Ignites me
5 Centelha V
Notas iniciais
Ela precisou ligar para Hinata, algo lhe dizia que Sasuke não voltaria mais.
Ela já havia desistido de si mesma, e isso lhe trouxe a estranha sensação de que nada mais valia a pena.
Não se importou de faltar a faculdade sequer de mandar um atestado, nem mesmo voltou para a república, e estava literalmente se escorando na casa de Hinata, seu mais novo refúgio da vida.
Gostaria de poder se tornar seu animal de estimação depressivo, mas Hyuuga não estava interessada nisso.
A rotina de Sakura nos últimos três dias se resumiu a comer porcaria de fácil preparo, retomar os remédios para crise, e noites mal dormidas rolando as últimas mensagens que trocara com Sasuke.
Ela o havia bloqueado, apenas para o bem de sentir menos patética, mas não fora capaz de apagar aquelas conversas.
Vendo agora cara oportunidade que ele gentil e sutilmente lhe dera para falar um pouco de si mesma, ela se sentiu idiota e egoísta, estava tão acostumada a se defender que já nem percebia.
No quarto dia, ela foi acordada mais cedo do que gostaria, considerando que não dormia direito, o finzinho da noite e começo da manhã eram o horário que conseguia cochilar. Mas Hinata estava decidida a se livrar dela.
Empurrou-a para o chuveiro cedo, e depois despachou-a para a república. Sakura quase caiu naquela cama, mas decidiu que não queria proximidade com Barbie e sua língua afiada, e nem lembrar que fora ali que tivera um dos melhores momentos com ele.
Pegou os materiais e se moveu sem pressa rumo ao campus, seu prédio ficava distante e fora da visão em relação ao que empregava o curso de Administração ou ao campo de futebol, e chegando depois do horário da primeira aula, ela se sentiu mais segura de não lidar com a estrela do time.
Arrastou-se pelos corredores como um espírito perdido. A motivação decaia a cada passo, e por um momento, ela se perguntou o que realmente fazia ali.
Que diabos de futuro ela buscava realmente?
No entanto, futuro era sempre a única chama de esperança que ela tinha. Sakura seguiu em frente com passo mais firme.
Ela nunca se deixou parar apenas por que só podia contar com o futuro, e mesmo que o baque tivesse sido tão doloroso desta vez, ela não poderia parar.
Ela mal percebeu o som de saltos se aproximando no piso e parando diante dela, e quase trombou na figura da professora Tsunade, que não era ninguém mais que a coordenadora do curso de Medicina da universidade.
Ela poderia se jogar da janela agora.
— Professora Tsunade...
— Sakura? É você, onde esteve? Você sumiu das ultimas aulas. – Sakura se empertigou com o tom professoral da mulher, e ainda mais, que ela tinha dado por sua falta.
— Eu-eu... Eu estive doente...
— Esteve? Pois me parece que ainda está...
— Eu vou ficar bem.
— Você não pode perder matéria, estamos perto da semana de provas e...
— Eu vou ficar bem – Sakura cortou, inspirando tremulamente, a mulher a encarou, espantada.
— Sakura... Você está bem? Algo está pesando para você? É o curso? Sei que é sozinha, que isso pode ser pesado, você já pensou em trancar por um tempo? – Sakura se encolheu com o tom compassivo da maior carrasco do curso, e lamentou como poderia se capaz de extrair pena de qualquer um.
Ela respirou fundo, apertando os livros contra sua invisível parede que ameaçava romper a qualquer momento.
Mas ela não precisava mais que isso acontecesse.
— Esse curso é a única coisa que eu tenho, professora – a diante do olhar chocado da mulher, ela se despediu baixo e saiu.
Quando sua sombra sumiu no corredor, a mulher respirou e mordeu o lábio com raiva. Indignação queimando nas veias, ela tirou o celular de dentro do blazer e esmagou a tela do celular sobre cada ícone de número. O aparelho rachou em sua mão enquanto a chamada prosseguia.
— Oi...? Tsunade...
— Escute aqui, eu vou falar pela última vez, se você não vier agora, eu mesma farei que se torne inútil entendeu?!
