Im So Sick
5 Capítulo 5 - A procura do Sr. Gleeson
Notas iniciais
A semana que se seguiu foi completamente calma, tirando o fato de Bridget se sentir quase sempre vigiada. O senhor Gleeson nunca mais deu as caras na escola, ou tentou procurar a garota em sua residência ou qualquer outro lugar. Mas mesmo assim, Bridget quis pesquisar mais sobre o tal homem.
Hoje era um sábado completamente normal. Amanheceu com uma leve neblina que aos poucos ia passando. O dia estava um pouco úmido, mas não parecia que ia chover até o final da tarde. Bridget acordou um pouco mais cedo do que costuma acordar nos finais de semana, vestiu uma calça Jens de lavagem escura, uma blusa azul escura e uma jaqueta de couro.
Ela pode perceber pelo silêncio da sala que Vanessa ainda dormia o que facilitaria um pouco a sua saída se livrando das perguntas típicas: aonde você vai? Vai sozinha? Volta quando?
Não demorou muito, e o carro de Daniel já estava parado na frente da casa da garota a esperando.
- Qual é o endereço? – perguntou ele quando a menina entrou no carro.
Bridget procurou dentro da bolsa o papel onde tinha anotado o endereço. O pegou e citou o endereço para Daniel, que já começava a dirigir até o local que ficava um pouco distante da casa da garota. O nome do orfanato era “Os três irmãos”. Pelo que Bridget havia pesquisado na internet o nome foi dado em homenagem pela iniciativa de três irmãos que moravam na cidade no século XVIII.
- Bridget, por que você vai procurar este homem? Quer dizer, ele só foi falar com você uma vez na escola. E tenho a impressão que você não me contou toda a história. Eu vim te ajudar de toda a boa vontade, mas quero saber por que você quer tanto procurar esse tal de Gleeson.
Realmente, ela não havia contado tudo para ele. Ela apenas falou os fatos principais: que ele trabalhava no orfanato que ela esteve quando pequena, e que ele foi procurá-la. Não disse o porquê dela o querer procurar. Mas Daniel sabia que tinha algo de errado
- Eu só quero perguntar uma coisa para ele. – respondeu ela.
- O que?
- Se ele conhecia os meus pais. – disse – Você não estava lá na hora, mas foi uma conversa estranha.
- O que exatamente ele falou? – perguntou Daniel se virando para ela quando o semáforo fechou.
- Ele só se referiu aos meus genes. Não sei muito bem. Como se meus pais também fossem desse jeito. Ele disse que eu era uma pessoa sem compaixão e impiedosa.
- E por isso você irá procurar ele novamente? Talvez ele só seja um maluco. – respondeu Daniel enquanto voltava a andar já que o sinal havia aberto.
- Do mesmo jeito quero ir. Por favor.
Daniel não disse mais nada. Apenas continuou dirigindo até chegarem ao destino. O orfanato era exatamente como estava na foto que Bridget viu na internet. Um enorme arco pendurava uma placa com os dizeres “Orfanato Três Irmãos” na entrada do prédio, havia um enorme pátio para as crianças brincarem e um playground. Eles caminharam até a entrada, onde se dirigiram até o grande prédio onde uma mulher sorridente os atendeu.
- Bom dia! Estão procurando alguma coisa?
- Só gostaríamos de encontrar com uma pessoa que trabalha aqui. – respondeu Bridget.
- Ah... – a mulher disse com uma pontada de desapontamento. Provavelmente achava que os dois queriam adotar alguma criança. – Por aqui. – Ela começou os guiando. – Vocês sabem em que área esse funcionário trabalha?
- Área?
- Sim. Na limpeza, educação, na cozinha..?
- Não sabemos exatamente. O nome dele é Bruce Gleeson. – disse Bridget.
- Gleeson? – perguntou ela como se não estivesse escutado direito. A garota simplesmente afirmou com a cabeça. – Este homem não trabalha aqui, acho que você deve ter se confundido querida.
- Mas você sabe se ele trabalhava aqui há mais ou menos dez anos?
- Realmente não sei lhe dizer. Só comecei a trabalhar aqui há cinco anos. Mas eu sei de uma pessoa que pode ajudar vocês. Acompanhem-me.
Eles subiram um lance de escada onde foram guiados até um quarto de criança onde uma senhora de idade arrumava.
- Senhora Temime, poderia ajudar esses dois. Eles estão procurando um funcionário que trabalhou aqui há dez anos.
Ela apesar de velha tinha um rosto bondoso e não parecia estar nenhum pouco incomodada em arrumar aquela bagunça das crianças.
- Ah... Sim. Quem?
- Bruce Gleeson. – respondeu Bridget.
Naquele momento ela pareceu um pouco um pouco surpresa pelo nome, mas convidou os dois a entrarem no quarto. A moça que os atendeu na entrada saiu, os deixando a sós.
