I'll Protect You
28 Capitulo 27: Summons
Não sabia o que esperava de um lugar como o paraíso, mas com certeza não era um quarto de hospital. Cobertores grossos envolveram seu corpo no que pensou ser sua ultima noite viva. Mal se mexeu quando acordou, gemendo com o aparecimento de uma luz ofuscante.
— Saitou-san!
A voz profunda, surpresa de Romário ecoou de algum ponto da sala. Seguido de uma debandada de passos que correram para o lado de sua cama, transformando o silencio confortável de segundos antes em um caos. Tentou sentar-se para poder er suas visitas, mas, quando uma dor aguda esfaqueou seu ombro, caiu estrondosamente. Apertando os olhos, com um silvo.
— E-ei! Calma! — A doce voz que só poderia pertencer a Dino chiou. — Você está em estado critico! — Ele pressionou um botão para que a cama se movesse lentamente, dando tempo para que a morena se recuperasse da torção, ela teve que agarrar o lençol para que ele não caísse e mostrasse seu peito coberto por ataduras.
Ela tinha lagrimas de dor nos olhos, foi recebida pelos preocupados olhos de mel do Chefe dos Cavallone sentado ao seu lado. Com o braço bom, ela tentou retirar a mascara de oxigênio em volta de sua boca e nariz, mas o louro pegou seu pulso gentilmente.
— Ainda não. — Comentou. — Precisamos ter certeza de que seus pulmões não foram afetados.
Ela escorregou para seu ombro direito, uma textura áspera e grossa sobre o local em que fora baleada. Pressinou-o levemente, fazendo uma careta pela dor latejante.
Romário, ao lado do chefe, indagou suavemente. — Está doendo muito?
— Um pouco. — Mentira.
Sorriu em agradecimento quando o italiano injetou um analgésico no gotejamento, entretanto, o resto de seu bom-humor foi embora ao ver o louro com uma profunda carranca no rosto. Ele percebeu seu olhar, encarando-a aparentemente desapontado.
— Kazehaya...Tem ideia de quanto você estava perto de morrer? — Sua voz era pesada. — Estava tão fria quanto um cadáver, e levar um tiro foi cavar sua própria cova.
Dino percebera que ela mordia o lábio: Um pequeno gesto que o fez suavizar-se, embora ainda fosse autoritário.
— Não me leve a mal, Kazehaya, eu não estou bravo. E sim confuso... — Continuou. — Eles são a sua família, uma família que valeria a pena arriscar tudo para protege-los. Mas, se arriscar por causa de um inimigo? — Gemeu enquanto passava os dedos entre os fios louros. — É frustrante.
Assentiu, compreendendo o homem mais velho para quem hesitava em dar uma resposta clara. Na realidade, nem ela sabia por que fizera aquilo. Isabella tinha uma família também, cuja a única intenção era destruir a sua. Sua morte teria sido boa, um assassino a menos tentado mata-los.
— Naquela hora...Ela não era minha inimiga. — Começou. — Eramos iguais, estávamos lutando por nossas vidas. Mas... Eu tenho uma família que se preocupa comigo, enquanto ela tinha uma arma apontada para sua cabeça. — Levantou os olhos para o Cavallone. — Isabella não tinha ninguém e...Eu não poderia deixar ela morrer desse jeito. Sinto muito se causei muitos problemas, e se não aprovam, ou mesmo compreendem, eu não tenho nenhum arrependimento.
O louro escutara tudo silenciosamente, os olhos fechados e braços cruzados, encarou-a com uma expressão vazia, e se limitou a assentir suavemente. Ele suspirou antes de fitar a mais nova com uma expressão alegre.
“Ótimo. Dino voltou a ser ele mesmo.”
Fez uma reverencia e agradeceu: — Obrigada, Romário, e Dino.
— Ufa, eu não vou precisar dar uma bronca em alguém tão segura de si. — O louro apontou para a porta com o polegar. — Mas não tenho certeza se os outros vão ser fáceis de convencer...Principalmente aquele cara.
— Heh?
