo de respeito não?

Mas com o passar do tempo vi que a gentileza do alfa ia um pouco além da pura obrigação e então baixei minha guarda para ele.

Porém, com meus dois pés atrás, é claro.

Nunca se sabe né?

[...]

Novamente me perdi no trabalho e quando dou uma breve olhada na cozinha ele estava lá, com seu avental alinhado e suas mangas dobradas e mais uma vez a minha atenção se voltou toda para ele.

Como pode ser tão lindo assim?

Ele seguia fazendo seus doces deliciosos e se não fosse o prazo de entrega das capas eu continuaria o observando, mas com muita relutância do meu próprio cérebro eu me virei para a minha mesa digitalizadora e voltei para a finalização da segunda capa.

[...]

— Posso me sentar com você?

A voz penetrante do alfa o denunciou de imediato.

Olhei para cima e lá estava ele todo risonho, senti minhas pernas sumirem e meu coração acelerar.

Mas o quê?

Por que fiquei assim?

— Claro, fique à vontade.

Ele se sentou e eu olhei em volta, não havia muitos clientes mais ali.

— Estamos quase fechando.

— Nossa, é verdade... — Olhei meu celular e vi que já era tarde mesmo. — Hoje eu nem vi o tempo passar.

— É, eu notei...

Felix Pov.

Eu adoro quando a Yoo-ri está concentrada no trabalho, mas confesso que gosto mais quando ela me observa trabalhando.

Desde que ela começou a vir aqui que ela me olha achando que eu não a vejo, então mantenho assim, e até dei um jeito para ela poder sentar ali no mesmo lugar de sempre, às vezes tenho que me segurar para não a chamar na cozinha para ficar de papo com ela, ainda é cedo para isso não?

E apesar de eu me sentir hipnotizado pela beta com um cheiro doce de amora e flor de hibisco, eu preciso ir com calma.

Fora que ela vem aqui às vezes para ler, mas também para trabalhar, e eu não quero quebrar sua rotina, na verdade, fico feliz por ela se sentir tão à vontade assim aqui na minha confeitaria e café, afinal, foi assim que idealizei tudo quando construí meu sonho.

Um lugar que fosse bom o suficiente para se refugiar, ou trabalhar em paz.

A questão é que eu me acostumei em ter os olhos da beta atentos a mim, e hoje foi um dia em que ela não pôde ficar assim então senti falta.

Mas pelo cheiro que emana dela ela está animada, e isso me animou também.

[...]

Yoo-ri Pov.

“— É, eu notei...”

Ruborizei um pouco com a declaração dele.

Por acaso ele estava prestando atenção em mim hoje?

Não poderia reclamar se fosse, afinal, eu sempre faço isso com ele né?

— Me desculpe Felix, nem te dei muita atenção hoje não foi?

— Por favor, não se desculpe por isso, gosto quando está concentrada assim, me motiva a me concentrar também.

Ele é um fofo, que saco, desde quando alfas são fofos?

Na verdade, ele ser assim o faz parecer com um príncipe encantado das muitas histórias que crio em minha mente, onde o alfa é gentil e carinhoso com uma beta qualquer, e o final feliz acontece para aquela que jamais seria amada por alguém como o príncipe.

— Você é sempre muito concentrado Felix, não precisa do meu incentivo para isso.

Sorrimos e nos encaramos.

— E então, gostou dos macarrons?

— Nossa, a verdade é que não consigo decidir qual deles amei mais, eles estão deliciosos Felix, parabéns, mais uma vez você conseguiu se superar.

O sorriso no rosto do chefe confeiteiro era largo e eu amo quando ele sorri assim.

— Obrigado Yoo-ri, fico muito feliz com seus feedbacks.

— E saiba que eu nunca minto Felix.

Ele ainda sorria e seu rosto pareceu se iluminar mais.

— Agora me deixe ver a capa do livro que está trabalhando por favor? Confesso que fiquei muito curioso.

— Claro, está quase no fim aí faltará só mais uma e eu já envio para a editora.

Viro para ele minha mesa digitalizadora e noto os olhos dele ganharem um brilho diferente.

— Tem certeza que essa é uma das capas beta?

Gelei da cabeça aos pés.

Nos últimos minutos eu estava fazendo um esboço do perfil dele na cozinha e acho que não troquei a tela antes de virar para ele.

— Ah que coisa... fui pega não fui?

— Era segredo?

Virei a tela para constatar minha total incapacidade de ser discreta e sim, era o desenho dele que estava ali.

— Não, não era, mas me desculpe Felix, eu não deveria ter feito, é que eu estava um pouco cansada da capa e faço esboços para voltar ao foco, aí vi você na cozinha e apenas comecei a rabiscar...

Ele levou sua mão a colocando em cima da minha e eu me senti eletrizar.

— Você não tem porque ficar assim Yoo-ri, e para ser sincero eu não achava que eu era tão bonito assim.

Sorri soprado e fechei meus olhos, balancei a cabeça minimamente em negativa, mas tudo pela vergonha que me tomava e pude sentir o polegar do Felix acarinhando minha mão.

