I'm back for you
2 Capítulo 2 - O reencontro
Notas iniciais
Ding- Dong, esse era o barulho que a campainha da grande casa de Anna fazia quando era tocada.
Mais que depressa Anna veio abrir a porta, deveria ser Thomas.
Às sextas-feiras eles sempre assistiam filmes estrangeiros juntos. Assistir filmes era o programa de final de semana que os dois melhores amigos mais amavam fazer.
–Hey Anna. – Antes que pudesse dizer mais alguma coisa a menina se jogou em seus braços abraçando-o, de início Thomas ficou surpreso com a atitude da castanha, porém resolveu corresponde-la.
–Que filme vamos ver? – Perguntou a menina animada enquanto se desvencilhava dos braços do amigo.
– Nossa, você está... Está bem melhor do que hoje na escola.
A garota sorriu docemente em resposta.
– Sabe eu estava pensando de ir ao cinema, o que acha? – Disse Thomas tomando atitude.
– Vou pegar meu casaco. – Respondeu a castanha diretamente.
Thomas entrou na grande casa, seguiu até a sala de visitas e sentou-se em um dos sofás. Olhou para suas mãos e elas estavam tremulas.
Seria pelo abraço que Anna o dera tão inesperadamente? Ele ainda não sabia ao certo, porém lá no fundo ele sentiu acender uma chama de esperança.
Sim, Thomas sempre soube que Annabeth o considerava apenas como um amigo, um melhor amigo. Mas isso nunca o impediu de alimentar a esperança de que um dia Anna iria perceber que ele era o rapaz ideal para ela.
–Tom, eu estava pensando em vermos aquele filme que vimos em cartaz aquele dia, aquele de vampiros. – Tagarelava a castanha enquanto descia as escadas.
Ele tentou ignorar o fato de que Anna estava linda, mais bonita de que todas as outras vezes que ela já tinha visto em toda a sua vida mas flagrou-se de boca aberta, admirando a beleza da doce menina enquanto descia as escadas e ia em sua direção. Serrou os lábios antes que Anna percebesse que ele estava pensando em como ela estava esplendorosa.
Thomas comprou os ingressos, e entraram para ver o filme. Era um filme de terror, o gênero preferido de ambos, porém Thomas não conteve-se, e perdeu a maior parte do filme admirando a beleza da castanha que não desgrudava os olhos do telão a frente.
Nathaniel Bradbury – 17 de Novembro, Chicago.
–Temos serviço. – Anunciou Sarah entrando na sala, ela trajava coturnos escuros, uma calça de couro, uma regata branca com uma jaqueta por cima, também de couro e seus cabelos estavam presos em uma trança.
Antes que a moça pudesse dizer algo novamente, os garotos já estavam de pé caminhando e saíam da sala por onde a moça acabara de entrar.
– Especifique Sarah.
– Parece que está tendo uma bruxa está nos arranjando problemas. Mason detectou uma magia muito poderosa. – Ela engatinhou um revolver e continuou a explicar a situação ao irmão: — O problema é que o feitiço está bloqueado.
– Tem certeza que quer mexer com as bruxas? Elas são...
–Perigosas. – Nate completou a frase do amigo de olhos verdes. – Nós já sabemos disso Carter. E é por isso que vamos só eu e Sarah até o local da bruxaria, temos mais experiência.
Sarah fitou seu irmão com um olhar interrogativo.
– Não eles já estão mais que prontos para...
– Eu disse não Sarah. – Gritou.
Sara assustou-se com o tom de voz do garoto e somente assentiu e concordou.
– Vamos eu e meu irmão, somente. Não saiam da mansão para nada, ouviram?
Somente a luz tremula de um poste de luz iluminava o ambiente, o que deixava praticamente ambiente totalmente às escuras.
Sara repentinamente parou a frente de uma casa, era velha com muros desgastados e portões de ferro enferrujados.
Fechou seus olhos, inspirou o ar com força. Teve a certeza que ali era o local onde o feitiço estava sendo feito.
– É aqui, posso sentir a magia.
Nate aproximou-se mais e notou que as correntes que trancavam o portão estavam arrebentadas, o que lhes facilitou a entrada.
– Vamos entrar.
Olharam pela janela e não avistaram nada, rodearam a casa e chegaram até a porta dos fundos.
