Imaginary Friends
4 Faceless
Notas iniciais
obrigada por lerem e tenham uma boa leitura ♥
Hoje eu tive outro sonho.
Eu estava caída no chão, cercada de dezenas de pessoas sem rostos.
Elas chamavam pelo meu nome, enquanto uma música tocava ao fundo.
Era uma música muito familiar.
E então eu não pude respirar.
Enquanto eu procurava por ar eles começaram a falar mais e mais alto, sempre chamando pelo meu nome.
E então… tudo ficou escuro.
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Acordei pela manhã. Eu realmente tinha dormido desde a tarde de ontem?
Por que a janela estava aberta? Eu lembro de vê-la fechada antes de adormecer.
Bom, Richard deve ter aberto…
Estava um pouco frio e chovendo um pouco, então fechei a janela e desci as escadas
–Richard?
–Estou na cozinha.
Fui até a cozinha e pude sentir o cheiro maravilhoso do bacon fritando.
–Você está muito magra então coma tudo, ok?
–Você fez isso tudo só pra mim? Não vai comer?
–Não tô com fome.
Ele colocou o bacon que estava fritando em um prato e me deu. Era uma mini montanha de bacon!
–Depois que terminar de comer você tem que se trocar, coloque isso.-Ele me entregou uma muda de roupas.
–Isso aqui é um pouco...feminino. Onde arranjou?
–Era da minha irmã.
–Ah… Falando nisso… onde está sua família?
–Eles não moram aqui.
–E por que você não mora com eles?
–Eu morava, mas eu tive que pegar um trabalho aqui em Orin, então tive que me mudar pra cá.
–Ah, entendo. Mas você visita eles?
–De vez em quando. -Ele olhou para o prato- Seu bacon vai esfriar, coma rápido e depois vista a roupa. Vamos sair daqui a pouco.
–Tudo bem.
Me sinto culpada agora, ele parecia meio bravo quando falei da família dele.
Hm… É melhor eu não demorar muito ou ele ficará mais bravo ainda.
Comi o bacon rapidamente e fui me trocar. A roupa ficou perfeita em mim!
Depois fui escovar meu cabelo e meus dentes. Percebi que era a primeira vez que eu estava me olhando no espelho.
Eu não sabia que tinha olhos verdes. Eu era muito branca também!
Então… É assim que eu sou.
Assim que terminei fui procurar Richard. Ele já estava no carro me esperando.
–A roupa ficou boa em você, não é? Minha irmã não é muito mais velha do que você, então imaginei que as roupas ficariam boas.
–Sim, ficaram ótimas! Quantos anos ela tem?
–21.
–Ah, ela é mais nova que você? Quando ela vier pra Orin eu adoraria conhecê-la.
–Eu não acho que isso seria possível. Como eu já disse, ela e meus pais moram longe daqui, então seria muito difícil pra ela vir.
–Ah, entendo… Enfim, vamos?
–Claro. Não se esqueça de colocar o cinto.
Assim que eu coloquei o cinto ele ligou o carro e foi dirigindo como um louco, passando na frente de todos e por incrível que pareça o carro não sofreu nenhum dano.
Mas aquilo era loucura, as pessoas podem dirigir assim por acaso?
O carro parou e parece que meu coração também. Eu senti que ia morrer!
–O QUE FOI ISSO? VOCÊ É LOUCO! -Eu estava agarrada ao cinto de segurança, completamente traumatizada!
–Não seja tão medrosa.
–Você é maluco? Você não pode dirigir assim, podia ter matado alguém!
–É claro que eu posso. E nenhuma pessoa morreu, então pare com isso.
Eu respirei fundo por um tempo, tentando recuperar a calma. Saí do carro. Meu coração ainda estava acelerado.
–Você não vem?
–Não, eu acho melhor você ir sozinha.
–Sim, afinal não quero você xeretando na minha vida.
–Não foi você que tentou ler o diário dos outros?
O que? Como ele sabia disso?
–Você deixou o diário aberto em cima do criado mudo, esperta.
–Ah…
–E mais, eu não preciso xeretar na sua vida. Agora vá.
Eu suspirei e fui em direção a delegacia. Na entrada dei logo de cara com um policial que estava bebendo café.
–Com licença…
–Sim?
–Oi, meu nome é Helena Miller e eu…
Na hora que eu disse meu nome o policial engasgou com o café.
–Helena… -Ele tossia muito- Helena...Miller?
–Sim.
Todos na delegacia me olharam.
–O que foi? Por que todos estão me olhando?
O policial ainda tossia um pouco.
–Você… Você sabe que estava em coma por mais de 10 anos, não é?
–É claro que eu sei! Eu saí do coma há dois dias atrás!
–Nós achamos que você não ia sair do coma nunca mais! Mas… Você tem alguma notícia da sua família?
–Como assim? Minha família? Não. Eu vim aqui esperando que vocês pudessem me ajudar a encontrá-la, porque eu não me lembro aonde minha família mora. -O policial ficou me olhando por um tempo e depois finalmente respondeu.
–Nós não sabemos onde está sua família.
–Como assim? Do que você tá falando? Minha família mora em Orin… Não mora?
–Sim. Quer dizer… morava. Mas eles estão desaparecidos há 12 anos. Nós esperávamos que quando você saísse do coma pudesse nos ajudar a resolver este caso.
O que? Meu Deus, do que ele está falando? Como assim desaparecidos? Há 12 anos?
–No dia do incêndio os bombeiros chegaram na sua casa e apenas você estava lá, Helena. Sua família desapareceu sem deixar vestígios. Você estava inconsciente no meio de todo o fogo, foi muita sorte você ter saído viva de lá. Mas mesmo depois que o fogo foi apagado não puderam achar os corpos de sua família, eles estão desaparecidos desde aquele dia. Nos últimos 12 anos nós temos feito de tudo para encontrá-los, mas até hoje não conseguimos nada. Sinto muito.
–Mas vocês não encontraram os corpos? Isso quer dizer que vocês não sabem se eles estão...mortos?
–Não. Mas se depois de 12 anos não conseguimos encontrá-los… eu acho que é praticamente impossível que eles estejam vivos.
Eu parei por um minuto. Minha mente ainda não conseguia processar toda a informação.
E se eles estiverem mortos? O que é bem provável…
Eu terei de começar uma vida totalmente diferente. Sozinha.
Mas também há a pequena chance deles estarem vivos.
Eu ainda estou muito confusa.
Como é possível que eles tenham desaparecido sem deixar nenhuma pista?
–Você sabe se a polícia achou algum pertence na casa? Algo que esteja em bom estado… que não tenha queimado.
–Eu não sei, mas posso ver pra você depois. Você pode voltar daqui a alguns dias e me procurar, se eu achar alguma coisa eu te falo.
–O-ok… Muito...obrigada.
Eu saí dali, sem saber o que fazer.
Já não basta toda a confusão depois de eu ter saído do coma… Agora isso?
Eu não estou pronta para aguentar tudo isso!
O que eu vou fazer sem uma família? Uma garota de 19 anos que não se lembra de nada e não sabe nada da vida.
Eu devo procurar pela minha família ou recomeçar a minha vida?
E se minha família está desaparecida há 12 anos… Então quem é a mulher que foi me visitar no hospital?
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