Notas iniciais
Alterei pouca coisa em Angra dos Reis, rs. Porque, assim como outras pessoas, eu achei meio exagerado a noite de sexo das duas =P

Acordei antes do sol.
Clara nunca esteve na minha cama, mas sinto como se tivesse passado por aqui em algum momento.
A cama está vazia, fria, solitária.
Talvez ela tenha passado agora que se tornou um anjo.
Vi o dia ganhando a força que eu precisava para viver.
A luz solar estava pálida, não ouvi nenhum passarinho cantando na janela. O dia estava de luto como eu.
Como seria a minha vida agora com a presença da ausência dela?
Eu poderia viver num mundo sabendo que ela não estaria comigo do jeito que desejei desde o dia em que a vi na galeria, mas não posso conceber viver num mundo sem ela. Não consigo imaginar como será saber que não vou tropeçar nela em qualquer esquina.
A maior tragédia sentimental é saber que o seu amor não faz mais parte do mesmo mundo que você.
Minha mão dormente ainda segurava o celular que já estava com o sinal da bateria no vermelho. E não havia nenhuma ligação da Giselle ou da Mônica.
Não há ninguém aqui além de mim e da minha dor. Nem a Vanessa dormiu em casa essa noite.
Meu estômago reivindica comida, mas não consigo sentir vontade de comer nada. Pensar em comida me deixa enjoada.
Não quero sair da cama, não quero tomar banho, ou comer. Quero morrer, junto com a Clara.
Levantei da cama apenas para colocar o celular para carregar. Percebi então que não havia área de cobertura. Maravilha. Tem alguém que realmente está conspirando contra mim. Controlei minha vontade de tacá-lo na parede.
Abri o guarda roupa e tirei de lá um vestido preto, longo. Não importaria o que dissessem, eu iria ver a Clara de qualquer jeito. Mesmo que eu não aguentasse ver a minha amada deitada num caixão, mesmo que eu me jogasse na cova no momento do sepultamento, eu precisava vê-la.
A Clara precisava ir embora sabendo que o meu amor por ela é o maior do mundo.
E além da despedida, eu precisava dizer meia dúzia de verdades para aqueles que acabaram com a vida dela só por ela não conseguir mais esconder o amor que sentia.
Não aguentei pensar em tudo isso e sentei no chão, encostando as costas no guarda roupa. As lágrimas escaparam como se tivessem rompido uma barreira dentro de mim.
Cambaleante levantei-me do chão e fui para o banheiro.
Entrei na banheira e a minha vontade era de me afogar ali. Acabar com a minha vida e com a dor que a cada segundo mais se intensifica.
Escorreguei lentamente para dentro.
Quando dei por mim, estava submersa. Meus pulmões implorando por oxigenação. Então ouvi alguém me chamar.
Clara?
Marina! Marina!
Clara, é você meu amor?
Será que já estou ao seu lado?
Marina! Marina!
De repente meu corpo foi guinchado e então abri os olhos.
– Pelo amor de Deus! Você quer me matar do coração?
Vanessa estava ofegante e me segurava pelos ombros chacoalhando meu corpo.
– Me deixa! Eu quero morrer! Eu quero encontrar a Clara. Me solta – disse depois de recuperar o fôlego. – Eu quero a Clara... – repeti chorando de novo.
– A Gi me contou o que aconteceu. Que azar hein? Até eu que não gosto tanto dela fiquei meio assim.
Não consegui nem olhar com raiva para Vanessa. Minhas emoções haviam se esgotado.
– Você vai ao velório pelo jeito...
– Preciso me despedir dela – disse saindo da banheira e pegando meu roupão.
– Agora você entende porque eu nunca gostei dessa garota? Olha só como ela te deixou, Marina.
– Como se fosse culpa dela tudo que aconteceu, né? Me respeita, Vanessa.
Vanessa seguiu meus passos e avisou que ia à cozinha preparar alguma coisa para eu comer.
Olhei o vestido em cima da cama e segurei a minha vontade de chorar ainda mais.
Como funciona o corpo quando se está em coma? Ou melhor, como ele não funciona?
Pesquisei em várias fontes internéticas e nenhuma respondeu o que eu queria. Foram respostas científicas, complicadas e eu só queria saber como era. Eu queria estar no lugar dela agora.
