I'll Protect You
24 Capitulo 23: Pesante Fardello
Notas iniciais
Professor particular?
Mhm, na verdade, eu não sou lá muito tradicionalista. Não para um Arcobaleno, então, fique a vontade para me chamar do que quiser. Kazehaya balançou a cabeça, ao beber seu novo café favorito. Surpresa com a palavra Arcobaleno saindo dos lábios de Ren.
Arcobaleno? Assim como Reborn-san e Colonello? Por que voce não é um bebe, assim como eles? O Arcobaleno fôra cortês ao pagar sua bebida e concordando em se encontrar com a morena, como se tivesse esquecido completamente o dia anterior.
Bem eu assim como uma colega minha, sou um Arcobaleno incompleto. Então eu posso assumir uma forma adulta ... Explicou, pensativo. Kazehaya assentiu, franzindo ligeiramente a testa e bebericando outra vez do café.
Ren-san? Pousou a xicara no pires, alguns minutos depois.
Hm?
Por que esta sendo tão bom comigo?
Ah. Murmurou, enquanto cruzava os braços sobre o peito. Quer dizer, depois de ontem? Bem, para ser honesto, eu deveria ter esperado aquela reação vinda de ti.
Deveria? Olhou confusa, por um segundo, poderia jurar ter visto algo parecido com pânico e carinho em seus olhos, mas descartou suas hipóteses quando ele respondeu suavemente.
De fato, voce é muito parecida com a Guardiã da Neve da primeira geração, em muitos aspectos. Ele riu. Inclusive sendo educada. Me chame de Ren, por favor. Não tem necessidade em ser formal, querida.
Então me chame apenas de Kazehaya. Ele sorriu calorosamente. Aquele sorriso era a única coisa que fazia a morena abaixar a guarda para o homem estrangeiro, sua presença tornava-se mais agradável a cada minuto. Como se os dois fossem antigos conhecidos. Ele pigarreou, e fez Kazehaya voltar ao mundo real.
Desculpe mudar de assunto, mas você não tem um quarto livre em casa agora?
Por quê?
Eu estou ficando sem dinheiro, sabe? E ficar no hotel não tem me ajudado muito... Ren suspirou. Seria conveniente se eu pudesse ficar em algum lugar de graça.
Bem...Tem um quarto sim. Falou mordendo o lábio inferior. Imaginou o comodo abandonado no corredor, intocado desde sua ultima visita, era realmente um desperdício de espaço. Olhou de volta para Ren e fez uma proposta.
A única coisa que eu quero em troca é que me ensine tudo o que puder em dez dias, e que me faça forte o suficiente para enfrentar a Varia. Estendeu sua mão. Negocio fechado?
Uma palma muito maior apertou-a firmemente.
Fechado.
-
Ao chegar na porta de casa, Ren tomou um momento para ficar admirado. Uau. Melhor do que um hotel!
Não é tão grande assim. Kazehaya comentou ao abrir a porta e revelar a casa para o Arcobaleno. Deixando-o passar antes de trancar a porta logo atrás. Bem-vindo a residência Saitou. Por favor, sinta-se em casa.
Ah. Girou em seus calcanhares. Tudo bem se eu andar com sapatos? Apontou para o couro preto italiano.
Hum, sim. Arranhou as bochechas com o dedo indicador. Eu não tenho tido muita companhia, então não me lembro de onde eu coloquei os chinelos para hospedes. Sinto muito.
Ora, pare de se desculpar. Ele riu e deu um tapinha em sua cabeça. Não faz mal, é bom o suficiente para ficar em uma casa encantadora como essa. Entao, assentiu e começou a indicar todos os quartos para Ren.
Aqui é a sala de estar, tem uma TV e alguns jogos eletrônicos, um sofá e um jogo de poltronas. Ali fica a cozinha. E no andar de cima ficam meu quarto, a casa de banho e uma suíte. Estava na metade das escadas quando percebeu que o Arcobaleno se distraia com as molduras na parede.
