Im Yours.
2 What?!
- Acorda minha filha! Você vai acabar se atrasando... pra variar! – Falou minha mãe, batendo na minha porta.
- Já estou indo mãe, relaxa! – Respondi.
Me arrumei, peguei minha mochila e desci logo, antes que minha mãe gritasse mais uma vez. Cheguei na cozinha e lá estava meu irmão, devorando todas as torradas e falando pra minha mãe que quando sair da escola, terá de ir na casa de um amigo, para fazer um trabalho, e mais uma vez, mamãe acreditou, e meu pai, bem, estava de cara fechada lendo uns papéis, provavelmente do seu trabalho.
- Bom dia. – Falei séria.
- Bom dia querida. – Minha mãe respondeu.
Meu pai continuou lendo, fingindo que eu nem estava ali, e meu irmão respondeu do seu jeito, falando de boca cheia...
Estava um clima estranho, meus pais não estavam discutindo sobre o dia de hoje, e nem nada. Ambos estavam calados, sem tocar em nenhum assunto, provavelmente porque já falaram tudo o que tinha de falar naquela discussão que dava pra ouvir do outro lado do mundo.
Tomei meu café rápido, peguei minha mochila e me despedi de todo mundo, ou eu saía logo, ou eu perderia a primeira aula, o que não seria nada mal...
- Você não vai com seu irmão? – Minha mãe falou antes que eu fechasse a porta.
- Você vem? – Perguntei pro meu irmão.
- Nós nem estudamos na mesma escola, por que precisamos ir juntos? – Ele perguntou em forma de resposta.
Apenas olhei com uma cara de razão pra minha mãe e saí. No caminho da escola fui escutando música, como eu sempre fazia, e claro, imaginando como seria meu dia na escola, eu tinha certeza que não ia acontecer nada demais, nunca acontece...
Quando cheguei no colégio ainda havia algumas pessoas do lado de fora, entre elas umas meninas, incluindo Rebecca, a garota que era minha amiga. A mesma apenas me deu um olhar de desprezo e voltou a conversar com as outras. Apenas ignorei e segui para a sala de aula, e sentei no meu lugar de sempre, no fundão. Eu nunca sento na frente, mas isso não significa que eu seja uma aluna desinteressada, eu até tiro notas boas. Não sou a melhor aluna da escola, mas também não sou a pior, eu acho que estaria no “top 10” se tirasse 1 ponto a mais em cada prova, e não arranjasse tanta confusão, digo, eu não saio por aí implicando com todo mundo até sair no tapa, na verdade, são as pessoas que não me gostam, e acabam enchendo a paciência. Eu não bato em ninguém, não ser uma vez que eu bati em um garoto porque ele me chamou de doente (eu não sou doente, ok?), mas eu discuto muito, e por causa disso já parei várias vezes na sala do Diretor.
Até que as primeiras aulas passaram rápido, nada interessante aconteceu, como sempre. Fui ao refeitório, pegar meu almoço, esperando que não tivesse uma fila enorme, ou patricinhas falando de como foi seu fim de semana na balada. Peguei meu almoço e fui direto para a mesa que ficava no canto, eu sempre sentava ali, sozinha, sem nenhum amigo. Eu já tentei arranjar amigos, mas as pessoas fogem de mim, ou sou eu que afasto elas de mim... eu não sei.
Quando eu achei que estava tudo bem até ali, adivinha quem chega? Nelly, Sally, e suas outras amiguinhas que eu não faço a mínima ideia de como é o nome, e... ah! Sim, eu também podia ver a Rebecca ali atrás.
- Olha só meninas quem está aqui! Tudo bem Luna? Como vai sua vida? – Perguntou Nelly, com cara de deboche. Permaneci calada, fingindo que ela não estava ali, isso a irritava, e muito! – Qual foi? Perdeu a língua foi?
