Notas iniciais
Yoooooooooooooo! Como prometido....

Sua cabeça girava e girava, como um carrossel de vômito.

Vômito porque era o que seu estômago provavelmente iria por pra fora se não parasse de rodar.

Aos poucos lembrou que ainda tinha membros e usou os braços para se erguer, suas mãos pousaram sobre uma superfície bem dura, mas estranhamente revestida de algo quente.

Suspirou, e um profundo cheiro de cigarro e perfume masculino encheram seus pulmões. Era uma mistura excitante, mas até então desconhecida.

Sentiu aquela superfície quente subir e descer sob seu tronco e ar ser soprado contra o topo de sua cabeça.

Uma mão grande e quente apertou a carne acima de seu traseiro e esta parte latejou, ela piscou ainda com a visão embaçada e quando encarou a parede vermelha que parecia estar cheia de pôsteres de mulheres sobre motos, seu corpo inteiro tencionou e tremeu.

Ela nunca havia visto aquela parede vermelha.

Sentiu seu apoio subir e descer novamente, e sua garganta travou quando percebeu que estava largada sobre um peito masculino, muito embaçado mas com mais gomos do que já contara em toda vida.

Não que ela fosse o tipo de menina que fazia os rapazes arrancarem as camisas.

Suas mãos se afastaram do corpo e também o tronco, ansiando não só não acordar o homem como que, esse homem fosse seu ficante.

Pelo menos isso seria um pouco bom.

Afastou de si o lençol, notando estar apenas de lingerie, sua trança desfeita e sua visão, como já estava acostumada, falhando a curta distância. Tateou o criado mudo e alcançou os óculos. Piscou quando os ajustou sobre o nariz, e novamente se aterrorizou com a visão do ambiente agora totalmente claro.

E ainda mais quando sua cabeça latejou e absolutamente nada sobre as ultimas vinte e quatro horas lhe veio à mente.

Sentiu novamente a mão apertar seu traseiro, sentiu o rosto queimar por estar praticamente em baixo dele, e aquele lugar na base de sua coluna estar ardendo.

Onde.

Ela.

Estava?

Qual era seu nome mesmo? Ficou feliz de ainda lembrar.

Ela era Sakura Haruno, estava num quarto estranho, num lugar estranho, e tudo o que esperava era que estivesse ao lado do seu atual (e primeiro) ficante, que por acaso se chamava Hidan, também gostava de apertar sua bunda, mas ela não lembrava se ele tinha uma mão tão grande, um corpo tão quente...

Voltou o rosto para ele. E sua face empalideceu.

Porque Hidan não tinha cabelos escuros, nem um rosto de uma estátua adormecida, nem uma pele pálida cheia de desenhos. Chamas negras ardiam do pulso ao fim do antebraço que estava pousado sobre o estomago trincado.

Estranhos desenhos marcavam seu peito, como uma criatura de cor roxa, e no braço que estava em volta dela, Sakura constatou que havia a mesma tatuagem do outro.

Seu cabelo era profundamente escuro, recaindo sobre a face em fios longos e um pouco arrepiados. Os lábios finos davam-lhe uma expressão um tanto severa e indecifrável, como um deus da guerra deveria dormir, sempre calculando suas próximas táticas de batalha. O queixo quadrado apresentava uma suave cova no centro. Nas orelhas um bocado de brincos e pequenas argolas, e na ponta da sobrancelha direita um piercing com duas pontinhas afiadas.

Quando sua mente finalmente foi capaz de processar a visão, ela juntou-se ao branco que sua memória apresentava, a dor em sua cabeça, o ambiente estranho, a falta de suas roupas, e principalmente, ao fato de que nunca havia visto este cara em toda sua vida.

Como uma panela de pressão ao ponto crítico, ela explodiu num grito de horror e jogou o corpo para fora da cama, ainda sentindo a mão grande apertar seu quadril como sinal de que o havia acordado.

Sakura localizou uma saia xadreza, verde e preta, que sabia que só poderia ser sua, e também a blusa e o cardigã sobre uma cadeira.

— Que diabos...? – a voz grossa dele a fez ter arrepios e espantou qualquer possibilidade de se vestir ali, catou tudo e correu para a primeira porta que encontrou, sentindo o rosto quente, a visão embaçar sabendo que desta vez não era sua visão ruim.

Gritou de frustração ao perceber que e era a porta de um banheiro, mas logo achou a outra e se também não fosse uma saída, estava pronta para se lançar pela janela.

— Espera aí, onde você vai? Sakura?

Ele sabia seu nome.

Ela se enfiou dentro da saia quando alcançou um corredor, o chão de madeira lisa a fez escorregar, ou talvez fosse algum líquido, se levantou e disparou para outra porta enquanto se enfiava na camisa. A porta não cedeu para ela, por mais que empurrasse, ela se viu batendo e gritando.

— Ela não abre assim – ouviu a voz dele, perto, e se voltou para trás, e o viu encara-la, a primeira coisa que percebeu era que ele era enorme, pelo menos dez centímetros a mais que Hidan, o corpo era esbelto, mas ainda largo o bastante para parecer que tomava todo o corredor.

A segunda, era que tinha olhos estupidamente negros.

E a terceira, era que ele estava nu.

Suas cochas eram fortes, os pés enormes e no centro de seu quadril erguia-se uma verdadeira coluna, grossa, rosada e muito orgulhosamente curvada para cima, quase tocando o estômago.