Sua mãe? Apontou para uma fotografia da loura e de Kazehaya com uns cinco anos, oh, aquela viagem para a Europa no inverno...
Sim. Sorriu ao olhar a imagem. Ela está viajando a trabalho agora, e essa deve ser a única maneira de ve-la.
O Arcobaleno não respondeu, apenas fitando com seus orbes iguais aos de Kazehaya, carinhosamente talvez, a mulher loura.
Bonita, não? Ao som da risada da menina, ele se virou, um pequeno rubor em suas bochechas. Riu novamente, um pouco mais alto. Tudo bem, muita gente concorda. Ser bonita é o que deu um emprego para ela.
Acho que sim... Concordou. No corredor do andar de cima, apontou o polegar para tras, indicou o quarto.
Esse é o meu quarto. Apontou para o final do corredor. Ali a casa de banho.
Então, foi até as portas francesas e agarrou a maçaneta dourada que não era tocada em anos. Com um rangido firme, puxou a porta e mostrou o quarto principal. Era o maior comodo da casa, e parecia certo de tal magnetude apenas se a loura o usasse. Cada peça era uma madeira vermelha e escura, que sempre pareciam polidos e bem limpos. A roupa de cama em tons creme, igualmente ao sofá do lado de uma estante de livros. Sua vaidade ficava do outro lado da sala, seus frascos de perfume e maquiagem tinham ido junto da loura, deixando apenas uma penteadeira de superfície limpa. A cama no meio do quarto era enorme, sua estrutura quase tocando o teto e cortinas creme e bege suspensas sobre a cama king size. Pelo menos era esse o tamanho aos olhos de Kazehaya, já que quando era mais nova dormia ali junto da mãe. Do lado do sofá e estante, mais duas portas brancas, uma para o closet vazio — e outra para a casa de banho. Ren parecia mais do que satisfeito com sua morada temporária, a menina deixou-o com seu novo quarto.
Oh, Kazehaya. Ren chamou. Não temos muito tempo, então, prepare-se para o treinamento de hoje. Vista algo confortável, ok?
Assentiu e foi para seu quarto, tornando a invadir seu armário. Enquanto tirava seu uniforme, a mente da Neve voltou-se para a escola, não tinha comparecido por dois dias seguidos. Talvez ele tenha reparado..?
Ficou de joelhos na frente do armário e abriu a gaveta. Tinha separado dezenas de roupas que não lhe serviam mais ali, e estava guardando-as para um dia leva-las para o centro de desabrigados. Cavou sobre uma camada de calcas jeans e vestidos ate que seus dedos encontraram-se com a borda de um quadro. Trouxe o porta-retratos para o colo, um sorriso ruborizado se abriu no rosto de Kazehaya quando viu a imagem.
Reborn tinha remodelado sua casa, e ele tinha algumas fotos antigas, juntamente com aleatórios novos momentos de sua vida. Tornou-se uma surpresa encontrar-se com uma nova memória, como uma caça ao tesouro. Mas quando viu esta imagem pendurada no corredor, imediatamente retirou-a da parede, depois de quase ter um ataque cardíaco.
Era o dia em que ela estava no hospital, em um certo quarto da ala leste, junto de Hibari. O demônio ainda estava doente, e estava em seu leito olhando para a morena, que tinha tomado confortavelmente um lugar ao lado de suas pernas. Olhando para tras e sorrindo, suas mãos unidas descansando no lençol branco do hospital.
Seu polegar esfregava ternamente a superfície de vidro. Poderia lembrar-se de tudo nitidamente, o calor de sua mao, o cheiro fraco de flores de cerejeira flutuando no quarto. E claro, sua lembrança mais preciosa, assistir aquele rosto adormecido em suas constantes viagens para visita-lo. Esperando que ele acordasse apenas para poder rever os orbes frios olhando novamente para Kazehaya, a forma que seu coração constantemente acelerava.
