I'll Protect You
27 Capitulo 26: Paradise
Notas iniciais
[Noite seguinte]
— Acham que ela está pronta? — Tsuna indagou ao Guardião da Chuva, Reborn e Basil enquanto caminhavam para a escola, o ambiente estava pesado, como sempre antes de todas as batalhas contra a Varia. Todos se sentiam nervosos, apenas expressavam isso de maneiras diferentes.
— Provavelmente. — Respondeu o louro do grupo. — Kazehaya-dono foi treinada por Ren, ele é realmente muito forte.
— Entendo... — Assentiu o Décimo, mas lamentava-se interiormente. – “Kazehaya pode mesmo ganhar de alguém tao assustador?!”
— A Haya-chan não é uma pessoa fraca. — Yamamoto tinha um sorriso confiante. — Ela vai ganhar, eu sei que vai.
— Ela deve estar bem. — Disse o pequeno tutor sentado no ombro do mais alto. — Kazehaya vem treinado tanto quanto vocês e quer ganhar da Isabella. Tsuna, você é o chefe, deveria confiar nos seus subordinados.
— Eu não sou o chefe! — Argumentou, mas, quando chegaram perto da escola viu a silhueta da garota. – “Mas eu sou seu amigo...” — Sorriu. — “E, como amigo, eu vou acreditar nela.”
Seus longos cabelos castanhos estavam presos em um coque alto e apertado, deixando apenas a franja despendurada sobre sua testa. Um par de jeans ajustados, porem confortáveis, uma jaqueta preta que terminava na altura do busto e a camisa branca em corte “V”, o nome de uma banda estampada em preto e vermelho. E em suas mãos, sua arma de prata. Ao ouvir o som de passos, virou-se e observou seus amigos entrarem pelos portões.
— Oi, pessoal. — Cumprimentou como se fosse qualquer outra noite. — Obrigada por terem vindo.
— Eu não seria capaz de não te apoiar! —Yamamoto abraçou-a pelo lado gentilmente, e indagou ao “chefe”. — Certo?
— A-ah, Claro! — Disse Tsuna as pressas, depois acalmando sua voz — Já viu algum dos Varia, Kazehaya-chan?
Negou com a cabeça e respondeu. — Eu estava esperando que todos viessem antes de seguir para o refeitório. Sabem se Ryohei e Gokudera estão vindo?
Falando no diabo...Segundos depois o Guardiao do Sol cumprimentou-os, em seu típico estado extremo, e trouxera uma “múmia” junto dele.
— N-não, sou eu! — Veio um grito abafado e rouco das milhares de ataduras. Rasgou algumas delas, que apertavam seu rosto e Gokudera saiu. — Romario disse que esta é a forma que um homem é tratado!
— Gokudera, seus ferimentos estão bem? — A única garota do grupo indagou.
— Eles não são muito de falar. — Retrucou, mas assegurou-a depois que viu seu olhar irritado. — Parecem ruins, mas são apenas arranhões.
Por outro lado, Ryohei argumentou.
— Na verdade, foi dito que era para descansar, mas ele insistiu, então eu ajudei.
O prateado esbravejou:
— Voce não me ajudou em nada, cabeça de grama! — E, voltou-se para a morena com um sorriso determinado, silenciando seu riso. — Além disso, eu quero ver como essa luta vai acabar.
Yamamoto riu.
— Você é muito preocupado, hahaha.
— Você que é muito calmo! — Disparou.
Kazehaya sorriu, tentando acalma-los.
— Parem com isso, pessoal. A única que deveria estar brigando sou eu.
Seguiram para o refeitório, onde a rodada da Neve seria realizada. Não tinha certeza de que tipo de luta deveria esperar, sabendo que logo as Cervello estragariam seus planos falando sobre a configuração do campo de batalha.
Pisaram no chão polido e branco do refeitório, a única diferença era que portas e janelas estavam bloqueadas, enormes frestas saiam do chão, do teto e das paredes, duas enormes caixas penduradas no teto. As cadeiras e mesas foram removidas, junto da bancada onde vendiam alimentos. A Varia, do outro lado do campo e as Cervello em meio ao campo.