–Está trancada. – Anunciou Sarah dando espaço para o irmão que num chute conseguiu arrombar a porta fazendo que as dobradiças velhas e enferrujadas se partissem e a porta fosse ao chão.
Vasculharam todo o local, porém ao contrário do esperado, não encontraram nem uma bruxa nem nada que os desse pistas sobre o feitiço que a pessoa que estará ali antes deles houvesse feito. Encontraram velas, o que confirmou a hipótese de que antes havia alguém ali praticando feitiçaria.
– Está limpo.
– A vadia foi mais rápida que nós. – Reclamou Nate.
– Vamos embora, não há nada de útil mais aqui.
Os irmãos saíram da casa mas não notaram que quando cruzaram o portão todas as velas, antes apagadas, agora num piscar de olhos se acenderam-se novamente.
Annabeth Fletcher – 17 de novembro, Chicago.
–Thomas, posso ir sozinha para casa não sou uma criança. – Protestou Anna enquanto discutia com Tom na porta do cinema.
– Tem certeza que está? No cinema você me pareceu estar mal. Ficou toda esquisita, fechou os olhos começou a tremer um pouco, Anna você até ficou sem ar.
Flashback on
–Essa é a melhor parte, o caçador vai mata-los com uma adaga de prata. – Avisou Tom a amiga.
– Cala a boca, não estrague o meu film...
“ E novamente Anna estava em um lugar desconhecido que não se parecia nem um pouco com uma sala de cinema.
Pode se ver fora de seu corpo, trajava um vestido vestido vermelho escuro, com pouco volume na parte da saia, com mangas longas, com um corselet marrom e seu cabelo estava preso em uma trança com várias mechas soltas. Em suas mãos possuía uma arma que não conhecera, mas era parecida com uma espada.
Viu um homem aproximando-se a da Anna do sonho agarrando-a e cravando-lhe uma adaga de prata em sua costela.
Pode ouvir a Anna do sonho gritar agonizando de dor.
–Aaaaaah.
O homem ainda a segurava rente a sí próprio vendo a menina morrer aos poucos.”
Anna inspirou o ar com toda a força e num segundo já não estava em seu sonho, estava novamente na sala de cinema ao lado de seu amigo, Thomas.
– Você está bem? Responde Anna, fala alguma coisa. – Dizia o rapaz baixinho assustado.
– O que? – Perguntou ela sem entender.
– Você está bem? Você ficou estranha novamente, parecia estar em transe.
Anna não estava nada bem, suas pernas e mão tremiam como se houvesse acabado de levar uma descarga elétrica, estava gelada e aquele sonho havia deixada assustada.
Mas decidiu não expor nada ao amigo, nada ainda.
–S...Sim, estou bem. Vamos ver o filme Thomas não atrapalhe.
Flashback off
–Thomas, isso é coisa da sua cabeça. Eu estava prestando atenção no filme. Eu vou embora sozinha. Minha casa fica a menos de cinco quadras daqui, se você for me levar em casa, terá que fazer todo esse caminho de volta. – Insistiu ela.
–Okay, mas qualquer coisa me ligue, se ficar com medo ou passar mal ou simplesmente querer alguém para levar-lhe em casa.
–Okay.
–Fique conversando comigo por mensagem, só por segurança.
Os dois amigos se despediram com um abraço, e Anna acenando para o rapaz disse:
– Te vejo na escola amanhã.
Nathaniel, 17 de Novembro, Chicago.
–Então, do que você desconfia Sarah? – Perguntou o loiro.
A menina de cabelos pretos bufou descontente.
– Ainda não faço ideia, mas sei que é algo grande. Se não, não haveria o porquê de fazerem um feitiço de bloqueio para esconder.
– Bruxas são livres irmã, não tem o porquê esconderem nada de nós. – Garantiu.
– Ah tem sim, você mesmo sabe que atregua diz que elas não pode mexer com feitiçaria negra. – Sarah olhou para o irmão que estava uma expressão pensativa.
O rapaz pensava em todos os motivos pelo qual uma bruxa iria querer esconder um feitiço, andava distraidamente pela rua, passava entre as pessoas que não poderia o vê-lo, quando de repente viu algo que de forma alguma poderia ser real. Algo que até ele, não acreditava.
–S...Sarah... Olhe lá! Você também pode ver? – O menino parou bruscamente de andar e apontou com o dedo indicador para o outro lado da rua.
A menina parou no lugar que estava, arregalou os olhos e depois esfrego-os.