— Hey não fique tímida assim, apesar de estar muito fofa, vamos lá, me mostre a capa, vamos mudar o foco está bem?

Respirei fundo e comprimi meus lábios o que o fez sorrir, tirei minha mão debaixo da dele só para mexer na mesinha, mas o fiz com muito pesar, pois a mão dele estava quentinha e era a primeira vez que ele me tocava assim.

— Aqui, agora sim essa é a capa que me viu fazendo mais cedo, e passe para o lado, tem o primeiro modelo também.

Vi ele prestando atenção no desenho e depois de um tempo ele passou a tela como eu havia dito.

— O tema central é o casal com os pés na areia certo?

— Bingo! — Fiquei feliz em ver que atingi o que me foi solicitado.

— Da para ver, o mar é apenas o plano de fundo da trama.

— E você gosta de livros alfa? — Perguntei em um tom mais curioso do que gostaria de demonstrar e perdi tudo quando ele me encarou sorrindo.

— Amo os livros beta, e na minha humilde opinião quem não gosta não sabe o que está perdendo.

— Concordo.

Falo mais tímida e nós dois nos pegamos sorrindo um para o outro mais uma vez.

— Os traços do seu desenho são muito lindos Yoo-ri, eu compraria esse livro pela capa com toda certeza.

— Obrigada Felix. — falei baixinho, hoje estava difícil controlar minha timidez perto dele.

— Você ainda fará mais uma?

— Sim, eu envio sempre três opções para o cliente.

— Lembro que já me disse algo assim, quando fizer posso ver também?

— Claro, provavelmente amanhã, agora você precisa fechar aqui não?

Olhei em volta e ele seguiu meu olhar e já não havia mais ninguém na CakeJoy.

— É só ficamos nós dois.

Comecei a arrumar minhas coisas, mas juro que por mim eu não terminaria nosso papo agora.

— Então não vou mais te atormentar Felix, boa noite e até aman...

— Quer me ver preparando os brownies para amanhã? — Ele perguntou se pondo de pé e esticando sua mão para mim. — Sei que deve estar cansada e se não quiser tudo bem, mas é que seria legal ter sua companhia mais um pouquinho, então o que me diz?

Eu morava do outro lado da rua, estaria em casa em apenas alguns poucos passos quando decidisse ir embora então decidi aceitar o convite do alfa.

— Felix, será um prazer poder te ver cozinhar de pertinho.

Segurei em sua mão estendida e o sorriso dele pareceu ficar ainda maior.

— Então vamos mademoiselle Yoo-ri, hoje vou te apresentar a cozinha da CakeJoy.

Fui com ele e quanto mais eu pensava mais me sentia em um conto de fadas, e essa noite estarei a sós com o príncipe Felix.

[...]

Ele havia me apresentado todo o espaço interno da confeitaria era muito clean e bem organizado e agora estávamos os dois na cozinha, aventais postos cabelos presos, e as mangas dele dobradas do jeito que eu amava ver e bem agora ele fazia a massa dos brownies em uma escala ainda maior do que eu imaginava ser.

E estando apenas nós dois ali o cheiro dele tomava todo o ambiente, se sobrepondo ao meu e me fazendo tontear tamanha a força daquele alfa.

— Você usa uma base só para todos os sabores de brownie certo?

Perguntei, pois, além de ser uma dúvida real, eu precisava me concentrar em algo que não fosse o cheiro inebriante dele.

— Isso mesmo, só depois da base pronta que separo e faço as modificações, coloco os recheios e por aí vai.

— Entendi, e quais sabores que mais sai?

— Quais você chutaria?

Ele me encarou com um ar questionador e sinceramente tenho certeza que o Felix consegue envolver qualquer um com esse seu jeito.

Sorri boba pelo pensamento que tive, mas logo me pus a respondê-lo para evitar que ele me perguntasse algo sobre o que eu estava pensando e me deixasse em maus lençóis.

— Huum... acho que o de castanhas com doce de leite, o de frutas vermelhas, ninho com Nutella e o meu Yongbookie.

Ele colocou as mãos na bancada ficando bem de frente para mim e me encarou.

— Tá aí, gostei, seu Yongbookie é realmente o que mais sai, seguido pelo de doce de leite com castanhas e em terceiro lugar o de frutas vermelhas, depois do top três os demais tem praticamente a mesma saída.

Ele ainda me encarava e eu mal sabia para onde olhar, então me aproximei da bancada e em um gesto completamente impensado peguei uma colher limpa passei na massa de chocolate e depois passei na ponta do nariz dele que começou a gargalhar com a cena.

— Você estava me encarando muito, perdi o controle. — Falei devolvendo a colher para a bancada.

— Você é sempre bem sincera beta, eu gosto disso em você. — Ele falou limpando a ponta do seu nariz.

— Não aguento encarar demais, entro em pânico.

Ele sorriu soprado e voltou ao processo.

— Fofa...

[...]