Embora apenas a presença de uma pessoa tenha alegrado a Guardiã da Neve.
— Kyouya? — Não conseguia segurar um sorriso ao vê-lo. — Eu não acredito que voce veio…
— Eu estou aqui em função da Comissão Disciplinar, já que vocês herbívoros estão mantendo lutas ilegais na minha escola. — Encarou-a, pensativo, o suficiente para que seu coração tornasse a acelerar.
— “Ele nunca vai admitir qualquer coisa, vai?” — Revirou os olhos para o carnívoro, apesar de sua atitude fria de sempre, disse gentilmente. — Obrigada.
— Hn.
— Voi! — Interrompeu Squalo, batendo o pé, impaciente. — Parem com essa baboseira, seus lixos! Começem essa porcaria logo!
— De fato. — Uma das mascaradas concordou, ela levantou a mão para o teto, onde duas salas pairavam. — Para essa luta, vamos pedir que os espectadores fiquem nessas caixas especializadas. Então, por favor, quem não for portador do anel da Neve, dirija-se ate as escadas e seus assentos.
— Kazehaya. — Reborn chamou sua atenção. — Temos um anel e eles tem três, essa batalha é muito importante.
— Eu sei. — Assentiu e respondeu ao tutor com um olhar determinado. — Eu vou fazer o meu melhor, eu não vou perder.
Ryohei chamou o grupo para o ritual que sempre faziam antes das lutas, entusiasmando, mas logo exclamou com raiva para Hibari, que já estava na metade das escadas.
— Onde pensa que esta indo, Hibari?!
— Me recuso a fazer parte de algo tao ridículo. — Respondeu friamente, e desapareceu na caixa.
— Vamos puxar Hibari pro circulo! Me ajudem!
— Isso provavelmente é impossível. — Proferiu o Braço Direito.
— É... — Yamamoto confirmou com uma risada nervosa.
— Ele vai nos bater. — Tsuna empalideceu com o pensamento.
— Eu também penso assim. — A garota acrescentou, conhecendo o carnívoro melhor do que quase todo mundo ali. Seus olhos cintilaram ao ver Basil e sugeriu. — Por que não substituímos Kyouya por Basil-kun?
A cor voltou ao rosto pálido do Decimo, que concordou alegremente. Formaram uma estrela, o Guardiao da Chuva com um braço envolvido em seus ombros, enquanto o menino estrangeiro estava gentilmente a esquerda, agarrado a uma cauda de vaca em sua mao.
— Kazehaya, fight!
— Fight! — Os adolescente exclamaram em coro.
Seu coração disparou ferozmente mais uma vez, ainda que pudesse pensar com clareza. Sentiu pela primeira vez o peso da responsabilidade daquela lutar sumir, graças a eles. Logo se dispersaram, Takeshi deu-lhe um ultimo sorriso de “boa sorte” antes de subir, seguido de seu chefe.
— Kazehaya-chan... — Encarava sua oponente. — Por favor, tenha cuidado, há algo sobre essa mulher que me preocupa.
— Obrigada, Tsuna. — Eram, realmente, muito raros os momentos íntimos como este entre ambos. Encarou os olhos castanhos e preocupados de Tsuna, ela tinha que ganhar aquela batalha, não importa o que.
Juntou-se ao resto de sua família, no pequeno “cinema” acima deles, sentando-se entre Yamamoto e Gokudera. Hibari estava encostado na parede, ao lado da porta de vidro grosso revestido com metal, provavelmente, o mais distante o possivel.
Segundos depois, as Cervello simultaneamente anunciaram:
— Para esta rodada, existem varias aberturas que revestem as paredes, filtrando o ar, e reduzem a temperatura na arena. Uma vez que é pelo Anel da Neve, a temperatura caira um grau a cada dois minutos. Não há limite de tempo.
— Isso não é bom. — Reborn afirmou.
— O quê? — Tsuna questionou. — Um grau não pode ser tão ruim, certo?
— Já que é tão estupido assim, eu vou explicar. A temperatura ambiente de um ser humano é em cerca, 37 graus. Hoje não esta quente, de modo que o ar do lado de fora fica agradável. Com o resfriamento, o ar vai ficar gélido depois de apenas cinco minutos. — O pequeno hitman disse em um tom sombrio. — Se sua temperatura ficar abaixo de 35 graus, ela pode ter uma hipotermia ou então seu corpo entrará em choque.
