I'm Not a Hero
7 How long will you let it burn?
Notas iniciais
“Eu assisti a cidade queimar... esses sonhos como cinzas flutuar... [...] Onde você estava quando nossos corações estavam sangrando? Onde você estava?” Let it Burn, Red.
Então a cobra pulou…
— Suiton: Mizurappa!
... e desapareceu.
•••
Ham retirou a espada de seu corpo e Ino pulou para longe, antes de cair de joelhos no chão, vomitando sangue. Ele não havia atingido nenhum órgão vital, o que era bom, mas a espada estava revestida de um chackra poderoso demais e, a menos que não quisesse morrer, ela tinha que começar a curar-se naquele exato momento.
O problema era que o inimigo não deixaria.
Ele riu para ela, prestes a avançar e atacar novamente, mas suas pernas foram presas por nada mais nada menos que areia.
A Yamanaka subiu o olhar e, a sua frente, Gaara flutuava em uma nuvem de areia. Ino reconheceu-o instantaneamente, lembrando-se, sabe-se lá por que, do discurso incentivador que o ruivo havia feito na guerra.
— Kazekage-sama...
— Está tudo bem agora. — ele disse para a kunoichi desconhecida. Ele e Hinata haviam chegado mais rápido que os ninjas de Suna, mas eles logo apareceriam ali também, e tudo logo estaria acabado... ou assim esperava. — A ajuda chegou.
A ajuda chegou. Ela poderia rir ou mesmo gargalhar de felicidade, se não soubesse que aquilo apenas acabaria com seu machucado ainda mais. Então começou a curar-se.
•••
Se Hinata se virasse, Neji poderia ver os olhos aliviados que ela carregava. Não se virou, contudo, encarando o inimigo de fogo a sua frente, que soltou um suspiro baixo.
— Uma ninja de Suiton, hm? Vou ter problemas... — mas seus olhos desviaram-se de Hinata e focaram-se em algo atrás de Neji.
— Juuken!
— O q... — Yan gritou, pego de surpresa.
As cordas que prendiam Neji romperam-se e ele caiu de joelhos no chão, ofegante. Olhou para trás. Um bushin de Hinata havia atingido o inimigo bem no peito, e dessa vez sim, ele agonizava em dor no chão.
O bushin aproximou-se de si.
— Demorei muito? — perguntou ela, preocupada, ajoelhando-se ao seu lado.
Neji sorriu fracamente.
— Chegou bem na hora.
Com o byakugan ativado, ela começou a acertar certos tenketsus dele.
— O que está fazendo? — murmurou. Seu raciocínio estava mais devagar que o normal. Ninguém poderia culpá-lo por isso.
— Impedindo que o veneno se espalhe por suas vias de chackra. Vai conseguir segurar até algum iryou-nin de Suna curá-lo. Consegue aguentar?
Ele assentiu e então o bushin se desfez em fumaça, e a verdadeira Hinata começou a atacar, pulando para perto do inimigo, que só fazia desviar-se dos golpes.
— Para me derrotar você tem que ter uma grande quantidade de água. — ele disse com as chamas tremelicando ao seu redor, sem nunca queimá-lo. — Uma pena, já que por aqui não tem nenhum rio.
Hinata afastou-se com um salto, ofegante; ele estava certo. Precisava de água, de muita água, mas como arranjá-la sem um rio ou lago por ali? Senju Tobirama certamente conseguiria, já que fora o maior ninja de Suiton que alguma vez existira... mas ela não era o Nidaime Hokage.
Pense Hinata! Água, água, água... Subitamente lembrou-se do livro de jutsus elementais de seu clã que ela folheara certa vez, muito tempo atrás.
— Isso não vai ser um problema. — murmurou consigo mesma. Por favor, consiga. Não falhe agora. Não agora.
Então, quando Nasai fez os selos para seu próximo jutsu (Kasai no Nami) e a atacou com várias ondas de fogo poderosíssimas saindo de sua boca, Hinata espalmou as mãos no solo.
Não falhe.
Fez o único selo que era necessário para o jutsu, o selo do coelho. Então respirou fundo e... Suiton: Haran Banshou!
Atrás de si, água começou a nascer do solo, crescendo e crescendo até virar uma enorme onda, que subitamente desceu e passou por ela e Neji sem molhá-los, indo em direção a Nasai, apagando as ondas de fogo. Mas o inimigo era persistente.
— Goukakyuu Chakra no Jutsu. — ele atirou uma enorme bola de fogo em direção aos Hyuugas.
Com um pensamento rápido, Hinata deu-se conta de que poderia desviar-se a tempo, mas Neji não, e não tinha tempo o suficiente para pegá-lo e tirá-lo da direção do jutsu.
Havia um jutsu que ela poderia usar e acabar logo com tudo aquilo... mas ela não seria capaz, não conseguiria...
Um segundo se passou enquanto a bola de fogo aproximava-se rapidamente.
... mas tinha que tentar. Era a única chance.
— Suiton: Suiryuudan no Jutsu! — e uma enorme coluna de água levantou-se, ganhando a forma de um dragão, e chocou-se contra a bola de fogo, com um poder tão enorme que apagou tanto o jutsu quanto o próprio Nasai em chamas.
Hinata tremeu, mal acreditando que tinha dado certo. Estava acabado. Simples assim.
Ela vencera.
•••
Ham cortou a areia que prendia seus pés com movimentos bruscos.
— Reforço? — tombou a cabeça, rindo alegremente. — Agora vai ficar interes...
— O que está fazendo? — Gaara interrompeu, mas não falava com Ham e sim com Ino, que havia levantado-se e colocado-se ao lado dele (que já havia descido da nuvem de areia), em posição de luta.
— Eu ainda posso lutar. — a Yamanaka respondeu. O Kazekage, pela primeira vez desde que chegara, moveu os olhos para encará-la. A kunoichi estava toda machucada e cansada, provavelmente com muito pouco chackra restante, e ainda assim queria lutar?