O corredor foi inundado pelo o que parecia ser uma manada de animais selvagens. A porta quase quebrou contra a parede quando quatro adolescentes entraram de uma so vez. Resultando em todos eles gemendo de dor no chão. Kazehaya arregalou os olhos, inclinando-se o máximo que seu corpo permitia.
— G-gente? Tudo bem?
— Parece que estamos bem? — Gokudera resmungou, usando a borda da cama para se levantar, esfregou as costas enquanto encarava o boxeador. — O que foi isso?! Voce poderia ter ferido alguém com essa sua cabeça enorme!
— Foi você que ficou preso ali! — Ryohei rugiu de volta ao se levantar.
— P-pessoal. — A voz estridente de Tsuna tentou acalma-los.
Yamamoto foi o ultimo a levantar-se, rindo como de costume. Engasgou horrorizada, ao ver que seu melhor amigo tinha faixas sobre o olho esquerdo, e ataduras no corpo.
Ele abriu a boca para tranquiliza-la, mas suas preocupações foram mais rápidas.
— Como se machucou? Você está bem? Quando fez isso?
O jogador de beisebol apenas poderia ficar em silencio quando as perguntas continuaram, ele se sentou na borda da cama, afundando-a com o peso adicional. Encarando-a, ele abriu um largo sorriso.
— Se consegue fazer tantas perguntas assim, deve estar se sentindo bem. — Pousou a mão sobre sua cabeça.
Era um ato reconfortante, embora Gokudera tenha latido: — Não seja tão carinhoso! — Apontou um dedo acusador. — Ela esta aqui por que salvou um Varia! Ela merece sentir a dor!
— Ei! Cicatrizes são medalhas de honra! — Ryohei gritou em defesa. — Alem disso, ela ganhou!
— Calma! — Tsuna obteve-se entre os dois. — Kazehaya está bem, não é isso que importa?
O prateado finalmente se calou, mas, sua ira apenas se camuflou. Encarou a garota em um tom frio, porem irritado. — Eu ainda não acredito que a Varia está sob nossos cuidados, deveríamos ter deixado aqueles psicopatas se virarem!
— Isabella sobreviveu? — Encarou a Tempestade. — Ela está bem?
— Se preocupa com ela? — Gokudera fez uma careta enojada.
Ignorando-o, desviou o olhar para Dino, o louro assentiu: — Sim, Isa está viva. Ela teve suas feridas tratadas.
— Ela esta bem? — Indagou.
— Tem apenas arranhões em comparação á você, mas ao longo destes últimos dias ela está tentando se recuperar de lesão dos seus ataques e do frio.
— U-últimos dias? — Uniu as sobrancelhas, confusa, deslizou os olhos sobre seu melhor amigo nervosamente. — Por quanto tempo eu fiquei inconsciente?
— Haya-chan, você dormiu por dois dias seguidos.
Yamamoto explicou que ela se recuperou lentamente da batalha do anel. E, que, foi ganha pelo recém declarado Guardião da Chuva ao seu lado. Entretanto, seu adversário Squalo havia sido devorado por um tubarão. E agora seu status era desconhecido.
Evitando pensar muito naquilo, ele contou o que acontecera na noite da batalha da Nevoa, ontem. Ela ficou confusa, já que seu guardião era Mukuro, mas ainda sim, não era ele. Quero dizer, ele usava uma garota chamada Chrome como receptáculo.
— Uau...
— Tudo bem, Saitou-san? Quer um pouco de chá?
— Não, não, tudo bem... — Massageou as têmporas para aliviar-se da carga de informações. — Foi uma responsabilidade muito grande, de repente...
— E não é tudo! — O boxeador sorriu. — Temos quatro anéis e eles três! Se Hibari vencer hoje, com certeza vamos ganhar!
Sentiu seu coração parar no peito, arregalando os olhos, sua visão turva. Os burburinhos do grupo desapareceram gradualmente, ate que tudo se resumia a um borrão de gestos. Seu corpo inteiro latejou de dor, apertando os olhos fechados.