— Eh? M-mas, ninguém consegue terminar uma luta em cinco minutos! — Exclamou, estupefato.
— Vítima fraca, arena fácil. — Isa revirou os olhos, e sorriu. — Por que simplesmente não me entrega o anel?
Um sorriso malicioso desenhou-se em seus lábios, franzindo a testa determinada, encarou as Cervello.
— Podem, por favor, ir embora?
— Mostrando um poucos os dentes? — Se aproximou. — Olhe, eu nunca deixei um alvo vivo, por isso não acho que hoje não será seu dia de sorte .
— Engraçado, acho que já li isso em um biscoito da sorte. — Sorriu de maneira doce, e empurrando o ombro da ruiva com o bastão. — Eu não acredito nessas coisas estupidas, então, por que não fica longe de mim com essas palavras vazias?
A atmosfera não mudou depois que as vozes das duas mascaradas ecoaram, tornando-os mais ansiosos.
— Guardioes do Anel da Neve, Isabella versus. Saitou, Kazehaya... — Uma pequena e dramática pausa foi feita. — Comecem!
Com este pequeno anuncio, um fogo se acendeu no coração de Kazehaya. Pronto para explodir.
O primeiro movimento feito foi a mão de Isa viajando para o pescoço da morena, seu pulso bateu contra o metal ao se defender. Nos primeiros golpes, Kazehaya focou-se na defesa, tentando aprender mais sobre o inimigo.
Seu punho bateu fortemente contra sua arma, um inesperado barulho de metal contra metal ecoou próximo dela. Com a mao da ruiva ainda plantada ali, empurrou-a e chutou sua barriga, fazendo-na derrapar os saltos das botas italianas.
Os olhos verdes da mulher brilharam perigosamente, intrigada com sua forca inesperada. Correu em sua direção, como se isso tivesse animado-a, o punho cerrado levantado mais uma vez e cortando o ar. Uma surpresa ao notar sua perna subindo em um chute.
“Ela é rápida.” Observou.
Seu ritmo era de fato incrível. A coreografia foi passando, segundo após segundo. A morena sentia cada batida no aco vibrar em seus dedos. Recuou na esperança de obter algum terreno, mas a ruiva era muito ágil, encurralando-a. Estava começando a ficar sem tempo, sentiu algo como uma navalha gelada na pele pálida.
Muitos minutos deveriam ter se passado quando suas costas atingiram a superfície fria da parede lisa, um duro golpe em direção ao seu rosto. Deslizou no chão para evita-lo. Um brilho nas mãos de Isabella antes de colidir fortemente contra uma parede acima dela.
Negou-se a piscar quando viu seus fios de cabelo soltando-se do coque, uma cortina a frente, vendo exatamente o que ela suspeitava.
— O que é aquilo? — Tsuna encarou a mão da ruiva do nível superior.
— Soco-ingles. — O hitman informou. — Preservar e concentrar a força de um soco, direcionando-a para uma área menor e podendo fraturar os ossos da vitima.
A família voltou-se para a caixa vizinha quando ouviram a risada do Guardião da Tempestade, o louro casualmente apoiado contra o vidro. Um enorme sorriso em seus lábios, enquanto observava a morena rolar e desviar de mais um golpe, seus cabelos agora totalmente soltos e desarrumados.
— Ushishishi...Pobre Lussuria, vai perder a vitória de sua pequena aprendiz. — Murmurou.
Tsuna sentiu um aperto ao olhar as duas garotas. Estavam muito acima para ver qualquer tipo de detalhe útil. Mais um bloqueio, recuando, a ruiva já estocando sua arma branca contra a luz do lugar.
“Aquelas laminas...” Pensou, vendo perfeitamente as pontas do soco-ingles a poucos centímetros de seu rosto.
Aquele tipo de arma deveria ser suave. Deveria. Não pareciam tão medonhas, mas, em suas mãos eram uma terrível ameaça.
