Notas iniciais
Cap postado pelo cell ;-;

— Então? – Sakura indagou, girando em frente o espelho. Hinata a observou com os olhos bem abertos e uma expressão surpresa.

— Que saber? Uau, é isso que é.

— Hã? Como assim? Está ruim?

— Sabe o significado de “Uau”? Caramba, você está incrível, apenas.

— Sério? Sem exagero? Eu não sei, é vermelho...

— Vermelho pode ter mandando muitas garotas pra fogueira ou pra forca, mas não agora, querida, você está quente, mas também está uma rainha!

— Rainha? – Sakura não pode deixar de rir ante a colocação. Era apenas um vestido formal, vermelho forte, mas formal, o corte na altura do joelho, o decote reto e os ombros cobertos, apesar da cor, não era algo para impressionar, um pouco justo também, e Hinata ainda insistia que ela tinha perdido peso...

— Você está incrível, acredite.

— Você fala como se eu fosse para uma festa, é só uma entrevista de emprego.

— Está incrível, tem que me dizer onde comprou ele, é perfeito, dá uma sensação de poder, advogados iniciantes precisam sabe?

— Pra mim você já é bem poderosa...

— Bom saber, mas prefiro garantir.

— Quem sabe quando eu receber meu primeiro salário nós não vamos lá?

— Fechado, até porque, se o emprego não for seu, não é de mais ninguém!
Sakura voltou a se encarar, tentando arrumar um amassado aqui e ali.

— Você acha mesmo que eu tenho chance? Nem mesmo pediram experiência profissional, mas eu não sei nada sobre ser recepcionista.

— Você só tem que sentar, anotar recados, sorrir como uma boneca Barbie e não transar com o chefe, quer dizer, a não ser que queira ir por esse caminho...

— Hinata?!

— Ué, é uma opção. – Sakura revirou os olhos, seu humor já tinha decaído o bastante quando a palavra Barbie ficou no ar, era como sentir cheiro de cigarro quando se tentava respirar ar puro das montanhas. E falando em cigarro...

— Bom. – mais uma vez fugindo desta maré, ela se aproximou da cama, pegou a bolsa e o relógio
— Está mais do que na minha hora, me deseje sorte.

— Sorteeee! Se você conseguir alguma resposta positiva me avise que vamos tomar uns bons shots depois do trabalho, sim?

— Não pode ser outra coisa? Não estou afim de beber.

— Ah, não quero saber! Você precisa de outra coisa pra se desestressar além daqueles remédios idiotas.

Se ela soubesse como aqueles remédios tiraram Sakura da beira de um segundo ataque de ansiedade. A verdade era que muita gente não podia entender o que era viver com esse sentimento todo.
A verdade era que ele nunca passava realmente, apenas diminuía um pouco com o controle e conseguindo equilibrar melhor a vida, tudo o que Sakura não tinha conseguido nos últimos tempos.

Ela pegou o ônibus rumo ao centro da cidade, encarando a movimentação do trânsito ela se deixou respirar fundo.

Ainda sentia a ansiedade apunha-la toda vez que uma mensagem ou ligação caía em seu telefone. Sasuke devia ter percebido que ela o tinha bloqueado, pois passou a ligar um monte de vezes desde aquela conversa ridícula em frente o pub. Ele não a interceptou na faculdade, o que já era alguma coisa. Mas do jeito que as coisas iam, talvez ele não demorasse a vir.

Chegara a cogitar de deixa-lo falar, mas Hinata dissera que seria o mesmo que ceder para todo o resto. Ele defendera Ino na frente dela, após a cadela a ofender por nada, ou melhor, por causa dele.

Esquecer isso seria passar por cima do próprio orgulho, e não só por conselho de Hinata, Sakura descobriu que era muito orgulhosa.

Ela desceu a algumas quadras do endereço que estava no jornal.

Um lugar chamado Fire Clan precisava de uma recepcionista e uma secretaria, como sequer tinha formação no segundo, e no primeiro não pediam experiência ela não teve que escolher.

O lugar era bem localizado, considerando que Sakura viera de um orfanato bem no subúrbio mais perto da área rural que do centro, e que saia muito pouco, não conhecia tão bem a cidade.

Ainda olhando o jornal ela parou encarando uma faixada que destoava complemente da dos outros comércios em volta.

Era pintada de branco, com faixas de vermelho e azul jogadas por cima, um grande letreiro apresentava um leque diferente dos que conhecia portando essas cores, as letras eram de estilo japonês, como o dizer completo era: Fire Clan Studio.

Receosa, ela entrou por portas de vidro escuro. Deu com um vestíbulo amplo também branco, o balcão que havia era todo azul escuro e cheio de desenhos tribais de vários estilos como um grande quadro, de frente para o balcão havia um pequeno sofá de tom azul mais claro, e nas paredes diversos desenhos e quadros com desenhos. Sakura sentiu uma familiaridade perturbadora, mas deu atenção a mulher sentada no sofá.

Ela era mais velha, longos cabelos pretos, e usava um vestido floral e bonito, parecia ter cerca de quarenta a quarenta e cinco anos, mas um corpo bem feito e natural. Lia uma revista de casa e saúde o que fazia sua imagem ainda mais contrastante com o ambiente.

— Com licença? – indagou, um pouco receosa, apesar do aspecto cordial, ela ainda tinha algo de meio ameaçador, ou intimidante, Sakura não sabia o que, e concluiu que só não sabia lidar com pessoas mais velhas que não usassem roupa de freira ou fossem seus docentes.

— Hum? Oh, em que posso ajudar, querida? Ainda não abrimos, não oficialmente, claro.

— Ah, bem, eu vim para a entrevista de emprego – a mulher piscou, surpresa, e se levantou deixando a revista sobre a mesa escura.

— Oh, sim? Você é linda, veio tentar a vaga de...? – Sakura encolheu um pouco os ombros.