— Tsunade, o que diabos? Aconteceu alguma coisa?!
— Ou você vem o mais rápido possível, ou acabou, entendeu? Chega, estou farta de você dando para trás. Ou entra ou sai, de uma vez por todas, entendido? – ela rosnou.
Do outro lado, houve um longo suspiro, e a resposta.
— Eu entendi...
— Acho bom mesmo, Kizashi.
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— Acho que devia falar com ele – Hinata comentou, casualmente. Sakura se limitou a continuar limpando as garrafas e enfileirando na estante.
— Eu sei...
Ela havia decidido isso, há dois dias. Mas lá estava ela. Parada de novo sem coragem de seguir em frente, de pisar naquele terreno de novo.
E também ainda havia o fato de que ele também não a procurou, embora soubesse que deveria ser ela a ir lá. Sakura ainda estava incomodada com seu silêncio. Ainda evitava chegar cedo para a aula para não topar com ele ou seus conhecidos. Ainda saía o mais tarde que podia e gastava longas horas na biblioteca.
Não porque se conheceram lá, mas parecia o único lugar em que ela podia apagar tudo da mente um pouquinho.
Ficava o mínimo possível na república, para evitar a língua de Ino, mas no pouco tempo que ficava notou que a loira estava tão por fora quanto ela. Ino chegava rápido e logo saia, sem dizer nada, sempre com pressa. E Sakura não sabia o que pensar disso. Nem queria perder tempo.
Hinata suspirou, e seguiu ate ela, tomou-lhe o pano e a encarou.
— Então porque não vai?
— Hinata...
— Vai, agora – ela ordenou, e Sakura se encolheu.
— Eu nem sei onde acha-lo...- tentou.
— Então procure! – ela lhe empurrou o casaco e a bolsa então expulsou-a do pub.
Sakura caminhou pelas calçadas cheias de neve ainda sem saber para onde ir. Era fim de tarde e duvidava que o time estivesse treinando naquele frio, ou talvez estivessem, posto que eram verdadeiras máquinas.
No entanto, ela preferiu arriscar e foi onde havia até prometido que nunca iria.
O estúdio de tatuagem estava aberto, Sakura entrou ainda sem retirar o casaco do corpo, a recepção era pequena, as cores eram vermelho, branco e azul e era diferente do que ela esperava encontrar. Não era um pequeno caos cheio de desenhos ou de gente mal encarada, não tinha cheiro de cigarro ou bebida.
Era mais próximo de um consultório que de uma baderna perigosa como a da sua imaginação. Havia um sofá azul escuro, e nas paredes desenhos e fotos de tatuagens, bem organizados em molduras simples, do outro lado, um balcão preto, onde havia um homem de uns cinquenta anos, cabelo grisalho, roupas de motoqueiro, lendo uma revista palyboy enquanto uma corrida passava na pequena TV.
Sakura se aproximou preferindo evitar olhar a revista e saber quem era a coelhinha de novembro.
— Erm, hum, senhor? – o homem a fitou por cima da revista, primeiramente sem interesse, depois, numa segunda olhada, ele puxou os pés de cima do balcão e lançou a revista para trás.
— Olá! Como vai pequena gueixa? Algo em que posso ajudar? – Sakura ajeitou os óculos, desconcertada.
— Eu-eu.. estou procurando...
— Uma tatuagem? Em qual lugar desta belíssima obra divina você gostaria de fazer?
— Por deus! Não, sem tatuagens! Eu só... estou procurando uma pessoa...
— Oh, sim? – ele indagou, desconfiado. — Que seria...
— Sasuke, ele se chama Sasuke, e ele trabalha aqui...
— Ah, o fedelho, só podia... – ele bufou.
— Hum, ele está?
— Ele não está agora, nem lá nos fundos.
— Entendo... ele deve estar no treino?
— Hum? Também não, ele não tem ficado muito por aqui, anda todo mau humorado, não que seja grande novidade, então está dormindo do apartamento do irmão dele.
— Ah, entendo, eu gostaria muito de falar com ele, poderia me dizer onde e se ele vai estar lá?