Meu amor chegou àquele nível onde eu a deixaria viver a vida dela com o Cadu, se isso a fizesse mais feliz do que se estivesse comigo. Daria minha alma, minha vida em troca da dela. Qualquer coisa eu daria para não ter que vê-la naquela caixa de madeira.
Enquanto colocava minha roupa de luto, pensei nela sendo preparada para o velório. Algodões em seus ouvidos e narinas. Mulheres desconhecidas fazendo sua unha e a maquiando. Só consegui me lembrar da primeira e última vez em que fiz dela minha.

FlashBackOn

Angra dos Reis – meses atrás.

Marina se surpreendeu quando saiu do banho e se deparou com a mesa posta com velas iluminando o jantar que Clara fizera.
A fotógrafa ficou admirada com os dotes culinários da morena e se fartou com a deliciosa massa.
Enquanto jantavam conversavam sobre a vida. Marina tentava seduzir Clara com seus olhares e a assistente desviava o olhar tentando controlar a respiração que sempre falhava.
Uma das pautas do jantar foi dietas e suas consequências.
Marina garantiu que nunca mais faria dieta, não depois do desmaio que teve no dia da festa pós exposição.
– Mas você não precisa, você está ótima. Eu é que preciso perder uns dois ou três quilos. Mas o marido fala que eu estou linda, gostosa, maravilhosa. A gente acaba relaxando, né?
Marina riu.
– Mas você é mesmo: linda, gostosa, maravilhosa. Um luxo de mulher.
Clara riu de volta sem graça.
– Vocês dois não servem de base, por que vocês são... – Clara freou as palavras “apaixonados por mim” completou mentalmente.
Garfou a massa e abocanhou-a não olhando nos olhos de Marina.
– Vamos resolver isso na balança – desafiou a fotógrafa – Quero ver se você precisa mesmo perder dois ou três quilos.
– Nem morta. Depois dessa massa nadando em molho e de uma garrafa de vinho? Balança? Não.
– Sim.
– Não!
– Sim – e Marina saiu da mesa obrigando Clara a segui-la.
Ao chegar no quarto Marina foi até o banheiro que ficava ali no cômodo e buscou a balança, colocando-a ao lado da grande cama.
– Eu não quero me pesar na sua frente, Marina – disse Clara ainda bebericando seu vinho.
– Porque?
– Porque eu estou me achando gorda. Respeita, cara!
– Ah! Eu vou me pesar pra você se animar.
Marina tirou o vestido que caiu aos seus pés com classe. Ela estava de costas e não pode ver Clara engolindo em seco ao ver o corpo malhado da fotógrafa. Clara se afastou alguns passos e caiu sentada na cama. Levantou em seguida entornando a taça de vinho, tentando disfarçar o olhar que analisava as curvas de Marina.
– Magrela – disse Clara olhando por sobre o ombro de Marina e dando um tapa no braço dela.
– Agora é a sua vez – disse Marina saindo da balança.
– Não, não, não. Não quero, pô.
– Vem, Clarinha. Prometo não contar pra ninguém que você está quase rolando de tão gorda – provocou cruzando os dedos indicadores sobre os lábios.
– Palhaça – disse Clara cutucando as costelas da fotógrafa.
Clara tirou apenas o short e o chutou. Subiu na balança e tapou os olhos.
Marina olhou as pernas bronzeadas de Clara. Fechou a mão que parecia ter vida própria e desejava tocar aquele corpo proibido.
– Tá linda – disse Marina no ouvido de Clara – Queria eu estar gorda assim como você.
Clara abriu os dedos e olhou através deles. Até que não estava tão acima do peso como pensava.
A fotógrafa sentou na cama e Clara a acompanhou.
– Tá tudo girando um pouco – disse Marina colando a coluna no colchão.
– Aqui está girando muito – disse Clara e as duas riram. – Vamos dormir?
– Posso dormir no sofá, tá?
– Essa cama é grande, Clarinha. Cabe nós duas perfeitamente.
Clara respirou fundo e prendeu a respiração quando Marina virou-se de lado para encará-la.
– Que foi que tanto me olha? – perguntou a morena sentindo o coração vibrar fora de frequência.
– Tô admirando sua beleza. Não posso? – Marina então deslizou seu indicador pelo nariz de Clara, tirando da morena um sorriso bobo.
– Vamos dormir – disse Clara virando de costas e apagando o abajur ao seu lado.
– Boa noite pra você também, dona moça.

