Im With You
6 Eye opener
Notas iniciais
Depois das férias de Natal, nos primeiros dias do ano, Lou mandou uma SMS urgente para Liz. Lia-se: “emergência, vem aqui agora, sua puta”. Então lá foi Liz colocar meia dúzia de casacos – era um dia bastante frio e nevava. Gritou um rápido “Vou ali na Lou, mãe. Daqui a pouco eu volto” e correu pra casa vizinha. Mal tocou a campainha e a mãe de Lou atendeu e disse que ela estava no quarto. Liz correu para lá, também.
“Lou! Jesus, o que aconteceu?”, respondeu assim que a amiga abriu a porta. Então olhou para os pacotinhos em cima da cama de Lou. “Não... isso... Louise?!”
“Sim, Liz...”, ela estava com um olhar sério e deprimente, “É... Eu... Eu acho que estou grávida”.
“Eu... Jesus! Como você deixou isso acontecer, Louise? Pelo amor de Deus!”
“Não sei, não sei...” Ela quase chorava agora. O coração de Liz parecia querer atirar-se pela boca dela.
“Pelo menos... seria do Peter, não?”
“Claro que sim, Liz, eu não sou uma vadia”.
“Ok, ok... Só checando... Mas você já fez os testes ou...?”
“Ainda não...”
“Apresse-se então!”, Liz engoliu em seco. Isso não podia estar acontecendo. Sua melhor amiga grávida aos 16 anos?!
Lou pegou os testes e foi para o banheiro. Depois de um tempo, ela saiu de lá.
“E agora... nós esperamos”, disse Liz, que mentalmente já rezava. Passados os cinco minutos de espera, ela, antes de olhar o resultado, fez um sinal da cruz e respirou fundo.
“E então... Negativo! Amém”, disse. Lou suspirou de alívio. “Mas às vezes esses negócios erram quando está bem no começo... Acho melhor fazer um teste de verda-”
“Não, não, Liz, ‘tá tudo bem, não precisa”, respondeu Lou com um sorriso cansado. Seu celular tocou e ela rapidamente leu a mensagem. “É, está tudo bem agora, pode ir. Não quero te incomodar mais...”
“Sério? Jesus, Lou, só espero que esse negócio esteja certo e que não tenhamos um mini-você tão cedo. Ok... já vou. Me ligue qualquer coisa, por favor!”, disse se retirando do quarto. Deu tchau para a mãe de Lou e saiu pela porta.
Viu algo que não era muito agradável. Ou melhor, alguém.
Brendan.
Ele caminhou suavemente na direção dela. Liz se lembrou de quantas vezes ele fez aquilo e que em todas ele a deixava sem ar. Não dessa vez.
“Elizabeth...”, disse calmamente, no tom que um dia Liz já amara. E ele lembrou de chamá-la de Elizabeth e não de Liz, eu disse que ele respeitava-a. “Você vai me deixar falar?... Por favor?”
“30 segundos”, respondeu indiferente, fugindo dos olhos dele.
“Tudo bem. Elizabeth, eu só fiz aquilo porque achei que daquele jeito seria mais fácil, tanto pra você quanto pra mim. Só que logo que eu falei eu percebi que ‘tava tudo errado, que eu tinha feito porcaria”, houve uma pausa. Os olhos de Liz encheram-se de lágrimas enquanto ela se lembrava daquela época.
“E então?”, Liz falou, ainda indiferente e olhando para o chão.
“... Eu queria pedir desculpas. De verdade”, ele caminhou em direção dela, “Me desculpe. Eu fui um idiota, eu sou um idiota. Eu... Eu te amo, Elizabeth. Ainda te amo. Por favor... Me dê outra chance...”, ela acabou se deixando levar e olhou em seus olhos. Ele estava prestes a chorar. Ele abraçou-a. A primeira lágrima escapou de Liz.
Então ela se lembrou do que ele fez, do que ela fez, do que ele prometeu para si mesma. “Nunca mais Brendan”. E se lembrou de Josh.
Afastou-se antes que algum desastre acontecesse.
“Não”, disse limpando a lágrima. “Não, Lee. Acabou”, deixou-o sozinho e correu para casa.
___
No dia seguinte, Josh deu um frio “Oi” para Liz no ônibus. Liz ficou confusa. Esperou até a aula para falar com ele.
“Josh... Aconteceu alguma coisa?”, disse nervosa.
“Ah, não sei... Como vai o Lee?”, respondeu irônico.
“Como assim?”
“Eu sei de vocês ontem, ok...”
“De ontem o quê, Jesus?!”
“Você sabe! Eu, hum, fiquei sabendo.”
“De ontem o quê, Joshua? Não aconteceu porcaria nenhuma!”
“Não foi o que eu vi-”
“Viu? Como assim viu?! O que você estava fazendo lá? E, se tivesse visto mesmo, saberia que não aconteceu nada!”
Josh não respondeu. E continuou frio na aula de Inglês, no almoço, no ônibus, na internet, no outro dia...
Depois de quase uma semana, Liz não aguentava mais – ela não aguentava mais há muito tempo, na verdade. Ela queria primeiro que ele dissesse o que estava fazendo na sua casa aquele dia e segundo explicar o que aconteceu. Ou melhor, o que não aconteceu.
Como ele não falava direito com ela pessoalmente e praticamente a ignorava na internet, acabou mandando um email. Assim ele não tinha como para-la de falar.
“Josh,
Queria que você primeiro me dissesse como infernos você viu aquilo, mas tanto faz. Enfim, a Lou tinha me mandado um sms urgente pedindo pra eu ir na casa dela e eu fui. Ela achava que estava grávida, então eu ‘tava num estado de pilhas horrível, também. De qualquer jeito, não era nada (graças a Deus). Então. Eu saí da casa dela e o Brendan estava ali na rua e ele veio falar comigo. Falou qualquer merda sobre ter se arrependido logo depois que ele falou aqueles negócios, e depois pediu desculpas e depois disse que me amava e pediu uma segunda chance. Eu ‘tava meio mal ainda por causa da história da Lou e fiquei meio ‘emocionada’ e ele acabou me abraçando. Aí eu lembrei do que ele fez e todas essas merdas. E lembrei de você, Josh. Se não tivesse você eu provavelmente teria voltado com ele. Mas eu me desvencilhei do abraço dele e disse que tinha tudo acabado já, que não tinha mais volta. É isso. Não aconteceu nada. Por favor, acredite em mim...
Open your eyes.
Liz. Sua Liz.”
Hesitando, ela enviou. Achou que fosse um pouco demais o “Sua Liz”, mas ele era romântico. Ia gostar, certamente. Se ele lesse.
Porque, na pior das hipóteses, ele simplesmente poderia deletar o email.
Seria o pior presente de aniversário de todos, Liz pensou. Era 12 de janeiro, o que significava que no dia seguinte ela completaria 17 anos.
O seu primeiro aniversário com Josh e ao mesmo tempo sem ele? Talvez. Liz rezou para que não.
Fale com o autor