Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS ANTES DE FICAREM FELIZES DEMAIS.

— Quer uma bebida? – Sasuke chamou-a.

— Só refrigerante? – Sugestionou, ele piscou, entendendo, e ela ficou melhor por ele levar numa boa que estava sendo mais cuidadosa com álcool depois dos últimos acontecimentos.

Ele a puxou até um pequeno bar, haviam alguns garotos atrás dele, tirando bebidas de dentro de uma caixa térmica e passando para o freezer. Sasuke se sentou no banco, e a manteve entre suas pernas.

— Duas cocas, idiota.

— Também te amamos, Sasuke – desdenhou o moreno de cabelo castanho, ele se curvou pegando as latinhas e quando as pôs sobre o balcão, encarou os dois e firmou em Sakura com um sorriso. — Hey, é você mesma, japinha.

— Hey, — Sakura cumprimentou, sentindo a mão grande de Sasuke, firmar mais em seu quadril. — Quinto semestre, sim?

— Isso mesmo, você é minha caloura, haha.- ele se gabou.

— Não mais, já tenho os meus.- ele lhe estendeu a mão e ela cumprimentou.

— Kiba.

— Sakura.

— Hey, Hawk, não queiria comer meu fígado, ela é minha doce caloura de medicina, pow. – Kiba resmungou.

— Venha com doce de novo e bato a merda fora de você. – Sasuke rebateu, áspero.

Kiba apenas riu, embora meio surpreso, Sakura preferiu ficar de fora, esperava apenas que Sasuke não a trouxesse junto quando caísse matando Kiba. Ele nunca fora desrespeitoso com ela ou com outras calouras, embora algumas tivessem gostado de alguma ousadia de sua parte.

— Hawk? — Ela indagou, girando na direção de Sasuke e encarando enquanto colocava dois canudos dentro da lata, ela preferia tomar assim, sempre. Ele tirou sua atenção assassina de Kiba e a encarou meio desconcertado. — É por causa das tatuagens?

— Mais ou menos.

— Ele é bom com as jogadas, tem bom olho, mas é difícil deixa-lo perto por muito tempo, está sempre voando por aí. – Kiba cantarolou.

— Vá comer merda de cachorro, Kiba.

Kiba acenou saindo de cena, e ela sorriu para Sasuke.

— Parece mesmo com você, eu apostaria até que tem uma motocicleta, se já não tivesse visto o carro.

Sasuke relaxou os ombros e puxou-a mais perto, quase apoiando o queixo contra seu colo.

— Você gosta de motos?

— Hum? Nunca andei, mais acho que seria excitante – ela sorriu, os olhos dele escureceram, mirando-a mais profundamente, ela podia ver a intenção quente naqueles olhos. Ele também podia ser um falcão por ter um bom par de garras quando queria.

— Gosto da parte de te deixar excitada. – Sakura por pouco não cuspiu refrigerante na cara dele, mas riu bastante desviando o olhar, muito encabulada, ela ainda podia lembrar de seus dedos afundando nela, e agora estava quente demais.

Sasuke deu-lhe tempo abrindo a outra latinha.

— Hum, porque você só voltou agora? – ela indagou, mesmo que Hinata tivesse feito uma boa pesquisa, ela queria ouvir dele.

— Hn, muitas coisas aconteceram na época, eu não me sentia como se fosse daqui.

— Entendo...

Ele suspirou, parecendo ressentido com a própria resposta ou a dela.

— Eu sempre gostei de desenhar, e das maneiras mais diferentes, conheci a tatuagem ainda na escola, eu já tinha decidido que eu queria administrar as coisas da família, mas quando eu entrei aqui, eu gostei meio que demais, eu fui a festas demais, estudei demais, trabalhei demais com meu irmão, joguei demais, transei demais...

— Oh.

— Eu estava vivendo como uma máquina, sempre tinha algo pra fazer, e aos poucos, eu não sentia mais como se eu fosse eu. Eu não parava mais para ler um livro de terror, ou renovar meus CDs, cuidar dos negócios da família deixou de ser uma honra e se tornou um peso, o futebol não era mais divertido como sempre foi, eu nunca quis ser jogador, eu era bom, e rendeu uma bolsa, então eu segui o caminho mais óbvio. Quando eu percebi, estava completamente atulhado de coisas pra fazer que simplesmente não me satisfaziam. Eu conheci Jiraya num curso besta de tatuagem, ele disse que eu era bom, e aos poucos fui ficando obcecado nisso também, parei de ir nas festas de fim de semana e fui trabalhar com ele. Quando ele estava tendo alguns problemas pra manter o estúdio, vendi o carro e comprei o prédio com ele, então virei sócio, e como conseguimos recuperar bem, eu achei que era o meu caminho.

— Faz sentido.

— Mas eu só estava desviando de novo, briguei com meu irmão e quase desfiz a matrícula, mas na última hora eu apenas tranquei, foi quase.

Ela riu baixinho.

— Deve ter sido a providência – ele deu de ombros, e suspirou, trazendo-a mais perto.

— Ou deve ter sido só você. – Sakura piscou, espantada, e deixou a lata sobre o balcão.

— Eu?

— Eu larguei a faculdade no fim do ano, e voltei no começo pra desfazer a matrícula, os alunos novos estavam circulado o campus, e se instalando nas repúblicas, então eu vi você.

— Eu...?