–Não creio! Não, não pode ser real!
–É ela, é Alexandra.
Rapidamente o rapaz saiu correndo entre pessoas, que não poderiam vê-lo, dando empurrões e atravessando a rua. Parou um pouco mais à frente da moça que caminhava com a cabeça baixa mexendo em seu aparelho de celular.
– Nathaniel, controle-se. – Gritou a irmã.
–É a Alexandra.
A menina castanha levantou a cabeça olhou assustada com as sobrancelhas erguidas em direção aos dois irmãos que trajavam roupas escuras e estavam gritando a sua frente.
Reconheceu a face do rapaz mas não se lembrava exatamente de onde o conhecera, então apenas sorriu e acenou um tchauzinho com a mão e continuou andando, agora um pouco mais rapidamente.
–Ela nos viu?
–Sim, eu deixei. – Confessou o irmão.
Sara se virou para o irmão, cruzou os braços nervosa.
– Você é louco Nathaniel?
– Eu pensei que se fosse realmente Alexandra... Ela pudesse nos reconhecer... Pudesse.
– Era alguém parecido, não era ela. Era uma moça parecida somente irmão.
Antes que a irmã pudesse tagarelar como de costume o rapaz de cabelos claros e olhos cor de conhaque saiu correndo atrás da castanha, agora sem que ela pudesse enxerga-los.
A seguiu por volta de três quarteirões, até vê-la entrando em uma enorme casa com muros cinza e portões negros.
Nathaniel não sabia se de fato era Alexandra, porém ele tinha certeza de que fosse sua amada ela teria corrido de imediato para seus braços assim que o visse. Não teria? Teria sim, pois não importaria quanto tempo se passasse, décadas, séculos ou milênios, Alexandra sempre seria seu amor e ele o dela pois a mesma havia jurado isto em seu leito de morte.
O rapaz ficou na porta do casarão por algum tempo até que decidiu ir embora.
Ao chegar na mansão foi abordado por sua irmã tagarela, perguntou-o como ele estava, se conseguira seguir a menina, se haviam conversado e o mais importante, se era de fato Alexandra. Ele respondeu calmamente tudo o que a garota perguntou e pediu para que a irmã não contasse nada a ninguém até que ele mesmo decidisse contar.
– Bom vou dormir. – Anunciou a irmã enquanto saia do quarto e fechava a porta.
Nathaniel sentia um aperto em seu peito, tinha dúvidas, dúvidas que ele queria muito desvendar.
Foi até o banheiro de seu quarto, ligou o chuveiro, tirou suas roupas negras, deixando a mostra seu belo corpo e logo entrou debaixo da ducha. Enquanto a agua percorria seu corpo ele não podia pensar em outra coisa além de sua Alexandra. Ele a viu morrer, presenciou a jovem agonizar até a morte, como aquilo seria possível?
Ao sair do banho deitou-se em sua cama, aninhando-se em meio aos cobertores. Era uma noite estava gelada, uma noite gelada assim como no dia da morte de Alexandra.
Virou-se para um lado da cama e poucos segundos depois para o outro, tentou achar uma posição mais confortável porém não conseguiu. Ele precisava acabar com a curiosidade que o corroía por dentro e o fazia sentir falta de ar.
Olhou para o relógio de cabeceira e no visor marcavam quase duas da manhã. Levado por um impulso levantou-se da cama, trocou de roupas, saiu de seu quarto e foi procurar por respostas.
Annabeth – 18 de Novembro, Chicago.
Ao chegar em casa, a moça foi diretamente para seu quarto, olhou-se no espelho e avistou um reflexo de si cansada, decidiu não tomar banho, pois estava demasiadamente cansada e no relógio já marcava quase meia noite. Tomaria então banho no dia seguinte pela manhã antes de ir à escola. Deitou-se despojadamente em sua cama, aos poucos tudo foi ficando escuro, seus olhos foram fechando-se vagarosamente até dormir.
“Pode se ver fora de seu corpo, estava no mesmo lugar de antes, trajava as mesmas roupas, um vestido vermelho escuro com pouco volume na parte da saia, com mangas longas, com um corselet marrom e seu cabelo estava preso em uma trança com várias mechas soltas. Em suas mãos possuía uma arma que não conhecera, mas era parecida com uma espada.
Viu um homem aproximando-se a da Anna do sonho agarrando-a e cravando-lhe uma adaga de prata em sua costela.