Murmúrios de preocupação encheram a sala, sua mão foi tomada, e seus sentidos tornaram-se cegos a dor que sentia. Inclinando-se como uma boneca sem vida na cama do hospital. Não demorou muito para sentir a tão familiar escuridão consumindo-a.
Acordou com apenas o Cavallone ao seu lado. Perguntou se ele iria escolta-la ate a escola, mas, o chefe tinha outros planos.
— Como assim eu não posso assistir a partida de Kyouya? — Franziu a testa.
— Kazehaya, você não tem nenhuma condição de sair da cama essa noite. — Suspirou o loiro sentado a cadeira, com os braços cruzados. — Depois de hoje, parece que seu corpo não se recuperou completamente da luta, então, vai ficar aqui descansando.
— Mas, Dino, você sabe que isso é importante para a Vongola. Seria errado da minha parte ficar aqui em um momento de necessidade. — Argumentou, teimosamente tentando convencer o Cavallone. Mas, era tão convincente quanto uma criança. O loiro, ainda de braços cruzados tinha um olhar firme.
— Você já fez sua parte, Kazehaya, você lutou e ganhou. Agora, precisa descansar. Entendeu?
Ele girou os calcanhares para a porta, então a morena exclamou:
— Eu preciso estar lá!
A confissão súbita foi o suficiente para ter as atenções do Chefe dos Cavallone, antes que ele pudesse perguntar, ela continuou:
— Ele sempre esteve lá, não porque tinha, mas porque realmente queria me ajudar. Kyouya nunca me decepcionou! Eu não posso deixar ele ali...E-eu...Sou como a neve, ele a nuvem, certo? — Tomou uma respiração profunda. —Eu preciso dele, Dino, eu preciso saber se ele vai ficar bem.
Silenciosamente, o loiro ainda tinha um olhar severo. Sem um vislumbre de deixa-la sair.
Dino adiantou-se e pegou sua mão, inclinando-se no mesmo nível que a garota, suas feições estavam mais leves: — Kazehaya, não tem por que assistir a luta. Kyouya é um dos homens mais fortes que eu conheci, e ele só tem melhorado com o treinamento. — Afirmou. — E...bem, eu acho que o melhor jeito de alcançar uma nuvem, é mover-se através dela.
Sorriu levemente. — Confie em mim, você já fez tudo o que podia por Kyouya. — Caminhou para a porta. — Descanse.
— O que eu fiz? — Perguntou, fazendo-o parar novamente.
— Em primeiro lugar: Eu nunca achei que Kyouya seria capaz de beijar uma garota. E depois, acha mesmo que ele se preocupa com Gola Mosca? — Deu um ultimo sorriso antes de deslizar para fora e fechar a porta do quarto.
Pode ouvir um abafado “Fique de olho nela”, provavelmente, para um de seus subordinados. Ate que seus passos desapareceram no corredor, deixando-a sozinha contemplando suas palavras.
— Droga... — Murmurou, abrindo os olhos, fitando o mesmo teto branco pela centésima vez naquela noite. Passou a mão sobre a testa úmida de suor, sua franja desconfortavelmente colada ao rosto.
Sangue, perda e desespero. Era tudo que poderia pensar e nada no mundo faria aquilo sair de sua mente. Quando tentava dormir, via apenas um temido par de olhos vermelhos. E mesmo que ficasse acordada, sua aura ainda a contemplava no escuro.
As palavras de Dino não a tranquilizaram. Embora Gola Mosca não fosse um grande problema, agora, estava se preocupando com Xanxus, e sua presença era ainda mais assustadora.
“A luta vai começar daqui a pouco...”
Mordeu o lábio, o gosto metálico do sangue sequer foi uma distração para seus pensamentos.
Ela não poderia sair do hospital, então, era natural que imaginasse o pior. Se não visse o resultado logo, enlouqueceria com o pensamento de sua cotovia sendo caçada por Xanxus.
Fitou a janela do outro lado da sala. Sabia que ninguém estaria nos corredores a essa hora, a menos que houvesse uma emergência.