— Eu vi você e eu quis correr pra você, você era a coisa mais bonita que eu tinha visto, eu quis até mesmo tatuar você em alguém, pra fazer permanente, mas eu não poderia por sua cara tão doce em qualquer fodida pele.

— Tem certeza que não me confundiu? – ela riu, nervosa. Sasuke permaneceu encarando-a seriamente, não com severidade.

— Seu cabelo era, é, rosa como o algodão doce que minha mãe comprava pra mim quando eu era pequeno, ele estava preso pra cima, o que me deu vontade de puxar e beijar todo seu pescoço. Seu vestido era branco, bem simples, tinha jeito de casa, você parecia um lar, e então eu vi porque estava fazendo tanta merda, eu só não tive coragem pra admitir de cara, e por isso me freei e apenas tranquei a matrícula.

— Sasuke...

— Eu estava desistindo logo quando você chegou, quão mais fodido isso poderia ser? Eu não queria sequer tirar meus olhos de você, você estava toda assustada com a grandeza do lugar, e parecia que qualquer um que te encostasse a faria ter um ataque de nervos.

Nisso ele estava certo, ela não crescera com muita experiência em sair de seu terreno, a ansiedade excessiva piorava tudo. Ela tinha que ter tudo bem planejado, e mudanças de rotinha acabavam com ela. Ela lembrava que contara até os passos que levava da calçada até a entrada do prédio principal do campus, evitou o máximo de gente que pode, ela tinha a cabeça cheia de coisas ruins sobre festas, jogadores de futebol, badboys, garotas intimidantes, professores implicantes.

Ela estava com muito medo de ir pra faculdade. Mas, ela sabia que não tinha mais nada além disso, ela tinha feito dezoito um mês antes de entrar, e por isso o orfanato não tinha mais qualquer compromisso em mantê-la.

Mas, ela finalmente recebera o grande prêmio por ser a menina perfeita que queria ser para ter uma família. Ela fora uma das poucas que ficaram até a maioridade, e a única que simplesmente não dera trabalho para as irmãs. Era comum os garotos se afastarem das asas delas, desiludidos, como Sakura havia ficado, sobre ter alguém que os amasse. Se afastavam cedo do orfanato, indo estudar em outros lugares, arranjando empregos fora da escola, ou saindo da escola e causando problemas.

Ela foi a única que permaneceu até onde pode, simplesmente porque fora o único lugar que conheceu na vida, ela fora entregue muito nova, ela não sabia quem eram seus pais, nunca quis saber, ela só soube que eles eram novos, e não queriam um empecilho como ela.

E ela tampouco queria ser isso pra qualquer um, então ela manteve todas as suas esperanças em obter seu amor e proteção de outros que não compartilhariam seu sangue.

Algo que ela não teve, mas ela veio pra faculdade, ela teria isso um dia, por si só, sem esperar por ninguém.

— Eu queria ficar perto de você – ele prosseguiu — Eu realmente pensei em chegar um monte de vezes, seja na faculdade, ou no bar do Chris, mas eu acabei focando em ver se seria mesmo um bom tatuador, e achando que minha fixação em você era porque estava tentando me forçar a ficar na faculdade, afinal, nada como um par de cochas pra prender um cara.

— Obrigada pela parte que me toca – ela disse, mas ainda estava muito chocada.

— Eu sempre te via por aí, isso bastou, mas aí Hidan trouxe você pro grupo.

— Eu nunca te vi...

— Eu nunca fui muito ativo, e estive brigado com o Itachi, quando as coisas melhoraram, eu sabia que se entrasse no mesmo cômodo que você, eu te jogaria nas costas e chutava a bunda do Hidan, ele e eu nunca nos cheiramos.

— Nem percebi...

— Não tem graça, eu soquei o nariz dele quando soube que vocês...- ele rosnou apertando os punhos contra o quadril dela — Ainda assim o bastardo continuou te levando.

— Como você...

— Caras bêbados se gabam, ele não falou sujeira de você, ele sabia da minha queda, acho que ele queria me empurrar pra você, assim como Itachi vinha me enchendo o saco, mas eles me queriam era de volta no jogo, se Hidan se importasse tanto comigo, não teria tomado sua cereja.

— Ele nunca me forçou, eu estava pronta – ele torceu o rosto, nada feliz.

— Porra, podia ter sido eu, era pra ser eu.

Sakura suspirou meneando a cabeça.

— Vocês caras realmente ligam pra isso, não é? – ele a fitou meio chocado e indignado.

— Você não liga?

— Bem, eu nunca fui de fantasiar sobre namorados ou casamento, eu sempre quis mais foi ter pais, essa outra parte, eu sempre imaginei que teria na hora certa, Hidan foi gentil, e eu me senti segura.

— Tsc. Eu vou chutar a bunda dele.

— Você não vai superar, não é? – ele negou, veemente.

— Nunca. – então se tornou manhoso, abraçando-a, seu rosto enrubescido, mas sedutor — Eu podia ter ensinado mais e melhor.

Sakura sorriu achando-o extremamente fofo demais pra dar conta de segurar sua conclusão.

— Eu acho você muito tímido – Sasuke piscou, perdido — Pelo menos pra chegar em mim.

— Eu não...

— Você corou quando disse que eu era bonita.

— Você é linda, e é a verdade.

— Está corado agora, eu acho isso...

