Im So Sick
6 Capítulo 6 - Visita estranha
Na manhã seguinte, Bridget acordou um pouco assustada, remoendo aquilo que tinha sonhado na noite passada. Aquela havia sido a pior coisa que já acontecera em sua vida. Seus pais, a coisa mais importante que um dia ela tivera, e que daria tudo para ter de novo. Ela via quase todos os dias adolescentes desprezando seus pais, ou até falando mal deles, ela achava aquilo ridículo, mas você só dá valor a uma coisa quando se perde.
Bridget se levantou, e foi tomar eu banho. Logo ela percebeu que esse domingo seria longo e entediante. Ela tinha que terminar uma série de deveres nos quais não tinha feito no sábado, e depois disso o que teria? Tédio e mais tédio.
Quando a garota desceu para comer alguma coisa, ela percebeu que novamente, parecia que Vanessa não estava em casa. Não fazia diferença para ela, mas aquilo não era comum, achou um pouco estranho, mas não deixava de ficar feliz por isso.
Enquanto a garota pegava presunto e queijo na geladeira para fazer um sanduíche à campainha tocava insistentemente. Bridget não pode deixar de pensar que fosse Vanessa, talvez ela tivesse esquecido as chaves. Mas quando a garota abriu a porta, não era ela. E sim aquela pessoa que ela tinha ido procurar no dia anterior, o Sr. Gleeson.
A primeira coisa que ela pensou em fazer, era perguntar o porquê de ele estar ali, ou até fechar a porta na cara dele, mas não fez nenhuma das duas, apenas ficou esperando que ele começasse. O silêncio se estendeu, até que ele finalmente decidiu começar:
- Posso entrar Bridget? – perguntou ele, como se fosse uma simples visita de domingo.
- E eu posso saber o que você está fazendo aqui? – perguntou ela, bloqueando a passagem, quando ele fez menção de atravessar a porta.
- Você poderia simplesmente deixar que eu entrasse, e poderíamos conversar...
Bridget não saia o que fazer. Por um lado, ela sabia que convidar aquele estranho para entrar em casa, seria contra qual quer um dos princípios de segurança, mas pelo outro, ela realmente queria saber o que o levara até a sua casa, e o que ele queria.
- Então por que não conversamos aqui mesmo? – disse ela – Está um dia lindo hoje, não? – O dia não era o que se podia chamar de “lindo”, pelo menos não para as pessoas normais. Estava nublado, e parecia que iria chover.
- Bridget, eu sei que você me procurou ontem, e não me achou, e que a essa altura, está mais do que curiosa para saber o que eu estou fazendo aqui, então por favor, vamos entrar e conversar?
Bridget ficou pensando por alguns minutos até se render, totalmente, e dar passagem para que ele entrasse em sua casa. Como se já conhecesse toda a casa, e já fosse um velho amigo de família, ele nem a esperou para que o guiasse até a sala, ele fez por si mesmo, e sentou no sofá, esperando que ela fizesse o mesmo. Assim que ela se sentou em uma poltrona que ficava ao lado do sofá, se recusando a dividir o mesmo espaço que ele, a garota começou.
- Então, o que o trouxe aqui? – ela não pretendia ficar jogando papo fora, queria ser rápida e direta. No momento, seu desejo era que ele saísse o mais rápido possível de sua casa.
- Bem, Bridget, eu vim aqui exclusivamente para responder suas perguntas. Não quero que você saia por aí perguntando a qual quer coisas ao meu respeito. – disse ele, a fitando como se esperasse que ela começasse com a primeira pergunta.
- Como você sabe que eu te procurei? – essa era a principal dúvida de toda a aquela história. Como ele podia saber que ela e Daniel estiveram ontem no orfanato? Eles não haviam contado a ninguém, pelo menos não Bridget. Afinal, ela não tinha ninguém para contar.
- Pergunta bem interessante... Bridget, eu sei cada passo que você dá; quantas batidas o seu coração dá, as vezes que você suspira... Eu sei mais coisa sobre você do que aquele seu namorado saberia em um ano.
- E como você sabe tanto? – perguntou ela. A garota tentou, sem muito sucesso, não demonstrar espanto, mas ela não pode deixar de demonstrá-lo e nem de pensar o quanto aquele homem era maluco.
- Como eu sei? Acho que é porque eu vivo para saber dessas coisas. Eu vivo para cuidar de você.
Ela quis rir naquele momento. Aquele homem que aparentemente ela conhecera recentemente, estava alegando que vivia para cuidar dela? Nem a própria Vanessa dava conta da garota, como um homem de fora poderia dizer isso? Ou melhor, fazer isso?
Sim, este homem definitivamente é maluco, pensou Bridget.
- Sabe o que eu acho? Que você deveria procurar o mais rápido possível, assim que sair por essas portas, um psiquiatra.
- Você acha realmente que sou eu que preciso de um? Não fui eu que matei uma garota por causa de ciúmes. – ele disse bem baixinho, um comentário que fez Bridget se calar, e se afundar mais no sofá. – Acho até que você deveria ter um pouco de respeito por mim, já que os policiais só ainda não descobriram que era você por eu ter encobertado toda a besteira que você fez. E você tem idéia de como isso não é nada fácil? Você é tão idiota, Bridget. Depois de tudo o que você tem, depois de todo o esforço de Vanessa para fazer você ter uma vida normal, e muitas outras coisas, você estraga tudo!
