I'll Protect You
29 Capitulo 28: There's a fire inside, this heart
O mundo estava em chamas.
Sentiu uma ligeira picada no pulso, que logo se transformou em um incêndio que a consumia por inteiro. Uma dança venenosa.
Caiu no chão liso e branco do refeitório, gritando de dor, sensível. E sua respiração irregular, parecia apenas atiçar mais aquele incêndio. Sua visão turva pelas lagrimas que pareciam evaporar em suas bochechas quentes. O contorno familiar da mulher mais velha se contorcia, embora tentasse se sustentar, as pernas bambas dela logo cederam.
— I-Isa... — Suspirou quando a ruiva se levantou com dificuldade e cambaleou.
De repente, a italiana estava de pé ao seu lado. Estremeceu quando sentiu algo cortando seu braço, então, um choque quando o incêndio começou a diminuir. Não teve tempo de agradece-la ou saborear o alivio, quando Isabella puxou-a para cima pelo pulso.
— Temos três minutos antes da droga perder o efeito. — Ela afirmou, limpando o sangue das laminas do soco-inglês direito na perna da calça. Encarou-a com seus cansados olhos verdes. — E, se quiser salvar os outros, temos apenas 20 minutos sobrando.
A morena assentiu, se colocando em frente a uma das pernas do pódio de ferro. Embora seus dedos ainda estivessem dormentes pelo contraste da droga, foi capaz de acionar seu bastão. Fitou a ruiva no lado oposto, também em posição. Ela deu um sinal leve para atacar.
Quando ela ergueu uma perna e deu um duro e ensurdecedor golpe no metal, Kazehaya bateu duramente no pódio. Depois de alguns segundos, o pódio oscilou antes de finalmente cair no chão.
— O que aconteceu...? — Disse uma Cervello, não acreditando na imagem de duas silhuetas femininas em meio a fumaça, não muito longe do refeitório. Pouco tempo depois do pódio em que estava o anel da Nuvem, fora destruído sozinho no inicio da partida, mas ver que as duas praticamente ressuscitaram como se nada tivesse acontecido era notável.
— Impossível...O veneno derrubaria até mesmo um elefante adulto.
— Quem disse que não existem outros venenos que combatem isso? — Sorriu Shamal para o close-up da italiana na tela. — E pelo o que eu ouvi, a ruivinha conhece muito bem eles.
— Isabella-dono tem o antidoto?
— Não. — Reborn negou. — Isa tem a mesma droga que usou na batalha com Kazehaya. É um entorpecente que congela o movimento do corpo gradualmente. Entretanto, o outro simplesmente aumenta a temperatura do corpo rápida e dolorosamente. Ela combinou os dois, e os sintomas se anulam com tempo o suficiente para obter o antidoto com a ajuda de Kazehaya.
Basil admirou a dupla correr para fora do refeitório. — Elas tiveram sorte de ter uma a outra...Caso contrario, ainda estariam sofrendo.
O Arcobaleno de olhos ônix sorriu silenciosamente.
— Os outros Vongola, exceto Nuvem e Tempestade ainda estão sob influencia do veneno. — A mais velha destacara, fitando a colegial morena. — Vamos nos dividir e ajudar os outros antes que o tempo acabe. Eu vou para a arena do Sol e voce vai pro Aquarion.
Assentiu, e girou rapidamente sob os calcanhares, mas foi chamada pela ruiva. Quase não pegou o objeto prata e brilhante que foi jogado em sua direção. Abriu a palma da mão e viu o anel da Neve.
— É seu, não? — Deu-lhe um sorriso de satisfação antes de voltar a correr.
Deslizou o dedo entre o anel, encarou-o, a prata refletia as luzes do lugar, súbitas cores alaranjadas das chamas da luta que ocorria não muito longe dali.
Voltando-se para os dois candidatos a chefe, chamas densas e enfurecidas contra as suaves e alaranjadas de Tsuna. Poderia ser uma bela exibição para os ignorantes, se pudessem ver alguma coisa. Foi um alivio ver seu amigo vivo e lutando contra Xanxus.
Como sua guardiã, ela jamais permitira que nada obscureça e tire as cores do céu. Como a neve confortável que se move dentre a nuvem e cobre as magoas e a dor da família.
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O chão tremia, junto de Kazehaya, que sempre tornava a olhar além das janelas que revestiam o corredor. Corria com tal rapidez que fazia com que ambos parecessem um filme antigo, indo de cena em cena. O céu noturno foi iluminado com a luta em tons alaranjados, estava preocupada.
