I'm not afraid anymore
2 Capitulo 2
Notas iniciais
– Tá, e daí? — Eu disse.
– É estranho não é? Ele tem dezoito anos e ainda tá no colégio.
– Você não disse que ele repetiu?
– Sim, é verdade. Gatinho né.
– Você só pensa nisso Natália?
– É, pode ser.
Depois do intervalo, vieram mais três aula: biologia, química e matemática. Quando finalmente o sinal da saída bateu, arrumei meu material e fui falar com a Naty.
– Você vem pra minha casa? — Perguntei enquanto íamos até o portão.
– Seus pais me odeiam.
– Podem até te odiar mas vão ter que te suportar, porque eu não vou deixar de te convidar pra ir em casa só por causa deles.
– Eu até iria Lu, só que a minha mãe vai falar com a diretora hoje a tarde, teve um problema com a minha rematrícula e eu vou ter que ficar aqui.
– Tá, tudo bem então.
Nos despedimos e eu saí do colégio e fui caminhando sozinha até minha casa. Até que chegou uma parte do percurso em que eu tenho que atravessar uma viela (N/A Pra quem não sabe, viela é tipo uma ruazinha beeem estreita).
Sempre a atravesso sem problemas, nunca aconteceu nada comigo, só que dessa vez, vejo no meio dela o garoto que a Naty falou no intervalo, Federico eu acho. E vejo que o boato das drogas era real, ele estava fumando.
Meu coração disparou, não fiquei com medo mas vai saber o que passa na cabeça de uma pessoa quando está sob efeito dessa coisa? Nunca experimentei e nem vou, é tão nojento!
Respirei fundo e comecei a andar o mais rápido possível. A cada passo que eu dava o cheiro ficava mais forte e eu tentava manter a minha expressão normal.
Ao passar por ele, não aguentei e o olhei, ele também estava olhando fixamente pra mim, desviei logo o olhar só que ele falou alguma coisa.
– Você estuda na mesma escola que eu, te vi no intervalo.
Parei de andar e me virei para trás, para poder responder como uma pessoa normal.
– Sim, eu te vi também.
– É filha dos advogadinhos não é mesmo?
– Sou.
Ele sorriu, parecia irônico, eu não estava entendendo direito e um silencio estranho começou.
– Bom, eu preciso ir agora, até amanhã. — Eu disse me virando para poder ir embora o mais rápido possível.
– Está com medo não está? — Ele perguntou antes que eu pudesse dar um passo sequer.
– Por que eu estaria com medo? — Eu disse quase que por impulso.
– Você é filha dos advogados mais famosos da cidade, eles devem falar mal pra caramba de pessoas como eu.
– Eles não gostam muito.
Ele riu e deu mais uma tragada.
– Eles me odeiam. — Ele disse convicto.
Um silencio começou novamente, mas foi quebrado por ele.
– Tá, não vou mais te encher. Você não precisava nem ter ficado.
– Até. — Eu disse.
– Até.
Saí de lá o mais rápido que pude e fui para minha casa. Se a minha mãe descobrisse que aquilo aconteceu me trocava de escola no mesmo dia. Cheguei em casa e minha mãe estava no escritório olhando alguns papéis.
– Oi mãe. — Eu disse seca.
– Ludmila, como foi o primeiro dia?
– Bom.
– Você se comportou né. Não ficou de papo furado com aquela Natália.
– Não mãe. — Eu disse revirando os olhos.
– Ótimo, agora vai por quarto fazer o dever de casa agora.
Até parece que tenho cinco anos e não sei o que devo fazer, bufei e fui pro meu quarto.
Sentei na frente da escrivaninha, coloquei meu caderno em cima dela e abri na página do dever. Mas meus pensamentos foram direcionados para outra coisa... Federico. Por que ele conversou comigo? O que ele quer? Será que quer me atrapalhar por ser filha de advogados?
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