— Ah, ele com certeza está lá – o homem riu de uma piada própria — Eu vou te passar o endereço.
Sakura pegou o papel e acenou um obrigada antes de sair.
— Obrigada senhor...
— Jiraya – ele disse, acenando já com outra playboy na mão. Ele não viu que em seguida ela voou para fora do espaço e praticamente se lançou na calçada.
Sakura andou até a esquina agradecendo por ele não tê-la reconhecido. Pelo o que Sasuke lhe disse, Jiraya não era muito discreto e queria até mesmo ver ela de novo para ver como a tatuagem ficara.
Nem morta ela deixaria.
O endereço era perto de onde Hidan morava, e isso não a surpreendeu muito. Agora ela caminhava com passos comedidos.
Incerteza dominava cada passo, mas também vontade de virar aquela moeda e quem sabe, a página.
Ela havia conversado pouco com Hinata, sobre tudo o que houve, a morena chegara a conclusão de que ela era fechada demais, que deveria parar de temer a pena das outras pessoas, e ignorar. Mas principalmente, tentar aceitar quem era, e aceitar que poderia sim haver quem a queria.
Ela havia passado tanto tempo ansiando afeto e proteção, que quando recebera isso nas últimas semanas, estava simplesmente chocada demais para reagir sem fugir.
Seus braços passaram tanto tempo envolta dela, sendo seu escudo, e seu calor, que ela era incapaz de abri-los e receber alguém, até Sasuke chegar e tentar adentra-la.
Sakura ainda queria correr dele e voltar aos dias de calmaria, mas haviam passado uma semana, e ela não se sentia calma. Porque deveria achar que ainda ficaria?
Então tudo o que podia fazer era arriscar.
Se jogar para ele, e pegar tudo o que ele tinha a oferecer.
Ela parou do outro lado do prédio novo e de aspecto um pouco caro. A neve tinha sido limpa das escadarias e as portas eram de madeira cara e talhada.
Sakura parou apenas para confirmar o endereço, e esperou os carros passarem antes de atravessar.
Se olhar viajou para as portas bonitas se abrindo, e ela sentiu os pulmões se encherem de expectativa e calor quando viu Sasuke atravessa-las. Ele usava uma jaqueta quente e escura, e enrolava com dificuldade um cachecol em torno do pescoço, soprando ar quente pela boca.
Ele parou antes de descer, e ela parou antes de pisar fora da calçada, ao reconhecer a cabeleira loira e vibrante de Ino deixando o prédio.
Ela saltou sobre as costas dele aos risos, segurava a mesma mochila que Sakura a vira levar na última vez que a viu na república e sorria alegremente, bagunçando o cabelo negro dele.
Sasuke bufou um pouco a pousou no chão, ela riu e ajeitou seu cachecol.
Sakura deu as costas e foi embora.
Nunca houve nada ali para ela. Ou pelo menos, nunca mais haveria.
Seus passos se alargaram ao máximo tentando irem mais rápidos que as lágrimas que explodiam em seu rosto. Era a terceira vez que ela chorava em um maldito mês, e mais vezes do que ela já chorou na vida.
Seu nariz trombou numa parede forte, e ela reconheceu o cheiro de cigarro e canela de Hidan.
— Sakura?! – ele exclamou — O que você faz aqui, Little cherry?! – ele proferiu com bom humor, que se esvaiu quando encarou sua face encharcada — Sakura?
— Por favor, me leva daqui – ela implorou, mecanicamente, ou desabaria.
Hidan a fitou confuso, seu olhar viajou para atrás dela, e sua face endureceu numa expressão zangada que ela nunca tinha visto, mas não queria saber o porque, não queria saber o que ele viu.
Ele puxou seu ombro e deu a volta levando-a.
— Vamos.
— Sakura? – Sakura travou com a voz de Sasuke — O que você...
— Ela veio me ver – Hidan cortou, mandando algum olhar que calou tudo atrás deles. Puxou-a de novo e ela seguiu em frente, querendo apenas sumir sob sua figura. — Vamos lá, tampinha.