— Não. — Murmurou contra seu lado pessimista. — Tenha fé em Tsuna e suas habilidades, é tudo o que eu posso fazer por hora.
Segundos depois já estava em frente da grossa porta de metal da arena. Girou a manivela para entrar no campo de batalha, ainda em ruinas, teve que desviar de destroços e cimento que ficavam em seu caminho, o piso estava praticamente partido ao meio desde a batalha da Chuva.
Apesar do caos, foi traçado uma trilha para o pódio de metal e o corpo tremendo de Yamamoto, encostado num pilar. Rapidamente, derrubou-o e pegou o anel.
— H-Haya-chan... — Murmurou sob respirações curtas quando ela se aproximou, sentindo uma pontada no coração ao ver o rosto do moreno coberto e suor e distorcendo suas feições por causa do calor. Ele estava sob os efeitos do veneno a muito mais tempo, e deve ter sofrido muito mais...
Agarrou sua mão úmida pelo suor e empurrou o anel contra a pulseira. Um suspiro de alivio deixou seus lábios quando viu que, aos poucos, a respiração de Yamamoto estava voltando ao normal e ele foi capaz de abrir um sorriso.
— Ufa...Essa foi por pouco. — Disse suavemente, ao sentar-se contra o cimento. Era reconfortante ve-lo melhor. — Obrigado, você me salvou.
Logo atrás, passos firmes ecoaram pelas ruínas. Ao olhar por cima do ombro, viu Hibari cambaleando para agarrar-se a uma parede.
Imediatamente, correu em sua direção. Olhou para cima, e limpou uma mancha de sangue em sua bochecha com o dedo polegar.
— Voce está bem? — Perguntou freneticamente, prestes a agarrar-lhe o braço.
O carnívoro empurrou-se para fora da parede, fora de seu alcance e ajeitou a postura, ficando um palmo mais alto do que ela. Hibari encarou-a e disse profundamente, como se nada tivesse acontecido:
— Eu ainda não terminei de limpar a minha escola.
— Kyouya-...— Franziu o cenho para repreende-lo.
— Mudança de jogador! Deixe Kazehaya e eu lidar com isso a partir daqui.
Os orbes metálicos que a morena tanto amava se alteraram entre os dois amigos, e finalmente, pousaram nela. Então ela sentiu uma aperto forte no pulso puxa-la para frente e caiu sobre lábios suaves. Não hesitou em retribuir a ação repentina, descansou a mão no peito do Presidente do Comitê Disciplinar e deixou-se ser consumida.
Não houve gentileza, um senso de urgência foi maior e mais objetivo, rápido. Sem folego, separaram-se e fitaram um ao outro.
Entendera o recado, e deu um sorriso tão grande quanto Yamamoto: — Tudo bem, Kyouya, vamos ficar bem e a sua escola ficara como nova.
Ele caiu, recostando-se contra a parede e fechou os olhos, murmurando um quase inaudível: — Eu não estou preocupado com a escola, afinal.
–-
A dupla reuniu-se do lado de fora, junto de mais outro grupo:
— Gokudera! Isa!
O Guardião da Tempestade pareceu aliviado em ve-los, depois que Bel tomara o antidoto, Hibari atirou-lhe o anel antes de se envolver com o príncipe liberto dos efeitos do veneno. Ele, então, correu para ver Ryohei, mas, a ruiva já estava ajudando o boxeador.
— A vaca estupida e o cabeça de grama estão bem. — Mostrou os três anéis, Trovão, Sol e Tempestade reluziam nas luzes do ambiente noturno. Ele olhou a italiana ao seu lado. — Che, eu fiquei surpreso por se tratar tão rapidamente e não matar Kazehaya.
Ela murmurou irritada, cruzando os braços. — Por favor. Eu não poderia aguentar você reclamando por mais um segundo.
— Eu tenho o meu e o de Kyouya. — Abriu a palma da mão, revelando os dois objetos de prata. — Ele ainda tem que se recuperar de ontem, está descansando agora.
— Isso significa que...
Eles olharam para o ginásio, onde a Guardiã da Névoa ainda residia. Correram o mais rápido que puderam, percebendo que o tempo estava quase acabando para a garota. O prateado levou o bloqueio da porta em mãos. Porém, ele não conseguira abrir caminho, e o gênio italiano estava se cansando. Isabella percebeu isso, e afastou-o da porta de maneira arrogante.
