I'm Not a Hero

6 Tomorrow never comes until it's too late...


Notas iniciais
Yooooo povo! Demorou, né? Haha, minhas sinceras desculpas. Eu sei como é chato esperar, mas eu realmente me compliquei com as lutas, e depois não sabia como diabos terminar o capítulo... E é melhor um capítulo esforçado do que qualquer porcaria, não é mesmo? Eu criei uns jutsus novos com o meu mais novo amigo (não confiável, diga-se de passagem, mas é o jeito) Google Tradutor, vocês vão ver. oaisoais Título: "O amanhã nunca chega enquanto não for tarde demais..." É o trecho de uma música (uso muitas músicas como título, hehe): Six Days. Boa leitura! :} PS: Não revisei porque me falta tempo, desculpem qualquer erro. PS 2: Obrigada pela recomendação, blackHeart, sua linda! ~coração~

“Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?” — Clarice Lispector.



Um dia. Já fazia um dia que eles estavam lutando, sem uma única pausa para descanso. Não podiam descansar. Os inimigos eram em maior número e não tinham receio nenhum em matar; mataram muito dos poucos aliados que eles tinham, principalmente os pobres habitantes da vila sem poder nenhum que quiseram se intrometer nas lutas. Shikamaru sequer podia lamentar por eles, porque não tinha tempo para tal coisa.

Ao menos o número dos inimigos também havia diminuído. Corpos estavam espalhados pelo chão, defuntos dos dois lados, e o sol, pela primeira vez depois de muito tempo, banhava Konoha com luzes intensas, já quase dando lugar para a lua novamente, naquele fim de tarde. No entanto, por que o Nara tinha a sensação de que aquela tarde bonita não significava um bom presságio? Distraiu-se ao ponto de quase ser acertado por um jutsu de fogo, se não tivesse pulado para trás antes.

— Hakke Kuushou!

A pressão de chackra invisível que a palma de Neji criou mandou o adversário do Nara para longe.

— Obrigado. — Shikamaru disse, e depois moveu os olhos para a frente da batalha, onde os inimigos começavam a correr para longe dali. Os sobreviventes se entreolharam surpresos, depois começaram a comemorar, muito alto, gritando por uma vitória que o Nara sabia estar longe de acontecer. — Estão recuando. — notou, estreitando os olhos. Não havia motivo para os adversários recuarem. Não estavam ganhando, tampouco perdendo. — Mas por quê?

— Também não sei. — o Hyuuga respondeu seriamente, observando os inimigos afastarem-se. — Mas definitivamente não significa coisa boa.

Os konohas pareciam extremamente cansados — pudera! — e alguns já caíam ao chão, fracos, feridos, doentes, mas outros carregavam um sorriso no rosto. Shikamaru não pôde deixar de pensar em como eles eram ingênuos.

— Temos que reuni-los em um só local. — informou a Neji.

— Longe daqui. — concordou o Hyuuga. — Vamos.

Os dois caminharam entre os cadáveres, guiando os sobreviventes até um dos campos de treinamento, distante o suficiente de onde as lutas haviam acontecido. No meio do percurso, encontraram Konohamaru, cujas mãos estavam em carne viva de tão feridas.

— Usei demais o rasenshuriken. — ele alegou, cansado. Não tinha o modo sennin como Naruto uma vez tivera, e os braços não tinham força suficiente para jogar a esfera de chackra para longe quando atacava e, como consequência, tanto ele quanto o inimigo machucavam-se. Sem contar que as técnicas de katon, seu elemento, assim como o do resto de seu clã (agora inexistente), haviam lhe desgastado demais.

— Você precisa de cuidados. — o Nara disse, não podendo deixar de observar que o Sarutobi provavelmente não conseguiria batalhar sem, no mínimo, um descanso de alguns dias. Suspirou baixo. Estava tudo indo bem, não estava? Ele não precisava ficar se preocupando... — Sabe onde está Sakura ou Ino?

Konohamaru apontou para o campo de treinamento.

— Acho que vi Sakura-san ir por ali.

Dessa vez foi Neji quem o apoiou, ajudando-o a caminhar e guiando-o até onde os outros já se reuniam. Agora, os sobreviventes ou descansavam ou lamentavam pelos mortos ou apenas encaravam o nada — Shikamaru tinha quase certeza que esses últimos pensavam “que merda eu estou fazendo aqui?”. Ele gostaria de poder se perguntar isso também.

Então eles avistaram Tenten. Ela parecia estar prestes a sentar-se na rala grama e descansar quando também os viu. Aproximou-se deles, a face muito séria.

— Ino-chan e Sakura-chan estão curando os feridos. — informou aos três, para logo depois desviar o olhar para o lado. Neji, que a conhecia mais do que qualquer um ali, sabia o que o simples gesto queria dizer.

