Notas iniciais
espero que estejam gostando da fic, se tiverem alguma sugestão deixem um comentário, obrigada por lerem ♥

A casa de Richard era meio distante do barulho e movimento do centro da cidade. Em um bairro calmo e quieto, e aparentemente seguro também.

Eu passei a viagem toda me concentrando nas coisas a minha volta, tentando ver algo que me ajudasse a lembrar das coisas, mas nada aconteceu.

Parece que eu precisarei de um pouco de paciência. Mas tudo bem, afinal memórias não voltam em questão de segundos.

A casa era simples e aconchegante, simples demais pra alguém que tem um carro tão luxuoso desses.

–Sinta-se em casa.

–Claro, obrigada.

–Você quer alguma coisa? Tá com fome?

–Não faz muito tempo que eu comi, mas sim, estou com um pouco de fome.

–Ok, vou preparar alguma coisa. Você pode assistir TV enquanto isso.

–Ok.

Eu me sentei no sofá, liguei a TV e deixei em um canal qualquer. O conteúdo do programa que estava passando não me parecia muito interessante, então nem prestei muita atenção.

Apenas fiquei olhando em volta. Alguma coisa naquela casa era intrigante, mas não sei o que.

Por alguns minutos pensei em milhares de coisas, mas meus pensamentos ainda estavam embaralhados.

Todos eles tinha um começo, um meio, mas nenhum tinha fim.

Talvez eu não deva me estressar tanto com isso, afinal eu sei que ainda terei muito tempo pra fazer o que tenho que fazer.

Eu acabei de sair do coma, talvez eu devesse deixar minha cabeça descansar um pouco.

Depois de algum tempo Richard voltou para a sala com alguns sanduíches.

Minha fome tinha misteriosamente desaparecido, mas eu comi dois sanduíches para não disperdiçá-los.

Conversamos sobre várias coisas, ele me fazia algumas perguntas de vez em quando mas eu não sabia como respondê-las.

Conversa vai e vem, e depois de um tempo eu já estava me sentindo sonolenta novamente, afinal não tinha dormido muito bem naquela noite.

–Se importa se eu tirar um cochilo? Só para recuperar um pouco as energias.

–Claro.

–Onde fica o quarto?

–Segundo andar, no fim do corredor.

–Obrigada.

–Se precisar de alguma coisa pode me avisar, ok?

–Tá. -Subi as escadas, exausta. Só queria algumas horas de sono. Se bem que eu já dormi por muito tempo né?

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Richard’s POV

Por que? Por que ela? Por que essa garota?

Helena Miller. Eu odeio tudo nela. Odeio seu longo cabelo castanho, que de forma irritante combina perfeitamente com seus lindos olhos verdes.

Odeio seu belo sorriso. Seus olhos que brilham mais que o sol ao meio dia.

Odeio sua teimosia e o jeito como ela acha que pode resolver tudo sozinha. Odeio quando ela é apressada.

Odeio o jeito que ela come e ainda por cima fala de boca cheia.

Odeio ela por completo...pois ela me faz ser real. Minha existência tem sido um fardo para mim desde que eu a conheci.

Ela me faz ser… Richard Johnson, o cara de 22 anos que está apaixonado por uma garota que acabou de sair do coma.

Eu não suporto estar perto dela, e não suporto a ideia de estar longe dela.

Então o que eu devo fazer?

Eu devo ignorar este sentimento ridículo que é o amor?

Eu não sei, estou perdido em meu próprio coração.

Helena Miller…

Eu a odeio. Eu a amo.

Fui até o banheiro e lavei meu rosto repetidas vezes.. Meu reflexo no espelho debochava de mim.

–Vai mesmo perder seu tempo com joguinhos de amor? Você e esta garota não vão a lugar nenhum juntos.

–Não foi uma escolha minha. Se eu pudesse eu a mandaria pra longe daqui, mas eu não posso. Você mais do que todos sabe disso.

–Então por que você não some e esquece ela? Você sabe que ninguém sentiria sua falta.

–Ela sentiria…

–Será? O que você acha que é pra ela? Para uma garota que acabou de sair do coma… Você é apenas um enfermeiro.

–Calado…

–Acredite, ela precisa de você agora, mas quando não precisar mais… nem lembrará o seu nome.

–CALA A BOCA!

Eu dei um soco tão forte no espelho que foi capaz de transformá-lo em pedacinhos. Minha mão começou a sangrar na hora.

–Richard?!

Ouvi a voz de Helena vindo do andar de cima. Merda, ela está vindo pra cá.

Sai do banheiro e tranquei a porta enquanto ela descia as escadas.

–Richard? O que aconteceu?

–Eu machuquei minha mão.

–Mas eu ouvi você gritando. Tinha alguém aqui?

–Gritando? Eu não disse nada, você deve estar ouvindo coisas.

–Mas…

–Olha, por que você não tenta dormir? Está tudo bem, não tinha ninguém aqui, eu só machuquei minha mão. Não se preocupe, ok?

Eu sorri para ela. Precisava ficar sozinho um pouco.

–Ok, tem certeza de que está tudo bem? -Ela parecia preocupada…. Ela se preocupa comigo?

–Está. Agora tente dormir, amanhã iremos falar com a polícia, então é melhor você descansar.

–Tá bom, eu vou tentar dormir.

Eu esperei ela ir para o quarto, peguei a caixa que estava no canto da sala de estar e fui para o porão sem fazer muito barulho.

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Helena’s POV

Aquilo foi estranho…

Ou tinha alguém aqui ou ele é louco. Eu tenho certeza de que ouvi ele gritando com alguém. E obviamente ele não machucou a mão sem querer.

Por que ele mentiu?

Ah… É melhor deixar isso pra lá.

Me sentei na cama e fiquei olhando pela janela do quarto.

Eu me sinto estranha nessa casa. Talvez seja porque é a casa de um cara que eu praticamente nem conheço.

Me pergunto se devo mesmo confiar nele… Ainda mais depois do episódio de hoje.

E o jeito como ele me trata tão bem me deixa desconfiada, afinal ele nem me conhece.

Será que eu posso confiar em Richard? Ou em qualquer pessoa?

Tudo o que eu mais preciso agora é conseguir contato com a minha família.

Acho que quanto antes eu puder sair daqui, melhor.

Olhei para o criado mudo que estava ao lado da cama e havia um diário em cima dele.

O diário de Richard?

Peguei o diário e estava prestes a abrí-lo, mas não o fiz.

Será que eu devo mesmo ler isso? Seria muito errado…

E se Richard descobrir que eu li o diário dele… ele vai ficar muito bravo.

Mas eu preciso saber seus pensamentos, preciso saber se devo confiar nele.

Então… eu farei isso.

Abri o diário e folheei algumas páginas.

Ele parecia meio antigo, as páginas estavam amareladas e as pontas estavam meio curvadas, como se alguém tivesse lido aquilo várias e várias vezes.

Mas as páginas estavam vazias!

Não havia nada naquele diário!

Mas talvez isso seja bom, uma pessoa escreve seus maiores segredos em um diário, esperando que ninguém os descubra.

Seria errado se eu lesse coisas que eu não deveria ler.

E soubesse coisas que eu não deveria saber.