I'll Protect You

20 Capítulo 19: Smirk


Notas iniciais
Boa noite gente linda :3
espero que gostem, boa leitura!

Eu tinha um menino para cada ombro.

Nem Gokudera nem Hibari estavam bem o suficiente para subir os lances de escadas. O peito do homem-bomba tinha parado de sangrar mas o vermelho permanecia em crostas em sua roupa, também limpou algumas feridas menores com um pedaço de sua camisa. A gravidade dos ferimentos me preocupou, por isso não fiz nenhuma reclamação sobre o peso extra.

Hibari, muito bem no meu outro lado. Estava bem melhor, porque sem dúvida ele poderia ter caminhado por conta própria, sabendo que sua emoção para lutar teria anestesiado a dor até agora. Ele caiu no meu ombro enquanto paramos para limpar as feridas do meu próprio ombro danificado. Ele era orgulhoso demais para pedir qualquer ajuda.

Além de nossos próprios passos ecoando pelo chão vazio, houveram pancadas e conversas abafadas acima. Gokudera recuou, empurrando seus pés mais rapidamente a cada ruído, e o outro tinha sede de vingança. Meu estômago dava nós.

Não importa o que aconteça ainda somos as mesmas pessoas que Reborn treinou...Eu tentei lembrar as lições e exercícios de treinamento do bebê. Minhas mãos se enrolaram mais ainda ao redor da cintura dos meninos.

– Você ouviu isso? -Gokudera murmurou no último grito abafado. — O décimo deve precisar de nós!

Estávamos no último lance das escadarias, uma porta fechada no topo. Dava para ouvir Tsuna gritando, enquanto uma voz profunda explicava algo sobre o inferno ou coisa assim. Eu me senti muito familiarizada com a voz, tentei lembrar algum nome mas a única coisa que consegui captar foi a risada irritante do cara de cabelos azuis no sonho.

Kufufu ~!

Hibari bufou baixinho e retirou suas tonfas de suas mangas. Eu podia sentir a vibração tensa dele pela cintura. Gokudera abriu a porta quando ouvi as palavras de Reborn.

– Eu sou o melhor professor particular.

A sala era escura, desgastada como tudo no prédio e a sua única fonte de luz entrava por uma janela suja na parede de trás, meio coberta por uma enorme cortina rasgada. Tsuna estava esparramado à minha esquerda, um oceano de cobras que o rodeavam prontas para o bote. Mais a frente, uma homem de cabelo azul escuro e sua aura assustadora.

Hibari jogou o braço direito, sua tonfa saiu voando para o homem, que estava momentaneamente distraído com Tsuna agoniado.

– Decimo! Abaixe-se! — Gokudera advertiu e jogou um punhado de bombas para as cobras. Não deixando nada além de um Tsuna chocado no chão e fumaça preta.

– Desculpe o atraso...- Eu disse com um leve sorriso, enquanto Gokudera ajudava o chefe.

Tsuna olhou emocionado para nos ver novamente, sua expressão iluminada substituiu seu antigo medo. Gokudera sorriu alegremente para o chefe.

– Você entendeu agora? – Reborn disse. — Eu não treinei apenas Tsuna.

Meu olhar desviou de Tsuna, e vi a boa aparência do homem que estávamos lutando contra, Rokudo Mukuro.

– 3 ª Pessoa –

Confirmando as crenças anteriores, o homem com os olhos contraditórios de ontem à noite estava ali na frente dela. O mesmo uniforme, corte de cabelo, e o maldito sorriso. Kazehaya tinha vontade de pegar seu bastão e enfia-lo na guela do Ilusionista.

Mas Hibari estava um passo à frente dela.

– Eu devolvi o favor agora. — Hibari murmurou e deu de ombros a menina. Kazehaya não tinha sido capaz de equilibrar-se da queda e tombou para o lado do prateado, caindo no chão com um doloroso baque.

– Você não perde tempo não é? -Ela gemeu, esfregando suavemente em seu ombro ferido e olhou para o carnívoro.

– Ah..– Rokudo disse alegre diante da vista normalmente aterrorizante. — Vejo que tenho uma grande quantidade de espectadores hoje. O que será que Chikusa está fazendo? – Comentou pensativo.

