If I were dead
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Callie PDV:
Estava sendo difícil pegar no sono. Durante toda minha vida nunca tive problemas para dormir, mas minha conversa com Arizona hoje... eu não conseguia manter meus olhos fechados por mais de cinco segundos.
Eu sei que não deveria estar me preocupando com ela, afinal foi um erro dela que nos colocou nesta situação, ela estava errada, não eu; ela não merece que eu me preocupe com ela, mas mesmo assim eu me preocupo. Por mais que eu sempre diga para mim mesma que eu estou certa, por mais que eu queira acreditar que não deveria sentir vergonha do que eu fiz, eu não consigo... não quando minha esposa pensa que eu preferiria que ela estivesse morta.
Conforme continuo deitada em minha cama, que não era realmente minha, as palavras que Arizona disse mais cedo não param de ecoar em minha cabeça. "Honestamente? Eu acho."
Ela tinha esse olhar de tristeza em seu rosto... de uma aceitação silenciosa. Minha esposa realmente acreditava que eu a preferia morta do que ter que encarar a infidelidade. Como ela pôde pensar isso? Não é verdade. Mesmo com o jeito que eu estava a desprezando nessas últimas semanas... minha vida estaria arruinada se eu a tivesse perdido.
Apesar... como ela mesma havia falado, de certa maneira, eu havia a perdido. As coisas jamais seriam iguais entre nós, não como foram um dia... mesmo que ela tenha me perdoado pela autorização para amputarem sua perna, mesmo se eu perdoasse sua infidelidade, jamais seremos como fomos um dia.
Respiro fundo quando meus pensamentos se direcionam para a nossa conversa, depois daquelas palavras tão devastadoras eu não aguentei e me retirei da sala. Eu precisava sair do escritório dela, eu queria fugir... fugir para nunca mais ser encontrada... aquele era um pensamento muito egoísta, mas era tudo o que eu tinha na cabeça naquele momento. Durante o tempo que passamos naquela sala eu pude perceber que ela se arrependia de tudo que tinha feito e sabia que ela precisava falar, mas ouvir ela falando sobre a Lau... Deus, não quero nem pensar no nome daquela mulher... quando Arizona falou o nome daquela mulher, eu senti meu estômago revirar.
Apesar do fato de eu saber que deveria ter ficado e a convencido de que eu não a desejaria morta — ela merecia saber disso — eu apenas não consegui, assim que ela disse que o que havia restado do acidente era a Arizona confusa que estava ali na minha frente, assim que ela disse que nossas vidas haviam mudado e jamais seriam como antes, eu me levantei sem dizer uma palavra e saí da sala.
Ela não me seguiu quando fui buscar Sofia; eu apenas peguei minha filha e fui para casa... não, nós não fomos para casa, aquela não era nossa casa...
Mas então agora... depois de tudo isso, me encontro deitada em uma cama, que não é minha, olhando para o teto no meio da noite, incapaz de pegar no sono. Sofia está dormindo ao meu lado; ela têm passado a maioria das noites no quarto da Zola na cama extra que Meredith e Derek tão gentilmente haviam providenciado, mas hoje... hoje eu precisava ter ela ali perto de mim, ela me traz uma certa paz, ela consegue fazer meu mundo melhor e me dá esperança de que tudo vai ficar bem, ela consegue me fazer sentir isso tudo com apenas um sorriso, mesmo que durante seu sono, como agora, com aquele pequeno sorriso no canto de sua boca.
Depois de horas rolando pra lá e pra cá na cama finalmente consigo dormir, mas não por muito tempo pois meu pager começa a apitar. Reclamo enquanto me levanto da cama e saio do quarto, mas não sem antes dar um beijo na testa do anjinho que ainda dormia profundamente.
Entrando na cozinha percebo que Meredith já estava de pé amamentando Bailey, depois de organizar as coisas para que ela pudesse levar Sofia para creche em meu lugar já me encontrava à caminho do hospital.
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Agora, três horas depois, me encontro observando a perna aberta da vitima de vinte anos que sofreu um acidente de moto. — A abertura dos vasos parecem estar maiores. — Digo enquanto tentava controlar o sangramento. — Acho que isso vai levar mais tempo do que eu esperava, que tal uma ajuda? — Sinalizo para Murphy pegar as ferramentas necessárias.
– Doutora Torres? — Karev chama por mim ao entrar na sala de cirurgia. — Acho que talvez você queira largar as ferramentas. — Ele disse com uma certa preocupação em sua voz. O que está acontecendo? Por que o aluno da minha esposa está falando para eu largar minhas coisas?