— Descanse! — ele ordenou da forma prepotente que só havia piorado com os anos sendo Kazekage. — Essa luta não é mais sua.
— Ora, por favor! Quanta arrogância! — Ino bufou. — Se quer saber, eu posso acabar com esse cara sem você!
Gaara franziu o cenho. O que havia de errado com as kunoichis de Konoha? Eram todas teimosas? Ninguém nunca havia lhes ensinado a agradecer? Ao menos Hinata dissera obrigada. Aquela outra, no entanto...
— O casal ainda vai demorar? — Ham gritou correndo em direção a eles, brandindo a espada de modo ameaçador. Vendo que Ino não conseguiria desviar-se a tempo, o Kazekage a puxou pelo braço e a lançou em uma árvore, onde ela conseguiu fixar os pés no tronco.
A espada de Ham conseguiu alcançar Gaara e o cortou, mas seu corpo desfez-se em areia. Atrás do inimigo, o ruivo levantou sua mão e, a seu comando, areia começou a sair do solo e subiu em direção a Ham, contornando todo seu corpo.
— Sabaku Kyuu. — ele fechou o punho, mas antes que o ataque pudesse ser finalizado, a espada de Ham destruiu a areia (tão facilmente que Gaara ficou irritado).
— Sua areia não é páreo para minha espada! — e gargalhando de um modo terrivelmente irritante, começou a tentar, novamente, cortar o Kazekage em dois.
Pulando para o lado de Ino, Gaara suspirou. Não estava acostumado a lutar com a ajuda de alguém, mas se ela pudesse ajudar, mal não faria.
— Aquela espada é um problema. Nenhum dos meus ataques funcionará assim.
— É, bem, agora você sabe como eu me sinto. — Ino suspirou. — Eu posso imobilizá-lo. — ela disse antes de Ham fincar a espada na árvore onde estava, fazendo tanto ela quanto o Kazekage desviarem-se para lados opostos. Aproveitando que seu oponente estava parado, provavelmente tentando decidir quem mataria primeiro, a loira preparou-se. — Ataque-o ao meu comando! — gritou para Gaara. Shintenshin no Jutsu.
Confuso, Gaara viu o corpo da kunoichi desfalecer. Que tipo de ataque era aquele? Havia falhado?
— Ah. Consegui. — Ham murmurou, para logo depois fazer uma careta. — Por Kami, a mente desse cara é horrível. Que doente. — jogou a espada que usava para longe. — Pronto, agora me prenda com aquele seu ataque. — Gaara não se mexeu. — É pra hoje, Kazekage!
Ainda um pouco perdido, ele levantou a mão novamente.
— Sabaku Kyuu.
A areia subiu, novamente contornando todo o corpo de Ham, e Ino voltou para seu corpo antes que o dano fosse para ela. Pingos de chuva começavam a cair.
— Mas que merda é essa? — o inimigo gritou já no controle de sua mente novamente. — Pensa que vai me derrotar com essa sua areia?
A chuva estava se tornando mais forte. Ham olhou para o céu, riu e tornou a olhar para Gaara, com sua mão ainda estendida em sua direção.
— Está chovendo. — cantarolou o óbvio.
— E?
— Sua areia vai virar lama, não é? — deu uma risada. — Não é?
— Não. — foi a vez de Gaara dar um mínimo sorriso. — Antes disso eu farei chover sangue. — então fechou sua mão. — Sabaku Sōsō.
•••
Miyo aproximou-se do corpo destruído de Tenten, um sorriso cínico formado em seus lábios.
— Isso que dá querer brincar de ser forte. — colocou um pé sobre o que havia restado da kunoichi. — Você está no seu lugar agora.
— Você está certa. — Tenten gritou, atrás de Miyo, que se virou surpresa. A morena estava machucada, sim, mas não mais do que estava antes da suposta explosão que deveria ter levado. Miyo olhou de relance para onde pensava estar a adversária, e já não havia mais nada lá, além de correntes de chackra que saíram do solo e prenderam seus pulsos e tornozelos. — Eu estou no meu lugar. — Tenten mordeu o dedo, fazendo um pequeno corte ali, fez os selos necessários e bateu a mão direita no solo. — Kuchiyose no Jutsu.
Um enorme tigre surgiu, rugindo de uma forma ameaçadora. O tigre não avançou contra Miyo, mas a rodeou, avaliando atentamente sua presa. Miyo rosnou de pura raiva, e o animal pareceu se divertir com isso.
— Maldita! Era para você estar morta! Taiyō no namida! — Miyo berrou, mas nada aconteceu, já que as correntes de chackra impediam que ela realizasse qualquer jutsu.
Tenten suspirou, pensando que tudo o que queria naquela hora era descansar seu corpo cansado e dolorido, mas, por fim, disse:
— Você caiu na minha armadilha. Era esse o plano desde o começo. Estava tão ocupada me subestimando e se gabando que não percebeu que eu fiz um bushin depois de te atacar com o pergaminho.
— MORRA!
A morena caiu ao chão, finalmente não suportando o peso de sua maldita perna. Estava completamente esgotada, mas ainda havia um trabalho a ser finalizado.
— Tora — murmurou fazendo a fêmea lhe olhar; suas íris amarelas profundas sedentas de sangue. —, ataque.
E só quando Tora acabara seu trabalho e os gritos de Miyo já não ecoavam mais, Tenten debruçou-se sobre si mesma, permitindo-se alguns segundos de fraqueza e de alívio, porque ganhara, porque estava viva.
O animal olhou para Tenten com seus enormes olhos amarelos. Os pelos em volta de sua boca estavam manchados de sangue e a visão só não enojara Tenten porque já havia visto aquela mesma cena um milhão de vezes antes.
— Você fez bem, Tenten. — resmungou meio sem vontade. Ela não tinha muito apego aos humanos e tampouco gostava de ser mandada por algum deles, mas havia algo em Tenten... algo que a fazia parecer um tigre, também. Uma tigresa. — Ainda precisa de mim?