No meio da madrugada Clara acordou, sentia-se angustiada.
Estava sentada na beira da piscina, refrescando os pés na intenção de refrescar os pensamentos.
Não queria admitir aquilo, não ali onde não poderia escapar da mulher que estava lhe tirando o sono. Mas Clara queria sentir novamente como era ter os finos lábios pálidos em sincronia com os seus. Queria mais mesmo que não pudesse querer.
E pensar nos lábios de Marina, pensar no calor dos corpos que já se uniram numa dança deixava Clara ainda mais desnorteada.
Quando foi àquela exposição poucos meses antes não poderia supor que a dona da festa e de todas as atenções estaria tentando seduzi-la e pior, havia conseguido.
“Posa pra mim?” Lembrou Clara sentindo um arrepio subir por sua coluna. A voz rouca, a espuma cobrindo o corpo nu, o cabelo preso de qualquer jeito. Clara fechou os olhos se lembrando dos mínimos detalhes do seu segundo encontro com Marina.
Não poderia supor que passaria de fã à amiga de uma das mulheres que ela mais admirava. Não poderia supor que seu corpo estava agora se arrepiando ao lembrar dos olhos castanhos que a deixava tímida e desnudava até sua alma.
A morena molhou as mãos na água fria e passou no pescoço. Não adiantaria fugir, porque quanto mais corresse, mais perto da tentação ela chegaria.
E ela já havia caído em tentação uma vez.
O que faria agora era pegar o travesseiro e dormir no sofá. Depois inventaria alguma desculpa para Marina. Ela só não poderia ficar mais tão perto da fotógrafa.
Lá dentro Marina rolava de um lado para outro na cama. Virou-se para o lado onde Clara deveria estar, mas só viu as marcas do corpo da morena no lençol amarrotado.
Sentou-se na cama chamando por Clara, esfregando os olhos embaçados. Voltou a deitar e concluiu que era melhor Clara ter ido para o sofá.
O coração vulcânico de Marina entrara em erupção mais uma vez poucos dias atrás dentro de um helicóptero que sobrevoava o mar. Sua paixão havia ficado mais clara quanto dois e dois são quatro. Agora, acordada no meio da madrugada, o que tinha a fazer era controlar seus desejos, seus impulsos e voltar a dormir.
Clara entrou no quarto enxugando os pés no tapete felpudo que ficava na entrada do cômodo, fechou a grande porta de correr tomando cuidado para não acordar Marina. Quando se virou de frente para cama, a luz difusa do abajur iluminava a fotógrafa em meio à escuridão.
– Te acordei, desculpa – disse Clara parada em frente a cama.
– Eu não consegui dormir – admitiu Marina, puxando o edredom para cobrir-se – Tá parada ai por que?
Clara girou os olhos e balançou a cabeça. Havia desistido de se mudar para o sofá. Levantou o edredom e se enfiou debaixo dele.
Clara deitou-se de frente para Marina. O leve toque que seu joelho deu ao encostar no joelho da outra a fez sentir calafrios. Ela arrastou o corpo um pouco mais para frente, as pontas dos narizes quase se encostando.
Clara acariciou o rosto de Marina com sua mão que estava fria.
– Outra crise de hipoglicemia? – perguntou Marina fechando os olhos e segurando a mão de Clara ainda em seu rosto.
– Não – respondeu Clara nervosa. Encostou a testa na testa de Marina – Eu tô bem, tô... Bem.
Marina abriu os olhos e viu nervosismo nos olhos de Clara.
– Clara... – disse Marina baixinho, sussurrado – Por favor...
Clara não havia dado a resposta que Marina queria. Não havia decidido para qual lado do muro iria pular e se iria realmente pular. E Marina não queria mais se colocar no papel de outra, não queria ser o brinquedo que fica na estante e é solicitado quando dá saudade. Ela queria mais, precisava de mais.
– Vamos tentar dormir? – perguntou Clara dando um sorriso amarelo e tirando a mão do rosto de Marina.
– Hum... Ok – disse Marina um pouco irritada preparando-se para tentar dormir pela milésima vez aquela noite. Virou de costas e chegou mais perto da beira da cama para alcançar o abajur.
Clara virou-se de costas também. Mas sabia que não conseguiria dormir.