Ela girou para a porta e gritou, pânico dominando cada célula de seu corpo, quando a tranca cedeu e ela pôde puxar a porta, e não empurra-la, passou como um furacão, ouvindo vozes em seu entorno mas não processando nenhuma, apenas localizou a primeira porta de onde havia luz solar vindo e disparou para fora dela, alcançando uma calçada quente, e sentindo os pés arderem enquanto gritavam seu nome lá dentro, com vozes que ela não reconhecia.

Ela sequer lembrava onde estava, mas adentrou o primeiro taxi que viu, nem sequer tinha uma carteira mas pagou assim que chegou na pequena república perto da faculdade.

Sakura ouviu todos os recados da secretária eletrônica, viu as horas e data, tomou um bocado de remédios para se acalmar e para dor de cabeça.

Passou o resto do domingo trancada no quarto que dividia com a colega esnobe e vadia, e tudo o que poderia tirar de bom desse dia, era que graças a deus ninguém parecia ter percebido seu sumiço.

Aquele cara provavelmente só sabia seu nome, e esperava que pudesse continuar assim, para sempre.

Tinha pílulas do dia seguinte, por perto.

Na segunda-feira voltaria para sua rotina de aula, trabalho e estudos, quem sabe, pudesse esquecer de uma vez por todas aquele incidente, tal como não lembrava do que havia acontecido no sábado.

Era o mínimo, ou de certo que teria um ataque de nervos. E estava tanto tempo sem ter um que já nem lembrava quão angustiante que era, nem o queria.

Sua vida não fora feita para agitações.

Agora tinha certeza.

Sakura tinha acreditado nisso, mas percebeu que acreditar em algo, e isso acontecer, eram coisas completamente diferentes.

Enquanto se encolhia embaixo da coberta, ela sentiu novamente o final das costas latejar, e desta, não ignorou. Não fazia ideia de com quem estivera e o que estivera fazendo, ou aquela pessoa lhe fez, e não se deixaria vacilar, além do contraceptivo, também buscaria um consulta e um exame de DSTs. Se levantou e foi direto para o banheiro.

Apalpando o local, sentia uma ardência irritante e persistente, a pele estava sensível.

Sakura puxou o short e tentou olhar, primeiramente achou estar ficando pior da vista, pois só o que viu foi uma mancha preta, depois recordou que estava de óculos, achou que tivesse se machucado feio, e então ela girou para o espelho e segurando o quadril, encarou a mancha, e depois viu a si mesma empalidecer no espelho.

Mais uma coisa a ser acrescentada para deixar aquela manhã ainda mais perturbadora.

Não fazia ideia do que havia acontecido durante o sábado.

Não fazia ideia de quem era o homem enorme, ameaçador e pelado que acordara ao seu lado.

E agora, o mais aterrador de tudo, e que a fez soltar um grito que provavelmente todo o quarteirão ouviria, foi que havia uma tatuagem preta, em letras tribais que mais pareciam cortes feitos por garras, a linha acima de seu traseiro, bem na base de sua coluna, e pior.

Formando um nome.

Um nome de um homem.

E que ela também não fazia ideia de quem poderia ser.

Sakura se abaixou e simplesmente começou a chorar.

Como sua pacata vida foi ficar assim?

Como seu traseiro ganhou uma tatuagem?

E pelo amor de deus, QUEM DIABOS ERA SASUKE?

֎

Andar por aqueles corredores foi como se esgueirar por um campo de guerra.

Sakura sentia que a qualquer momento alguém poderia atirar nela algum comentário sobre o sábado passado.

Ao qual ela só tinha na mente, representado por um grande quadro, cheio de nada.

Até o fim do primeiro período de aula, ela conseguiu se acalmar. Já no terceiro, o nervosismo voltou com tudo. Estava tentando ligar para Hidan mas o número só dava fora de área ou desligado, e ela duvidava que o veria na faculdade numa segunda feira.

Hidan cursava Engenharia Civil, mas provavelmente já estava reprovado. Ele era aquele típico cara bonito, malvado, inteligente, mas sem futuro.

O tipo que ela jamais olharia, o tipo que jamais olharia para alguém como ela.

Mas estranhamente, olhou.

Ainda lembrava da primeira festa de fraternidade a qual foi, nunca bebera, e dois copos de cerveja foram o bastante para deixa-la tonta.

Ino, sua colega de quarto vadia e esnobe, que a havia arrastado para o inferninho no intuito de faze-la se enturmar, desaparecera tão logo chegou, junto com um dos caras do time da faculdade.

Sakura recordava de estar tentando ir ao banheiro, quando alguns meninos bêbados praticamente a emboscaram no corredor, vieram com baixarias, e insinuando coisas pervertidas por ela ser de ascendência nipônica e por usar óculos, o que os levava a compara-la com atrizes pornô asiáticas.

Ela nunca se sentiu tão constrangida e amedrontada, e quando Hidan apareceu e os escorraçou, foi inevitável não se esconder por baixo de sua asa. Ninguém mexia com ele por fazer parte de um grupo ou gangue chamado Akatsuki, que todos diziam ser constituído de traficantes, assaltantes e coisa pior.

Isso ela descobriu ser uma meia verdade, Hidan tinha suas passagens por brigas de bar, mas o resto era a mesma coisa, todos tinham trabalhos, e até cursavam faculdade, ainda que, por serem abastados, não dessem qualquer importância ao diploma.

De todo modo, depois daquele incidente, os idiotas passaram a espalhar comentários sobre ela ser uma atriz pornô, sobre ter conta em sites de acompanhantes ou mesmo de ter transado com o reitor para ter a vaga.