— Juro que se disser essa palavra, eu vou te foder no andar de cima – ela abriu e fechou a boca, sem ar — Bom – ele foi rouco, mas ameaça não diminuiu. — Você não pode ferrar um cara mais como já estou, sabe? – defendeu-se.

— Tu-tudo bem...

Ela se perguntou se ele era meio inconstante ou só não queria admitir a própria timidez, ele era apenas isso, isso resumia o um ano e meio que ele levou para chegar nela.

E ele só o fez por conta do esbarrão que tiveram naquele fatídico sábado. Talvez nunca tivessem se encontrado, ou ela estaria verdadeiramente gostando de outra pessoa quando ele tomasse a coragem.

Um cara bonito e popular com ele nunca teria problemas em chegar numa garota como ela, talvez até sentisse que ela não estava em seu nível. E um cara não demoraria tanto se não fosse tão tímido. Ela não sabia no que ela poderia intimida-lo, mas sabia que ele poderia ter deixado ela passar, e ido atrás quando ela estivesse firme em outra, o que seria muito complicado para ela lidar.

Sakura sequer sabia lidar com um cara gostando dela, imagine dispensar um que não gostasse, mas que fosse como Sasuke. Ela não podia se imaginar sendo cruel com ele. Mas ainda podia vê-lo ser Ares com qualquer uma.

Inclusive com Sakura.

E ela não esqueceria isso.

— Eu não consegui chegar em você porque não queria te assustar, você certamente estava nervosa com a faculdade, um cara que sequer estudava, te rondando não ia ajudar.

— Hum, bem...

— Eu sei o quanto a profissão, e isso – ele indicou as tatuagens — São marginalizados, Sakura.- ela se encolheu, não querendo admitir que o julgara mal, as tatuagens e pose a fizeram correr dele, literalmente — Mas eu sei que não podia te forçar a gostar mesmo que não houvesse preconceito.

— Obrigada.

— Eu que digo, e eu estava certo, você correu de mim, correu quando estava bêbada, e correu pela manhã.

— Bem, quanto a estar bêbada, não vou me defender, mas pela manhã eu teria corrido de qualquer um, Sasuke.

— Hn.

— E você estava nu, não é o melhor quadro pra uma garota que acordou sem lembrar de nada, mesmo que você seja lindo.

Ele mandou seus olhos para ela, aquele rubor que ela estava começando a gostar, tomou suas pálidas bochechas.

— Você me acha atraente mesmo? – Sakura quase gargalhou.

— Sério, qual você acha que é meu tipo ideal? – ela riu. Ele continuou desconfiado, e emburrado, ele não gostava que rissem dele, ela já tinha percebido.

— Bem, talvez um arrumadinho e engomadinho como os caras do curso de direito, cabelo lambido com gel, terninho, ou aqueles suéteres rosa de bichinha.

— Eu acho os suéteres charmosos – ela confessou e ele se emburrou mais — Mas agora estou imaginando você como um deles, nossa...

— Hã? Me foda de outro jeito, garota.

— Você continuaria másculo pra mim, ora, você não o tipo que perde sua virilidade fácil, na verdade, saber que esconde tatuagens embaixo do terno, deixaria mais curiosidade no ar.

— Eu posso te mostrar quando quiser.

— Não se ofereça tão fácil, ou perde o valor – ela piscou, brincalhona. — Mas veja, um aluno de administração não deveria estar bem engomadinho também?

Ele deu de ombros.

— Se eu administrar meu próprio negócio, quem vai me mandar no que vestir?

— Menino rebelde. – os dois riram, ela olhou em volta, e se arrependeu, Ino estava num grupo de meninas, perto da parede, e ela não cansava o pescoço de alternar entre Sasuke e as outras.

Sua expressão era clara de que estavam debatendo sobre os dois.

Ela suspirou e voltou-se para Sasuke, o olhar venenoso e pretencioso de Ino havia dito que iria tentar rebaixa-la de um jeito ou outro, mas Sakura não iria ficar esperando ela vir, ou torcendo para que não. Ela viria e sabia disso, então se preocuparia em lidar com ela apenas quando isso acontecesse.

Ela estava cansada de esperar por coisas inúteis.

— Então, como é ser tatuador? Digo, você ainda gosta muito? – Sasuke a observou, um pouco surpreso, ele provavelmente achava que este era o último tópico que ela iria querer debater, que ela tinha horror a um estúdio de tattoo, ou uma agulha.

— Bem, eu ainda gosto sim, na verdade, estive pensando em unir as duas coisas sabe? Eu e Jiraya estamos estudando a possibilidade de abrirmos outro estúdio, eu cuidaria da parte chata, e ele recrutaria novos tatuadores, ou quem sabe trabalhar com dar um curso.

— Jura? Parece coisa grande, e você acaba de voltar pras aulas...- ele fez uma leve careta.

— Sim, esse é o problema, por isso provavelmente vamos adiar, talvez deixemos para o final do curso, onde trabalho pode se tornar meu estágio

— Eu acho uma ótima ideia, vocês vão abrir o outro estúdio aqui mesmo?

— Konoha é pequena demais, já é difícil ter clientes aqui, muita gente vem de cidades de fora pra conseguir essas coisas, ainda precisa muita pesquisa, a melhor cidade, um bom prédio ou terreno, os empregados...

— Entendo, entendo, e você mexe com tatuagens há muito tempo? Não precisa de um curso e tudo mais?

