I'll Protect You
22 Capitulo 21: Stay
Um sol ruivo foi filtrado pelas cortinas, a manhã estava quente. De volta a realidade, Kazehaya tenta levantar, sentindo suas pernas enroladas em lençóis. Franze a testa preguiçosamente.
Seus orbes castanho-avermelhados se abrem, sentando-se na cama e reconheceu o quarto familiar da ala leste. Tudo estava exatamente no mesmo lugar, menos o paciente. Ela sai dos lençóis e balança suas pernas para fora a borda.
Seu tênis ainda estava no mesmo lugar, debaixo de uma das cadeiras com as meias dobradas para dentro, e a mochila descansando acima. Os copos de isopor empilhados na cabeceira, ao se inclinar para pegar seus sapatos, a porta abre.
— Finalmente. — Kazehaya olha estupefata para o demônio. Lá estava ele, alto como sempre, o cabelo preto desarrumado, em vez das roupas hospitalares brancas, um pijama preto. Seus olhos frios encarando-a.
— Como foi que...Ate ontem você estava…
— Dormindo. — Disse, e sentou na outra borda da cama. — Mas como você fala e baba demais ate mesmo dormindo, eu tive que sair do meu quarto.
— Você não deveria estar andando, Kyoya.
— Dê-me uma razão. — Lança um olhar irritado ao ouvir seu primeiro nome.
Ela responde com um curto suspiro de frustração: — Caso não se lembre, a menos de uma semana, você estava com as pernas quebradas.
Hibari resmunga. — Se você e esses herbívoros estupidos não tivessem se metido, eu teria vencido.
— Teria morrido, isso sim. — cruza os braços. Sua carranca dizia que ele não se importava. Kazehaya ficou dias preocupada, desperdiçando tempo esperando que ele acordasse. Agora...ele a encarou como se fosse maluca por se importar.
— O que esta olhando?
Kazehaya vira para o lado desesperada, não tinha percebido que estava olhando para Hibari por certo tempo. Ela olhou para a vista la de fora tentando ignorar o rubor, os ramos de uma arvore, um pouco acima da janela, carregados de flores cor de rosa. Suas pétalas a deriva no curso do vento, o que a transportou imediatamente para um certo momento da luta.
“Realmente, não existe razão nesse tipo de coisa...”
— Eu vim para te agradecer. — Ignora a pergunta, a voz rouca. Ele não respondeu, nem reclamou, então Kazehaya sabia que poderia continuar. — Se voce não tivesse aparecido, estaríamos mortos. E teria um integrante faltando na famiglia... — Levanta-se da cama, e caminha para a porta com a tensão correndo por todo seu corpo. No caminho pega sua mochila, ignorando o cabelo bagunçado e as roupas amassadas. Estava quase fora do quarto, quando ouve uma voz calma.
— Fique aqui.
— O quê? — Levantou uma sombrancelha.
Ele estava deitado de costas contra a cama, e o lençol estava enrolado na altura da cintura. Seu olhar era severo.
— Eu mandei ficar aqui, se sair, juro que vou te colocar por um mês na detenção por insubordinação.
A partir da ameaça, se posicionou na borda da cama novamente. Esse é o único jeito que ele conhece para se expressar?
— Pensei que não me queria aqui. — Rebate
— Eu nunca disse isso.
— Então por que -...
— Deveria se preocupar consigo mesma. — Hibari cortou com palavras afiadas. — Se continuar tão emocional vai acabar como o resto dos herbívoros estupidos.
— Então eu sou diferente? — Sentou-se na borda da cama e se inclinou para perto. Arqueando uma das sobrancelhas quando os lábios da menina colidiram com a superfície do seu rosto.
— Saitou, você tem um minuto para fazer uma reza e ficar longe de mim.
— Eu vou me arriscar, Kyoya.
Quando o demônio resmungou e deu-lhe um tapa na cabeça, Kazehaya teve certeza de que tudo ficaria bem.
– Um mês depois-
Os fãs eram selvagens. A maioria fangirls torcendo para o time da casa. Mas nada comparado ao barulho que o publico fizera quando o jogador número 14, Yamamoto Takeshi, entrara no campo.
— Vai Yamamoto! — Gritaram.
O arremessador passou a bola rapidamente para a Chuva, e ele estava muito melhor em comparação com as semanas anteriores. O moreno balança o taco com força, enviando a bola no ar. Yamamoto abre um sorriso ao ver ela indo para fora do campo.
