I'll Protect You

25 Capitulo 24: Rainy Day


No dia seguinte, a vizinhança parecia monocromática e particularmente triste.

O céu estava cinzento, coberto por uma extensa nuvem de chuva. O Sol não tinha aparecido até umas nove ou oito horas da manhã, e então escondeu-se novamente entre as nuvens. Kazehaya estava dando a quarta volta em torno da cidade, quando ouviu uma trovoada. Era primavera, e a cidade que deveria ser colorida e animada acabou transformando-se em uma paleta de tons cinzentos e pessoas andando apressadas com medo de pegar chuva.

— Acha que vai chover, bambina?

— Não tenho certeza... — Olhou para o céu enquanto dobrava uma esquina, Ren a alguns poucos metros a frente. — No início de maio nunca temos nenhuma tempestade, só uma chuva leve. — Uma carranca formou-se em seus lábios. — Eu realmente espero que não.

— Não gosta do frio, Guardiã da Neve? — Brincou, como sempre em suas ultimas corridas matinais, sempre tentando iluminar o mal-humor de sua aluna. Não era de se esperar que depois daquele dia desgastante ela ficasse sorridente ou de bom-humor. E Ren sabia disso, então, sempre surpreendeu-a com uma xícara de café antes de saírem de casa.

Era quase estranho ter alguém sorrindo para ela logo de manhã, em vez de tomar o café sozinha como sempre. Apesar do leve desconforto de Kazehaya, o Arcobaleno não parecia importar-se em estar num ambiente tão diferente do que estava acostumado. Sempre encontra-lo apoiado contra o balcão da cozinha fazendo café e sorrindo, cumprimentando-a ou já sentado a mesa e lendo o jornal. Geralmente nas colunas de esportes ou noticias internacionais.

“Provavelmente coisa da máfia.” — Raciocinou consigo mesma. Fazia sentido, já que seu tutor deveria viajar constantemente e qualquer lugar para ele deveria ser fácil de se habituar.

Voltou-se para a corrida, e achou Ren muito a frente dela e ganhando velocidade para o ultimo trecho antes da entrada no parque. Fazendo-a dobrar o esforço antes de bater seus pés contra a grama verde.

Quando finalmente chegou, suspirou aliviada. Sua respiração exausta misturada com o latejamento de suas pernas e a dor mental em pensar no próximo exercício de treinamento. Pela primeira vez desde o inicio daquele programa desejava poder correr mais, a maldita meditação não estava ajudando em nada. Da mesma maneira de ontem, sentou-se desajeitadamente na grama e cruzou as pernas, uma sobre a outra. Ren, que já estava de olhos fechados, indagou.

— Kazehaya, qual é a sua ancora?

— Ancora? — Ergueu uma sobrancelha para o estranho questionamento.

— Sua ancora. Alguma coisa que te mantem enraizada em seu próprio corpo quando estamos aqui.

Pensou um pouco sobre aquela pergunta, e humildemente deu de ombros. — Eu não sei...Alguma opção?

O estrangeiro assentiu. — Você poderia usar os sons ao seu redor...Percebe tudo o que esta ouvindo agora? — E sobre o silencio de sua aluna, ele sugeriu. — Ou seu próprio corpo, verificar como esta se sentindo... — Mais silencio, o Arcobaleno suspirou e abriu seus olhos, para encontrar um par da mesma cor encarando-o — Acho que você é como eu, bambina. Afinal de contas, usa sua própria respiração.

— Hn... — Franziu a testa.

Ren suspirou novamente, desfazendo sua postura e apoiando suas mãos nos ombros de Kazehaya. — Em primeiro lugar, deveria estar em uma posição confortável. Não muito tensa como esta agora, mas não tão relaxada, certo?

Tentou fazer conforme as instruções, uma delas um tanto que contraditória. Assentiu.

— Agora, eu quero que você feche os olhos. E não pense em nada.