Era estranho ter esses sentimentos por Hibari, que nunca pareceu sentir alguma coisa. Obviamente, por que ele nunca devolveria-os em alto e bom som. Em vez disso, a maneira que ele dominou sua mão sobre a outra, ou quando o demônio sempre a fazia voltar todos os dias e ameaçando-a de detenção se não o fizesse. Um espetáculo impar de carinho, mas parecia tudo tão certo para Kazehaya quando estava com o Presidente do Comite Disciplinar Uma batida na porta a fez pular e quase deixar o porta-retratos cair no chão.
S-sim?
Eu vou me alongar no quintal, ok?
Ok...E-eu já estou descendo! Apressadamente recolocou a fotografia sob os montes de roupas e fechou a gaveta.
Vestiu-se com uma regata branca e um par de calcas de moletom. Agarrando seu bastao antes de sair correndo escada abaixo. No caminho para a porta do quintal, ajeitou seu cabelo em um coque apertado para que seus cabelos não a incomodassem.
Ren estava no meio do pátio, se alongando. Seus pés pararam de andar quando finalmente ficou na frente da porta, e seus olhos se depararam com o estrangeiro. Era alto, mais de um palmo mais alto do que a morena. Ele tinha os músculos nos lugares certos, a pele de porcelana contrastava com seu cabelo negro e encaracolado. Sem seu longo sobretudo branco, finalmente pode ver um outro lado daquele homem sofisticado. Ele usava uma regata preta, não muito apertada, o suficiente para mostrar sua estatura magra e bem construída. Seus bracos eram longos, com pequenas linhas que se delineavam ate um par de luvas sem dedos de suas mãos fortes. O ranger da porta de correr chamou-lhe a atenção.
Pronta? Perguntou arqueando uma sobrancelha.
Pulou os degraus e segurou firmemente seu bastao em mãos.
Diga-me o que fazer e vamos começar.
Vamos lutar um pouco, preciso ver o que voce tem que aprender. Encarou-a para ver se tinha entendido, como resposta a morena simplesmente balançou sua arma em torno de si mesma, apontando diretamente para seu tutor. Ren sorriu, deslizando seus pes de forma similar e apontando uma vara de bambu para a aluna.
A grama do jardim cintilava contra a luz do Sol, e tremulou abaixo dos pés do tutor e da futura guardiã, a maioria das pessoas não se importava em ficar olhando a paisagem de Namimori pela janela de casa, e a rua em que Kazehaya morava estava praticamente vazia.
Mesmo em uma bela tarde, um tanto quente, um cheiro agradável vinha das flores que cultivava no jardim. Ren disparou como um gato, acertando diretamente o meio da arma de Kazehaya. O choque fez com que seus dedos ficassem meio vermelhos, embora seus nós ainda estivessem brancos pela forca que fez para bloquea-lo. Correu a ponta do bastão para seu estomago, mas foi rapidamente desviado do alvo pelo bambu.
Cerrou os dentes, frustada. Estava tendo muitos problemas bloqueando cada um dos ataques rápidos e poderosos do Arcobaleno. Ele rapidamente mudou-se de posição e deu outra estocada com sua arma, seus pulsos se torciam dolorosamente a cada novo ataque. A cada batida sentia seu corpo ainda mais dolorido. Em um segundo, suas mãos escorregadias e úmidas de suor perderam o domínio, deixando um amplo espaço aberto no rosto, acabou inclinando-se para tras e fechando os olhos esperando o farfalhar suave da arma de Ren passando acima de seu nariz.
Como ele faz tudo isso? O moreno era capaz de prever seu próximo ataque e deixa-la indefesa, usando uma investida pela direita para imobiliza-la pelas costas e pressionar a si mesmo e o bambu contra seu pescoço. A morena rapidamente olhou ao seu redor, andando para tras fez seu atacante colidir contra o muro de concreto e liberando-a daquela pressão desconfortável contra sua traqueia. Mas, em vez de obter sucesso ao acerta-lo na cabeça, ele se agachou. A madeira dura contra sua perna direita e, sentindo a dor viajando por seu corpo apenas ao cair estrondosamente no chão. Um segundo depois, Ren estava bem acima dela, o bambu sendo pressionado contra o pescoço. O local latejava de dor, sua respiração voou para fora de seus pulmões e deu um gemido abafado de dor. O Arcobaleno olhou para a cicatriz, quase invisível, naquela região, resultado da luta contra Mukuro. Logo removeu a arma, fazendo sua aluna suspirar aliviada e olhar tonta com seus orbes castanho-avermelhados para o céu.