Ela não conseguia mexer a perna e sabia que não conseguiria levantar-se dali sem ajuda, então tudo o que lhe restava era esperar. Esperar e torcer para que todos estivessem bem.
Então ela ouviu.
Mesmo antes de subir o olhar do chão, pôde ouvir os passos pesados, os gritos e urros e exclamações... aquilo lhe traria um sorriso no rosto, mas sua cota de sorrisos naqueles anos era escassa e ainda havia outra preocupação, aquele irritante pensamento lá no fundo de sua mente: eles chegaram tarde demais?
Então tudo o que fez foi respirar fundo.
— Não, Tora. Não preciso. — fechou os olhos, esperando, esperando... torcendo para que os amigos estivessem bem... torcendo, torcendo... — O reforço chegou.
•••
Sakura tinha certeza de que aquele maldito soco a mataria se a tivesse acertado. Ofegante, ela abriu os olhos. A visão que a saudou foi mais do que bem vinda.
— Está tudo bem, Sakura-san?
— Konohamaru. — ela murmurou perdida, mas aliviada. Por estar viva e por ele também estar.
— Seu namoradinho veio te salvar? — Aoki revirou os olhos, dando um pulo e afastando-se dos dois. Deu um olhar cínico para eles. — Você está ainda mais fraco do que a rosinha, como pretende me derrotar?
— Não pretendo. — Konohamaru disse fragilmente, fazendo o inimigo arquear as sobrancelhas.
Sakura o apoiou, impedindo que ele caísse no chão. Não tinha ideia de como o rapaz conseguira defender aquele soco, tampouco como ainda não havia desmaiado (novamente), fraco como estava, mas agradecia imensamente a ele.
— Heh. Já está tão fraco que está alucinando. Se você não vai me derrotar, quem vai? — olhou para Sakura com tédio. — A rosinha?
— Eu não preciso. — ela deu um pequeno sorriso para o adversário, e cinco ninjas de Suna o rodearam quase no mesmo instante.
— Sua luta é conosco agora. — um deles disse, e foi quando Sakura parou de prestar atenção, porque Konohamaru soltara um grunhido de dor. Ela não tinha mais chackra restante, mas avistou iryou-nins de Suna correndo de um lado para outro, e gritou por ajuda. Um deles se aproximou e juntos, eles deitaram Konohamaru no chão.
A Haruno permitiu-se dar uma olhada a sua volta; estava tudo um caos. Ninjas correndo de um lado para o outro, gritando ordens e afirmações e negativas e todo o tipo de coisa. Voltou a focar-se em Konohamaru.
— Ele irá ficar bem, não é?
— Ele está bem ferido — o ninja médico respondeu. —, mas... sim, ficará. Só precisa repousar por uns dias.
A garota suspirou aliviada, e então sentiu sua mão ser puxada pela do Sarutobi.
— Sakura-san... Masao... Você precisa...
— Konohamaru, por favor, não se esforce! — ela disse em um tom preocupado.
O Sarutobi respirou fundo antes de tornar a dizer, mais calmamente:
— Não se preocupe comigo. Vá encontrar os outros! Esse grupo foi só uma distração... O inimigo aqui é Masao. Vocês precisam... detê-lo... logo... — suas pálpebras pesaram com o cansaço.
— Eu sei. — ela disse de forma suave, largando sua mão. — Onegai, cuide bem dele! — disse apressada antes de correr dali. Avistou Shikamaru e apressou-se até ele; estava ferido, mas não parecia ser nada sério. Os ninjas de Suna já haviam derrotado os shinobis com quem ele lutava, e agora estavam esperando ordens do Kazekage.
— Konohamaru? — o Nara perguntou imediatamente quando a viu.
— Está sendo tratado. Temos que cuidar de Masao agora. — ambos apressaram-se para o centro do campo de treinamento, Sakura gritando para alguns iryou-nins no caminho que havia civis na floresta necessitando de cuidados.
Quando chegaram ao centro, Tenten estava sendo colocada em uma maca e então sendo transportada até uma tenda médica improvisada que haviam feito ali. Ferida, é claro, mas viva. Era muito mais do que eles esperavam.
— Há feridos no resto da cidade, e na floresta. — Ino também gritava ordens para os médicos. — Espalhem-se, por favor, e os curem.
O grupo assentiu e espalhou-se. A Yamanaka os avistou, soltou um pequeno grito e correu até eles; abraçando primeiro Shika, depois Sakura.
— Vivos! Vocês estão vivos! — ela soltou uma risada genuína. A única naquele grupo que ainda conseguia dar sorrisos verdadeiros.
— Por pouco. — Sakura murmurou, mas sorriu para ela também. — Temos problemas maiores agora. Onde estão Neji e Hinata?
— Neji foi bastante ferido, mas já está sendo tratado pelos médicos agora e disseram que o estado dele é reversível. Ele ficará bem. — respondeu, guiando-os mais para perto da floresta. Havia poças de água espalhadas por ali, e a grama (agora úmida) as estava absorvendo.
Avistaram Hinata e o Kazekage e, assim que Hinata os viu, ela mordeu o lábio, tão aliviada quanto Ino, mas muito mais contida do que a loira.
Sakura a abraçou com força, mas Shikamaru limitou-se a sorrir para ela. E aquilo significava muito mais do que cem abraços. Significava que ela havia conseguido. Significava que Hinata tinha cumprido sua missão com sucesso. Significava a vida de todos ali.
— Ainda não acabou. — o Nara alertou tanto ela quanto Gaara. Hinata deu um leve aceno com a cabeça. Ela e o Kazekage estavam conversando sobre Masao antes dos amigos chegarem; ele enviara alguns ninjas para analisar o prédio onde o Hokage supostamente estava e recolher informações. Antes que pudesse falar sobre isso, porém, os ninjas de Suna retornaram.
