I'm back for you
3 Capitulo 3 - Descoberta
Notas iniciais
Annabeth arregalou os olhos, pois não acreditava no que via, era ele... O rapaz de seus sonhos, o rapaz que vira na rua mais cedo, ele estava bem a sua frente.
– V...ocê. – Sussurrou enquanto rastejava procurando se afastar do rapaz. – O que quer comigo? Porque está me perseguindo? – Interrogou-o.
Nathaniel fitou-a cuidadosamente, reparando bem em suas expressões, seus olhos, boca e cabelo. Realmente a moça era de fato idêntica à sua amada que perdera a alguns séculos atrás.
O rapaz engoliu seco, enquanto pensava em uma desculpa que não fosse algo como: “Olá sou Nathaniel e você é idêntica a minha ex namorada que morreu a quase dois séculos atrás”.
– Bom eu não a seguia, eu estava vindo até este bar.
Disse enquanto aproximava um pouco mais da garota que estava sentada no chão e a garota em resposta, recuou imediatamente.
– Acalme-se não vou lhe fazer mal algum. – Avisou o rapaz enquanto aproximava seus dedos da face da castanha e limpava um pouco de sangue que escorria de seu nariz.
– Sangue? – Ela olhou-o assustada enquanto também passava a mão no sangue vermelho vivo que escorrida de seu nariz.
O loiro de olhos claros afastou e levantou-se e cavalheiramente e estendeu a mão para a garota que ainda se encontrava sentada no chão.
– Você está bem?
A garota pensou um pouco antes de responder a pergunta que o rapaz lhe fizera, ela não estava nada bem, sua cabeça ainda rodava um pouco e ela não sabia como havia chegado ali, sua última lembrança era ainda de quando estava em seu quarto e sentia uma dor de cabeça terrível.
–Sim, só estou um pouco tonta. Eu não sei como fui parar... cair bem aqui. Devo ter tropeçado.
Nathaniel, 19 de Novembro – Chicago.
O garoto a olhou mais uma vez, não sabia ao certo se a moça que estava a sua frente era ou não Alexandra, porém, ele tinha certeza de que se fosse sua amada de fato, ela sem pensar duas vezes iria anunciar-se como tal.
Mas tudo era tão igual, olhos, boca, feições e até seu corpo, que ficava difícil acreditar que aquela castanha não seria sua amada Alexandra.
– Qual é o seu nome? – Perguntou ele prestando muita atenção na resposta da menina.
– Annabeth.
A garota pareceu realmente não mentir.
– Bom Annabeth, você se parece muito com uma amiga minha, amiga de muitos anos. Desculpe pelo susto, eu só estava vindo ao bar, e quis ajudar quando vi você caindo. Meu nome é Nathaniel.
– Tudo bem, não tem problema.
– Mas a onde você estava indo tão tarde da noite? É perigoso para uma menina andar pelas ruas tão tarde. – Interrogou-a novamente.
– Bom... Eu... estava procurando um amigo meu. – A mentira com certeza não havia funcionado, Annabeth sempre mentia muito mal, e ela sabia disso.
O rapaz a olhou e percebeu de imediato que agora a castanha mentia. Porém, resolveu não fazer mais perguntas.
– Bom, quer tomar um drink? – Perguntou o loiro apontando para o bar.
– Não, na verdade eu ainda preciso encontrar meu amigo. – A garota estava com medo, não entendia ainda o porquê do rapaz a sua frente estar aparecendo em seus sonhos constantemente.
– Ok tudo bem. – Disse ele enquanto se afastava.
O rapaz entrou no bar e sentou-se numa mesa ao lado de uma grande janela de vidro, olhou para fora e a garota ainda estava lá, mexendo em seu aparelho celular.
Sentiu algo vibrar em seu bolso, provavelmente seria sua irmã menor que sentira sua falta na mansão. Atendeu rapidamente antes que a chamada se perdesse.
– Alô?
– A onde diabos você está?
– Estou em um bar bebendo Sarah, porque o interesse?
– Já são três da manhã e você está na rua, o que quer que eu pense?
– Eu a encontrei.
– O que? Você está maluco? Foi até a casa dela?
– Não tecnicamente, eu estava indo a casa dela mas antes do esperado eu a vi na rua caída no chão com as mãos na cabeça e sangue escorrendo pelo nariz. Então pensei que fosse Alexandra e a chamei, e Sarah, ela olhou diretamente para mim e sorriu como se me reconhecesse.
– E ai? Conta mais...
– Se você me deixar terminar... E ai, que quando me aproximei mais ela não me reconheceu, me disse que seu nome era Annabeth e pareceu não mentir.
– Viu é como eu disse, não era Alexandra era alguém muito parecido.
– Você não está me entendendo, era o mesmo corpo, o mesmo rosto, como se fosse uma irmã gêmea.
– E agora o que você vai fazer?
– Vou continuar vigiando ela obviamente.
– O que? Mas você não acabou de dizer que ela não era a Alexandra, que interesse pode ter nela?