Ela gostava mais desse apelido, ela se sentia uma tampinha agora, que ninguém queria depois de tirar da garrafa, algo que você chutava quando estava em seu caminho.
Quando estavam longe o bastante, no apartamento escuro e bagunçado dele, ela se limitou a sentar no sofá e aceitar um café instantâneo que era tudo o que nunca faltava na casa de Hidan, ele sempre tinha que se curar da ressaca afinal.
Ele se abaixou a sua frente e afagou seu braço com um olhar preocupado.
— Você está muito fria, soube do que houve na festa do pirralho Uzumaki, você está bem? Eu estive fora da cidade, ou teria te visitado, pequena.
— Toda a minha vida, eu sempre esperei por amor, mas, nunca tive ou tentei implorar, acho que, no fundo, por mais que eu soubesse que era só uma criança desprezada, um lixo descartado, eu ainda era capaz de ser orgulhosa ou pretenciosa o bastante para esperar que alguém que viesse, iria me amar como eu merecia. – Hidan puxou a xícara que balançava em suas mãos trêmulas, e com as duas mãos permaneceu como antes, esfregando seus braços e tentando forçar algum calor para dentro dela.
Sakura piscou deixando a vertente salgada descer dos olhos.
— Eu estava indo... Eu estava indo.
— Querida.
— Eu estava indo implorar amor, Hidan. Implorar. E eu estava indo para aceitar qualquer coisa.
Ele suspirou e a puxou, abraçando-a.
— Então eu percebi, que eu estou tão desesperada, que poderia aceitar qualquer coisa.
— Shhhh.
— E é por isso, é por isso que eu não mereço amor.
Amor não era qualquer coisa.
Não qualquer coisa como ela era.
Ela aceitaria qualquer centelha, qualquer chama que pudesse aquece-la, mas amor era aquilo que iria bastar o frio para sempre.
Uma chama sem fim, que nunca ardeu para ela.
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— Aquele filho da puta! – Hinata gritou, lançando em seguida um dos ursinhos de pelúcia na parede.
O som abafado ecoou pelo quarto, e poderia ser tão pesado quanto se tivesse sido um item de vidro.
— Bastardo desgraçado! Quem ele pensa que é?! Chega se fazendo de bom moço, dizendo que não é como os outros babacas daquele timeco, se achando com aquelas tatuagens sexys, mas é só negar fogo que ele corre pra primeira putinha de torcida na lista! – ela gritava lançando os demais ursos pelo quarto.
Ela tinha aquelas coisas fofas desde que era pequena, e mesmo quando passou a morar sozinha, fez questão de traze-las consigo. Sakura permaneceu encarando um urso azul bebê entre as mãos, ele era pequeno, tinha uma gravata vermelha em volta do pescoço e segurava uma pequena placa de gesso com os dizeres:
Parabéns pelo diploma, filha.
De: Papai e Mamãe, com amor.
Olhando para a cômoda branca, ela viu o porta-retratos em que Hinata aparecia usando a beca preta com faixa vermelha, um diploma em mãos, os braços em volta dos dois pais, um casal de cerca de sessenta anos, e uma garota de cerca de quinze. A Hyuuga também segurava o mesmo ursinho que Sakura tinha e mãos agora. E um sorriso de pura plenitude esbanjava-se em seu rosto.
Sakura nunca havia pensando nisso, mas quando se formasse, ela não teria ninguém lá no auditório, observando-a subir e pegar aquele diploma, tirando fotos, dando-lhe lembranças daquele dia.
Todos os brinquedos que ela teve na vida eram doados, e geralmente ela, tal como as outras crianças de suas idades eram ensinadas a repassarem para as crianças mais novas. Visto que não podiam contar com as doações sempre, as madres ensinavam desde cedo a dividir e ceder, achando ser uma boa lição para convivência em sociedade e numa futura família.
Claro, elas não contaram que, fazendo isso, impediam as Sakura e os outros de juntarem pertences que fossem só seus, pedaços que constituíssem quem são, lembranças de quem eram.
Ela não se lembrava da última boneca que teve, pois não fez mais questão de ter uma depois que soube que teria de dá-la. E como fotos, ela não tinha mais que fotos em grupo, fotos dela, o rosto dela, entre tantos outros iguais ao dela.