— Eu faço desde o ensino médio, sempre tive mão boa pra desenho, e boa memória também, fiz três curso em verões que tive tempo, mas só resolvi tentar mesmo quando estava na faculdade, até então era um hobbie, eu fiz a primeira tatuagem do Naruto, e do meu irmão, embora ele temesse que eu fosse fazer um pau nele.

— Algo me diz que você não é muito confiável – Sasuke a abraçou perto, sua língua lambeu o lábio inferior ligeiramente.

— Eu sou muito confiável, e nada abusado.

— Sei.

— Posso te bolinar?

— Que? Não! E isso é abuso sabe?

— Eu pedi permissão, ora.

— Meu deus...

A música parou de repente, levando a atenção de todos até a mesa, onde Ino acabava de subir.

— Então, pessoal! – houveram reclamações, e Sakura jurou ter ouvido alguém dizer para ela ir procurar seus paus da Suna.

Ino tendo ouvido ou não, manteve-se radiante, e bateu palmas, empolgadamente.

— Vejam só! Nós resolvemos fazer uma brincadeirinha para os meninos do time! Certo?!

— Lá vai ela – Sasuke suspirou. Sakura não respondeu, apenas observou as outras garotas do time virem para frente da mesa, como verdadeiros pedaços de carne se oferecendo ao cozinheiro — É verdade que você e ela dividem o quarto? – ele indagou.

— Hum, é.

— Deve ser difícil.

— Não faz ideia, mas porque acha? – Ele encolheu os ombros.

— Somos colegas desde a escola, acredite, eu dei graças a deus por ela ter escolhido Medicina e não Administração.

Sakura sentiu que a pequena tensão que havia tentado ignorar se esvaíra, Sasuke não parecia mesmo minimamente interessando em nada sobre a loira. Ela deveria dar mais crédito a ele. Ino se jogava em todo mundo, se ele era seu alvo principal, porque deveria ser culpa dele que ela fosse ainda mais feroz?

Sasuke apesar de ameaçador já não lhe parecia o tipo que era hostil com mulheres, ou que as tratasse como lixo após uma transa. Mas, ele tampouco trataria qualquer uma como mil cortesias, e ele parecia saber bem a peça que Ino Yamanaka era.

— Eu não posso dar graças a deus – ela suspirou, sorrindo.

— Lamento, ela está sendo empurrada pelos pais, os dois são médicos, mas não é como se ela desejasse outra coisa, acho que a melhor coisa do mundo pra ela, seria ser líder de torcida pra sempre... Hn, você tem um cheiro muito bom – ele concluiu, empurrando o nariz perto da gola de sua blusa.

— Você muda de conversa rápido – Sakura riu.

— Eu quero me aprofundar nessa...- ele ronronou, seus lábios capturando uma pequena porção de pele que a fez tremer. Sakura passou os braços em torno de seu pescoço, deixando o peso do corpo descansar contra o dele, Sasuke, envolveu sua cintura mais e ergueu a cabeça, tomando seus lábios. — Vamos brincar lá em cima, neném?

— Vamos lá, Sasuke! – a voz estridente de Ino cortou a resposta de Sakura, e ela se perguntou se Barbie tinha alguma escuta perto dos dois para espia-los. Ele suspirou e se voltou para trás. — Já que é o jogador da noite, e voltou agora, vamos começar com você!

Duas das lideres, vieram puxa-lo como se ele fosse uma criança, uma piscou para Sakura, que se afastou, recostando-se no balcão.

— Vamos roubar ele um pouquinho, certo?

— Nem percebi – Sakura brincou, no mesmo tom de ironia inocente.

Haviam aberto um espaço no centro da sala e deixado apenas uma cadeira onde elas o fizeram sentar.

— A brincadeira é a seguinte, vamos dar ao nosso campeão a chance de identificar cada garota com um maravilhosíssimo lap dance! – Ino anunciou, como se fosse uma promoção de frutas ou coisa assim.

Sakura riu, era só o que podia fazer, estava incrédula com Ino. Hinata realmente tinha razão quando ficava dizendo que a loira faria tudo para sentar no colo de Sasuke e não sair mais.

— Outch, eu teria ido lá chutar aquela puta – disse uma garota ao lado dela. Sakura preferiu não falar, observou Sasuke encarar a venda que traziam para seus olhos com desagrado. E ele suspirou voltando-se para a loira e indagando algo como um: “Isso é mesmo necessário?”.

Ino piscou para ele as garotas praticamente enforcaram sua vista com a venda, passando a mão nele a qualquer oportunidade, além de lançando olhares para Sakura.

Ela apenas manteve os braços cruzados, começando a sentir mais olhares sobre si, poderia apostar que estavam mais interessados na reação dela do que na dele.

— Pronto! Vamos começar! Dj! Música por favor! – Ino ordenou, a batida de lenta de Often – The Weeknd começou. Risadas e provocações soaram.

— Primeiro, você! – Ino apontou uma das garotas, obviamente não revelando nomes para ele não adivinhar.

Ela começou rodeando os ombros de Sasuke, ele estava tranquilo e meio impaciente, sorriu um pouco com alguma gracinha de Naruto, e a garota abraçou sua cabeça, empurrando os seios contra, assovios fortes soaram e ele riu um pouco, arqueando o cenho.

Claro que ele estava apreciando, embora pelo menos não fizesse parecer tão óbvio, qualquer outro cara estaria se gabando.