— Estou cansada disso. — Seus olhos ardiam chamas de irritação. — Se defender vai so prolongar sua morte.
Um pé invisível derrubou a morena, em torno de seu tornozelo. Perdeu totalmente o equilíbrio no chão escorregadio, ainda equilibrada com dificuldade sobre uma perna e sua arma. Aquela abertura breve foi o suficiente para que fosse golpeada e ser mandada duramente contra o chão.
Não foi um pouso suave, o frio penetrando profundamente em seu corpo a partir do momento em que tocou o chão. Imediatamente sentiu quatro cortes em sua perna, sangue escorrendo da calça rasgada com os dedos trêmulos.
— Kazehaya! — Ouviu a voz de seu chefe.
“Ignore.” Martelou em pensamentos, sentindo seus músculos afrouxando. A Guardiã da Neve apertou sua mandíbula anestesiada pelo ferro e se levantou.
O valioso tempo fora desperdiçado fazendo a mesma dança. Tinha quase se esquecido do motivo de estar ali, ate que viu a fina névoa formada por sua própria respiração pesada. Sentiu uma picada de frio no pescoço e nos braços. Não demorou ate que começasse a tremer ligeiramente.
Os olhos verdes da ruiva vagaram sobre a carne exposta, sorrindo com satisfação pelos arrepios em sua superfície.
— Alguns graus a menos te deixam deprimida? — Zombou.
Cerrou os dentes antes de acerta-la duramente. Teria espancado-a se não fosse pela dor latejante e aguda em sua panturrilha.
Outro corte em sua perna.
Rapidamente contra-atacou, afastando-se com suas pernas urticantes.
“Merda...” Amaldiçoou, sentindo a dor viajar por seu corpo com trilhas de sangue. — “É apenas um corte, não vai sentir nada daqui a pouco...”
Kazehaya fitou sua oponente, cerrando os dentes. Seus olhos ainda tinham um brilho de expectativa nos cortes. Pensando nisso, a dor tinha diminuído muito, quase invisível.
Ela não podia nem sentir.
Arregalou os olhos e tocou a área danificada, mas seus dedos estavam longe de serem sentidos no rosto. Quando pressionou a ferida, nenhuma dor se manifestou. Tinha algo muito errado ali, e o sorriso confiante de Isabella apenas confirmou sua teoria.
Seu rosto empalideceu mais ainda. “Ela não poderia ter...”
— Voi! Ela foi realmente estupida em não ver isso! — Squalo latiu, compartilhando um sorriso doente com seus companheiros. Do outro lado, olhares curiosos que foram respondidos por Mammon:
— Isabella é uma mestre em artes marciais, ela foi aprendiz de Lussuria. Alem disso, estudou por anos a medicina herbal. Naturalmente, pode combinar ervas e fazer um veneno mortal.
— Fitoterapia... — Os orbes do prateado se arregalaram ao se questionar. — Claro, como não vi isso antes?
— O que? — Perguntou seu precioso Decimo.
— Eu estava me perguntando por que aquela mulher estava sempre tocando os punhos, quando fugia dos ataques de Kazehaya. Provavelmente queria que ficasse mais lenta, mas quando viu que não adiantaria teve que improvisar. Ao longo de toda a luta Isabella aplicou algum entorpecente nas pontas do soco-ingles, esperando por uma chance de chegar nos pontos vitais de Kazehaya. — Seu olhar torno-se ainda mais duro. — O entorpecente vai congelar seus movimentos a qualquer minuto.
Um estrondo súbito chamou a atenção, Isa batia as palmas juntas em um ritmo lento, de costas para sua oponente.
— Parabens. — Ironizou. — Descobriram meus planos super-secretos de batalha, oh, vocês todos são verdadeiros gênios. — Revirou os olhos. — Mas, como ninguém vai-...
Um objeto foi lançado contra sua cabeça, mas a ruiva permanecia impertubavel a provocação. Olhou por cima do ombro, e encarou o tênis que batera nela e interrompendo-a. Um único par direito no chão, Seus olhos verdes, com um brilho divertido, encararam a culpada.
Kazehaya tinha uma meia branca tocando o chão gélido, seus olhos pesados, porem queimavam de determinação. Sorriu ao inclinar a cabeça para o lado.