— Bem, de recepcionista, a senhora é a contratante...?

— Oh, não, sou apenas Mikoto, prazer. – ela lhe estendeu uma mão branca e macia, mas Sakura ficou surpresa mesmo foi de ver pequenas tatuagens entre seus dedos, pensou ter visto um S e um I, mas tinha certeza de ter visto
um F.

— Sakura, Sakura Haruno.

— Sakura, que lindo nome, na terra do meu avô, tem um significado especial, sabe?

— Oh, sim?

— Sim, claro, mas por favor, sente-se, eu vou chamar o Sr. Hatake, ele que vai te entrevistar.

— Obrigada. – Sakura se sentou e a viu seguiu para o elevador ao fim do vestíbulo, inspirou, e encarou novamente a hora, ainda era um pouco cedo, mas se perguntou se ela era a única precisando de emprego, parecia que só havia ela...

Abriu a bolsa, nervosa, cogitou tomar outro comprimido, mas temeu que o efeito a deixasse tranquila demais para uma entrevista. Desistiu e fechou-a, cruzou as pernas e pegou uma revista.

Estava começando a se distrair quando a porta de vidro abriu e uma garota entrou aos tropeços no local. Usava calça social, mas uma regata e um blazer simples, uma bolsa de alça longa transpassada pelo tronco.

— Ai, droga! – ela resmungou, empurrando os cabelos que podiam parecer pretos a primeira vista, mas que na verdade eram castanho escuros e Sakura sentiu que já tinha visto-a em algum lugar.

— Eu quase tropecei também, quem instalou não estava pensando muito em saltos – Sakura comentou.

— Ou em gente desastrada como eu – ela suspirou, indo se sentar ao seu lado. Sakura reparou que ela usava uma sapatilhas de salto bastante curto. Ela se recostou no sofá e deu um grande suspiro. — Por favor, diga que não é a entrevistadora – disse, enquanto encarava o teto.

Sakura piscou surpresa.

— E-eu pareço?

— Você não é? Graças a deus.

— Eu vim pela vaga de Recepcionista.

— Mais um motivo pra eu gostar de você, quero a de Secretária, embora não pareça...

— Eu estou tão exagerada? Eu não muitas entrevistas, então.

— Você parece a secretária de um empresário, isso sim.

— Oh, sem ofensa, acho que você não sabia o ramo daqui, huh? Eu também não...

— Pois é...

— Izumi Devine.

— Devine?

— Não me zoa, tá?

— Não vou, é bonito.

— As pessoas geralmente dizem que é ótimo para enganar...

— É moda ser maldoso, ao que parece. – Izumi concordou com um suspiro.

— Espera, só tem nós aqui?

— Ao que parece...

— E eu achava que era fracassada na minha cidade, aqui ninguém precisa de emprego não?

— Além de mim? – Sakura riu. — Se bem que o anúncio aparece tem poucos dias antes da data das entrevistas...

— Hum, verdade.

— Você é nova na cidade?

— Sim, vim tentar a sorte, estou me segurando por uns dias na casa de uma parenta chata.

— Entendo, o que você fazia antes?

— Concertava carros de dia, terminava o curso de secretariado, e cantava em um barzinho mixuruca. – Na mesma hora Sakura a encarou, reconheceu-a e percebeu que só não lembrava dela, porque aquela não fora a melhor noite da sua vida, sequer queria lembrar mesmo. Mas sim, Izumi era a bonita simples garota do violão.

— Você cantou no Pub do Chris, semana passada – Izumi a fitou, surpresa.

— Oh, eu vi mesmo uma cabeça rosa lá...

— Foi minha última noite.

— E a minha primeira, ele me pediu pra ir mais vezes.

— Sério, que bom, ele parece meio relaxado, mas é um cara legal.

— Tomara, você saiu porque?

— AH, preciso dar um jeito na minha vida... Antes que enlouqueça de vez.

— Tem haver com um cara? – Sakura se encolheu encarando a revista. — Sei
como é – Izumi concluiu

— E sei também que está fazendo o certo, não deixe sua vida parar por causa de ninguém, ninguém para a sua pela gente.

Isso Sakura sabia, desde que era um bebê, ela foi deixada de lado para que os outros seguissem suas vidas como bem queriam. Ela achou que já tivesse conseguido se imunizar disso, mas, se ainda não tinha, agora aprenderia.
Seu plano inicial não mudaria, ela se formaria, teria um ótimo emprego, sua própria casa, seria o centro de sua vida, e arranjaria alguém que adorasse ter exclusivamente ela. Se não arranjasse, aprenderia já agora a ficar bem consigo mesma.

As duas viram mais duas moças chegarem, conversaram ligeiramente antes da senhora Mikoto aparecer e gentilmente começar a guia-las para a entrevista. Começariam pelas vagas de Secretária e como Izumi fora a primeira desta a chegar, foi a primeira a subir, Sakura viu que teria que esperar mais um pouco, mas ao menos já era a primeira de sua fila.

Quando Izumi desceu, não parecer ter certeza de nada, mas estava otimista, Sakura torceu por ela.

Quando foi sua vez, ela subiu para o segundo andar e lá deparou-se com uma ampla sala onde haviam muitas mesas, a decoração não era tão diferente do primeiro vestíbulo, mas ela sentiu mais seriedade nas mesas, e arquivos. Um homem de cabelo grisalho e terno cinza estava parado ao lado da mesa maior e negra, e recebeu-a com um sorriso cordial e um aperto de mão.

— Bom dia, Srta. Haruno, sim?
— Sim, bom dia.

— Prometo não encher muito o saco, já é quase hora do almoço. Certo? – ele disse, bem humorado, tinha uma cicatriz num dos olhos escuros, mas ela não era algo que o deixava feio, ou trouxesse qualquer repugnância, pelo menos não para ela.