Ren inclinou-se, com as mãos apoiadas sobre os joelhos. Sua cabeça inclinada para o lado invadiu o olhar de Kazehaya
Você está bem?
Tudo...Tudo aconteceu tão rápido... Ela piscou lentamente, ainda retomando a consciência. Como fez isso?
Hah, não há necessidade em me lisonjear querida. Estendeu uma mão aberta para sua aluna. Eu comecei exatamente desse jeito, agora, que tal se levantar?
X
Deitou-se no sofá, tentando seu melhor para não parecer tão dolorida quanto realmente estava. Sua única ferida era um corte na perna, e a marca que Ren deixara, ligeiramente acima da cicatriz quase invisível. Nunca se importou que vissem a cicatriz, contanto que ela não olhasse a terrível marca permanente e recordasse daquela luta sangrenta.
Sentiu um peso acima de seu ombro esquerdo, encostado no sofá creme da sala, Ren ofereceu uma bolsa de gelo com sua mão livre. Susurrou um agradecimento ao estrangeiro, e colocou-a contra a ferida na perna. O Arcobaleno tomou um lugar em uma das duas poltronas da sala, também creme, com um sorriso no rosto.
Eu tenho que admitir, esperava algo pior.
Pior como o que? Deixar-me em coma?
Como não ser capaz de se defender. Inclinou-se para trás, observando a contra-capa de um CD, recém tirada da pilha em que Kazehaya organizava suas preferidas. Musica clássica...? Enfim, Descansou-o novamente em meio a vários discos. Voce tem muito potencial, acredite, tem bons reflexos e é bem rápida. Mas, não pode manter a rapidez e a força por muito tempo antes de se cansar ou desistir. Sua resistência não é muito boa, e sua técnica precisa de reforço também.
Tecnica tão fraca~... Completamente fraca~! O riso provocativo de Mukuro invadiu novamente a Neve, fazendo-a apertar com força a bolsa cheia de gelo e fazendo os nos de seus dedos ficarem brancos.
Vai me ajudar, certo? Apertou um pouco mais a bolsa azul, um tom de raiva em sua voz.
No devido tempo, bambina. Hoje foi apenas um começo, uma amostra das habilidades de alguém mais forte.
Mhm... Concordou, ainda nas penetrantes palavras do Ilusionista com uma carranca nos lábios. Sem o conhecimento de Kazehaya, o estrangeiro colocou-se de pé e caminhou até o sofá inclinando-se para ficar na mesma altura que ela.
Hey... Ele sorriu gentilmente, tirando-a de seus pensamentos, apoiou uma mão calorosa em seu joelho. Eu vou fazer voce ficar forte, mesmo que seja a ultima coisa que eu faça. Entendeu?
Sabia que poderia confiar em Ren, apenas ao ver aquele largo sorriso e seus olhos. Era como se um pedaço de céu avermelhado e cheio de estrelas a fitasse, e, aquelas estrelas tinham um ar sincero. Respondeu com um sorriso e assentiu, seu tutor era uma garantia de que tudo ficaria bem e ela e sua famiglia ririam novamente. Juntos.
Dia seguinte
Acorde, Kazehaya. Disse o Arcobaleno para uma garota adormecida, de bruços, abraçando seu travesseiro com um sorriso leve e discreto no rosto.
E-eh...? A morena levantou a cabeça, abrindo seus olhos preguiçosamente, e recebendo um sorriso de seu novo hospede.
Ah, que bom, você é bem fácil de acordar! Vai tornar algumas coisas fáceis.