Fechou os olhos pelas ordens de seu tutor. E não pensou em nada, até que aquele nada se transformou em algo, e puxou outro pensamento. Abriu a boca para rebater o quão inútil aquele exercício era. Entretanto, o Arcobaleno foi mais rápido.

— Pare, bambina, pensar sobre o passado-...

Tarde demais, o passado, aquela última e pequena palavra trouxe diversas memórias na mente da morena. O sorriso de sua mãe quando deixou-a no aeroporto. A van alaranjada estacionada atrás de uma Kiku com o mesmo sorriso triste, e olheiras abaixo de seus orbes azuis. A maldita risada sarcástica de Mukuro brincando em seus ouvidos, impotente e cansada nos braços do Ilusionista. O momento em que decidiu entrar na Vongola, e a noite em que passara no leito do demônio. Era difícil não pensar em nada com tanta coisa acontecendo.

— Isso não vai te levar em nada, Kazehaya, você não precisa morar no passado.

No mesmo instante, percebeu a grande diferença entre ela e o estrangeiro. Por muito tempo ela se preocupava com os sentimentos já inexistentes por Yamamoto, que haviam se perdido no tempo e comparando-os com o presente. A inutilidade de se sentar ao lado de Hibari, nocauteado depois do cruel episodio em Kokuyo Land. A solidão que não via que tinha sido trocada por novos amigos. O motivo de entrar para a máfia, afinal, não era seu “pai” desaparecido. Ela queria sorrir junto daquele grupo. Seus orbes se abriram, surpreendidos pelo olhar compreensivo de Ren.

— Você me enganou.

— Não, bambina, eu apenas abri seus olhos. Estava tão perturbada com as coisas que já se foram que não era capaz de se concentrar no agora. — O Arcobaleno se alinhou novamente, e deixou seus olhos se fecharem lentamente, enquanto recitava: — Não resida no passado, ou sonhe com o futuro. Apenas aproveite o presente.

Kazehaya pode, lentamente, deixar um sorriso aparecer em seus lábios pela primeira vez naquele dia cinzento.

–-

— Então... — Disse o moreno estrangeiro ao retirar seus sapatos. — Amanha é meu dia de lavar a louça, certo? Que tal fazer-lhe uma xícara de café antes de ir para a escola?

A palavra escola fez o coração de Kazehaya falhar e recomeçar a bater de maneira dramática, resmungando.

— E-eu me esqueci completamente da escola! — Virou-se, subindo a escada e atravessando seu quarto como um raio para arrumar sua mochila. — Prof. Nanase vai me matar se eu não entregar o trabalho de ciências! E Kyouya vai me por na detenção por não comparecer! Oh meu Deus, a prova de matemática...Eu estou tão-...

Do corredor, era possível ver o estado de pânico da garota. Ren segurava seu abdômen com uma mão, e a boca com sua outra tentando abafar seu riso. Ele percebeu-a entrando suavemente no corredor lançando-lhe um olhar irritado, acenou e tentou acalmar sua risada.

— D-Desculpe, melhor e-eu preparar o café, certo? — Deslizou para o corredor, sua risada ainda poderia ser ouvida por todo o caminho ate o andar inferior.

Revirou os olhos para o Arcobaleno, agora rindo-se de maneira abafada na cozinha. Tornou a colocar o uniforme da escola, esbarrando “acidentalmente” com o porta-retratos, ao ver a imagem do carnívoro, um sorriso permanente estampou-se em seu rosto.

–-

Afinal, era um bom dia para voltar para a escola. O Sol brilhava majestosamente no céu, apesar de que varias nuvens cinzentas o cobrissem hora ou outra, provavelmente choveria no dia seguinte ou a noite. Seu professor resmungou ao receber o trabalho atrasado, depois de perder um período fazendo a prova que deveria ter feito ontem. Ele não estava feliz com o simples “nada” que justificava as suas ausências, mas seu professor ficou orgulhoso que ao menos tivesse feito sua lição de casa.

Depois disso, no intervalo, um moreno familiar convidou-a para ir ao campo de beiseball. Algo que não poderia deixar passar mesmo se quisesse, o que não era o caso.