Com os brownies já no fogo e muita conversa sobre tudo que se possa imaginar eu me sentia muito mais próxima ao Felix e acho que ele de mim.

— Tome aqui, — ele me deu um pote cheio de mini brownies sortidos. — Estou pensando em lançar essa novidade aqui na CakeJoy, é tipo um pode de desejos, você vê? — ele me mostrou os brownies cortados todos em formato de estrelinha.

— Igual a um pote de desejos... Felix isso está lindo, e tem até brownie de chocolate branco... que lindo.

— Gostou mesmo?

— Sim, muito!

— Que bom, esse aí fiz para você, se você aprovar farei para vender, menor que esse claro porque aí fica mais barato, mas essa é a ideia.

Eu estava encantada, e não só por ele ter feito um para mim, mas pela ideia no todo, era perfeito.

— Isso pode ser um presente e tanto alfa, e o pote é lindo...

Passei meus olhos pelo pote, realmente era lindo e sua tampa era presa por uma corda fina, uma graça.

E aí tive uma ideia.

— Posso personalizar seu pote?

Leves piscadelas se formaram na expressão do chefe confeiteiro e eu sorri.

— Você diz fazer um rótulo?

— Tá mais para um projeto e aí se você gostar te darei de presente.

— Meu deus não Yoo-ri, esse é o seu trabalho, você não pode fazer isso e não cobrar nada.

— E todos os doces que você me dá todo esse tempo? Não são seu trabalho também?

Ele não soube me responder de imediato então continuei para nem dar chance a ele.

— Vamos fazer assim, eu te dou o projeto se você gostar, você o executa e na etiqueta a gente coloca bem pequenininho o meu contato, tipo “design feito por:” ou algo assim, e aí você fica sossegado.

— É... assim eu gostei mais.

— Ótimo! Vou terminar ele amanhã e te mostro tá bem?

— Faça sua terceira capa primeiro, não quero te prejudicar.

Eu amei ver o cuidado dele com meu trabalho, e estava tão empolgada que começaria agora mesmo.

— Está bem, vou para a casa começar a terceira capa e amanhã te mostro o seu projeto.

Fui até ele e dei um selar em sua bochecha, nem era para eu ter feito isso, mas a empolgação me dominou e quando vi, já havia feito.

— Ah! — ele sorriu e levou sua mão ao rosto. — Obrigado Yoo-ri.

— Obrigada você Felix, — mostrei o meu pote para ele e sorri mais ainda. — Até a manhã chefe confeiteiro.

— Até amanhã, designer.

Sorrimos, e eu fui ao salão da CakeJoy, peguei minhas coisas e fui embora.

— Essa Yoo-ri é perfeita... uma princesinha beta como nenhuma outra.

[...]

Eu havia passado a noite finalizando a terceira capa e pela minha empolgação acho que ela foi a melhor das três, então enviei elas para a editora escolher e comecei o projeto do pote do Felix.

— Quadrado, vidro estampado com desenhos de mini brownies, mas eles têm que ser quadradinhos, inclusive dar essa ideia a ele, as estrelas são bonitas, mas o formato descaracteriza o brownie e ele provavelmente perde produto, a corda mantém; é um charme, e nela podemos colocar a etiqueta com o nome CakeJoy, telefone da confeitaria e atrás o “design by:”

Eu tinha essa mania de falar sozinha enquanto projetava e era bem assim que estava agora no meu escritório...

— E para finalizar no centro do pote, ou na tampa, colocar um letreiro com o nome “Brownies Yongbok” e podemos colocar um slogan? Algo como “O sabor da felicidade em forma de brownie.” Hum... Okay, acho que ficou bom.

Fiz todos os ajustes e após finalizar vi que já estava amanhecendo, então tomei um banho e fui me deitar.

[...]

No dia seguinte.

— O de sempre Yoo-ri? — O Felix sorriu quando cheguei no caixa.

Na verdade, ele veio rápido para o balcão quando me viu entrando na confeitaria, uma cena fofa que me deixou toda acanhada.

— Sim, Felix, o de sempre, mas eu também vou querer um pão de batata, não almocei hoje em reunião com a editora e estou com fome, só o doce não vai me ajudar muito.

Ele me olhou como quem fosse me dar uma bronca, mas apenas sorriu.

— Está bem, quando seu pedido estiver pronto levo para sua mesa.

Paguei e sorri para ele.

— Obrigada Felix.

— De nada Yoo-ri.

[...]

Não demorou muito meu pedido veio, mas no lugar dele era uma tigela de lámen e suco de maçã, olhei para cima e lá estava o Felix me encarando.

— Coma tudo sem reclamar, trago seu pedido quando terminar o lámen, ou mais tarde quando formos conversar sobre o projeto.

O olhei incrédula.

— Mas Felix, essa é a sua comida não?

— Eu almocei, fique tranquila, eu não pulo minhas refeições igual a uma certa beta que conheço bem.

Revirei os olhos e sorri para ele, ser cuidada assim era novo entre nós, tudo bem que ele sempre me deu coisas a mais ou doces para levar que ele mesmo separava para mim, mas isso?