Bocejou, sentando-se e esfregando seus olhos. Quando sua vista não estava mais tao destorcida, reparou que o quarto não estava sendo aquecido pelos primeiros raios de sol da manhã. Ainda estava frio e escuro. Agarrou o relógio na cabeceira, quase derrubando o porta-retratos oval preto onde se destacava uma foto preta-e-branca antiga. Ao ver os números digitalizados em vermelho, ergueu uma sobrancelha para o homem ainda sorrindo de pe ao lado de sua cama.
Tem ideia de que horas são?
Mas é claro, você esta acordando junto do Sol, bambina.
Então...?
Bem, uma vez que hoje é seu primeiro dia de treino, vamos começar com sua resistência. Uma corrida vai bem, não acha?
As cinco da manhã? Suspirou, com a voz irritada.
Quer dizer que não vai me acompanhar? Tudo bem, se quiser ser liquidada pela Varia... Cruzou os braços sobre o peito, retrucando.
Isso é tortura, Ren. Murmurou, enfim, derrotada por seu tutor.
A mão do estrangeiro bateu suavemente em seu ombro direito, ele ria alegremente enquanto caminhava para a porta.
Bem-vinda ao meu treinamento, querida. Agora se arrume, eu vou te esperar nas escadas.
Quando seus passos tornaram-se surdos aos ouvidos da Neve, soltou um longo e cansado suspiro e forçou suas pernas para fora da cama e deu um passo para tentar melhorar seu humor naquela manhã. Por que aquele treinamento, era, definitivamente loucura.
A rota e o objetivo da corrida eram bem simples: Seguir Ren, não importa o que acontecer.
Vai ser fácil. Disse. Não se preocupe com o resto. Oh, como sentia-se enganada pelo estrangeiro... Você vai virar uma ávida corredora em questão de minutos, bambina!
Entretanto, Ren nunca mencionara que a pequena corrida seria nada mais nada menos do que uma maratona pela cidade. Os passos largos e rápidos do Arcobaleno fizeram Kazehaya ir duas vezes mais rápido, a fim de manter-se próxima de seu tutor. Enquanto a regata branca que vestia prendia-se sobre cada dobra de seu corpo por causa do suor, respirou fundo e tentou recuperar o fôlego. O estrangeiro teve a audácia de correr para trás, revelando-se intacto dos sofridos quilômetros percorridos, abriu um largo e perfeito sorriso.
Que passa, bambina?
Quando...Vamos...Acabar? Disse entre suspiros pesados. Ren olhou para o céu, agora ensolarado e não muito quente, pensativo.
Bem, Namimori tem mais quilômetros para serem explorados, então... Cantarolou.
Você esta brincando, não é?! Exclamou. Já passamos pelo parque pelo menos seis vezes!
Serio? Ele riu. Por que não avisou antes? Deveriamos ter parado ali há muito tempo!
O quê?!
Bem, vamos voltar lá e trabalhar durante as próximas horas. Ren girou em seus calcanhares. Eu acho que deveria aumentar um pouco a velocidade, Kazehaya! E correu a toda velocidade, dobrando uma esquina.
E-espere! Ren!
Empurrou-se para o mesmo caminho que o Arcobaleno, com suas pernas doloridas, e usando o restante de sua energia para chegar a poucos metros dele. R-Ren, por favor, para!
Hm? Mas estamos quase no parque. Ignorou completamente a dor de sua aluna, enviando-lhe um largo sorriso. Além disso, não é melhor para sua resistência?
Ah, como Kazehaya gostaria de ter espancado aquele belo e alinhado sorriso, mas, o que salvou seu querido tutor foi o verde do Parque Comunitario de Namimori pintado a distancia. Claro, Ren correu rapidamente para o parque e deixou a Neve tossindo a poeira que ele chutava para cima.
Eu não estou tão fora de forma, esse cara simplesmente não é humano! Martelou em pensamentos, não se importando se ele poderia ser sua mente ou não. Finalmente conseguiu parar, e encostou sua cabeça contra o metal frio do portão do parque. O metal escuro e gélido aliviou o calor feroz que ardia em todo o seu corpo. Sua respiração, entretanto, continuava ofegante e descompassada, constantemente bufando em uma tentativa falha de regular seu coração errante.