– Tirando um cochilo lá embaixo. – Kazehaya riu-se, Gokudera entrando com a mesma atitude presunçosa de sempre.

– Mesmo o garoto cão tem uma vida difícil. – disse ele.

Rokudo acenou com a cabeça, nem mesmo perturbado. – Estou vendo.

– Quanta confiança, Kazehaya-san e Gokudera -kun! — Tsuna aplaudiu.

Os dois suspiraram, o mesmo pensamento flutuando através de suas mentes. “Não é como se nós tivéssemos vencido.”

Sua atenção foi trazida de volta para Rokudo perguntando: –Você se preparou? Você é realmente um moleque muito assustador, mas, por favor não fique entre mim e a Vongola. Além disso, – ele sorriu- você mal tem metade de sua força agora. Eu quebrei muitos dos seus ossos.

Kazehaya sentiu as unhas furarem a palma da mão. Mas ela não se importava, sua irritação estava em chamas através de um ato tão simples.

– Hibari. – Ela disse em um tom baixo. – Não se atreva a se segurar quando vencer esse cara.

– Kazehaya...mesmo que você veja a luz no fim do túnel. -Tsuna disse. — Hibari esta muito ferido, ele não poderia...

– Saitou, Tsunayoshi, eu não me lembro de precisar de opinião alheia sobre as coisas. – ele pegou suas armas. E se virou para Rokudo com um de seus braços em posição defensiva. — Você preparou sua última vontade?

– Você sempre diz essas coisas divertidas. — Mukuro deu incisivamente um olhar para Kazehaya, em seguida,para Hibari, na frente dele. – Acho que vou ter que lidar com você primeiro. – O olho vermelho, agora completamente exposto à vista, mudou do kanji seis para o quatro. Ele correu para a frente com seu tridente estendido.

Ela mesma não poderia deixar de admirar seu estilo. Seus balanços eram afiados, tinham um ângulo perfeito. As armas de metal se batendo em confrontos poderosos, uma dança elaborada de ataque. Juntos, eles foram provaram ser iguais adversários.

Kazehaya tomou nota dos movimentos do ilusionista, Hibari deu uma pancada nele do outro lado da sala. Reborn, que estava de pé ao lado dela, comentou satisfeito com seus alunos.- Não subestime seus adversários.

– Parece que sim. –o homem-bomba murmurou no meio da batalha. –Nunca saberíamos oque aconteceria se ele não estivesse ferido.

Como um truque de mágica Hibari caiu de joelhos, sangue escorrendo por seu ombro, uma ferida que deve ter reaberto. Por outro passe de magica, Kazehaya saiu correndo na frente de Mukuro, sua arma posicionada pro ataque.

–Saia de perto dele.

– Herbívoro, saia do meu caminho. -Ele murmurou em um tom grogue.

– Ah, outra já? Eu me sinto muito honrado de ser abençoado com tanto sangue derramado. — Rokudo riu em seguida, inclinou a cabeça para o lado, a franja de lado, olhando-a diretamente com seu olho azul. -Diga-me Kazehaya, tem dormido bem?

Mukuro correu e balançou o aço para a frente. Ela bloqueou com dificuldade, e conseguiu golpea-lo no nariz, fazendo-o cambalear. Com isso, tentou faze-lo cair, mas então, ele retornou a sua postura normal e deu um pulo alto. Atacando-a, Kazehaya recebeu aquilo com um bloqueio sem sucesso.

Ele firmou o bastão o espaço entre as pontas do tridente. Rokudo rapidamente a desarmou e segurou-a contra a parede com o tridente em seu pescoço. Kazehaya lutou, observando a arma girar longe no chão na frente de Tsuna.

– Kufufu~! –Ele brincou em seu ouvido, empurrando a ponta na garganta da morena. — Técnica tão fraca... — Ela gritou, sua respiração estava fugindo dela, seus ossos sendo esmagados. – Completamente fraca~. –susurrou.