— Más notícias? — o Hyuuga perguntou, muito embora já tivesse certeza da resposta.

A garota não respondeu. Apenas lhe deu um olhar que dizia tudo e nada, e caminhou até onde as outras duas estavam, com os rapazes em seu encalço. Shikamaru já tinha uma ideia do que seriam as más notícias. Na verdade, era até o que esperava desde que começara aquilo tudo.

— É o exército pessoal de Masao, não é? — perguntou quando ele e os outros se aproximaram o suficiente das kunoichis. Ino lhe deu um breve olhar, antes de voltá-lo para o ninja que estava curando, cujo braço tinha uma enorme queimadura. Sakura estava ao seu lado, terminando de curar outro ferido. Quando o trabalho estava feito, ela dispensou o homem, mandando-o descansar, e fez Konohamaru sentar-se a sua frente, olhando com o cenho franzido para os ferimentos dele. Provavelmente tinha o mesmo pensamento de Shikamaru: o Sarutobi não voltaria a lutar naquele dia.

— Entrei na mente de um dos ninjas do Masao. Ele tinha a mania de ouvir coisas atrás das portas — Ino debochou. —, e ouviu coisas interessantes antes de vir lutar, como o fato de que Masao está se divertindo às nossas custas e o fato de que dez ninjas virão lutar contra nós. Dez. Ninjas. Vocês sabem o que isso quer dizer?

Shikamaru tirou um maço de cigarros do bolso, uma das poucas coisas que ele comprava com o dinheiro das poucas missões que recebia. Tirou um de lá, acendeu-o e tragou, enquanto Neji cruzava os braços. Os dois se entreolharam. É claro que sabiam o que significava. Konohamaru, com as sobrancelhas arqueadas, provavelmente também tinha uma noção.

— Ou ele está subestimando demais nossa força, ou — e Neji suspirou. — os oponentes são extremamente fortes.

— E desconhecidos. — Sakura interveio, apesar de não olhá-los, concentrada demais em curar Konohamaru. Ela suava pelo esforço. Havia curado muitos ninjas durante e após as lutas, e até lutara, auxiliando os outros. Estava extremamente desgastada, assim como os outros. — Completamente desconhecidos! E nós estamos quase sem chackra.

— Não vamos aguentar mais meia hora. — Tenten murmurou depois de Ino terminar de curar o outro ninja e dispensá-lo também. Ele não precisava ouvir aquelas coisas; tudo o que não precisavam era que a desesperança voltasse a assolar os habitantes. — Dez, e nós somos cinco, sem chackra, sem nenhuma informação sobre eles, enquanto eles devem saber tudo sobre nós, graças a Masao!

Shika olhou ao redor, conseguindo contar mentalmente o número de habitantes que havia ali. O povo de Konoha havia sido assim tão reduzido? As engrenagens de seu cérebro pareceram emperrar por um momento, antes de voltarem a funcionar com força total. Nenhum deles seria útil, machucados como estavam, sem experiência em batalhas além daquela e emocionalmente instáveis como haviam demonstrado nas lutas: descontrolando-se, chorando no meio de um ataque, comemorando cedo demais ao acertar um adversário...

Um ninja não demonstra emoções. Um ninja não sente. Não no campo de batalha. Nunca no campo de batalha.

Antes que pudesse falar algo para os outros, uma repentina explosão o jogou para longe. O barulho fora tão ensurdecedor que, por um momento, Shikamaru pensou que tivesse ficado surdo, porque não ouvia mais nada. Então, em um segundo, os barulhos voltaram com força total.

Gritos de pânico, gemidos de dor, passos, passos.

Suas costas haviam batido no tronco de uma árvore e ali mesmo ele caíra. Lamentando, ele apoiou os cotovelos na grama e foi lentamente levantando-se, com um esforço absurdo. Os outros também haviam sido atingidos, percebeu. A área da explosão havia atingido todo o campo de treinamento.

Neji tinha levantado a pouco e ajudava Tenten, os dois com as roupas meio chamuscadas e ferimentos. Ino e Sakura ainda estavam se norteando, mas Konohamaru ainda não havia acordado. Kami, muitos ali ainda não haviam acordado e, provavelmente, nunca mais o fariam. Shika olhou atordoado para o resto do local, vendo o povo ferido. Ele e os outros se entreolharam, já sabendo o que aquilo significava, e então todos, despertos o suficiente, pularam para o centro do campo.

— Fujam! — Ino gritava, ajudando alguns a se levantarem mais rápido. — Saiam daqui! Vão para longe!

— Vocês estão correndo perigo aqui. Saiam! — Neji dizia com sua voz alta e impotente, guiando os ninjas até um caminho que julgava seguro.

— CORRAM! — Tenten berrava aflita, enquanto Sakura tentava despertar Konohamaru.