Algo cutucou-a em seu braço esquerdo quando virou-se, lá estava Ren segurando duas garrafas de água. Acenou com a cabeça, e estendeu uma delas para sua aluna.
Muito bem, voce ganhou dois minutos de descanso pela determinação.
Não reclame, Kazehaya, seja uma boa garota. Tomou a água, deixando sua garganta seca aliviada. Em menos de um minuto, a garrafa estava vazia e sentia-se muito melhor. Deu um suspiro satisfeito. Aquelas pequenas dores de cabeça começaram a ir embora, entretanto, a água não conseguira aliviar as queimaduras correndo para cima e para baixo em suas pernas.
Olhou para o estrangeiro bebericando sua agua, e balançou a cabeça com uma pontada de desgosto. Como diabos você faz isso?
Eu desenvolvi o método, por que não seria capaz de realiza-lo? Sorriu calmamente para sua aluna, ainda surpresa pela leitura de seus pensamentos. Depois, caminhou em meio a grama verde e exuberante. A morena o acompanhava, ainda sentindo suas pernas latejando e queimando.
Agora situados em meio a alguns bancos de madeira, vazios já que eles eram os únicos no parque aquela hora, Ren vasculhou a área com um olhar critico. Estavam em um lugar um pouco mais elevado, era possivel ver a entrada do parque e uma parte da rua deserta, o lago pequeno do parque que refletia o brilho do Sol na água. Ren agachou-se com uma mão estendida para a grama, suas pontas verdes ligeiramente empurradas por seus longos dedos. Como se estivesse bagunçando o cabelo de uma criança. Depois de vê-la apta aos seus padrões, sentou-se sobre a grama e cruzou as pernas. Seus orbes castanho-avermelhados fizeram um sinal para Kazehaya se acomodar também.
A morena se sentou, ignorando a dor e deixando suas pernas latejantes descansando esticadas sobre o verde exuberante. Um supiro de alivio deixou seus lábios, e jogou sua cabeça para tras em extase.
Foi tão ruim assim? O estrangeiro indagou.
Não sei... Rolou sua cabeça nos ombros, inclinando-a. Eu não tenho certeza se estava preparada mentalmente para isso. Enviou-lhe um olhar cansado.
E então, Mostrou dois dedos. entra a segunda fase, bambina.
Hn...Pé de atleta?
Não. Um dos dedos abaixou-se, abanando-o negativamente e tornou a tocar o meio de sua testa, alguns fios de cabelo castanho grudados com o suor. Tua mente, bambina. Empurrou-o o suficiente para fazer algumas rugas tornarem-se visíveis. Existem três coisas importantes em uma batalha. Desenhou três círculos no ar, listando-os um a um.
Velocidade, força e resistência. Kazehaya ergueu-lhe a sombrancelha. Certo. Sem interromper, desculpe.
Obrigado. Entretanto, seu treinamento tem ido de mal a pior por que Reborn-san deixou de fora um dos fatores mais importante e eficazes em uma batalha. Fez um grande circulo no ar, envolvendo todos os outros imaginários. Mentalidade. Sem uma boa mentalidade, você vai ficar muito bonita fracassando, é importante instruir sua mente para ser tão forte quanto suas habilidades físicas. Ele olhou para cima, um olhar esperançoso e cheio de expectativas. Entendeu?
Sim. Quero dizer não vamos meditar ou algo do gênero, certo? Essas coisas só acontecem em filmes. Kazehaya disse após sorrir timidamente.
E o que tem de errado com a meditação? É uma técnica milenar usada para acalmar a mente. Apertou os olhos e torceu as sobrancelhas, brincando. Basta observar e aprender, pequena gafanhoto.
Ele cruzou as pernas, uma por cima da outra, e seus sapatos deixados de lado, virados para cima com um par de meias brancas dentro de cada um. Ele fixou seu corpo e endireitou-se para alinhar sua coluna, os ombros caídos confortavelmente. Diferentemente de filmes, novelas e desenhos ele simplesmente descansou as mãos sobre suas pernas dobradas. Seus orbes fecharam-se e suas feições relaxaram. Viu agora, gafanhota?