— Vou comer, mas depois falaremos sobre isso, mocinho.

— Como quiser mocinha, agora coma tudo, eu estou de olho.

[...]

Quando o último cliente saiu da cafeteria ele veio até mim com o meu pedido e algumas coisas mais.

— Eu não vou comer tudo isso se é o que você está pensando.

— Não vai mesmo, trouxe para mim também...

Seu jeitinho simplista era perfeito para mim.

— Certo, — dei um gole no meu cappuccino e suspirei. — Que delícia.

— Acho lindo como você gosta das coisas que consome aqui.

— Não tem nem como não gostar Felix, você e sua equipe sempre faz tudo com perfeição.

— Obrigado..., mas vamos aos assuntos, e então a editora escolheu qual capa?

— Curioso... — Peguei a minha mesa digitalizadora e mostrei a última capa que fiz. — Essa aqui.

A capa era simples, duas silhuetas uma de frente para a outra, com seus pés firmes na areia que mesmo pela sombra passavam por entre os dedos, um pôr do sol alaranjado ao fundo quase beijando as águas do mar e as nuances de uma leve brisa levando a areia por entre eles como se de alguma forma elas ligassem aquelas duas pessoas.

O Felix olhava tudo com atenção e depois de um tempo nisso ele sorriu largo.

— Que coisa mais linda Yoo-riyah, você foi ainda mais além no sentimento nessa última capa, dá para sentir a tenção do destino entre eles que pode ou não acontecer.

Sua análise foi precisa, parecia que era para o livro dele que eu havia feito a capa, e sinceramente não me surpreenderia em nada se fosse.

— Então você gostou?

— Se gostei? Eu amei com paixão isso tudo, obrigado por me mostrar, quando lançarem o livro me avise, vou querer comprar.

Sorri boba para ele.

— Pode deixar alfa. — Peguei a mesinha e abri no projeto dele. — Agora me diga o que acha disso e leia todas as anotações que fiz por favor.

Ele pegou a mesinha e começou sua análise.

Quanto mais ele olhava, menos eu sabia dizer se ele havia curtido a ideia.

— Potes sortidos, cordão colorido, potes com sabores específicos, cordões com as cores que os representam, mini brownies quadrados para não haver desperdício, olha isso, vidro estampado... e o slogan? Essa me pegou...

Ele falava analisando tudo muito bem e eu já estava enlouquecendo pela espera.

— E então...?

— Yoo-riyah eu amei cada detalhe disso, é quase que meu sonho posto em uma ideia.

Ele ter me chamado de uma forma mais carinhosa me balançou, mas eu fingi não notar e segui nossa conversa.

— Você sonhou com isso? Com os potes?

— Sim, a confeitaria, os potes, tudo isso sempre foi meu sonho, e agora olha isso? Você usou as coes da marca e tudo, isso está lindo Yoo-riyah estou sem palavras.

— Então amanhã vamos atrás de vidraçaria e gráfica para colocar tudo em prática?

Falei tão empolgada que ele sorriu.

— Sim beta, amanhã farei isso.

Ele falou que faria e não que faríamos, então deixei quieto e comecei a comer ainda sorrindo para ele.

— Não vejo a hora de ver tudo pronto.

— Nem eu...

[...]

Uma semana depois.

O Felix fez tudo acontecer muito rapidamente e os potes de “Brownies Yongbok” foram e continuam sendo um sucesso absoluto.

Assim que executados e prontos o doido do chefe confeiteiro me deu uma cesta com um pote de cada, dos sortidos aos específicos e quando eu abri o primeiro uma surpresa me emocionou, ele imprimiu por dentro das tampas dos potes frases de amor e alegria e o legal de tudo isso é que as frases são sortidas, nunca um pote será igual ao outro.

O Felix era mesmo um alfa muito especial.

Nessa última semana eu não consegui ir à confeitaria nos últimos dois dias e meu peito estava doendo por isso.

Estou com saudades do alfa?

Não sei, mas hoje eu irei até meu lugar favorito do mundo trabalhar um pouco e ver o meu amigo Felix.

[...]

Felix Pov.

Graças a Yoo-ri realizei um dos meus desejos, e agora pessoas por aí ganham brownies de presente e ainda ficam com um lindo pote decorado e especial para si, podendo reutilizá-lo no que bem entendesse.

Eu estava grato, ela era uma amiga que eu estava amando ter sempre por perto, mas esses dois últimos dias foram torturantes para mim.

Ela não pôde aparecer e aí eu me dei conta, nunca trocamos telefone, nunca nos falamos fora da CakeJoy e isso estava me agoniando demais então fiz uma nota mental de pedir o número dela na próxima vez que eu a vir.

Estou com saudades da beta!

Sim, estou, e espero que hoje minha amiga favorita do mundo todo venha trabalhar aqui, mas principalmente que ela venha para me ver.

Sinto falta da beta com o cheiro mais doce e gostoso que já senti.