O cheiro de Marina, o toque, o hálito, tudo. Tudo estava contribuindo para Clara cometer o ato mais insano que iria fazer na vida. Mas ela precisava sanar aquela curiosidade. Mesmo que aquilo trouxesse consequências não tão agradáveis. Mas o futuro não importava. Pois é de presente que se vive.
– Marina? – chamou Clara virando-se de frente.
A morena deslizou os dedos frios pela coluna de Marina, fazendo a fotógrafa se arrepiar. Marina acendeu o abajur e virou-se de frente sem titubear. Ainda se impressionava com a passividade diante de qualquer pedido vindo daquela mulher.
Ela nada disse. Seu coração estava descompassado e os olhos de Clara pediam por algo que ela esperava há tempos.
Clara aproximou os corpos que se esquentavam um pouco mais a cada minuto. Sua mão direita afagou o rosto de Marina que fechou os olhos e inclinou o nariz a fim de tocá-lo na palma de Clara. Marina queria se intoxicar ainda mais com o cheiro já tão familiar da morena.
A mão de Clara deslizou até a nuca. Marina sentia a exigência de Clara. Os olhos não se perdiam uns dos outros.
– Faça amor comigo! – pediu Clara categórica.
– Clara! – exclamou Marina em tom de alerta.
Marina demorou um pouco para processar aquele pedido.
– Faça. Amor. Comigo – repetiu mantendo o contato visual.
Até aquele momento Marina se controlava para não tocar em Clara como queria desde o dia da exposição. Controlava-se para não roubar um beijo, depois do beijo que lhe fora roubado depois de dançarem coladas minutos a fio. A fotógrafa se controlava para não demorar mais que o normal nos braços dela enquanto se abraçavam. Controlou-se o quanto pôde dentro do helicóptero depois de gritar que havia encontrado a mulher de sua vida. Controlou-se horas antes quando viu Clara tirar o short diante de seus olhos.
A fotógrafa foi tirada de seus devaneios quando Clara ajoelhou-se na cama afastando o edredom para longe. A morena começou a abrir os botões de sua camisa, mostrando seus seios já entumecidos de desejo.
E então Marina cansou de se enganar.
Ajoelhou-se também e pousou as mãos trêmulas na cintura de Clara.
Roçou o nariz no pescoço desnudo, arrepiando todos os pelos do corpo.
Beijou o canto da boca de Clara, subiu a boca até o ouvido da assistente e disse:
– Porque você tá fazendo isso? – perguntou Marina atordoada, a voz abafada pelos lábios colados ao pescoço de Clara.
– Porque eu te quero, Marina. – respondeu subindo as mãos pelo corpo seminu da fotógrafa, parando-as nos cabelos anelados.
Com a mão direita colocou uma mecha dos cabelos castanhos de Marina atrás da orelha da fotógrafa e deslizou os dedos até chegarem nos lábios rosados.
Clara fechou os olhos e então o vulcão interior de Marina entrou em erupção mais uma vez.
Os lábios se entregaram a uma dança cadenciada e de total cumplicidade.
Marina entreabriu os lábios exigindo um contato ainda mais íntimo.
Enfiou sua mão nos cabelos da nuca de Clara puxando-a o quanto pode para si. O beijo tornou-se urgente, molhado, intenso.
Marina subiu a outra mão pelo corpo de Clara sentindo a pele bronzeada arrepiando-se sob sua palma.
A fotógrafa desceu a boca pelo queixo de Clara que soltou um gemido curto, e jogou a cabeça para trás, permitindo que Marina desvendasse cada pedaço de seu corpo.
As mãos de Marina apertavam os pequenos seios enquanto seus lábios desenhavam a espádua nua.
As duas voltaram a se beijar e Clara deitou-se, puxando Marina para acompanhá-la.
Num pique de ansiedade e vontade de se redescobrir e descobrir Marina, a morena girou o corpo ficando por cima, fazendo os corpos colidirem. A fotógrafa gemeu entre seus lábios.
Os beijos não cessavam. O fôlego era retomado com os lábios unidos enquanto as mãos resvalavam nos corpos.
Marina impulsionou o corpo para frente, fazendo Clara sentar em seu colo.
Pararam de se beijar para se admirar. Clara tinha as duas mãos no rosto da fotógrafa, acariciando os contornos delicados.
A morena desceu as mãos pelas costas de Marina e abriu o sutiã com uma facilidade que foi surpresa até para ela mesma.