As meninas comentam o jogo logo atrás de Kazehaya. Ate mesmo alguns rapazes estavam gostando do jogo, para o desgosto de Gokudera. Era a primeira vez que a futura guardiã e o prateado o viam jogando. Foi um alivio saber que o braço quebrado de Yamamoto ainda era capaz de segurar um taco, as cicatrizes haviam sumido.
Gokudera voltara com sua obscessão pelo chefe, Tsuna voltou a ser um covarde, e Riohey voltou ao seu estado extremo.
O boxeador fica de pé, com os punhos cerrados.
— Entre para o clube de boxe, Takeshi!
— Riohey...— Kyoko suspira, puxando o irmão para a arquibancada.
Kazehaya ria junto de um novo membro da família, Fuuta. Que morava na casa cheia dos Sawada. Ele tinha uns dez anos de idade, sempre com seu grande cachecol verde e branco e um enorme livro que tinha metade de sua altura. Às vezes, seus olhos ficavam atordoados e ele começava a jorrar milhares de informações, mas Kazehaya realmente amava crianças.
—Não é bom, Kazehaya-nee? — ele perguntou, abrindo um sorriso. — Poder passar um tempo com todo mundo junto.
Ela responde com outro sorriso, por um segundo fitou seus amigos. Duas crianças menores correndo para cima e para baixo, Haru e Kyoko torcendo para Namimori, enquanto Gokudera gritava para a equipe adversária se esforçar mais para eliminar o jogador, e Tsuna estava no meio de tudo.
“Tomo ni utaou Namimori chuu ~!” — A musica familiar veio do céu, um pequeno pássaro amarelo voando perto do telhado da escola. Voou para uma das grades perto das arquibancadas. Ficava feliz pelo dono do pássaro também.
— Fuuta. — Disse, mexendo nos cachos louros desbotados. — Seja bem vindo a família. — Ele acenou com a cabeça alegremente. Seus olhares voltaram para o jogo.
— Ah, Kazehaya-nee!
— Sim?
— Eu estava vendo os rankings outro dia, e Kazehaya-nee estava em primeiro lugar em-...Cuidado!!
— Oqu-Ack!
Thump.
Os olhares dos espectadores se voltaram para a menina caída, uma bola branca a poucos metros de sua cabeça, que agora tinha um galo enorme.
— Kazehaya-chan!
— Eh? Haya-chan, sinto muito! Sera que doeu...? — Perguntou Takeshi, apoiado nas grades do campo.
— O que lhe parece, idiota? — Vociferou Gokudera.
— Hahi! Está começando a inchar! — Haru exclama, levando as mãos na cabeça.
— Riohey, faça alguma coisa! — Ordenou Kyoko.
— Vamos para a enfermaria, AO EXTREMO!
— E-espera! — Tsuna disse, enquanto corria atrás do grupo.
Do telhado, um certo demônio olhou para a cena, balançando a cabeça e esboçando um quase sorriso.
— Tsc. Herbivoros...
Mas acidentes muito piores aconteceriam futuramente, sem duvida.
–-Semanas depois--
Kazehaya acorda debruçada sobre a mesa, o celular na mao e o rosto inundado de lagrimas secas. Lembra-se da noite anterior, desejando que fosse apenas um sonho ruim.
— Haya-chan?! — ouve a voz de Yamamoto, abafada pelos ruídos que vinham de toda a parte na cozinha. O assobio da massa coberta de legumes em óleo, sobrepondo a voz da Chuva.
— Porta aberta! — gritou. Virando-se e cortando uma cebola, ignorando a ardência dos olhos.
No fogão, uma panela media de água fervente com sopa de Miso. Virou-se novamente, descartando raízes na lata do lixo. Verificou o livro de receitas em cima da mesa, foi para a próxima tarefa.
Não poderia dar-se nem um minuto de descanso, com medo que a comida queimasse. Tinham tantos pratos para o jantar que ela teve que comprar os ingredientes no dia anterior, o homem que cuidava do caixa olhara para ela como se fosse louca quando Kazehaya levou quinze legumes diferentes, alguns quilos de frango e um enorme saco de arroz. E a olhando ainda pior quando a futura guardiã saiu andando com as sacolas sem nenhum problema. Mas tudo isso tem um bom motivo.
Sua mãe está voltando para casa.
O menu era basicamente todos os seus pratos favoritos e uma torta de morango, escolha de Kazehaya.