Hinata bufou encarando o estrago, ursos de todas as cores de tamanhos, estavam espalhados por aí.
Ela suspirou e se voltou para Sakura.
— Sakura...- ela seguiu até a cama, mirando com preocupação seu olhar vazio em direção ao urso. Puxou-o delicadamente de seus dedos, e se sentou, abraçando-a. — Vai ficar tudo bem, eu juro, vai passar. Vocês nem se conhecem há tanto tempo, mal ficaram juntos. Você só está mal por toda a situação.
— Eu sei.
— Vai ficar tudo bem – ela insistiu. Mas também queria ter certeza disso.
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— Hmm, bela saia, moça.
Sakura se limitou a deixar as garrafas sobre a mesa e seguir de volta ao balcão. As risadinhas atrás dela, outrora a deixariam constrangida, e emburrada.
Agora eram tão desprezíveis quanto os trocados que recebia ali, por isso, estava saindo.
Reconhecia que deixar o emprego agora era quase um pedido para morrer de fome.
Mas ela sentia que se deixasse continuar no mesmo lugar, enlouqueceria. Por isso, ia largar o bar do Chris e correr atrás de uns bicos que não a fizessem perder sua dignidade, entrou num grupo de estudos da faculdade, estava se matando a cada prova, e também tinha deixado a república.
Dividir o quarto com Ino se tornou algo tão nauseante que, depois que saiu da casa de Hidan, ela sequer foi capaz de voltar. Pediu para Hinata pegar suas coisas, que nem eram muitas e levar de lá. Ino teve a sorte de não estar lá, quando ela foi, pois a Hyuuga foi planejando um golpe diferente que daria nela, a cada passo.
Sakura agora estava literalmente encostada no apartamento de Hinata, e esse foi outro motivo para sair do Chris. Hinata pagava seu cantinho com o dinheiro do estágio e do bar, obviamente, Sakura não conseguiria ajuda-la a pagar a parte que devia apenas coma mixaria de lá.
— Tudo bem? Estes caras estão enchendo – Hinata lhe indagou.
— Eu nem os estou ouvindo – Sakura deu de ombros. E encarou o pequeno palco, onde de vez em quando alguém criava coragem e ia cantar alguma coisa. Havia uma bonita garota de cabelos pretos sentando-se lá, roupas simples, calça e blusa, um violão, olhos escuros e tranquilos.
Ela acenou calmamente, enquanto ajeitava o microfone, e Hinata encarou Sakura com preocupação.
— Você não vem ouvindo há algum tempo.
— Hinata.
— Pare, e escute, está bem? Você precisa parar de se esforçar, desse jeito você vai se matar, sua saúde é um caco, seu emocional está uma merda, e o que você faz? Procura trabalho e se atola mais na faculdade? Você não precisa deixar esse emprego, certo que é uma merda, mas você não precisa, não agora, tá? Eu disse que posso manter as pontas por nós duas, então vamos devagar.
— Eu não posso fazer isso, não posso me escorar em você.
— E quando foi que você se escorou em mim ou qualquer outra pessoa na sua vida? – Sakura abriu e fechou a boca, Hinata lhe mandou um olhar carinhoso e brincou com seu queixo — Se escorar um pouco as vezes é bom, todo mundo tem que dar uma parada quando caminha tanto, e Sakura, nunca vi ninguém andar tanto quanto você, sim?
Sakura suspirou profundamente, e aquiesceu com um sorriso pequeno.
— Eu vou tentar...- Hinata revirou os olhos e bateu em seu ombro, um pouco indignada.
— Garota, relaxa! – reclamou e Sakura riu, esfregando o braço, ela viu a porta do local ser aberta, e seu sorriso murchou.
— Acho que é melhor deixar isso pra quando sair daqui, finalmente – ciciou, tentando não fungar e deu as costas contornando o balcão, o barman ainda não tinha voltado e ela foi ela mesma atrás das bebidas. Hinata se virou e xingou querendo entortar a bandeja entre as mãos.