Sakura se sentou e ele a parecia observar atentamente, ela até mesmo ajeitou os óculos, se perguntando se estavam tortos.

— Você é realmente muito bonita.

— Oh?

— Sem ousadia, claro, mesmo que o cargo geralmente peça boa aparência, não é como se pedíssemos modelos, mas você é encantadora.

— E-eu, obrigada.

— Podemos por uma foto sua lá fora? Vai atrair um monte de gente – ele brincou, e ela enrubesceu, sem saber como responder enquanto ele gargalhava.

Alguém entrou e Sakura deu graças a deus.

— Kakashi, pare de falar asneiras, está assustando a moça – Mikoto declarou, trazendo uma bandeja com água e café. Sakura não tinha percebido que estava com fome até sentir o sutil cheiro de biscoitos de manteiga de chocolate. Torceu que só ela estivesse ouvindo seu estomago reclamar.

Mikoto lhe sorriu calorosamente, havia algo em seu sorriso branco e bochechas coradas que encheu Sakura de segurança.

Ela era uma senhora tão fofa.

Espantou esses pensamentos, e aceitou cordialmente o café oferecido.

Quando saiu de lá, ela poderia cantar We Are The Champions, subir nos carros ou dançar na chuva, se chovesse.

Não era como se tivessem lhe dado a vaga, mas tudo fluiu bem como se fosse uma conversa com conhecidos, ainda
que só tivessem falando do necessário.

Ainda estava receosa com a questão do horário, afinal, ela fazia faculdade, mesmo Kakashi garantindo que não era problema ou não estaria aceitando universitários na seletiva, ela ainda temia que isso ferrasse suas chances. O salário era bom demais para o pouco que exigiam.

***

— Você conseguiu?! – Hinata gritou.
Sakura se voltou para ela, a boca ainda aberta, e os olhos arregalados de incredulidade.

— É minha... Minha.

— AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH – A morena caiu sobre ela o telefone ficou pelo gancho.

Sakura demorou mais um tempo para reagir, o trabalho era dela mesmo depois de apenas dois dias. Kakashi disse que eles queriam inaugurar logo, mas ela ainda sentia que estava indo rápido demais, ou seria porque não estava acostumada ao no ritmo?

— Temos que comemorar, temos que comemoraaaaar. Vamos nos arrumar e vamos bebeeer.
— O quê? Não, nem pensar!
— Mas porquê?!

— Sua louca, eu começo amanhã, quer que eu apareça com cara de ressaca?

— Ah, mas...

— Amanhã é quinta, tenho certeza que você aguenta até sexta a noite, sim? – Hinata fez um bico, inconformada, ela não era uma rainha da festa, posto que era mais velho e tinha muito mais responsabilidade, mas ela andava se estressando bastante no trabalho e até com as investidas de Naruto Uzumaki, algo que Sakura também estranhava. Hinata sempre lhe parecera ser o tipo que se irritava com algo, mas mesmo que isso insistisse, ela apenas passava a ignorar.

Naruto Uzumaki devia ter deixado de ser grande coisa fazia tempo. Mas não iria se meter nesse assunto, ela também não estava totalmente afim de falar sobre Sasuke. O que falara fora apenas para por para fora, e nenhuma fonte de reflexão. Sakura preferia continuar apenas com as próprias.

— Tudo bem, mas você não vai escapar. Aliás vamos beber até cair.

— Certo, certo.

— Você já descobriu sobre o que diabos é aquele estúdio? Muita gente está curiosa, aquele lugar parece que vai ser um luxo.

— Parece que saberei amanhã...

— Argh. Precisa de mais alguma coisa?

— Bom, ele disse que eu não precisava ser tão formal, que iria descobrir que é um lugar bem “divertido”.
— Credo.

— Ué?

— Eu hein... Então vamos escolher algo “divertido” – ela riu. Sakura revirou os olhos e a seguiu até o quarto — Se bem que você não tem nada divertido pra vestir...

— Hinata?!


***


Ela se olhou no espelho pela quinta vez antes de sair do banheiro feminino, ainda sentia-se meio estranha em estar vestida assim na faculdade, era um vestido que geralmente poupava para dias de primavera.

Rosa bebê não combinava com inverno, ema sua opinião. Mas então sentiu-se ridícula, ela, a garota de cabelo rosa (o tempo todo) querendo ditar época para as cores.

Sentiu que ainda morreria de frio com apenas aquelas meias cor da pele. O lugar que trabalharia era muito bem aquecido, mas as ruas atoladas de neve não eram.

Ela ajeitou a bolsa sobre o ombro e seguiu para foda da faculdade, usava um casaco que emprestou de Hinata, mas ele só ia até as canelas e a cor de seu vestido chamava atenção entre o branco no gramado e as outras roupas escuras típicas daquela época.

— Ownt que bebezinho lindo, quer vir pro meu colo?

— Vá atrás de um babador, Ethan. – ela retrucou quando passou por ele, claro que ele só estava sendo um chato, era um dos colegas que ela mais se dava bem na sala.

Os outros colegas riram com ele e ela seguiu em frente até a calçada indo na direção do ponto de ônibus, torcendo que a neve não atrapalhasse os transportes.

Lá estava ela, pela primeira vez na vida deixando a aula antes das oito da manhã, matar aula e nem vir pra faculdade era totalmente diferente. Ethan logo voltaria do pequeno intervalo para a aula e ela iria trabalhar.

Seu horário era das oito e meia até o meio dia, então assistiria apenas as primeiras aulas da manhã e o resto seria reposto a tarde e a noite foi uma mudança e tanto na grade, e ainda teria que estudar em outras turmas e se acostumar com novas pessoas, mas o salário estava valendo, e quem sabe logo poderia alugar seu próprio canto. Morar com Hinata vinha sendo ótimo mas o espaço que ela tinha já estava reservado para a irmã mais nova dela, Hanabi que logo estaria vindo para a faculdade também.