– Ela não mentiu quando disse seu nome, porém antes quando a vi caída, chamei ela por Alexandra e ela atendeu ao chamado de imediato como se reconhecesse minha voz. Eu quero respostas. E nesse momento parece que vou tê-las. Te ligo mais tarde. – Avisou o rapaz a irmã do outro lado da linha enquanto observava a castanha guardar o celular no bolso e adentrar no bar.
Annabeth – 18 de Novembro, Chicago.
A garota entrou no local como se procurasse por alguém, analisou todos os rostos até encontrar o rapaz de cabelos claros e olhos cor de conhaque. Caminhou calmamente até a mesa onde ele estava, havia três lugares vazios, um no banco ao seu lado e outro a sua frente onde caberia duas pessoas confortavelmente, sentou-se então no banco que estava à frente dele.
Basicamente ela não sabia o que dizer, tinha certeza que dizer algo como: “Eu tenho sonhado com você constantemente nos últimos dias, mesmo antes de te conhecer. E ali de fora um pouco antes eu menti, eu não fazia a mínima ideia de onde estava e muito menos de como fui parar ali.” Não seria uma ideia muito sã.
– Aquela bebida? Ainda está de pé? Meu amigo estava em outro bar, e vai demorar um pouco para vir me buscar.
– Claro que está. – Pediu mais um copo a garçonete, e logo o encheu com whisky.
Beberam silenciosamente, ambos tinham muitas questões um sobre o outro que adorariam saudar. Porém não sabiam como começar a falar.
– Bom, quantos anos você tem? – Perguntou o rapaz curioso.
– Tenho dezessete e você?
– Tenho dezessete também. – Mentiu. -Você mora aqui a muito tempo?
– Minha vida toda praticamente, meus pais morreram quando eu era muito pequena tipo uns 7 anos, desde então moro com minha avó. E você?
– Bom, é complicado... Mas mudei tem pouco tempo, menos de uma semana. – Mentiu novamente o rapaz.
O barulho do sino da porta estrondou pelo ambiente praticamente vazio, a castanha olhou para trás e era seu amigo, tomou mais um gole do copo de whisky e disse ao loiro:
– Bom tenho que ir, meu amigo já está aqui.
– Annabeth como... – Thomas começou a falar mas antes que pudesse continuar Annabeth cortou-o.
– Eu sei, fui muito burra em confundir os endereços. Mas agora você já está aqui, podemos ir embora. Até logo Nathaniel. – Despediu-se apressadamente antes que seu amigo a desmentisse ali.
Entraram no carro, e seguiram para casa de Annabeth silenciosamente. O garoto não perguntou nada para a castanha pois sabia que ela não gostaria de comentar sobre aquele incidente. Mas não deixava de estar preocupado com a garota, afinal era a garota de quem ele gostava desde a quarta série e não suportava a ideia de que estivesse acontecendo algo de errado com ela.
– Chegamos anunciou o garoto.
– Obrigado novamente, você é um cara incrível. – Agradeceu a garota abraçando o amigo.
O garoto a apertou em um abraço caloroso, ele entendia o quão confusa ela poderia estar agora. E num ataque de coragem ele afastou a garota para um pouco longe de si, olhou em seus olhos, e aproximou-se agora segurando em seus ombros e a beijou. Sim ele a beijou e ficou muito mais surpreso quando a garota ao invés de afastar-se aproximou ainda mais do rapaz e correspondeu a seu beijo.
Ele a abraçou e a castanha pode sentir confortável nos braços do rapaz, percorreu sua mão pela cintura do rapaz por baixo da camisa e pode sentir o calor de seu corpo, o beijo rapidamente foi ficando mais intenso até que ela o puxou ainda mais para junto de si, fazendo com que ele fosse para o mesmo banco do carro que ela, e começou a distribuir beijos pelo pescoço do rapaz. E ele começou aos poucos subir um pouco a blusa da garota e percorrer uma de suas mãos por sua cintura e a outra pelo pescoço e logo entrelaçando seus dedos pelo cabelo macio encaracolado nas pontas com cheiro de pêssego da castanha.
– Não, para. – Pediu ela afastando o rapaz para seu banco novamente. – Já está tarde melhor você ir ou seus pais ficaram preocupados. – Avisou a castanha ao arrumar sua blusa e descer do carro.
O garoto parou e ao fitar a garota, percebeu o quanto ela estava desconsertada.
– Ok, tudo bem nos vemos outra hora então. – Ele respondeu ao aceno que ela o deu enquanto destrancava o portão, e ficou esperando a menina entrar na grande casa para poder arrancar com carro e ir embora.
No outro dia na escola, tudo estava meio estranho. Ele queria contar a menina o que ele sempre sentiu por ela mas, achava que ainda era cedo demais.
E a castanha queria falar sobre aquilo que se passou ontem à noite, dizer que não deveriam dar tanta importância, que eles sempre foram amigos e que um beijo em um momento tão confuso não deveria acabar com a amizade entre eles.
– Sabe. – Começaram em uníssono.
– Fale você primeiro. – Pediu o rapaz torcendo para que ela dissesse que gostava dele o quanto ele gostava dela.
– Eu acho... Que o que houve ontem, deveríamos esquecer. Eu estava confusa, não sei se aquela foi a atitude certa a se tomar.