O Chefe dos Cavallone ordenou a um subordinado que a vigiasse, provavelmente, um novato. Alguem que era mais do que capaz de derrubar com o braço bom. O mais silenciosamente que podia, escorregou para fora das cobertas quentes e pousou no chão de azulejos.
Quase gritou de dor quando puxou para fora seu braço, que deveria estar se recuperando. Com algumas lagrimas nos olhos, apoiou-se no tubo de oxigênio e na cabeceira da cama antes que caísse no chão.
Quando finalmente sentiu suas pernas novamente, equilibrou-se na ponta dos pés e tomou passos cuidadosos. No meio do caminho, agarrou um vidro de cotonetes, preparando-o na mão esquerda, enquanto esperava o momento perfeito para atacar. Ao abrir a porta, lançou o objeto alto o suficiente para bater na cabeça de alguém. Fechando os olhos, já que sentia um pequeno remorso em fazer algo tão ruim a uma pessoa inocente.
O vidro quebrou com o impacto, o pior já tinha passado. Abriu lentamente os olhos para ver o estrago. Sua visão turva finalmente viu milhares de cacos de vidro pelo quarto e pelo corredor.
O que falta? Sua vítima.
Buscou freneticamente, pelo corredor, algum sinal de vida. Vazio, completamente vazio.
So então sentiu uma presença, ao girar os calcanhares, uma pancada na nuca foi o suficiente para que apagasse novamente.
–----
— Ei...Sério, acorda. Eu não vou te arrastar até aqui só para você dormir durante toda a maldita luta.
Acordou numa cadeira de rodas, o ar frio da noite tocando-a. Abrindo os olhos, encontrou o céu noturno estrelado e a silhueta de uma certa mulher ruiva.
Demorou um pouco para que o borrão vermelho se transformasse na Varia.
— I-Isabella...
Sentiu o nome estrangeiro sair de seus lábios, encontrar ela tentando não mata-la era uma situação inusitada.
Ela parecia calma ao inclinar-se na cerca de metal do telhado, uma blusa chiffon preta e com praticamente todos os botões dourados fechados, mostrando apenas um pouco acima de seu peito. A ruiva provavelmente mostraria muito mais pele se não fossem pelas ataduras grossas. Embora não tivesse nenhum corte nas pernas, ligeiramente cobertas por um short. A única coisa que deveria mante-la aquecida era um cigarro aceso entre o dedo médio e indicador.
Deu uma tragada e deixou um fluxo de fumaça de seus lábios. Esperou um pouco antes de perguntar ironicamente: — Que foi? Impressionada? Achou que eu morreria ao seu lado naquela noite?
— Quase isso, eu pensei que nunca iria ve-la outra vez.
— E nunca veria, se o Cavallone não quisesse alguém que sabe derrubar um idiota. — Seus olhos brilharam. — E parece que ele estava certo.
Sorriu em resposta. — Fico feliz que esteja bem.
— Por favor. — Zombou ao sobrar uma nuvem de fumaça. — Eu deveria ser a pessoa menos ferida ali.
Um pequeno silencio cortou o ar, antes que ela perguntasse.
— Então, como está? Eu sei, as balas de Xanxus são uma tortura no primeiro dia ou dois.
— Foi bom eu ter dormido por dois dias, nesse caso. — Murmurou. Desviou o olhar para suas bandagens. — Tudo bem?
— Eu já estive melhor. — Disse ao sacudir as cinzas de seu cigarro, as brasas vermelhas sumindo no ar da noite em segundos ao serem carregadas pela brisa.
— Algumas cicatrizes para você, e um par ao seu namorado, e o maldito chefe me expulsando da família. — Cuspiu e deu uma baforada com raiva. Ela suspirou o conteúdo e balançou a cabeça, escorregando desajeitamente para o chão. — Aquele idiota.
— Ele não é meu namorado... — Murmurou.
Encarou a ruiva, preocupada com sua condição. — Isa, se você se sentir mal, podemos voltar pro-...
