Im With You
5 Making it better
Notas iniciais
“Não”, disse Liz. “Não, não, não...”, continuou repetindo. Antes mesmo de descer totalmente as escadas, deu meia volta e trancou-se em seu quarto. “Por que isso agora, Jesus? Não, não, não, não, não...”. Quando viu já tinha começado a chorar.
“Por que diabos do inferno esse infeliz tinha que voltar justoagora?”
Pegou seu iPhone e mandou uma mensagem para Josh.
“porra, vem aqui seu puto doente AGORA, Joshuaaaaa :((“. Teve o cuidado de ser extremamente rude – ele odiava o nome “Joshua” – e depois colocar a carinha triste só pra dizer que o caso era sério.
Quase instantaneamente, veio a resposta:
“por Deus, Liz, Joshua NÃO. mas então*espirra* ok já vou”, ele tinha aprendido a ser dramático com ela. Bom aluno.
Não demorou muito e alguém bateu na porta.
“Liz? Sou eu”, ela reconheceu a voz de Josh, apesar de estar diferente devido à gripe.
“Entra, ‘tá aberta”, respondeu, tentando não deixar transparecer a voz embargada.
“Que que foi, então? Minha mãe quase não m- Liz, você ‘tá chorando?!”, ele ficou nervoso e realmente não gostou de vê-la daquele jeito.
“Ah... hum...”, reunia toda sua coragem para falar, “Brendan”, disse. Então, olhou com seus olhos ainda cheios de lágrimas para Josh, que fez uma careta ao ver aquilo. Não era uma coisa agradável para ele. “Ele voltou, Josh. É isso. Brendan voltou”.
“Ma-, mas... Por Deus... Isso é... é horrível. Deus...”, ele não tinha a mínima ideia do que dizer. “Ele fez alguma coisa? Falou alguma coisa?... Tentou alguma coisa?”
“Não... não, ele não teve nem tempo de fazer nada. Assim que eu vi que era ele dei meia volta e me tranquei aqui...”, limpou uma lágrima fujona da maçã do rosto. Josh veio e sentou-se na cama, perto dela.
“Ora, então você não devia estar assim”, disse, “Vai ver ele queria explicar a história toda e-"
“Agora está do lado dele?”, disse Liz com um pouco de raiva. Não pôde se conter.
“Quê? É claro que não. Você sabe disso. É só que... Sei lá, acho que não é preciso todo esse dram-”
“Drama? Não foi você que teve o coração amassado e cuspido por ele. Lembra que eu disse que “dizia que amava ele”? Pois é, eu amava mesmo. Você não sabe da minha situação quando ele fez aquilo. Foi horrível, horrível mesmo”, outra vez, ela agarrou o pulso esquerdo.
“Liz”, continuou com a maior calma do mundo, apesar de não estar tão calmo assim, “você não me deixou terminar. Primeiro, não, eu não sei mesmo da sua situação quando ele fez aquilo. E prefiro não saber, obrigada, porque só de te ver assim já me corta o coração; se te visse naquela época acho que teria cometido suicídio, pelo que você diz. Segundo, eu falei que não precisava de ‘todo esse drama’ porque não aconteceu nada. Sim, ele voltou e isso é horrível. Mas e se ele for embora logo, logo? Sem falar que... eu estou com você”, olhou-a em seus olhos. Ficaram um tempo assim.
Então, depois de uma (enorme) pausa, ele continuou.
“Por que não chamou a Lou? Ela teria conselhos bem melhores do que os meus... e não corre o risco de te passar gripe”, disse com uma risada que descontraiu-os.
“Acho que... Acho que você sabe, Josh”, disse Liz ainda olhando nos olhos dele. “E-eu precisa-, digo, preciso de você”.
“Sim... Eu sei. Você sabe também, Liz”, continuaram olhando-se nos olhos enquanto Josh aproximava-se mais e mais ainda dela, “E eu também preciso de você”.
