Notas iniciais
Bem, o último capítulo acabou em um momento tenso, como deu para perceber. Então aí está a continuação e vocês irão saber o que aconteceu. Espero que gostem.

Olhei imediatamente para a porta que se encontrava aberta e fitei, em estado de choque, o garoto que estava parado ao lado da mesma, os olhos fixos em mim.

Ao me dar conta do que acontecera, dei o grito mais alto, longo e agudo que minhas cordas vocais me permitiram. Tentei desesperadamente me cobrir com as mãos, mas o que consegui foi me contorcer tolamente na frente daquele rapaz desconhecido, que parecia sem saber o que fazer.

— O que aconteceu? Eu ouvi um grito. — meu pai surgiu correndo.

O garoto apenas olhou para meu pai, que tentava entender o fato ocorrido. Até que o homem olhou para o interior do banheiro e me viu dentro do chuveiro, completamente nua.

— SAIAM DAQUI AGORA! — gritei para ambos, num tom aflito.

— Mas Miley... — meu pai tentou falar, virando um pouco o rosto, apenas para demonstrar que não estava me olhando.

— FECHEM A PORTA! — notei que o garoto apenas ria divertidamente, o que me fez ficar ainda mais irritada.

Foi meu pai que se apressou em puxar a porta e fechá-la. A minha reação foi correr até a porta, mesmo estando completamente molhada, e trancá-la. Após voltar correndo para o Box, tentei manter a calma, porém não obtive sucesso. Meus minutos finais de banho eu passei olhando de segundo em segundo para a porta, temendo que algo pior acontecesse. Se é que isso era possível...

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Naquele momento eu estava em meu quarto, já vestida com meu pijama, após ter tomado meu banho. Se é que eu poderia chamar aquilo de banho, foi mais uma experiência traumática do que qualquer outra coisa.

Estava com um medo profundo de sair do cômodo onde estava e encontrar o rapaz, que eu acreditava ser meu irmão postiço, Nicholas. Porém sabia que eu teria que sair dali em algum momento. E esse momento chegou mais rápido do que eu esperava.

— Miley, venha jantar! — ouvi a voz inconfundível de meu pai gritar.

Com as mãos trêmulas e um tormento estranho dentro de mim, abri a porta e caminhei em direção à pequena sala de jantar, que era separada da cozinha apenas por uma bancada. Em um silêncio mórbido, sentei em uma das cadeiras. Foi então que o garoto de cabelos cacheados e castanhos adentrou o cômodo e sentou-se no lugar vago à minha frente, com um sorriso estranho nos lábios. Havia, de fato, outros lugares para ele se sentar, porém ele escolhera aquele.

— Agora que estão todos aqui, podem se servir. — Allison se pronunciou.

O que tinha para o jantar? Frango assado e acompanhamentos típicos, como alguns legumes. Ao que me parecia, a Allison havia passado um tempo considerável na cozinha para preparar tudo. Logo que todos se serviram, percebi que havia pouca coisa em meu prato, não estava com muita fome. Talvez por causa do receio pelo que havia acontecido anteriormente. Eu tentava ao máximo tirar aquilo da minha mente, mas não conseguia.

— Então, Miley, vocês dois já se apresentaram? — questionou a mulher, enquanto todos já comiam.

— Hum? — fingi não entender de quem ela falava.

— Você e meu filho. — ela me fitava.

— Ah... Bem... — eu não sabia o que dizer, afinal não fazia idéia se ela já sabia o que acontecera.

— Não. Não oficialmente. — ele respondeu por mim. — Eu sou o Nicholas, mas pode me chamar de Nick, se quiser me tratar com mais intimidade. — ele agora se dirigia especialmente a mim e novamente estava com aquele sorriso ambíguo.

— Me chamo Miley. E eu acho que não estou pronta para te tratar com tanta intimidade, nem sequer lhe conheço. — passei um tom firme em minha voz.

— Você acha mesmo? — ele arqueou ambas as sobrancelhas, sem desfazer o sorriso.

— Sim! E pare de sorrir desse jeito pra mim, está me irritando. —rolei os olhos e o ouvi rir.

— Ok, estressadinha. — falou o jovem, assim que cessou o riso.

Um silêncio tomou conta do ambiente e eu sabia que os adultos nos olhavam e, certamente, Allison não entendera aquele comportamento. Depois daquilo, apenas fiquei brincando com a comida em meu prato, por um longo tempo, até que terminei minha refeição, depois de todos.