— Permitam-me.
O Guardião da Tempestade deu-lhe um olhar irritado e voltou a puxar a porta. — Eu já consegui!
— Claro que não. — Ela calou a boca do homem-bomba e ele se afastou da porta. A ruiva posicionou seu punho equipado sobre o bloqueio e deu um soco rápido. Um estalo como tecido sendo cortado por uma tesoura ecoou, e ela deixou seus punhos nus. A italiana abriu a porta e revelou o caos e ruínas do ginásio. O pódio já tinha sido esmagado no chão e nem sinal de uma sombra de vida. Exceto por uma risada peculiar.
— Bem aqui, ushishi...
Diante do grupo, a Ilusionista e o Guardião da Tempestade da Varia, o loiro imobilizara a menina inconsciente que se assemelhava a Mukuro pelos pulsos. Suas bochechas estavam febris pelo veneno que ainda corria em seu corpo.
O membro da Varia abriu um enorme sorriso ao colocar a ponta de um tridente em seu pescoço.
— Melhor entregar os anéis, ou a garota vai ter um final muito feio.
— Como se fossemos cair nesses truques baratos! — O prateado esbravejou.
— Quem acha que eu sou? A Varia não blefa em caso de vida ou morte... — O príncipe cortou, lentamente, a bochecha direita de Chrome, torturando-a.
— Eu não confio em vocês...Se-.. — Gokudera começou.
— Ele esta falando a verdade. — Isabella interrompeu-o novamente. — Não blefamos, e agora, estamos sem saída... — Ela mandou um olhar para Kazehaya e Yamamoto.
— Se continuarem tagarelando ela vai morrer... — Disse o louro, apertando ainda mais a faca e derramando o sangue da Ilusionista.
— Sem escolha, então... — O Guardião da Chuva tinha um olhar serio, encarou sua melhor amiga pelo canto dos olhos. — Parece que vamos ter que entregar os anéis. Alem do da Nevoa que voces já possuem, temos dois anéis restantes.
— Eu não vou aceitar um acordo assim, unilateral. — Kazehaya mostrou o seu anel e o da Nuvem entre os dedos, compreendendo o que seu amigo queria. — Cure a garota primeiro em troca dos anéis da Neve e da Nuvem.
Gokudera latiu pasmo: — O que?! Voces dois estão malucos!
Ela deu os dois anéis ao seu amigo. — Aqui, Takeshi. Assim, quando fizerem isso, confiaremos nos dois e trocaremos os anéis por Chrome.
— Esqueceram de quem tem o controle aqui?
— Tudo bem, Bel. De qualquer forma vamos sair empatados. — Afirmou.
— Tem ideia do que estão falando?! — Exclamou o Guardião da Tempestade.
— Não se aproximem, fique onde esta e role os anéis para cá.
— Assim que estiver pronto.
— Então...
Um...
Dois...
Tres!
O rapaz moreno jogou os anéis na direção dos dois membros da Varia, ele “acidentalmente” tropeçou em uma pedra.
Agora!
Em segundos, ele chutou sua espada, atingindo um ombro do príncipe, fazendo-o cair no chão estrondosamente. Isabella rapidamente plantou uma de suas botas italianas no peito de seu ex-familiar, Kazehaya pressionava sua arma contra seu pescoço. Já o Guardião da Chuva, apontava sua katana para o rosto do pequeno encapuzado.
— Nossas situações estão divertidas.
O louro gemia de dor, já Mammon, estava aparentemente calmo.
— Como imaginei...Eu estive de guarda o tempo inteiro. — Assim que pisaram no ginásio. Os quatro entraram no meu mundo. — Milhares de bebes encapuzados encheram o ginásio,
— T-tudo era uma ilusão?! — Gokudera arregalou os olhos.
— Agora, nossas situações estão divertidas novamente. — Zombou o louro ao posicionar a faca na garota, do outro lado da sala depois que sua ilusão desapareceu no ar. — Voltamos ao ponto inicial.
— Merda... — Xingou a ruiva. — Voces nunca mudam, desgraçados.
— Por que não desistem de uma vez? — Proferiu o louro, ignorando o comentário de sua antiga companheira.
— Se não, eu vou arrancar os membros dessa garota. — Dezenas de tentáculos saíram de seu capuz.