A população era puro desespero, demonstrado nos gritos e na pressa para fugir dali. Apenas quando Shikamaru e os outros ouviram uma risada, foi que eles se viraram para frente do campo de treinamento, onde a destruição ocorrida havia sido maior.

Quando a fumaça baixou e eles puderam enxergar, dez ninjas os encaravam.

•••

Corria com pressa, com desespero, corria querendo que aquela distância acabasse de uma vez e ela se visse em sua vila, sabendo que seus amigos estariam a salvo. No entanto, por mais que Hinata quisesse expulsar tal pensamento de sua mente, ela tinha ciência que as coisas não seriam do jeito que queria. Sua fuga já devia ter sido exposta há muito, e obviamente, seriam os amigos quem pagariam por isso.

Apertou o passo, passando por vários ninjas que corriam a sua frente. Sentia-se tonta, mas não parou, recusando-se a ficar doente. Talvez devesse ter comido algo, mas não conseguia manter muita coisa no estômago. Estava inquieta, preocupada e com medo. Medo do que iria encontrar quando chegasse a Konoha. Medo de que chegasse tarde demais. Medo de que, quando finalmente alcançasse a vila, tudo o que teria restado fossem os corpos dos amigos, porque era o que sempre acontecia, no final. Tudo o que restava era apenas o corpo para enterrar, e depois disso apenas a carne sendo comida pelos vermes, e após, apenas os ossos. E nada mais. Nunca mais.

Morte era uma coisa desesperadora mesmo.

Sentia a respiração ofegante, o suor descendo pela lateral de seu rosto. O grupo do Kazekage havia dado uma pausa de uma hora pouco tempo antes, mas ela mal descansara. Lavara o rosto em um lago que havia ali perto, brincando com a água e pensando, pensando, fazendo sua cabeça doer de tantos pensamentos aterradores... E então a hora acabara e eles voltaram a correr.

Tirou a franja dos olhos. Seu rabo de cavalo voava atrás de si pelo ar da noite. Ainda estavam no país do Vento, tinha certeza. O do Fogo, apesar do nome, não tinha um tempo tão seco como aquele.

— Hyuuga — ela olhou para o lado, assustada porque não havia percebido a presença do ninja. Gaara estava flutuando em uma nuvem de areia e, ao lado dele, outra estava a sua espera. —, suba. Vai acabar desmaiando desse jeito.

Hinata pulou para a areia, por um momento temendo tolamente que ela fosse desfazer-se diante de seu peso. A areia, no entanto, permaneceu sólida, flutuando tranquilamente.

— Seremos mais rápidos assim. — o Kazekage lhe informou, olhando pra frente, e depois acrescentou: — Segure-se.

Ela arfou com o susto que levou quando a nuvem disparou pra frente em um rompante. Ajoelhou-se e deixou que a areia de Gaara a guiasse, implorando mentalmente que ainda tivesse algo pelo qual lutar quando chegasse à vila.

[...]

Ele virou o rosto para o lado, inconformado enquanto o outro ria.

“Você não conseguirá escapar por muito tempo...”

Naruto não respondeu, sentando-se no meio da tenda, segurando a cabeça entre as mãos, esperando não ter que ouvir mais a risada sádica ecoando por toda sua cabeça, impedindo-o de dormir. Como todas as outras vezes, é claro que a voz, cujo dono já era mais que conhecido por ele, continuou: “Com o que vai se distrair hoje à noite, hein? Não há bordéis no meio da floresta, idiota. Como vai conseguir se livrar de mim essa noite?”

Rangendo os dentes, o Uzumaki levantou-se, afastando com violência o pano da barraca e saindo para a fria noite lá fora. Não pôde impedir-se de mandar um olhar feio para a tenda de Sasuke. Era por culpa dele que estava ali, no meio do mato, mais próximo de Konoha do que ele gostaria; era por culpa do Uchiha que ele havia aceitado aquela idiotice de interrogar konohas em busca de respostas às suas muitas perguntas, e, indubitavelmente, era culpa dele que Naruto tivesse encontrado algumas. Não muito satisfatórias, diga-se de passagem.

E era por culpa de Sasuke que estivessem em um lugar onde não existia sequer um maldito prostíbulo!

Ah... A quem queria enganar? O maldito Uchiha não tinha culpa de nada.

Suspirou, esfregando o rosto e afastando-se dali, subindo para o galho de uma árvore, tentando distrair-se fazendo uma vigia pelas árvores. Nem ele ou Sasuke haviam se preocupado em manter vigilância, porque, primeiro: Naruto nunca dormia de noite. No máximo, conseguia cochilar por meia hora, antes de acordar.

Acordar? Não, ele pensou, ouvindo a voz do outro lhe irritando. Antes de ser acordado.