— Hm, Haya-chan?

— Sim? — Olhou por cima dos ombros, encarando Yamamoto. Ele estudava-a com cuidado, e inclinou-se para perto. Ela simplesmente sorriu com uma sobrancelha levantada. — O que foi?

— Tem algo diferente em você... — Murmurou, e descansou as costas da mão em sua testa. — Esta com febre?

A morena riu e empurrou-o. — Ora, seu...

— Não, eu estou falando sério! — Exasperou ao encarar sua amiga com severidade, seus orbes de chocolate brilhando. — Aconteceu alguma coisa? Por que você parece muito diferente…

— Meu treinamento foi bom...Acho que vou ficar mais forte do que você. — Brincou, e em seguida lançou ao maior um olhar particularmente ansioso. — Acha que é um diferente bom?

Yamamoto riu e jogou um braço em volta de seus ombros. — Claro! Além disso, parece melhor do que nunca.

— E por que isso? — indagou.

— Antes, quando eu ficava perto, você sempre pedia para parar ou ficava estranha. — Apontou sua proximidade. — Agora parece que esta tudo bem entre nos dois.

Nos dois. Aquela palavra tinha um espinho escondido em sua suave sentença. Olhou seu amigo, confusa com tantas perguntas que flutuavam em sua mente. De fato, nenhum rubor correu em seu rosto quando ele chegava mais perto, como na primeira vez em que se encontraram. A Chuva era uma daquelas pessoas que sempre viviam em um mundo alheio, mas ele sempre soube o que se passava na realidade. A morena estava muito preocupada com todas aquelas lutas acontecendo, procurando ficar mais e mais forte, ainda mais naquela segunda passagem com os Varia. Ela tinha que mudar. E agora, tinha conseguido ficar mais próxima de seu melhor amigo.

— Taka-k-... — Percebeu que não tinha mais nada a dizer. Ele já sabia.

— Vai ser sempre assim daqui pra frente, né? Vai ser sempre mais difícil ser como antes. Mas eu não quero perder tudo isso. — Deu um sorriso. — Não importa o que, tudo bem?

O moreno estendeu seu mindinho. Cantarolando, ela uniu seu dedo também. — Se quebrar a promessa, eu vou fazer você beber mil agulhas, Haya-chan. — Sorriu.

Ela não respondeu, apenas riu um pouco e mergulharam em um silencio agradável. Recostando-se no arame em torno do campo de beisebol, olhou um pouco para as nuvens. Ainda cinzentas cortando o céu azul. Quando ouviu um piar já tão familiar do telhado.

“Midori tanabiku.”

Um sorriso inconscientemente se desenhou no rosto da Neve, Yamamoto destacou-o antes dela mesma notar:

— Feliz que Hibari também conseguiu um dos anéis?

Piscou: — Na verdade, eu nem sabia que ele tinha alguma coisa a ver com isso.

— Oh? — Se inclinou nas grades e encarou-a. — Não me parece muito surpresa.

— Eu já desconfiava que quando alguma coisa ruim acontecesse, Hibari teria que se envolver e ser parte da família. Quer ele goste ou não. — Inclinou a cabeça para trás, contra os elos da cerca. — Talvez ele mude um pouco.

— Haha. Como, finalmente, ser nosso amigo?

— Auto lá, pequeno gafanhoto. — Brincou. — Hibari ainda precisa reconhecer que temos outros nomes além de “herbívoro”.

O restante do dia avançou lentamente, como sempre. Não que as aulas fossem chatas, mas infelizmente as nuvens de chuva cinzentas tinham, afinal, invadido completamente o céu. A escola estava inundada em um ambiente monótono. E Kazehaya, mesmo que tentasse acompanhar a leitura de classe no pequeno livro, sua mente estava em lugar totalmente diferente.

“Foi um erro grave me colocar no assento próximo da janela...” — Comentou em pensamentos para as gotas d’agua batendo suavemente no vidro da janela e deslizando sobre seu reflexo. Olhou para fora, uma árvore já familiar que lentamente fora preenchida pelo verde após o ultimo inverno. — “...Onde ele está?”