Sakura estava mais que disposta a sair do caminho. Pela forma como Hinata falava da mais nova, elas tinham um laço forte e mal viam a hora de poderem compartilhar aquele tempo. Ela é que não ficaria no meio, atrapalhando. Ou observando.

— Sakura – ela parou e suspirou, embora soubesse que isso aconteceria hora ou outra, tinha que ser agora?
Voltou-se para ele e lhe lançou um olhar que embora o tenha retraído não quebrou a determinação que parecia haver em seus olhos.

— O que você quer, Sasuke?

— Eu quero conversar.

— Eu acho que já conversamos tudo o que tínhamos pra conversar, não? – ela respondeu, fazendo o máximo para não encara-lo, ela realmente não queria ficar o encarando.

Ainda doía, ela estava apaixonada por este cara que praticamente caíra de paraquedas em sua vida. Mas isso não estava lhe fazendo bem, não mais, suas mãos estavam tremendo e ela segurava os livros com força, isso porque ainda havia uma parte tola dela querendo ouvir algo que fizesse tudo de ruim se dissolver. Talvez fosse aquela tal parte que chamavam de Coração. Ela não queria saber, viveu até agora sem ouvi-la, sobreviveu à coisa pior.

— Não, não conversamos, você não me deixou falar e o pior, eu não quis te ouvir de verdade, o que é irônico, porque eu...

— Passou um ano agindo como um idiota, já sabemos, então vamos encerrar aqui e você pode seguir em frente, sim? – ele a encarou, embasbacado, e ela deu as costas.

Sasuke xingou alguma coisa enquanto ela dava graças a deus ao ver o ônibus aparecer na esquina.

Parou em frente o ponto e acenou, chamando.

— Você não está entendendo, eu não quis dizer dessa forma. – ele insistiu.

— Que bom que não disse da outra então. – ela ironizou.

— Puta merda, eu juro que vou estapear seu traseiro se não me ouvir. – Sakura o encarou, escandalizada, seu rosto avermelhou, haviam duas pessoas sentadas no banco do ponto, e agora os assistindo.

— Você-Você é maluco! Não pode falar comigo dessa maneira, e isso é agressão!

Sasuke se aproximou, ele estava tão constrangido com ela, mas não menos motivado ou feroz.

— Eu vou fazer isso agora, sério, nós precisamos conversar, eu posso ter sido burro antes ou por um bom tempo, mas não vou ser mais, você é minha e eu não vou desistir de você.

Ela apenas pode encara-lo, as outras duas pessoas entraram, alternando olhares entre eles, e Sakura resfoguelou com o olhar suplicante dele. O motorista buzinou e ela se obrigou a entrar no ônibus.

Seu balcão a esperava, perfeitamente organizado, e ela se obrigou a engolir qualquer possibilidade de borrar a maquiagem e parecer menos apresentável.

Sakura viu que chegara um pouco mais cedo que o horário de abertura, mas não se importou de abrir o local ela mesma, estava tudo limpo e ela se sentou, ligando o computador e abrindo a agenda preta sobre a mesa.

— Wow, que bom que não fui a primeira – Izumi disse assim que entrou
— E nem tropecei – gabou-se. Sakura riu.

— Eu também.

— E então? Apresentável? – ela indagou, puxando a barra do vestido que usava, era cinza e simples, mas ela tinha um corpo bonito o bastante para valoriza-lo. Também não era tão longo como o de Sakura, e o decote suavemente cavado o deixava menos social demais.

— Está linda.

— Ótimo, tive que ressuscitar essa droga, e mandar fazer a barrar, não tenho pernas bonitas como as suas.

— Hum?

— Aliás, vai pra um encontro depois que sair daqui?

— Quem? Eu? Estou exagerada? Meu deus, nunca mais ouço Hinata.

— Bobagem, você está incrível, essa cor fica bem em você – Sakura riu, enrolando uma mecha de cabelo em torno do dedo.

— Que bom! – as duas riram, e continuaram conversando.

— Awwwnt, vejo que já chegaram, coisinhas lindas – Mikoto comemorou, assim que entrou no recinto. Sakura e Izumi trocaram olhares engraçados, as duas haviam sido tratadas assim, individualmente, e agora viam que Mikoto as trataria assim, juntas. Não entendiam se era natural da mulher ser tão amável, mas de qualquer jeito, combinariam de discutir o assunto depois, no almoço que fariam ainda hoje.

— Bom dia, madame.

— Senhora – Sakura também cumprimentou, Mikoto irradiava alegria, vindo apertar as bochechas de cada uma. Sakura até ficou aliviada de Izumi parecer ser um tipo tão desacostumado com calor humano quanto ela, ou se sentiria ainda mais estranha em ter tanta atenção.

— Estão bem? Tudo perfeito? – Mikoto indagou.

— Está sim, agora só falta eu descobrir quem tenho que ajudar, e como a coisa aqui vai funcionar – Izumi foi cordial, mas direta.

Mikoto não se sentiu pressionada, e deu de ombros.

— Oh! Logo ele chega! Os dois, eu espero, é geralmente difícil fazer eles ficarem no mesmo ambiente, sabem como é? Rapazes...

— Entendo...?

— Mas posso dizer mais ou menos como vai ser, aqui em baixo, um vai trabalhar numa coisa própria, e você Sakura, vai ajuda-lo.

— O-oh, tudo bem...

— E lá em cima o outro quer chutar os negócios da família, e você vai ajuda-lo, Izumi!
— Certo...

— Ah, vou ver se a cafeteira lá de cima está funcionando bem, ontem estava uma droga! – e toda alegremente, cantarolando, ela seguiu para o elevador.

— Eu não acharia estranho se ela fosse seguida por um monte de passarinhos, coelhos e bambis...- Izumi comentou.