Segundo: ninguém seria tão estúpido quanto eles dois ao ponto de se aventurar naquela mata. A floresta estava cheia de animais selvagens e plantas e insetos venenosos. Por que mesmo, pelos sete infernos, eles estavam ali?

Ah, sim. Por culpa de Masao.

Apertou o punho, por um momento esquecendo o outro ser perturbador em sua mente, e concentrando-se só no maldito filho de Danzou. Já desconfiava que ele soubesse algo, talvez até que tivesse sido ele a arquitetar algum tipo de plano e fazer a Kyuubi descontrolar-se naquele dia, mas queria ter total certeza porque não queria visitar Konoha por conta de informações falsas.

Para falar a verdade, sequer desejava visitar Konoha.

Mas, aparentemente, seria necessário, já que Masao não saía de lá. E Naruto tinha que botar as cartas na mesa, esclarecer tudo. Tinha que saber como aquele ataque acontecera e o porquê, ao mesmo tempo em que desejava apenas se afastar daquele passado estúpido, cheio de dor e desgraça, ao qual ele parecia preso.

“Por que não acaba logo com isso? Por que não acabar com essa existência infeliz e sem propósito de uma vez por todas?”

Naruto sorriu sombriamente, pela primeira vez respondendo a voz:

— Aí você morreria comigo. Seria realmente fantástico, se pensar bem.

A risada pareceu ecoar por toda a floresta, mesmo que só estivesse dentro de sua cabeça.

“Tolo. Eu sempre estarei aqui, você nunca irá se livrar de mim enquanto viver. Você é um monstro, e como você já sabe tão bem”, a voz murmurou lentamente, com um prazer sádico ao pronunciar cada palavra, “ninguém gosta de monstros.”

Naruto sentiu algo quente escorrer por seu pescoço. O filete de sangue desceu e caiu em sua camisa, manchando-a com o vermelho de seu sangue monstruoso. Quando havia pegado aquela kunai?

Poderia rir da situação, se aquilo de perder o controle de seu corpo ainda não o assustasse tanto. Fora isso o que acontecera há três anos, não fora? Ele perdera o controle e Kurama se libertara.

Não queria admitir para si mesmo que a culpa daquele ataque, o que mudara a bosta de sua vida inteira, fora pura e inteiramente culpa sua. Precisava, necessitava desesperadamente botar a culpa daquilo em alguém que não fosse ele mesmo. E Masao seria sua vítima.

Que tenha sido ele, e não eu... Deuses, que tenha sido culpa dele e não minha...

Jogou a kunai para longe de si, a respiração ofegante.

— Não o deixe controlá-lo, Naruto — outra voz lhe aconselhou, bem mais gutural e profunda, quase como um rosnado. — Lute contra isso, pirralho.

Passou os dedos pelo pequeno corte que a arma havia feito em sua garganta. Falar era fácil, debochou em pensamento, levantando os dedos até os olhos e observando o sangue neles. Estava cada vez sendo mais controlado, como Sasuke havia lhe dito horas antes.

“Não adianta lutar contra mim, Naruto. Você e eu sabemos o quão inútil é isso.”

— Por quê? Eu já lutei uma vez, não foi? — murmurou cinicamente.

“Ah, sim, e isso foi no tempo em que você era uma bichinha, cheio de amiguinhos falsos ao seu redor, que te passavam a falsa confiança de que você era o herói e não o monstro. Mas sabemos que isso não é verdade, não é mesmo?”

E a voz riu daquela simples ideia, como se fosse completamente impossível o Uzumaki ser algo mais do que uma aberração. E Naruto engoliu em seco, enquanto apertava seu próprio sangue entre os dedos, sabendo que a voz não falava da Kyuubi, e sim dele próprio. Então reconheceu que ele estava certo.

Não sou mais o herói, pensou, de novo com a vontade de rir de sua própria desgraça, mesmo que aqueles tempos de herói não lhe fizesse assim tanta falta. Não, do que ele sentia mesmo falta era da época em que ainda conseguia se iludir pensando que não era... ele. Que não era um maldito monstro sedento de sangue. Agora eu não passo do demônio desertor de Konoha.

O que eu me tornei? ele se perguntou, angustiado, não querendo de fato uma resposta.

Mas lhe responderam mesmo assim.

“O que você sempre foi.” A voz disse como se estivesse com pena. “Sério, por que ainda luta? Você sabe que é uma batalha perdida. Você sabe disso porque nós somos a mesma pessoa, Naruto. E ninguém nunca conseguirá te salvar de si mesmo.”

•••

O ninja que dera a risada tinha cabelos curtos e espetados e era o único ali com um sorriso maior do que quase o rosto todo. Os outros nove tinham expressões sérias ou indiferentes, talvez até enfezadas, como se estivessem pensando que qualquer outra coisa seria mais interessante do que aquela luta.