Sakura sabia que uma hora ou outra isso terminaria, e terminou, principalmente depois que ela e Hidan acabaram ficando vez ou outra e ninguém era tolo de mexer com ele.

Os boatos findaram e ela se apegou a proteção e gentileza dele, mesmo que rara. Ele não era um cara de entregar flores e bombons e ela também não esperava num relacionamento.

Por isso, o campo da companhia e sexo casual, se tornou o mais adequado para os dois.

Ele não poderia lhe dar mais que isso, e quando encontrasse alguém fixo, ela esperava muito mais.

Esperava sentir-se protegida, provavelmente porque passara vida toda se protegendo sozinha. Esperava poder sentir-se um pouco acolhida, e embora fosse uma galera torta e sem futuro, ele e seus amigos a permitiram estar entre eles e ser ela mesma.

Ela não esperava algo como terminar a faculdade e se casar com seu badboy de cabelo platinado, no entanto, estava satisfeita com como as coisas eram entre eles.

Por isso agora, precisava ter certeza de que ele não sabia nada sobre aquela noite, porque ela sequer saberia como se explicar ou se haveria uma explicação.

Não que Hidan fosse fazer um escândalo, mas não era como se ela tivesse saído com outros caras além dele. A questão era simplesmente que quando estavam juntos, não estavam com mais ninguém.

E ela pela primeira vez, aparentemente, fez isso, mas não se lembrava de nada.

Tudo continuava branco, ou então, um cara grande, assustador, estupidamente bonito, e pelado entrava em sua visão.

Um cara que ela nunca viu, aliás.

Sakura saiu para o almoço um pouco mais cedo, esperava ter tempo de ir até o apartamento de Hidan que era praticamente a base da Akatsuki, e esperava que não estivessem em reunião. Apesar de ser ficante de Hidan, não era como se ela fosse do grupo em si.

Eles eram como um clube, e ela sequer conhecia seus líderes, ou suas regras, só sabia que ninguém além dos membros ia pras reuniões, mesmo que alguém como ela fosse ser de total confiança.

Talvez por isso, todo mundo achasse que a Akatsuki fosse uma gangue, ninguém de fora sabia com certeza quem eram os cabeças, apenas que eles tinham grana e investiam em festas estrondosas.

Além de Hidan, havia Kakuzu, Zetsu, Deidara, Sasori, Kisame, e Tobi, mais alguns amigos que aspiravam entrar para Akatsuki ou eram próximos dos membros, tal como ela de Hidan.

Havia poucas garotas, e não era como se ela fosse a mais enturmada.

Os cabeças eram quatro pessoas, mas ela sequer sabia os nomes direito.

Sakura ajeitou os óculos sobre o nariz, e saiu do prédio da universidade, vendo o gramado do campus cheio de alunos, viu Ino embaixo de uma árvore, sentada no colo de um cara ruivo, e tudo o que sabia era que não era com ele que ela estava na semana passada.

Ino era um verdadeiro corrimão, e Sakura não sabia como ela conseguia conciliar sua vida sexual extremamente intensa com os estudos, afinal ainda conseguia tirar boas notas.

Não se demorou muito encarando, pois mesmo que a loira a visse, apenas viraria a cara e fingiria não conhecê-la.

Era assim desde o começo de seu caso com Hidan, não era que Ino o quisesse, ela queria era entrar para a Akatsuki, Sakura não sabia o porquê do interesse, a loira se recusava a dizer.

Quando se conheceram, Ino tentou transforma-la numa versão de si mesma, asiática, e com cabelo rosa. Mas Sakura não estava tão desesperada assim para se enturmar, pelo menos, não tornando-se um corrimão.

Hidan teve sua virgindade e ela estava satisfeita, sentiu que foi na hora certa, ele não a pressionou, e embora soubesse que não estava loucamente apaixonada, ele sabia ser atraente, era bonito, experiente e soube fazê-la se sentir especial. Não poderia querer mais nada se nem sequer estava namorando o cara.

E havia tentado incluir Ino na coisa, mas mesmo sendo bonita ou esperta, Hidan rejeitou completamente, a Akatsuki não aceitava qualquer um, não era um clube em que qualquer um chegava, ficava, e poderia trazer mais amigos. Por isso ainda eram tão poucos mesmo sendo tão populares.

Mas, isso não convenceu Ino, e ela pareceu achar que Sakura foi quem decidiu rejeitar. Agora eram apenas colegas de quarto e mal se falavam.

A parte boa, era que ela parou de dar seus longos telefonemas pelo quarto e atrapalhar seus estudos. Fazia tanta questão de manter Sakura de fora de sua vida, que até parecia que ela realmente queria ter uma parte...

No entanto, Sakura queria ao menos poder manter um clima menos pesado e inconveniente, detestava ser desagradável. No orfanato em que cresceu, ser minimamente desagradável custaria sua adoção.

Tinham de mostrar que poderiam ser as melhores crianças antes, ela passou tanto tempo tentando ser a filha perfeita para qualquer casal, que o tempo foi passado, e ela descobriu que o problema não era seu comportamento, aparência ou inteligência.

Era sua idade.

Seu tempo de maior chance de adoção passou rápido, e ninguém a quis, quando se viu adolescente e sem qualquer perspectiva de ser querida e amada, decidiu cuidar de si mesma, arranjou emprego de meio período e pagou um cursinho, este a ajudou a entrar para Medicina em primeiro lugar na lista de convocados, completou a maioridade e saiu do orfanato vindo direto para outro lar que nunca seria seu, e apenas temporário.