— Kazekage-sama — um deles, um passo a frente dos outros, curvou-se por um momento em sinal de respeito. —, trago informações sobre Shimura Masao.
— Compartilhe. — Gaara ordenou.
— Ele está em cima do prédio do Hokage... com dois ninjas de identidade desconhecida.
•••
Quando encontrou Masao, ele já o esperava. De pé sobre o telhado do prédio, as mãos atrás das costas e a expressão tranquila enquanto observava o estado de caos e destruição em que Konoha se encontrava.
— Eu esperei muito tempo por esse momento, Uzumaki. — ele disse em um timbre calmo. — Eu não gosto de esperar.
Quando Naruto não respondeu, Masao virou o rosto para encará-lo. Ele estava lá, parado, a respiração irregular, o desejo de sair daquele lugar ocupando quase totalmente sua mente.
— Então você sabe alguma coisa. — reconheceu desgostoso.
— Ora, lá no fundo, você já sabia disso, não é? Sempre soube.
— Você organizou o ataque à vila ou não? — perguntou sem rodeios. Masao revirou os olhos e então virou-se totalmente para ele.
— Já não está mais do que óbvio que sim? Por favor, Uzumaki. Sua estupidez só parece aumentar ao passar dos anos. — ele deu um sorriso cínico. — Mas devo confessar que, se não fosse por você, meu plano nunca teria dado certo. Você foi a chave de tudo.
A tensão ao redor de Naruto era quase palpável.
— Explique.
— Bem, se você não fosse incrivelmente insano, a Kyuubi nunca teria se soltado e eu nunca teria chegado ao poder.
— O que quer dizer com isso? — Naruto deu um passo para frente, mas Masao levantou uma mão, muito calmo.
— Relaxe. Onde está seu amiguinho Uchiha? — ele apertou os olhos para um canto do telhado coberto pela escuridão da noite. — Sua mãe não teve tempo o suficiente para ensinar que é feio espionar os outros?
Sasuke deu alguns passos até a luz da lua iluminar parte de seu corpo.
— Não tenho assuntos a tratar com você. — deu um pequeno sorriso. — Já tratei todos com seu pai.
— Uchiha, isso não vai me abalar. Na lista de pessoas que mais odiavam meu pai, eu era o primeiro.
— Isso é tudo muito interessante, mas não viemos aqui discutir casos familiares. — Naruto disse com irritação. — Como fez Kurama libertar-se?
— É esse o nome da raposa? Já estão íntimos assim? — debochou. — Como eu já disse: nada teria dado certo se você não fosse... sabe, você.
As unhas de Naruto tinham crescido e se transformado em garras, e em um segundo ele estava atrás de Masao, segurando seu pescoço.
— Se você não começar a fazer sentido, eu juro que corto sua maldita garganta.
Dessa vez não havia brincadeira nos olhos de Masao, apenas a mais pura frieza.
— É realmente arrogância sua pensar que pode me derrotar, Uzumaki. — e um raio cortou os céus, descendo até Naruto, que pulou, desviando por pouco.
— Mas que diab...
Outro raio desceu. E outro. E mais outro. Todos com um destino mais do que certo: Naruto.
— Sasuke, uma ajuda aqui? — ele gritou para o Uchiha, enquanto tudo o que podia fazer era desviar-se. Fuuton era mais forte que Raiton, ele sabia, mas não tinha tempo de usar nenhuma técnica; a velocidade dos raios era absurda.
— Não, não. Você não vai estragar a brincadeira, Uchiha. — Masao disse e, antes que Sasuke pudesse fazer qualquer coisa, ele levantou a mão e todo o ar dentro do moreno foi sugado. Sasuke caiu de joelhos no chão, buscando alguma forma de respirar, mas parecia não haver nenhuma. — Eu meio que controlo a natureza, sabe. Todos os elementos. Terra, fogo, vento, água... ar. E seus derivados. Não é um poder maravilhoso?
— Fuuton: Chikyuu no Hakai! — uma enorme onda de vento alastrou-se num raio de 2 km, acabando com a onda de raios, arrancando árvores do solo, e até mesmo fazendo uma rachadura no telhado do prédio onde os três lutavam.
— Ora, isso foi impressionante... mas vai ter que melhorar se quer salvar o Uchiha. — Masao disse a Naruto, ainda fazendo Sasuke agonizar sem ar... ou ao menos era o que ele pensava.
Naruto sorriu de lado.
— Olhe de novo.
Masao não precisou; Sasuke já estava ao lado de Naruto um segundo depois, graças à pequena distração de Masao.
— Hm. Bem, realmente impressionante. Vocês são os primeiros que me oferecem algum desafio, portanto, Uzumaki, eu te concedo algumas respostas. — abanou a mão displicentemente. — Pergunte.
Ele e Sasuke trocaram um olhar significativo, antes dos olhos azuis voltarem-se ao inimigo a frente deles.
— Como Kurama se libertou? Eu não me lembro de nada.
O sorriso que Masao lhe deu era cruelmente divertido.
— É claro que não lembra. Digamos que não foi exatamente você que deixou a raposa se libertar aquele dia.
— O que... o que quer dizer?
— Oh, não se anime muito. Você ainda foi o maior culpado de tudo, Uzumaki. Veja bem, naquela época, dois anos atrás... eu vinha entrando em sua mente.
— O quê?
— Continua o mesmo moleque de sempre. Pare de interromper! — disse com a voz dura. Naruto apertou o maxilar, irritado, mas calou-se e esperou ele continuar. — Enfim, como eu dizia... eu vinha entrando em sua mente, com a ajuda de uma velha amiga e seu jutsu... E as coisas que eu encontrei lá... — ele balançou a cabeça, antes de olhar cinicamente para um Naruto estático. — Quer dizer, existem pessoas más e então existe... você.
— Vai se foder.