— Acabou com seu discurso inútil?
A morena, rapidamente correu em sua direção, sua oponente completamente surpresa quando levou um duro golpe no rosto, fazendo-a se virar.
“Ela deveria estar inconsciente agora, que diabos?!
Poderia apenas ficar chocada ao ver a colegial se esforçando para arrastar a perna entorpecida pelo chão, sem o sapato. Ela fez um movimento simples e empurrou-a, o equilíbrio que tinha acabado de ganhar caindo junto com ela contra o piso.
O impacto foi severo para que a adrenalina corresse por suas veias. A temperatura fria disputando com sua determinação penetrando seu corpo. Seus dentes batiam, sua respiração ofegante saindo de seus lábios azulados tornava-se branca e desaparecia no ar. A morena tentou se equilibrar novamente, entretanto, sua perna dormente escorregou no chão e voltou duramente contra o chão.
A ruiva observou a cena com os braços cruzados.
— Tão desesperada pelo anel, patético. Aposto que no passado você também foi assim e perdeu, por que não desiste de uma vez?
Seus olhos tornaram-se uma janela fosca, fracamente pensou.
— “Tudo foi muito rápido...” — As botas italianas de Isa viraram um esboço vago. — “Eu não posso...Não dessa vez.”
Fechou os olhos, concentrando-se em acalmar seu coração e seus pensamentos frenéticos. Ela estava perdida, mas lembrou-se de sua ancora: Manter as respirações compassadas. Logo, tudo estava mais claro do que nunca. Ela não procurou por uma resposta, a resposta esteve lá o tempo todo.
Reabriu seus orbes, encarando a ruiva. E parecia que o mundo atendia a suas demandas, os movimentos de Isa estavam lentos. Equlibrou-se e se apoiou fortemente.
— Como você disse, passado. — Apontou sua arma na direção da oponente. — Eu não sou obrigada a viver nele. Mas, posso chutar seu traseiro no presente.
Viu facilmente aberturas que nunca percebera antes, e atacando-a com uma velocidade incrível. Ela de equivou de cada golpe com facilidade.
Os expectadores acima não poderiam acreditar, observando a incrível virada, Kazehaya dominava-a com rapidez. A ruiva continuava tão rápida quanto antes, mas, sua oponente sempre a surpreendia com um novo ataque.
— Ela é incrível. — O Guardião da Chuva afirmou.
— Agora, Kazehaya esta usando uma técnica criada pela Guardiã da Neve original. Ela tem a capacidade de ver e agir com mais precisão e força.
Um sorriso praticamente invisível se formou no rosto do rapaz moreno encostado contra o vidro, a distante Nuvem.
Um par de soco-ingles caiu ruidosamente no chão, nos dois lados opostos do refeitório. Isa estava no chão, sua mão tremula tocando uma enorme ferida que sua oponente fizera em seu rosto. Partes da corrente que sustentava um item precioso espalhadas no chão, encarou a morena, seus maiores medos entre os dedos de Kazehaya.
— E-ela conseguiu. — Disse a si mesma em um sussurro, Isabella tinha uma expressão vazia. Sua cabeça pendia com os ombros caídos.
A morena não pode deixar de sentir um pouco de simpatia por sua inimiga. Ela tentou andar, mas seu corpo tinha passado de seus limites. Sua visão se enfraqueceu, junto de suas pernas que cederam segundos depois. Caiu na frente de Isabella, tremendo. A ruiva sequer piscava, apenas encarava a garota que causara sua desgraça. Seus orbes avermelhados mal conseguiam encherga-la, mas, encontrou-se com um olhar nebuloso.
— Vão n-nos levar pro hospital...— Assegurou com uma voz fraca. — V-vai ficar tudo bem...
Deu um sorriso irônico em resposta.
— Essas feridas...Nada se compara ao que esta por vir... — Sua risada curta ecoou. — E pensando nisso...Eu provavelmente vou ir pro inferno.
— O-oque? — Ela mal podia enxergar direito, mas pode ver sentimentos se delineando naquela mulher fria.
As Cervello anunciaram as duas pequenas multidões.
