Notas iniciais
Oi povo!!! Boa leitura!

– Tá, e daí? — Eu disse.

– É estranho não é? Ele tem dezoito anos e ainda tá no colégio.

– Você não disse que ele repetiu?

– Sim, é verdade. Gatinho né.

– Você só pensa nisso Natália?

– É, pode ser.

Depois do intervalo, vieram mais três aula: biologia, química e matemática. Quando finalmente o sinal da saída bateu, arrumei meu material e fui falar com a Naty.

– Você vem pra minha casa? — Perguntei enquanto íamos até o portão.

– Seus pais me odeiam.

– Podem até te odiar mas vão ter que te suportar, porque eu não vou deixar de te convidar pra ir em casa só por causa deles.

– Eu até iria Lu, só que a minha mãe vai falar com a diretora hoje a tarde, teve um problema com a minha rematrícula e eu vou ter que ficar aqui.

– Tá, tudo bem então.

Nos despedimos e eu saí do colégio e fui caminhando sozinha até minha casa. Até que chegou uma parte do percurso em que eu tenho que atravessar uma viela (N/A Pra quem não sabe, viela é tipo uma ruazinha beeem estreita).

Sempre a atravesso sem problemas, nunca aconteceu nada comigo, só que dessa vez, vejo no meio dela o garoto que a Naty falou no intervalo, Federico eu acho. E vejo que o boato das drogas era real, ele estava fumando.

Meu coração disparou, não fiquei com medo mas vai saber o que passa na cabeça de uma pessoa quando está sob efeito dessa coisa? Nunca experimentei e nem vou, é tão nojento!

Respirei fundo e comecei a andar o mais rápido possível. A cada passo que eu dava o cheiro ficava mais forte e eu tentava manter a minha expressão normal.

Ao passar por ele, não aguentei e o olhei, ele também estava olhando fixamente pra mim, desviei logo o olhar só que ele falou alguma coisa.

– Você estuda na mesma escola que eu, te vi no intervalo.

Parei de andar e me virei para trás, para poder responder como uma pessoa normal.

– Sim, eu te vi também.

– É filha dos advogadinhos não é mesmo?

– Sou.

Ele sorriu, parecia irônico, eu não estava entendendo direito e um silencio estranho começou.

– Bom, eu preciso ir agora, até amanhã. — Eu disse me virando para poder ir embora o mais rápido possível.

– Está com medo não está? — Ele perguntou antes que eu pudesse dar um passo sequer.

– Por que eu estaria com medo? — Eu disse quase que por impulso.

– Você é filha dos advogados mais famosos da cidade, eles devem falar mal pra caramba de pessoas como eu.

– Eles não gostam muito.

Ele riu e deu mais uma tragada.

– Eles me odeiam. — Ele disse convicto.

Um silencio começou novamente, mas foi quebrado por ele.

– Tá, não vou mais te encher. Você não precisava nem ter ficado.

– Até. — Eu disse.

– Até.

Saí de lá o mais rápido que pude e fui para minha casa. Se a minha mãe descobrisse que aquilo aconteceu me trocava de escola no mesmo dia. Cheguei em casa e minha mãe estava no escritório olhando alguns papéis.

– Oi mãe. — Eu disse seca.

– Ludmila, como foi o primeiro dia?

– Bom.

– Você se comportou né. Não ficou de papo furado com aquela Natália.

– Não mãe. — Eu disse revirando os olhos.

– Ótimo, agora vai por quarto fazer o dever de casa agora.

Até parece que tenho cinco anos e não sei o que devo fazer, bufei e fui pro meu quarto.

Sentei na frente da escrivaninha, coloquei meu caderno em cima dela e abri na página do dever. Mas meus pensamentos foram direcionados para outra coisa... Federico. Por que ele conversou comigo? O que ele quer? Será que quer me atrapalhar por ser filha de advogados?

Notas finais
Gostaram? Espero que sim!!! Comentem pessoas!!!