Eles estavam com os rostos bem próximos agora.
Mais.
Mais um pouquinho.
Quase lá...
Liz acabou com a distância entre eles colando seus lábios. Foi uma coisa bem doce e, fazendo jus ao casal, estranha. Ela ainda estava com o rosto molhado e ele estava gripado. Que romântico.
Aos poucos foram aprofundando-se no beijo. Josh tinha uma mão na nuca de Liz e com a outra transpassava seus dedos nos dela. A mão livre dela acariciava o rosto dele.
Ah, sim. Liz estava ouvindo música no seu computador antes do “desastre Brendan” e do “milagre Josh” acontecerem. A música que tocava na hora que eles se beijaram? Nobody Weird Like Me.
__
No dia seguinte Liz estava em um constante modo Hanyan. Estava tão, tão feliz que nem sequer percebeu que Brendan poderia estar em uma de suas classes.
Não estava em Química (mas sim Josh, é claro, o que rendeu momentos românticos, novamente), nem em Francês e nem em Matemática.
Só que tinha Inglês.
Com Josh (insira Liz feliz aqui).
Com Kristin (insira Liz indiferente aqui).
E com Brendan (insira Liz triste aqui).
Mas ela ainda não sabia, calma.
Liz e Josh chegaram juntos à classe da Srta. Baker. Sentaram-se em seus lugares e foram conversar, antes que a aula começasse.
“Liz... por acaso esse Brendan é um cara alto e magro como um arranha-céu? E que tem mais cara de idiota que a Lloyd? Ok, acho que exagerei... Na verdade, não; pode até ter cara de mais idiota que ela, mas SER mesmo que é difícil...”
“Ugh... sim, é ele... E, sim, também, é realmente impossível ser mais idiota que a Kristin. Não sei como ela consegue viver sem cérebro, hahahaha”, eles riram juntos. Josh mordeu levemente seu próprio lábio e rapidamente deu um selinho em Liz.
A Srta. Baker entrou na sala.
“Bom dia”, disse, “Temos um aluno transferido. Entre, Sr. Lee”. Liz nem levantou os olhos. Só queria arrastar-se para um buraco e morrer. “Merda, merda, merda!”. Brendan.
Ele não parava de olhar para Liz. Muito menos Josh. Ele queria abraçá-la, dizer que estava tudo bem. Não podia.
A Srta. Baker o pôs em uma carteira atrás de Josh. E, como era perto o suficiente de Liz, ele não gostou. Brendan, ao contrário, adorou.
“Liz, hey, Liz...”, Brendan a chamava e ela ignorava, como se o barulho fosse apenas uma mosca barulhenta passando. Irritou-se e cochichou algo para Josh.
“Oy, cara. Ela disse que, para você, é no máximo Elizabeth. Disse também que se chamar mais uma vez ela eu vou poder te dar um soco”, disse na maior naturalidade.
Brendan o ignorou. “Liz...”
“Posso?”, perguntou Josh à Liz.
“Claro”.
Antes que Josh pudesse sequer levantar o braço, o sinal tocou e Brendan saiu quase correndo para não ser atingido por um punho raivoso. E, pra falar a verdade, nenhum dos dois queria confusão. Brendan só queria conversar com Liz e Josh estava só, hum, com raiva daquele “idiota que quebrou o coração da Liz”.
O resto das aulas – e o almoço – decorreu sem maiores problemas. Brendan não pegava ônibus; ele já tinha seu carro e voltava para casa nele. E, como tinha Josh, Liz não se sentia tão ruim.
Nos dias seguintes não houve nenhuma manifestação da parte de Brendan no sentido de querer falar com Liz. Ele sempre foi assim. Normalmente não desrespeitava Liz. A única exceção mesmo foi naquela aula de Inglês. Era que ele precisava de verdade falar com ela. Mas, na verdade, não podia. E não era só por não querer desrespeitar Liz.
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