— E todo o mundo shinobi pensando que você tinha o coração mais puro de todos... Quão decepcionados eles ficariam... — suspirou teatralmente. — Se quer saber, Naruto, eu te fiz um favor. Eu te dei a chance de destruir Konoha como Kyuubi, antes que você destruísse a vila como Naruto.
Os olhos do loiro estavam escurecendo. Sasuke tentou puxar seu braço para fazê-lo retornar a razão, mas o rapaz o repeliu com um movimento brusco.
— Você não sabe nada. — disse numa voz baixa e irritada para Masao.
— Ah, eu acho que sei bastante, depois de meses na sua mente perturbada. Mas, ei, não estou te julgando! Eu mesmo não sou a melhor pessoa do mundo. — deu um sorriso de lado. — Aliás, foi realmente irritante o fato da raposa ficar interferindo. Sempre que eu conseguia entrar mais a fundo nos seus pensamentos, ela cortava a ligação.
Por isso ela andava tão irritadiça naquele tempo, Naruto pensou. Nunca me disse isso, Kurama.
Eu não lembrava, foi a resposta sincera que a raposa lhe deu.
— De qualquer forma, não foi suficiente. — Masao tornou a dizer, andando calmamente de um lado para o outro, observando a cidade lá de cima, pensando se os konohas estavam todos mortos ou se havia tido algum sobrevivente da luta contra seu mini exército. Eles não foram treinados o suficiente... algum dos idiotas devem ter sobrevivido, então. A Hyuuga terá trazido reforços? — Eu ainda assim consegui entrar nas... profundezas da sua cabeça, digamos assim. A parte que você tanto tentou esconder... Todo aquele ódio, aquela dor, mascarados por um sorriso por tantos anos... O Uchiha teve seu lado mau por um tempo, de fato, e eu? Bem, como eu já disse, não sou a melhor pessoa do mundo. Mas de nós três, Naruto, você é o mais doente.
Ele está certo, alguém cantarolou em sua mente, rindo logo após. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo.
O Uzumaki levou uma mão ao rosto. Ele está certo. Ele está certo. Ele está certo. Afastou-se de Sasuke e de Masao, isolando-se em um canto do telhado, rogando aos céus que aquela tortura parasse.
— Começou na sua infância, não foi, Naruto? Todas aquelas pessoas com aqueles sussurros maldosos, olhares de aversão, aquele medo escondido lá no fundo... Batiam em você, o maltratavam, te odiavam por algo que você nunca teve culpa de ter nascido com. Olhavam para você e tudo o que viam era um monstro que uma criança jamais poderia ser. — ele parou de encarar a cidade e olhou para Naruto. Não havia condescendência em seu olhar, apenas a impenetrável frieza pela qual Masao sempre fora conhecido. — Você nunca superou, não foi? Mesmo depois de tantos anos, você ainda acorda no meio da noite com as pessoas te olhando daquele jeito, sabendo que eles estavam certos.
— Já chega, Masao. — Sasuke disse pronto para partir a cara do maldito, mas este levantou uma mão, e o Uchiha foi jogado para longe, quase caindo do prédio. — Maldição, Naruto! — gritou. — Reaja!
Mas Naruto continuou lá, parado, olhando para o chão, afundado em pensamentos que ele tanto quis afastar e que agora lhe consumiam.
— E depois daquele ataque a Kyuubi... sequer quiseram te ouvir. Sequer pararam para pensar um pouco mais no assunto, pensar que talvez alguém tivesse controlado a Kyuubi, até porque havia a possibilidade de tal coisa. Já aconteceu antes com o Obito, não foi? — suspirou. — Mas não. A culpa tinha de ser sua. Foi ali que você percebeu, Naruto? Foi naquele momento que você finalmente notou que eles nunca pararam de te ver como um monstro?
Naruto subiu o olhar para Masao, mas nada disse.
— Enton: Kagutsuchi.
O golpe pegara Masao tão de surpresa que ele quase não conseguira se desviar; ainda assim, não fora rápido o suficiente. As chamas negras se agarraram a seu braço esquerdo.
— Sempre atrapalhando. — rosnou para Sasuke.
— Nunca subestime um Uchiha. — ele rebateu. — Elas podem ser lentas, Masao, mas não vão parar de queimar. Seu braço é inútil agora.
Masao pegou uma kunai e simplesmente decepou o próprio braço, como o Raikage havia feito na luta contra Sasuke, anos atrás.
— Ainda vai ser tão fácil vencê-lo quanto tirar doce de criança. — disse com frieza, enrolando o manto de sua roupa ao redor do cotoco, em uma tentativa de parar o sangramento.
— Cansei de brincar. Vamos lutar a sério agora.
E lá estava, em toda sua glória, o Susano’o Perfeito de Sasuke, que ele havia desenvolvido há muito tempo, e que nunca precisara usar até aquele momento. O Uchiha olhou de lado para Naruto; ele estava tão imerso em pensamentos que parecia sequer saber onde se encontrava.
— Então, depois de meses, você conseguiu achar o lado sombrio de Naruto e o manipulou e provocou ao ponto de ele ter assumido o controle — presumiu. — e deixado a Kyuubi se libertar. É por isso que Naruto não lembra nada; porque não era ele no comando.
— Você sempre foi conhecido como o inteligente da dupla. — sorriu de lado. Já era para estar amanhecendo naquele ponto, mas o céu continuava negro, com apenas a lua iluminando-o, pois assim Masao queria, e a natureza o respondia. — Sim, precisamente. Foi bem fácil, na verdade. E, mesmo não lembrando, Naruto aproveitou cada momento.
Eles ouviram um rosnado animalesco, como o de uma raposa. Partia de Naruto, é claro, mas apesar da clara ameaça contida para com Masao, ele não havia se mexido do lugar. Sasuke duvidava que o amigo conseguisse lutar naquelas condições. Puxou sua espada, e assim fez seu Susano’o.
— Pode vir Masao.