O barulho encheu o local, impedindo até mesmo a cantora nova de começar com sua música.
As garotas do time entraram esbanjando risos, e saias curtas, comemorando uma provável vitória do time. Os homens com elas, alguns, ainda usavam o uniforme, suados, e risonhos.
Eles pegaram uma mesa no meio do lugar, como de costume, e fizeram sua típica barulheira. Sakura não olhou diretamente, mas reconhecia a cabeleira de Sasuke facilmente, de esguelha, por isso se apressou em por as bebidas no balcão.
— Opa, desculpa a demora, Sah. – David disse, já fazendo menção de ajuda-la com os copos, ela se afastou com a bandeja e seguiu em frente.
— Não precisa mais – declarou. Ele encarou Hinata aturdido que sussurrou.
— Ela está estressada com as provas.
— Ah, sim.
— Eu vou lá cuidar dos campeões. – ela declarou, vendo Sakura passar direto pela mesa servir outra ao fundo e dar as costas, começando a limpar uma mesa desocupada.
Hinata seguiu ate a mesa, transferiu o peso pra um dos pés e encarou os universitários com tédio enquanto mascava uma goma e segurava o bloco.
— O que vão querer? – indagou, Encarou todos e viu o idiota com a cabeça voltada na direção de Sakura.
— Não esquecendo claro, que as
garotas não estão no cardápio – afirmou com ironia.
Ele se voltou para ela, encarando-a com a cenho negro franzido.
— E quem iria querer? – Ino indagou, ao lado dele, enquanto enrolava uma mecha de cabelo em torno do dedo. Hinata lhe mandou um olhar arrogante, e mexeu no longo cabelo escuro que derramava-se sobre seu colo farto.
— Você não faz ideia do quanto, os caras até mesmo fazem fila, claro, não que significa que ganhem algo fácil, quando é fácil demais, eles voltam o tempo sempre que estão entediados, e mimar caras é pra garotas carentes de si mesmas. – piscou alegremente, e sorriu. — Então, vão pedir ou não?
— Princesa, eu juro que compro o estoque todo se me der seu telefone – Naruto Uzumaki lhe pediu, com aqueles belos olhos azuis bebê.
— Desculpe, mas eu deixei de trabalhar como babá faz um tempo. – risadas encheram a mesa enquanto ele suspirava abatido. Ela quase ficou surpresa, ele não parecia o tipo que se rendia fácil. Mas Hinata logo lembrou que ele tinha muitas cadelinhas em torno pra consola-lo.
— Você não acha que está sendo um pouco desagradável? – ela encarou Sasuke Uchiha, e mandou-lhe um olhar estreito, se apoiou na mesa para encara-lo mais de perto, mantendo a outra mão no quadril largo.
— Olhe em volta, quem está sendo desagradável? Você é um grande pedaço de estorvo sabe? Ao menos deveria ter dignidade de saber disso. – ela recuou, recebendo a mesa em silêncio com um sorrido doce. E começou a anotar — Vou trazer uma rodada de cerveja pra todos, sim? – então deu as costas se afastando com um olhar feroz.
— Eu acho que to apaixonado...- Naruto ciciou, e Shikamaru socou seu braço.
— Você é doente.
— Mais fácil ela comer você que o contrário...- comentou Kiba.
— Onde está o gerente? Essa cadela pode mesmo sair falando assim? – irritou-se Guren.
— Com aqueles peitos, aposto que já é dona do lugar...- disse Shino e levou um bom cascudo de Naruto.
— Cala a boca!
Sasuke sacudiu a cabeça e se levantou olhando em volta.
— Sasuke? – Ino chamou. — Pra onde você vai?
Ele seguiu em frente vasculhando os fundos e então indo para o corredor que dava até os banheiros, mal entrou quando topou com a cabeça de Sakura. Ele recuou encarando-a, e ela o fez o mesmo.
Mas foi apenas isso, ele não conseguiu falar.
Ela saiu do espaço e seguiu até o balcão, sentando-se num dos bancos.
— Tudo bem? – Hinata lhe indagou.
— Minha cabeça está doendo, fui apenas tomar um comprimido. Posso tirar alguns minutos?