Voltaram a se deitar na cama, agora com as pernas entrelaçadas. A fotógrafa movimentando a coxa lentamente no sexo de Clara que começava a se umedecer.
Clara soltou um gemido quando Marina mordeu seu lábio inferior e seu queixo. Nunca diria que aquela sensação fosse tão prazerosa, nem nos seus sonhos mais loucos poderia supor que se excitaria só com a respiração de Marina misturando-se a sua.
A fotógrafa virou Clara de costas, tocando as costas com seus fartos seios, subindo e descendo, provocando em Clara as sensações mais extasiantes que já havia sentido.
– Você é tão linda – sussurrava Marina – Tão... Gostosa.
A fotógrafa desceu até os pés de Clara, beijando ambos, subiu pela panturrilha e coxas. Dando pequenas mordidas na parte interna do músculo malhado. Inalou o cheiro de Clara que vinha do sexo que deixava sua calcinha molhada. Mas segurou-se. Queria aproveitar cada segundo naquele corpo.
Subiu a espinha dorsal com beijos e lambidas.
– Aaaaah, Clara... – murmurou Marina mordendo o lóbulo da orelha da morena – Te desejo tanto, faz tanto tempo.
– Quero você, Marina... Me mostra, me ensina... – pediu Clara erguendo a bunda propositalmente para enlouquecer ainda mais Marina.
Ela virou-se de barriga pra cima, encarou os olhos semicerrados da fotógrafa e ameaçou beijá-la, mas recou. Uma, duas vezes. Então Marina a atacou.
Enquanto se entorpecia com os beijos que tanto sonhou, as mãos de Marina foram escorregando pelo corpo de Clara. Brincou um pouco nos seios da morena, apertando os mamilos enrijecidos. Desceu pela barriga reta e parou na cintura, puxando o corpo de Clara com força.
Clara apertava as costas de Marina cravando suas unhas curtas na carne branca. Explorava o pescoço, mordia a mandíbula, lambia a orelha. Queria descobrir na mesma intensidade em que era descoberta.
Marina desceu a boca pelo corpo de Clara. Seus lábios pararam na calcinha manchada pela lubrificação incessante de Clara.
A fotógrafa beijou o sexo ainda coberto e Clara já sentiu os músculos retesarem. Aumentou o suspense descendo o indicador lenta e demoradamente pelo clitóris escondido atrás do tecido. Aproveitou o interior das coxas com os dentes e as mãos.
Cansada de torturar Clara, Marina tirou a calcinha dela com as duas mãos e afastou as pernas da morena. Introduziu um dedo em Clara apenas para umedecê-lo. Antes de saborear o clitóris, utilizou os dedos para excitar Clara ainda mais. Girava, apertava. E Clara sentia-se ser tele transportada para outra dimensão.
Marina também sentia o sexo se contorcer de desejo. Tocar Clara era mais prazeroso que ser tocada.
Clara arqueou a coluna quando sentiu Marina introduzir o dedo mais uma vez, mas dessa vez foi para entrar e sair num ritmo deliciosamente torturante, que fez a assistente agarrar os lençóis com força.
Marina introduziu mais um. Entrou e saiu mais algumas vezes e então cansou de se torturar. Afastou os grandes lábios e deixou que sua boca terminasse o que havia começado.
– Meu Deus... – exclamou Clara com a voz entrecortada – Oh... Oh...
– Isso, Clarinha! Geme, geme mais alto pra mim – pedia Marina.
Clara começou a rebolar na boca da fotógrafa enquanto seus dedos se perdiam nos cabelos encaracolados.
– Marina... – dizia entre os gemidos – Marina...
Ouvir seu nome sendo dito com tanto despudor e erotismo surtava a fotógrafa que se enlouquecia tanto quanto a amada.
E Então Clara explodiu num orgasmo arrebatador.
Marina voltou para o lado da amada e foi surpreendida por uma Clara que ela não conhecia. Parecia um bicho defronte à sua caça com desejo de predá-la.
A morena deslizou o dedão com certa força nos lábios de Marina antes de beijá-la com exigência. Marina se entregou deixando que Clara ficasse no comando, deixando-se ser domada.
– Quero te dar todo o prazer que você me deu – disse Clara no ouvido de Marina e então a fotógrafa agarrou-se nos cabelos da morena, pois a frase foi dita no mesmo momento em que Clara a penetrava – Assim? – perguntou afundando o dedo quanto pôde.