Chrome foi pressionada contra eles, que apertavam-lhe todo o seu corpo.
Kazehaya sentiu um dos tentáculos subir por seu braço, fazendo-a derrubar sua arma de ferro, rapidamente, fora imobilizada nas pernas, bracos e tronco. Ela estava praticamente sendo consumida por aqueles malditos tentáculos pegajosos. Tentou lutar contra eles, mas era tarde demais, um deles se enrolava em seu pescoço tirando seu ar gradualmente.
Minutos depois, ouviram um grito extremamente forte vindo do lado de fora, seguido de um estrondo.
— O que foi isso?! — Gokudera indagou.
— V-veio de fora! — Ela respondeu hesitante, enquanto ainda lutava.
O ginásio explodira, fazendo com que mais destroços caíssem sobre as ruínas.
— Voces estão bem? — A voz rouca do Guardião da Tempestade chiou.
— Sim! Obrigada por perguntar! — Agradeceu.
— Dokuro esta bem também! — Respondeu Yamamoto, tossindo.
— Eu também, obrigada por perguntarem. — Isabella cruzou os bracos, levantando-se com dificuldade e retirando pedras que caíram sobre ela.
— Ninguem liga se-...Espera, aquela explosão... Foi você? — O prateado olhou por cima do ombro para o boxeador, que aparentemente tinha quebrado a maioria dos ossos de sua mão.
— Bem, digamos que eu odeio ser o mais lerdo. — O rapaz mais velho sorriu.
Então, atraídos pelas chamas que vinham do centro da escola, subiram o mais rápido o possível. Kazehaya fez questão de levar o pequeno e inconsciente Lambo, carregando-o cuidadosamente em seus bracos enquanto corria.
— T-Tsuna-chan!
— Décimo!
Todos os seus olhares estavam preocupados com seu chefe, que se arrastava de maneira miserável, ensanguentado assim como seu rival, Xanxus deitado no chão de terra.
— Ushishi~. Parece que seus cães irão presenciar o nascimento do novo chefe... — Bel zombou, ao passar um anel nos dedos largos e compridos de seu líder, que tinha seus temidos olhos vermelhos semicerrados.
Quando o desejado objeto finalmente descansou em sua mão, chamas brilhantes se formaram, no anel e em um colar com todos os oito anéis.
— Isso...Isso! — Exclamou, ao se levantar majestosamente. — Finalmente, finalmente, é meu! Isso prova que eu sou o legitimo-...— Seu largo e doentio sorriso transformou-se em dor quando Xanxus cuspiu sangue, caindo junto de seu rival.
— O sangue de Xanxus foi...Rejeitado.
O líder da Varia tentou levantar-se novamente, arfando, confessou que nunca tivera quaisquer relação sanguínea com o Nono Chefe. Chocado, assim como todos ali, Tsuna tentou falar com o rapaz repleto de cicatrizes.
— Não me venha com pena, porra! Seu lixo!
— A traição que você sofreu...O ódio...Eu entendo tudo isso. — O menor ignorou suas ofensas, enquanto ambos arfavam, pulmões pedindo por mais e mais ar.
— Compreendo... — Disse um homem de cabelos longos e prateados, Squallo estava vivo, afinal, Yamamoto olhou seu ex-adversario coberto por bandagens e em uma cadeira de rodas, suas armas apontadas para sua cabeça, ao lado do doce Chefe dos Cavallone.
— Seu tubarão maldito...Nao fale como se entendesse tudo...
— Não! Eu entendo! — Squallo gritou em sua cadeira de rodas, proferindo tudo sobre a trágica infância miserável do líder da Varia, a ilusão de sua mãe de que seria um fruto bastardo do Nono Chefe e ela...Xanxus, fora adotado, e cresceu tanto quanto sua imprudência e arrogância como filho legitimo. Ninguem iria ousar desafia-lo, mas, um dia soube da verdade...E, sem uma relação sanguínea com a Vongola, ele jamais poderia se tornar o tão sonhado chefe. Meio ano depois daquilo, Squallo já era o seguidor de sua fúria, Xanxus queria reivindicar a Vongola. A família que, por ilusão, deveria ser sua. Afinal, levava ao caso do Berço.
— Voce traiu o Nono...E mesmo assim, ele não te matou...Não ligava para a conexão ou as leis, ele acreditou em você mais do que qualquer um...