A batalha que se seguiu poderia ser vista a quilômetros de distância. Masao usava toda a natureza a seu favor; o Susano’o de Sasuke resplandecia no negro da noite. O último soube, no momento em que tomara conhecimento dos poderes do Shimura, que não seria páreo. Não sem ajuda. E Naruto estava basicamente inutilizado no momento, o idiota. O que queria dizer que ele tinha que achar uma brecha e acabar com aquilo de maneira rápid... maldição. Maldição! A visão que ele teve da vila lá embaixo, após Masao lhe lançar um golpe de Doton (golpe que seu Susano’o defendeu, é claro), foi muito menos que bem vinda.
Os konohas corriam até o prédio, quatro em sua totalidade, e se ele não estava enganado, e com toda certeza não estava, o Kazekage vinha com eles, acompanhado de uma tropa de mais de cem ninjas.
Sasuke amaldiçoou os céus novamente; se a Hyuuga estivesse com eles, e se ela estivesse com o byakugan ativado... ela teria visto. E, oh, isso seria um problema enorme. Bem, a culpa era de Naruto.
Bufando, brandiu a espada, agora canalizando o Chidori nela, contra Masao. Precisava tirar o estúpido amigo dali o mais rápido possível. Um reencontro entre coleguinhas de vila agora só pioraria tudo. E o que aqueles idiotas faziam ali, de qualquer forma? Seriam todos mortos pelo louco na sua frente. O Kazekage talvez tivesse uma chance, e ainda assim...
Sasuke conseguiu fazer um corte pequeno no rosto de Masao, apenas um traço em sua bochecha, porque teve que se desviar de outro golpe de terra vindo do inimigo. Aproximou-se de Naruto.
— Ainda não acabamos Masao. — alertou.
— Então por que vai fugir? — provocou.
— Você é problema de Konoha por agora. — replicou, antes de atirar uma bombinha no chão. A fumaça se espalhou, muito teatralmente, fazendo Masao revirar os olhos. Quando ela se dissipou, nem Sasuke nem Naruto estavam mais lá, no telhado. Mas o Kazekage e os konohas, sim.
O batalhão de Suna, no entanto, obviamente não cabia no telhado, portanto ficaram embaixo, apenas esperando a ordem de seu líder para atacar.
— Ora, olhe quem reapareceu. — Masao disse com um sorriso, olhando para Hinata. Ela estava muito mais branca do que o costume, e o Shimura abriu ainda mais o sorriso, sabendo que ela tinha visto. Tinha visto seu precioso Uzumaki Naruto vivo.
— Isso é algum tipo de brincadeira? — ela murmurou, e os outros olharam atentamente para Masao. Provavelmente Hinata tinha lhes contado assim que viu. Provavelmente eles não acreditassem. Provavelmente seria mais do que podiam suportar quando descobrissem a verdade sobre o loiro. E eles descobririam. Logo, eles descobririam, e aquilo acabaria com Naruto mais do que seria capaz de suportar.
O pensamento fez o Shimura rir.
— Não, querida. — disse suavemente. Hinata sempre tinha sido sua preferida, apesar de ser realmente muito má criada. Um animalzinho que ele não tinha tido tempo o suficiente para domesticar de maneira apropriada. — A raposinha ainda está viva.
A Hyuuga sequer percebia que prendia a respiração; os olhos estavam arregalados. Então tinha mesmo visto corretamente. Naruto estava vivo, e estava com Sasuke, e... e... sequer sabia o que pensar.
O pensamento dos outros era uma só confusão, também. Apenas o Kazekage permaneceu impassível por fora; para ele, afinal, sempre tinha tido a possibilidade de Naruto estar vivo. Ele não viu o que a população de Konoha viu. Ele não viu o corpo frio do Uzumaki, erguido e amarrado ao poste mais alto da vila, para que todos pudessem ver que seu querido e temido, herói e destruidor estava morto.
Mas Sakura, Shikamaru, Ino e Hinata... ah, eles tinham visto muito bem.
— P-por q... como? — foi Sakura quem perguntou, perturbada. Naruto e Sasuke. Sasuke e Naruto. Vivos. Juntos. Vivos. Parceiros, como no antigo time sete. Vivos. — Nós vimos... ele estava morto... era realmente ele...
Masao levantou um dedo, interrompendo-a.
— Aquele dia foi divertido. Eu andava entediado, sabe, e um showzinho não seria nada mal. Alguns jutsus, transformações e um corpo realmente morto de um shinobi qualquer depois, voilà. — ele deu uma pequena risada. — Foi tão fácil perturbá-los com aquilo. As expressões em suas faces... Heh. Foi realmente relaxante.
— Seu bastardo! — Sakura rosnou, apertando o punho, mas Shikamaru a impediu de avançar.
— Por quê? — ele perguntou a Masao. — Por que fingir que havia o matado?
O Shimura deu de ombros, entediado.
— Se vocês tivessem esperança de escapar naquela época, seria mais complicado para mim. Agora, no entanto... — e o olhar diabólico que ele deu trouxe arrepios a Hinata. Ela conhecia muito bem aquele olhar. Aquilo era mau, aquilo era muito mau. — É tarde demais.
Ninguém pareceu entender no momento. Mas eles entenderão, riu internamente, eles entenderão.
— Tenho todo um batalhão de elite ali embaixo, Shimura Masao. — Gaara disse imponente. — Renda-se, é o melhor que pode fazer.
— Você não é nada diferente dele, sabe. Naruto. Os dois são terrivelmente arrogantes. — sorriu de lado. — O Uchiha está em um nível de presunção muito mais elevado, de fato, mas até ele soube que era hora de fugir. Deveriam fazer o mesmo.
Todos ficaram em posição de luta.
— É você quem é presunçoso Masao. — Ino disse. — O mundo shinobi não precisa de alguém como você.