— Bakahaya. — Um silvo baixo chamou sua atenção, revirou os olhos e virou-se para o culpado, encarando-o com raiva. Entretanto, ouviu um murmúrio de Gokudera, o prateado usou o lápis para apontar um verso de seu livro:

— Leia, idiota.

Percebendo que a leitura em voz alta tinha chegado nela, resmungou um agradecimento ao Guardião da Tempestade “Obrigada, Bakadera.”. Encontrou o verso que ele tinha apontado, e uma trágica ironia junto, era um poema de amor. Fez uma pequena careta para as letras, e saltou em uma vacilante leitura, mas conseguiu deixar sua voz normal:

— D-doloroso é o amor

Que permanece desconhecido para a pessoa amada,

como um belo lírio que floresceu

na folhagem espessa

do campo no verão.

Sua voz morreu ao se acomodar novamente na cadeira, e então o aluno seguinte começou a ler. Mas era um ruído surdo aos ouvidos de Kazehaya.

Então, tentou varrer aqueles malditos pensamentos de sua mente ao voltar a assistir a chuva. Com certeza o destino estava rindo dela quando seu coração praticamente parou ao ver um louro ensanguentado no telhado vizinho. Talvez tenha morrido de tanto rir quando ela percebeu que estava na porta da sala, quando a aula recém tinha acabado.

— Saitou? — Seu professor cortou, encarando-a com uma sobrancelha erguida. — Onde pensa que vai? — Indagou, já na metade do corredor.

Paralisou a um passo de sair da sala, aquela situação era um icógnita para ela. Virou-se, metade da sala olhando-a curiosa. Desculpou-se, e se voltou para a porta.

— Encontrar essa flor estupida.

E então saiu correndo.

–-

Quando encontrou-se na escada que dava acesso ao telhado, parte do muro quebrado e com respingos de sangue, ouviu atentamente os grunhidos e o impacto de armas. Já que a chuva produzia um barulho estrondoso sob o telhado, saltando por causa dos raios repentinos. O único rival para todos aqueles sons eram os que vinham de seu próprio peito.

Os dois lutavam ferozmente. Os balanços das tonfas de Hibari cada vez mais próximas do belo –e machucado- rosto do italiano. Seus golpes sequer chegavam perto, Dino esquivando-se e atacando novamente. O demônio viu um espaço em aberto, usando isso ao seu favor, mas, foi bloqueado.

— Vai ter que fazer muito melhor, se quiser sonhar em vencer os Varia. — O Chefe dos Cavellone zombou, ao esquivar-se de um novo e rápido golpe, chicoteou os pés do moreno para faze-lo cair. Entretanto, ele evitou o chicote, e deu um duro golpe na cabeça do louro.

— Cale a boca. — Os dois continuaram com aquela valsa sangrenta, ao desviar-se um pouco da luta, Kazehaya reconheceu um homem em meio ao telhado.

“Não consigo acreditar que Dino é realmente capaz de se igualar a Kyouya...” Lembrou-se de Dino tropeçando em seus próprios pés e ferindo-se inúmeras vezes com sua própria arma. “Espere um minuto...Quem é aquele?

O Braço Direito do Cavallone estava calmamente assistindo ao show, ela não era a única a observar a luta, as mãos no bolso e a outra segurando um guarda-chuva. Estava em um ponto perfeito para ser observado por Dino, mas não perceberia se seu subordinado sumisse “acidentalmente”.

Usou todos os ruídos ao seu favor, como uma sombra deslizou sobre o telhado. Escondeu-se em um ponto cego para não ser vista por Romário ou Dino. Rapidamente, pressionou seu bastão contra o pescoço do subordinado, uma mão abafando seu grito de surpresa. O guarda-chuva bateu com um estrépido contra o chão, borbulhava pedindo ajuda, mas os dois rapazes estavam envoltos demais na luta para ouvi-lo.