— Ah, esperei tanto tempo por isso! — ele disse, estralando o pescoço, ainda sorrindo. Carregava uma espada longa e de lâmina grossa, parecendo muito pesada, mesmo que ele a carregasse como se não fosse nada. — Vamos lá, vocês não estão animados? — perguntou aos companheiros. A kunoichi ao seu lado revirou os olhos.

— Você fala demais, Ham. Vamos acabar logo com isso. Você, dos coques. — Tenten franziu o cenho. — Vou lutar com você — e completou, antes que a pergunta sequer pudesse chegar à mente de Tenten: — porque sim.

E pulou até onde a morena estava. Tenten deu um salto para trás.

— Tarde demais. — a kunoichi, de olhos castanhos e expressão séria disse-lhe. — Você já está no meu campo de ataque.

E, do chão, esferas negras brotaram. Tenten tentou escapar, mas por algum motivo parecia presa; então ela viu. A adversária havia prendido seus tornozelos com fios de chackra, que saíam de seus dedos.

Foi tudo muito rápido.

— Bakuton: Chikyū no burasuto (n/t: Explosão da Terra).

E as esferas explodiram.

A luz que se seguiu cegou os olhos de todos, mas não tampou seus ouvidos. O grito de Tenten ecoou, sofrido.

Quando a luz foi diminuindo, a morena estava no chão, o corpo cheio de ferimentos; as roupas, antes já chamuscadas pela primeira explosão, agora estavam em um estado muito pior.

O primeiro ataque, que atingira a todos, devia ter partido daquela garota, que olhava para Tenten sem um vestígio de expressão. Ela era perigosa e fez Shikamaru estreitar os olhos. Eles todos eram perigosos!

— Tenten! — Ino tentou se aproximar, preocupada, mas alguém puxou seu braço, fazendo-a permanecer no mesmo lugar. Quando olhou para o lado, surpreendeu-se ao ver Neji. — O que está fazendo?

— Tenten é forte, Ino. É a luta dela, portanto não se meta. Temos as nossas próprias batalhas a travar. — e seu olhar dirigiu-se aos nove ninjas, ainda no mesmo lugar.

O tal Ham balançou a cabeça negativamente e soltou um suspiro baixo.

— Sempre apressada, nossa Miyo.

— Isso é tudo uma perda de tempo. — um deles, um gordo carrancudo, resmungou. — Poderia estar fazendo muitas coisas mais interessantes do que estar aqui. Por que eu tive que vir? Que idiotice.

— Cala a boca, gorducho. — outra kunoichi, com os lábios pintados de laranja e com roupas ninjas da mesma cor, resmungou. — Você veio reclamando o caminho todo. Que saco!

— Mas isso é uma total perda de tempo! — rebateu o homem. — Se eu encostar um dedo neles eles morrerão! Que droga. São todos fracos. Eu não quero lut... Gah! — ele não pôde falar mais nada, porque no segundo seguinte, seu corpo estava sendo cortado ao meio pela espada de seu próprio companheiro.

Neji, Shikamaru, Sakura e Ino olharam, com assombro, enquanto as duas metades separadas do corpo do homem caíam ao chão. Morto.

Simples assim.

— Me chamam de Ham por um motivo. — ele disse, com um sorriso de lado, agora muito mais sombrio do que antes. — É porque eu fatio meus inimigos como presunto.

— Por Kami. — Ino murmurou trêmula, entre Neji e Shikamaru. Sakura estava um pouco mais distante, ainda ao lado de um Konohamaru desacordado, porém não morto. Ainda não. — Temos que nos mexer.

Um deles, de cabelos azuis escuros, deu um passo para frente, a expressão suave ao dizer:

— Perdoem-me por meus companheiros, eles são jovens e imaturos. — e seus olhos acabaram por se focar em Neji, que era o mais próximo de si. — E perdoe-me por isso.

Então atacou o Hyuuga, que se desviou no último segundo da serpente de fogo que saíra da boca do inimigo.

Merda, Neji pensou. Um inimigo com ataques de longa distância. Simplesmente ótimo para ele.

A mulher toda de laranja bocejou.

— Isso está entediante. — ela disse em alto e bom som. — Oe, Ham. Com quem você vai lutar?

— Hmmm. Decisão difícil, Seiko — o rapaz murmurou, olhando para os três ninjas restantes. Por fim, ele sorriu. —, mas vou com a loirinha.

— Então eu vou com a rosinha.

E ambos pularam para perto de seus alvos. Então só restara Shikamaru... e mais quatro adversários para ele enfrentar. Sozinho. Sentiu uma gota de suor descer pela lateral de seu rosto, até que um deles riu, mostrando um dente dourado no meio de tantos outros brancos. Era baixo e muito magro, e falou:

— Relaxa. Eu sou o pior desses quatro — gabou-se fazendo os outros três lançarem olhares feios para ele. — e eu não quero lutar contigo.