Meus instintos alfa nesses dois últimos dias quase me puseram abaixo, eu queria estar perto dela a todo custo, mas quem sou eu para exigir a presença da beta em minha vida?

E eu ainda não sei se ela vai com a cara de alfas, geralmente betas são tão maltratados que fogem de nós como o diabo da cruz.

E com razão, eu não julgo, mas por tudo que há de mais santo, eu desejo que ela não pense assim de mim, pois eu não sou como a todos.

Espero que ela note isso.

[...]

Yoo-ri Pov.

Hoje está bem frio e eu com certeza quero meu cappuccino caprichado e meu brownie quentinho e por isso estou atravessando a rua, dessa vez sem minha mochila com todas as minhas coisas, só com minha mesa em mãos.

E o mais engraçado nisso tudo é que anseio ainda mais em ver o alfa, sentir o cheiro delicioso dele me acalma, e eu confesso que neste momento não há nada que eu queira mais.

Fico pensando no que ele pode achar de mim e de todos os meus pensamentos sobre ele, afinal, betas não passam de escória, não é?

Mas sinto o Felix diferente, como se ele fosse realmente o príncipe alfa que sabe olhar com carinho a todos os seres de igual forma.

É assim que ele me faz sentir, e estar perto dele me faz genuinamente bem.

— Olha quem apareceu... — O sorriso dele iluminou a confeitaria inteira. — O de sempre Yoo-ri?

— Sim Felix, o de sempre, por favor.

Paguei tudo e quando ele foi me devolver o cartão ele fez um carinho em meus dedos deixando um papel na minha mão.

— Levo seu pedido assim que ficar pronto.

— Okay, obrigada.

Fui até meu lugar que por sorte estava vago, eu estava com medo que com dois dias fora alguém tivesse se apropriado dele, mas ainda bem que não e quando me sentei abri o papel e o encarei por uns cinco segundos antes de sorrir feito boba.

“Porque eu ainda não tenho seu telefone?”

Era o que estava escrito nele, então peguei uma caneta em meu bolso e o respondi, quando ele vier trazer o pedido eu entregarei a ele.

[...]

— Aqui está Yoo-ri, um brownie Yongbookie com sorvete de creme e um cappuccino com chantilly extra.

— Ah, obrigada chefe confeiteiro.

Peguei a bandeja da mão dele e devolvi o papel no processo.

— Não vá embora muito cedo, está bem?

Ele me disse enquanto me encarava fundo nos olhos e seu cheiro me invadiu sem pedir licença.

Então acenei que sim para ele toda tímida, e com um enorme sorriso no rosto ele se afastou.

Comecei a comer encarando o interior da cozinha, vi ele colocar seu avental e ler o papel que dei a ele e de lá ele me encarou com uma certa indignação fingida, o que me fez gargalhar baixinho.

Felix Pov.

Eu pedi o telefone dela no papel que entreguei a ela mais cedo e enquanto preparo o pedido da beta a vejo escrevendo no mesmo papel.

Até que enfim terei o telefone dela.

Deixei o pedido em sua mesa e voltei para a cozinha e o papel que ela me devolveu estava repleto do cheiro que tanto senti falta nesses últimos dois dias, e eu só não o cheirei mais descaradamente por saber que ela me olhava.

Dava para sentir o olhar da beta em minhas costas.

Então coloquei meu avental e abri o papel.

Não acredito! É sério isso beta?

Olha só que espertinha...

“Não tem, porque nunca me pediu alfa.”

Li suas palavras brincalhonas duas vezes e então olhei na direção dela e o sorriso em seu rosto estava enorme e impagável, foi uma das cenas mais lindas que já tive o prazer de presenciar.

Touche mademoiselle Yoo-ri, se é assim que deseja, eu vou te pedir.

E com esse pensamento voltei aos meus afazeres.

[...]

Yoo-ri Pov.

Como havia prometido ao alfa fiquei até mais tarde e agora estávamos só os dois na CakeJoy, e eu estava sentada na bancada vazia da cozinha do alfa assim como ele havia me pedido.

— Você sumiu por dois dias Yoo-ri, está tudo bem?

— Está sim alfa, só tive uns problemas, mas já resolvi todos.

Ele me ouvia enquanto pegava suas coisas, ele já ia fechar tudo e ir embora.

— Certo, se resolveu, fico feliz. — Ele andou até mim e me deu o celular dele. — Me passe seu número beta?

Sorri e apertei meus lábios e eu posso jurar que ele mordeu o dele em resposta.

Peguei o celular de sua mão e anotei meu número, disquei e o meu que estava no bolso começou a tocar.

— Pronto alfa, agora você tem meu número.

Fiz que ia sair de cima da bancada e acredito eu que por um reflexo o alfa me pegou pela cintura e me ajudou a descer.

Meu corpo inteiro tremeu e tive um vislumbre rápido dos olhos do alfa oscilarem em um tom púrpura belíssimo, mas foi tão rápido que nem sei se o que vi foi real.

— Desculpe por isso Yoo-riyah foi reflexo.