E onde se sentia novamente um peso.

Ino definitivamente iria preferir uma colega de quarto que pudesse ser como sua gêmea deixada na maternidade ou alguém que pudesse tirar mais proveito.

Sakura decidiu que tão logo pudesse, sairia dali para um lugar só seu, ainda que alugado, e quando tivesse seu emprego, teria uma casa só sua, onde ela fosse a única pessoa que importasse realmente, o centro de tudo.

Um lugar só para ela, e alguém que só quisesse ela.

Hidan foi muito bom como primeiro homem, e a fez se sentir muito importante, e sendo ou não um exagero da parte dela, ainda sentia que precisava de mais, e que ele não era capaz. E jamais exigiria isso dele, não tinha esse direito.

Estava satisfeita com o que tinham, mesmo que não fosse seu ideal.

Sakura ajeitou os livros contra o colo, a manhã estava fria, e ela ajeitou a barra da saia de pregas que quase alcançava seus joelhos.

Suas meias de lã pretas protegeriam do frio inconveniente, e ainda a deixavam com as pernas menos roliças, adorava aquelas meias.

Parou quando sentiu o cabelo entrar na frente da lente dos óculos, o puxou delicadamente antes que enrolasse na armação, foi quando sentiu um esbarrão e Ino passou por ela como um relâmpago loiro.

— Ino...- reclamou, a garota a ignorou. Sakura decidiu que era hora de ter uma conversa com ela. Estava livre para ignora-la, mas sair esbarrando nela de maneira de grosseira, já era um pouco demais.

No entanto, qualquer reclamação sumiu de sua boca, o ar faltou e ela sentiu que tombaria ali mesmo se o pânico não tivesse enviado adrenalina o bastante para fazê-la se mover dali.

Ino estava seguindo as pressas na direção de ninguém mais que, o cara pelado com o qual Sakura acordara ao lado no domingo.

Ele desceu de uma camionete que mais parecia um tanque, e ele próprio era um tanque, suas calças jeans pretas e apertadas exaltavam suas pernas longas e fortes, seu tronco recoberto por uma camisa branca e uma jaqueta de couro o fazia uma coisa ainda mais assustadora e se os humanos ganissem como cachorros, ela sabia que metade do campus ali fora estaria o fazendo.

Ele era um protótipo perfeito de assassino ou assaltante ou qualquer outra coisa perigosa.

Seus cabelos eram ainda mais repicados e deixavam seu rosto indecifrável ainda mais atormentador.

Seus olhos pretos passearam pelo ambiente como uma ave de rapina e Sakura teve um pressentimento ruim.

Girou sobre os calcanhares e seguiu para dentro do prédio novamente. A conversa com Hidan teria de esperar, porque ela precisava não ser vista por aquele cara.

Subiu os degraus da entrada de três em três e quando olhou para trás, quase gritou. As passadas largas dele deixaram Ino para trás facilmente, e Sakura sequer precisou encarar seus olhos para saber que era em sua direção que ele vinha.

Adentrou o prédio como se sua vida dependesse disso, pensou em se esconder nos banheiros mas isso seria muito óbvio, pensou em ir para sala, mas não precisava ser vista perto dele ou seguida por ele.

Pensou em se jogar da janela do último andar, mas resolveu deixar para última providência,

Assim, entrou dentro da enorme biblioteca, fugindo rapidamente dos corredores mais populosos e das salas de estudo.

Quando viu, estava numa ala de livros de teologia, e como tal curso não estava mais nas grades da faculdade, a ala ficou abandonada para eventuais consultas.

Ela afrouxou os materiais entre os braços e tentou normalizar a respiração, seu remédio para ansiedade estava na bolsa mas preferia não toma-lo fora do horário estipulado.

Então concentrou-se em respirar novamente, não sabia quanto tempo ficaria ali, apenas que ficaria o bastante para ter certeza de que não esbarraria com ele.

Se lhe dissessem que a estavam procurando, negaria conhecer aquele cara até a morte, não que isso lhe parecesse mentira.

Sakura andou alguns metros, e notou um pequeno quadrado de espaço entre as robustas estantes, haviam uma mesa redonda com quatro cadeiras e ela seguiu até lá para deixar os livros no momento em que passou por duas estantes, entre elas surgiu uma parede humana e ela literalmente bateu e voltou, indo direto ao chão, só conseguiu ouvir o baque seco de traseiro contra o piso e os livros espalhando-se no chão, o caderno aberto espalhando folhas pelo ar.

Seu óculos torto, sua mente torta, ela se apoiou numa das mãos e gemeu baixinho enquanto arrumava a armação sobre o nariz. Encarou as próprias cochas, e se sentou fechando-as e apertando a saia entre elas, temendo que alguma visão íntima demais fosse passada. Seu rosto avermelhou e ela se encolheu.

Só então encarou a frente, notando enormes pés dentro de coturnos pretos, pernas longas e cochas fortes.

O tronco largo e esguio, e então aquele rosto, que encarava seu corpo ou chão de forma intensa.

Ela então se viu indo do vermelho ao pálido.

O cara pelado estava diante dela, não pelado, mas ainda era aterrador do mesmo jeito.

Ele estava lhe lançando um olhar negro e tão afiado que ela realmente não sabia se era algo libidinoso ou assassino considerando que encarava suas pernas, afinal, nada garantia que ele não estivesse pensando em arranca-las...