— Oh, pra você sair de novo? Sim, certo. Sua família iria me matar por ter perdido sua garotinha.
— Então, por que estamos aqui?
— Cala a boca e aproveite o show.
Obedecendo, virou-se para frente. Além da cerca, o edifício alto era grande o suficiente para ver o parque, algumas casas com luzes acessas e parte da escola. Engoliu em seco ao ver uma silhueta rosada no campo de beisebol. Poderia ate mesmo ver pequenas pessoas que reconheceu como a Vongola e a Varia.
— Eu fiz um dos ilusionistas da Cervello abrir um espaço no escudo voltado para o hospital. — Disse Isabella, seus olhos verde-escuro voltados para o campo de batalha. — Acho que isso foi o mínimo que eu poderia fazer. Afinal, por causa de mim voce não esta lá agora...Ter uma família para apoiar deve ser ótimo, certo?
— Isa...Eu não sei como agradecer.
— Eu sei. Que tal começar por você parar de me chamar por um apelido e ficar quieta?
—...E você?
— E eu? — Respondeu com uma leve irritação na voz.
— Não quer ir ajudar sua família?
Isabella ficou encarando a escola, seus lábios presos em uma carranca, um olhar vazio para seus companheiros a alguns quilômetros.
— Eles não são minha “família”, não “mais”. — Cuspiu cada palavra ao puxar um cigarro do bolso. Enquanto o acendia, murmurou: — Eles nunca foram minha família, para começar, eram no máximo um lar adotivo de lunáticos.
Ela tinha um olhar estranhamente triste, Kazehaya iria tentar conforta-la, se não fosse por uma súbita explosão que trancou suas palavras na garganta e voltou-se rapidamente para a luta.
Uma chama vermelha brilhava, uma nuvem de fumaça rapidamente tomou conta de todo o campo de batalha.
— Que diabos!? — Engasgou em descrença, apertando-se contra a grade e obter uma vista melhor. Arregalou os olhos quando a explosão se dispersou. — Essa explosão...A armadura externa do Gola Mosca foi perfurada, junto com um motor! E-ele não poderia ter destruído o robô tão rápido...
— Não subestime ele quando se trata de lutar. — A ruiva deu-lhe um olhar chocado, em resposta, simplesmente deu de ombros. — Hibari faz o que quer, quando quer...E não hesita em se livrar de seus obstáculos.
— Nossa. — Isa cantarolava, levemente espantada e virou-se para olhar a arena. — Eu não sabia que ele seria tão sério sobre luta do anel.
— Ele não liga, na verdade, o que quer é... — Inconsciente, sua mão viajou ate seu ombro ferido, tentando acalmar a dor, tanto emocional tanto física.
A ruiva fitou-a, um sorriso se estendeu no seu rosto. — Então, atração principal nem chegou ainda....Talvez ele queira terminar o que começou.
— Eles brigaram?
— O garoto tentou. Ele estava completamente irritado depois que voce levou o tiro e foi atrás de Xanxus.
Ela sorriu mais ainda: — Se não fosse por voce quase morta, ele deu um soco ou dois no chefe. E optou por me espancar um pouco em vez de leva-la para o hospital em seus braços. Se eu não tivesse uma hemorragia interna, teria pensado que seu namorado era um cavalheiro.
Seu rosto estava queimando: — E-eu.. — Tentou negar, mas o olhar da ruiva não ajudou a ordenar suas palavras.
— Então, a reciproca é verdadeira...Isso vai ser interessante, afinal.
Ela felizmente desviou o olhar para a luta pendente entre o Presidente do Comite Disciplinar e o líder da Varia. — Aquele desgraçado deve estar irritado por que perdeu.
Tornou a observar os dois homens que dominavam seus pensamentos.
— Isabella, desde que você...perdeu. — A palavra parecia errada em dizer, mas mesmo assim continuou: — O que vai fazer agora?
— Eu não tenho pensado nisso. — Refletiu, sua expressão como sempre neutra. — Se pensar em voltar para a Varia, serei morta no mesmo instante. Provavelmente vou desaparecer como os outros membros que perderam.