Sakura se perguntou se pra ele era sempre assim na faculdade, ou se era apenas por não dar muito a mínima mesmo.

— Sasuke?! Quem é? – Ino indagou, e ele mostrou as mãos em sinal de que não fazia ideia. — Tic tac, tic tac – ela contou — Pronto, agora a próxima! Você.

E então a outra foi, um pouco mais ousada, se abaixando em frente ele, esfregando suas cochas fortes.

Sakura se voltou para o balcão e sorriu para Kiba.

— Você tem algo mais forte aí? – ele sorriu alegremente, e lhe deu uma dose de tequila, ela quase desistiu, mas respirou fundo e sentou no banco que Sasuke ocupava antes, vertendo a bebida.

— Eu não faço ideia, sério – Sasuke admitiu, pela quinta vez. Sakura suspirou lembrando que haviam pelo menos umas trinta versões de Ino esperando para se esfregarem nele.

— Próxima! – Ino disse, mas agora, ela deu o microfone para outra menina e foi ela quem se pôs a frente dele.

Sakura viu abismada, como ela literalmente esfregou a bunda em seu pau, aquilo chegou a nível tão baixo que ela sentiu vergonha por Sasuke, por Ino, por todo mundo ali que ficou meio calado, observando e cochichado, enquanto os mais bêbados incentivavam.

Ela rebolou mais, a expressão de Sasuke se franziu, obviamente notando a diferença óbvia, Ino roçou as costas contra seu peito, deslizou pelo chão, fazendo uma pose bonita e sensual que Sakura provavelmente quebraria a coluna se tentasse imitar, e engatinhou de volta para ele, de frente. Agarrou suas mãos e as apertou contra os seios.

Sasuke recuou a cabeça, surpreso.

— Wow, golpe baixo – Kiba comentou, Sakura o fitou, e quando o viu alternar olhares entre os peitos de Ino e os seus, entendeu.

Se voltou para encarar a loira e ela a encarou, mordiscando a língua enquanto forçava a as mãos grandes de Sasuke por seus seios e corpo.

— Aquela cadela... – soltou.

— Opa, tequila fazendo efeito rápido. – Sakura sentia o rosto afogueado e afastou o copo.

— Não faz ideia do quanto.

Se afastou do balcão e seguiu até lá, mas deu de cara com uma parede de peitos arrogantes.

— Não pode atrapalhar – cantarolou uma delas.

— Atrapalhar?

— Hey, meninas, talvez ela queira participar não? – Naruto disse, brincando, Sakura o encarou e decidiu que ele nunca teria chance com Hinata mesmo.

— Participar? – disse outra, descrente, Sakura poderia chamar todas elas de Ino, porque realmente não fazia ideia de seus nomes. Ou “Barbies Corrimão” de todos os tipos.

Naruto desviou delas e pegou o microfone da outra.

— Então, pessoal!

— Huh? Ela vai forçar até quando? Acho que se ele tivesse de lembrar já teria – Sakura resmungou.

— Talvez ele já lembre, não é tão diferente do que faziam antes, sozinhos – rebateu Ino versão morena.

— Próxima! – Naruto anunciou, Ino se levantou, quase saltando e o encarando.

— Como assim?!

— Ino? – Sasuke chutou, obviamente. — Pronto – ele fez menção de se levantar mas foi Naruto quem o empurrou de volta ao lugar.

— Calma amigão, ainda falta.

— Mas eu já...

— Não pode trapacear, você ouviu minha voz – Ino ronronou, com a expressão irritada.

— Tch.

— Troca a música! Meninas deem licença! – Naruto praticamente as empurrou da frente, Sakura também foi, sentindo a cabeça meio enevoada. Ela só havia tomado tequila algumas vezes, e era fraca pra bebida, então sentiu seu pulso ser puxado.

— Vem aquiiii. – ela voltou quase aos tropeços e sob gritos que quase a ensurdeceram.

— Eu? Que?

— Shhhhh! – ele pediu, piscando, e pondo sua mão sobre o ombro direito de Sasuke, ele moveu a cabeça atento aos sons. Naruto se afastou, mandando a ela um olhar cúmplice — Solta a músicaaaaaa!

Sakura piscou atordoada quando a batida de rock começou.

Eu sou apenas um garoto novo

Um estranho nesta cidade

Onde está toda a diversão?

Quem vai mostrar o lugar para este estranho?

— Vai gatinha! – Naruto incentivou, enquanto ela timidamente andou em torno de Sasuke. Ele ficou curioso visto que não saltaram em colo ante a primeira oportunidade, Sakura deslizou a mão por seu outro ombro, e ele a tocou, seguindo-a quando se arrastou por seu braço. Ele mexeu a cabeça ansioso para pegar algum som, ele haveria esquecido que deveria adivinhar por meio de toque?

Mas isso a fez rir, risada que era abafada pela música. Tocou seu cabelo macio e liso, o deixando ainda mais intrigado. E então ele trouxe a mão para seu braço, subindo até o cotovelo. Sakura riu e mexeu os quadris fazendo o resto gritar com a brincadeira.

Ooooooooh Eu preciso de uma mulher safada

Ooooooooh Eu preciso de uma garota safada

Sasuke ficou incomodado com o baralho e impaciente.

Ele a puxou para perto, agarrando seus quadris.