— Bem, ela até lembra mesmo a Branca de Neve...- Sakura brincou, e as duas riram.

— Isso foi maldoso!

— Claro que não, ela é branca e tem esse cabelo tão bonito...

— Damos uma maçã pra ela?

— Ela pode não gostar...

— Que maldade!

Sakura meneou a cabeça quando o telefone tocou, ela o atendeu, um pouco nervosa.

— Erm... hum, Fire Clan stúdio? – indagou, Izumi deu de ombros, mostrando que tampouco sabia como proceder.

— É o estúdio novo? Quero marcar uma hora – uma voz meio fina lhe respondeu.

— Oh, hum, claro – Sakura abriu a agenda e viu que já tinham alguns nomes para aquela manhã. — Posso encaixa-la entre nove e meia e dez e meia.

— Perfeito! Aliás, é Srta. Sunshine, ele vai saber quem é – gabou-se, e Sakura jurou ter ouvido risadinhas ou cochichos ao fundo, ou talvez apenas fosse estática.

— Até mais. – desligou. — Srta Sunshine marcou um horário...?

— Sunshine? Estou com medo de saber o que vão aprontar aqui, olha, se for muito bizarro e você quiser fugir, passa lá em cima e me chama, sim?

— Juro que vou tentar.

— Não seja traíra!

— Eu disse que vou tentar – ela brincou, enquanto Izumi fez um muxoxo.

A pequena campa sobre o balcão foi tocada, e as duas saltaram no lugar, espantadas. Sakura encarou a nova presença no ambiente sentindo a mente dar uma verdadeira girada e simplesmente travar sem saber como processar a visão.

Parado a sua frente, mandando um olhar intenso mas indecifrável para uma Izumi empalidecida, estava o principal fundador e chefe da Akatsuki, Itachi, Itachi Uchiha.

Se não tivesse uma expressão e rosto tão marcantes, ela certamente não o reconheceria. Ele vestia jeans claro, e camiseta sob um blazer preto, o cabelo estava mais bem organizado no rabo de cavalo, e não levava uma bituca de cigarro entre os lábios finos.

— Srta. Devine – ele disse, seu tom era como o de Sasuke em seu modo ameaçador, mas era ainda mais difícil entender o que se passava com ele. — Que prazer em revê-la – ele passou um olhar sobre a jovem, e ressaltou com um sugestivo arquear do cenho escuro — Realmente, um divino prazer.

Sakura apenas alternou olhares entre os dois, chocada demais para saber o que dizer.

— Vo-você? – ela gaguejou, o que deixou Sakura ainda mais aturdida com tudo.

Ele deu de ombros, não parecendo se importar.

— Ah! Filho! Você chegou – Mikoto exclamou, cantarolante, enquanto se aproximava. E isso não ajudou muito também...
— Sasuke! Você também!

Foi a vez de Sakura voltar um olhar assombrado, vendo Sasuke adentrar as portas, ele tinha a cabeça abaixada, as mãos no bolso da jaqueta e um olhar emburrado, se não, irritado.

Ele ergueu a cabeça e de alguma forma, foi encarar logo Sakura, e congelou no passo que dava.

E foi a vez dela também exclamar.

— Vo-você?


***

– Bom dia – Sakura acenou quando um casal passou. A garota já tinha uma tatuagem num ombro e os traços do que parecia uma flor estavam na pele do outro contornados por uma suave vermelhidão na pele.

O cara com ela tinha muito mais tatuagens e era bem simpático, acenando alegremente. Sakura abriu a agenda outra vez e suspirou tentando varrer a inquietação que inundava sua mente.

Havia mais duas pessoas antes do horário do almoço e ela nunca desejou tanto correr pra comida como agora.
Tudo ainda estava uma confusão só e ela estava se roendo pra pegar o telefone agora e ligar para Hinata vir busca-la e leva-la pra fora da cidade. Por que tinha certeza, estava em um tipo de conspiração.

Como pudera ignorar os claros sinais? Agora estava trabalhando pra ninguém menos que Sasuke e a família dele. Ele era o dono do novo estúdio de tatuagem, que ela sequer fora capaz de notar que era isso. Mesmo que só estivesse estado num duas vezes e numa delas, completamente bêbada, ela ainda se sentia uma idiota.

Parecia que fora tudo planejado, no jornal não dizia exatamente o quê o estúdio trabalhava, a vaga era perfeita para as necessidades dela, o salário era bom demais pra ignorar!

Só alguém que sabia bem como ela estava indo poderia fazer isso ser tão certeiro.

Sakura sacudiu a cabeça e viu de relance Sasuke sair do estúdio, ele estava sem a jaqueta, os braços tonificados mas não inchados, nus, a camiseta era regata de aberturas rasgadas deixando boa visão de seu peito e barriga pelas laterais e na gola. Ele usava uma máscara cirúrgica bem como removia luvas de látex das mãos.

Ela baixou a cabeça em direção á agenda torcendo pra ele apenas estar indo na direção do bebedouro ou coisa assim.

Sasuke entrou para atrás do balcão dela, baixando a máscara revelando mais um rosto úmido e enrubescido apesar da expressão séria.

– Tem mais alguém agora? – ele disse. Ela quase pulou da cadeira para longe dele. Queria distância saudável mas sua recém despertada parte orgulhosa se recusara a mostrar estar afetada com sua presença.

– O que? Ah, sim, tem sim. – Ela folheou a agenda e quando manteve a atenção na folha não pode deixar de torcer um pouco o lábio ao ler o nome.

“— Perfeito! Aliás, é Srta. Sunshine, ele vai saber quem é –“.

Ah, ela com certeza não duvidava.

– Tem, é a Srta. Sunshine. – disse quase lamentando não ter ocultado o sarcasmo. – Conhece?