Pode ouvir a Anna do sonho gritar agonizando de dor.
–Aaaaaah.
O homem ainda a segurava rente a si próprio vendo a menina morrer aos poucos.
Ouviu alguém gritar atrás de si. Era um rapaz loiro com olhos claros, o mesmo dos últimos sonhos, e ele gritava para Anna do sonho:
–Não, acalme-se tudo vai ficar bem.
Ele estava sendo segurado por dois homens bem mais fortes que ele, o que o impossibilitava de ir atrás da garota.
O homem que a segurava a Anna dos sonhos ao perceber que a castanha acabara de morrer a soltou e em um piscar de olhos ele, os brutamontes e mais uma mulher loira que lutava com uma menina de cabelos extremamente negros sumiram no ar.
O jovem mais do que rapidamente chegou até o corpo de Anna sacudindo-a, gritava para tentar obter resposta, porém não obteve sucesso algum. Ele chorava desesperado, pegou um objeto de seu bolso, o qual Annabeth não conseguiu distinguir, e começou a falar algumas palavras que também não sabia o significado.
A jovem de cabelos escuros ajoelhou-se perto do loiro e do corpo de Annabeth do sonho, colocou a mão sobre o ombro do rapaz e disse:
– Nate, não adianta tentar marca-la... Ela já está morta. Não pode ser salva.
– Não, posso sim. Ela vai sobreviver... Ela precisa sobreviver. – Gritava o rapaz em meio aos prantos.
– Vicenso Salazar nunca faria algo errado a ponto de deixa-la viva, entenda Nathaniel. Ela está morta irmão.”
E num suspiro Anna já estava em seu quarto novamente, a jovem acordou de fato assustada. Estava com medo, tudo agora parecia tão real. Ficara sensibilizada com a dor do rapaz de cabelos louros.
– O rapaz! – Gritou ela ao se dar conta de que o rapaz das visões parecia ser o mesmo que havia visto hoje na rua enquanto voltava para casa.
A castanha ficou pensando como aquilo seria possível? Ela sonhou com o rapaz porque o vira na rua hoje? Provavelmente não, pois ela mesmo se recordava de sonhos anteriores em que o estava junto a ela.
Sentiu uma forte dor de cabeça repentinamente, a dor era tão intensa que parecia que sua cabeça iria explodir, pressionou suas mãos na cabeça e gritou de dor. Sua cabeça latejava, sentou-se na cama, ao se olhar no espelho viu seus olhos começar a ficarem avermelhados.
Pensou em gritar por socorro mas estava praticamente imobilizada pela dor forte na cabeça, do que adiantaria? Os serviçais já tinham ido embora.
Foi ficando tonta, e tudo a sua volta começou a tremer e ficar deturpado, com dificuldade levantou-se da cama mas antes que conseguisse dar o primeiro passo caiu no chão inconsciente.
Após poucos minutos abriu os olhos e sorriu. Respirou bem fundo, olhou suas mãos e tocou-as em sua face e voltou a sorrir novamente, como era bom estar viva novamente.
–Estou viva! Estou viva! – Gritou a castanha. – Depois de quase dois séculos estou viva novamente.
A dor de cabeça voltou novamente, e tudo começou a girar.
– O que está acontecendo? – Perguntou sem entender. –Não, não pode ser! Não posso voltar, quero ficar viva! Preciso ficar viva. Não posso voltar agora...
Seu único instinto foi sair correndo sem rumo, saiu de sua casa e começou a perambular pelas ruas como se procurasse por algo.
A dor de cabeça era imensa, sentia como se estivesse morrendo pela segunda vez. Exausta parou em frente a um bar, já não conseguia mais andar devido a dor então caiu de joelhos no chão e com as mão na cabeça.
–Alexandra! – Ouviu alguém gritar por seu nome e instantaneamente olhou para onde vinha aquela voz tão conhecida.
Ao avistar o rapaz de cabelos loiros a castanha sorriu em meio a dor. Ela havia conseguido, não como o planejado mas, eles tinham se reencontrado.
Antes que pudesse dizer algo a Nathaniel, tudo começou a desaparecer e num piscar de olhos ela já não estava mais lá.
Inspirou o ar com toda força que pode, Anna olhou em volta e não fazia a mínima ideia de onde estava.
–Alexandra. – Disse o loiro correndo em direção a castanha e ajoelhando-se ao seu lado. – Você está bem?
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