- Podem sentar se quiserem. – disse ela se sentando em uma cadeira de balanço. Os dois se sentaram na beirada de uma das camas. – Bem, o senhor Glesson só trabalhou aqui quando uma menininha muito pequeninha havia perdido os pais em um assassinato brutal. Ele veio trabalhar como psicólogo. Naquela época não havia tantas crianças como tem hoje, naquela época muitas poucas crianças eram deixadas nesta porta, ou encontradas jogadas nas ruas. Mas isso não importa. Ele cuidava dessa menina, se não me engano o nome dela era Bridget, como se fosse sua filha a protegia de tudo e de todos. Me lembro do dia em que ela bateu em um colega com um carrinho e do mesmo jeito esse homem a defendeu. Mas bem, Glesson trabalhou aqui até a menina ser adotada por um casal europeu. Ninguém nunca mais ouviu falar dele.
Bridget escutou com bastante atenção tudo que a mulher falava e não pôde evitar um leve flashback vir à memória.
- Mas você sabe se este homem queria aquela menina? Quero dizer, adotá-la. – perguntou dessa vez Daniel.
- Não, claro que não. Se não já o teria feito. Quando perguntávamos qualquer coisa parecida para ele, o homem não respondia.
- Muito obrigada por nos receber, senhora. Mas agora já vamos indo.
- Claro. Até mais. – disse com um enorme sorriso.
Apesar de o casal sair de lá decepcionado por não encontrarem o homem e não conseguirem falar com ele, Bridget se sentiu um pouco vitoriosa, pois sabia de uma coisa que provavelmente ele não diria. Era bem estranho ele apenas ter começado a trabalhar lá no dia em que a garota chegou e ter saído quando havia acabado de ser adotada.
- Eu disse para você que esse cara era um louco. – falou Daniel quando entraram no carro. – Não me olhe assim, você viu o que ela falou. O cara deveria ser um psicopata.
Bridget riu. Realmente ele poderia ser tachado de louco. Daniel ligou o som do carro e colocou um CD no qual o titulo a garota não pôde ler. O garoto começou a pular as faixas até começar a tocar “sweet child o’ mine”. Ele aumentou o volume.
- Ohh! Ohh! Sweet child o' mine! Ohh! Ohh! Sweet love of mine! – começou a cantar o refrão, fazendo Bridget rir novamente. – Então quer almoçar aonde?
- Que tal no famoso McDonald’s?
- Sim, senhorita.
Ele dirigiu até o McDonald’s mais próximo onde os dois fizeram seus pedidos. Daniel pediu o maior sanduíche que tinha, enquanto Bridget pediu o normal.
- Sinceramente, não sei como você consegue ser desse jeito e comer tanto. – comentou Bridget quando Daniel acabou seu sanduíche antes dela.
- Se você se refere à performance do meu corpo, ainda não viu nada, baby. Mas posso te mostrar no dia que você quiser. – disse ele, fazendo Bridget corar violentamente. – Vai querer voltar para a casa agora?
- Para falar a verdade, não.
Depois de uns minutos os dois já estavam dentro do carro novamente, indo para algum lugar que Daniel não quis revelar. No trajeto, a garota não pôde deixar de pensar em como seu final de semana estava sendo diferente. Ela não estava em casa dormindo até tarde, e não tinha planos de ir ao bar quando acordasse. Bridget estava no carro de seu namorado, indo para algum lugar.
No meio do caminho, o garoto parou o carro no acostamento e começou a procurar algo no banco traseiro.
- Alguma coisa errada?
- Não, só vou ter que vendar seus olhos. – disse pegando uma faixa de tecido preto e colocando nos olhos da garota dando um nó atrás. Agora ela só via preto.
- Não tem graça Daniel! Tira isso agora. – disse já colocando a mão na faixa para tentar tirar, mas ele a impediu.
- Se você tentar tirar irei amarrar suas mãos também. – ela pôde sentir o carro começar a andar. Mas não podia saber para onde.
- Vai me levar para onde? Não me diga que virou um assassino psicopata maluco que mata suas namoradas para dar de ração para o cachorro. – disse brincando.
- Claro que não. E eu não tenho cachorro.
Passou uns cinco minutos, e o carro parou.
- Já chegamos? Posso tirar?
- Sim e não. – disse abrindo a porta do passageiro a guiando para fora.
- Pronta?
- Sim, tira isso logo de mim que tá coçando! – respondeu ela.
Ele tirou. Bridget piscou várias vezes e coçou os olhos e quando os abriu o que viu foi um campo florido, com árvores grandes, a grama era bem verde e bem cuidada. Tinha algumas crianças, casais e amigos no local, ora brincado, fazendo piquenique, ou até apenas curtindo o lago que havia mais adiante, apesar do tempo não estar tão propicio. Ela nunca havia estado naquele lugar antes.
- O que achou? – perguntou ele notando o olhar surpreso da garota.