E então pulou (tão subitamente que Shikamaru quase não conseguiu acompanhar com o olhar) até onde Seiko lutava com Sakura.

— Se importa de ter um parceiro, Seiko? — ele perguntou por perguntar, porque realmente não se importava com a resposta.

— Que saco, Aoki, eu queria acabar com a garota sozinha. — Seiko bufou.

— Ah, cala a boca, você nunca luta direito.

— Por que você não vai tomar no meio...

— Ninguém nunca ensinou vocês a manterem os olhos no adversário? — Sakura gritou em cima dos inimigos, antes de descer e socar o chão com toda sua força. Aoki conseguiu escapar a tempo, mas uma enorme cratera engoliu Seiko.

— Tsc. — ele revirou os olhos, ao ver os destroços do solo em cima de uma Seiko desacordada. — Hey, não cante vitória ainda, rosinha. Seiko é a mais fraca de todos, não é surpresa que você tenha a acertado.

— Vai pro inferno, Aoki... — a mulher rosnou lá dos destroços, toda machucada; ainda demoraria um tempo para ela conseguir escapar dos escombros, mas escaparia, e quando o fizesse, aquela garota pagaria. Isso se Aoki não a matasse antes...

No meio de todas as lutas com adversários já formados, Shikamaru olhou para o céu agora negro e iluminado pela lua. Três adversários agora. Um deles, de cabelos mais longos que os de Neji, inclinou a cabeça para o lado e sorriu.

— Vou deixar esse aí com vocês. Vou ajudar Nasai com o cabeludo ali. — e pulou para a luta de Neji, deixando Shika com dois inimigos para lutar.

Ele podia enfrentar dois inimigos. Claro. Sem problema.

Só não podia garantir que ia vencer.

[...]

Ino novamente pulou uns dois metros para longe daquela espada, com a respiração ofegante. Seu inimigo até ali não havia usado nenhuma técnica elementar ou qualquer outra. Ele dependia pura e completamente de sua espada e isso significava que ela devia ser muito perigosa. Sabendo disso, Ino não queria arriscar-se em uma luta muito próxima.

— Tudo o que vai fazer é fugir, loira? — Ham berrou, rindo em seguida. — Não vai lutar?

Ele não percebeu, o pensamento fez a Yamanaka sorrir.

— Oh, querido, não se preocupe. Eu já estou fazendo isso. — piscou para ele, que arqueou a sobrancelha. — Você já percebeu que nesse campo não existem flores?

Sem saber por que diabos a loira falara tal coisa, Ham olhou para baixo. Havia um campo de pétalas de flores ao seu redor, mas Ino estava certa: não havia flores por ali. Então como...

— Hana Ninpou: Hanabira no Odori! (n/t: Arte Ninja das Flores: Dança das Pétalas)

As pétalas subitamente subiram, dançando ao redor dele, tão bonitas... e tão letais. Elas desceram tão subitamente quanto subiram, mas dessa vez não iam em direção ao chão; iam em direção a Ham. Elas eram afiadas como kunais e machucaram seu corpo, provocando arranhões em sua pele e rasgos em sua roupa. Ele, porém, com um golpe brusco e poderoso de sua espada, que fez as árvores ao redor balançarem com o vento lançado, afastou as pétalas.

Ino bufou; estava prestes a pular e afastar-se do inimigo novamente, quando ele surgiu atrás de si, em uma velocidade impressionante.

— Não tão rápido. — ele sussurrou para ela. — Essa luta já está me entediando. Que tal acabar logo com ela?

E enfiou a espada no meio de suas costas.

[...]

Sakura rolou para o lado antes de Aoki acertar-lhe um chute. O pé dele afundou no solo, causando uma pequena cratera. Ele tinha uma força absurda, e mesmo Sakura conseguia competir.

Levantou-se e olhou preocupada para Konohamaru, ainda desacordado e encostado ao tronco de uma árvore distante de onde lutava. Da última vez que checara, antes do ataque do exército de Masao, ele estava vivo, mas o pulso estava muito fraco.

— Por favor, resista. — murmurou para ele e para si mesma.

— O que está dizendo aí? — Aoki disse, perto demais de seu rosto. Sakura rodopiou ao redor dele e o acertou com um poderoso soco nas costas. Ela conseguiu ouvir o quebrar dos ossos do inimigo.

— Maldita! — ele soltou uma exclamação de dor, segurando as costelas, antes de lançar um olhar frio na direção de Sakura. Ele socou o chão em um ataque súbito, tão súbito que Sakura quase não conseguiu desviar-se. Pulou para o lado, mas Aoki pulou também, para o lado de uma árvore, em frente a ela.