O Braço Direito do Cavallone caiu no chão, inconsciente. Arrastou o corpo, cuidadosamente pois não queria fazer barulho, para um lugar em que não pegasse chuva. Entretanto, Dino reparou que seu subordinado não estava mais la. Um barulho estrondoso pelo golpe que acabara de receber.

— Kazehaya... — Sua surpresa foi substituída pelo pânico. — Onde esta Roma-...?

Hibari golpeou-o com as costas da tonfa contra o queixo do italiano, que tropeçou para tras surdamente. Desprevenido, não levantou rápido o suficiente e custou-lhe mais um golpe doloroso no rosto. Era possível ouvir o barulho da carne quando o moreno acertou seu estomago, o louro engasgou e caiu contra o chão, segurando a barriga. Fez uma careta de suplica para o mais novo parar, mas ele logo percebeu que não era mais sua presa.

Agora, sua presa era a garota que deveria estar na aula.

Caminhou a passos largos e rápidos em sua direção, agora que Dino estava fora de seu caminho. Levantando sua arma na altura de seu pescoço. Teve um segundo para reagir, e mesmo assim pode ver o aço passando por seu rosto, seu próprio reflexo sorrindo para ela. Liberando o Braço Diretio, foi capaz de usar sua arma para bloqueá-lo, deixando-a apenas a alguns centímetros dos olhos frios do Presidente do Comitê Disciplinar.

— O que pensa que esta fazendo aqui, Saitou. — Exigiu, pressionando-a com ainda mais força.

Cerrou os dentes, e retribuiu com a mesma pressão. — Eu estava apenas ajudando-o a não ser morto.

— Eu não preciso da sua ajuda.

— Diz o encharcado e ensanguentado!

Empurrou-a, fazendo suas costas colidirem com um estrondo a cerca do telhado. O demônio se inclinou um pouco para baixo, de forma que ficasse perfeitamente alinhado com a morena, foi então que soube que ele não iria tentar machuca-la. Sua pressão foi, aos poucos, se enfraquecendo. Ainda tinha o bastão posicionado contra o peito quando sentiu-o empurrar sua testa contra a sua. O encontro fez com que uma gota de chuva escorresse na ponte de seu nariz, a sensação de frescor trouxe-a de volta a Terra. Suas bochechas esquentaram fortemente, e virou o olhar para o lado. Ouviu um satisfeito “Hmph”, antes de girar em seus calcanhares.

— Tente não ficar no meu caminho nos próximos minutos. — Afirmou ao se afastar, deixando-a ver o Cavallone ainda no chão.

Dino deu um sorriso amarelo para seu aluno, e recuou. — K-Kyouya, não acha melhor continuar mais tarde? Parece que você esta com uma pequena vantagem -...

— A única vantagem que eu tenho é que sou mais forte do que você. — Os cantos de sua boca subiram junto da tonfa, ameaçadoramente. — Eu vou te morder ate a morte.

X

— ...

— ...

— Kyouya, acho que você foi ao mar e matou Dino lá.

— Diz a pessoa que tentou ajudar a mata-lo. — Rosnou.

Encarou o homem andando ao seu lado com uma pontada de raiva. — Isso foi antes de Romário vir dizer que você não pode matar seu tutor... — A palma de sua mão bateu contra sua testa. — Ugh, deveria ter me contado o que estava acontecendo.

— Hn.

Frustrada, resolveu parar de discutir com o demônio. Todavia, seria inútil. Mergulhando em um silencio habitual, exceto pela chuva batendo contra o guarda-chuva azul claro acima de ambos. Dino estava bem, mesmo depois de quase ser morto por Hibari, e optou por pegar um táxi pois não teria certeza se suas pernas iriam aguentar todo o caminho ate o hotel. Deixando os dois a caminhar de volta sob o pequeno espaço do guarda-chuva.

“Ele deve odiar isso.” Concluiu. “Hibari odeia contato humano...E demonstrar qualquer reciproca deve ser horrível para ele.”