Seus dedos apertaram o cigarro com força, fazendo com que o tabaco saísse do papel.
— I-Isa, eu quero que saiba que é bem-vinda na Vongola. — A ruiva afrouxou o aperto no tabaco.
— Olhe... — Insistiu sob seu silencio. — Eu sei que não começamos bem...Mas, quero que saiba que eu confio em Tsuna para ser o Décimo Chefe.
Seus orbes verdes tinham um olhar compreensivo. — Quero dizer, Tsuna realmente se importa com a família mais do que com qualquer coisa. Se ele pudesse escolher, nunca teria nos envolvido nessas lutas insanas. Mas quando viu que estávamos em perigo, ele lutou! Eu sei que posso confiar no Décimo por isso...Não importa o que, ele sempre vai estar lá. E se você precisar de uma família, ele vai te acolher.
Os olhos da ruiva eram verdes, porem conseguiam ser escuros e difíceis de ler qualquer emoção, mas, uma pequena estrela brilhou. Ela virou-se sem dizer nada, focando-se na escola. Seus orbes se arregalaram.
— Falando no diabo. — Seguiu a mira dos obscuros olhos verdes, vendo profundas chamas laranjas envolverem o campo.
As chamas alaranjadas eram mais fortes e profundas, e pareciam devorar parte da escola, incrivelmente poderosas.
“Da ultima vez, Tsuna apenas se envolveu em uma luta por que Lambo estava quase morrendo...”
Seu coração praticamente parou no peito: — Kyouya...
— Puta merda. — O cigarro foi esquecido, queimando enquanto a ruiva entretia-se. — O garoto é forte...Mas Xanxus não vai deixa-lo sair ileso, aquele maldito psicopata...Nada o irrita mais do que o pequeno Vongola.
As chamas cessaram, e a voz de Kazehaya quebrou o curto silencio:
— Tsuna-chan nunca vai estar sozinho, ele sempre vai ter sua família. Não importa o quanto o adversário seja grande.
Estendeu as mãos e agarrou a cerca que a separava de sua família. Lentamente se apoiou sobre suas pernas, que mal poderiam sustenta-la. Usando o metal para manter-se de pé sobre seu corpo dolorido. Pode ver silhuetas de seus amigos, contra a Varia. Uma ideia absurda passou por sua cabeça: Sentia como se estivesse na escola.
— A partir do momento em que eu conheci Tsu- não, o Décimo, dessa maneira, eu soube que ele seria um bom chefe.
Era mais de meia-noite quando finalmente soube o resultado do round da Nuvem.
Ambas iriam para seus quartos, quando um louro passou freneticamente pelo corredor com seus subordinados nos calcanhares. Romário deu-lhes a noticia sobre a horrível fonte de poder de Gola Mosca, e que agora deveriam salvar o Nono Chefe.
— Romário! — A morena agarrou seu pulso, indagando: — E os outros? Kyouya-..
— Eu sinto muito Saitou-san, mas eles realmente precisam de mim agora. — Desculpou-se antes de correr pelo corredor e desaparecer junto de pelo menos, mais dez subordinados.
Isa não reagiu ao incidente, seu rosto permanecia com a mesma expressão ao empurrar a morena calmamente.
Permaneceu assim durante todo o caminho para o quarto de Kazehaya. A ruiva estacionou-a ao lado da cabeceira. A Guardiã da Neve tentou argumentar que ela poderia se cuidar a partir dali, mas a ruiva já estava levantando-a no ar como um saco de farinha. Ela praticamente chorou de dor pelo movimento repentino, mas rapidamente já estava sendo aconchegada em meio a vários cobertores.
— Não se acostume. — Disse ela. — Só estou fazendo isso porque parecia que estava prestes a ter um ataque de ansiedade.
A morena sorriu para a mais velha: — Desculpe...Eu estou preocupada, só isso.