— Está tudo bem Felix, obrigada por me ajudar.

Saímos da cozinha e quando vimos estava chovendo tão forte lá fora que até para mim que era só atravessar a rua estava complicado de sair.

— Logo hoje que deixei minha mochila em casa, meu guarda-chuva está lá dentro.

Falei encarando a chuva, certeza que eu me molharia inteira se me arriscasse sair dali, e eu odeio me molhar assim.

— Eu nunca trago guarda-chuva para cá, um erro eu sei, mas o meu sempre fica no carro.

— No carro? Uau alfa, você precisa dele para chegar no carro em situações como essa sabia?

Rimos descontraidamente e notei que o cheiro do alfa ficou ainda mais forte, era quase um químico potente e viciante adentrando minhas narinas e eu apenas me concentrei na grossa chuva lá fora para não pensar nele assim.

Um barulho ensurdecedor estralou no céu e todas as luzes da confeitaria se apagaram e pelo que entendi ser por segurança a porta de ferro do lado de fora abaixou e trancou a gente aqui.

— Droga... sinto muito por isso Yoo-ri, se eu tivesse com o guarda-chuva aqui nós não ficaríamos presos assim.

— Hey, tá tudo bem, Felix.

Me viro sem ver muito por conta do breu e bato minha perna com tudo na portinha do balcão e o fecho dela saiu rasgando um pouco da minha coxa por cima do meu vestido.

— Aí!

Meu grito contido chamou a atenção do alfa que veio até mim tão rápido que eu nem o senti chegar.

— Beta, o que houve?

— Acho que cortei minha perna alfa, mas coisa pouca, está tudo bem.

— Tudo bem nada, vou pegar a lanterna e vou ver isso aí.

Não demorou muito ele voltou com a lanterna.

— Meu senhor Yoo-ri... — ele me pegou no colo e me levou para a cozinha. — Vou limpar isso para você está bem?

— Está sim... — Estava doendo um pouco, mas não achei que fosse um corte muito grande.

— Aqui segure a lanterna beta.

Peguei e quando mirei na perna vi o sangue.

E eu detesto sangue, então me alterei.

— Ah, droga... — falei me pondo nervosa já. — E ainda rasgou meu vestido.

— Tô pensando mais na sua perna Yoo-ri.

Eu também, mas não queria parecer medrosa.

— Ah, mas na perna não foi nada grave Felix. — Ele voltou com os curativos e começou a limpar. — Aí... isso arde...

— Eu sei, já vai passar está bem.

— Está...

— Beta, seu cheiro...

— O que tem?

— Está aumentando, não fique nervosa pelo sangue, eu já estou terminando aqui está bem? Agora a luz mirando sua coxa.

Eu até comecei nervosa pela minha perna e o sangue que escoria nela, mas agora eu tinha um alfa soprando com seu hálito quente em minha coxa e sem querer algo em mim começou a pulsar, saindo totalmente do meu controle.

— Felix...

— Hum...

Ele não me olhou e o cheiro dele começou a ficar tão forte que eu mal conseguia pensar.

— Acho que já está bom assim, obrigada por me ajudar, fui uma desastrada.

Ele levantou e eu pude ver suas mãos com os punhos cerrados como quem precisasse se conter.

— Você está bem mesmo Yoo-riyah?

— Estou sim, só estou um pouco quente, mas acho que é porque estou nervosa agora.

Não era.

E eu sabia bem o porquê meu calor estava aumentando, meu corpo estava chamando o do alfa e agora eu poria tudo a perder?

Preciso sair de perto dele, antes que eu estrague tudo.

O Felix é um amigo, e ele jamais me veria com esses olhos.

— Seus pensamentos parecem gritar aqui Yoo-ri. — Ele falou se colocando no meio de minhas pernas e me encarando de bem perto. — Você acha que eu não a desejo por ser uma beta? É isso que pensa mesmo de mim?

— Felix, eu...

Não consegui terminar de falar e ele colou sua testa a minha.

— Sabe o que se passou por todo o dia em minha mente nesses últimos dois dias beta?

— Não sei... — falei baixinho, a proximidade entre nós estava muito perigosa. — No que você pensou nesses dois dias?

— Que eu a quero para mim... — a respiração ofegante dele começou a ditar o ritmo de seja lá o que estiver acontecendo entre nós agora. — Que demorei muito para te fazer entender que eu a quero muito mais do que uma amiga e que seu cheiro me deixa sem chão...

— Alfa...

Ele levou uma de suas mãos ao meu rosto, o inclinou e me encarou, e eu o via apenas pela sombra o que deixava o brilho em seus olhos ainda mais evidente.

— Amo sua sinceridade e já te disse isso Yoo-ri, então preciso saber...

Ele não finalizou sua fala o que me pôs trêmula.

— Por favor alfa...

— Você sente o mesmo por mim? Você deseja que eu seja seu alfa, assim como desejo que você seja minha beta?

— Mas Felix, isso não é errado?