Ele socou a árvore. Sakura deu uma cambalhota para trás, escapando por pouco.

Aoki sorriu, e quando a Haruno percebeu que o que estava em sua frente era apenas um bushin, já era tarde demais. Olhou para o alto, apenas a tempo de ver seu oponente em cima de si, o punho cheio de chackra prestes a atacá-la...

— Surī kamigami no panchi (n/t: Soco dos Três Deuses). — ele cantarolou. — Adeus, rosinha.

Então seu punho acertou Sakura.

[...]

Tenten gemeu de dor ao conseguir sentar-se no chão. Olhou para sua perna direita; ela estava extremamente ferida e, quando ela passou uma mão sobre sua coxa, retirou-a empapada em sangue. Aquilo a afligiu porque não sentia nada; não sentia o sangue descendo por sua perna, tampouco sentia dor e, quando tentou movê-la, não conseguiu. Não se desespere, ela pensou. Não se desespere.

— Ainda está viva? — Miyo, a garota das explosões, arqueou uma das sobrancelhas, parecendo genuinamente surpresa. — A maioria não sobrevive a esse ataque.

A morena subiu o olhar para a kunoichi. Ela era baixa, usava roupas com uma mistura de dourado e preto, e tinha os olhos castanhos mais terríveis que Tenten alguma vez vira.

— Seu elemento é explosão. — balançou a cabeça, de cenho franzido. Seus coques haviam sido desfeitos em algum momento do ataque, e os cabelos balançaram com o vento frio da noite. — Como é possível? Eu nunca ouvi falar.

Miyo deu de ombros, desinteressada.

— É uma kekkei genkai. Você já deve ter ouvido falar de Deidara.

— Da Akatsuki? — piscou surpresa.

— Hai, ele mesmo. Deidara era do meu clã, Nishimura. — murmurou. — Mas ele se rebelou contra todos e fugiu. E, anos depois, como todo bom clã com uma kekkei genkai... — ela sorriu sombriamente. — o meu foi dizimado. Por um grupo de ninjas covardes que queriam nossa preciosa linhagem sanguínea. Bem, eles foram destruídos também.

— E só sobrou você...

Miyo deu de ombros novamente.

— Agora que você já sabe minha sofrida história — debochou. —, que tal lutarmos? Ah, não... Esqueci que sua perna está inutilizada...

Não se desespere. Calculou a distância entre ela e a oponente.

— Posso derrotar você com uma só perna. — e puxou um dos pergaminhos de seu cinto.

— O que você vai fazer com isso? — a kunoichi perguntou, claramente menosprezando suas habilidades. Tenten sorriu, conseguindo levantar-se com muito esforço, ficando meio inclinada para o lado por causa da perna.

Ela abriu o pergaminho com um movimento brusco e, por um momento, ele a rodeou, em movimentos belos e precisos... então Tenten o chicoteou para frente, fazendo-o rodear Miyo. Sem tempo para escapar, a adversária soltou uma exclamação de surpresa, sendo apertada pelo pergaminho. Nele havia vários selos e, de cada selo, várias armas saíram.

O barulho das lâminas penetrando na carne ecoou por um momento, até tudo ficar silencioso. Então, no momento seguinte, Miyo não estava mais na frente de Tenten, machucada e cheia de armas em si. Ela explodiu.

— Bushin. — a morena murmurou, mas não deu tempo de se virar. Sua adversária agora estava atrás de si.

— Vai precisar mais que isso para me derrotar... se você pudesse me derrotar, o que, é claro, não pode. — então encostou uma mão nas costas de Tenten, que não podia mexer-se rápido o suficiente por causa da perna, e um enorme selo foi se formando lá. — Sem escapatórias dessa vez, querida. — e se afastou alguns metros.

— O que está f...

Tenten virou-se para Miyo, mas tudo o que conseguiu ver foram os lábios da última mexendo-se em uma fala muda:

— Boom.

[...]

Ele apertou os olhos quando a explosão aconteceu. Vinha do lugar onde Tenten lutava, percebeu. Preocupado, tentou, com o byakugan, ver o que estava acontecendo.

— O que está fazendo? Está nos subestimando? — o segundo cara com quem lutava – aquele que havia aparecido depois – gritou, partindo para cima de Neji. O Hyuuga desviou-se dos golpes que recebia com habilidade. Não estava preocupado com aquele cara em especial, mas sim com o outro. Era misterioso e calmo demais para seu gosto, e ainda tinha o elemento fogo. Seria bom ter Hinata por aqui agora...

— Acalme-se, Yan. — e olhou para o Hyuuga. — Por favor, perdoe-o por sua impaciência.

Yan bufou e afastou-se de Neji, voltando para o lado de seu companheiro.