– Uhum... – respondeu Marina atordoada – Isso Clarinha, me come gostoso, vai.
Enquanto a estocava com força, Clara deixava sua saliva quente pelo pescoço e colo de Marina. Parou de tocar Marina para unir as mãos nos seios da fotógrafa. Uma mão apertava o mamilo intumescido, a boca degustava o outro seio por completo, a ponta da língua fazia Marina gemer cada vez mais alto.
Clara provou cada canto daquele corpo marmóreo enquanto as mãos ainda permaneciam ritmadas nos seios que estavam avermelhados.
A barriga foi violada pelos dentes impiedosos.
Ela sentou na cama e com o dedo indicador chamou Marina para sentar em seu colo, de frente para ela. A fotógrafa sentou com as pernas ao redor da cintura da morena.
– Que olhar pra você enquanto te faço gozar – disse Clara oferecendo os dedos para que Marina os chupasse.
Clara introduziu os dedos úmidos no interior encharcado e Marina estremeceu e mordeu o ombro da morena. Ela entrava e saia rapidamente, Marina rebolava nos dedos de Clara enquanto esta lambia toda extensão do corpo da fotógrafa. Mordiscando cada pedaço.
A morena deu exclusividade ao clitóris rijo que pulsava em seus dedos. Quando percebeu que Marina estava prestes a chegar no ápice do prazer, parou o movimento. Admirando o rosto suado e extasiado de Marina.
– Continua! – pediu Marina ofegante rebolando lentamente.
Clara tirou os dedos ouvindo um ruído de protesto e antes de provar Marina por completo, Clara a puxou para um beijo que mais parecia uma demonstração de como se devorar alguém. Ela interrompeu o beijo quando usou as duas mãos para jogar Marina no colchão.
A fotógrafa ergueu a cabeça e viu Clara descendo por seu corpo, tornando-se ainda mais íntima daquele território.
Marina estava surpresa com a voracidade de Clara. Por um momento desconfiou que tudo aquilo seria tão excitante, mas Clara estava provando que sua inexperiência transformara-se na mais genuína curiosidade.
A fotógrafa foi tirada dos devaneios quando sentiu a língua de Clara explorar seu sexo que escorria desejo.
– Clara... Oh... Caralho! Me chupa gostoso, iiiiisso. Oh...
Clara arrepiou-se com aquele gosto novo e delicioso. Era adocicado e aguçou seus sentidos. Ela usava toda sua língua para chupar Marina. Disparava mordidas nos grandes e pequenos lábios. Subia e descia a língua por toda extensão. Prendia o clitóris entre os lábios enquanto usava os dedos para penetrar. Círculos eram descrevidos no sexo que latejava e estava prestes a explodir de prazer.
O corpo de Marina se debatia no colchão antes de começar a estremecer com a proximidade do orgasmo. Marina foi encolhendo as pernas bambas, apertando os lençóis deixando os nós dos dedos brancos.
Sentiu a estrondosa desfragmentação dos sentidos e deixou o corpo desfalecido e suado cair no colchão. O coração golpeava sua caixa torácica com tanta violência que o ar de seus pulmões parecia insuficiente.
Clara galgava o corpo de Marina deixando a pele toda vermelha com seus apertos e arranhadas.
– Eu quero mais – disse a morena massageando o seio de Marina.
– Quer mais é? – Marina correspondeu ao gesto tocando Clara no ponto sensível e ainda molhado de gozo.
Clara assentiu beijando a fotógrafa.
Marina levantou-se da cama deixando Clara ainda alucinada.
Voltou com um objeto fálico na mão.
A fotógrafa não sabia quando aquilo aconteceria de novo, e se aconteceria. Quis dar a Clara todas as nuances de uma noite de amor, e de uma tórrida noite de sexo, onde o amor, fica por último.
– Cansei de fazer amor com você – disse Marina vestindo o acessório – Quero te foder – sussurrou no ouvido de Clara enquanto o pênis de plástico deslizava pela pele ainda quente da morena.
Marina não deu tempo para Clara responder. Puxou-a pelos ombros e a fez virar de costas.
– Acho melhor você segurar – disse apontando para a cabeceira da cama.
– O que você vai fazer comigo, hein? – perguntou Clara virando-se de frente e segurando o objeto com a mão toda.