— Para as favas com o certo e o errado Yoo-ri, e você já devia ter notado que eu não dou a mínima para essas coisas...

Sua fala saiu ainda mais intensa e eu me encolhi.

— Sinto muito, eu sei que você não é assim.

Tomada de uma coragem que acho que só se deu pela falta de iluminação, segurei o rosto dele em minhas mãos e colei meus lábios nos dele.

— Yoo-riyah...

— Minha resposta é sim Felix, eu sinto o mesmo, eu quero o mesmo, desejo que você seja meu alfa e eu nem sei te dizer desde quando tudo isso começou ou o quanto o desejo.

Nós dois já estávamos misturados o suficiente, mas o próximo passo deixei que ele tomasse e antes do esperado por mim nossos lábios se fundiram em um beijo ardente e necessitado.

Estava feito, eu estava me entregando ao alfa que me tomava com um desejo que eu jamais poderia imaginar que existia nele por mim.

Ele puxou meu corpo para cima do dele, mas notei que com certa cautela pela minha coxa ferida.

— Se continuarmos nisso eu não vou conseguir parar Yoo-riyah, podemos continuar?

— Sim Felix, vamos nos render a isso juntos.

— Juntos... — Sua voz me fez estremecer, eu estava totalmente rendida a ele.

As mãos dele foram até minha bunda por debaixo do vestido e de forma hábil ele removeu minha calcinha e agora eu sentia o mármore frio em baixo de mim e isso fez eu me agarrar nele que sorriu com seus lábios ainda nos meus.

— Está frio docinho?

— Sim...

— Então me deixe esquentar você...

Ele desceu pelo meu pescoço com chupões e mordidas que com certeza deixariam marcas no dia seguinte e enquanto isso ele levou dois de seus dedos para brincar em minha intimidade e aquilo estava tão bom que eu o arranhei de forma involuntária.

Eu estava delirando nas mãos e lábios do alfa.

— Tira sua camisa Lixie...

Eu ia falar Felix, mas tive um arrepio na hora e acabei me atrapalhando toda.

— Que fofa minha doce beta, — Ele tirou sua camisa e me pegou em seu colo colando nossos corpos, ainda tendo cuidado com a minha perna. — Vou te levar para o outro balcão é mais espaçoso lá.

— Está bem...

Ele cruzou a cozinha da CakeJoy comigo em seus braços, me colocando sentadinha na bancada com as costas bem apoiadas em uma pequena coluna que havia ali e o que ele fez a seguir por pouco não me matou.

— Não feche suas pernas está bem?

Balancei a cabeça em afirmação, mas é claro que ele mal viu esse meu movimento, estava tudo escuro e a lanterna acabou ficando no outro balcão.

Ele me puxou mais para frente e se abaixou, encaixando sua cabeça entre minhas pernas e começou um trabalho incrível por lá.

Não demorou muito eu estava vendo estrelas.

— Alfa... Felix...

Levei minha mão aos cabelos dele e o apertei ali e por um breve instante e eu o senti sorrindo largo enquanto me sugava com vontade.

— Inferno... aaah... puta merda, — eu ofegava tanto que sentia meu peito subir e descer com força. — Alfa, eu não aguento mais... entra em mim por favor.

Meu corpo parecia que ia explodir e assim que ele saiu lá de baixo a luz voltou.

— Perfeito, agora vou poder guardar bem seu rostinho enquanto grita meu nome.

— Você não presta...

— Ah, não? — ele desabotoou o cinto de sua calça e a abriu colocando seu membro para fora, o que me fez corar com força e ele notou. — Pensei que estava gostoso para você docinho.

Eu apenas o encarei, o mais profundo que consegui, mas ele apenas alisava seu membro enquanto me olhava, e então entendi.

— Você quer que eu peça mais uma vez?

— Sim beta, me deixe te olhar enquanto pede pelo seu alfa, huh?

— Felix, por favor alfa não me maltrata assim... — O sorriso ladino dele me fez o desejar ainda mais. — Eu preciso de você Felix...

— Obrigado por essa cena maravilhosa, você é a mais pura perfeição beta, e agora é só minha.

Ele veio já se enterrando em mim e tê-lo me preenchendo daquele jeito me fez gemer seu nome ainda mais alto.

— Isso docinho, seu alfa, só seu.

Ele me penetrava lentamente, mas com uma força incrível, estava torturante e pelo tanto que ele mordeu meu ombro entendi que não era só para mim que estava assim.

Eu o apertava como dava e o mordia com força também, pois ele pareceu gostar muito quando o mordi pela primeira vez e agora suas estocadas eram ágeis e ainda mais fortes dentro de mim, tanto que eu conseguia sentir seu membro tocando o fundo do meu útero.

Me inclinei mais na bancada e vi um spray de chantilly e sem pensar muito eu o peguei e lambuzei a boca do alfa que sorriu largo antes de se afundar em um beijo deliciosamente doce comigo.

— Você gosta de coisas assim docinho?

— Primeira vez alfa...

— Na próxima vou colocar isso em lugares ainda mais interessantes para nós dois está bem?