A pressão foi removida, ela deu um grito abafado. Um braço magro caiu em torno de sua cintura para mantê-la equilibrada. Kazehaya não conseguia parar a respiração áspera e os sorrisos que Rokudo dava, pulmões implorando por mais e mais. O rapaz de cabelos azuis sorriu para ela. – Foi divertido brincar com você. Adeus~.

Tsuna assistiu com horror Mukuro levantar o tridente acima da cabeça, apontando para seu pescoço, com as mesmas laminas que atingiram Bianchi tempos atrás. – Kazehaya-chan! –gritou, com os olhos arregalados.

Ela tentou lembrar de algo bom, funcionava nos livros, por que não na vida real? Um pensamento sobre seu pai a invadiu, ela queria viver para encontra-lo, ver seu sorriso que persistia em sua memoria mesmo não sabendo se era real...

A menina pode ouvir um ruído metálico no ar ao fechar os olhos.

Um barulho ensurdecedor cortou o ar, ela fechou os olhos com mais força, mas nada aconteceu. Ela olhou para cima e viu Hibari de pé, estava olhando diretamente para ela com seus olhos frios.

– Oh, ainda acordado? Está melhor do que eu esperava. – Mukuro comentou com a voz afetada. – Vamos terminar isso.

Seu olho vermelho brilhou, e se transformou em no número um. Kazehaya viu as pétalas de flor de cerejeira flutuando. — “Poderia ter sido a segunda parte do meu sonho ?”- Pensou amargamente, fechando seus olhos. Mas se lembrou do frasco vazio no bolso. Ela reabriu os olhos e viu Hibari fitando os as pétalas cor-de-rosa no ar. -“Poderia não funcionar?”- Ela perguntou a si mesma, observando-o. –“Sem chance, ele é ele.”-Ela se lembrou ao dar um passo cambaleanda para frente. – “Kyoya...”-Ela sorriu.

Sentiu Mukuro afrouxar seu braço. Ela usou toda a sua força para saltar antes que ele caísse. Sua performance não foi muito graciosa, mas antes que ela despencasse Hibari a segurou pelos braços, colocando-a de lado.

Ela abriu um sorriso ao ver um rasto de sangue correndo de um canto da boca ate o queixo de Mukuro.

– Não estava esperando por isso.– disse ela, apoiando-se na parede e escorregando. Estava cansada demais.

Hibari não demorou e golpeou a mandíbula de Rokudo, fazendo-o voar para trás, caindo no chão com um baque pesado. Kazehaya não se conteve o sorriso triunfante quando ela não viu o rapaz de cabelos azuis levantar-se e suspirou. –Finalmente...

– Acabou! – Tsuna exclamou alegre. –Podemos ir para casa agora!

– Sim, -ouviu Reborn logo atrás. – mas você foi perfeitamente inútil na luta com Mukuro.

Eles começaram a ir em direção a porta comemorando, mas ao se levantar, Kazehaya foi lentamenre perdendo a consciência. A luz fraca do quarto foi se apagando...Um vulto negro ao lado dela.

– “A luta foi tao longa...” — Ela pensou, já no chão. –“Foi divertido,mas eu so quero dormir um pouco...”

Ironicamente, aqueles que ainda estavam bem o suficiente para caminhar tiveram que levar Hibari e Kazehaya inconscientes para o lado de fora, um do lado do outro, sem fôlego e fora deste mundo. Tsuna começou a se preocupar, mas seu tutor o tranquilizou, enquanto olhava para os dois com um sorriso.

– Vai ficar tudo bem.

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(Quatro dias depois)

Beep .... beep ..... beep.

Kazehaya sabia que estava viva nos últimos dias que esteve no hospital, já que o barulho irritante da máquina ao lado não cessou. Depois da luta com Mukuro, tiveram que ir ao hospital. As enfermeiras diziam que tinham sorte por ainda estarem vivos, considerando o sangue perdido e ossos quebrados. Quase morrer não doía, o que doera foi ver seus amigos sendo machucados e o medo de ter que enfrentar a solidão de novo.