— Ele parece ler todos os meus movimentos. Provavelmente por causa daqueles olh... — ele parou de falar, arregalando os olhos. No segundo seguinte, Yan curvou-se e vomitou sangue. — O q...

— Estava tão distraído em tentar me acertar com seu péssimo taijutsu, que não percebeu que acertei os tenketsus de seu pulmão e mais alguns próximos ao coração. — explicou com indiferença. — Você não durará muito mais sem cuidados médicos.

— Filho da puta! — rosnou prestes a partir para cima de Neji novamente, mas Nasai colocou uma mão em sua frente.

— Essa luta não é mais sua, Yan. — disse com calma. — Descanse enquanto eu luto contra ele.

Yan abriu a boca para argumentar, mas tudo o que conseguiu foi tossir mais sangue, então deu-se por vencido e afastou-se.

Neji pôs-se em posição de luta, típica dos Hyuugas, esperando que o adversário avançasse.

— Não espera que eu vá até aí sabendo que você tem vantagem no corpo-a-corpo, não é?

O Hyuuga deu um sorriso de escárnio, analisando o oponente por um momento, antes de correr em sua direção. Nasai desviou-se com destreza até certo momento, quando Neji conseguiu acertá-lo bem no peito. No entanto, era só um bushin, que desapareceu após ser atingido.

— Katon: Kasai no Hebi.

Ele rapidamente desviou-se da serpente de fogo lançada por seu oponente. De novo? Dessa vez, contudo, a serpente o perseguiu, como se estivesse viva, serpenteando pela grama até ele. Ela abriu a boca e silvou, mostrando dentes de fogo muito perigosos e muito reais.

O Hyuuga continuou a desviar-se dela, sem saber como diabos eliminar o animal. Quando olhou para cima, Nasai queimava. Quer dizer, ele não queimava; ele estava rodeado em puro fogo, mas as chamas não faziam nada nele.

Surpreso demais, Neji distraiu-se e não percebeu a presença do inimigo. Só notou quando a fria lâmina da kunai tocou em sua garganta.

— Que diabos?

Nasai suspirou, mas Yan ria.

— Perdoe-nos por isso. — disse o primeiro, e Neji não sabia se ele só estava caçoando ou se falava a verdade. Ele pedia muito perdão.

— I-di-o-ta. — Yan cantarolou, enquanto a serpente de fogo aproximava-se mais e mais de Neji, que tentou soltar-se, sem sucesso.

Tentou expelir chackra pelos poros, mas foi uma tentativa falha. Surpreso com isso e com o fato de Yan ainda estar vivo, ele resmungou:

— Como? Você deveria estar agonizando no chão agora.

— Eu tenho poder curativo, ba-ba-ca. — sorriu com deboche. — E, se você estiver se perguntando o porquê de não conseguir expelir chackra, é por causa dessas linhas fininhas ao redor do seu corpo.

Com o cenho franzido, Neji olhou para seu próprio corpo. A olho nu as linhas não eram visíveis, mas como o byakugan ele pôde ver chackra passando por elas.

— Está passando seu chackra pra mim. — notou, com muito esforço para se concentrar. Suava e a respiração estava ofegante como não estava segundos antes.

— Você é espertinho, cabeludo. Sim, estou passando chackra pra você, porque meu chackra é venenoso para qualquer um a não ser eu mesmo, claro. Não que ele vá fazer muito efeito, já que daqui uns segundos aquela bela cobra ali irá te picar e você arderá em chamas.

Maldição! Liberte-se, Neji! Liberte-se! Mas não conseguia, não tinha forças suficientes. Já podia sentir o chackra venenoso infectando o seu próprio. Tossiu, vendo a cobra de fogo serpentear até muito perto dele, silvando ameaçadoramente. Já podia sentir o calor do fogo.

Então a cobra pulou...

Notas finais
Nota: O nome do Ham é esse porque ham em inglês é presunto (vamos ignorar que eles falam japonês e só japonês). xD~ TODO MUNDO FERRADO~~~~~~~~~ Adoro/ oaisoais O capítulo ia terminar de uma forma positiva, mas aí eu pensei melhor e "nahhh", acabei reescrevendo. Não me matem, uhuaea. Acho que as dúvidas sobre o Naruto foram sanadas finalmente, não é? "Você não pode lutar contra si mesmo", ai ai, complicada essa situação do loiro... D: Ele e Sasuke estão perto de Konoha, e Naruto tá se coçando pra falar com o Masao... hm, aposto como vocês estão sentindo a merda que isso vai dar. oaisoais Onde estão Gaara, exército e Hinata? Se eles demorarem um pouco mais... Comentem se gostaram, odiaram, se eu preciso melhorar as lutas (mentira, disso eu já sei oaisoais), enfim, comentem para eu saber o que estão achando! Beijosss