If You Only Knew
5 Surpresa(s)
Notas iniciais
— Chegamos! — aquela curta palavra me fez sentir um alívio incomparável.
Depois de horas naquele engarrafamento terrível, nada podia me fazer sentir melhor do que poder dar uma olhada em minha nova casa. Ou será que podia? Bem, logo abri a porta do carro e saí do mesmo, sem nem mesmo esperar por meu pai. O prédio tinha uns seis andares e seu exterior era meio acinzentado, a estrutura era igual à de todos os outros naquela rua. Dei meia volta após dar uma longa examinada no edifício e me deparei com meu pai, carregando minhas coisas.
— Não sabia que você tocava violão. — comentou.
— Não precisa carregar minhas coisas, eu tenho mãos para isso. — ignorei aquele comentário e me aproximei do homem.
— Não seja boba, eu posso fazer essa gentileza para você. — ele pareceu não se ofender com aquelas minhas palavras brutas.
— Pelo menos me dê meu violão. — estendi meu braço ao pedir.
Ele logo me entregou e eu segurei na alça, que havia na bolsa que protegia o instrumento, em meu ombro. Logo subi as escadas da frente do prédio e esperei para que meu pai abrisse a porta. Billy veio caminhando logo atrás e abriu a porta, para que eu pudesse entrar. Adentrei o prédio e, sem reparar em muitas coisas, caminhei até o elevador e apertei o botão que precisava.
— Moramos no 4º andar, ok? — ouvi meu pai dizer, enquanto esperávamos pelo ascensor.
Decidi ficar em silêncio e, após mais alguns segundos, observei a porta do elevador se abrir e adentrei no mesmo, apertando o pequeno botão que nos levaria até o 4º andar. Meu pai logo entrou e esperamos em silêncio, logo que chegamos, deixei que ele saísse na frente, para ver em que apartamento morava. Ele logo parou em frente ao 4C e pegou as chaves em seu bolso, abrindo a porta.
Dei uma longa olhada por dentro daquele apartamento antes de entrar, porém não consegui distinguir muitas coisas. Até que meu pai se afastou levemente da porta e me deu passagem, proferindo:
— Primeiro você, Miley.
Aproximei-me mais um pouco e adentrei completamente. O local era muito bem decorado e consideravelmente grande. De repente vi uma mulher alta, com cabelos cacheados e de cor escura cruzar a sala. Ela pareceu não me notar por certo tempo, até que, ao erguer os olhos, se mostrou espantada por me ver ali. Mas logo desviou o olhar ao meu pai e deduziu o óbvio:
– Você deve ser a Miley, certo?
— Sim, sou eu. — forcei um sorriso.
— Oi Miley, é um prazer te conhecer, seu pai falava muito de você. Eu sou a Allison. — a mulher se aproximou de mim e estendeu-me a mão.
Apenas apertei-lhe a mão, tentando mostrar uma animação inexistente. Ficamos em silêncio e eu apenas ouvi meu pai finalmente fechar a porta, enquanto a mulher mantinha o sorriso intacto nos lábios.
— Bem, acho que seu pai já deve ter comentado que temos uma pequena surpresa para você, não é? — a mulher se aproximou um pouco de mim.
— Sim, ele comentou. — respondi um tanto fria.
— Então venha comigo que irei lhe mostrar tal surpresa.
Allison se apressou em andar na minha frente e eu apenas a segui. O local não era enorme, mas era um bom e grande apartamento. Principalmente se considerar o fato de que moravam, anteriormente, apenas três pessoas ali. Observei, rapidamente, algumas coisas ao meu redor. Até que a mulher, que andava à minha frente, parou de fronte a uma porta, no meio do corredor.
— Olhe, não é lá uma grande surpresa, mas acho que você irá ficar feliz. — ela comentou, antes de colocar a mão na maçaneta e abrir a porta.