Xanxus queria apenas que o louvassem, como chefe, ele cuspiu ainda mais sangue, o anel deslizou de seu dedo. — Se eu não posso te-lo, ninguém poderá! Matem-nos! Matem-nos!
— Xanxus-sama! — Uma das Cervello tentara impedir, tarde demais...
— Bem, voltando ao plano original...
— Como se eu fosse deixar! — O prateado afirmou.
— Por favor, eu não vou deixa-los se divertir sozinhos! — Isabella tinha um sorriso largo no rosto, excitada para ter a oportunidade de machucar sua antiga “família”.
— Voces já estão meio mortos, certo? Ushishi...Esse aqui também.
Kazehaya não pode deixar de sorrir pelo canto dos lábios ao ver sua cotovia aparecendo em meio ao caos. Seu sorriso logo se transformou em um cenho franzido e um olhar de desaprovação, quanta teimosia! Ele deveria estar descansando! Suspirou profundamente.
— Dessa vez, faremos o serviço direito. Ushishi, todos morrerão.
— Voces são cegos, dois contra sete, quem acha que tem a vantagem aqui? — Gokudera indagou, presunçoso.
— Por hora. Nosso esquadrão de 50 pessoas estará juntando-se a nos em breve.
— O que?! — Riohey ficara pasmo.
— E-esperem! Não podemos permitir que interfiram no m-...
— Acha que alguém liga?! — Bel zombou, transferindo um golpe mortal na mascarada.
Reborn, Collonello, Dino e os outros expectadores da luta tentaram fazer parte da batalha. Porem, mesmo que a prisão feita pelas Cervello estivesse fora de questão, Mammon armara tudo para que raios invisíveis estivessem em volta da cerca. Se tentassem escapar tanto do lado de fora quanto de dentro, seriam mortos.
— Merda! — Xingou o Guardião da Tempestade.
— Quer dizer que estamos sozinhos?! — Exclamou a Guardiã da Neve, que pela primeira vez ouvira a voz particularmente melancólica e suave de Chrome:
— Tem alguém vindo...?
Tres vultos apareceram subitamente no gramado de Namirori, um homem agaixado, sua aparência era similar a de um rato. Outro do trio tinha seus longos cabelos negros presos em um penteado tradicional, bem como a maquiagem que ele usava. E por ultimo, uma mulher de óculos de piloto e um lenço cobrindo-lhe seus cabelos claros. Os dois caíram quando o mais alto confessara que eram os únicos sobreviventes. E que um demônio se aproximava dali, caiu estrondosamente junto de seus companheiros quando uma enorme bola de demolição cruzou os ares.
O pesado objeto de chumbo caiu estrondosamente no chão.
— Aquele cara...
Kazehaya franziu o cenho, logo, reconheceu as duas marcas em seu rosto, ela havia encontrado-o na floresta perto de Kokuyo Land, junto de seu melhor amigo, embora ainda não soubesse seu nome.
— Q-quem é ele? — Rezou para que o homem ameaçador não se ofendesse com sua pergunta, direcionada ao prateado.
— Não se engane, Vongola...Eu não vim para ajudar. Eu vim para dizer obrigado. — Ele sorriu por cima do ombro, para Tsuna.
— L-Lancia-san!
— O homem mais temido do Norte da Italia...Lancia matou toda a sua família.
“Lancia, ele é forte...” Pensou a morena. “Ele sobreviveu, afinal, quem diria que iriamos precisar dele...”
— Agora que não esta sendo controlado...Nao tem mais duvidas. — Afirmou Reborn.
— Mesmo? — Zombou o louro. — Então eu irei acabar com isso já já, ushishi. — Ele lançou suas facas na direção de Tsuna, que foi rapidamente protegido por Yamamoto.
— Tudo bem, chefe? — Perguntou o prateado, preocupado com seu precioso Decimo.
— Estou bem...Obrigado. — Agradeceu, ainda no chão, exausto.
Kazehaya tinha um desejo de vingança pelo pequeno encapuzado.
— Isa, eu poderia cuidar de seu familiar, Mammon?— Indagou para a mulher ruiva.
— Cuide dele com a garota, Dokuro, e eu cuido de Bel. — Ela vestiu o soco-inglês nas mãos, um olhar feroz nos olhos verdes. — Eu nunca gostei de você, seu princepezinho maldito. — Andava em sua direção, quando o Guardião da Nuvem bloqueou seu caminho.