— Ah, por favor, como quer que eu te leve a sério? Você fez um discurso sobre o quão incrível é sua família. E agora? Precisa ser mais convincente. Se diz que tem fé neles, então, caramba, tenha fé em si. — Endireitou-se, suas mãos deixando os lençóis e se cruzando ao dar-lhe um olhar irritado. Kazehaya não soube como reagir e ficou sem fala. A ruiva deu um suspiro de frustração.
— Eu não suporto malditos hipócritas.
Suas palavras contundentes atingiram-na, todas as preocupações dela sumiram. Embora ela fosse áspera, Isabella sabia como lidar com aquilo.
Ela tentou agradecer, mas foi cortada antes que pudesse abrir a boca, provavelmente por que a mais velha se sentia desconfortável ao ser reconhecida por uma boa ação. — Se eles realmente se machucaram, a recepção se tornaria um inferno para o pessoal do hospital.
Com isso, girou sobre os calcanhares e desapareceu no corredor. Seria uma mentira dizer que estava tranquila depois daquilo. Durante toda a noite, em vez de dormir, ela teimosamente ouvia os barulhos do hospital. Atenta para qualquer emergência. Mal percebeu quando desmaiou de sono e dormiu tranquilamente.
–--
— Você foi baleado?
Era como uma tradição acordar com alguém ao seu lado, mas não esperava que o causador de tanto sofrimento aparecesse de noite, quando finalmente acordou. Ele tomara um lugar ao lado da cama, em silencio. Não apenas surpreendeu-a com sua presença, mas também a vantagem de Xanxus sobre ele era uma surpresa ainda maior, e mais assustadora.
— Calma. — Ordenou ao retirar suas mãos para longe, a procura da lesão, com puro aborrecimento. Encarou as ataduras em seu ombro. — Se preocupe consigo mesma.
— Eu tive tempo o suficiente para me recuperar, confie em mim. — Argumentou, lutando contra ele e desabotoar á força a camisa branca para ter uma visão melhor de seu peito bem formado. — Onde foi? É sério? Kyouya, por que você não veio pro hospital?
Seus pulsos foram agarrados por mãos muito maiores, erguendo uma sobrancelha, deslizou o olhar para seu amado par de orbes metálicos, que exigiam atenção.
Aquilo assegurou-a que todas as suas preocupações exageradas eram, de fato, exageradas. Ele estava bem, sentado a sua frente, talvez não nas melhores condições, mas estava vivo. E isso é tudo o que importa.
Vendo que ela agora estava em um estado sereno, soltou-a. A morena ternamente acariciou suas mechas negras, passando os dedos por sua franja, viajando para seu rosto, e arrumar o colarinho da camisa. Enrolou seus braços ao redor do pescoço do carnívoro abraçou-o contra si. Podia sentir sua respiração fazendo cocegas na clavícula, descansou o queixo acima dos cabelos macios. Dois braços em torno de sua cintura aproximaram-os. O calor do toque dele derreteu o frio que sentia desde sua luta. Afastou a franja, e plantou um beijo leve em sua testa.
— Estou feliz que esteja vivo, Kyouya. — Susurrou, não precisava de uma resposta. Tudo o que ele fez foi abraça-la com ainda mais força. Fechou os olhos, suspirando pelo raro momento de paz.
— Interrompi alguma coisa?
Olhou por cima do ombro e encarou a recém-chegada. A ruiva estava encostada no batente da porta com as sobrancelhas maliciosamente levantas. O carnívoro já estava reclinando-se em sua cadeira, com uma carranca estampada no rosto. Ele não parecia muito feliz em ver a ex-adversaria de sua companhia.
— Herbívoro, você tem três segundos para sair daqui antes que eu -...
Isabella revirou os olhos. — Morda-me mais tarde, pombinho. Agora precisamos ir para aquela escola estupida.
Ele estremeceu, resistindo ao impulso de espancar aquela mulher, que entregava um envelope marfim a morena. Era apenas um simples pedaço de papel com uma chama alaranjada acima, curtas frases escritas em italiano.
Encarou Isabella para ter algum esclarecimento, mas ela simplesmente deu de ombros: — Não tenho a mínima ideia por que eles nos convocaram, mas, sabendo que veio das Cervello, querem acabar esse massacre com estilo.