— Vo-vo-você de novo – balbuciou se levantando, e ele piscou parecendo espertar-se.

— Oh, deus, desculpe, você se machucou? – Sakura apenas recuou indo para outro corredor.

— Não se aproxime – avisou.

— Calma, eu só quero falar.

— Vá embora – pediu-o, entrou num corredor sem saída, e nem pensou e dará volta sabendo que aquele armário estava lá. Viu uma escada recostada contra a estantes e subiu nela.

— Hey, cuidado! – ele trovejou, e ela puxou alguns livros atirando nele.

— Não se aproxime!

— Você vai se machucar! Por favor, se acalme!

Sakura parou, parou porque já estava sentindo a ansiedade machucar seu peito e atrapalhar sua respiração, se forçou a inspirar corretamente e continuou o encarando.

Ele mantinha as mãos grandes e brancas, erguidas em sinal de calma, seu rosto era branco mas estava um pouco corado, e sua expressão era extremamente preocupada, foi a menos assustadora até agora.

— O-o-o que-que-que-que que você quer? – gaguejou.

— Por favor, eu só quero conversar, eu nunca te machucaria, Sakura.

— Como sabe o meu nome?

Ele baixou as mãos, lhe enviou um olhar estreito e confuso.

— Você não... Sabe quem eu sou? – Sakura desceu um degrau apenas.

— Não... Eu não sei, por que eu deveria?

— Você...

— Porque estávamos na mesma cama ontem? E pelo amor de deus, porque você estava nu? – ele franziu o cenho.

— Eu sempre durmo nu.

Sakura deixou o queixo cair.

— Q-que-que-que...

— Você realmente não sabe quem eu sou? – ela tentou fechar a boca e negou. Ele olhou para o lado, mexendo no cabelo e os deixando mais desalinhados.

— Eu não lembro de nada – ela declarou, e ele a fitou, seus olhos escuros refletiram uma insegurança e um desespero que a assustaram, ele se aproximou com uma expressão angustiada e a encarou, na mesma altura, graças a escada.

— Por favor, não diga isso.

Sakura só conseguiu sentir os lábios tremerem, estava sem palavras. Ele inspirou profundamente, seus olhos encararam sua boca, e ela ficou corada. Parecendo ver de cara o constrangimento dela, ele se afastou, e para seu espanto e ainda maior confusão, ele ficou tão vermelho quanto ela, e recuou outro passo, levando a mão com falanges marcadas por pequenas tatuagens até a boca.

— Me-me desculpe...

— Oi...?

— É que, caralho, como você é linda...- Sakura arregalou os olhos suas lentes redondas provavelmente ficaram menores que seus olhos, ela encarou seu rosto completamente vermelho, e não tinha dúvidas de que parecia encara-lo como se ele fosse um alien.

Aquele cara, enorme, ameaçador, estava a chamando de “Linda” e ainda por cima corando?

Ela só podia ter batido a cabeça, talvez estivesse em coma desde o sábado e este fosse um sonho louco em que caras assustadores coravam mais que ela.

Quer dizer, não que fosse feio, era apenas... Não batia com a imagem dele, no entanto, era até... Fofo?

Ela sacudiu a cabeça, tentando por uma ordem naquilo tudo, e desceu um degrau.

— Eu não enten-...- seu salto escorregou no degrau e ela foi para frente, ele avançou, suas mãos grande a agarraram, trazendo-a firme e fortemente contra seu peito, afastando-a da escada, seus pés sequer tocaram o chão.

Sakura abafou o grito de susto contra seu peito, e se segurou em seus ombros, passado o susto inicial, ela respirou fundo, o cheiro de nicotina e perfume masculino encheu suas narinas, de repente esteve atenta ao grande corpo a cerca-la.

Sentiu-se pequena, mas não intimidada, era como estar cercada de algo acolhedor, quase que familiar.

Ela respirou fundo, e ergueu a cabeça, deparando-se com seus olhos sobre si.

— Eu... Como nos conhecemos? – o espesso cenho dele se torceu, inconformado, mas ele a soltou delicadamente a deixando ter os pés sobre o chão novamente.

— Você realmente não lembra...

— Veja, eu lembro de ter saído na sexta com... hum, com os amigos de um cara com quem saio vez ou outra...

— Hidan – ele pronunciou, de mal gosto, Sakura o encarou.

— Você o conhece...?

— Amigos em comum, nada mais – seu tom foi claro de que não estava afim de ir por essa linha.

Sakura tragou silenciosamente, não era como se fosse defender Hidan com unhas e dentes, sabia que ele não era uma flor a se cheirar, mas achou que desse para entender as coisas por essa linha.

— Bem, nós saímos, bebemos, e eu acho que bebi mais do que deveria, porque dali em diante, eu não lembro de nada.

— Nada?

Ela se encolheu, sentindo sua indignação.

— Só de... erm...acordar... lá...com você.

Ele inspirou, profundamente. Voltou a repuxar os cabelos. E se afastou, saindo do corredor, Sakura o seguiu mas antes de sair, deu meia volta assim que o viu socar uma estante.

Ela voltou para perto da escada e se pôs a juntar os livros que jogara nele, em busca de acalmar a si mesma e esquecer que tinha um cara grande socando uma estante cheia de livros.

Aos poucos ouviu seus passos, e ele se abaixou perto dela, começando a recolher os livros também, Sakura fitou sua expressão de canto, e viu-o fazer a tarefa com uma expressão carregada de desânimo.