– Dr. Karev, estou no meio de uma cirurgia muito complicada, tem alguém nesta mesa que precisa de minha ajuda. Por que eu largaria minhas ferramentas? — Eu pergunto com meu famoso olhar que todos sabem que não deve ser contrariado.
– Você precisa... é a Robbins.
O que que Arizona quer agora? Mesmo me sentindo culpada pela minha mentira, eu sabia que precisávamos conversar depois que saí daquela forma da sala dela, mas não no meio da noite quando eu estava resmungona por ter sido retirada do meu precioso sono, eu não queria vê-la nem pintada de ouro. — Dr. Karev, a não ser seja algo relacionado à minha filha, quem eu deixei com Meredith e Derek por falar nisso, Dra. Robbins pode se resolver muito bem sozinha.
– Eu preciso que você largue suas ferramentas. — Ele diz sem ao menos processar o que eu havia acabado de falar, e agora ele quem estava me olhando de maneira estranha. Hesitei por alguns momentos, mas fiz como ele havia pedido.
– Chama o White pra me substituir. — Digo para Murphy antes de me retirar. — Tudo bem, Karev, o que está acontecendo? O que que a Arizona quer? — Eu não consigo explicar isso, mas mesmo estando do jeito que estou não consigo deixar de me preocupar com ela.
– Torres, eu preciso que você me escute com...
– Estou escutando! — O interrompo. Será que dava pra ele ir direto ao ponto? Minhas mãos começaram a tremer conforme um sentimento estranho dominava meu corpo.
– Aconteceu um acidente. — Ele disse me olhando nos olhos. — Ligamos pra ela para uma cirurgia de emergência, mas ela não atendeu. Achei estranho então depois que havia terminado fui até o apartamento e...
Eu conseguia sentir meu coração batendo rápido em meu peito, tão rápido que pensei que fosse pular para fora. — Um acidente? — Pergunto. — Cadê ela, Alex? Onde está minha esposa? — As lágrimas agora escorriam por meu rosto e eu não tinha como controla-las. — Cadê a Arizona?
– Eu a encontrei no box do banheiro, ela deve ter escorregado e batido a cabeça, trouxemos ela pra cá e já estão trabalhando nela na sala de trauma 1.
Eu olhei para ele de boca aberta, sem conseguir processar o que estava me dizendo, mas não importava que eu não estivesse entendendo porque minhas pernas já estavam me carregando em direção ao elevador.
– Callie... Callie espera! — Ele chamou enquanto corria atrás de mim. Ele conseguiu entrar no elevador segundos antes da porta fechar. — Ela não está nada bem, não tinha pulso quando a encontrei mas consegui trazê-la de volta... mesmo assim o caso não é nada fácil. Shepherd acha que ela tem uma subdural. — Pude sentir meu estômago enjoar ao ouvir as palavras dele. Ela estava morrendo!
Por que essa merda de caixa de metal não anda mais rápido? Pensei enquanto socava a parede.
– Callie! — Karev grita e me puxa para um abraço apertado, meu reflexo foi automático e me soltei do abraço quando as portas do elevador se abriram e saí correndo em direção a sala de trauma 1. Congelei quando olhei dentro da sala, eu podia ver seus cabelos loiros molhados, água misturada com sangue, enquanto Bailey, Shepherd e Hunt trabalhavam para salvar a vida dela. Ela estava completamente nua e não estava usando sua prótese... Karev a encontrou no banheiro. Por que ele não a cobriu?!
Minha preocupação com a dignidade de minha esposa logo se dissipou quando o monitor começou a disparar. — Ela está indo de novo! — Bailey, que já estava com o desfibrilador na mão, grita. — Carrega em 200! — Meu corpo começa a tremer enquanto assisto a cena que ali se passava. — Afasta! — Eu assisti o corpo de Arizona pular na mesa conforme a eletricidade passava por seu corpo.
Karev finalmente me alcançou e senti suas fortes mãos me segurando quando o monitor começou a gritar novamente. — Arizona, por favor! Arizona, por favor, volte! Não se atreva a me deixar, volte aqui! — Eu grito quando Bailey lhe dá um segundo choque.
– Torres, cale a boca! — Bailey grita comigo antes de se virar para seu interno. — Carregue novamente! — Ela não ia desistir da minha esposa. — Afasta! — Outra onda de choque, mas dessa vez as linhas no monitor não oscilavam, era uma única linha reta. Eu assistia quase que em modo automático conforme eles faziam compressões, aplicavam remédios e davam o seu melhor para trazê-la de volta.
