I'm not afraid anymore
7 Capitulo 7
Notas iniciais
As semanas se passaram e eu continuei falando com o Federico. Resolvi não contar a historia dele nem pra Naty e nem pra ninguém, talvez ele não gostasse da ideia de todos saberem o que aconteceu com ele e perderia a confiança em mim.
Éramos muito amigos e contávamos tudo um para o outro. Eu o ajudava com a escola e as notas dele começaram a aumentar um pouco.
A Naty ficou com um pouco de ciúmes no começo, mas logo ele entendeu. Além disso, eu passava muito mais tempo com ela do que com o Fede, já que eu e ele só conversávamos depois das aulas e bem de vez em quando no intervalo.
Hoje é sexta-feira finalmente, eu e Naty estávamos conversando comigo e perguntou:
– Você sabe que dia é amanhã?
– Seu aniversário!
– Exatamente. Eu vou fazer uma festinha lá no meu apê. Vou convidar só os amigos mais próximos e então é óbvio que você tá convidada. Mas se você não conseguir ir não tem problema.
– Claro que eu vou né. Eu dou um jeito!
– Tá bom então. Mas não se meta em mais encrenca.
– Relaxa!
Depois das aulas, fui falar com o Federico como sempre.
– Oi! – Eu disse de repente o assustando um pouco e me fazendo rir por causa disso.
– Oi.
– Como foi na escola hoje? – Perguntei me encostando na parede do lado dele.
– Tive uma prova surpresa.
– Do que?
– Física.
– E como foi?
– Fui mais ou menos. Mas eu teria ido pior se fosse á algumas semanas atrás.
– Você acha que consegue passar de ano?
– Não sei.
Não falamos nada. Ele parecia querer perguntar alguma coisa, mas aparentava estar com medo.
– Você chora quando briga com seus pais?
– No começo eu chorava, mas agora não choro mais. Se eu chorasse toda vez que brigamos, eu estaria morta, desidratada sabe. – Eu respondi o fazendo rir.
Ficamos conversando por mais um tempo e eu voltei pra casa. Quando estava indo para o meu quarto fazer de vez as lições de casa ela minha mãe me parou e disse:
– Amanhã a noite teremos um evento.
– Outro?
– Sim.
– Sobre o que?
– O seu pai e eu somos amigos de uma atriz, Lívia Medonza, conhece?
– Claro que sim. – Digo como se fosse óbvio.
– Um filme dela irá estrear e ela nos convidou para assistir. Vão ter vários famosos lá e é, por isso, que não podemos faltar.
– Não posso ficar aqui em casa?
– Claro que não! Aquela sua entrevista rendeu muito para nós, você tem que ir!
– Mas eu não...
– Nem comece Ludmila! Você sabe do que sou capaz de fazer! – Disse ela me cortando.
– E que horas vai ser isso?
– Às dez da noite.
– Dez da noite?!
– Você quer que eu desenhe pra você entender.
– Não precisa. Sou mais inteligente do que pareço.
– É bom ser mesmo.
Fui pro meu quarto e me tranquei lá. Como eu iria pra festa da Naty? Só sei de uma coisa: Eu vou na festa da Naty de uma maneira ou de outra.
....
Acordei tarde nesse sábado. Eu estava esgotada. Tá começando vir provas e trabalhos um atrás do outro e eu tô ficando maluca. Mas hoje é aniversário da Naty e eu vou relaxar e aproveitar com ela. Marcamos de ir na sorveteria a tarde, meus pais deixaram, já que eu disse que iria até a biblioteca ler alguns livros sobre a reprodução dos vegetais.
Ela já tava me esperando num banco ao lado da sorveteria.
– Parabéns Naty!!! – Gritei a abraçando.
– Valeu Lu!
– Dezessete anos hein! Daqui a pouco vai poder ser presa!
Ela ri e entramos na sorveteria. Depois de pegar os sorvetes nos sentamos numa mesinha e conversamos enquanto comíamos.
– Eu te falei do evento que eu tenho hoje não falei? – Perguntei.
– Falou sim. No telefone, sexta-feira.
– Olha, não se preocupa que eu já tô planejando alguma coisa.
– Ludmila, não se meta em confusão com seus pais. Eu sei o que eles são capazes de fazer e se descobrirem que você não foi ao evento pra ir numa festa, ainda por cima na minha casa eles vão te matar!
– Não vão! Deixa que dos meus pais cuido eu. Eu vou tá na sua festa Naty, separa já a comida pra mim.
– Tá certo. – Disse ela rindo.
Depois de conversar, nos despedimos e eu fui pra casa. Fiquei um pouco no celular, depois no computador, enfim... Sentindo o gostinho do tédio que fazia tempo que não vinha e eu adorava a ideia de não fazer nada.
Finalmente a noite chegou. Me arrumei e embrulhei o presente dela. Fui até a janela e pulei. Fui andando até o prédio da Naty, subi e já escutei a música alta. Entrei no apartamento e calculei mais ou menos umas dez pessoas. Quando a Naty me viu correu e me abraçou.
– Parabéns de novo!!!
– Valeu de novo!
– Tá aqui seu presente.
– Ah Lu, não preci...
– Nem vem com essa que não precisava.
Ela sorriu e abriu o presente. Era uma camiseta da banda Kiss, ela ama essa banda.
– Obrigado Lu! É muito linda!
– De nada, você mais que merece.
– Tenho uma surpresa pra você. – Disse ela
– O que?
– Olha ali. – Disse ela apontando para a sacada do apartamento.
Era Federico, apoiado no ferro que cercava a sacada, olhandotudo lá em baixo.
– Você disse que convidaria o seus amigos mais próximos.
– Mas você gosta dele.
– Quem disse isso?
– Seus olhos, quando você fala dele.
– Nada a ver!
– Ludmila, não dá pra você negar! Você gosta dele, de verdade. Talvez você o ame.
Eu senti meu rosto queimar e admiti:
– É, eu gosto muito dele mesmo. E sim, talvez eu o ame. — Saí do transe em que eu estava e continuei: — Mas nunca vai acontecer nada.
– Por que não?
– Pelo simples fato dele ser um drogado e os meus pais serem os pais mais incompreensivos do mundo e por serem o advogados mais famosos do pais.
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