Sua ficha hospitalar dizia que devido a “eventos desconhecidos” ela tinha vários cortes em todo seu corpo, o mais profundo em volta do pescoço, tinha vários hematomas e dores de cabeça constantes. Em um dos braços, um fio gotejando, enquanto o outro folheava paginas de uma revista mentirosa sobre saúde. Seu médico queria mante-la ali e fazer mais exames. Mas não era a única presa em seu quarto, a Tempestade estava apenas a dois corredores de distancia. O prateado sofreu muito. Não apenas a torção, mas antes Mukuro de fato possuía algumas pessoas, assim como Bianchi. O que apenas contribuiu para o mal-estar. Mas, pelos boatos que Kazehaya ouvia das enfermeiras apressadas, Gokudera estava muito bem agora, e talvez deem alta aos dois neste fim de semana.

Com um suspiro fecha a revista, sem muito interesse no artigo de posições de ioga complexos que prometiam ajudar a regular a digestão, seus olhos castanho-avermelhados olharam as sombras de uniformes cor-de-rosa andando apressados para cima e para baixo. Muitos funcionários reconheceram-os assim que Tsuna pisou no chão branco do hospital, fazendo a enfermeira ruiva ter um acesso de mau-humor gritante. “Malditos pirralhos...” – Dizia baixinho, sempre que visitava a paciente a cada hora, com uma prancheta na mão e a testa franzida. Saitou tinha certeza de que aquela mulher a odiava.

Fitou a janela do outro lado, três vasos de flores descansando no peitoril. As rosas eram de sua mãe, que explicara na carta: “Meu consolo por não ser capaz de cuidar do meu bebê.” Ela não era tão insensível quanto parecia, e desde que a morena acordou, Ishi tem ligado para a filha sempre que tem um buraco na agenda lotada. Do lado das rosas vermelhas, os lírios azulados do Nono. Reborn levou as belas flores junto de um cartão. Era um pergaminho castanho claro, escrito com a caligrafia curva e fina, que agradecia pelo trabalho duro na assistência ao derrotar Mukuro. Assinado por uma Chama do Céu incrivelmente laranja.

– “É assim que você sabe que veio direto da mesa do Nono.” — Explicara Reborn.

A ultima, era uma única margarida com apenas três pétalas saindo de sua cabeça amarela e seu caule dobrado. Foi o presente de Tsuna e sua turma, quando ele trouxe o vaso, coçou a cabeça envergonhado.

– “Desculpe Kazehaya-chan, não era muito, mas ... Lambo pensou que eram doces.”

Seus lábios desenharam um sorriso no rosto, era ótimo ver Tsuna dizer seu nome tão fluentemente, sem gaguejar por cima de tudo como de costume. A partir dessa experiência, o grupo estava mais unido. Eles já estavam planejando uma saída depois que se livrarem desse lugar. E antes que percebesse, estava de volta a velha rotina. Sem sangue derramado ou sacrifícios.

– Saitou-san. – O médico que cuidava de Kazehaya, Dr.Nakahara entrou na sala com seu sorriso educado, segurando uma prancheta contra o peito. -Que tal um check-up?

– Como estou sendo praticamente escravizada aqui, não tenho o direito de dizer não.

Era um médico simpático e careca, tinha dentes perfeitamente brancos, e não era nada tímido. Nunca falara sobre a família, apenas abrindo conversas sobre temas relacionados ao seu trabalho (como ontem, o tema discutido foi "A diferença entre a genética e DNA").

– Vamos ver... – Ele estalou a caneta e começou a encher a folha de cima para baixo. – Alguma dor?

– Só um pouco no meu pescoço.

– Isso poderia impedi-la de respirar?

– Não, não é grave. Isso é o que realmente me incomoda. – Ela respondeu, puxando o braço cheio de fios.

Ele sorriu, o brilho um pouco perturbador da careca contra o sol. Nakahara colocou a prancheta sobre uma mesa lateral e do bolso do casaco, ele trouxe uma pequena lanterna de prata. Ficou na frente da paciente: – Os olhos bem abertos, por favor. – Seus orbes seguiram a luz.

– Perfeito. – disse ele, clicando a lanterna e voltando a escrever coisas. – Você não sofreu qualquer trauma e seus cortes são quase a ponto de serem curados! Ah, Saitou-san eu acho que você pode ter alta amanhã.