A expressão de Thomas entristeceu-se, mas não o suficiente para que a castanha notasse. Sentiu seu peito apertar-se, como se quase impedisse sua respiração e então começo a dizer:
– Sim, eu iria dizer o mesmo. Mas eu também queria que você me dissesse o que acontece contigo. Primeiro você passa mal e depois não sabe como foi parar em um lugar que nunca esteve antes e não se lembra de nada. Eu estou preocupado.
A castanha pensou se deveria envolver Thomas em uma história que nem para ela mesma fazia sentido.
– Bom, eu acho que não posso te contar... Não ainda. Por favor entenda... Quando eu entender tudo isso garanto que lhe contarei absolutamente tudo.
O sinal estrondou pelos corredores avisando que a próxima aula começaria em 10 minutos.
– Bom eu preciso ir, minha próxima aula será de inglês. Até mais. – Disse a garota colocando a bolsa em seu ombro e dando as costas ao rapaz.
–Até mais Anna...
A castanha sentia que deveria contar a seu amigo tudo que estava acontecendo, porém ela tinha medo que ele não a compreendesse e achasse que ela fosse maluca. Olhou para o seu relógio de pulso e viu que ainda faltava alguns minutos para que a aula começasse.
Resolveu então ir até a cafeteria e pegar um cappuccino antes que as aulas começassem e ela tivesse que ir para a sala de inglês. Após pegar o seu cappuccino, encontrou com algumas amigas e ficou conversando alguns instantes até que decidiu ir para a sala.
Se sentou no local de costume, os alunos foram chegando aos poucos e sentando-se em seus devidos lugares.
– Vocês viram a Alex? – Perguntou Annabeth se virando para trás e apontando para o lugar ao seu lado.
– Na verdade não. – Os dois alunos da mesa de trás responderam em uníssono.
A professora entrou na sala, colocou os livros sobre a mesa e então começou com sua aula como de costume.
– Abram seus livros na página 163 por favor. – Indicou.
Bateram na porta da sala e em seguida a mesma foi aberta, era a diretora Parkson, estava ela e um menino de cabelos loiros escuro.
– Bom este é Nathaniel, ele é um aluno transferido. – Anunciou a diretora para a professora que se encontrava sentada em cima da mesa.
A professora olhou por toda sala procurando um lugar que o novo aluno de cabelos loiro escuros pudesse sentar-se, e indicou o lugar ao lado da castanha.
– Sente-se ali querido.
Rapidamente a diretora se retirou da sala e a professora de inglês pode continuar sua aula normalmente.
O loiro sentou-se ao lado da castanha como lhe foi indicado, olhou para a mesma e sorriu.
– Cidade pequena não?
– Com certeza. – Concordou ela sorrindo em resposta.
– Façam silêncio pessoal, agora vamos ler um trecho de Leviatã de Thomas Hobbes.
Como em um passe de mágica a cabeça da castanha já estava rodando, se sentia um
tanto tonta.
“ Anna, pode ver-se novamente fora de seu corpo, desta vez estava em uma sala
Iluminada por velas, a sala possuía enormes estantes que iam de uma parede a outra
cheias de livros, havia uma mesa no centro, onde ela e o rapaz de cabelos loiro escuros estavam sentados.
– Em Leviatã, Thomas Hobbes tratava de que toda sociedade deveria possuir uma autoridade onde todos os membros deveriam se render sobre tal...
– E com nós não é diferente Nate, só que nós somos a tal autoridade citada. Como caçadores de sombras, todas as outras raças devem nos obedecer. – Respondeu a castanha.
– Não, nós devemos promulgar a paz. O que é completamente diferente da ideia de sermos uma autoridade.”
E num suspiro Annabeth já estava novamente na sala de aula. O garoto de cabelos loiros ainda estava sentado ao seu lado. Ambos continuaram sem trocar nem uma palavra. E Anna tentou agir normalmente até o sinal tocar.
Saíram da sala rapidamente, apenas se despedindo com um aceno com a cabeça.
Anna nunca o contaria que vinha tendo sonhos com ele, ainda mais agora que eles seriam
colegas de sala.
Nathaniel – 18 de Novembro, Chicago.
O loiro mais do que depressa tirou seu aparelho de celular do bolso da sua jaqueta de couro e discou o número de sua irmã.
– Sarah, estou aqui no colégio.
– Isso é tolice. Já disse que não irá funcionar. Não é ela.
– Nisto você tem razão, não é Alexandra. Mas sobre a garota, tem algo errado.
– Como assim? Ela pode ser um ser sobrenatural? Vampira? Lobisomem? Demônio?
– Não com certeza um ser sobrenatural ela ainda não é.
– Ainda? Me explique isso Nate. – Exigiu a irmã curiosa.
– Ela teve um colapso, a garota teve uma visão ao ouvir falar de um escritor inglês do século 15 na minha frente.
– Ai meu Deus... Estou indo até a escola agora mesmo. – Sarah ficou assustada e logo desligou o telefone.
O rapaz respirou fundo, agora mais do que antes ele deveria se aproximar da garota para descobrir do que aquilo tudo se tratava.
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