Se levantaram encaixando os livros no lugar.

— Me desculpe...- ciciou — Eu realmente não sei o que houve, eu nunca fui de beber muito, nem sei porque bebi tanto...

Hidan nunca insistira para ela se jogar na bebida, então perguntava-se o que houve para ter feito tamanha burrada, e como esse cara foi se encaixar nela.

— Acredite, não é sua culpa – ele disse, com desgosto evidente, Sakura o fitou.

— Então você sabe?

— Olha... Nós podemos conversar mais tarde? Sei que tem aula durante a tarde e que ainda não almoçou.

— Sim...

— Então, posso passar aqui e te pegar?

— Eu não sei...

— Eu nunca te faria mal – ele disse, tanta veemência na voz, que Sakura sabia que o estaria ofendendo e magoando se continuasse a relutar.

Suspirou, segurando os dedos.

— Tudo bem, eu saio às seis horas.

— Ótimo, prometo que vou explicar o que houve, ou o que sei que houve.

— O que sabe...?

— Eu não sei exatamente por que estava daquele jeito, você não me disse.

— De que jeito?! – agoniou-se — O que eu fiz?

Ele se aproximou, sua mão grande segurou os dedos dela. E a outra se apoiou na estante atrás dela, onde ela também se recostou, acuada com seu corpo grande em torno.

O observou tocar seus dedos, um a um, acariciando as pontas.

— Você não fez nada, foi o que fizeram com você – ele ciciou, Sakura ergueu os olhos para os dele, e o viu elevar sua mão e beijar o dorso da sua palma, os olhos dele queimaram nos dela, ou ameaçaram queimar, uma intensidade que irradiava um calor quase absurdo.

Quem era este cara?

Ela não podia acreditar na possibilidade de ter estado com ele, este não era um cara que olhava para alguém como ela, tal como Hidan também não era.

Mas tinha algo mais nele que o fazia ainda mais raro, seja o perigo que porejava em cada canto dele, ou apenas sua beleza extrema.

Ela não sentira qualquer sinal de que havia feito sexo, seu corpo parecia o mesmo, e lembrando de como ele era... hum, pelado, duvidava que fosse estar minimamente parecida com quem era se tivesse estado com ele.

— Eu volto mais tarde.

— Tudo... tudo bem...- ele deixou sua mão exatamente onde estava e se afastou, Sakura tentou respirar dignamente enquanto ainda sentia o contorno de sua boca contra e pele.

Observou suas costas e o seguiu até onde estavam seus materiais.

Ele ajudou-a a recolhê-los, e se despediu dela mais uma vez, com um aceno, ele a encarava toda hora, e parecia ansiar que ela lhe desse a resposta que queria, e quando ela o flagrava, o via avermelhar novamente.

Já estavam indo embora daquele esconderijo quando ela parou, na frente dele e se virou.

— Você... Você não me disse seu nome...- lembrou, um pouco constrangida.

— Ah... claro...- ele pareceu tentar conter a nova onda de desânimo que isso o causava, suspirou remexendo o cabelo e afundando outra mão no bolso da calça.

— Sakura Haruno, embora já saiba – ela disse.

— Sasuke Uchiha, embora... você também já saiba. – alfinetou, com um sorriso suave, e ela teria rido.

Teria rido se não tivesse processado a coisa direito.

Seus livros caíram novamente e ela recuou apontando para ele, o rosto ainda mais vermelho.

— Meu deus, meu deus, meu deus, é você.

— O que houve? Fique calma!

— Oh meu deus, oh meu deus, você é o cara, você!

— Você... Você se lembra de mim?

— Não!

— Então? – Sakura levou, instintivamente a mão até o fim das costas, o local ainda ardia um pouco, mas a leve dor aumentou seu terror e humilhação.

— Você-você-você... É o cara! Você é o tal do Sasuke!

— Sou...?

— Você é o tal do Sasuke!

— Sou.

— Você é o nome que está tatuado em mim!

֎

“— Ah... Então você lembra.

— Não! Eu lembro que acordei ao lado de um cara nu! E que minha bu-bunda estava ardendo quando cheguei em casa e que... e que tinha um nome tatuado nela! Seu nome, tatuado nela! O que aconteceu?!

Ele suspirou, mas um sorriso satisfeito, ostentava-se em seus lábios, então puxou a jaqueta de um ombro e começou a tira-la. Sakura recuou, com a ação e o encarou receosa.

Ele pousou a jaqueta sobre a mesa, e começou a puxar a camisa para cima, seu peito e barriga trincados, novamente apareceram para ela, e Sakura desviou o olhar, afinal, já tinha visto aquilo e mais que o aceitável.

Sasuke se virou dando-lhe as costas e puxando a camisa até acima do ombro, sem tirar, ela, estranhando seu gesto, fitou-lhe as costas.

Em cima das espaduas dele, haviam duas tatuagens, do lado esquerdo, era uma pequena, três gotas negras em círculo, já do outro lado, quase no centro das costas, havia uma ave de rapina, tão bem desenhada, que, sobre sua pele branca, parecia uma pintura ou uma fotografia.

A curiosidade e fascinação a fizeram encarar as duas imagens longamente, e Sasuke soltou um dos braços da camisa, e o trouxe para trás, apontando para um ponto mais abaixo e no centro de suas costas.

— Isto aqui, veja.

Ela baixou o olhar, e todo o sangue pareceu fugir de seu corpo.

Nas costas dele, estava a palavra Sakura, em letras tribais exatamente como as que estavam em seu traseiro, apenas na vertical.