— Wow! – Naruto gritou, quando ele subiu por sua cintura e ombros, ia tocar seu rosto, mas ela o parou, num súbito ataque de coragem. Pegou sua mão e trouxe para as costas, empurrando seus dedos suavemente, para de baixo da blusa, eles estavam quentes, e a fez se arrepiar, ou talvez por tê-lo feito tocar onde tocou.

Será que tem alguma mulher nesta terra deserta

Que me faça sentir como um homem de verdade?

Leve este refugiado do rock and roll

Ooh, querida, me liberte

Sasuke abriu a mão, tocando-a, pareceu procurar algo mais, e então, sua boca abriu numa expressão espantada, e a outra mão em seu rosto desceu direto para apertar a cocha dela próximo ao começo da nádega e ela se empertigou.

— Hey, Sasuke! Calma! Diga se reconheceu, cara!

Sasuke xingou, subiu a mão para o rosto dela e inevitavelmente sentiu a armação dos óculos. O que fez o toque contra suas costas apertar.

Ele se levantou de uma vez, quase trazendo-a junto e arrancou o lenço do rosto, encarando-a como se a visse pela primeira vez, espantado.

Ooooooooh Eu preciso de uma mulher safada

Ooooooooh Eu preciso de uma garota safada

(Young Lust – Pink Floyd)

— Trapaça! – Naruto acusou, Sasuke largou o lenço no chão com uma expressão dura e selvagem.

— Eu reconheceria essas cochas em qualquer lugar. – ele rosnou, os dentes quase rangendo.

Sakura não soube se isso era um elogio ou uma ofensa, no segundo seguinte estava praticamente de cara com o traseiro duro dele porque estava jogada sobre suas costas.

— Sasuke?!

— Acabou o jogo — ele decretou dando a volta.

— Sa-Sasuke?!

— Heeey! Só não usem o quarto dos meus pais! – Naruto gargalhou enquanto ela ficava mais tonta — AEEE, CADÊ A BEBIDA?!

Sakura viu apenas os degraus que as pernas longas de Sasuke subiam, mexeu as pernas mas ele as abraçou firme com um dos braços e quando entraram no corredor a música foi ficando mais abafada.

— Sasuke, me põe no chão!

— Não, eu não vou por!

— Eu estou ficando enjoada!

— Você bebeu?!

— Só um pouco... Você estava meio ocupado, sabe?!

— Na-não ponha a culpa em mim! Você não devia beber tão cedo e pronto, e eu nem queria participar daquela joça.

— Aham!

— Kiba te deu bebida?

— Eu acho que essa era a função dele!

— Tsc, eu vou chutar a merda fora dele, isso sim.

— Pare de tentar chutar a merda alheia e me ponha no chão!

— Eu não vou por, você merece, tsc, dançando daquele jeito, pra todo mundo, menos eu ver, que merda!

Sakura se apoiou em suas costas tentando ficar mais alto.

— Eu não dancei nada! Quer dizer, um pouco...? Você me reconheceu logo, ora.

— Claro que eu reconheceria, as suas cochas, e estava sentindo seu perfume também, mas achei que ele só estava na minha roupa. Agora isso. – Sasuke enfiou a mão sob sua blusa outra vez — Eu reconheceria em qualquer lugar – ele se gabou — E você sabe disso, huh?

Corando mais do que era possível, ela preferiu manter a dignidade, havia feito um chute arriscado, embora não estivesse pensando direito. Ela não queria saber como se sentiria se ele não tivesse entendido a deixa.

Sasuke abriu alguma porta e fechou quase anulando a música, mas a vibração e o retumbar dela nas paredes permaneciam.

Ele foi até uma cama, ligando um abajur apenas e largando-a sobre o colchão.

Ele subiu sobre ela, e ela recuou com uma expressão emburrada que ele ignorou sorrindo.

— Se eu tivesse apertado seu traseiro, teria percebido de cara.

— Isso porque já apertou um monte de traseiros?

— Por que já decorei o seu – declarou, apertando suas cochas, Sakura aceitou seu beijo e o roçar que ele impôs entre seus cortes. — Quero decorar outras partes, e...- ela gemeu quando sua mão apertou entre suas cochas — Relembrar de outras.

— Hum, sim, relembrar é bom...- ela arquejou.

— É uma delícia. – ele grunhiu, subindo a mão por seu estomago e indo pressionar seu seio esquerdo com força. Sakura se estirou sob ele, relembrando quão potente ele era.

Ele podia ser tímido, mas quando ele tomava completamente as rédeas era impossível resistir. Sua boca tracejou beijos pelo pescoço de Sakura até a mandíbula, quando mordiscou, ela sentiu uma cócega nova e estranha, mas gostosa, e riu.

Sasuke também, apreciando segredo que desvendara nela, mordiscou mais, até a orelha, o que a fez suspirar e gemer enroscando as pernas entre as dele.

Ela já podia sentir seu desejo empurrando duro contra seu quadril, a constatação a deixou eufórica e lisonjeada, duvidava que Ino tivesse conseguido sentir o que ela sentia agora.

Empurrou as mãos por suas costas, sentindo a musculatura, ficar tensa e relaxar, até a barra da camisa, e empurrou, espalmando sua pele quente e arranhando suavemente. Sasuke parou de provocar o seio por cima da roupa, e já empurrava a blusa dela, para cima quando a porta se abriu de uma vez.