— Fica aqui, sim? – Hinata pegou a bandeja cheia e seguiu até as mesas, Sakura suspirou, empurrando os fios para atrás das orelhas, e tirando os óculos, coçou a vista. Fechava os olhos e via o negro do olhar dele, seu rosto branco e esculpido. Sentia o calor de seu corpo, e infelizmente, ainda sentia o magnetismo tentar uni-los.
Ainda bem que ele não falou nada, não que achasse que fosse adiantar, ela só não precisava mais de qualquer coisa assim.
Ouviu o som do violão, e lembrou da moça que deveria ter esperado o tempo todo para que aqueles insuportáveis se calassem.
Seria tudo tão mais fácil se as pessoas se respeitassem um pouco.
Ela sentiu a cabeça latejar com o som das cordas mas ainda se virou e encarou o pequeno palco.
— "Como eu posso decidir o que é certo
Quando você está confundindo minha mente?
Eu não posso ganhar sua luta perdida o tempo todo
Agora, eu já posso possuir que é meu
Quando você está sempre mudando de lado?
Mas você não vai arrancar meu orgulho
Não, não desta vez
Não desta vez"
— Wow, ela é boa – disse Chris, finalmente parecendo ter saído de seu buraco no escritório.
— É sim...
"Como nós chegamos aqui?
Bem, eu costumava te conhecer tão bem
Mas como nós chegamos aqui?
Bem, eu acho que sei"
— Podemos conversar lá dentro? – ela pediu. Ele a fitou um pouco surpreso, mas concordou. Sakura se levantou o acompanhou rumo ao escritório. Hinata a fitou de longe, e lhe mandou um olhar que insistia para que desistisse.
Sakura piscou para ela com um sorriso suave e confiante.
"A verdade está escondida em seus olhos
E está na ponta da sua língua
Apenas fervendo no meu sangue
Mas você pensa que eu não consigo ver
Que tipo de homem você é?
Se você é mesmo um homem
Bem, eu irei descobrir isso
Por mim mesma (estou gritando, "Eu te amo tanto")
Por mim mesma (mas meus pensamentos você não pode decifrar)"
A música ainda era capaz de chegar no escritório. Ela se sentou a mesa e um pouco mais tranquila conversaram rapidamente.
Sakura saiu encarando o relógio, finalmente sua hora havia terminado e ela até achou bom ter conversado com Chris no dia em que não precisava ficar para fechar o bar.
Ela foi até o bar e encontrou Hinata.
— E aí? Ele falou merda? Porque se ele tiver falado merda...
— Dê um crédito ao rapaz — Sakura riu, abraçando-a — Eu já vou, minha cabeça está me matando.
— Tudo bem, os campeões de quinta ali acham que vão demorar, mas estão enganados, essa joça vai fechar no horário nem que eu tenha que bater a merda fora deles.
Sakura não pode deixar de torcer a boca em desgosto a ultima coisa que ela disse, mesmo que a imagem de Hinata expulsando aquela gente esnobe na base de cadeiradas a deixasse quase de bom humor.
— A chave está em baixo do vaso, certo? Estou indo.
— Isso mesmo – Sakura se afastou e seguiu para o quartinho.
Se trocou rapidamente, apenas a ideia de respirar fora dali, já a deixava melhor.
Vestiu as meias pretas de lã, uma saia branca e mais longa, as três blusa mais quentes que tinha para enfrentar este inverno, e o casaco, pegou a bolsa.
Saindo pelos fundos, ela soprou o ar quente contra as mãos e se apressou cruzando entre os carros. Uma sombra escura recostada num dos carros, praticamente ao seu lado, a fez parar e recuar.
Quando ela reconheceu, seguiu em frente.
— Sakura – Sasuke tocou seu braço mas ela o puxou rapidamente, ele a fitou aturdido com seu gesto brusco. E Sakura lhe mandou um olhar ainda mais rude. Ele piscou, atordoado, e entreabriu a boca algumas vezes — Eu... Eu só quero conversar.
Ela meneou a cabeça em negação, e ele se aproximou com um olhar angustiado.
