I'm not afraid anymore
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Anoiteceu e fomos jantar. Nos sentamos na mesa e comemos em silencio, no meio do jantar meu pai disse:
– Ludmila, amanhã haverá um evento muito importante, muitas pessoas da mídia estarão lá, daremos muitas entrevistas e você terá que vir junto com a gente.
Eu parei de olhar para o prato olhei para os meus pais.
– Eu não vou. — Digo.
– Você não tem escolha, terá que vir com a gente. — Minha mãe disse.
– Já disse que não vou.
– Ludmila, você não escutou a sua mãe? — Disse meu pai com a voz mais segura.
– Tô nem aí, eu não vou.
– Você acha que a gente quer te levar? Pois saiba que nunca levaríamos você. Mas não vamos te deixar sozinha aqui, seu rosto é conhecido pela mídia, com certeza você vai fazer alguma coisa errada e nos prejudicar.
– Vocês só se preocupam com a imagem de vocês e nunca com a minha opinião! — Eu disse mais alto, bem mais alto.
– Você me respeita garota! Eu sou a sua mãe! — Minha mãe respondeu no mesmo tom de voz.
– Mas não parece! — Eu gritei.
– Ludmila não aumente a voz com a sua mãe! — Bronqueou meu pai, como sempre.
– Qual é?
– Vai pro seu quarto Ludmila! — Minha mãe gritou apontando para a porta.
Me levantei com raiva e fui pro meu quarto. Bati a porta e me tranquei lá. Era a terceira vez no mês que discutimos desse jeito. Então resolvi ligar pra Naty.
– Oi Lu, o que foi? — Perguntou ela do outro lado da linha.
– Posso ir pro seu apê?
– Mas os seus pais...
– Nem me fale neles. Posso ir ou não? — Eu disse a cortando.
– Não sei não. Eu tenho um pouco de medo deles.
– Relaxa Naty, com você não vai acontecer nada.
– Se é assim, pode vir.
Desliguei e desci pela janela do meu quarto até o jardim, que ficava atrás da casa, já tenho prática me fazer isso.
Tentei ir o mais rápido possível pra casa dela, sem que as pessoas me reconhecessem. Cheguei lá em dez minutos mais ou menos, o porteiro me conhece e me deixou subir, mas antes pedi para ele não falar pra ninguém que eu estava lá, subi de elevador e bati na porta. Naty mora sozinha, mais uma razão para eu admirá-la. Ela abriu a porta e olhou bem pra mim.
– Foram seus pais né.
– É.
– Entra. — Disse ela dando espaço para eu entrar.
E eu fui direto pra quarto dela, aquela era minha segunda casa. me sentei na cama e ela se sentou ao meu lado.
– Vai, fala tudo. — Ela pediu.
– Eles querem me levar para outro evento.
– Um evento daquele tipo que você acha chatíssimo?
– Esse mesmo. Minha mãe falou que vou ter que ir, porque eles tem medo de que eu faça uma burrada se eu ficar sozinha. Mas eu nunca faço Naty! Sempre que faço alguma coisa escondido volto antes das uma da madruga e mesmo assim eles não confiam!
– Eu sei. Mas daqui a pouco você vai ser maior de idade e vai poder fazer o que bem entende. Pode vir morar aqui comigo se quiser.
Pela primeira vez naquela noite consegui sorrir.
– Não quero te ver assim, vamos mudar de assunto. E aí, aconteceu alguma coisa de nova hoje que eu não saiba?
– Aconteceu.
– Conta!
– Quando eu tava voltando da escola eu falei com o Federico sabe?
– Você falou com ele? — Perguntou ela com um sorriso na cara.
– Ele tava se drogando.
– Então é verdade? O povo parou de mentir? Estão progredindo!
– Pois é, mas não fala pra ninguém tá.
– Tá bom, tá bom. Mas conta o que vocês conversaram?
– Nada de mais. Ele disse que sabia que eu era a filha dos advogados e que eles me odeiam.
– Ele tá certo.
– Pior que tá.
– Mas onde você achou ele?
– Sabe a viela que a gente sempre passa pra ir pra casa, aquela cheia de caçambas de lixo?
– Sei.
– Ele tava sentado no meio dela e eu tive que passar.
– Você ficou com medo?
– Quase nada.
– Sério? Eu acho que faria a volta ao mundo pra não ter que passar por ali. — Disse ela me fazendo rir.
Depois de conversar mais um pouco, eu me despedi e fui pra minha casa. Não posso chegar muito tarde senão meus pais irão desconfiar. Me deitei e dormi rapidamente.
Acordei cedo novamente, mais um dia torturante começa, mais escola, mais brigas e um evento super chato.
Tomei café bem rápido e encontrei a Naty na esquina, meus pais ficam muito bravos quando ela vai na minha casa me buscar para irmos juntas.
Chegamos lá e fomos direto pra sala, chegamos em cima da hora de novo. Depois das três primeiras aulas o intervalo finalmente chegou. Eu e a Naty pegamos o lanche na cantina e nos sentamos no mesmo lugar de sempre.
De repente vejo Federico um pouco afastado de nós, encostado na parede me olhando fixamente de cima a baixo. Senti meu coração disparar. Eu também o olhava. Eu estava meio desconfortável com aquela situação, era como se tudo que estava em volta estivesse embaçado e única coisa que eu via com clareza. Quando ele percebeu que eu olhava, sorriu e ainda bem que eu estava sentada, pois senti minhas pernas ficarem trêmulas.
Tomei um susto quando o sinal bateu, como se aquilo rompesse uma ligação.
– Ludmila vem. — Disse Naty.
Assenti com a cabeça, me levantei e olhei pra lado pra ver se ele ainda estava ali, ele estava, mas ao ver que eu me levantei saiu andando até na sala do terceiro ano.
Depois de todas as aulas eu e Naty fomos embora juntas, quando saímos do portão ela disse:
– Quando chegarmos perto da viela eu vou pelo caminhos antigo, aquela que fazíamos quando descobrimos a viela como atalho.
– Não, pra que?
– Pra você poder falar com ele.
– Não! Não vou falar com ele.
– Acha que eu não vi vocês se olhando no intervalo?
– E daí?
– Ludmila, você sabe muito bem!
– Eu o conheço a um dia!
– Por isso mesmo vocês tem que se conhecer mais.
– Você sabe que não vai rolar né. Nem se eu quisesse.
Continuamos andando até chegarmos perto da viela.
– Tchau Lu! Até mais. — Disse ela sorrindo.
– Idiota!
– Também te amo. — Disse ela rindo e se afastando
Cheguei no começo da viela e vi ele encostado na parede, da mesma maneira que a do intervalo. Ele olhava para o outro lado, mas virou a cabeça e me viu, pareceu sorrir, mas estava meio escuro, já que um "gênio" resolveu cobrir a viela. Ele estava fumando, como da outra vez.
Respirei fundo fundo e comecei a andar.
...
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