— Saitou, Kazehaya é o vencedor da batalha pelo anel da Neve.
A Vongola aplaudiu e comemorou, Reborn tinha um presunçoso sorriso em seus pequenos lábios. Hibari assentiu, mas, não deixou a pequena vitória cega-lo do fato de que sua companhia estava em um estado critico. Agarrou a maçaneta da porta, dando-lhe uma volta rápida, entretanto, estava trancada.
— Vamos abrir as cabines quando a temperatura voltar ao normal, as duas vão ser levadas ao hospital imediatamente, então, não se preocupe. — Uma das mascaradas percebeu sua tentativa, do lado de fora.
Do outro lado, a mulher de cabelos rosados tinha um controle remoto preto em mãos, apenas esperando para ser acionado. Um barulho estrondoso de tiro veio ao objeto, que rapidamente explodiu em pedaços. Ela cambaleou para trás em choque, encarando o chefe da Varia.
— O qu-.. — Sua frase nunca fora terminada, quando a porta foi arremessada para fora das dobradiças grossas de ferro e bateu contra a Cervello. Sua parceira suspirou, como se aquilo acontecesse a toda hora.
— O-oque aconteceu?! — Tsuna gaguejou, saltando devido aos sons repentinos. Olhou para as duas entradas destruídas e sentiu seu coração parar quando viu um único homem de olhos vermelhos atravessando o vidro. Perguntou ao seu tutor. — P-por que e-ele esta ali?!
— Parece que o patrão estava ansioso por isso. — Bel riu, inclinando seu enorme sorriso sobre os cotovelos, a cabeça entre as mãos. — Vamos finalmente nos livrar dela, não é? Ushishi~!
— Ele nunca iria perder a oportunidade de atirar nela. — Squalo zombou, cruzando os braços.
Os passos de Xanxus ecoaram alto no piso gélido, parando no meio do caminho ao se deparar com Kazehaya caída. Ele empurrou seu corpo tremulo com uma expressão enojada com a ponta de seus sapatos italianos, a morena caiu ao lado de Isabella.
— Vocêe é fraca, lixo. — Cuspiu, a ruiva sequer reagiu a suas palavras enfurecidas. — Eu sabia que deveria ter te matado no primeiro dia em que te vi naquela escola. Elite? — Soltou uma gargalhada. — Hah!
— Acabe com isso de uma vez. — Ela exigiu.
Os olhos de Xanxus se estreitaram, agarrou um punhado de cabelos ruivos e rosnou. — Não me diga o que fazer!
Isa foi jogada para trás, aterrissando dolorosamente. Sentou-se novamente contra a parede branca do lugar, deprando-se com o revolver de seu chefe apontado para seu peito. Mas ela não estava com medo, sequer piscou. Encarou seus orbes avermelhados sem nenhuma expressão.
— Morra, lixo.
Tudo foi muito rápido. Um segundo quando a trava da arma foi retirada, outro passou quando seu dedo apertou o gatilho e um sorriso se formou no rosto de Xanxus. O som ensurdecedor da bala cortando o ar era mais tempo desperdiçado. Entretanto, no ultimo momento um corpo lancou-se sobre a ruiva, a bala atravessando seu corpo pálido. Isa, ao ouvir um choramingar do andar de cima voltou a realidade, uma morena sangrando em seus braços machucados.
Logo, reconheceu o rosto da mais nova. Seus olhos castanho-avermelhados escurecendo, inundados em lagrimas de dor que corriam sobre seus lábios azulados. A ruiva lhe exigir uma coisa:
— O que voce fez?!
Kazehaya sussurrou em respirações curtas, palavras quase inaudíveis sobre uma Cervello pedindo que o Chefe da Varia se retirasse, eo estilhaçar do vidro que fora quebrado por um familiar preocupado. Com os lábios trêmulos, ela respondeu:
— O certo. —E fechou os olhos, a cabeça pendia em seus ombros.
O mundo agitado a sua volta, finalmente, parou no tempo quando a morena fechou sua mente. Seus gritos se silenciaram, a dor se afastou e o tremor parou quando o frio que a congelava ate os ossos desapareceu. Substuido por um lugar mais quente.
Um lugar similar ao paraiso.
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