Ele enfiou o braço de volta na camisa e a desceu, voltando-se para ela, estava novamente ruborizado, mas, parecia também satisfeito, até mesmo alegre.

— Bem... Digamos que você não foi a única a fazer uma... hum, loucura.

Ela não viu mais nada, talvez apenas o teto, mas ouviu claramente o som do baque de seu corpo contra o chão, mesmo não tendo sentido nada, apenas implorou para acordar daquele sonho, quando, tudo escureceu.”

Mas, oh, quando foi que em sua vida teve tanta sorte?

Ela sequer conseguira ser adotada, ter uma família, nunca foi uma aluna excepcional embora tirasse altas notas, todo mundo via que era porque se matava de estudar, ou seja, que estava longe de ser um gênio.

Até que admiravam seu esforço, mas no fim, até mesmo isso se tornara meio incômodo. Em suas muitas tentativas de ser tornar uma criança exemplar, ela se tornara uma criança frágil e doente, vez ou outra desmaiando de exaustão no meio da aula, não dando conta das aulas que exigiam esforço físico e também se tornando alguém cronicamente ansiosa.

Desenvolveu TAG* ainda na adolescência, e teve uma crise de pânico que a internou por uma semana.

E recordando quando sua vida sempre foi uma sucessão de fracassos e de desastres, Sakura percebeu que deveria ter desconfiado da enorme paz que teve quando entrou para a faculdade.

Embora tenha tido alguns problemas para se adaptar, nada como o que acontecia agora, se sucedeu.

De fato, estava com boa sorte demais, e deveria ter se precavido.

Agora estava pálida, cansada, e fedendo a éter, odiava ser paciente, queria ajudar as pessoas, ter alguma importância na vida delas, ainda que só por um dia, apenas uma vez.

Sakura se levantou da maca, sentia os passos pesados e seguiu com o médico para fora do pequeno quarto rumo à recepção.

Sasuke veio ao encontro dela, o olhar ainda preocupado, ele analisou-a profundamente antes de se voltar ao médico.

— Ela vai ficar bem?

— Ela só estava um pouco nervosa, e precisa se alimentar, dormir um pouco, entendo que na faculdade isso são duas coisas difíceis, mas você precisa ter cuidado, certo? – O mais velho disse a ela, que concordou, apaticamente. — Você pode leva-la.

— Claro. – Sentiu Sasuke envolver seu braço com suavidade e guia-la para fora do prédio.

— Como eu cheguei aqui...?

— Eu trouxe, o hospital é perto, disseram que foi só um desmaio, mas preferi ter certeza.

— Tá...

Os dois entraram na camionete dele, a cabine tão espaçosa, a fez se sentir ainda menor.

— Acho melhor fazermos o que o médico indicou, você nem almoçou.

— Hum...

Ele suspirou, inconformado, e bateu no volante, sem grande força, apenas um desabafo.

— Droga... Eu não devia ter te mostrado a tatuagem, agora você acha que eu sou um psicopata obsessivo ou coisa assim.

— Bem... isso é verdade.

— Eu não fiz a tatuagem em você, certo? Foi um amigo.

— Por quê?

Sasuke umedeceu os lábios, inseguramente.

Ele fez uma curva e parou no estacionamento de uma pequena lanchonete, desceu e abriu a porta para ela, Sakura desceu, esfregando os braços, já era fim de tarde, e estava ficando frio.

Os dois entraram no lugar, era meio desabitado, mas música country tocava, as luzes um pouco baixas, e o ar caseiro.

Seguiram para uma mesa ao lado das janelas e Sasuke pediu alguma coisa ao garçom que já lhe era um conhecido.

Depois de sozinhos, ele se voltou para ela, ainda com aquele olhar de que torcia que ela se lembrasse de tudo logo.

— Nós estávamos muito loucos – ele começou.

— Como assim?

— Você disse que não se lembra como foi parar lá em casa, bem veja, minha casa também é um estúdio...

— Estúdio...?

— Um estúdio de tatuagem – Sakura piscou, o encarou, e se encabulou, se perguntando se estava fazendo uma careta preconceituosa.

— Oh, sim, claro, entendo... erm... você parece mesmo, hum gostar dessas coisas...

— É, eu sou tatuador, o estúdio é meu e de um amigo, bom, até onde eu me lembro você apareceu lá, com um cara...

— Um cara?

— Bem, eu não estava lá, no momento, esse meu amigo, Jiraya, não bate muito bem da bola, ele é velho, e um puto, na boa.

— Oh.

— Ele disse que a gente chegou bem virados no álcool, eu confesso que não sou muito forte dependendo da garrafa... Ele disse que pedimos pra ele fazer as tatuagens, e ele fez.

— Assim?! Do nada? Como ele... Nós estávamos bêbados!

— Eu não disse que ele era doido?

— Mas... Mas... Meu deus.

— Veja, entendo que você não lembra, a gente se esbarrou na rua do estúdio, eu estava voltando de uma festa, por isso já tinha bebido um pouco, embora nada que me deixasse tonto, e você estava um pouco tonta, e... hum, chorando.

— Isso também não faz sentido...

— A gente começou a conversar, depois fomos na loja de bebidas...

— O que a gente conversou?

— Falamos sobre nós, você não estava afim de falar sobre o que houve antes, estava triste.

— Entendo...

— Nós bebemos bastante no meu carro, depois hum... A gente foi no estúdio...