Sasuke dedilhou a folha sobre o nome e também viu que depois dessa ainda tinha mais um cliente. Suspirou com enfado e deus de ombros.

– Sunshine? Sei lá. E isso é mesmo um nome?

Ela deu de ombros.

– Ela disse que você saberia quem é.
Sasuke deu de ombros olhando em volta.

– Eu sei lá, conheço um monte de gente, mas não é como se fossem amigos.
Ela preferiu ignorar e se voltou para o computador onde tinha que terminar um e-mail que Mikoto pedira pra ela mandar.

Sasuke a observou e soltou uma suave risada anasalada. Ela ignoraria mas estava alerta demais com ele e já não gostando de seu tom.

– Que foi?

Ele sacudiu os ombros e seguiu de volta pra sala.

– Nada, só que você fica uma delícia toda séria assim atrás dessa mesa.
Sakura arregalou a boca e os lábios encarando suas costas, e depois fuzilando-as antes de ele entrar. Bufou e descontou no computador. Sasuke abriu a porta novamente e a fitou com seriedade agora.

– Pode trazer o controle da central de ar aqui? Esta um calor fodido. – ele fechou a porta e ela quis manda-lo ir se foder. Fazia menos três graus lá fora!

Mas, recordou que ele saíra de lá bastante suado. Suspirou e mexeu nas gavetas até achar o pequeno controle, se levantou ao mesmo tempo que uma garota entrava no lugar. Sua calça era apertada e usava escandalosas botas de inverno. Uma blusa decotada e justa, o cabelo tingido de loiro e uma grande bolsa que talvez coubesse Sasuke dentro.

Porque tinha certeza que todo o resto era pra ele.

– Oi! – ela disse muito simpática até e se aproximou do balcão. – Eu marquei hora e...

– Srta. Sunshine?
– Siim!

– Ele já está lá, vamos? – Sakura a acompanhou e não fez questão de entrar dando-lhe passagem.

– Sasukeeeee?!. – Ele se virou já com novas luvas nas mãos.

– Hã? – Sunshine correu para abraça-lo e tagarelar mil coisas enquanto ele a encarava perdido. Sakura bateu na porta e ele a fitou, jogou-lhe o controle.

– Bom trabalho – disse e fitou a moça – E boa tatoo.

– Obrigada! Apesar que sendo pelas mãos do Sasuke...- declarou, sugestiva e empolgada.

– Hein? – ele indagou e encarou Sakura que se limitou a acenar e fechar a porta. – Sakura...

Ela ignorou, revirando os olhos e seguindo para sua mesa.

***

– Eu vou fugir da cidade, do país. – Izumi declarou, exatamente no minuto em que bateu doze horas. Ela desceu as escadas como um furacão, puxando a bolsa e já não estivesse fora do balcão e pronta pra sair, Sakura teria sido arrastada por cima do móvel.

Izumi pegou sua mão e as duas literalmente saíram correndo de lá sobre os saltos.

– Você não disse que namorava um Uchiha! – Sakura falou.

– E você disse?!

– Não, porque eu não o namoro!

– Nem eu!

– Ah, meu deus...

– Fodeu.

***

– Porquê você espantou elas? – Sasuke indagou o cenho vincado de desgosto enquanto via a cabeça de Sakura sumir na esquina num andar destrambelhado.

Ela estava fugindo como se ele fosse um maldito cachorro sarnento, suspirou com pesar.

Itachi se limitou a dar de ombros e ascender um cigarro, estava precisando desde cedo mas a Sra. Mikoto desaprovava veemente e na companhia da Srta. Devine, era difícil pensar na necessidade, pelo menos nessa necessidade. Bateu no ombro do mais novo. Desceu os degraus com calma.

– Pode relaxar, agora está tudo sob controle.

– Você é um sádico. Vai me explicar que porra exatamente você armou, Itachi, e quem é aquela outra lá?

– Tudo ao seu tempo, irmãozinho. Veja pelo lado proveitoso. A Srta. Haruno está bem ao seu alcance agora, você querendo ou não.

– E nem ela! – ele reclamou – Eu disse pra deixar eu me virar...

– Você está “se virando” há quase dois anos, você fica puxando-a e depois recuando, é por isso que ela escorrega de seus dedos – Itachi mandou-lhe um olhar afiado – Vá por mim, é a última vez que me meto e a última que você deixa e menina escapar, depois disso, ela está livre. E eu, vou segurar a Srta. Devine de uma forma que ela não vá mais escapar, e quem sabe você aprende como manter sua garota do lado.

***

– Isso só pode ser loucura, não, é armação. – Izumi protestou. Sakura preferiu apenas se sentar e tentar fazer as pernas pararem de tremer.

Respirou fundo tentando se acalmar a corrida combinada com aquela situação toda, não rendeu uma combinação saudável para ela.

– Você está bem? Parece pálida demais.

– Eu vou ficar bem, só não sou boa com corridas.

– Ah, claro. – Izumi chamou um garçom e pediu uma refeição simples. E suspirou tão exasperada quanto Sakura se sentia.

– Então...

– Começa você.

– Eu? Porque eu?

– Ah, sei lá, você estava com o carinha assustador das tatoos...

– Eu não! Mas o irmão mais velho dele parecia te conhecer divinamente bem!
– Argh – Izumi fez uma careta, um pouco corada – É, eu o conheço... Embora você não vá acreditar como...
Sakura arqueou as sobrancelhas e sentiu algo muito familiar no que ela dizia. Ainda mais se isso remetia ao sobrenome Uchiha.

Apoiou o queixo num punho acima da mesa, e encarou com seriedade e sinceridade.

– Não vou acreditar? Porque não tenta?

***

– Que estranho, a loira faltou hoje de novo. – Ethan comentou, observando, mais uma vez, a cadeira vazia, perto da janela que dava melhor visão para, o campo de futebol.

Sakura se limitou a fechar o caderno e se levantar.