— Hoje eu e Billy cuidaremos da louça, então vocês dois podem ir descansar. — comentou a mulher, enquanto prendia seus lindos cabelos escuros. — Principalmente você Miley, sei que você está muito cansada da viagem.

— Ah, obrigada. — respondi num tom frígido.

Logo me levantei e caminhei em direção ao “meu quarto”. Não sabia por que, mas não me sentia bem em chamar aquele quarto de meu, não por enquanto pelo menos. Assim que entrei, me joguei na cama e peguei meu laptop, com apenas um objetivo: mandar um e-mail para Leslie e desabafar sobre tudo.

Esperei uns poucos minutos, até que o computador iniciasse devidamente, pensando no que escrever. Logo que abri meu email, deixei que meus dedos digitassem por vontade própria, quase sem prestar atenção no que estava escrevendo.

“Oi Leslie.

Você nem imagina como eu sinto sua falta. Não ter você para me consolar faz tudo parecer mais difícil. Então, eu mal cheguei à Nova York e já estou odiando esse lugar. Primeiro porque, assim que saí do aeroporto, pegamos um engarrafamento dos infernos. Demoramos algumas horas até chegar aonde meu pai mora, o que me deixou exausta.

Segundo que a Allison, a mulher do meu pai (não gosto de chamá-la de madrasta), fica tentando ser legal comigo o tempo todo, mas eu não vou com a cara dela. Ela redecorou o quarto de hóspedes todo pra mim e fica toda hora me fazendo agrados. Eu sei lá, não gosto da idéia de ter alguém tentando tomar o lugar da minha mãe.

E, por fim, você nem acredita no desastre que aconteceu. Agora eu tenho um “irmão postiço”. Sim, meu pai me disse isso só hoje. O nome dele é Nicholas e ele tem a minha idade. Só que ele é um idiota. Eu estava tomando banho, quando ele de repente ele abre a porta e me vê... E, o pior, ele ficou me olhando por muito tempo. Meu Deus, que vergonha, eu acho que nunca senti tanta vergonha na minha vida. Agora não consigo nem olhar pra ele direito, que raiva.

Ai Leslie, você nem sabe como eu to me sentindo agora. Está tudo dando errado. Nem quero ver quando eu começar a ir pra escola vai ser um desastre...

Bem, quando eu tiver mais alguma coisa pra contar, te mando outro email, ok? E vou esperar por sua resposta.

Já estou morrendo de saudades.

-Miley”

No momento que enviei o email, notei a porta do quarto se entreabrir e o rosto de Nicholas surgiu na fresta. E, então, ele abriu mais a porta e adentrou no quarto.

— Ah, agora sim eu confirmei o que eu tinha dúvida. — comentei franzindo o cenho, assim que ele entrou.

— O que? — ele questionou.

— Que você realmente não sabe bater na porta antes de entrar. —abri um sorriso cínico.

— Ah, desculpe senhorita que ainda não conhece o poder da chave. — ele retrucou.

Respirei fundo, tentando me controlar para não atacá-lo fisicamente. Minha intenção, naquele momento, era fazer isso apenas com palavras mesmo.

— O que você quer aqui? — questionei a ele, rispidamente.

— Perguntar por que você foi tão grossa comigo no jantar. Simplesmente isso. — ele se aproximou mais de mim e fechou a porta.

— O que? — ri sarcasticamente. — Essa é a pergunta mais tola que você pode me fazer.

— O que aconteceu foi um acidente, para sua informação. Será que você não poderia ser menos arrogante e esquecer?

— Não! Está bom assim pra você? — novamente mostrei-lhe um sorriso petulante.

— Olha a gente mal se conhece e vai ter que conviver um com o outro, quer você queira ou não. Tem certeza que você quer começar as coisas desse jeito? — ele se pronunciou, após dar um longo suspiro.

— Hum... — dei de ombros.

— Esta bem então. — o observei sair do quarto e bater a porta.

Desliguei meu laptop e o guardei. Deite-me na cama em seguida, com uma raiva tremenda que me queimava por dentro. Milhões de coisas passavam pela minha cabeça e, sem nem perceber, acabei adormecendo, minutos depois. Tive uma noite tranqüila e sem sonhos, o que, pela primeira vez, me deixou feliz.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Deixem seus reviews, please eu amo ler todos os reviews maravilhosos que vocês deixam. Pode parecer que não, mas deixar comentários é muito importante. Vocês sabem que eu estou aberta a receber críticas e sugestões também. Ah e obrigada para todos que estão acompanhando. Bejs