– Sério? – Perguntou, sentindo seus pés querendo pular de alegria. Ele acenou com a cabeça. — Isso é ótimo! Obrigada!

– Ah, tudo dentro de seu tempo. – Falou com uma espécie de luto na voz, e suspirou. – Vou perder uma de minhas pacientes favoritas...Mas não tenho certeza sobre...

– Quem? Gokudera-kun?

Ele balançou a cabeça, sentando-se em uma das cadeiras ao redor da cama. — Não, não, ele está progredindo muito bem. É o ... Outro. – Suas palavras tinham uma vibração estranha.

Kazehaya ergueu uma das sombrancelhas. Quem mais tinha sido hospitalizado? Os outros saíram depois de um check-up. Bianchi se recusou a ser internada, Tsuna só precisava de descanso, Yamamoto tinha quebrado seu braço, e... Deu mais uma olhada no médico, e nota o medo e rancor em sua testa franzida

– O que há de errado com ele? É Hibari Kyoya, certo? – Por incidente suas palavras saíram apressadas.

O médico balançou a cabeça. -Sinto muito, mas é contra a política do hospital compartilhar qualquer informação de qualquer outro paciente sem o seu consentimento. Embora eu não sei como ele fara isso estando inconsciente.

– O quê? – O barulho do monitor cardíaco ecoou mais rápido, a notícia viajando por seu corpo em uma sacudida. – Ele não acordou?

Ele engasga acenando com as mãos, uma gota de suor começou a se formar em na cabeça brilhante. – A- ah, por favor, esqueça que eu me...

– Doutor Nakahara! – Um alto grito veio de traz do médico, ele pulou de susto. Por cima do ombro, viu a enfermeira-chefe na porta, com as mãos nos quadris e vapor soprando de suas orelhas. – Voce prefere fofocar com uma menina – Apontou. -Do que prestar serviço ao seu paciente doente 67 anos de idade com câncer! -Ela cuspiu. — Inacreditável!

O médico sussurrou um rápido. “Socorro!”. Antes da mulher leva-lo até a porta pela parte de trás do colarinho. – Vamos doutor!

– A- ah! Cuidado Tanaka! – choramingou enquanto fora arrastado para fora, o barulho de seus sapatos de couro preto ecoando pelo corredor. Um forte estrondo veio logo depois.

Suspirou, bando de gente louca.

Depois que tudo ficou em silêncio, exceto pela conversa no corredor, seus pensamentos caíram sobre a Nuvem, voltando a hora em que estavam inconscientes no chão, exaustos. Lembrando dos olhos frios um segundo antes de tudo escurecer. Susurros curiosos aqui e ali em sua mente.

– “Eu dormi por três dias... Qual a gravidade dos ferimentos dele?” – Seus pensamentos eram assustadores, e o pior era que a morena não podia fugir deles. Todos relacionados ao Ilusionista, ela já tinha visto tudo no sonho ou ele infringira ainda mais dor?

Um farfalhar de asas vindo do peitoril chamou a atenção da futura guardiã. Do lado de fora tinha um pássaro pequeno e amarelo circulando pelo céu ,e, da distância em que estava, parecia que havia uma auréola sobre as flores.

Seus dentes perfuraram a carne inferior dos seus lábios enquanto o fitava com os orbes castanho-avermelhados. Nada parecia ter feito a luta tão real até que tudo estivesse acabado. O pássaro entrou no quarto sem ter chamado a atenção dela ou dos enfermeiros, pousando nos cabelos castanhos e rebeldes enquanto cochilava pela tarde.

– Mais tarde naquela noite –

O hospital era muito maior do que a morena imaginara. Eram corredores e quartos demais, e até agora, nenhum deles era o que estava procurando. Foi uma loucura escapar do próprio quarto, mas ao ouvir uma enfermeira dizendo que o pessoal teria uma reunião de duas horas...

Era a oportunidade perfeita.

Sair foi a parte fácil, tendo todos os fios e agulhas retirados antes de ir “dormir”. Os corredores estavam desertos e silenciosos, então estava andando na ponta dos pes para não fazer qualquer tipo de som. Seus dedos passam apressados ,espelhados pelo piso branco e frio.