— E precisa de alguém como o Uzumaki? — ele deu uma pequena gargalhada. — Oh, vocês não sabem de nada... irão se surpreender tanto... Mas infelizmente eu não estarei lá para ver. Não tenho tempo para esta luta, preciso fazer coisas mais importantes. — e levantando a única mão que havia lhe sobrado, nuvens começaram a se formar no céu.
Então começou a chover, mas só na parte ao redor do prédio; o telhado estava imune. E quando a primeira gota tocou o primeiro ninja de Suna, ela queimou sua pele. E ele gritou. E logo as gotas começaram a cair com mais rapidez e em maior quantidade, e logo outros gritos se juntaram ao dele, enquanto suas peles queimavam terrivelmente.
— Que diabos é isso? — Sakura gritou, observando assustada enquanto ninjas e mais ninjas de Suna eram queimados vivos.
— Oh, querida, não é óbvio? — Masao quem respondeu, ainda ali, aproveitando os últimos momentos do show. — É ácido.
Gaara ergueu ambas as mãos, e areia, saindo da terra e de sua própria cabaça de areia, ergueu-se em uma defesa impenetrável, protegendo seus ninjas que ainda não haviam sido atingidos. Notável, mas as perdas foram muito grandes. Muito mais da metade de sua tropa, perdida em segundos.
Ele está planejando algo mais, Shukaku lhe alertou.
Eu sei, Gaara respondeu, com os olhos vazios presos em Masao. Tinha certeza que teria tempo mais do que suficiente para lamentar pela morte de seus ninjas depois. Só não sei o quê.
[...]
— Naruto. — o Uchiha chamou em uma voz calma. O loiro ainda estava distante, mas já tinha voltado ao seu normal. Eles estavam na floresta aos arredores de Konoha, longe demais para ver o que aconteceu depois que foram embora, mas ainda perto o suficiente para ouvir os gritos, pouco tempo antes.
Quando o Uzumaki se virou, Sasuke lhe deu um soco. O loiro cambaleou e levou a mão ao nariz, que agora sangrava.
— Mas que merda?
Mas Sasuke lhe deu outro soco, e outro e mais outro, todos acompanhados de uma fúria sem igual.
— Eu é que pergunto. — rosnou para ele. Mesmo que estivesse debilitado da luta (o Susano’o ainda fazia todas as células de seu corpo doerem após o uso), sua raiva era maior. — Que merda toda foi aquela? Você quase nos mata lá!
— Me larga! — disse, tentando se livrar das mãos de Sasuke em sua capa, mas ele lhe aplicou outro soco, derrubando-o no chão.
— Uma palavra, e Masao já tinha entrado na sua mente, te manipulando como a um tolo! — outro soco. Naruto não tentava se defender, e aquilo só o irritava mais. — Inferno, eu nem sei como ele não te matou, porque chances não faltaram!
Naruto sabia o porquê do Shimura não tê-lo matado. Era porque era muito mais divertido e destruidor brincar com sua mente, seu psicológico. Ele já estava morto por dentro, de qualquer forma.
— Porra, Naruto! — Sasuke o agarrou pela gola, forçando-o a encará-lo nos olhos. — Pare com todo esse drama! Você não é o monstro que pensa que é!
Sasuke não entendia. Ninguém poderia entender.
Então Naruto o socou de volta. Os dois levantaram-se do chão. Fazia muito tempo que eles não brigavam daquele jeito.
— Não sou? — o loiro debochou. — Você não sabe de nada, Sasuke!
— É claro que eu sei. — disse cinicamente. — Você é a pobre vítima aqui, atormentada por sua personalidade má e a sombra da porra de um estúpido passado, que te faz se encolher como uma criança no meio de uma luta, não se importando com mais nada, PORQUE VOCÊ É FRACO!
— VOCÊ NÃO SABE DE NADA! Não sabe que todas as noites eu tenho que ouvir aquela voz na minha cabeça, dizendo para matar quem quer que esteja ao meu lado! Não sabe que ele nunca vai embora, mesmo quando eu bebo tanto que desmaio, que mesmo nos meus sonhos ele aparece. Eu. Eu sou atormentado por mim mesmo, Sasuke. Você não tem ideia de como é isso. Não sabe quais são os meus pensamentos no meio da noite. Não sabe da minha sede de sangue. Não sabe como eu adoraria ceder à tentação de fazer uma chacina em cada vila que passamos, não sabe como exatamente nesse minuto ele está gritando para cortar cada parte de seu corpo e deixar para os vermes comerem, e em como eu estou tentando resistir a isso com todas as minhas forças!
Um silêncio se fez presente, enquanto os dois se encaravam, Naruto com seu rosto todo ensanguentado, até Sasuke lentamente erguer os braços.
— Eu ainda estou vivo, não estou? — calmamente, ele baixou os braços. — Quer dizer que você consegue resistir ao seu lado mau. Quer dizer que você não é esse monstro que pensa ser. Quer dizer que eu estou certo.
Naruto bufou, claramente desprezando toda aquela confiança depositada nele. Irônico, muito irônico. Anos atrás, a situação tinha sido exatamente a oposta.
— Escute aqui, Naruto — apontou um dedo para ele. —, passei todos esses anos te suportando e tentando te ajudar, e se você desistir de tudo isso agora porque um filho da puta te disse algumas palavras sentimentais, vai ser eu quem vai cortar cada pedaço do seu corpo e deixar para os vermes comerem.
Foi quando eles ouviram.
[...]
— Já fiz o que tinha que fazer aqui. — Masao disse, chamando a atenção dos outros.
Shikamaru franziu o cenho.
— O que quer d...
Uma explosão o interrompeu. Repentinamente. Alta, muito alta, e muito maior do que as daquela tal de Miyo. Todos abaixaram-se no mesmo segundo, assustados com o barulho. E outra. E mais uma. Explosões e mais explosões, acontecendo em cada canto de Konoha, deixando um rastro de fogo e destruição por onde passavam.
Ao final, Konoha ardia em chamas.