Eu não tinha grandes expectativas, talvez por causa do meu humor naquele dia. O que eu vi atrás daquela porta foi um quarto bem grande e decorado. As paredes eram pintadas de um rosa claro e havia uma cama de casal com a estrutura branca, assim como as portas do guarda-roupa. Ao lado da cama, um pequeno criado mudo, onde se encontrava um abajur, e nas janelas uma persiana de tecido listrada e colorida que dava um ar descontraído ao quarto.
— Este é seu quarto. Era quarto de hóspedes antes, mas assim que eu soube que você viria morar aqui conosco, tratei de redecorar somente para você. Ah e suas coisas que estavam na outra casa já estão todas aí, nessas caixas. — a olhei e percebi que ela hesitou em pousar a mão em meu ombro e disfarçou passando a mão em seus cabelos.
— Não precisava... — comentei e dei uma boa olhada na quantidade de caixas que estavam nos cantos do cômodo.
Apesar de tudo havia me surpreendido, confesso. Allison continuou com os olhos fixos em mim e um sorriso no rosto. Logo falou:
— Não seja boba, claro que precisava. Você veio morar aqui e merece ter um quarto digno. Além do mais, não foi trabalho nenhum. Mas... Você gostou?
— Gostei. — forcei novamente um sorriso e voltei a olhar para o cômodo.
O local realmente era bem espaçoso. Era um belo quarto, mas eu não me sentiria muito confortável nele. Talvez porque sabia que não estava em casa... Na minha casa, na Califórnia.
— Então. Gostou da surpresa Miley? — meu pai chegou carregando minhas coisas e as deixou logo na entrada do quarto.
Apenas o olhei meio assustada com o fato de ele ter aparecido ali tão subitamente. E balancei a cabeça positivamente, em resposta à pergunta que ele havia me feito.
— Que bom. Sabe a Allison praticamente redecorou tudo sozinha. Ela tem um bom gosto e tanto, não? — meu pai envolveu os ombros da mulher com um dos braços.
— Não seja bobo, Billy. — ela riu sem jeito. — O quarto ficou bem simples, afinal eu não sei o gosto da Miley.
— Mas você gostou, não gostou Miley? — o homem sorria alegremente.
— Sim. — falei num tom frio.
— Então, você acertou mais uma vez querida. — ele voltou a olhar para a mulher que ainda abraçava.
Novamente Allison riu, claramente sem graça pela situação. Apenas os olhei por certo tempo, sem saber o que dizer ou fazer.
— Tudo bem Billy, já chega. Deixe-me voltar a cuidar do jantar. — Allison tomou a palavra.
Aproveitei e simplesmente me distanciei um pouco deles e então proferi secamente:
— Eu preciso tomar um banho... — olhei ao meu redor por um tempo. — Onde fica o banheiro aqui?
— Ah, claro. O banheiro fica bem ali no corredor. Primeira porta à direita. — ela indicou uma porta não muito longe, para eu ter certeza de onde era. — Têm toalhas limas lá ok?
— Ok. — logo me retirei do local, sem esperar que os dois adultos falassem mais alguma coisa, carregando minha frasqueira, que se encontrara junto às minhas malas.
Assim que entrei no banheiro, fechei a porta, logo encarando meu reflexo no espelho. Deixei a pequena frasqueira sobre o mármore da pia e peguei apenas o que precisava para meu banho, colocando ao lado do Box. Não demorei a me despir e ligar o chuveiro, observando a água cair. Esperei um centro tempo até garantir de que a água estava a uma temperatura agradável. Adentrei no Box em vidro e o fechei em seguida.
“Mergulhei” minha cabeça debaixo da água que caia incessantemente e senti um alívio, como se todos os meus problemas desaparecessem naqueles minutos. Estava prestes a abrir a porta de vidro para apenas pegar minhas coisas do lado de fora, quando ouvi um som completamente inesperado e que me causou desespero.
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