– Até mais, pessoal.

– Hey, já está me abandonando tão cedo, assim me magoa, baby – Ethan brincou e ela deu de ombros.

– Você supera, baby.

Sakura saiu com pressa, temendo o ônibus e escorregar no gelo também. Mas temendo principalmente, mesmo não querendo admitir, que hoje não houvesse trabalho.

Já fazia duas semanas que ela trabalhava para Sasuke, ainda era estranho, pensar nisso, mas foi melhor do que esperava.

Sasuke respeitou seu espaço de trabalho, e tirando alguns comentários e alfinetadas sobre como ela ficava bem bancando a secretária, ou que poderia vir de calça de cintura baixa, pois ele não se importaria de ver as tatuagens dos empregados.

Sakura adoraria tatuar “Idiota” na testa dele, quem sabe parasse de aparecer tanta garota no lugar querendo uma tatoo feita pelo runningback da Konoha.
Não que ela se importasse.

Foi tudo bem normal, tirando quando o horário acabava e ele pedia pra conversar ou pra leva-la em casa.

Felizmente ela tinha Izumi pra tira-la das garras dele e em troca, ela a ajudava a se livrar dos cordiais convites de Itachi pra almoçar ou jantar.

As duas literalmente estavam se salvando uma á outra.

No entanto essa nova rotina que ela estava começando a se acostumar, mudou nos últimos dois dias. Sasuke a vinha dispensando pela manhã dizendo que não poderia trabalhar nesse horário e que portanto, ela não precisava ir. Também nem Jiraya e os dois viviam cochichando pelos cantos com caras tensas.

Agora ela percebia que Ino estava faltando a quase uma semana e infelizmente era difícil não relacionar as coisas.

Ela verificou o celular tentando ver se não havia outra mensagem de dispensa.

– Sakura.

Virou vendo Sasuke ali parado e algo lhe disse que ele não veio oferecer uma carona.

– Oi...? – ele estava visivelmente tenso, olhando em volta e suspirou encarando-a profundamente com uma expressão de angústia.
— Sasuke, o que foi?

– Sakura... preciso falar com você. – Ela inspirou pra negar – Não, não sobre nós, não ainda, quer dizer, é mas...Olha, preciso sair da cidade por uns dias, então o estúdio...

– Vai fechar?

– Só por uns dias, nada que te afete, tá?

– Mas e o Jiraya?

– Ele vai precisar resolver uns negócios.

– Entendi...?

– Enfim, o que eu quero dizer é que, quando eu voltar, a gente pode conversar?

– Sasuke..

– Por favor, eu to esperando tanto, eu pensei que daria pra segurar, afinal eu já esperei mais de um ano, só que... Depois de ter você... – Sasuke tocou sua sobrancelha e desceu pelo maxilar, Sakura lutou pra não se deixar sentir e apreciar o calor, queria que a própria pele fosse uma carapaça insensível – Eu não aguento mais, neném, e ainda com você tão perto... Isso é fodido demais, Sakura, por favor. Quando eu voltar.

Sakura respirou fundo, o cheiro dele infiltrou seus sentidos e seu calor a domou, e seus lábios tocaram a têmpora dela.

– Eu...

– Sasuke?! Por favor, vamos logo! – uma voz esganiçada chegou até eles e embora tenha rasgado tudo em seu torno. Sakura sentia que já deveria ter esperado por isso.

– Ino... – ele arquejou na direção do carro, Sakura se virou e viu Ino na porta, encarando-o com um olhar suplicante.

Ela vestia um moletom da faculdade, grande demais, seu cabelo estava num coque que mais parecia um ninho de pombo, o rosto pálido e limpo denotava olhos avermelhados e com bolsas escuras abaixo.

– Oh, nossa.

– Sakura, eu...

– Quando penso que não posso me sentir mais ridícula, você aparece e...
– Sakura, por favor, eu vou te explicar na hora certa.

– Claro, quando você terminar com ela. – Sakura deu a volta e ele a puxou pelos ombros encarando-a aflito, e desesperado.

– Por favor. Eu juro que vou te explicar tudo, mas eu preciso leva-la agora, Sakura, ela precisa de mim.

– Pode leva-la, Sasuke, eu não quero impedir, mas não espere que eu acredite que precisa de mim.

– Sakura, eu juro...

– Ela precisa de você e você “precisa” de mim, você já escolheu o que vai seguir, então pare de fingir que se importa com o que deixa pra trás, vá sem arrependimentos, e não volte pela metade – Sakura se desvencilhou bruscamente – Eu não aceito restos, nem metades.

Ela não viveu até agora pra terminar se contentando com pouco ou nada. Ela queria Sasuke mas, não o dividiria com ninguém. Absolutamente, ninguém.

Enquanto cortava o gramado de volta para o prédio de aula, visto que não tinha mais porquê perder tempo de estudo, ela encarou Ino, o estado desta a surpreendeu, nem em sonho achou que veria Ino naquele estado, em pleno campus e notou a pressa da loira e o temor de ser reconhecida.

Sakura a encarou e naquela troca de olhares, deixou claro para as duas.

Ino teria Sasuke agora e era bom segura-lo, porque se ele viesse para Sakura, Ino absolutamente nunca o teria de volta, nem uma parte.

Sakura já havia descoberto que era Orgulhosa, e tinha lidado bem.

Agora sabia que era Egoísta, e sinceramente, não dava a mínima.

***

Ela não dava a mínima de ser uma egoísta agora que já tinha dado a Sasuke seu direito de escolher.

Ainda assim, ele levara Ino dali ás pressas, gritando que voltaria pra falar com ela.

Ela havia decidido que o ouviria, mas Hinata lhe dissera que era o mesmo que deixar o babaca ganhar a disputa.
Mas Sakura iria ouvi-lo, não aceita-lo.
E nem iria espera-lo.

