I'm not afraid anymore
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Respirei fundo e olhei pra baixo.
– Amiga, esquece isso. Curte a festa, faça o que você quiser tá. Só não quero que fique triste. – Disse ela me fazendo sorrir.
– Certo.
– Vai falar com ele.
– Por quê?
– Porque eu acho que ele também gosta de você.
Fiz que não com a cabeça, olhando para baixo, mas com um sorrisinho no rosto.
– Bom, como sabe, a casa é sua. – Dito isso ela foi falar com o Maxi, um cara que ela estava a fim.
Fui falar com o Federico. Apoiei meus braços no parapeito ao lado dele e quando ele me viu sorriu.
– E aí? – Disse ele
– O que faz aqui?
– A Naty me convidou. Mas aqui só tem gente que eu não conheço direito.
– Não se preocupe, o pessoal é legal.
– Acho que vai chover. – Disse ele olhando para o céu, que estava realmente bem nublado e cheio de nuvens, era uma noite quente.
– É mesmo.
– Que bom que amanhã é domingo. Vamos poder ficar até tarde aqui.
– Não, eu não posso.
– Por que não?
– Tenho que ir á um evento com os meus pais daqui á duas horas. – Eu disse triste.
– Que droga. Por isso nunca quis ser famoso.
– O que você quer ser? – Perguntei interessada.
– Eu?
– É.
– Bom, eu... Gostaria de ser advogado.
Eu o olhei confusa e ele riu.
– É brincadeira! Nunca que eu seria isso! – Disse ele ainda rindo.
– Vai ser comediante então. – Eu disse rindo também.
– Não! Não tenho jeito pra isso. Na verdade não tenho jeito pra nada.
– Claro que tem. Todo mundo tem.
– É engraçado como tudo tem um jeito de ser legal pra você. Tudo é muito perfeito.
– Minha vida não é a mais fácil do mundo. Tenho que ter um lugar pra me iludir. Um mundo alternativo.
– Todos temos um. Mas você ainda não respondeu a minha pergunta.
– Seria legal ser músico, mexer com essas coisas sabe.
– Acho que você consegue.
Ele riu.
– O que foi?
– Acha mesmo que tenho vocação pra isso? – Disse ele me olhando como se eu fosse louca.
– Odeio quando faz isso.
– Isso o que?
– Não acredita em você! Se acha a pior pessoa do mundo e eu posso te assegurar que convivo com pessoas infinitamente piores que você! Para com isso porque você não é assim! E isso me irrita! – Eu disse quase gritando.
– Tá bom! Se acalma! – Disse ele colocando as mãos para cima, como se estivesse se rendendo.
Bufei e tentei me acalmar.
– Desculpa tá. Se te incomoda tanto... – Ele disse.
– Eu também peço desculpas. É que eu tô cansada sabe! Eu só queria ficar aqui com a Naty e com você sem ter com o que me preocupar, mas não é assim e nunca vai ser e acabo descontando tudo isso em você.
– Tudo bem. Relaxa um pouco tá. – Disse ele segurando a minha mão.
Senti meio que um choque que nunca havia acontecido antes. Não soltei a mão dele, eu até gostei que aquilo tinha acontecido.
Como Naty sabia que eu iria ir embora mais cedo, cortou o bolo mais cedo. Depois dos parabéns eu fui falar com a Naty.
– Bom amiga, agora eu tenho que ir.
– Tá bom, mas é meio tarde pra você ir sozinha.
– Eu vou com ela. – Disse Federico.
– Então tá. – Disse Naty piscando pra mim.
Nos despedimos e eu e Federico descemos pelo elevador. Chegando no portão vimos que chovia muito. Muito mesmo!
– E agora? – Perguntei pro Federico.
– Pelo menos você não vai precisar tomar banho quando chegar em casa. – Disse ele rindo.
– Droga!
– Vai ser divertido.
– Vamos correr tudo bem. – Eu disse.
– Pode ser.
– Vem! – Gritei saindo correndo.
Ele saiu atrás de mim e começamos a correr no meio da chuva. Eu olhava para trás e o via rindo sem parar e por isso eu ria também.
Corremos na chuva por mais ou menos dez minutos e chegamos na viela que sempre nos encontrávamos. Retiro o que disse sobre quem cobriu aquela viela era idiota.
Me encostei na parede e comecei a rir mais ainda. Ele encostou ao meu lado e fez o mesmo.
– Nossa! Olha isso! – Eu disse vendo minha roupa encharcada e rindo ainda mais.
– Deveríamos fazer isso mais vezes. – Disse ele.
– Deveríamos sim. – Olhei meu relógio e percebi que eu estava muito atrasada.
– Tenho que ir! Minha mãe vai me esganar!
– Não, espera! – Disse ele me segurando contra a parede. Ele estava na minha e frente e estava muito próximo.
– Eu preciso te falar uma coisa. – Disse ele.
– O que?
– Sabe porque eu conversei com você no primeiro dia de aula?
Fiz que não com a cabeça e ele continuou:
– Eu fiz aquilo para descobrir se você poderia ser alguma ameaça pra mim pelo fato de ser filha de advogados e um drogado estudar na mesma escola, entende?
– Sim.
– E eu tenho certeza que você pensou em mim naquela entrevista daquele evento.
– Está certo.
– E depois daquilo conversamos, eu te contei tudo. Te contei o que eu não tinha coragem de dizer pra ninguém, confiei em você e você não me decepcionou. Você é a única pessoa que conheço que não me decepcionou.
Ele fez uma pausa e disse:
– Você me deu sua amizade e também foi uma coisa ninguém nunca me deu. Você é incrível Ludmila. – Disse ele sorrindo para mim.
– Obrigado.
– Hoje fiz duas coisa que nunca fiz antes. Quer dizer, uma das coisas aconteceu faz um tempo, mas enfim.
– O que você fez.
– Hoje eu não fumei, não toquei naquela coisa.
– Sério?
– Juro.
– Parabéns! – Eu disse sorrindo.
– E a outra coisa que aconteceu é... Que eu me apaixonei.
Engoli seco e não consegui falar nada.
– Eu to apaixonado por você Ludmila. – Disse ele.
Eu não sabia o que falar, nem o que pensar, nem o que fazer. Ninguém nunca me falou uma coisa daquelas. Eu estava explodindo de alegria, sem conseguir disfarçar, sorri.
– Isso nunca aconteceu comigo e eu nunca senti algo tão bom e diferente na vida. — Disse ele.
– Comigo também não.
Eu já não tinha mais autocontrole. Eu estava com as pernas trêmulas e com uma cara igual a de um idiota. Mas o que eu podia fazer?
Ele se aproximou mais, colocou as mãos na minha cintura e me beijou.
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