Não demora muito e Yamamamoto entra na cozinha, enquanto ela mexia a sopa. Olhou por cima do ombro e viu o adolescente segurando um enorme atum, do tamanho do seu braço e um sorriso ainda maior no rosto.
— Parece ótimo!
— Desculpe o atraso, Haya-chan. — Colocou o peixe gigantesco em uma tabua de cortar. — O velho estava ocupado e precisava de ajuda no restaurante. — Completou, Kazehaya pode sentir sua respiração na nuca.
— Tudo bem, fico feliz que voce esteja aqui. Pode começar a preparar o peixe, por favor?
Yamamoto foi imediatamente pegar uma faca. Pegou a maior e mais fina, trouxe-a ao nível dos olhos. Franzindo a testa, começou a afia-la com um bastão.
— Isso é tão legal! — Exclamou enquanto corria os lados da lâmina contra o metal.
Kazehaya sentiu um sorriso se abrir em seu rosto, voltando para o que estava fazendo antes.
— Ah! — gritou, puxando para trás a mão da panela cheia de vegetais. Um vermelho brilhante no topo de dois dedos da menina.
— Haya-chan... — A mão de Yamamoto pegou seu pulso, fazendo-a ficar na ponta dos pes pela diferença de altura. Ele fez uma careta, mas abriu um meio sorriso depois. — Não é nada, acontece comigo toda hora. Apenas deixe a queimadura embaixo de água fria.
— Não foi nada, Taka-kun. Eu-...— Antes que a desculpa saísse de sua boca, Yamamoto a silenciou ao tirar o avental que ela usava, e um empurrão para fora da cozinha.
— Deixe tudo comigo. Cuide da queimadura agora.
Mordeu o lábio inferior, pensando em todo o trabalho que precisava ser feito ainda. Entao encarou o rapaz desafiador bloqueando o caminho, tinha mais chances de morrer tentando atravessar aquela porta do que por causa da queimadura. Derrotada, ela suspira e corre para a casa de banho no andar superior.
Após a luta, anteriormente, sua casa transformara-se em uma cena de crime. Boa parte das fotografias que tinha foram destruídas, ou tinham manchas de sangue. Teria que trabalhar muito duro para conseguir restaurar a casa, se Reborn não tivesse feito esse serviço por Kazehaya.
“Reborn, se a máfia não der certo poderíamos abrir um negocio decorando casas. —Brincou ao entrar em casa. — Voce é simplesmente maravilhoso.”
Ele sorriu. — “Mas é claro, eu sei exatamente o que uma mulher quer.”
As fotos novas eram muito...Bem, estranhas. Como o dia em que foram para a praia, ou o Festival de Verão em roupas típicas, fogos de artificio florescendo no ceu atrás. Uma foto dela e de sua mae que nem sabia que existia, e a mais misteriosa.
Uma foto desbotada e antiga, apareceu no criado-mudo ao lado de sua cama, com a mae de Kazehaya vestida de noiva e um homem de cabelos pretos encaracolados e rosto apagado, mas ainda sim era possivel ver o sorriso dos dois na foto.
Depois de alguns minutos, ternamente esfregando a ferida sob a água gelada, poe um band-aid rosa sobre a queimadura e desce as escadas depressa.
Encontra o jogador de beisebol com os braços se movendo febrilmente. Uma mão preparava o tempura, em seguida, tornou a mexer a sopa, enquanto o outro acresentava wasabi em uma pequena tigela. Mesmo de costas ela conseguia ver a testa franzida e a concentração de Takeshi.
— Tudo bem?
— Mhm~ — murmurou de volta.
Sequer lhe poupou um olhar quando a menina se inclinou para olhar o que fazia. Depois de alguns minutos, ambos estavam no sofá da sala. Kazehaya descansava a cabeça em seu obro, seu primeiro intervalo em cinco horas.
— Me desculpe, Taka-kun. — Murmura. — Eu so queria que tudo saísse perfeito...
Ele riu. — Tudo bem, ela merece, não?
—...
—...
— Isso e cheiro de queimado?
— Ahn...
–--
Felizmente, conseguiram salvar toda a comida antes que a cozinha fosse destruída novamente.
Algumas horas depois, lhe apresentam um prato de fatias finas de salmão e arroz. O frango foi servido em um prato redondo, ao lado de uma panela fumegante da sopa de missô, e a torta de morangos ainda segura na geladeira. O cheiro era maravilhoso, um buque de flores amarelas no vaso chinês favorito de Ishi, que Kazehaya desenterrou no meio da bagunca.