Hidan implorou pra leva-la no clube novo, e embora ela não quisesse sair no momento, acabou aceitando. Não era como se estivesse indo pra pegar Hidan e o que ele oferecia, desde cedo sabia que ele não daria o que ela precisava. Mas ele era seu amigo, mostrou e continuou mostrando isso depois de seu vacilo.

E ele também era o único e melhor sexo casual que ela conhecia no momento. Não estava em clima para transar, Sasuke deixara suas impressões sexuais bem demarcadas nela.
No entanto, Sakura esperava acabar com elas pelo menos depois de uma boa bebida, música e gente legal.
Hinata também ia e Izumi se animou, Sakura deixou o apartamento vestindo um conjunto de saia e cropped top de um tecido que lembrava veludo, era vermelho escuro e ela se sentiu bem elegante.
A saia era cintura alta, a barra na altura dos joelhos. O casaco preto a protegeu ainda mais do frio e ela calçou saltos que raramente ousava calçar torcendo apenas pra não tomar um tombo em público, as calçadas estavam encharcadas e até mesmo com gelo acumulado.

O apartamento de Hinata ficava perto de um bairro familiar e bem tranquilo, só reclamava-se da má iluminação em alguns pontos.

Haviam luzes natalinas em alguns pontos, decorações começavam a tomar a paisagem urbana. Sakura atravessou a rua, caminhou alguns metros pela calçada rumo ao ponto de ônibus onde Hidan a pegaria.

Ele insistiu em busca-la na porta, o que lhe pareceu bobo. Hinata iria do trabalho para lá.

Sakura parou e olhou o visor do celular, notando uma silhueta próxima, ela voltou a caminhar para a própria segurança embora ele fosse devagar.

– Com licença... ? — Ouviu e parou a alguns metros do estranho.

Ele era ruivo, um tanto familiar mas tinha uma cara meio ameaçadora que a fez manter um pé pronto pra correr.

A encarava como se tentasse reconhecê-la e ela notou uma tatuagem no canto da sua testa.

– Licença mas...Você é a Sakura?

– Sou... E você é?

– É você mesma! Espera, não me reconhece? Sou eu, Gaara!

Sakura sacudiu a cabeça negando.

– Perdão...

– Poxa, assim você me magoa, sou praticamente seu veterano de Medicina.

– Você é? – ele riu, aproximando-se, era muito bonito, alto e esguio, mas ela achou seus olhos meio amarelados e acesos demais, íris era verde água, seu corpo meio agitado.

– Sim, eu acabei saindo pouco depois que você entrou, mas eu te vi numa das primeiras festas pros calouros.

– Oh, nossa, me desculpe, desculpe mesmo...

– Nah, tudo bem, faz tempo mesmo, lembra do... Ethan?!

– Ele estuda comigo! – Ela exclamou e ele assentiu. Empolgado.

– Sim! Era muito louco o cara!

– E continua!

– Haha, ele não tem jeito... Eu lembro de você, Sakura. – disse, tocando o queixo dela — Poxa, você ta ainda mais bonita, e dizem que a faculdade acaba com a gente, e você tá ainda mais gata.
– Ah, erm... Obrigada.

– Então? Eu to indo num rolê legal com uns amigos? Você não quer ir? Garanto que vai adorar.

– Ah... Desculpe, mas não vai dar, eu já marquei com uns amigos, entende?
Ele piscou surpreso e então suspirou pesadamente, outra vez tocou o queixo de Sakura e antes que ela pudesse pedir que parasse, notou em seu olhar, uma sombria mistura de admiração e pena.

– Ah, que pena, Sakura, você é mesmo tão bonita... Ele sempre pega as melhores mesmo, eu diria que dessa vez, se superou... Uma pena. – Sakura o fitou estarrecida e confusa, os pelos de sua nuca arrepiaram e ela sentiu algo atrás de si. O olhar de Gaara foi pra aquela direção, frio e embaçado. – Faz aqui mesmo.

Sakura girou sobre os calcanhares com um grito na garganta. Sentiu apenas o choque de uma mão contra o rosto.
Pareceu que metade de seu rosto havia sido arrancada com o golpe, ela apagou antes de cair dentro do pequeno canteiro de flores da frente de um dos prédios, o grito não saiu, seu coração bombeando com violência contra sua caixa torácica foi talvez a última coisa que sentiu e ouviu.

Gaara se abaixou observando-a jogada entre as flores murchas enquanto embebia um lenço com clorofórmio.

– Acho que a matei... – disse o outro cara.

Ele o fitou, achando graça, e pôs o lenço contra o bonito nariz de Sakura.
Ela estava respirando, mas a pressão que ele fez em suas narinas a fez despertar instintivamente em busca de ar.
Sua mão segurou o pulso dele, seus olhos se arregalaram de pânico e horror, suplicaram pra ele, os dois sabiam que ela era inocente. Mas só um se importava, e não era ele.
Então ela cedeu, debilmente amolecendo os músculos, clorofórmio fazendo seu trabalho, seus olhos gentis fechando-se, derrotados.

– Sakura, Sakura, bonita Sakura, Sakuras são flores que perecem muito rápido – comentou, se levantando, o outro a pegou e jogou sobre um dos ombros, os dois seguiram para a van estacionada num ponto mais escuro da rua. Puseram-na lá dentro e ele entrou sentando num dos bancos, o outro ligou o carro e Gaara fechou a porta da van, com um suspiro exasperado – Aquele idiota deveria saber disso.
Agora ele está com a minha flor, e eu com a dele.

– Vai ligar agora?

– Nah... pressa pra quê? Sakuras não duram muito de qualquer jeito. São muito frágeis.

– Cara... Você é maluco.

– Você não faz ideia do quanto.

Mas Sasuke descobriria logo.

Notas finais
MUAHAHAHAHAHAHHA