"Oh, como nós chegamos aqui?
Bem, eu costumava te conhecer tão bem, yeah hey
Como nós chegamos aqui?
Bem, eu acho que sei"
— Por favor.
— Acho que nós dois já deixamos o tempo pra fazer isso passar, Sasuke.- ela rebateu enquanto ele se moveu inquieto.
— Eu... Aquele dia, Sakura...
— Eu não quero saber – ela devolveu, sinceramente.
Ela não precisava daquilo, reviver aquilo. Pelo menos não tão cedo e se o faria, não seria com ele.
— Não. Você não entende, as coisas não são assim...
— Eu não me importo mais.
— Por favor, não diga isso – Sasuke pediu, um passo perto dela, mas havia algo no olhar dela que literalmente o empurrava para trás, o mantinha preso e longe.
E ele achara que ela tinha barreiras antes.
"Você percebe o que fizemos?
Nós fizemos a nós mesmos de tolos
Você percebe o que fizemos?
Nós fizemos a nós mesmos de tolos
Yeah, Yeah, hey"
— Eu sei que eu fiz merda, mas por favor, me deixe explicar.
Sakura negou, balançando a cabeça e se recusando duramente e chorar diante dele. Não haveria uma quarta vez.
— Sasuke? – Ino chamou, vindo do bar — Caramba está frio... Ah – ela parou ao lado dele, Sakura inspirou profundamente ignorando o olhar de súplica dele, e esperando apenas que a deixassem ir. — Hey, Sakura.
— Hey – ela respondeu, sem encara-la. Ino a fitou um pouco intrigada. Mas respirou fundo e sorriu.
— Você ao menos poderia ter avisado que estava caindo fora, sabe? Pra eu achar um companheiro de quarto antes que a faculdade mandasse.
— Não tive tempo.
— Cair fora? Como assim? Pra onde? – ele indagou, alternando entre as duas.
— Ah, Sakura decidiu dar o fora da república, a parte boa é que não tenho mais que me preocupar com aquele cheiro de livro, ou com o enorme traseiro dela pelo quarto...- ela brincou.
Sakura soltou uma risada anasalada e encarou o nada.
Sasuke se voltou para a loira encarando-a estupefato.
— Porque porra a está tratando assim?
Ino o encarou empalidecendo, e gaguejou. Sakura meneou a cabeça sentindo-se ainda mais ridícula por ter continuado ali.
— Não é óbvio? – ela ironizou, mesmo sentindo a voz vibrar com aquele maldito choro preso na garganta que só parecia crescer. — É por que você a deixou achar que pode agir assim.
Ele a fitou atordoado, e ela lhe mandou um olhar descrente, descrente dele.
"Como nós chegamos aqui?
Bem, eu costumava te conhecer tão bem, sim, sim, sim, hey
Oh, como nós chegamos aqui?
Bem, eu costumava te conhecer tão bem"
Sakura engoliu aquela merda toda, e se voltou para a Ino ainda espantada entre ela e Sasuke, mas obviamente com mais medo dele.
— Eu também estou satisfeita em ir, já estava cansada da sua cara de puta carente, e daquele cheiro de baixa auto estima. Dividir o quarto com você me mostrou quão baixo uma pessoa pode ir pra ter um pouco de atenção e eu estou muito orgulhosa de nunca ter me deixado ir até lá.
Ino a fitou atordoada, e engoliu em seco, qualquer resposta fugiu de sua língua suja e maldosa e Sakura sentiu até frustração porque ainda tinha muito pra dizer ela quase a provocasse mais.
— Você nem a conhece, deus, não fale com ela desta forma – Sasuke pediu.
— Eu também não te conheço, você não me conhece, e nem ela, agora estamos todos quites e vocês podem ir se conhecer mais e o quanto quiserem na sua casa ou naquela porcaria de quarto. Agora me deixa em paz! – Desta vez, foi ela quem trovejou.
E foi ela quem partiu.
"Eu acho que sei
Eu acho que sei
Oh, essas são coisas que eu vejo em você
Isso pode me matar, mas eu quero que seja verdade
(Decode – Paramore)"
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