Limpou o rosto e sorriu para o trabalho, satisfeita.
— Perfeito? — Indagou, retirando o avental que arrancara da amiga.
Piscou algumas vezes para o olhar interrogativo do amigo. — Não ate que ela esteja aqui e dizer o quanto esta feliz. — Suspirou de felicidade.
Yamamoto envolveu um de seus braços ao redor de seus ombros em um abraço de lado. Ele apertou-a ao seu lado, ambos sorrindo.
— É melhor eu ir, você e sua mãe precisam de um tempo juntas.
Assentiu e caminhou com ele ate a porta.
— Muito obrigada por hoje, Taka-kun.
— Sem problemas. — Encolheu os ombros.
Ela sorriu, e Yamamoto respondeu da mesma forma. Dizendo um “ate amanha” e indo para casa.
–--
06:30
Ela já deve estar quase chegando!
–--
19:03
O avião deve ter acabado de pousar...
–--
19:48
A comida esta esfriando...
–--
20:30
Sera que aconteceu alguma coisa?
–--
21:50
Mae, assim que chegar me liga. So quero saber se esta tudo bem...
–--
23:40
Onde esta voce?
–--
00:50
Ela é tao...Argh!
–--
— Eh!? — Acordou com um salto da mesa de jantar, era quase de manha quando o celular tocou. Sabendo imediatamente quem era, atendeu a chamada.
— Mãe! Onde você está? — Praticamente gritou ao telefone, sentindo a felicidade de horas atrás morrendo. — O avião atrasou? Ou voce esta no transito?
— Oh, querida. — Uma pontada de esperança que tinha em seu coração morreu junto ao ouvir sua mae dizer aquelas palavras tão simpaticamente. — Eu sinto muito, mas-...
Restringiu-se a gritar de raiva e tristeza, seu corpo inteiro estava dormente. Olhou para o celular, a voz da loura ainda latia de longe suas desculpas patéticas.
–--
Kazehaya tinha cochilado denovo na mesa, a comida ainda estava servida e tinha um cheiro azedo.
Fisicamente e emoniconalmente cansada. Tinha demorado uma semana pra juntar o dinheiro da compra, e dois dias para preparar. Seus bracos ainda doíam, junto da queimadura nos dedos.
Sentia seu coração pesado, ficou surpresa pelo fato de que ele não havia fugido de seu peito. Queria, há muito tempo, ter se livrado desse tipo de emoção.
É mais divertido rodar o mundo em um salto alto de 15 centimetros do que ter um jantar com sua filha.
O celular tocou novamente, ignorou-o, não se importava se fosse sua mae ou a rainha da Inglaterra convidando-a para um cha da tarde.
Finalmente, a música cessou e a cozinha mergulhou no silencio, Kazehaya decide se livrar de toda aquela comida. Quando terminou, o telefone tocou novamente.
E mais uma vez.
E mais uma vez.
Cerra os dentes, e agarra o aparelho. Leu no nome do autor das chamadas constantes.
Taka-kun.
O nome brilhava na tela, estava mesmo pronta para lidar com sua voz alegre?
Não. Hesita um pouco, mas aperta um botão vermelho ate que a tela ficasse preta. Não podia ficar em casa o dia inteiro, mas também não podia ficar com seus amigos.
Uma caminhada...Talvez...
Apenas queria ficar longe daquela energia, daquela casa, e da refeição inteira jogada fora.
Ainda estava com a mesma roupa da noite passada. Um shorts branco, uma blusa azul e um moletom preto com as mangas enroladas na altura dos cotovelos. Prendeu seu cabelo em um coque desleixado e saiu pela porta da casa.
Em menos de trinta minutos de devaneios, Kazehaya acaba na periferia da cidade, caminhando sem rumo. Passou por uma eternidade de lojas baratas que fecharam a anos. Conhecia aquele caminho, era um atalho que pegava para ir à escola. Mas não queria ir la, provavelmente seria morta nas mãos do demônio.
Apoiou as costas contra uma porta branca descascada encrustada de ferrugem. Ela rangeu com seu peso, era o único som que vinha da rua deserta. Ela descansava confortavelmente e ouvia atentamente ao som que produzia, mesmo após ter retirado a pressão da porta podia ouvir o barulho. Levantou uma sombrancelha e apurou seus ouvidos.
