Imaginary Friends

5 There is no such thing as coincidence.


Voltei para o carro onde Richard estava me esperando.

–E então? -Ele disse enquanto se olhava no espelhinho do carro.

–Eles não sabem onde minha família está…

–O que? Como assim?

–Não sabem! Minha família está desaparecida há 12 anos! Eles desapareceram no dia do incêndio…

–E ainda não acharam eles? Mas como isso é possível?

–EU NÃO SEI! Eu estou me perguntando a mesma coisa.

–Mas o que você pretende fazer então?

–Eu não sei. Eu não faço ideia do que fazer, Richard.

–Olha… Por que você não entra no carro, nós voltamos pra casa, você descansa sua mente um pouco e depois decide o que fazer?

–É, você está certo.

Eu entrei no carro e coloquei o cinto de segurança, esperando ele começar a dirigir como um louco, mas por incrível que pareça ele foi dirigindo normalmente.

O céu estava nublado como de costume, mas não estava chovendo.

Paramos no sinal vermelho, perto de um playground que ficava na esquina de uma rua.

Havia vários brinquedos… Como um escorregador, um gira-gira, uma gangorra… E havia várias crianças brincando por ali.

Mas o que mais me chamou atenção foi a menina brincando sozinha no balanço enferrujado.

Ela não parecia feliz.

Por que ela estava brincando sozinha naquele balanço velho e enferrujado?

O sinal ficou verde e Richard continuou a dirigir.

Olhei para o espelhinho do carro e havia algo pendurado lá.

–O que é isso? -Eu disse olhando para o pequeno amuleto.

–É uma miniatura de um apanhador de sonhos.

–O que é apanhador de sonhos?

–Um apanhador de sonhos é um amuleto que espanta os sonhos ruins. Eu ganhei de presente.

–De quem?

–Não sei, faz muito tempo…

–Eu precisava de um desses, considerando os pesadelos que eu ando tendo…

–Você pode pegar emprestado! Não acredito que isso funcione de verdade, mas você pode pegar emprestado se quiser.

–Sério? -Eu peguei o pequeno amuleto- Muito obrigada!

Durante o resto da viagem eu fiquei observando Richard dirigir. Eu nunca tinha reparado em como ele era bonito.

Apesar de ter um rosto afeminado, ele era lindo.

Loiro dos olhos azuis… Ele também era alto e tinha um lindo sorriso.

E ele fazia com que eu me sentisse segura.

Ele era… meu único amigo. A única pessoa que eu conhecia.

Quando chegamos em casa já estava quase de noite!

O tempo realmente passou voando hoje! O que é estranho...porque quando saímos de casa ainda era de manhã!

–O tempo passou rápido hoje… -Eu disse enquanto saía do carro.

–É mesmo, né? Vamos entrando.

Nós entramos na casa e eu me joguei no sofá. Estava com uma sensação estranha novamente, uma pequena dor de cabeça e meu estômago estava um pouco embrulhado. Era uma sensação muito desconfortável.

–Estou morta de fome e cansaço!

–Por que você não assiste um pouco de TV enquanto eu preparo alguma coisa?

–Claro. Obrigada.

Liguei a TV, deixando em um canal qualquer. Fechei meus olhos tentando descansar um pouco, até que algo na televisão chamou minha atenção.

Após 12 anos, Helena Miller finalmente saiu do coma. No dia 10 de Outubro de 2001 Helena foi encontrada sozinha, inconsciente e com muitos ferimentos em sua casa no meio de um incêndio. Sua família desapareceu neste mesmo dia sem deixar vestígio e até hoje não foi encontrada.”

Estão falando de mim na televisão! Como assim?!

–Richard! Richard!

–Oi? O que foi? -Ele veio para a sala limpando a mão em sua camisa.

–Estão falando de mim na televisão!

Helena, que agora tem 19 anos, saiu do coma no dia 22/06. Ela estava em coma desde os 7 anos. A polícia espera resolver o caso agora, após 12 anos de investigações

Eu estava perplexa e sem fala.

–É, parece que o seu caso é bem famoso por aqui. Mas por que você se importa tanto?

–Eu não me importo...é só...estranho!

Eu desliguei a televisão e joguei o controle remoto de lado.

–Richard… O que eu devo fazer? Devo procurar pela minha família ou seguir em frente? E se eles estiverem mesmo mortos?

–Eu não sei, Helena. Mas… Não importa a sua decisão, eu vou te ajudar, ok? Esse é o meu trabalho, não é?

Ele se sentou ao meu lado...e segurou minha mão.

–Vai ficar tudo bem.

Eu fiquei olhando para nossas mãos, sem dizer uma palavra. Depois de alguns minutos ele se levantou.

–Eu preparei um sanduíche de queijo pra você. -Ele foi na cozinha e voltou com o sanduíche na mão- Coma e vá dormir, ok?

–Eu estou cansada de dormir. É só o que eu faço.

–Você precisa dormir para sonhar, já disse que talvez seus sonhos te ajudem a se lembrar de alguma coisa.

–É… você está certo.

–Eu estou sempre certo. -Ele riu.

–Cala a boca. -Eu ri junto.

Comi o sanduíche de queijo rapidamente enquanto Richard estava na cozinha preparando algo pra ele comer. Olhei para minhas pernas e percebi que eu estava realmente magra demais. Será que era alguma doença?

Olhei para o relógio na parede da sala e vi que já eram 19h.

Richard voltou para a sala com um outro sanduíche de queijo em mãos.

–Eu acho que vou dormir. -Eu disse olhando para ele.

–Tudo bem então.

Peguei o apanhador de sonhos e subi as escadas. Assim que entrei no quarto minha dor de cabeça ficou mais forte.

A janela estava aberta de novo, sendo que eu havia fechado hoje de manhã. Não lembro de ter visto Richard vindo no andar de cima depois que acordei. Será que alguém invadiu a casa?

Fechei a janela e a tranquei. Seria perturbador se eu acordasse no meio da noite e tivesse alguém no meu quarto…

Achei melhor eu dormir de luz acesa também.

Coloquei o apanhador de sonhos em cima do criado mudo e me deitei na cama.

Depois de um tempo fechei meus olhos e adormeci.

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Richard’s POV

Depois que Helena foi dormir eu fui para o porão, como de costume.

Assim que desci as escadas e abri a porta do porão eu pude sentir o cheiro forte de baunilha. Aquele cheiro tão familiar. O cheiro semelhante ao perfume que minha mãe costumava usar.

O papel de parede do porão também me traz boas lembranças. O papel de parede verde com detalhes dourados no topo.

Era o mesmo papel de parede do meu quarto quando eu era uma criança.

Olhei para o canto do porão e lá vi todos aqueles jornais empilhados.

Jornais que eu já li milhares e milhares de vezes.

Todos eles tem algo em comum. Todos eles falam sobre um grande incêndio que houve em Orin há 12 anos atrás.

Mas nenhum… nenhum fala sobre o acidente de carro que aconteceu naquele mesmo dia.

O acidente de carro que matou minha família.

Mas será que foi mesmo um acidente?

Pessoas inocentes que estavam fugindo da morte acabaram morrendo minutos depois.

Eu poderia dizer que foi uma infeliz coincidência…

Mas eu não acredito em tal coisa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.