— CORRE, O SINAL FECHOU! – Gritou um cara com uma cara ridícula de pânico.

— O-oi?! – Sakura exclamou, espantada e envergonhada, sentou baixando a blusa, e o cara saiu correndo, assim como ela viu um monte de gente correndo pelo corredor e a música cessou de uma vez.

— FECHOU O TEMPO, VAZA! – ouvia.

— Merda, fodeu – Sasuke puxou a mão dela e seguiu até a janela, abriu e Sakura e ele viram gente fugindo da casa como formigas se espalhando, entrando nos carros e cantando pneu, carregando coolers com bebidas, e outras tralhas.

— O que está havendo? – Sasuke relanceou o olhar pela paisagem a apontou um carro que era o único que vinha na direção da casa.

— Puta merda, são os pais do Naruto, vem, vamos! Temos que vazar, e agora!

— Agora? Eles não sabiam?!

— Não – ele disse, saltando para fora da janela, no telhado. — Vem.

— Mas...- ela recuou.

— Porra, a polícia! – Sakura encarou a estrada, e viu que além do carro prata que deveria ser dos pais de Naruto surgiram uns três carros da polícia mais atrás as sirenes soando alto e as luzes vermelha e azul piscando.

Ela nem pensou duas vezes, subiu no parapeito e pôs as pernas para fora, Sasuke pegou sua mão e juntos correram rumo à beirada, havia gente fugindo pelas janelas também. Sakura sentiu como se realmente estivesse cometendo um crime.

Se bem que, ela ia transar na casa de estranhos...

Havia algo sobre isso na legislação? Perguntaria para Hinata depois.

Sasuke chegou até a beirada e saltou, soltando sua mão antes, graças a deus. Ele pousou no gramado como um gato e se levantou estendendo as mãos para ela.

— Vem!

— Ah, não!

— Não temos tempo, neném, Naruto não falou da festa, e se eles chamaram a polícia devem ter achado que nem é o Naruto, se a gente for pego, vai dormir em cana.

— Ai meu deus.

— Pula! – ela ajeitou os óculos, não que fosse ser muito útil, Sakura se jogou de olhos fechados, sentiu seu corpo chocar com o dele e os dois irem ao chão. — Você está bem?

Sakura assentiu, mesmo sentindo-se muito tonta ainda. Sasuke se levantou e puxou a mão dela, os dois correram cruzando o gramado. Ela deu graças a deus por estar numa sapatilha de salto curto e confortável.

— Merda! Hora de usar bem essas pernas bonitas, neném!

Sakura quase gargalhou, da seriedade dele, mas foram praticamente barrados por um carro da polícia, dois policiais saltaram dele e Sasuke a puxou, ajudando-a a desviar deles, contornaram pela frente e ele pulou por cima do capô, deslizando, Sakura seguiu em frente e logo e ele a alcançou com os dois policiais no encalço.

Que ele poderia correr e desviar ela já sabia, ou ele não seria a estrela do time de futebol, correr e esquivar-se dos caras era sua especialidade.

Mas ela não tinha um vigor muito invejável, e logo sentiu o peso disso, seu ar faltou, a adrenalina explodia em seu sangue, e o risco de ser pega na perseguição ascendeu aquele pavio que já lidava a tanto tempo.

Ela não estava realmente assustada, por incrível que parecesse, mas não queria ser pega, mas provavelmente iria.

Isso já era o bastante para sentir que passaria mal.

— AQUI! – gritaram de um carro mais a frente, e Sasuke correu para lá, puxando-a, os policiais gritavam mais atrás, e o carro parou derrapando à frente dos dois, as portas se abriram e Sasuke saltou para dentro, puxando-a junto.

O veículo rodou no gramado ainda com a porta aberta e disparou para estrada.

— Puta merda! – gritou o motorista a que ela nem sabia quem era, apenas se dedicou a retomar o ar, ao máximo, seu peito subia e descia, e Sakura gemeu quase sentindo dor.

— Essa foi por pouco – Sasuke ofegou — Sakura? Sakura, você está bem?

— E-eu...

— Calma, respira, respira, neném, já passou.

— Eu só... ar, só... ar.

— Tudo bem, respire, respire.

— Ela está bem?

— Ela vai ficar, Sakura? Sakura? – ela o encarou, não soube o que ele viu em seu rosto ou em seus olhos. Mas ele ficou pálido e encarou o motorista — Toca pro hospital, agora!

— Mas...

— Agora!

— Sa-Sa-Sa-Sasuke – ela tentou chamar, segurando sua mão, e ele a puxou para o colo, Sakura se encolheu e foi quando sentiu, como estranha estava.

Para ele, por que ela reconhece esse estado.

Sua boca estava seca, e seu corpo inteiro tremia, duro e porejando, ensopava-se no próprio suor gélido, e mal podia falar. Seu estomago revirava e sua cabeça também, Sasuke parecia distante, e ela estava preocupada, preocupada demais. Eles já havia escapado do pior, mas ela insistia que ainda poderia piorar.

E se o carro batesse?

Se a polícia os pegasse?

Se fossem presos e até mesmo expulsos da faculdade?

Pra ela sempre podia piorar, para ela, sempre daria problema, para ela, sempre tinha que fazer o máximo para evitar, e tudo para não causar problemas.