Não eram rangidos. Era um eco de passos. Que estavam vindo rápido em sua direção.
Afastou-se da porta e de repente o som ficou mudo. Seus orbes se estreitaram e vasculhou a área. — Não adianta, eu sei que você está aí! — Gritou para o vento que carregava algumas folhas secas.
Uma risada ecoou pela rua, ou melhor, as risadas. Haviam pelo menos dez homens ali, todos com ternos de vinil pretos. Tão limpos que praticamente brilhavam sob o sol. A maioria tinha o cabelo puxado para tras com um monte de gel, encarando-a com o mesmo sorriso malicioso.
— Ora, ora... Não é uma pirralha inteligente? — Um deles riu, tinha uma tatuagem estilo old school no pescoço.
— É isso que eles ensinam agora? Boa escuta? — Todos riram, isso fez a futura guardiã pensar que ele fosse o seu líder. Ele era o único com um rosto comprido e estreito, franjas louras enroladas acima da testa.
— Se vocês são tão bons assim porque eu pude ouvir-los a um quilometro daqui?
— Ah, cala a boca. — Resmungou. — Queriamos que a pequena Vongola nos ouvisse, mas isso não é exatamente a festa de boas vindas que eu esperava.
Ela gelou quando o louro disse “Vongola”
“Eles sabem da família...Outro idiota tentando dominar o mundo?”
— O que vocês querem? — Kazehaya estreita os olhos.
— Ora, não fique tão nervosa assim, apenas diga onde estão os anéis e vamos deixar voce e sua familiazinha de merda em paz.
— Anéis?
Ele resmungou alguma coisa e pulou em frente. Kazehaya recua rapidamente, um sorriso se abriu no rosto dele.
— Não se faça de idiota. — Rosnou, se aproximando. — Eu sei que aquele moleque estúpido é herdeiro da Vongola. Me de os anéis agora, juro que não tenho medo de machucar pirralhos como vocês.
A ameaça fez sua mão voar para o bolso trazeiro do shorts. Não encontrara a arma em lugar nenhum, e pudia ver uma adaga brilhando na mao enluvada do homem. Engole em seco.
— Eu nã-...— Tenta responder, mas fora empurrada contra a parede.
— Melhor desistir de proteger sua pequena família. Estarao todos mortos em breve.
— O q-...
— Preocupe-se com voce antes. — Levantou a ponta da faca para seu pescoço. Tentou pensar em planos, possibilidades, mas a faca seria mais rápida em suas mãos e sua cabeça rolaria. — Então, onde estão os anéis?
— Kieth! Tem alguém vindo!
Em menos de trinta minutos de devaneios, Kazehaya acaba na periferia da cidade, caminhando sem rumo. Passou por uma eternidade de lojas baratas que fecharam a anos. Conhecia aquele caminho, era um atalho que pegava para ir à escola. Mas não queria ir la, provavelmente seria morta nas mãos do demônio.
Apoiou as costas contra uma porta branca descascada encrustada de ferrugem. Ela rangeu com seu peso, era o único som que vinha da rua deserta. Ela descansava confortavelmente e ouvia atentamente ao som que produzia, mesmo após ter retirado a pressão da porta podia ouvir o barulho. Levantou uma sombrancelha e apurou seus ouvidos.
Não eram rangidos. Era um eco de passos. Que estavam vindo rápido em sua direção.
Afastou-se da porta e de repente o som ficou mudo. Seus orbes se estreitaram e vasculhou a área. — Não adianta, eu sei que você está aí! — Gritou para o vento que carregava algumas folhas secas.
Uma risada ecoou pela rua, ou melhor, as risadas. Haviam pelo menos dez homens ali, todos com ternos de vinil pretos. Tão limpos que praticamente brilhavam sob o sol. A maioria tinha o cabelo puxado para tras com um monte de gel, encarando-a com o mesmo sorriso malicioso.
— Ora, ora... Não é uma pirralha inteligente? — Um deles riu, tinha uma tatuagem estilo old school no pescoço.
— É isso que eles ensinam agora? Boa escuta? — Todos riram, isso fez a futura guardiã pensar que ele fosse o seu líder. Ele era o único com um rosto comprido e estreito, franjas louras enroladas acima da testa.
— Se vocês são tão bons assim porque eu pude ouvir-los a um quilometro daqui?