A Guardiã da Neve queria ter certeza de que seus corpos nunca se encontrassem durante a caminhada, certificando-se de que seu ombro nunca encostasse no dele, mantendo uma certa distancia. Tal distancia teve um custo, não estava sendo totalmente coberta pelo guarda-chuva, então seu braço esquerdo estava tão encharcado quanto antes. A chuva também não ajudou, antes era apenas algo leve, mas depois se transformou em uma gélida tempestade. Estremeceu quando uma gota, que parecia mais gelo desceu lentamente por sua coluna. E achou ter ouvido um riso baixo, controlado.

Subitamente, sentiu o braço dele deslizando por trás de seus ombros, agarrando o molhado. Antes que pudesse abrir a boca e perguntar alguma coisa, já estava totalmente abaixo do guarda-chuva, pressionada contra seu lado. Para manter-se em uma distancia agradável dele, tinha de andar mais rápido. Murmurou um pequeno agradecimento.

Olhando para cima, o demônio parecia normal, como se nada estivesse acontecendo e continuou a caminhada com passos largos habituais para casa. Um sorriso se esboçou no rosto dela quando inclinou-se ligeiramente, sobre seu peito, era possível ouvir os baques claros de seu coração. Nesse momento, pela primeira vez, o Presidente do comitê Disciplinar parecia realmente um livro aberto.

O Guardião da Nuvem não era do tipo que latia seus sentimento em alto e bom som. Era do tipo que agia, então, em toda a realidade, por mais estranha que seja...

“Doloroso é o amor

Que permanece desconhecido para a pessoa amada,

como um belo lírio que floresceu

na folhagem espessa

do campo no verão.”

Ao lembrar-se do trecho, parou de andar, fazendo-o caminhar mais um pouco a frente antes de parar e encara-la com uma sobrancelha erguida:

— Kyouya, há algo que eu tenho que dizer.

— Hn. — Murmurou, desinteressado.

Decidiu não proferir, e sim agir. Aquelas três palavras são como facas, que geralmente deixam cicatrizes. Não queria desmoronar, não de novo, tinha medo.

Sem pensar duas vezes, andou rápido em sua direção e jogou seus braços enlaçando seu pescoço. Para isso, precisou ficar na ponta dos pés. Ele deixou seu orgulho cair no chão, fitando-a por alguns segundos, não tinha nenhuma queixa ou ameaça, e então aconteceu. Sentia suas mãos fazendo um leve carinho no meio de suas costas, enquanto ela brincava com seus cabelos negros e encharcados. A chuva ainda caia pesadamente, mas nenhum dos dois se importou quando finalmente pararam. Ainda em seus braços, o rosto apoiado em seu peito. Ela não queria solta-lo. Pode sentir o perfume que usava, uma fragrância leve de cerejeira.


E então, ele puxou seu braço, com a força de quem sabe o que é amar, e encostou seu rosto no dela. Seus lábios se tocaram com mais intensidade, a cada movimento, ela estava mais próxima. O moreno tinha, por menos que pareça, um certo cuidado e um agradável gosto de chá verde. E a Guardiã da Neve, delicada, tinha um gosto leve de chocolate. Logo entreabriu a boca, explorando-a e consumindo-a, queria poder continuar se não fosse a inconveniente falta de ar.

Notas finais
Final amplo: — Ohohoho! Kyouya beija bem, vejam, ela esta ficando sem ar! — Comentou um certo italiano, atrás de alguns arbustos na chuva, para os outros dois que se escondiam ali também. — Por que voce nos arrastou para cá, Dino? — Tsuna suspirou. — Che, parece um desentupidor na boca dela. — O prateado zombou, revirando os olhos e cruzando os braços. ------- Finalmente aconteceu! Jesus, não consigo acreditar que em um ou dois capítulos irei terminar a fanfic...Bem, muito obg a tds vcs que me apoiaram ate agora, mandando reviews, favoritando, etc...-3- O poema não pertence a mim. Retirei-o do "Manyoshu" uma coletânea de canções e poemas japa... Ate loguinho! E não se esqueciam de comentar ou me criticar!