— E fizemos as tatuagens... – ele negou, seu rosto avermelhando novamente, e ela arregalou os olhos — O que fizemos...?

— Não fizemos sexo! – apressou-se — Quer dizer, houve preliminares, a gente estava bem... Muito, loucos, certo?

— Meu deus...

— E então o Jiraya chegou, você disse que queria fazer uma tattoo.

— Ai meu deus... E você disse pra ser seu nome?

— Foi você quem disse...

— Hã?!

— E eu escolhi fazer o seu.

Sakura girou no acento, preparada para se levantar, mas sabendo que era incapaz.

— Eu gosto de você...- ele ciciou, ela o encarou, e ele escondeu o rosto, virando-o — Desculpe... Eu sou um pouco... Eu não sou muito bom em lidar com essa coisa...

— Essa... Coisa...?

— Eu não sou muito bom com sentimentos, geralmente sou muito apático com tudo... Mas quando eu quero algo... Quando gosto de algo... Eu apenas quero e pronto, e não posso controlar.

Ele inspirou e se voltou para ela, ainda estava adoravelmente vermelho, mas seu olhar não era adorável, era possessão intensa e fumegante.

— E eu quero você.

A boca dela abriu e fechou sem qualquer som, o garçom veio com a refeição, havia um enorme bife, fritas e salada em seu prato, os dois comeram em silêncio.

Sakura se dedicou a comer e ele aceitou, sem qualquer pressão, isso foi tremendamente confortável. Começava a sentir que dele não vinha qualquer ameaça ou qualquer exigência, exceto, claro, naquele olhar reivindicador de antes.

Os dois não conversaram mais no caminho para a república, já era noite.

— Você ainda precisa de alguma coisa? – ele indagou, o tom preocupado. Sakura negou, encarando a entrada do prédio, tudo o que queria era dormir pesadamente.

— Eu estou bem...

— Posso falar com você amanhã?

— Eu... Não sei...Tem algumas coisas que eu preciso por em ordem primeiro...

Como por exemplo, saber o que aconteceu antes de encontrar com Sasuke.

Ele assentiu, calmamente.

— Eu posso te ligar? – ela arregalou os olhos.

— Você tem meu número?

— Hn, acho que tenho, se você tiver me dado corretamente...

— Meu deus...

— Veja, eu sei que foi só uma noite, mas eu realmente gosto de você.

— Co-como pode...?

— Digamos que... – ele se aproximou, ela não sentiu medo, estava novamente fascinada com seu rubor — Eu goste de você faz um tempo.

— Como?

— Mas nunca tive... hum, coragem de chegar.

— De onde me conhece?

Ele deu de ombros, sua mão envolveu o maxilar dela, sua palma era extremamente macia. Seu rosto curvou-se para dela, e seus lábios finos roçaram os dela.

— Eu queria tanto que você lembrasse...- murmurou.

Sakura respirou tropegamente, e nervosa, ergueu os olhos para ele.

— Me faça lembrar...

Ela se daria um prêmio ou um tapa depois, por toda esta coragem.

Nem viu quando aconteceu, apenas, estava de uma hora para outra, com o corpo contra a parede ao lado da entrada, e a boca dele esmagando a sua.

A língua de Sasuke tinha gosto da cerveja preta que ele tomara na lanchonete, seu corpo duro esmagou o dela, e parecia que onde quer que pusesse as mãos, havia ele. Duro, potente, possessivo.

Sakura ficou na ponta dos pés, tentando ficar minimamente próxima a sua altura, sentiu a cocha dele entre suas pernas, e seu corpo todo tremeu com a sensualidade que emanava dele.

Suas mãos subiram para os ombros, alcançando seu cabelo, ela o puxou suavemente, e em troca, obteve um gemido gutural e a pressão do corpo dele contra si.

Sasuke afastou a boca da dela, fazendo um som de estalo, que a deixou excitada e nervosa, ele apoiou a mão na parede e retomou o ar, olhando para os lados, tão tonto quanto ela.

Ela afastou as mãos dele, esperando retomar alguma sanidade desta forma. Sasuke lambeu os lábios vermelhos e essa visão deveria ser proibida.

Ele se curvou novamente, e ela se recostou mais na parede, sem forças para resistir, mas sentindo apenas um beijo cálido e gentil contra a bochecha.

— Eu não me importo de esperar...

— O-obrigada...- respondeu, sem saber como ele conseguia ser tão... fofo e tão assustador ao mesmo tempo.

Ou tão quente e tão tímido.

Sasuke a abraçou, e ela devolveu, com um suspiro, e um pequeno sorriso.

Talvez não fosse tão mal assim...

O frio invadiu sua parte baixa quando sua saia foi levantada, ela mal pode se espernear, quando sentiu a palma dele, cheia de calor, apertar suas nádegas com ganância antes de subir e tocar quase com reverência a marca da tatoo mais acima.

— E-ei...!

— Eu não me importo de esperar...- ele repetiu, seu tom agora rascante, sua mão apertando e massageando bem onde ainda estava meio ardido, ele apertou sua cintura contra si, e a encarou, havia um sorriso quase perverso, cheio de satisfação em seu rosto. — Até porque você já é minha mesmo.

Ela o encarou, pálida e indignada, e ele, apenas beijou-a novamente, e se afastou, seguindo para o carro. Sakura o observou ir embora para então entrar e desabar no corredor.

Ela realmente não tinha tanta sorte.

Notas finais
ESSAS PROTAGONISTAS QUE RECLAMAM DE BOCA CHEIA