Essa era sua doença. Ela esperava demais, nunca vinha, sempre que vinha era da pior forma, então ou ela ficava frustrada, ou ficava apavorada.

E doente.

Uma maldita doente que ninguém queria por perto, talvez já tivesse nascido doente, por isso os pais não a quiseram.

Agora Sasuke tampouco iria querer, alguém que mal podia pegar seu ritmo sem ter uma fodida crise de fresco.

Ela estaria sozinha, novamente.

***

O cheiro de éter trouxe-lhe agonia, e familiaridade desagradável.

Sakura se apoiou no colchão fino e se sentou, suspirando ao ver a agulha de soro em uma de suas veias finas. Inspirou profundamente, e procurou localizar as roupas.

— Porque não me contou? – a voz incisiva e magoada de Sasuke cortou qualquer ridícula esperança que teve de evitar a situação.

Sakura olhou para a janela e o viu se aproximar.

— O que queria que eu dissesse? “Olá, sou Sakura, e tenho TAG, não posso nem mesmo ir numa festa legal sem o risco de ter um ataque”?

— Talvez? Você sabe o susto que eu tomei? Achei que você ia morrer, cacete! Eu entrei em pânico, Suigetsu entrou em pânico, até a porra do carro parecia em pânico até chegarmos aqui!

— Você poderia, por favor, não falar como se fosse minha culpa?

— Mas é sua culpa! Se tivesse me dito antes...

— Eu nem te conheço! – ela gritou — Nos falamos não tem nem um mês, como acha que posso sair falando coisas sobre mim...

— Eu falei! – ele gritou de volta, ela se encolheu com seus olhos avermelhados, e sua voz trovejando pelo quarto. — Eu falei porque eu sai da faculdade, e eu por acaso tenho cara que em sai conversando com qualquer um? Que me importo com sobre o que qualquer um acha? Mas eu disse a você, eu disse até mesmo como fui idiota por um ano!

Sakura fechou os lábios, calando qualquer objeção que tinha antes de ouvir a última parte.

— Eu falei pra você, falei porque achei que você se importasse, mas mesmo quando eu falei você se manteve calada!

Isso era verdade, ela não havia dito a ele sobre si mesmo quando estavam naquela conversa durante a festa. Ela sequer havia cogitado. Tal como não havia falado de si mesma quando se comunicavam por mensagens quando ele não se importava de falar sobre o que gostava de comer, ou o que o irritava mais.

Ela nunca falara de si mesma pra ninguém, nem mesmo para Hinata, por mais curiosa que esta fosse.

O tempo no orfanato fora o único que ela conhecera, ainda assim, Sakura não se sentia à vontade para falar dele com os outros. Parecia automático, as pessoas se compadeciam dela e evitavam falar de assuntos como família e pais perto dela como se temessem que ela se revoltaria ou desabaria.

Mas ela não faria isso, pelo menos esperava que não. Ela sempre evitou o problema.

No entanto, e pela primeira vez, não era isso que a incomodava de verdade.

Sasuke havia se sentido um idiota por um ano, um idiota por gostar dela.

E ele nem sabia a metade.

— Eu não gosto de falar de mim...- Sakura ciciou.

— Bom, eu também não gosto, mas achei que com você poderia ser diferente, porra – Sasuke se aproximou suas mãos quentes e macias envolveram o rosto dela e sua testa juntou-se a dela, encarando-a com tristeza — Mas eu não posso entrar se você não deixa, e eu não posso forçar, neném, isso está me quebrando.

— Eu não consigo – ela gemeu, segurando seus braços, ela só queria um abraço, um daqueles abraços de urso que ele tinha. E quem sabe.

Quem sabe, ela conseguisse.

Sasuke afastou as mãos e o corpo, e a mão dela ficou pendurada em sua jaqueta, ele a fitou com aquele olhar que ela odiava, mesmo ele não sabendo de nada, e Sakura viu que mesmo sem conhecer, as pessoas ainda eram capazes de se afastar com pena.

— Então eu não posso fazer nada, neném – ele proferiu, com pesar enquanto se afastava rumo a porta. — Sinto muito.

Então ele saiu, ela ficou sozinha lá, envolta em cheiro de éter, abandonada no meio do branco, com frio.

Como toda vez que tinha uma crise ainda criança, mas já sem nenhuma esperança à frente.

Notas finais
*LEIAM ESSA MERDA OU NÃO ME RESPONSABILIZO MAIS* Gente, eu não to postando agora por um motivo bom, infelizmente. Ante ontem meu notebook deu pau, aí tive que usar o da minha prima que já tava beeem ferrado, e eu acho q to com mal olhado PQ ELE TAMBÉM DEU PAU. Agora eu to sem notebook, meu cell tá muito cheio e não consigo usar o Onedrive e o Word direito. Então é assim, não sei quando volto a postar e o pior é q nem tenho como escrever de boa, pq sem o note não dá, não consigo baixar os arquivos no cell e mesmo que desse, tentei escrever por e ele E PUTA QUE PARIU, DEUS ABENÇOE QUEM CONSEGUE ESCREVER PELO CELULAR, SÉRIO, É UMA MERDAAAAAA. Então é isso, nem sei quando volto, e por isso to atualizando Ignites me e já vou att A garota do tempo, pq são as que tinha pra hj, e to fazendo pelo computador da faculdade! Desculpem, mas essas coisa tendem a acontecer e não dá pra evitar, espero que compreendam ♥