Sem aum?
Sem aum. Não estamos em Hollywood. Agora, se apresse e comece a meditar.
Fez o seu melhor para não responder ao tutor, cruzou as pernas e alinhou-se. Fechando os olhos. Entretanto, depois de um minuto de silencio, tornou a abri-los novamente e questionou.
Sobre o que eu deveria estar meditando, exatamente?
Pensamentos que lhe incomodam.
Não sei se tenho algum... Afirmou, pensativa, para algumas folhas que flutuaram com o vento suave. E se tenho um, não me incomodo durante a luta.
Exato. O tutor reabriu seus olhos.
O que?
Mesmo que não ligue muito para eles durate a luta, isso não significa que não possam derruba-la. Explicou. Não é errado pensar sobre algo que lhe incomoda, não existe um pensamento certo ou errado. Seria a mesma coisa que classificar todo mundo em apenas dois tipos de grupo: Bem e mal, por exemplo. É impossível. Fez um gesto com as mãos. Mas, você tem que ser capaz de escolher entre o que sera útil e oque esta prendendo voce ao passado.
Mas-...
Nada de mas. Alinhou-se e fechou os olhos de novo. Eu não posso te ensiar a lutar suas batalhas internas, Kazehaya. Quem vai ensinar-lhe isso é você mesma.
A morena suspirou em derrota, acomodando-se na grama novamente. E mergulhou de volta na escuridão assustadora de sua própria mente, tentou diminuir seus pensamentos mas, era como segurar fumaça. Sempre que conseguia agarrar-se em um único pensamento, escorregava para fora de foco. Levando a outro, e mais outro, e mais outro. Ate o ponto em que uma enorme dor de cabeça se desenvolveu. Era muita coisa.
X
Pelo menos conseguiu alguma coisa?
Oh, sim, tive certeza de que minhas pernas estavam dormentes.
Depois de três horas jogadas fora, Kazehaya finalmente começou a simpatizar com a corrida, quando voltaram para casa. Ficou espantada ao ver que o ceu estava em tons de vermelho e laranja enquanto dobrava uma esquina, Ren a alguns metros de distancia. Assim que chegou, correu para a cozinha, estava faminta e seria seu primeiro jantar com o Arcobaleno.
Felizmente, ainda tinha um pouco do tempurá e um pouco da sopa de missô, empurrou-os no fogão. Tinha um sentido especial para a morena, claro, mas se ver sentada na mesa e sozinha novamente a fez queimar de raiva. Estava mexendo a sopa, seu tutor provavelmente interessado no noticiário ou em seus inúmeros CDs de diferentes tipos de musica. Olhou seu próprio reflexo distorcido no alumínio do fogão, sentindo-se uma idiota.
Ren entrou no comodo, passando os dedos por sua franja encaracolada so para que os fios pretos voltassem a cair sobre o rosto, desapontado.
Bem, temos mais nove dias para testar sua habilidade. Você precisa ser capaz de dominar seus pensamentos até lá.
Assentiu e voltou-se para preparar a refeição, não muito a vontade de discutir sobre o maldito treino. Ouviu um alarme sutil, e abriu a única porta do forno. O calor escapou junto do cheiro oleoso do tempura. Seu tutor suspirou profundamente satisfeito.
Tempurá? Uau, eu não como um faz anos!
Bem-vindo ao Japão. Riu enquanto pegava uma tigela de cerâmica com detalhes vermelhos e um cenário tradicional no fundo.
Ao acomodá-lo na mesa, Ren estava praticamente babando, como uma criança, um céu estrelado em seus olhos. Em menos de um segundo depois de pousar o prato, o estrangeiro atacara uma cenoura com os hashis e levou-a aos lábios. Ergueu uma sobrancelha para seu tutor enquanto acomodava a sopa em duas porçoes.