- Não, apenas não perco tempo conversando com pessoas inúteis. – Eu juro que tentei ficar calada. – Então se vocês não se importam, eu realmente gostaria de ficar sozinha.
- Jura? Porque a gente realmente queria te fazer companhia, não é meninas? – Todas deram uma risadinha falsa, menos Rebecca que continuava observando suas unhas como se aquilo fosse a coisa mais importante no momento, bem ela.
- É, mas eu não! Então, já que vocês parecem que são surdas e não entendem que eu quero ficar sozinha, eu mesma vou retirar. — Falei sorrindo, peguei meu celular, meu livro e meus fones e me levantei virando em direção ao jardim.
- Luna, espera! – Rebecca falou.- Por quê? O que eu tenho de interessante pra fazer com você e suas companhias? – Falei revoltada, e depois virei novamente. Sem sucesso, Nelly segurou meu braço.- Qual é a sua garota? – Ela perguntou com raiva.
- Oi? Você deveria perguntar isso pra você. Eu não fiz nada com você e você vem encher minha paciência enquanto eu estou quieta no meu lugar? É sério isso? Admite Nelly, você não se conforma com a forma que eu te ignoro quando você tenta me irritar, não é? Desiste, você nunca vai ganhar nada com isso não. – Falei. Parece que foi ela que se irritou, e bem...
- Mais uma briga? É isso senhorita Bell? E vejo que desta vez você passou dos limites, batendo na sua colega? Você vem de uma família muito bem sucedida, mas eu vejo que você não dar valor a isso! Vive arranjando confusões por aí, agindo como uma vândala! – O Diretor falou quase gritando. Lá estava eu mais uma vez na sala do Diretor.
- Mas, Sr. Johnson, foi ela que começou, eu nunca fiz nada com ela – Falei apontando para Nelly, que estava chorando.
- Mentira! Você que me agrediu! Eu só estava querendo fazer companhia pra você, sua mal agradecida! – Falou ela, mimada, como sempre. Urgh!
- Como é? Ah! Por favor! Como é que você tem coragem de mentir desse jeito? – Me levantei, eu realmente me irritei!
- JÁ CHEGA! EU VOU LIGAR PARA OS SEUS PAIS AGORA MESMO SENHORIA BELL! VOCÊ REALMENTE PRECISA DE UMA DETENÇÃO MAIOR DESTA VEZ! – O Diretor gritou.
Fiquei calada, apenas. Já podia até imaginar a cara dos meus pais quando atendessem o telefonema, meu pai, falando que vai logo me mandar para um colégio interno, e minha mãe surpreendida, com o record de dias que eu consegui passar sem ir para a Direção. Passei alguns minutos ali, imaginando o que ia acontecer quando eu chegasse em casa, até que meus pais chegam.
- Boa tarde Sr. E Sra. Bell, por favor, sentem-se. Eu realmente não queria atrapalhar a tarde de vocês, mas é que nós tivemos, mais um vez, um problema com a Srta. Bell – O Diretor falou, apontando para duas cadeiras.
- O que foi dessa vez, menina? – Meu pai perguntou. – Você só me decepciona a cada dia que passa. — Foi minha vez de chorar, então era isso? Eu apenas decepciono o meu pai?
- Sinto muito em dizer, mas a Luna passou dos limites desta vez, ela agrediu sua colega sem ela ter feito nada! Provavelmente, terei de expulsar sua filha, Senhores. – O quê? Eu? Expulsa? Tudo bem, se eu realmente tivesse batido naquela vaca! Ok, eu bati, mas ela me bateu primeiro! Meus pais me olharam raivosos pra mim, nunca tinha os visto assim, pelo menos não a minha mãe...
- Não! O Senhor não pode expulsar ela! O Senhor nem viu o que aconteceu! Eu posso lhe contar a verdadeira história! Eu estava lá! – Rebecca falou. O que deixou eu e Nelly boquiabertas. Oi? Como assim? Rebecca me defendendo? Nós não somos mais amigas!
Fale com o autor