– Quanto tempo? — Bailey pergunta a enfermeira ao seu lado. Eu não precisei escutar a resposta, eu sabia quanto tempo já havia passado. Já havia passado tempo o suficiente para que ela não voltasse mais. Seu corpo havia desistido, minha esposa estava morta.
– Arizona! — Gritei acordando, uma linha de suor em meu rosto. Meu corpo estava tremendo tanto que era quase impossível me manter sentada. Uma vez que finalmente consegui me levantar, esfreguei meus olhos e observei o quarto. Me sentia um pouco perdida... Onde estou? Não levou muito tempo para que eu entendesse que tudo aquilo não passava de um sonho. Ver minha esposa morrendo tinha sido realmente um sonho muito ruim, um pesadelo. — Graças a Deus. — Digo sentindo um grande alívio. Olho para a cama e vejo que Sofia não havia acordado com meu grito, ainda bem que ela puxou meu sono pesado.
Com meu corpo ainda estremecido me dirijo para a cozinha para beber um copo d'água, minha boca estava seca demais.
– O que você está fazendo acordada? — A pergunta de Meredith me assusta, me fazendo olhar para trás em direção a sala de estar. Ela estava com o recém chegado Bailey em seus braços, aquela criança não dava uma folga! Era um milagre quando ele dormia por pelo menos três horas direto. — Está tudo bem? Ela acrescenta quando percebe minhas mãos trêmulas.
– Tive um pesadelo. — Digo e depois entorno toda a água do copo de uma vez. — Arizona, sonhei que ela... que ela tinha morrido.
Meredith não consegue se segurar e solta uma alta risada. Por que ela está rindo, isso não tem graça nenhuma!
– Não me olhe assim. — Ela diz, aparentemente ela percebeu o olhar que eu tinha. — Não leve isso tão a sério. Ela está bem, ela não morreu, está viva.
– Como posso ter tanta certeza disso? — Digo ainda com um pouco de pânico em minha voz. — Ela não estava bem ontem, tivemos uma conversa e ela não estava bem... emocionalmente, é claro.
– Como assim? — Ela pergunta levantando uma sobrancelha. — Você acha que Arizona talvez tenha tendências suicidas?
Meus olhos arregalam em surpresa. — Você ache que ela tem? — Eu não havia pensado nisso até agora, talvez meu sonho tenha sido algum tipo de premonição. Ai meu Deus!– Eu preciso ligar pra ela. — Digo desesperada enquanto tento pegar o primeiro telefone que encontrar. — Eu preciso saber se ela está bem. — Minha cabeça não estava trabalhando racionalmente, não depois daquele sonho horrível e do fato de que Meredith havia levantado a possibilidade da palavra com "s".
– Você não pode ligar pra ela. — Meredith diz se aproximando de mim, o menininho agora dormindo em seus braços. — São três da manhã, você pode ligar pra ela amanhã. É muito tarde... ou muito cedo, não sei, mas você não pode ligar pra ela agora. Você vai assustar ela... e se você realmente acredita na possibilidade de que ela tenha essas tendências, talvez você a instigue de certa forma. Espere até que você possa falar com ela pessoalmente. Volte para cama, durma e amanhã você fala com ela.
– Como é que eu vou dormir agora que eu fiquei com a imagem dela caída no chão da nossa cozinha com uma poça de sangue em volta porque ela cortou os pulsos? — Digo desesperada. A palavra medo não chegava nem perto de descrever o que eu estava sentindo agora.
– Callie, ela não está morta, ela provavelmente está dor...
– Todos que eu amo ou me traem ou morrem. — Eu a interrompo. — George fez os dois. — Repito as palavras que disse ao Derek há quase um mês atrás.
– Callie, Arizona não vai se matar, ok? Ela está bem. Vocês vão se resolver, vocês irão ficar bem. — Ela diz com um tom maternal. — Agora volte para cama antes que Sofia acorde e comece a chorar assustada porque a mamãe não está lá.
– Tudo bem, vou tentar. — Digo bocejando conforme começo a andar de volta em direção ao "meu" quarto.
Fecho a porta devagar e observo minha filha dormir enquanto me encosto na parede, quando escuto as luzes serem apagadas na cozinha e Meredith fechar a porta de seu quarto eu tomo uma decisão, eu sabia o que precisava fazer. Dane-se! Eu não vou esperar.
Começo a juntar minhas coisas e as coisas da Sofia e coloco-as em duas malas antes de acordar minha Bela Adormecida. Eu ia atrás da minha esposa, e eu ia atrás dela agora!
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