A Italia não alimentou-o direito ou algo assim?
Desculpe. Disse com a boca cheia. Eu me empolgo um pouco ao ver uma refeição caseira. Depois de engolir, acrescentou. Aliás, uma deliciosa refeição caseira. Você é uma ótima cozinheira, bambina, quem te ensinou?
Eu me ensinei, na verdade. Minha mãe nunca soube cozinhar direito, e eu vivia com fome. Então peguei um livro de receitas e tentei alguns pratos. Deu de ombros e pousou a sopa e arroz ao lado da tigela de cerâmica. Tem sido assim desde então. Eu tive que aprender tudo sozinha, e como ficar sozinha. Acomodou-se no lugar a frente do Arcobaleno, um pensamento a fez sorrir para Ren. Eu acho que voce é a primeira pessoa a ficar tanto tempo comigo em anos.
O estrangeiro tinha um ar pensativo nas contelações ainda presentes em seus olhos, perguntando pensativo.
Voce se sente sozinha?
As vezes...Eu vivia viajando com minha mãe quando era mais nova, mesmo assim ela nunca tem tempo para mim. E meu pai...Eu nunca vi ele, tudo o que tenho é uma foto em que nem posso ver seu rosto e uma lembrança que não sei se é verdadeira. Se não tivesse conhecido Yamamoto, Kiku ou Tsuna eu provavelmente seria insana.
Levantando seus olhos, viu que Ren parecia um pouco tocado pela historia. Ele tinha parado de comer e encarou-a, seus olhos estavam surpresos mas nada saiu de seus lábios.
Desculpe por ter estragado o jantar. Eu não queria filar seu apetite com uma historia desse tipo. Então vamos lá, coma. Incentivou-o, bebendo a sopa e limpando um pouco sua garganta dolorida pela vontade de chorar. Quando terminou a sopa, Ren parecia um pouco menos surpreso ao devorar mais tempura. Abriu a boca para mudar de assunto, mas seu tutor foi mais rápido.
Sei como se sente.
Huh?
Entendo como é estar la fora, em um mundo cheio de pessoas das quais não dão a mínima para você. Admitiu e desviou o olhar para a janela. Há dias eu gostaria de poder voltar no tempo, refazer as coisas e manter todo mundo como antes. Sabe, tudo o que eu vejo são pessoas. Dos mais diferentes tipos, diferentes nações, diferentes costumes. Mas raramente vejo humanidade ou carinho neles.
Acomodou-se novamente na cadeira, sentindo sua boca formar um pequeno o enquanto olhava o estrangeiro, ainda fitando a janela. Foi a primeira vez em que vira alguém que convive com o submundo mostrar-se daquela forma, tinha certeza de que qualquer outro teria ocultado isso, pois seria uma fraqueza. Embora isso o tornasse ele um pouco mais humano naquele momento.
Ren era incrivelmente forte, fisicamente e intelectualmente, e isso exalava um certo medo na primeira aparição. Entretanto, tudo o que Kazehaya podia ver era um homem perdido no mundo. Ele voltou a encarar sua aluna, com o mesmo olhar que ela e sua mae. Saudades, arrependimento.
Encontrou-se fazendo a mesma pergunta para si mesma.
Mas, você não ama sua família?
Amo mais do que qualquer coisa no mundo. Mas, quando se envolve nesse tipo de negocio é difícil dizer o que é sua vida pessoal e o que é o seu trabalho. Abriu um sorriso triste. Eu tinha a esposa e a filha mais lindas do mundo. Mas não acho que estejam tão ruins assim sem mim.
Sorriu tristemente em resposta do estrangeiro, e voltando-se para a comida ansiosa para ficar longe daquele assunto. A noite foi cheia de conversas suaves, e encontrou uma maneira muito melhor e mais fácil de conversar com o Arcobaleno. Ele era sensível, mas todas as suas respostas pareciam avoadas. E era ótimo poder falar com seu tutor naturalmente. Ficou apenas ainda mais claro que os dois tinham algo prendendo-os ao passado.
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