— Ah, cala a boca. — Resmungou. — Queriamos que a pequena Vongola nos ouvisse, mas isso não é exatamente a festa de boas vindas que eu esperava.
Ela gelou quando o louro disse “Vongola”
“Eles sabem da família...Outro idiota tentando dominar o mundo?”
— O que vocês querem? — Kazehaya estreita os olhos.
— Ora, não fique tão nervosa assim, apenas diga onde estão os anéis e vamos deixar voce e sua familiazinha de merda em paz.
— Anéis?
Ele resmungou alguma coisa e pulou em frente. Kazehaya recua rapidamente, um sorriso se abriu no rosto dele.
— Não se faça de idiota. — Rosnou, se aproximando. — Eu sei que aquele moleque estúpido é herdeiro da Vongola. Me de os anéis agora, juro que não tenho medo de machucar pirralhos como vocês.
A ameaça fez sua mão voar para o bolso trazeiro do shorts. Não encontrara a arma em lugar nenhum, e pudia ver uma adaga brilhando na mao enluvada do homem. Engole em seco.
— Eu nã-...— Tenta responder, mas fora empurrada contra a parede.
— Melhor desistir de proteger sua pequena família. Estarao todos mortos em breve.
— O q-...
— Preocupe-se com voce antes. — Levantou a ponta da faca para seu pescoço. Tentou pensar em planos, possibilidades, mas a faca seria mais rápida em suas mãos e sua cabeça rolaria. — Então, onde estão os anéis?
— Kieth! Tem alguém vindo!
Os homens de terno caiam no chão, seu atacante foi subitamente para tras. Kieth olhou por cima do ombro e abaixou a arma. Aproveitando a oportunidade, Kazehaya chuta “aquele lugar”, ele urra de dor e é empurrado para cima de outro subordinado.
Olhou para cima e viu um vulto. Um homem alto, vestindo um sobretudo branco que ia até os tornozelos, um par de sapatos de couro italiano preto. Seu rosto ainda estava virado para Kieth, que parecia mais pálido do que uma folha de papel.
— Ah sim, Kieth Sorrentino. Sua família não é mais tão temida assim, não? — Sua voz era rouca e brincalhona. Ele abriu um sorriso sarcástico para os homens assustados no chão. — Agora vão embora, ou darei um belo motivo para chorar.
O rosto do Sorrentino se contorceu de raiva, mas se conteu de atacar o homem. Levantou-se com a ajuda dos subordinados.
— Vamos ver quem vai chorar depois disso. — Desapareceram na rua deserta. Ouvia-se um dialeto em italiano, que Kazehaya não soube decifrar.
Não conseguiu acreditar. O rapaz de sobretudo era assustador a ponto de afastar dez homens que teriam matado a futura guardiã com facilidade.
Quem é esse cara?
— Mhm... — Virou-se, com um sorriso amigável. — Você deve ter um talento especial para atrair confusões, Miss Saitou.
Alem de ser alto, aquele cara era muito diferente. Deveria ter trinta e poucos anos, rosto quadrado e a barba mal feita. A franja dos cabelos pretos e encaracolados tocando o nariz, o resto, preso em um rabo de cavalo baixo.
Não era muito comum ver pessoas com olhos castanho-avermelhados, assim como os dela. Muito menos com um pingente de uma chupeta azul gelo pendurada em uma corrente cumprida.
Uma rajada de vento soprou, então percebeu que estava encarando o estranho. Um rubor envergonhado subiu do pescoço para seu ultimo fio de cabelo, encarando uma placa neon apagada logo atrás, sem jeito. Os olhos do homem a observaram por um tempo, então riu.
— Desculpe. Você é igualzinh-...Ehrr...Ah, onde estão minhas maneiras? — Estendeu sua mão. — Meu nome é Ren.
Tomou a mão suspeita, muito maior do que a sua. Quase perdida dentro de sua palma.
— Bem... — Chamou a atenção de Kazehaya. — Eu sei sobre a Vongola...E ficaria feliz em explicar tudo para voce, mas aqui... — Seus orbes incrivelmente parecidos com os da futura guardiã varreram a área. — Não é um lugar adecuado. Se quiser, pode sair correndo. Mas eu so quero ajudar, Saitou.
Talvez fosse a honestidade refletida em cada palavra, ou um sorriso familiar que ele abrira. Qualquer um teria feito Kazehaya ficar ali com o estranho, Ren.
— Com fome?
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