- Achei muito bonito.
Ele pegou a mão da garota e a guiou para uma área um pouco mais afastada que ficava mais para a margem do lago. Daniel arriou a bainha da calça até estar quase nos joelhos, e depois tirou a blusa jogando no chão próximo de Bridget.
- Você é maluco? A água deve estar gelada. – naquele momento, ele pulou na água. Alguns pingos de água atingiram Bridget e ela percebeu que a água não estava nem um pouco agradável, ao contrário deveria estar congelante. E o vento frio que batia não ajudava em nada.
- A água está ótima Bridget! – disse ele emergindo das águas.
- Vou ficar esperando você aqui. – disse se sentando no chão com as costas em uma árvore bastante grande.
Daniel pareceu esquecer, e mergulhou novamente no lago. Mas não durou mais do que cinco minutos. Passado disso, ele já havia voltado tremendo para Bridget. Ele se encolheu no colo da garota procurando calor.
- Você não disse que a água estava ótima?
- Ótima para morrer! Estaria melhor se você tivesse entrado comigo. – disse tremendo os dentes.
- Você pelo menos trouxe uma toalha para se secar?
- Não sei. Temos que ver no carro.
Plano brilhante. Pensou Bridget.
Eles ficaram lá mais um tempo, até Daniel não agüentar mais o frio e irem embora do lugar. Antes de ele deixá-la em casa pediu para passarem antes na dele para poder trocar de roupa por uma seca. Mas para a garota não teve muita importância, já que não gosta de ficar em casa.
A garota chegou em casa o mais tarde que pode. Ela tentou enrolar o máximo na casa de Daniel para não voltar a sua. Porém quando chegou a casa aparentou estar vazia, para a felicidade de Bridget.
O dia foi cansativo, mas mesmo assim proveitoso. Não se divertia assim há anos. Então assim que chegou tratou de tomar um banho e ir direto para a cama. Não demorou muito para dormir, logo estava adormecida e sonhando um dos piores dias da sua vida, no qual ela lembrava com tristeza, e raiva de quem o fez.
Anne e Gerard Harris. Um casal completamente feliz, agora com uma filha para proteger. Naquela noite de sábado os dois tinham programado uma noite a dois, e contrataram uma babá para cuidar da pequena Bridget. Assim que a mulher chegou, os dois saíram se despedindo com um beijo na testa da filha.
“Não iremos demorar muito.” Prometeu sua mãe. Mas não foi exatamente assim que ocorreu.
A pequena menina via seus desenhos animados prediletos na sala, com a babá do lado na poltrona de seu pai. A cada hora que passava Bridget perguntava a mulher se seus pais estavam chegando, ela respondia a mesma coisa: não sei, querida.
- Sua mãe disse para você não ir dormir tarde! – disse a babá quando a menina teimava ficar na frente da frente da TV.
- Irei deitar quando minha mãe chegar! – permanecia firme.
Depois de horas e horas Bridget acabou não agüentando e dormiu no sofá da sala. A mulher cansada a pegou no colo e colocou em seu quarto. A babá esperou, mas ninguém apareceu e foi embora.
Na manhã seguinte, a menina acorda sozinha. Procura no quarto dos pais, na cozinha, na sala. Tudo vazio. E então o telefone toca. Bridget sai correndo até ele achando que é sua mãe dizendo que tudo estava bem, que estavam voltando para a casa, mas não era exatamente isso que ouviu da outra linha.
- Alô! Mãe?
- Tem alguém maior de idade nesta residência?
- Não. Cadê meus pais?!
- Eles estão mortos. – o homem disse sem piedade e demonstrando total impaciência desligou o telefone. Talvez ele não soubesse que estava falando com uma menina de apenas cinco anos de idade.
Bridget chorou sem ninguém para ampará-la, sem ninguém para ajudá-la...
Alguns minutos depois homens entram na casa, e levaram Bridget para o orfanato onde passou uma semana que ela não gostava de lembrar.Daniel ia todos os dias no orfanato com sua mãe para visitá-la, o momento mais esperado no dia de Bridget. Mas depois desse curto período morando no local um casal europeu que estava de passagem na cidade se encantou com a menina e a adotaram. Fizeram de tudo para tê-la quando souberam do passado sombrio de Bridget.
Depois de uns dias, eles tiveram que voltar para a o Reino Unido e Bridget claro teve que ir deixando tudo para trás. Inclusive Daniel. Ela o deixou no exato dia em que ia fazer seis anos.
Depois de cinco anos no país, nunca se sentiu realmente confortável com seus novos “pais”, e nem com a escola. Apenas com dez anos era conhecida por toda a escola por ser a infratora. Com onze anos foi ela expulsa da escola, então o casal decidiu voltar para a cidade natal da garota onde não teriam dificuldade para encontrar uma casa para morar contando com os bens que a garota tinha inclusive a linda e espaçosa casa.
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