— Ei, temos negócios inacabados... — Olhou por cima do ombro, apertando os olhos. — Eu não compartilho minha presa com herbívoros, eu vou te morder assim que terminar com o outro.
A ruiva encarou-o irritada, revirando os olhos, de qualquer maneira, com ou sem mordidas, a Varia estava encurralada e não tinha muitas opções, o príncipe louro deixou cair suas armas, e Mammon pela primeira vez não parecia indiferente.
— Já chega pra mim. — Disse ele, erguendo as mãos defensivamente
— Chefe...Acho que estamos sem saída...
— Seus inúteis... — Resmungou Xanxus, deitado e ensanguentado. Ele havia perdido aquela guerra, embora jamais desistiria de ser o Decimo Chefe. Sua fúria continuaria queimando, mais forte, e ele faria de tudo para queimar aquela lei.
Agora o grupo de adolescentes, de fato, pertencia ao perigoso submundo.
— Xanxus-sama... — Uma das três mascaradas ajoelhou-se próxima do líder da Varia. — Agora que foi desqualificado, vai ter que abdicar a a posse dos anéis.
— Cervello...Voce estava...Certa...Satisfeita? — Disse entre respirações arfantes.
— Não temos desejos nem predizemos os acontecimentos. Foi decidido, seu papel nisso tudo, acabou.
A mulher de cabelos rosados tocara o rosto machucado e cheio de cicatrizes do moreno. — Obrigada por fazer sua parte. — Virou-lhe o rosto, agradecendo, ele ainda tinha fumaça saindo de suas roupas rasgadas.
— Com isso, a batalha dos anéis acabou. Iremos anunciar o resultado. — Afirmou. — Já que Xanxus-sama fora desqualificado, o ganhador da batalha pelo Céu é Sawada Tsunayoshi.
— Portanto, o próximo sucessor da Vongola é: Sawada Tsunayoshi e seus guardiões. — Sorriam vitoriosos, suspirando de alivio.
— Obrigada por ajudar-nos, Isa. — Kazehaya fez uma reverencia, educadamente, a sua ex-adversaria, então, caminhou em direção ao Presidente do Comitê Disciplinar.
Ela estava exausta demais para ficar na ponta dos pés e enlaçar seu pescoço, em vez disso, obrigou-o a ficar ao seu nível. Um palmo mais baixo, suas mãos agarram as costas da camisa branca e ensanguentada. Fechando os olhos, deu-lhe um selinho rápido nos lábios, pela vitória. Pego de surpresa pela súbita demonstração pública de afeto, sentiu seu corpo estremecer levemente, bravo. Hibari afastou-a de si, empurrando-a pelos ombros com um rubor praticamente invisível e o cenho franzido.
Kazehaya fitou-o durante alguns segundos, seria, então sua boca tornou-se tremula, tentando segurar um sorriso e gargalhou:
— T-tinha que ter v-visto sua cara! — Disse entre risadas, recuperando o folego.
— Cale a boca, Saitou.
— Você deveria estar descansando, Kyouya!
— Hmpf. — Urrou, suas mãos ainda pendentes em seus ombros forçaram-na a sentar-se no chão de terra, próximo a uma grade onde ela se apoiou. Corou loucamente quando Hibari ficou ao seu lado e pousou a cabeça em seu ombro direito:
— Se me acordar, eu vou te morder ate a morte.— Murmurou antes de adormecer, Kazehaya rezava para que seus amigos não fizessem barulho.
— Haya-chan se preocupa demais...— Suspirou Takeshi, não muito longe do casal.
— Hibari nem se machucou tanto assim. — Resmungou o prateado.
— Muito bem, agora, podemos ir para casa. — Sorriu Reborn.
Sua atenção foi redirecionada ao seu novo, e oficial, Decimo Chefe. Que agarrava-se a um amuleto da sorte, antes de cair no chão inconsciente.
— Tsuna!
— Chefe!
Naquela noite, tiveram de levar Tsuna para casa e cuidar dele. Fazendo o mínimo de barulho o possível para não acorda-lo. Depois daquilo, Takeshi acompanhou-a no percurso para sua casa. Tudo o que lembrara foi que desmaiou no sofá, sem se preocupar em mudar de roupa ou livrar-se do sangue que tinha nas roupas e fazer curativos. Também não percebeu que no dia seguinte, estava em sua cama graças ao Arcobaleno da Neve, que a carregou-a escada a cima com um sorriso orgulhoso durante todo o caminho.
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