–--
Hibari e Kazehaya adentraram no grupo de guardiões confusos. As feições de seu chefe se iluminaram ao ver ambos, mas logo ficara perdida novamente.
— O que você quer? — Perguntou o Presidente do Comitê Disciplinar a Tsuna.
— Quer?
— As Cervello nos convocaram. — A garota explicou.
O Bom-em-Nada assentiu, reabrindo a boca, embora seu rosto tenha ficado pálido, apontando uma mulher ruiva logo atrás do grupo. — O que ela está fazendo aqui, então?!
Isabella estalou a língua aborrecida, finalmente, adentrando o grupo. Ela olhou os joelhos trêmulos do Decimo Chefe, e soltou uma gargalhada para Kazehaya: — É difícil acreditar que este é o garoto que você tanto confia! — Disse entre risadas.
Gokudera logo se pôs entre seu precioso chefe e a Varia, cara-a-cara com ela. — Como ousa insultar o Décimo assim?! Ele continua melhor do que aquela cois-....
Os olhos esverdeados de Isabella avaliaram o rosto enfurecido do prateado, e levantou uma sobrancelha, interrompendo-o. — Você é gay?
— O-O quê? — Gokudera saltou longe da menina, horrorizado. — Por que diabos-...
— Bem, pelo jeito que você estava defendendo seu pequeno namorado aqui...
— Do que você está falando?! — Praticamente gritou, seu rosto vermelho. Ele olhou por cima do ombro para a Neve e vociferou: — Por que ela está aqui? Só os Guardiões do Décimo foram convocados!
— Na verdade não. Emitimos uma convocação obrigatória para os Guardiões de ambas as famílias. — Uma das mascaradas interveio, a Varia logo atrás.
Nenhum deles tinha lutado, aparentemente, nos últimos dias. Tinham a pele lisa e sem um corte ou curativo, o único que não parecia muito bem era Mammon. Que era contido em uma gaiola, com dezenas de cadeados grossos.
No entanto, as duas Cervello trouxeram Lussuria amarrado em uma cama de hospital, apenas sua cabeça de fora.
— Sejam gentis comigo! — Implorou. — Eu estou mortalmente ferido!
A ruiva revirou os olhos, zombando. — Por favor, você mal quebrou um joelho.
— I-Isabella? — Engasgou, procurando pela mulher. Ele gritou entusiasmado. — Oh, minha Izzy, estou tão contente de ver que você está viva! —Exclamou. — Depois de ouvir que perdeu, eu achei que estivesse morta! Mas, meu docinho... — Deu um sorriso tremulo, verdadeiramente feliz e amoroso. — Venha dar a Mama Luss um grande abraço e um beijo~!
— Não. — Disse sem rodeios, ganhando um grito desanimado do outro lado.
— M-mas por que?! Não se preocupa com o homem que te ensinou com tanto amor e carinho?
Enquanto os dois brigavam entre si, o restante dos guardiões fitaram-os confusos. Era, insanamente estranho ouvir aquilo de dois assassinos profissionais.
Isabella fora aprendiz de Lussuria e provavelmente eles conviveram durante muito tempo um com o outro...
— Venha aqui agora, mochinha!
— Ou o quê? Você vai me sufocar na sua prisão de algodão?
...Mas parecia um relacionamento muito mais pessoal do que qualquer um dos membros da Varia teriam demonstrado. Bel alegremente insultou-a.
— É melhor se você desistir, Luss, sua cadela já escolheu o lado que quer lutar. — Trouxe um punho de facas brilhantes. — E ela vai morrer por isso também.
Como sempre, as duas rosadas interviram na discussão, pedindo silencio para poderem finalmente dar detalhes sobre a ultima rodada. Convocando inclusive Lambo e Lussuria, que estavam gravemente feridos.
— A razão pela qual nós convocamos todos os guardiões, é por que a batalha do Céu arriscara todos os sete anéis, bem como a vida de seus subordinados.
Fale com o autor