E Masao tinha desaparecido.
[...]
Do alto das árvores, dos galhos, na floresta ao redor da vila, todos observaram Konoha queimar.
Os ninjas, os feridos que estavam sendo cuidados pelos iryou-nins de Suna, os poucos civis que haviam restado, e os poucos ninjas de Suna. Todos eles observaram o fogo lamber a vila como se não fosse nada.
Ninguém sofria mais que os konohas. Eles haviam nascido e crescido ali. Os ninjas haviam lutado por aquele local, dado suas próprias vidas por ele. A vila que seus pais e avós e bisavós haviam construído e lutado a favor, e suado, e sofrido, e morrido...
Essa vila agora não passava de pó.
Mesmo o monumento Hokage não escapara. Os rostos de Hashirama e Minato estavam desfigurados. Os de Tobirama e Hiruzen queimavam. O rosto de Tsunade foi o primeiro a cair, despedaçando-se com a queda, e o fogo queimou seus destroços.
Mesmo passando por tanto sofrimento, aquela era a sua casa. O local pelo qual eles lutavam; o local pelo qual eles voltavam. Hinata, em pé em um dos galhos de uma árvore, apertou a mão no tronco dela. Era injusto. Por que tinha sempre que ser Konoha a pagar?
Konohamaru esfregou os olhos inchados, afastando as lágrimas, pensando consigo mesmo que aquilo não era digno de um ninja. Ino tocou seu ombro.
— Ei, está tudo bem. — ela lhe disse com a voz falha; lágrimas também rolavam de seus olhos. — Não tem nada errado em chorar.
Tenten, toda enfaixada e sentada em uma das macas, fungou.
— Ele não poupou nem o cemitério... — ela murmurou sozinha.
— Não fique assim, Tenten. — Neji disse, ao seu lado. Estava impassível por fora, mas a garota sabia que seu coração devia estar pesado também. — Recupere-se logo para assim podermos reconstruir a vila.
Sakura pulou para o mesmo galho onde Hinata estava, e assim o fez Shikamaru.
— Neji está certo. — a Haruno disse, fracamente. As chamas refletiam em seus olhos verdes enquanto ela observava a dança que elas faziam, reduzindo tudo a poeira. — Precisamos nos reerguer, e reerguer Konoha... Recomeçar...
— Suna estará aqui — Gaara disse, na árvore ao lado de onde eles se encontravam. — para o que precisarem.
— Obrigada, Kazekage-sama. — Ino disse, então olhou para seus companheiros.
— Precisamos de um novo líder. — foi Shikamaru quem disse. Todos se entreolharam.
— Hinata... Hinata, eles ainda estão aqui? — Sakura perguntou, apertando as mãos nervosamente.
A Hyuuga ativou o byakugan. Seus olhos se focaram em um ponto do outro lado da floresta, além do fogo, além da destruição, além do pó do que um dia fora uma renomada vila. E lá estavam eles, observando o mesmo que Hinata e os outros observavam.
— Não. — foi o que ela respondeu. E compreendeu, pelo olhar que Neji lhe deu que ele sabia que ela mentia. Mas nenhum dos outros pareceu perceber. — Não estão.
[...]
Estava tão perto agora que podia sentir o calor das chamas. A dança que elas faziam era, apesar de tudo, bonita, mas a face de Naruto estava séria. Sasuke, com as mãos no bolso da calça, também observava a vila em chamas ao seu lado. Seus olhos estavam focados mais adiante, no ponto em que ele sabia estarem os destroços do clã Uchiha, destroços que ninguém nunca se preocupara em reconstruir. Agora as chamas incendiavam tais destroços também.
Olhe Itachi. A vila pela qual você deu sua vida, ardendo em chamas, Sasuke pensou sombriamente. Que bom que você não está vivo pra ver isso, então, debochou.
— O que vai fazer sobre Masao? — perguntou sem emoção.
— Darei um tempo pra minha mente. Preciso aprender a me controlar. — Naruto murmurou; as íris profundas observando Konoha incendiar mais uma vez antes de virar as costas e sair dali. Sasuke o acompanhou.
— E quanto a eles? Eles já sabem que você está vivo, Naruto.
O loiro lançou um último olhar para as chamas, então começou a correr.
— Que eles venham me procurar. A decepção será só deles.
•••
Por que ela mentira? Porque o olhar de Masao ainda lhe estremecia toda vez que pensava nele. Porque as palavras dele ecoavam em sua cabeça: “Vocês não sabem de nada... irão se surpreender tanto...”. Porque havia alguma coisa muito errada naquela história.
Por que Naruto e Sasuke haviam aparecido logo agora? Por que não antes? Por que estavam com Masao? Por que, se sabiam da situação de Konoha, não ajudaram antes? Sasuke tudo bem, ele não tinha mais nada a ver com aquela vila, era um nukenin, um traidor... mas Naruto...
Bem, Naruto também era um nukenin, certo?
Mas... Não. Não o Naruto que ela conhecera. Ele teria ajudado, apesar de... apesar de toda a vila ter lhe virado as costas... quando ele mais precisou...
Hinata mordeu o lábio. Mesmo que alguma parte de si explodisse em felicidade ao saber que Naruto estava vivo, realmente vivo, alguma outra estava só... morta. Por Konoha. Por todas as dúvidas. Porque já havia vivido coisas demais para saber que não devia confiar no seu lado emocional.
— O que faremos agora? — Konohamaru perguntou.
— Reconstruiremos a vila. — ela retorquiu, observando o fogo lentamente ir apagando-se. — Ficaremos mais fortes. — e, sozinha, ela iria atrás de Naruto e Sasuke, e descobriria a verdade por si só. A verdade que talvez a destruísse ou a salvasse. — Então mataremos Masao. Pelos mortos e pelos vivos. Por Konoha.
As chamas extinguiram-se totalmente, e tudo o que restava agora era poeira no vento.
Fale com o autor