Sua fala me deixou radiante, então haverá próxima?

— Só me prometa o que irá cumprir Felix... aah...

Suas estocadas estavam ficando desesperadoramente intensas e eu comecei sentir seu membro inchar dentro de mim.

— Eu te marcaria aqui e agora para você entender de vez beta, estou apaixonado por você, não quero mais ninguém comigo, só você, eu te amo Yoo-riyah e a um bom tempo eu já sei disso, aaah... porra...

Ele seguia me estocando com vontade e me apertava com gosto também.

Eu estava perdida.

Completamente entregue ao alfa que acabou de se declarar para mim em meio a nossa transa intensa.

— Me dê seu nó essa noite alfa, falaremos de marcas depois.

— Tem certeza?

— Não se preocupe, não vou engravidar, eu me cuido.

— Está bem, mas antes...

Ele se afundou em mim e no mesmo movimento me beijou alucinadamente, e eu me agarrei a ele me movimentando como louca para conseguir mais contato e foi aí que comecei a tremer e ter fortes espasmos.

Me apertei nele e chamei pelo alfa que me olhava com seus olhos em um púrpura majestoso.

— Minha, só minha Yoo-riyah, minha beta gostosa!

Não aguentei e vim com força nele que veio em mim formando seu nó dentro de mim.

— Merda! Isso dói... mas é gostoso demais também.

O alfa gargalhou e me levou para perto dele me aninhando em seu corpo já que ficaríamos assim por um tempo ainda.

— Você gostou docinho?

— Muito Lixie, você é uma delícia em cada mínimo detalhe alfa.

— Olha só, tomou minha frente, pois era exatamente isso que eu ia dizer de você.

Ele me beijou com carinho e agora eu me sentia ainda mais dele do que antes.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro Lixie.

— Sai comigo? Sei que nos pegamos assim no calor do momento e nos calores de nossas emoções, mas nós nunca saímos juntos, nós só trocamos telefone hoje, minha doce betinha, e eu quero fazer isso direito.

Meu deus ele é um fofo, meu príncipe.

— Que tal amanhã depois do seu trabalho?

Ele me olhou sorrindo.

— Sério? Você vai sair comigo?

— Sim... — comecei a rir que nem boba e ele sorriu para mim. — Isso está tão engraçado, estamos literalmente grudados aqui e falando de date.

— Cada um trabalha com o que tem sua linda. — Ele fez carinhos no meu rosto e eu dei um selar rápido em sua bochecha. — Beijo na boca amor, hum? Vai por favor...

O beijei e ele me abraçou.

— Você é meu príncipe Lixie.

— E você é minha princesa beta, minha só minha, meu docinho mais gostoso e cheiroso de todos.

Demos mais uns selinhos, ele era muito carinhoso e eu estava amando.

— Amanhã as oito da noite passe na minha casa, vou te esperar lá.

— Você não vem me ver durante o dia? — Ele fez um biquinho fofo e eu sorri para ele.

— Vai sentir minha falta alfa?

— Vou enlouquecer de saudade.

Nos beijamos, um longo e delicioso beijo e o nó dele acabou se desfazendo, então ele me ajudou a me recompor, arrumamos a pequena bagunça que fizemos, fechamos a cafeteria e ele me levou até a porta de casa.

— Como vamos fazer direito, não vou te convidar para entrar hoje está bem?

— Certo, mas se quiser me convidar amanhã, por favor faça.

Sorrimos nos encarando nos olhos e ele me deu um selinho.

— Tchau Lixie.

— Tchau Yoo-riyah.

Esperei ele ir até o carro dele, mas antes de atravessar ele correu até mim e me abraçou.

— Só me diz uma coisa, por que você sempre senta no mesmo lugar na CakeJoy?

— Para poder olhar você, e nem vem que eu sei que você sabe disso.

— Para olhar para mim?

— Sim Felix, olhar você é meu vício mais gostoso de todos e eu sempre farei isso.

— Promete?

— Prometo.

— Sabe porque eu sempre deixo seu lugar reservado na CakeJoy?

Aquilo me pegou, era por isso então que nunca tinha ninguém sentado ali?

— Você reserva o lugar Lixie? Tá maluco?

— Não quebra o clima docinho, sabe o porquê?

— Não, eu não faço ideia...

— Porque assim que eu a vi eu me interessei por você, e depois ver que você me olhava me deixou tão animado que eu quis poder também olhar para você e eu só conseguiria isso se te deixasse ali.

— Então foi tudo um plano? — ele acenou que sim com a cabeça, ainda abraçado a mim. — Então eu olhar para você fez você...

— Olhar você, e te olhar me fez te querer, e enquanto você me via eu te desejava ainda mais.

Ainda estávamos abraçados e eu o apertei um pouco unindo meu nariz ao dele.

— Quer saber do que mais alfa? — Falei o encarando.

— O quê? — Ele sorriu curioso.

— Quer entrar?

— Achei que não pediria beta, ainda bem que pediu.