Marina deslizou a ponta do strap-on no sexo de Clara. A puxou pela nuca e disse em seu ouvido:
– Vou te foder – e então introduziu todo o objeto.
Clara mordeu o pescoço de Marina e virou de costas de novo.
Enquanto tinha o corpo violado pela fotógrafa, Clara esvaziou sua mente de toda culpa que ousara se instalar em seus pensamentos. O marido havia mudado desde que Marina surgira no caminho de Clara. O casamento que não ia muito bem das pernas, rumava para o fim, que era constantemente adiado.
Clara ia quase para outro plano de pensamento quando sentiu os seios de Marina tocando-lhe as costas e a puxando para a realidade excitante e arrebatadora. Dos lábios molhados da fotógrafa saiam palavras que só a faziam gemer cada vez mais alto.
Marina castigava o corpo que possuía com seus dentes e mãos. Queria devorar Clara, queria marcá-la para que ela pudesse se lembrar de cada segundo que esteve ali.
E Clara não esqueceria.
Um gemido alto. Os corpos estremeceram.
Marina tirou o strap-on e o jogou em qualquer canto. Deitou-se na cama tão exausta quanto Clara que se deitou por cima dela.
Olhavam-se com intensidade. Num silêncio que só era quebrado pelos barulhos noturnos vindos lá de fora.
Continuaram beijando-se, rolando pela cama bagunçada. Encostando seus sexos exaustos, mas ainda pedintes.
Quando a calmaria começou a chegar Marina deitou-se sobre o peito de Clara e a morena acariciou seus cabelos.
– O que fizemos me pareceu tão errado... Tão... Errado – disse a fotógrafa não querendo sentir a culpa tomar espaço.
– Não precisa mais ser – disse Clara sentando-se na cama.
Marina a acompanhou e a olhou pedindo uma explicação.
– Quero ficar com você, Marina. Eu... Eu quero você!

FlashBackOff

Lembrar de tudo que aconteceu em Angra agora me trazia tristeza e não mais tesão ou qualquer sentimento interligado a ele. Eu nunca mais faria amor, com Clara. Ela nunca mais diria “eu quero você.”
Prendi meus cabelos num rabo de cavalo baixo. Não passei maquiagem alguma. Os óculos escuros existiam para isso também, esconder a tristeza que os olhos mostravam.
Tirei meu celular do carregador. Nada de ligações. Nada de área.
– Eu vou com você – disse Vanessa surgindo à porta com a bandeja nas mãos. Também tinha os cabelos presos. Mas usava um jeans e uma camisete preta, acompanhada de seu inseparável All Star.
Ela colocou a bandeja na minha cama e me abraçou. Minhas lágrimas, antes abundantes agora estavam escassas. Eu estava escassa de sentimentos. Estava oca. Vazia.
Olhei a bandeja em cima da cama e meu estômago protestou.
– O suco pelo menos – disse Vanessa pegando o copo pra mim.
Fiz careta. Vanessa cruzou os braços e eu tomei um pequeno gole. Ia dar o segundo gole quando ouvi meu nome.
– Marina! – Giselle entrou no quarto escancarando a porta, fazendo-a bater na parede com força.
– Que foi, Gi? Onde é o incêndio? – perguntei tentando mostrar algum humor. Meu sorriso foi apenas um esticar de um dos lados da minha boca.
– A Clara... Ela... Ela acordou.
O copo escorregou da minha mão jogando suco nos meus pés e no All Star da Vanessa. Fiquei paralisada tentando entender se aquilo era verdade ou era um sonho.
– Conta isso direito, garota! – pediu Vanessa.
– Eu fui com o meu pai que foi dar apoio à Chica, mas fiquei lá embaixo enquanto ele subia para encontrá-la. Uma hora depois meu pai desceu com cara de espanto, ele disse que a Clara tinha acordado e que tinham aparecido alguns médicos para examiná-la.
– Você a viu, Gi? Ela... Ela acordou mesmo?
– Não a vi. Mas ela acordou sim. Pelo que meu pai falou ela está fraca, vai precisar de fisioterapia, mas Marina... – Gi estava sentada ao meu lado agora, e tinha as duas mãos em meu rosto – Ela acordou. Ela... Ela acordou!
Me joguei nos braços de Giselle.
Contradizendo tudo que eu sentia, as lágrimas inundaram meus olhos.
Eu não estava oca. Estava viva. E Clara também.