Inicialmente, iria encontrar o lugar nos primeiros trinta minutos, mas como a única pista é a ala leste, foi particularmente difícil. Olha para um relógio na parede de uma sala de espera vazia. —“Meia-noite? Já?” — Suspira.

Depois de ser escravizada em uma cama por quase cinco dias, seria difícil pernear pela madrugada em um hospital enorme. Cambaleia para uma poltrona preta de couro da sala. A dor sutil de suas pernas esta distraindo-a, e a futura guardiã mergulha em seus pensamentos, voltando para a luta, fecha seus olhos que começam a pesar.

Foi tudo tão rápido... Seus braços tinham ficado la por um segundo, o suficiente para que ela voltasse a acreditar que tudo iria ficar bem.

— Midori tanabiku~! — Seus orbes castanho-avermelhados se abrem, procurando a fonte do som. O hino era cantado por um sussurro alegre, vindo do alto de um corredor a esquerda. Então, com seus pés cambaleando no piso branco, corre desajeitada pelos quartos com a música guiando-a.

—Dai naku shou naku-nami~. — A cada passo, cambaleando e quase tropeçando em seus próprios pes, a musica fica mais alto. Ve algo sobrevoando a ultima porta aberta, um ponto amarelo sobre a luz do luar. Ela chega ao final do corredor, empurrando a porta devagar.

Por alguns segundos que se desenrolaram, Kazehaya fica em pé ao lado da porta, encontrou-o, finalmente conseguiu. Foi então que percebeu que seus pensamentos tinham desaparecido, tinham sido roubados e seu ladrão estava apenas a alguns passos de distancia. Dormindo, bem ali na cama, com suas feições muito mais calmas do que o normal. Um par de fios se arrastando para debaixo das roupas do hospital, levados para o monitor cardíaco. E em seu cabelo ébano, um pequeno ponto amarelo.

Seus olhos negros e miúdos seguiram-na pelo quarto, ele bate suas asinhas minúsculas quando ela chega na borda da cama, pousando suavemente em seu ombro ainda enfaixado.

— Preocupado também? — pergunta em um sussurro, como se o pequeno fosse responder. O pássaro sai voando, ainda cantando alegremente o hino da escola.

A futura guardiã não tinha a mínima ideia do que iria fazer, agora que tinha conseguido chegar ao seu destino. Só queria ver se ele estava realmente bem, mas seus olhos frios ainda não se abrem para ameaça-la. Então não tinha certeza do que é que ela deseja. Senta ao lado da cotovia inconsciente, observando a “camisa de força” do hospital subir lentamente para cima e para baixo.

Ele dormia feito um anjo.

Afasta seus cabelos dispersos, que giram em torno de seus olhos. Seus dedos começam a viajar pelo rosto em uma ação involuntária, cutucando sua bochecha e por fim curva-se com a sua mandíbula. Descansa a mão em seu peito, a pulsação real era muito mais encantadora do que o carrapato-mecânico ao lado da cama.

Tudo sobre a Nuvem tem um ar de paradoxo. É o que a faz pensar nele. O fato de que ele é o Presidente da Comissão Disciplinar, o demônio Namimori, que faz qualquer valentão gritar feito uma menininha, agora esta simplesmente deitado aqui. Tão enganador quanto as ilusões de Mukuro

Um pio suave faz Kazehaya voltar ao mundo real. O pássaro estava empoleirado no topo do relógio pendurado na parede. Ele se inclina e bica sua superfície de vidro. — 1: 47— leu. A reunião ia acabar em um tempo e nem ela nem o ponto amarelo tinham a intenção serem pegos.

Afastou sua mão do demônio. Como nunca foi lá, alisa os vincos do cobertor em que estava apoiada e deixa a porta na mesma posição de antes. O pássaro sobrevoa seus cabelos castanhos, começando a cantar a música alegremente mais uma vez pelo corredor. Ela faz uma promessa silenciosa para o menino dormindo.

“Eu não vou deixar ele sozinho...Minha vez de protege-lo, Kyoya”

Notas finais
Espero que tenham gostado, por favor, critiquem e comentem!
Ate logo!