Gleeson parou de falar por alguns instantes esperando a reação de Bridget, que por incrível que pareça, ainda estava um pouco assustada com tudo aquilo que estava acontecendo, e demorou um pouco para responder.
- Nunca pedi para nenhum de vocês fazerem nada para mim. Vocês fazem porque querem fazer. Eu não pedi para você encobertar o que eu fiz.
- Você diz isso agora. Mas agora imagine a cena, cara Bridget, a polícia chegando ao seu colégio e te levarem para a delegacia na frente de todos, inclusive de Daniel, alegando que você cometeu homicídio e matado aquela linda garota? Mesmo que eu tirasse você de lá, depois de alguns minutos, o estrago já estaria feito e você nunca teria seu Daniel de novo.
A garota pensou nisso por alguns minutos, imaginou tudo em sua cabeça, e depois tentou imaginar como Daniel a trataria, como os estudantes do colégio a tratariam (provavelmente pior do que a tratam todos os dias). Mas ela não ligava para nenhum deles, ela ligava para o garoto que amava.
- E eu posso saber o porquê de você ter que me proteger? – perguntou ela.
- Bem, chega até ser uma questão meio que religiosa, e também pelo fato de seus pais terem certa confiança em mim. Mas eu acho melhor tratarmos desse assunto mais na frente.
- Por quê?
- Porque talvez você não entenda.
Claro, talvez eu não entenda; pensou ela irônica.
- Eu já tirei bastante tempo do seu domingo, acho que você tem muito mais coisa para fazer do que ficar aqui, conversando comigo. Acho que vou embora.
Bridget se levantou e o levou até a porta, e quando a porta se fechou atrás dele, ela se sentiu aliviada. Ela não tinha gostado nem um pouco da visita, nunca se sentiu tão desconfortável em toda a sua vida, e se sentiu finalmente em casa quando aquele estranho saiu dela.
Assim que ela tomou seu café da manhã, subiu novamente para seu quarto e foi terminar seus deveres de casa. Queria terminá-los o mais rápido possível, assim poderia fazer outras coisas. Mas quando ela foi pensar em que outras coisas iria fazer, descobriu que não tinha absolutamente nada para se fazer. Era domingo, e não tinha nada para fazer, pelo menos não neste domingo.
Na manhã seguinte, o despertador tocou tirando Bridget de seu sono e fazendo se levantar para ir ao colégio. Naquele domingo, ela não tinha feito absolutamente nada, não tinha ido a um bar qual quer, nem tinha chegado tarde a casa, e Vanessa só tinha chegado a tarde, alegando que estava na casa de uma amiga.
Assim que terminou de se arrumar, desceu as escadas, pegou uma fruta qual quer que estivesse na mesa da cozinha e saiu pela porta, e deu de cara com o mundo que teria de suportar nesta segunda.
Quando ela estava a alguns metros de distancia da escola, um chuva forte começou a cair sem mais nem menos. Bridget correu o mais rápido que pode, mas quanto mais corria, mas sentia que iria cair no chão. As ruas estavam muito escorregadias. Porém, mesmo assim ela decidiu correr para não pegar chuva, mas não deu muito certo. A garota acabou caindo, e se machucando. Ela sentia que o seu tornozelo direito havia torcido e que seu pulso que havia colocado na frente na hora da queda, estava doendo muito.
Quando ela se levantou, e tentou dar o primeiro passo com o pé direito, quase caiu, e decidiu pular de um pé só até o banheiro onde poderia limpar e ver o total estrago que a mesma estava.
Caminhou entre o mar de alunos, ate chegar ao seu destino. Jogou sua mochila em qual quer lugar no banheiro, e depois se fitou no espelho, e contemplou todo o estrago. Seu cabelo estava totalmente molhado, suas roupas estavam grudadas no seu corpo, e infelizmente hoje ela tinha escolhido uma blusa clara, o que fez o seu sutiã ficar totalmente amostra.
Depois de alguns minutos, as únicas duas garotas que estavam dentro do banheiro saíram, e Bridget ficou sozinha lá dentro. Já fazia um bom tempo que o sinal havia toado, ela não queria nem imaginar o que aconteceria se a pegassem lá. Cambaleando foi até a porta do banheiro e a fechou, mas logo depois ela foi aberta e invés de quem ela pensou que fosse, era Daniel.
- O que aconteceu? – perguntou ele indo até ela.
- Eu só caí.
- Você só caiu? Nem consegue andar direito. Deixa-me ver o seu pé. – Dizendo isso, ele a pegou pela cintura e a colocou em cima da bancada de granito da pia e começou a examinar o pé.
A mão dele estava quente, era quase uma alivio para a sua pele que estava muito gelada. Em algumas das vezes em que ele tocava, a garota reclamava de dor, mas no fundo, ela estava amando toda a atenção que estava ganhando do garoto.
- Eu acho que você deveria ir ao médico. – disse ele.
- E eu acho que você deveria sair daqui. Nem quero imaginar o que vai acontecer quando alguém chegar aqui e vê-lo no banheiro feminino.
- Vamos correr este perigo então, amor. Vamos ver o que vai acontecer.
Bridget ia protestar, mas não teve tempo, Daniel pressionou seus lábios contra os dela, fazendo com que ela se esquecesse completamente do que ia falar, e apenas se concentrasse nessa deliciosa sensação.
- Que bonito o casal não é? – era a voz da diretora atrás deles.
Imediatamente, os dois se separaram, e olharam para frente, onde não só tinha a diretora, mas como também algumas garotas que não iam com a cara de Bridget.
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